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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE ARQUITETURA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA
COLUNATAS VEGETAIS
Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre
RICARDO CALOVI
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADA COMO REQUISITO
PARCIAL PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM ARQUITETURA
ORIENTADOR
PROF. CLAUDIO CALOVI PEREIRA, PhD
PORTO ALEGRE, NOVEMBRO DE 2009.
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Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.i
Dedico este trabalho à minha esposa Milene, por sua incansável
ajuda e companheirismo nesta jornada.
Agradecimentos
À Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ao Programa
de Pós-Graduação e Pesquisa em Arquitetura.
Minha sincera gratidão àqueles que se solidarizaram ao meu esforço e me forneceram
apresto e incentivo a elaborar este trabalho. Entre eles os colegas de curso Ana Elísia da
Costa, Rodolfo Sastre, Samantha Diefenbach, Isabela Brisighello, Eduardo Rocha,
Alessandra Szekut e Jamile Silva.
Aos colegas arquitetos: Adriane Karkow e Fabiano Scherer, Rodrigo Melchiors, Marcos
Bueno, Cícero Alvarez, Marcos Miethicki e Rinaldo Barbosa pelas colaborações e
oportunidades a mim confiadas.
Aos diversos profissionais da prefeitura, das várias secretarias que tanto colaboraram
com seu empenho e presteza na coleta de dados, entre eles: os professores Glênio
Bohrer e Luís Merino. Os funcionários Arq. Ana Luiza Oliveira, Arq. Ana Maria Germani,
Osmar Rodigheri, Luis Antonio Oliveira da Silva (in Memoriam) e Arq. Carla Hilgert.
Aos professores Célia Ferraz e Gilberto Cabral pelo subsídio bibliográfico e apoio. Ao
prof. Renato Fiore pelo contínuo estímulo e pela contribuição acadêmica.
Ao meu orientador Cláudio Calovi Pereira pela incansável paciência, pelo contínuo
incentivo, pelo rigor e exemplo na busca da excelência.
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Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.ii
Índice
Resumo
1
Abstract
1
Introdução - Colunatas vegetais, palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre
2
Parte 1 – Compêndio Histórico
Breve histórico do uso da vegetação como elemento compositivo 4
Capitulo 1 - O paisagismo associado à arquitetura e ao urbanismo 4
O Jardim Pitoresco 11
Brasil 12
Capitulo 2 - A Palmeira 16
Pindorama 19
Capitulo 3 - Taxonomia 20
Capitulo 4 - Evolução e caráter do uso da palmeira-imperial no Brasil 27
Horto Real Botânico 28
Missão Francesa, novo modo de fazer arquitetura 34
Parte 2 – Conceitos arquitetônicos
36
Capitulo 1 - A Coluna 36
As Ordens Clássicas 39
Capitulo 2 - Ritmo 53
Ritmos Colunares – Organizadores Espaciais 58
Capitulo 3 - Precedentes Cariocas 63
Jardim Botânico do Rio de Janeiro 64
Rua Paissandu 67
Palácio do Catete 72
Palácio do Itamaraty 75
Canal do Mangue 77
Capítulo 4 - Precedentes fora do Rio de Janeiro 83
Petrópolis 83
Quissamã 85
Palácio dos Príncipes (Joinville) 88
Blumenau 91
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.iii
Praça da Liberdade, Belo Horizonte 92
Casos paulistas 96
Cachoeira do Sul 98
Capitulo 5 - Casos Modernistas 100
Cidade Universitária, projeto de Le Corbusier 101
Cidade Universitária, projeto de Lúcio Costa 103
MESP 107
Outros Exemplos 108
Parte 3 – Porto Alegre e o esforço de embelezamento
111
Capitulo 1 - O Plantio das palmeiras 111
Capitulo 2 - O Plano de Melhoramentos 117
Capitulo 3 - A Exposição de 35 121
Capitulo 4 - A Porto Alegre de Gladosch e Loureiro da Silva 126
Parte 4 – Estudos de Caso
134
Capitulo 1 - Avenida Sepúlveda, o portal de entrada da cidade. 134
Capitulo 2 - Avenida Osvaldo Aranha 144
Capítulo 3 - Avenida Independência 151
Capítulo 4 - Avenida Getúlio Vargas 158
Capitulo 5 - Avenida João Pessoa 169
Capitulo 6 - Avenida Protásio Alves 183
Capitulo 7 - Praças e Jardins 191
Belém Novo 191
Praça Garibaldi 194
Hidráulica Moinhos de Vento 198
Recantos Europeu e Solar 202
Conclusão
205
Anexo 207
Catálogo de Composições 207
Esquemas de composições com palmeiras 211
BIBLIOGRAFIA 219
Índice de ilustrações 223
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.1
Resumo
Esta dissertação apresenta um estudo sobre o uso de palmeiras de grande porte no
paisagismo de espaços públicos (avenidas, parques e praças) de Porto Alegre durante o
período de 1935 a 1943. Os principais exemplos definem estudos de caso que são
investigados de modo documental e analítico em suas características compositivas e em
suas relações com a paisagem urbana. O estudo dos exemplares porto-alegrenses é
precedido por uma apresentação contextual dos temas da ordenação da paisagem por
meio da vegetação e do uso de palmeiras de grande porte no Brasil desde o período
Imperial. Como anexo, é fornecida um catálogo de diferentes disposições de palmeiras
fornecidas pelos estudos de caso abordados e pelos exemplos verificados em outros
locais no Brasil. Através dos dados levantados e sua análise, a dissertação intenciona
ressaltar a potencialidade do uso das palmeiras como configurador de cenários urbanos
ordenados em escala monumental.
Abstract
This dissertation presents a case study on the use of palm trees (Washingtonia robusta) in
the landscape of public spaces (avenues, parks, squares) in Porto Alegre, Brazil, during
the period 1935-1943. Documents about the study cases were collected and analyzed in
search of their design strategies and their relations to the urban context. The study cases
are preceded by sections on the theme of ordering landscapes by using vegetation and
the history of the use of great palm trees in Brazil since the Imperial period. A catalog is
provided with different possibilities of arrangement of palm trees as illustrated by the
case studied in Porto Alegre and other examples in Brazil. The dissertation intends to
stress the potential of great palm trees in creating urban scenarios with a sense of
ordered monumentality.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.2
Introdução
Colunatas vegetais, palmeiras e a cenografia
urbana em Porto Alegre
Este estudo trata do uso das palmeiras de grande porte em avenidas e parques de Porto
Alegre entre os anos de 1935 e 1943. Neste período as palmeiras são empregadas de
forma sistemática no paisagismo da cidade, sendo dessa época a grande maioria dos
casos remanescentes.
Os poucos e desencontrados dados sobre estas palmeiras na paisagem urbana da
capital gaúcha motivaram esta investigação. Porto Alegre exibe importantes avenidas
com palmeiras de grande porte, formando colunatas vegetais, fato este não detectado
em outras cidades do país em igual quantidade e extensão. Apesar desta
particularidade, este uso não é inédito no Brasil, sendo que a busca dos precedentes
nacionais é fundamental para melhor compreender os casos em Porto Alegre.
Os fatores determinantes para elencar os casos porto-alegrenses dignos de estudo
foram o modo em que as palmeiras estão dispostas de forma ritmada e organizada e
de modo a configurar uma seqüência clara e inteligível. Outro fator de escolha foi a
utilização destas palmeiras na organização de espaços públicos como grandes avenidas
e parques.
Embora a palmeira imperial seja a espécie mais famosa de palmeira de grande porte no
Brasil, atingindo mais de 35 metros de altura, Porto Alegre faz uso de outra variedade.
Trata-se da palmeira-da-califórnia, de menor tamanho mas que também possui um
porte imponente ao alcançar cerca de 30 metros de altura. Mesmo nos dias de hoje,
muitos porto-alegrenses não sabem qual a espécie utilizada em Porto Alegre. Até
mesmo em prospectos turísticos informam que as grandes palmeiras da capital seriam
do tipo imperial.
1
1
http://www.riogrande.com.br/turismo/capital7.htm;
http://www.riograndedosul.net/index.php?page=details&id=10179&cid=531;
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.3
Os precedentes brasileiros de grandes palmeiras dispostas de forma sistemática, de
modo a organizar o espaço, usam palmeiras imperiais e datam ainda do Brasil Imperial.
Nesta época, o emprego da palmeira imperial expressa valores como a ordem, a
monumentalidade e a direcionalidade. O caráter de sofisticação e elegância oriundas da
palmeira imperial serão os mesmos almejados nos casos porto-alegrenses, que fez uso
de outra espécie que melhor se adaptaria ao seu clima temperado subtropical.
Foram plantadas em Porto Alegre por volta de 1000 palmeiras-da-Califórnia num
período inferior a oito anos (1935-1943), alterando definitivamente a imagem da
cidade, principalmente quanto ao embelezamento de suas vias públicas e parques.
Neste breve intervalo, somente dois prefeitos estiveram no comando da capital gaúcha e
muitas das transformações por eles promovidas no âmbito da paisagem urbana
permanecem até hoje como testemunho de um período de importantes transformações
urbanas. Entender o importante papel que as colunatas de palmeiras tiveram nestas
transformações é o objetivo desta dissertação.
http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2537224.xml&template=3
916.dwt&edition=12461&section=1006;
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.4
Parte 1 – Compêndio Histórico
Capitulo 1
Breve histórico do uso da vegetação como
elemento c
ompositivo
O paisagismo associado à arquitetura e ao urbanismo
Os romanos produziram arquitetura paisagística em uma escala extensiva. Vitrúvio se
refere à arquitetura paisagística em trechos do seu tratado como, por exemplo, no
prefácio e em seu primeiro livro, onde fala sobre a disposição das cidades.
Figura: 1
Villa Adriano (planta baixa), Tiber, atual Tívoli.
Fonte: Ackerman, James. The Villa, 1990.
Um exemplo remanescente na arquitetura romana é a “Villa de Adriano”, projeto do
próprio imperador no ano ci. 120 d.C.. Nesta Villa ainda hoje é possível apreciar o grau
de sofisticação praticado pelos romanos quanto ao paisagismo, com lagos artificiais,
caminhos e recantos dispostos ao longo de aproximadamente 100 hectares. Também os
textos de Plínio e Varro oferecem descrições sobre os jardins da época romana.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.5
Figuras 2 e 3
Villa Laurentinum de Plinio, séc. II d.C. virtualmente reconstruída por Winnefeld (planta), e por Leon Krier (perspectiva)
Fonte: Ackerman, James. The Villa, 1990.
A produção paisagística durante a Idade Média é pouco expressiva, reduzindo-se a
poucas obras, normalmente jardins privados de propriedade eclesiástica. Já o
Renascimento marcaria a volta da tradição romana de jardins ornamentais, com uso de
estátuas, fontes, aproveitamento de desníveis com terraços e escadarias, acompanhados
por água corrente. A axialidade e o rigor geométrico da arquitetura romana se refletiam
na organização dos jardins renascentistas, onde se utilizavam árvores de porte como
peças compositivas. Dentre elas o loureiro, o cipreste, o azinheiro e o pinheiro italiano.
Loureiro
Laurus nobilis
Cipreste Italiano
Cupressus sempervirens
Pinehiro Italiano
Pinus pinea
Azinheiro
Quercus ilex
Durante o Renascimento, o paisagismo de vertente italiana iria se caracterizar por uma
extensão do racionalismo arquitetônico aos jardins adjacentes aos edifícios e
posteriormente influenciaria a produção francesa quanto ao rigor geométrico típico do
Renascimento.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.6
Figura: 4
Villa Médici, Monte Pincio, Roma. 1580.
Fonte: Ackerman, James. The Villa. 1990.
Dentre os exemplos de jardins geométricos Renascentistas italianos podemos destacar as
diversas villas da família Médici do século XV. No século XVI podemos citas a Villa Lante,
a Villa d’Este
2
(Tivoli), a Villa Madama de Rafael nas imediações de Roma até o pitoresco
caso do Bosque de Bomarzo.
As Villas do século XVII, na Itália Barroca apresentam jardins mais extensos e compostos
por parterres
3
, elementos de composição paisagística que muito enriqueceriam os
jardins barrocos franceses de inspiração italiana.
Os “parterres” vem do século XVI, quando foram desenvolvidos simples compartimentos
modelados pelo entrelaçamento de ervas que podiam ser abertos e preenchidos com
areia ou fechados e seu interior completado por flores. Um parterre é um componente
de um jardim formal, plantado numa superfície plana e consiste em canteiros de flores
ou outras plantas, delimitados por sebes
4
baixas ou muretas de pedra de proteção dos
leitos florais interiores, rodeados de alamedas normalmente pavimentadas com
cascalhos e dispostas simetricamente. O parterre foi desenvolvido na França por Claude
Mollet, fundador de uma dinastia de projetistas de viveiros que existiu durante o século
XVIII.
2
ACKERMAN, James S..The Villa: Form and Ideology of Country Houses Princeton University Press, 1990.
3
Os parterres podem ser exclusivamente desenhados com plantas e arbustos, sem incluir flores.
4
def. Houaiss: cerca de plantas ou de arbustos e ramos secos.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.7
Figura: 5
Villa Lante, Roma
Fonte: Ackerman, James. The Villa.
Na França do século XVII, surge o jardim formal francês, que tem suas origens nos
jardins italianos do século XVI, tais como os Jardins de Boboli nos fundos do Palazzo
Pitti em Florença. Este tipo específico de jardim formal tem como característica sua
disposição centrada na fachada da edificação, de onde irradiam avenidas pavimentadas
com cascalhos. Seus gramados possuem parterres que devem ser cuidadosamente
mantidos e aparados a fim de preservar a pureza de suas formas; também apresenta
fontes, esculturas e espelhos d’água dispostos de modo geométrico.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.8
Figura: 6
Villa d'Este, Tivoli, de Pirro Ligorio, ci. 1565-72. Vista área por Etienne Dupérac, 1573
Fonte: Ackerman, James. The Villa. 1990.
Figura: 7
Villa Lante, Bagnaia, de Giulio Romano, ci. 1518-20. Gravura de Tarquinio Ligustri, 1596
Fonte: Ackerman, James. The Villa. 1990.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.9
Os jardins do Palácio de Luxemburgo feito por Jacques Boyceau
5
entre 1612 e 1613
deve ser destacado como um dos primeiros e importantes projetos paisagísticos
franceses. Contudo, o maior nome do paisagismo francês no século XVII viria a ser
André Le Nôtre, paisagista responsável pelos jardins do palácio Vaux-le-Vicomte (1656 a
1661) que posteriormente se torna o paisagista de Luís XIV, quando projeta os jardins
do Palácio de Versalhes (1662 a 1687). Entre 1663 e 1667 trabalha nos jardins do
Palácio das Tulherias.
5
Jacques Boyceau, sieur de la Barauderie (ca 1560–1633) paisagista francês, foi superintendente do
Jardins Reais durante o reinado de Luís XIII que publicou postumamente (1638) o “Traité du iardinage
selon les raisons de la nature et de l'art”, que foi um tratado que serviria de base teórica para os “jardins
formais” franceses.
Figura: 8
Jardins do Palazzo Pitti, Florença.
Fonte: autor, 1994.
Figura: 9
Palazzo Pitti – Florença.
Fonte: Candida Martinelli's Italophile Site
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.10
Figura: 10
Palácio Vaux-le-Vicomte, gravura do século XVII, vista do jardim frontal
projetado por André Le Nôtre.
Fonte: www.wikipedia.com
Destaca-se nestes jardins o intento de ordenar a paisagem natural à semelhança dos
espaços públicos urbanos. Desse modo, massas verdes, gramados, espelhos d’água e
caminhos pavimentados são usados como elementos para compor um cenário de
experiências visuais. Os grandes jardins de Versalhes talvez sejam o exemplo mais claro
das potencialidades compositivas do paisagismo.
Figura: 11
Palácio de Versalhes
Gravura de Gabriel Pèrrelle
1766
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.11
Figura: 12
Planta de Versalhes, 1746.
Fonte: www.wikipedia.com
O Jardim Pitoresco
A Inglaterra introduz uma nova vertente em relação à composição arquitetônica da m-
paisagem natural. Nela verificam-se a influência da cultura chinesa, com qual a
Inglaterra tinha uma intensa troca comercial no século XVIII. O jardim chinês ocorria em
topografia natural, com formas irregulares, suaves e livres. Este modo de compor o
jardim combinava com o movimento das artes do Romantismo, que esteticamente
buscava uma ruptura com a maior rigidez do neoclassicismo e uma busca pelo pitoresco
(LLARDENT, 1982). Kent
6
, Brown
7
, Repton
8
e Chambers
9
foram os expoentes maiores e
autores de grandes conjuntos, com domínio do novo estilo.
6
William Kent (1686-1748). Arquiteto e paisagista britânico, introduziu nos jardins ingleses o desenho
romântico, em contraste com as formas clássicas dos conjuntos arquitetônicos franceses e italianos
reinantes até então. Em 1727 projetou a residência-parque de Chiswick em Middlesex.
7
Lancelot Brown (1715-1783). Arquiteto e paisagista. Foi nomeado jardineiro real de Hampton Court.
Suas paisagens, com novas ondulações do terreno, com amplos cursos de água e plantações de árvores
agrupadas na parte mais alta das colinas, originaram numerosas sistematizações em grande escala.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.12
O paisagismo inglês mostra um traçado livre e sinuoso, sem formas geometricamente
esculpidas. A água estava em lagos irregulares ou riachos sinuosos, e a disposição
procurava imitar a natureza. Entre as primeiras características do jardim inglês estavam
os amplos gramados, pequenos bosques, plantas isoladas, uso de árvores mortas e
construção de ruínas. No século XIX este estilo de paisagismo irá originar os parques nos
grandes centros urbanos.
Embora os jardins pitorescos tenham aparência natural, também constituem operações
de ordenação arquitetônica da paisagem, tal como os parques geometrizados italianos e
franceses.
Figura: 13
Richard Payne Knight, a propriedade de Capability
Brown (“the beautiful") como projetada
fonte: Ackerman, James. The Villa.
Figura: 14
Payne Knight por ele mesmo (the "picturesque"), de” The
Landscape, 1794”
fonte: Ackerman, James. The Villa.
Brasil
Os primeiros trabalhos paisagísticos no Brasil português datam do final do século XVII,
dentre os quais está o projeto para o Passeio Público de 1773 no Rio de Janeiro pelo
Mestre Valentim, sob a gestão de do vice-rei Dom Luís de Vasconcelos. O traçado é
geométrico, formado por caminhos ladeados por fileiras de vegetação. Também há
8
Humperey Repton (1725-1818). Arquiteto e paisagista. A sua produção está contida nos famosos "Red
Books", nos quais ele registrava todos os seus projetos e realizações.
9
William Chambers (1727-1796). Arquiteto e escritor inglês, autor do livro "A Dissertation on Oriental
Gardening". Nesse livro, publicado em 1772, e fruto de suas viagens ao Oriente, ele expõe suas idéias
românticas de seu tempo sobre jardins. As suas descrições realísticas sobre os diversos tipos de jardins
chineses suscitaram profundo interesse e exerceram influência sobre os artistas ingleses.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.13
neste espaço obeliscos, um chafariz e o portão. Mais tarde, Glaziou alterou o traçado
para um padrão mais pitoresco.
Figura: 15
Planta do Passeio Público, de Mestre Valentim
Litografia em Um Passeio pela Cidade do Rio de Janeiro,
de Joaquim Manuel de Macedo.
fonte:
http://www.geocities.com/nunes_garcia/JM_P_Rio.htm
Embora o jardim botânico de Recife seja o mais antigo conhecido no Brasil, ele pouco
ou em nada influenciou seus sucessores pelo resto do país, visto sua efêmera existência
e desvinculação com a ocupação portuguesa.
“Na primeira metade do século XVII (1600 a 1644), em Pernambuco, por obra de
Maurício de Nassau, durante a invasão holandesa, deu-se início à História dos
jardins botânicos brasileiros... Sua concepção paisagística seguia os estilos do
renascimento italiano ao francês, resguardando elementos dos jardins medievais,
com pomares e hortas, plantas medicinais e aromáticas
10
.”
O Jardim Botânico do Rio de Janeiro é um exemplar pioneiro na composição paisagística
em larga escala no país. Nele surgiram as primeiras grandes perspectivas demarcadas
por palmeiras no Brasil (1842). Estas as primeiras iniciativas voltadas ao desenho da
paisagem com propósitos estéticos são atribuídas ao então diretor Frei Leandro do
Sacramento, o qual, supostamente, teria iniciado a transição de horto para jardim entre
1824 e 1829.
11
10
BRUNI, S. Brasil-Holandês: uma visão prospectiva do paraíso. In: MARTIUS, I. Brasil-Holandês. Rio de
Janeiro: Index, 1995. p. 19-20.
11
[Organizado] Instituto de Pesquisas Jardim Botânico Rio de Janeiro]. Jardim Botânico do Rio de Janeiro :
1808-2008 ed. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008. p. 82.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.14
O engenheiro francês Auguste Marie François Glaziou
12
foi um dos mais importantes
profissionais a trabalhar com paisagismo no Brasil Imperial. Em 1858 foi convidado a
assumir a direção dos Parques e Jardins da Casa Imperial, tendo assim realizado vários
projetos como reforma do Passeio Público, jardim da residência imperial da Quinta da
Boa Vista, Campo de Santana, Parque Imperial de Petrópolis, Largo de São Francisco e
Largo do Machado.
A geração sucessória foi marcada pelos trabalhos de Paul Villon, Reynaldo Dierberguer e
Arsene Puttamans.
13
12
Após formar-se em engenharia civil, Glaziou estudou botânica no Museu de História Natural de Paris,
onde aprofundou os seus conhecimentos em agricultura e horticultura. Veio para o Brasil em 1858, a
convite do Imperador D. Pedro II, para coordenar a Diretoria de Parques e Jardins da Casa Imperial, no Rio
de Janeiro, sendo oficialmente nomeado para o cargo apenas em 1869.
13
Gustaaf Winters. Apostila do Curso Avançado de Paisagismo.
Figura: 16
Reformulação do Passeio Público em 1861: Glaziou
modifica o projeto geométrico de mestre Valentim
e introduz um traçado romântico.
Fonte: http://www.passeiopublico.com
Figura: 17
Jardim da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro.
Projeto de Glaziou em 1869.
Fonte: http://www.passeiopublico.com
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.15
Figura: 18
Parque São Clemente, Nova Friburgo. Projeto de
Jardim Pitoresco projetado pelo paisagista francês
Auguste Glaziou em 1871.
Foto: Halley Pacheco
Figura: 19
Jardins da Praça da República, aproximadamente
1893/1894 (foto: Juan Gutierrez). Vista dos jardins
públicos projetados pelo paisagista francês Glaziou, em
1873, e completados em 1880.
Fonte: Museu Histórico Nacional
Figura: 20
Projeto para os jardins da Quinta da Boa Vista, por Glaziou.
Fonte: Arquivo Nacional
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.16
Capitulo 2
A Palmeira
A palavra “palma” é de origem remota e segundo o dicionário etimológico “Dictionary
of Word Origins”
14
é proveniente do latim, aludindo à forma do conjunto de folhas de
palmeira, como os dedos de uma mão. As palmeiras estão entre as espécies vegetais
mais antigas do planeta, com vestígios de mais de 120 milhões de anos. Apresentam
desenvolvimento perfeitamente individualizado, caracterizado quanto à forma e
aspecto. Como a maioria das plantas, possui raízes, caule, folhas e produzem flores,
frutos e sementes. Curiosamente, são consideradas as aristocratas do reino vegetal pelo
seu porte altaneiro e elegante. Essas características levaram a integrar a ordem
Príncipes” da Sistemática Vegetal.
15
No paisagismo, as palmeiras são de grande utilidade por sua ampla gama dos fatores
ornamentais, como a extensa gradação de altura, porte e textura; troncos colunares
lisos, bojudos, revestidos de fibra ou remanescente de folhas já caídas; folhas em leque,
planas armadas, pinadas, crespas arqueadas ou rijas, além dos vários tons de verde,
cinza-azulado ou amarelo-alaranjado. Tal leque de possibilidades faz das palmeiras uma
das plantas mais utilizadas no paisagismo.
Desde os primórdios, as grandes civilizações orientais mediterrâneas tinham as palmeiras
como elementos característicos de sua paisagem e habitat, possibilitando o surgimento
de alusões históricas e lendas relacionadas a elas. Para os assírios, estas plantas eram o
símbolo mais representativo da vida eterna se fossem plantadas junto a um curso
d’água. Algumas palmeiras tem qualidades nutritivas e eram também fonte de alimento
para os povos da antiguidade especialmente para os habitantes do norte da África e
sudoeste da Ásia
16
. Os antigos também faziam uso delas como matéria prima para
construções. Sendo parte do habitat da região do Eufrates até o Nilo, sua representação
14
AYTO, John. Dictionary of Word Origins. New York, ed.: Arcade Publishing, 1993
15
LORENZI, H. et al. “Palmeiras no Brasil: nativas e exóticas”.Nova Odessa (SP): Plantarum, 1996, p.7.
16
Ver “Palm Tree” in Strongs, J. “Strong’s exhaustive concordance”, Grand Rapids, EUA, 1982 p.769.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.17
em monumentos assírios e egípcios não é rara.
17
Como testemunho de seu
reconhecimento e apreço, referências sobre palmeiras
18
são freqüentes no Antigo e
Novo testamento da Bíblia.
19
Figuras: 21 e 22
Colunata de palmeiras-das-canárias (Phoenix canariensis) em Punta del Este, Uruguai e exemplo isolado.
Fonte: autor, 2007.
Figuras: 23 e 24
Colunata de palmeiras jerivá (Syagrus romanzoffiana) na Av. Farrapos, Porto Alegre e exemplo isolado.
Fonte: autor, 2005.
17
SODRÉ, José B.. Morfologia da Palmeiras como meio de identificação e uso paisagístico. José Barbosa.
Lavras - Minas Gerais / Brasil 2005.
18
Hepper, F. N.. Illustrated encyclopedia of Bible plants. Michigan, Grand Rapids, 1992. p. 283.
19
Ver: Harrison, Everett F.;Bromiley, Geoffrey W.. The International Standard Bible Encyclopedia. Grand
Rapids. Ed.: Eerdmansed, 1994.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.18
Figura: 25
Desenhos de colunas egípcias com
suas respectivas inspirações
botânicas. Na primeira linha a flor
de Lótus e na segunda linha o
Papiro.
Fonte: http://sandrashaw.com
Figura: 26
Templo de Luxor, Egito c 1350 a.C.
Fonte: http://sandrashaw.com
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.19
Figura: 27
Domenica delle palme, mosaico na
Cappella Palatina, Palermo – Itália.
ci. 1150 d.C., Entrada Triunfal em
Jerusalém.
Fonte: http://it.wikipedia.org
Pindorama
Em Tupi, o termo “pindorama” também significa "terras das Palmeiras",
20
e era o nome
dado ao Brasil pelos índios locais. Na visão indígena, a Terra-Mãe é sustentada por
quatro palmeiras, que possibilitam as quatro respirações das quatro raças que se
transformarão na virada dos tempos em uma quinta – o povo dourado, expressão da
superação de raças e da premência dos valores culturais.
21
Os Guaranis chamam a Deus pelo nome de Nhanderu, o nosso primeiro pai. Foi ele
quem dispersou as trevas primordiais com a luz de sua sabedoria
22
. Criou o mundo,
colocando-o sobre duas traves cruzadas, que por sua vez são apoiadas sobre quatro
palmeiras. No dia em que essas palmeiras desabarem, será o fim do mundo material
23
.
Antes mesmo da colonização européia do Brasil, a palmeira já possuía um status
singular na cultura indígena, ligado ao folclore religioso. O uso posterior adaptado ao
paisagismo mantém parte desta distinção dada a esta árvore.
20
Ver dicionário Houaiss.
21
Ver texto de Rosane Volpatto, http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendapindorama1.htm.
22
In: CADOGAN, L. La literatura de los Guaranies. México: E.d. Joaquín Mortiz, 1984, p. 51-53.
23
Id.,p. 57-63.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.20
Figura: 28
Gravura da Expedição de Martius, Família Palmae (Arecaceae)
Fonte: Vol. I, Part I, Fasc. Prancha 50 Publicado em 1906 - responsável pelo tratamento: Carl
Georg Oscar Drude [Drude]
Capitulo 3
Taxonomia
As palmeiras são plantas Monocotiledôneas
24
da família Arecaceae (Palmae) na
nomenclatura técnica. São representadas por cerca de 2.600 espécies reunidas em mais
de 240 gêneros. Algumas são conhecidas por nomes populares que as identificam
satisfatoriamente, mas muitas não os possuem ou se possuem, dão origem à confusões
por serem aplicados a plantas totalmente diferentes. Por esse motivo, devem ser sempre
conhecidas pelo nome botânico.
24
Classe da subdivisão das angiospermas, plantas caracterizadas pelo embrião com apenas um
cotilédone, ger. sem crescimento secundário em espessura do caule e da raiz, folhas freq. estreitas e com
nervação paralela, flores trímeras ou em múltiplo de três, e sementes que variam do tamanho de grãos de
poeira (como as das orquídeas) às maiores existentes (como as de algumas palmeiras).
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.21
As palmeiras são as plantas mais características da flora tropical, tendo capacidade de
expressar um caráter tropical associado à sua ocorrência em praias e margens de cursos
d’água. São por isso elementos importantes na composição do paisagismo nacional. Se
destacam pelo porte avantajado que as distingue de outras plantas.
Figura: 29
Gravura da Expedição de Martius, Família Palmae (Arecaceae)
Fonte: Vol. I, Part I, Fasc. Prancha 41 Publicado em 1906.
Figura: 30
Esquema com as principais partes de uma
palmeira.
Fonte: SODRÉ, José Barbosa Sodré. Morfologia
das Palmeiras como meio de identificação e uso
paisagístico. Lavras, Minas Gerais, 2005.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.22
Características das Palmeiras
As raízes fixam a planta no solo e exercem a função de absorver água e alimentos. São
cilíndricas, distribuídas subterraneamente, do tipo "cabeleira" ou "fasciculada", no qual
não se distingue uma raiz principal, sendo todas semelhantes. Outras raízes podem
aparecer no caule acima do solo, principalmente quando de matas úmidas.
Os caules ou estipes das palmeiras têm o nome especial de estipe ou estípite. Podem ser
chamados didática e popularmente de caules. São alongados, cilíndricos ou colunares,
geralmente sem ramificações e ostentam no ápice um rufo de folhas. Possuem estrutura
diferente dos troncos das árvores dicotiledôneas, visto que os destas últimas por serem
dotados de câmbio aumentam seu diâmetro por acréscimo de um novo anel ou de uma
nova camada. Em relação ao seu uso na arquitetura, as palmeiras apresentam a
vantagem de ter raízes pouco profundas, o que possibilita o plantio em superfícies rasas.
Também sua limitada extensão radial evita prejuízos aos calçamentos e instalações
subterrâneas.
O caule das palmeiras é duro e não possui casca no sentido que comumente se
compreende como tal nas árvores. A medula central é esponjosa e cercada por um anel
protetor, forte, de fibras que formam numerosos feixes verticais de tecido condutor,
xilemas
25
e floemas
26
. Sendo destituído do tecido cambial, uma vez formado não haverá
aumento de diâmetro. De interesse na arquitetura, os caules das palmeiras são em via
de regra, retos e de forma colunar, de diâmetro e altura relativamente uniformes.
As palmeiras apresentam uma grande diversidade de folhas quanto ao tamanho, forma
e divisão. Em diversas espécies são muito grandes e constituem as maiores do reino
vegetal como as de Raphia farinifera que chegam a ter mais de 12 metros de
comprimento. De interesse na arquitetura, a uniformidade das copas assegura unidade
nas terminações de conjuntos de palmeiras, tal como um capitel de coluna.
25
Em botânica, chama-se xilema ao tecido das plantas vasculares por onde circula a água com sais
minerais dissolvidos - a seiva bruta - desde a raiz até às folhas.
26
Em botânica, o floema é o tecido das plantas vasculares encarregado de levar a seiva elaborada pelo
caule até à raiz e aos órgãos de reserva.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.23
Direcionando a descrição taxonômica para os casos que serão abordados neste trabalho,
fica-se restrito a somente duas espécies: a Palmeira Imperial e a Palmeira-da-Califórnia.
Figura: 31
Syagrus romanzoffiana
Jerivá
Altura até 15 metros
Figura: 32
Livistona chinensis
Palmeira-leque-da-china
Altura até 15 metros
Figura: 33
Butia capitata
Butiazeiro
Altura até 7,5 metros
A Palmeira Imperial tem por nome científico Roystonea oleracea, e como nomes
populares: “palmeira real” e “palmeira imperial”. São sinonímias
27
: Areca, Oreodoxa
caribaea, Oreodoxa charibaea, Oreodoxa, Oreopanax, Roystonea caribaea, Roystonea
oleracea, Roystonea venezuelana. É uma palmeira solitária, ou seja, de caule único. É
robusta e altaneira, provida de palmito de mais de 2 m de comprimento, alcançando até
40 metros de altura. Apresenta caule colunar ou levemente dilatado, de delineamento
uniforme e elegante, liso, de cor esbranquiçada, com cerca de 60 cm de diâmetro. Suas
folhas são pinadas
28
, em número de 16 a 22 contemporâneas, de 2 a 4 m de
27
Sinonímia é a divisão na Semântica que estuda as palavras sinônimas, ou aquelas que possuem
significado ou sentido semelhante. Segundo o dicionário Houaiss: conjunto de sinonímias ('coleção');
sin/var deste dicionário organizaram-se coleções de variantes e de sinônimos, às quais se acrescentaram,
por vezes, palavras de significação afim, conceituando, portanto, de modo aberto a noção de sinonímia.
28
Ver Figura: 36. Segundo o dicionário Houaiss, Rubrica: morfologia botânica. m.q. penado. Dotado de
folíolos ou pinas que se inserem ao longo de um pecíolo comum, assemelhando-se a uma pena (diz-se de
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.24
comprimento, planas pela distribuição uniforme das pinas, dispostas obliquamente,
porém as inferiores são mais ou menos horizontalizadas, deixando mostrar o palmito.
Seus frutos são pequenos, de formato cilíndrico-alongados, e de cor arroxeada. A
palmeira imperial é uma palmeira de clima tropical de pleno sol, mas apresenta boa
tolerância ao frio invernal de regiões subtropicais e temperadas amenas. Ela apresenta
boa adaptação às regiões. Sua origem é caribenha, ocorrendo nas Antilhas, em áreas
litorâneas baixas e úmidas, no norte da Venezuela e no nordeste da Colômbia, em mata
ciliar. Seu uso é freqüente em parques brasileiros como planta isolada, em grupos,
fileiras ou aléias
29
. Exige local espaçoso e ensolarado. O seu palmito é comestível. Suas
mudas apresentam frutificação durante os meses de verão e sua reprodução dá-se por
sementes que germinam com relativa facilidade em cerca de 70 dias.
30
Figura: 34
Desenho esquemático das partes que compõem as folhas pinadas e palmadas de
uma palmeira.
Fonte: SODRÉ, José Barbosa Sodré. Morfologia das Palmeiras como meio de
identificação e uso paisagístico. Lavras Minas Gerais, 2005.
folha composta). Também em que há uma única nervura primária e central, da qual partem, em ambos os
lados, as nervuras de ordens maiores (diz-se de nervação foliar).
29
Definição segundo dicionário Houaiss: série de arbustos ou árvores dispostos lado a lado, em fileira.
30
LORENZI, H. et al. “Palmeiras no Brasil: nativas e exóticas”.Nova Odessa (SP): Plantarum, 1996.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.25
Figura: 35
Roystonea oleracea
Palmeira Imperial
Altura até 40 metros
Figura: 36
Washingtonia robusta
Palmeira-da-Califórnia
Altura até 30 metros
Figura: 37
Phoenix canariensis
Palmeira-das-Canárias
Altura até 18 metros
As figuras 31, 32, 33, 35, 36 e 37 são uma relação das palmeiras encontradas com
maior freqüência na arborização e paisagismo brasileiro.
31
31
Desenhos e dados: Enviromente Horticulture, University of Florida, <www.http://hort.ifas.ufl.edu> e
Field Guide to the Palms of the Americas, de Henderson, Andrew; Galeano, Glorie e Bernal, Rodrigo.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.26
A Palmeira-da-Califórinia tem por nome científico Washingtonia robusta, e por nomes
populares “palmeira-de-leque-do-méxico”, “palmeira-da-Califórnia”, “palmeira-de-saia”,
“washingtônia-do-sul” e tem como sinonímias: Neowashingtonia robusta,
Neowashingtonia sonorae, Washingtonia sonorae, Washingtonia robusta e
Washingtonia gracilis, Washingtonia filifera.
É também uma palmeira solitária, ou seja, de caule único, elegante, que atinge até 30 m
de altura, formando uma copa compacta. Seu caule é mais fino do que a Washintonia
filifera
32
, dilatado na base e sendo revestido na juventude pelas bases das folhas já caídas
que formam um desenho cruzado, que desaparece nas plantas idosas deixando-o liso e
acinzentado. Sua folhas são flabeliformes (em leque), costapalmadas, divididas até o meio
em muitos segmentos rijos de ápice pêndulo e com longos fios brancos em suas margens na
juventude que desaparecem com a idade. A base de sua face inferior é provida de uma
mancha bronzeada e característica desta escie, principalmente nas folhas novas. A folha
apresentam um pecíolo marrom e marcadamente espinhento, principalmente nas plantas
jovens. As inflorescências ficam dispostas entre as folhas inferiores, excedendo-as no
comprimento, ramificadas e pendentes. Por ser uma palmeira tropical, sua exigência
ambiental faz dela tolerante ao pleno sol, a solos pobres e áridos (semidesérticos), e aos
climas subtropical e temperado ameno. Tem crescimento mais rápido que a espécie afim
Washingtonia filifera. Tem sua origem do noroeste do México (Baixa Califórnia), ao longo
de cânions, cursos d'água e em lugares úmidos, bem como próximo ao mar. Esta espécie é
muito difundida no sul e sudeste do país, sendo mais cultivada que a Washingtonia filifera..
Sua reprodução por mudas apresenta frutificação abundante durante o verão. Multiplica-
se por sementes que germinam em torno de 30 dias.
33
Uma das características que facilitam a diferenciação entre estas duas espécies de
grandes palmeiras é o tipo de suas folhas. Na ilustração abaixo há uma comparação
entre os dois tipos de folhas, da palmeira-imperial à esquerda e da palmeira-da-
Califórnia à direita.
32
Espécie muito próxima da Washingtonia robusta e confundida com a mesma aos que desconhecem
suas particularidades.
33
Idem 30.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.27
Capitulo 4
Evolução e caráter do uso da palmeira-imperial
no Br
asil
A chegada da Palmeira Imperial no Brasil pode ser associada a disputa entre os reinos de
França, Portugal e Holanda por espécies exóticas com finalidade comercial. Por um erro
histórico acreditava-se que as primeiras plantas tinham sido trazidas do Jardim Gabrielle,
na Guiana Francesa, de onde vieram muitas plantas, principalmente durante as guerras
napoleônicas. Porém as primeiras plantas que chegaram aqui vieram, na verdade, das
ilhas Maurício, do Jardim La Pamplemousse, trazidas em 1809 e presenteadas a Dom
João VI
34
. Entre elas, estava a Palma Mater.
Em Edital da Junta do Comércio do Rio de Janeiro, datado de 27 de julho de 1809,
foram instituídos prêmios, medalhas e, inclusive, isenção de impostos e dispensa do
serviço militar para quem remetesse sementes e mudas de novas espécies da Índia para
os hortos e viveiros do Brasil
35
. A primeira remessa importante foi, aliás, aleatória.
Chegou ao Rio de Janeiro em 1809 um oficial da marinha portuguesa, Luiz d’Abreu
Vieira e Silva. Capturado pelos franceses numa viagem no Oceano Índico, fora levado à
Ilha Maurício. Solto, conseguiu obter sementes de várias espécies, entre elas as de noz
moscada, cânfora, manga, lechia, abacate e da palmeira, que seria presenteada ao
próprio Dom João VI.
36
As palmeiras imperiais haviam sido levadas do Caribe e
aclimatadas nas Ilhas Maurício pelos franceses.
34 JOBIM, Leopoldo C. Os Jardins Botânicos no Brasil Colonial. Lisboa: Biblioteca do Arquivo do Museu de
Lisboa, v. 2, n° 1, 1986, p.91.
35
SARTHOU,C. Relíquias da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro:Atheneu, 1965
36
J. Barbosa Rodrigues, Hortus Fluminensis (Rio de Janeiro, 1893), pp. ii-vii, xxiii. L. d’Abreu, “Relações das
plantas exóticas e de especiarias, cultivadas no Real Jardim da Lagoa de Freitas”, O Patriota; Jornal
Litterário, Político, Mercantil, etc., do Rio de Janeiro, 1 (março, 1813), 19-22; Almeida, “Aclimatação”, p.
405; Arruda da Câmara, Discurso sobre a utilidade, pp. 13-14; C. F. S. Cardoso, Economia e sociedade em
áreas coloniais periféricas: Guiana Francesa e Pará (1750-1817) (Rio de Janeiro, 1984), p. 156. O mesmo
autor oferece mais detalhes sobre a introdução das especiarias na sua tese de doutoramento: “La Guyane
française (1715-1871); Aspects économiques et sociaux (Université de Paris X, 1971), pp. 349-354.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.28
Deste modo, a palmeira imperial foi introduzida no Rio de Janeiro em 1810 por Dom
João VI, no Jardim da Aclimatação (futuro Jardim Botânico)
37
. Nesta época o Rio de
Janeiro havia acolhido a Família Imperial e se tornara a sede do Império Português. O
envolvimento do rei fez com que essa espécie fosse chamada de palmeira-real e, mais
tarde, palmeira imperial.
O adjetivo “imperial” se deve ao modo como ela foi introduzida no Brasil e também
pelo fato de, mais tarde ter sido presenteada pelo Imperador Dom Pedro II aos que lhe
eram próximos.
38
Este imperador presenteou palmeiras a pessoas cujo status as
distinguisse na sociedade. Um exemplo disso é o caso do atual Palácio Itamaraty, que foi
construído pelo Conde de Itamaraty entre 1851 e 1855, com jardim marcado por fileiras
de palmeiras, o que associou a palmeira imperial à nobreza. Mesmo após o Segundo
Império, período em que ocorreu o ápice da valorização simbólica das palmeiras
imperiais, seu uso foi continuado como legitimador de status político, social ou
financeiro durante a República Velha. Depois disso, a arquitetura moderna brasileira
segue utilizando esta palmeira como elemento compositivo, consolidando sua
importância no cenário nacional.
Horto Real Botânico
Com intento de aclimatar o maior número possível de espécies vegetais de valor
comercial (chás, especiarias e etc.), França, Holanda e Portugal se lançaram numa
disputa pelo domínio de sua produção, a fim de suprir diretamente a Europa. Neste
contexto, em Portugal é criado do Jardim Botânico D’Ajuda, em 1768, nos arredores de
Lisboa e no Brasil, surgem os “Jardins de Plantas”
39
. No Rio de Janeiro, em 1772, foi
criado um jardim ligado a uma sociedade científica patrocinada pelo vice-rei, o Marques
de Lavradio, que duraria até seu o retorno à Portugal em 1779. Também foram
planejados Jardins de Plantas em São Paulo, em 1779, mas que não foi executado. Já
em Belém, surge em 1796, posteriormente em Salvador e em 1802, o de Ouro Preto.
37
Dentre uma leva de plantas introduzidas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, presentadas por Luiz de
Abreu Vieira e Silva a Dom João VI, havia uma palmeira (Roystonea oleracea (Jacq.) Cook), que foi
plantada pelo próprio Príncipe Regente. O espécime plantado recebeu o nome de Palma Mater. Em 1972,
quando já contava com 162 anos, a Palma Mater foi fulminada por um raio. Tinha, naquela época, 38,7
metros de altura. O tronco foi preservado e encontra-se em exposição no Museu Botânico. Em seu lugar,
foi plantado outro exemplar, simbolicamente chamado de Palma Filia.
38
Informação fornecida pelo Itamaraty – RJ em visita no dia 22/09/2008.
39
Jornal de classe: O Agronômico, Campinas, nº 55, 2003 pg. 56.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.29
No ano de 1808 é fundado no Rio de Janeiro o Horto Real Botânico, que mais tarde se
tornaria o atual Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). Com a invasão de Portugal
pelas tropas de Napoleão e a fuga da família real e parte da corte portuguesa para o
Brasil, a conjuntura era de conflito. Assim, diante da preocupação em defender o
território da colônia de um possível ataque do império francês, ordenara-se a imediata
criação de uma Fábrica de Pólvora e Fundição de Artilharia (13 de maio de 1808). Neste
contexto adverso, o reino português buscava incentivar o crescimento econômico na
tentiva de viabilizar a permanência da corte e da máquina administrativa portuguesa
que aportara no Brasil com a família real. Assim, no mesmo local, onde a pouco haviam
sido instaladas uma Fábrica de Pólvora e a Fundição de Artilharia, surge o Horto Real
Botânico, o qual deveria cultivar uma “espécie de cultura que for de maior interesse e
benefício da Real Fazenda.”
A instituição funcionou inicialmente como um “Jardim de Aclimação” e sua primeira
atividade exercida neste local foi o cultivo de espécies vegetais para produção de carvão,
matéria prima para a fabricação da pólvora. Tais espécies incluíram a Cabeça de Negro,
o Eucalipto, o Cinamomo e o Olho-de-dragão. Posteriormente foi destinado a introduzir
no Brasil a cultura de especiarias das Índias Orientais” (p.9).
Figura: 38
Cabeça de Negro
Albizia lebeck
Figura: 39
Eucalipto
Eucalyptus gigantea
Figura: 40
Cinamomo
Melia azedarach
Figura: 41
Carolina ou
Olho de Dragão
Adenanthera pavonina
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.30
Figura: 42
Cartão-postal em comemoração aos 150 anos do
Jardim Botânico do Rio (1958).
Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Embora nativo das Antilhas, o exemplar plantado por Dom João VI no Brasil foi trazido
das Ilhas Maurício, no Oceano Índico. Cerca de vinte anos após seu plantio no Brasil, a
palma mater deu seus primeiros frutos. A fim de garantir para o Jardim Botânico a
exclusividade no Brasil daquela espécie, o então diretor da instituição, Bernardo José de
Serpa Brandão, ordenou que as sementes da palmeira imperial fossem todas queimadas
na sua presença. Mas ele não imaginava que à noite, os ágeis escravos escalariam as
dezenas de metros da palma mater para recolher suas sementes e vendê-las a cem réis
cada. Esse expediente garantiu a disseminação da palmeira-imperial no Brasil. Logo ela
se tornaria uma marca registrada do paisagismo carioca, característica de seu cenário.
40
Em 1842, são plantadas as aléias
41
de palmeiras imperiais do Jardim Botânico do Rio de
Janeiro. Assim que crescem, as palmeiras em fileira evidenciam seu potencial como
seqüência colunar ordenadora do espaço. Seu porte esbelto, alto e de caule liso, deixa
40
Site official do JBRJ, http://www.jbrj.gov.br.
41
Aléia, segundo definição do dicionário Houaiss:
1.série de arbustos ou árvores dispostos lado a lado, em fileira.
2.passeio, rua ou caminho (de jardim, parque etc.) ornado de árvores, arbustos, sebes ou grades;
alameda.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.31
evidente sua semelhança com uma coluna, principalmente quando arranjada em
seqüência. As figuras 43, 44, 45 e 46 ilustram o efeito colunar das palmeiras imperiais
colocadas em série.
Uma placa comemorativa de 1951 relata a implantação das aléias de palmeiras imperiais
no Jardim Botânico do Rio de Janeiro:
42
Em 1842 o diretor Bernardo José da Serpa Brandão, plantou as
palmeiras, descendentes da "palma mater", que constituem as aléias
Barbosa Rodrigues e Candido Baptista ; em 21 de setembro de 1951,
em solenidade memorável, sendo diretor Paulo de Campos Porto, nos
espaços existente entre as centenárias, foram plantadas outras,
também descendentes da "palma mater", para substituir futuramente
as primitivas e a conservar a característica principal do jardim botânico.
Figura: 43
LEUZINGER,Georges – 1865
Aléia Barbosa Rodrigues no Jardim Botânico
do Rio de Janeiro.
Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Figura: 44
FERREZ, Marc – 1880. Rua do Jardim Botânico RJ
O Jardim Botanico e a rua do mesmo nome.
Aléia Candido Baptista.
Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro
42
Placa comemorativa localizada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.32
Classicismo aplicado à vegetação
É possível associar o uso das palmeiras no paisagismo ao emprego de de colunas na
arquitetura clássica grega, tanto por seu porte, como pela semelhança a uma colunata
de grandes proporções.
No Jardim Botânico do Rio de Janeiro, as palmeiras-imperiais foram plantadas em aléias,
despertando a curiosidade e dos seus visitantes que, não se furtavam a compará-las com
elementos da arquitetura clássica. Tal foi o caso de Charles Ribeyrolles
43
, que registra sua
admiração pelo efeito que lhe causou o encontro, em 1858, com as famosas palmeiras:
Nesse jardim, pobre em espécies, deficiente quanto à ciência, se ostenta
dupla colunata como jamais tiveram palácios e templos. É uma aléia de
palmeiras em dois renques. Regularmente espaçadas, cheias em baixo, de
fuste esbelto, abrem-se em capitel numa coroa de flores. Nunca cabeças
de fidalgos ostentaram tão belas plumagens. ... Aos raios do luar, à vista
desses alvos espectros, dir-se-ia uma enfiada de colunas tebanas. Esse
primeiro aspecto da grande alameda, ao mesmo tempo, encanta e
impressiona. Não se quer ver nem procurar mais nada. Faz-se a corte às
palmeiras.
Figura: 45
Vista do Jardim Botânico.
SISSON, Sebastien Auguste
Youds, J. [ED.] .s/d Litografia
39x52,5cm, colorido.Entrada
do Jardim Botânico e suas
Palmeiras-Imperiais, Aléia
Barbosa Rodrigues.
Fonte: Jardim Botânico do Rio de
Janeiro.
43
Charles Ribeyrolles, Brasil pitoresco: história, descrições, viagens, colonização, instituções 1980, ed.;:
Itatiaia, 1980 p. 193.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.33
Outro relato interessante é o de Elizabeth Agassiz que, acompanhando o marido em
viagem ao Brasil (1865-66), também se impressiona com as palmeiras do Jardim
Botânico. Em seu livro Viagem ao Brasil, que narra as impressões da jornada do casal, há
uma gravura da aléia Barbosa Rodrigues,. Agassiz
44
também compara esta aléia com
colunas, quando comenta:
O que empresta, porém, a esse jardim uma fisionomia talvez única no
mundo é a sua longa e feérica aléa de palmeiras, cujas árvores têm mais
de oitenta pés de altura [24,50 m]. […] Retos, rígidos, polidos como fustes
de granito gigantescos, semelham, no deslumbramento duma visão, a
colunata sem fim de um templo do velho Egito.
Figura: 46
Augusto Stahl, Aléia de palmeiras Barbosa
Rodrigues no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
ci.1865, Rio de Janeiro, RJ. 25,4 x 17,8cm,
albúmen.
Fonte: Acervo do Instituto Moreira Salles, Rio de
Janeiro.
44
Luis Agassiz e Elizabeth Cary Agassiz. Viagem ao Brasil, 1865-1866 . Traduzido por Edgar Süssekind de
Mendonça. São Paulo, ed. Companhia Editora Nacional, 1938. pp. 88-89.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.34
Já Pedro Geiger em seu livro “As formas do espaço brasileiro”
45
cita o uso das
palmeiras-imperiais na paisagem do Rio de Janeiro do seguinte modo:
Palmeiras que seriam incorporadas ao ambiente urbano construído, como
se fossem colunas arquitetônicas naturais, imitando colunas gregas.
Palmeiras que foram utilizadas desde a estada da família real portuguesa,
no começo do século XIX, para conferir majestade ao Rio de Janeiro, como
capital do Império. Elas ornam as alamedas centrais do Jardim Botânico e
da Quinta da Boa Vista. Ornavam a avenida do canal do Mangue.
Encontram-se no jardim do Palácio da República, antigo Palácio do Catete,
e ao longo da Rua Paissandu, acesso ao Palácio Guanabara, residência
presidencial quando o Rio era a capital da República.
Missão Francesa, novo modo de fazer arquitetura
Ao fazer a ligação morfológica das aléias de palmeiras com colunatas clássicas, convém
colocar a questão da urbanização do Rio de Janeiro. Desde a chegada da Corte
portuguesa em 1808, há um esforço em modernizar as precárias condições urbanas da
nova capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A vinda da Missão Francesa
em 1816 para a capital federal foi um importante acontecimento, neste sentido, ao
receber profissionais liberais de diversas áreas, oriundos do país que era então tido
como o farol das artes. O governo português no Rio de Janeiro busca, entre outras
coisas, produzir uma arquitetura de alto nível, alinhada com a Europa. Sob o comando
de Granjean de Montigny se planejam as primeiras intervenções urbanas no Rio de
Janeiro, o que posteriormente no Segundo Império, abririam as portas para o trabalho
de Glaziou e de outros arquitetos e paisagistas, tanto brasileiros como estrangeiros. A
contribuição de Grandjean de Montigny para a reconfiguração urbana do Rio de Janeiro
foi extensa, conforme relata o texto de Taunay:
45
GEIGER, Pedro Pinchas. As formas do espaço brasileiro. Rio de Janeiro. Ed. Jorge Zahar Editor Ltda.,
2003. pp.29-30.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.35
A remodelação do antigo largo do Valongo, depois praça Municipal, de
que resultou imponente logradouro; a abertura da rua e praça fronteira ao
edifício da antiga Academia; o alargamento e retificação da rua Estreita de
São Joaquim, ligando, assim, o cais dos Mineiros o ‘aterrado’, ou ‘caminho
das lanternas’ (o atual Mangue); o plano de urbanização do centro da
cidade e sua conseqüente ligação com a parte suburbana, maravilhoso
estudo, prevendo o desenvolvimento natural da Capital do Império; e o
projeto referente às ruas e praças que deviam rodear o novo edifício do
Senado, realçando-lhe o aspecto. [Grandjean de Montigny] pugnou pela
abolição das ruas estreitas; arborização das vias e praças públicas, recuo
sistemático da edificação nas ruas cujo alinhamento devia ser ratificado
[sic]; e ampliação das vias de comunicação e das praças da urbe carioca.
Como arquiteto paisagista – que o era exímio – deixou um projeto,
composição monumental, para o Campo de Santana, a atual praça da
República, obra vasta e poucos anos após a sua morte realizada por
Augusto Glaziou.
46
Figura: 47
Accademia das Bellas
Artes, autor:
ANÔNIMO. 1846,
Litografia, 13,4 x
21,5cm; P&B Imperial ,
com um tílburi à frente
e cidadãos passeando.
Fonte: Jardim Botânico
do Rio de Janeiro.
O estilo Neoclássico favorecido pela Missão Francesa cria um contexto que viabilizará o
uso sistemático das palmeiras na composição arquitetônica no Brasil. Este uso será
abordado na seqüência do trabalho (capítulos 2 e 3).
46
Augusto Glaziou (TAUNAY, 1983, p. 302).
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.36
Parte 2 – conceitos arquitetônicos
Capitulo 1
A Coluna
Tendo em vista a analogia sugerida entre o emprego arquitetônico de palmeiras e o uso
de colunas na tradição clássica, faz-se necessária uma breve revisão do tema da coluna
com vistas a entender esta associação.
A coluna tem como função primordial o apoio estrutural, compondo o sistema trílítico
ou porticado, formado por duas colunas que apóiam uma arquitrave. Inicialmente estes
sistemas eram feitos em madeira e posteriormente com pedra. Os registros mais antigos
conhecidos são do Egito Antigo na pirâmide de Djoser em Sacará por volta de 2600
a.C., onde o arquiteto Imhotep
47
fez uso de impressionantes colunas de pedra.
Figura: 48
Pirâmide de degraus de Djoser, Egito.
Projeto de Imhotep
Fonte: www.wikipedia.com
Figura: 49
Acesso sul ao complexo da pirâmide de degraus de
Djoser, Egito com colunas atribuídas à Imhotep.
Fonte: www.wikipedia.com
47
Como um dos oficiais do Faraó Djosèr, ele projetou a pirâmide de Djoser (a pirâmide escalonada ou
“step pyramid”) em Sacará (Saqqara) em Egipto em 2630-2611 a.C.. Ele pode ter sido o responsável pelo
primeiro uso conhecido das colunas na arquitetura, ver Barry J. Kemp, Ancient Egypt, Routledge 2005,
p.159.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.37
Já dentre as colunas mais elaboradas do mundo antigo estão as de Persépolis, antiga
Pérsia, em pedra maciça e com a forma de duas cabeças de touro (figuras 50, 51 e 52),
introduzidas pelo rei Dario I de Aquemênidas
48
da Pérsia (524-486 d.C.). Algumas destas
colunas mediam mais de trinta metros de altura.
Figura: 50
Coluna de Persépolis. Reconstruída de acordo com F. Krefter, E.
Schmidt, F. Herzfeld, A. Sami.
Fonte: http://www.viskom.oeaw.ac.at
Figura: 51
Gravuda da Coluna de Persépolis.
Fonte: www.wikipedia.com
Figura: 52
Capitel da Coluna de Persépolis completa com a estrutura
de madeira que apoiava.
Fonte: Museu do Louvre.
48
O Reino de Aquemênidas (também chamado Antiga Pérsia) foi o primeiro grande reino persa, que
durante o clássico antigo se estendeu sobre as áreas dos estados de hoje de Irã, de Iraque, do
Afeganistão, do Uzbequistão, da Turquia, do Chipre, da Síria, do Líbano, de Israel e do Egito.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.38
Contudo, foi na Grécia Clássica que a elegância das colunas atinge um grau de
sofisticação que se tornaria modelo para toda a civilização ocidental. Posteriormente os
Romanos adotam vários elementos da arquitetura grega, fazendo pequenas adaptações.
O sistema compositivo clássico grego acrescenta signos iconológicos aos seus três
gêneros que serviam para caracterizar suas edificações excepcionais. Como parte de um
sistema estilístico que possuía regras definidas de proporções e combinações que
atribuíam características de um determinado estilo, a coluna é somente um componente
deste conjunto. Da Grécia são conhecidos os gêneros dórico, jônico e coríntio, cada qual
com distintos significados próprios para a função que comportava a edificação. A Roma
Imperial faz uso destes sistemas estilísticos gregos, com pequenas modificações, como o
acréscimo das ordens toscana (mais rústica) e compósita (mais elaborada). Roma
ampliou os signos arquitetônicos nos dois extremos do catálogo grego em termos de
sofisticação: enquanto o sistema toscano foi utilizado em prédios mais singelos, a
ordem compósita foi empregada nos mais sofisticados e socialmente superiores ou
representativos.
Figura: 53
Ordens gregas, dórica, jônica e coríntia
Fonte: http://atheism.about.com
Figura: 54
Ordem toscana
Fonte: ilustraçao do livro:
Vitruvius, Ten Books of
Architecture by MORGAN,
1914.
Figura: 55
Ordem Compósita
Fonte: ilustraçao do livro: Vitruvius,
Ten Books of Architecture by
MORGAN, 1914.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.39
As Ordens Clássicas
Vitrúvio descreve, ao longo do terceiro e do quarto livros de seu tratado, três dos
gêneros das colunas: a jônica, a dórica e a coríntia; e ao final, apresenta um gênero não
grego: o toscano. Ele descreve as origens de cada uma delas e as relaciona com
descrições de templos e às divindades às quais cada uma se refere. Vitrúvio não relata a
ordem compósita, também conhecida como “quinta ordem”, nem apresenta as ordens
na seqüência que consideramos "correta" (toscana, dórica, jônica, coríntia) e o que é
mais importante, não as apresenta como um conjunto de fórmulas canônicas que
resumiriam em si toda a virtude arquitetônica. Isso ficou por conta dos teóricos da
Renascença.
49
Por volta de 1450
50
, com seu tratado De re aedificatoria, 1400 anos
depois de Vitrúvio, o arquiteto e humanista Leon Battista Alberti descreveu as ordens,
em parte tomando Vitrúvio como referência e, em parte, baseando-se em suas próprias
observações de ruínas romanas. Com base nessas observações, acrescentou ao conjunto
uma quinta ordem: a compósita, que é uma combinação dos elementos da ordem
coríntia e da jônica.
Vitrúvio diz que, ao olharmos para uma coluna dórica feita de pedra, estamos vendo
uma representação esculpida em pedra de uma coluna construída em madeira. Não se
trata de uma representação literal, mas um equivalente escultórico. Os templos
primitivos do mundo grego eram de madeira. Gradualmente, alguns desses templos
vieram a ser reconstruídos em pedra.
Summerson aborda os distintos intercolúnios clássicos e comenta a percepção humana
em relação às proporções.
51
Os romanos se preocuparam com espaçamento entre as
49
SUMMERSON, John. A linguagem clássica da arquitetura. 2.ed. - São Paulo : Martins Fontes,
1994. pp. 6-11.
50
De re aedificatoria de Leon Battista Alberti foi o primeiro livro teórico de arquitetura depois de Vitrúvio.
Escrito no renascimento italiano entre 1443 e 1452 e impresso em 1485, foi também o primeiro livro
impresso de arquitetura. Foi seguido em 1486 com a primeira edição impressa de Vitrúvio.
51
SUMMERSON, John. A linguagem clássica da arquitetura. 2.ed. - São Paulo : Martins Fontes,
1994. p. 23.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.40
colunas e estabeleceram cinco tipos-padrão de intercolúnio, medidos em diâmetros de
colunas, que foram registrados por Vitrúvio. O espaçamento mais fechado, chamado
picnóstilo, corresponde a 1½ diâmetro. Em seguida, temos o sístilo correspondente a
dois diâmetros, o êustilo (com 2¼ diâmetros), o diastilo com 3 diâmetros e, finalmente,
o mais largo, areóstilo, com 4 diâmetros. Os mais comuns eram: o sístilo, que pode ser
descrito como uma marcha rápida, e o êustilo, que correspondem a um caminhar lento
e digno. Os intercolúnios extremos nem marcham e nem caminham. O intercolúnio
picnóstilo parece sempre significar o grito de "alto", como uma paliçada de homens lado
a lado em posição de sentido. O araeóstilo é um passo longo, quase como um salto em
câmara lenta. Os intercolúnios mais estreitos correspondem a um andar mais rápido,
enquanto os intercolúnios mais largos correspondem a um andar mais lento. Um
exemplo de edifícios com a mesma forma e, aproximadamente, com a mesma finalidade
comemorativa são o Tempietto de Bramante e o Mausoléu do Castelo de Howard de
Hawksmoor. Apesar destas semelhanças, distintas são as emoções que sugerem: o
diástilo (3 diâmetros) empregado por Bramante é majestoso, sereno e meditativo,
enquanto que o picnóstilo (1 ½ diâmetro), empregado por Hawksmoor é tenso e
distante, parecendo uma muralha. E se examinarmos outros exemplos com a questão
do "andamento" em mente, não restarão dúvidas quanto à importância do intercolúnio.
Começaremos a perceber também as variações que podem ser introduzidas: colunas aos
pares, pares espaçados de colunas, colunas dispostas no ritmo estreito-largo-estreito
dos arcos triunfais e os ritmos realmente intrincados que se conseguem quando colunas,
meias-colunas e colunas-de-três-quartos começam a ser empregadas juntas, algumas
vezes despertando dúvidas quanto ao tempo básico dominante.
52
52
Idem 51.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.41
Figura: 56
Tempietto de Bramante, Roma
Foto: autor não informado
Figura: 57
Mausoléu por Hawksmoor no Caltelo Howard
Fonte: www.skycell.net
As variações citadas por Summerson servem para explicar as distintas disposições
encontradas nas fileiras de palmeiras em Porto alegre.
Figura: 58
Intercolunium: Relações de Altura x Diâmetro x Afastamento da Coluna, conforme Vitrúvio.
Exemplos de variações nos intercolúnios gerados por mudanças dimensionais, sem alterar a proporção.
Fonte: Desenhos feitos pelo autor baseados nas ilustrações de Rowland, Ingrid Drake. Ten books on architecture,
2002. p.197.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.42
Figura: 59
Intercolunium: Relações de Altura x Diâmetro x Afastamento da Coluna, conforme Vitrúvio.
Fonte: Desenhos do autor com base nas ilustrações de Rowland, Ingrid Drake. Ten books on
architecture, 2002. p.197
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.43
Figura: 60
Chiesa di San Michele in Foro, Lucca, Itália (ci. 1070)
Exemplo das várias formas que as colunas da Idade Média apresentam.
Foto: autor, 1994.
Durante a Idade Média, o interesse no sistema clássico Greco-Romano foi muito
pequeno, caracterizado pela grande exploração formal e temática se tratando de
colunas como mostra a figura 60.
No século XV, o reaparecimento dos “Dez Livros de Arquitetura”
53
que formam o
Tratado de Vitrúvio, auxiliou no ressurgimento da arquitetura clássica. Seu texto trouxe à
53
Seu livro “De Architectura" foi redescoberto em 1414 pelo humanista Florentine Poggio Bracciolini e
posteriormente ficou conhecido como “Os dez livros da arquitetura”.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.44
luz uma extensa e ampla gama de conceitos, de conhecimentos técnicos e compositivos
praticados na Roma Imperial. Tal redescoberta permitiu a compreensão, ainda que
parcial, do sistema compositivo clássico. Vitrúvio iria guiar o pensamento renascentista,
mas seus textos não tiveram uma interpretação única, o que promoveu diferentes
soluções compositivas durante a Renascença, além de novos tratados de arquitetura. O
fato de haver novos programas, obviamente não contemplados por Vitrúvio, fez com
que o Renascimento promovesse uma adaptação das idéias essenciais do sistema
clássico. Um dos exemplos é o de Michelangelo no Campidoglio, em Roma, dotado de
ordem colossal e ornamentos próprios dos monumentos da época imperial como os
arcos de triunfo. A ordem colossal articula o edifício por inteiro, enquanto uma ordem
secundária articula a galeria do térreo. Esta escolha revela a compreensão de
Michelangelo referente ao caráter solene do conjunto, conferindo-lhe a devida
dignidade.
Figura: 61
Palazzo dei Conservatori no Campidoglio, Roma. Projeto: Michelangelo em 1536.
Foto: autor, 1994.
Embora a bibliografia tratadista costume usar o termo “ordem” para designar um estilo
clássico, parece mais adequado usar o termo vitruviano “gênero”
54
, visto que cada estilo
não se resumia a características morfológicas de elementos isolados, mas um complexo
conjunto de elementos, concretos ou abstratos, intelectualmente organizados. Por
54
Gênero, em latim “genus”, nascimento, descendência, origem; raça, tronco; descendente.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.45
ordem, deve-se entender a ordinatio vitruviana
55
, que indica a proporcionalidade do
edifício e de suas partes com base num módulo unitário, como pressuposto da
symmetria. As ordens, como utilizamos tradicionalmente, estão relacionadas com o
decorum
56
.
Vitrúvio descreve em seu primeiro livro a questão do decoro e da adequação da
ornamentação conforme o caráter da edificação.
O decoro é a perfeição de um estilo obtida de um trabalho elaborado com
elementos apropriados e ordenados de modo a compor arranjo fundamentado.
Surge da prescrição [grego: (thematismo)], do seu uso, ou da sua natureza. Do
modo convencionado, no caso dos edifícios com vazio central
57
, abertos e
descobertos em honra ao relâmpago de Júpiter, ao céu, ao Sol, ou à Lua: pois
estes são os deuses a olhos nus no céu quando este é limpo e brilhante. Os
templos de Minerva, de Marte, e de Hercules, serão Dóricos, uma vez que a força
viril destes deuses tornam a delicada beleza imprópria às suas casas. Nos templos
a Venus, a flora, a Proserpina
58
, de Juturna
59
, e às ninfas, a ordem Coríntia terão
nuances peculariares, porque estas são divindades delicadas e assim seus
contornos graciosos, suas flores, folhas, e as volutas decorativas proverão a
adequação onde for devido. A construção dos templos da ordem Jônica a Juno, a
Diana, ao pai Baco, e aos outros deuses desta estirpe, estarão de acordo com a
posição intermediaria que eles detém; para um edifício destes será mais
apropriada a combinação da severidade do Dórico e da delicadeza da Coríntia.
60
No trecho acima citado, Vitrúvio fornece uma descrição das origens e respectivas
proporções das ordens, elucidando o uso de cada qual de acordo com a função ou
55
Ordinatio, do latim: “ordo”: fileira, alinhamento, ordem, arranjo, disposição.
56
MORGAN, Morris Hicky. Vitruvius, Vitruvius Pollio. The ten books on architecture. ed. Plain Label Books,
1914. p. 37.
57
hypaethraque é o termo grego utilizado, que é atribuído à edifícios abertos parcialmente ou
completamente para o céu.
58
Da mitologia clássica: uma filha de Zeus com Demeter, seqüestrada por Plutão para ser rainha de
Hades, mas permitida retornar à superfície da terra num período do ano.
59
Juturna, deusa das fontes.
60
Tradução feita pelo autor a partir do texto em inglês de MORGAN, 1915.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.46
caráter que o prédio deva ter. Neste sentido, percebe-se que os diferentes gêneros de
colunas possuem distintos atributos que expressam a sua adequação a cada uso. Este
pensamento encontra um paralelo nas variadas espécies de palmeiras.
Embora Vitrúvio deixasse claro que o sistema era flexível e aberto a adequações, durante
a Renascença tentou-se sistematizar de forma matemática cada ordem, com regras
absolutas de dimensões e proporções, mesmo que não houvesse exemplos “puros” de
tais proporções nas obras romanas remanescentes. Não demoraria a haver uma quebra
desta rigidez formal e compositiva para dar lugar a soluções inéditas na combinação dos
elementos que iriam caracterizar o Barroco.
Figura: 62
Planta do Fórum Romano com as colunas honoríficas ao longo da Via Sacra e a coluna Focas.
Fonte: Scan of a map of the Roman Forum, taken from Ball Platner's The Topography and Monuments
of Ancient Rome (1904), autor: Prof. Felix Just, Loyola Marymount University.
Coluna
Focas
Colunas
Honoríficas
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.47
Em Roma, o arranjo das colunas não se limitou a sustentar os pórticos dos templos, pois
ganhou um novo caráter ao servir como pódio para sustentar imagens de
personalidades representativas do Império. Roma além de contribuir com duas novas
ordens, também introduz a Coluna Honorífica e a Coluna Triunfal ou Centenária. Destas,
a mais conhecida é a Coluna triunfal de Trajano.
Colunas Honoríficas
No Fórum Romano, sete colunas honoríficas foram erigidas diante da fachada da
basílica Julia, ao longo do lado do sul da praça do fórum, na época do imperador
Diocleciano no final do terceiro século d.C. (figura 62). Colocadas sobre pedestais
prismáticos, as colunas suportavam estátuas de personalidades vestidas com toga, das
quais, nenhuma delas perdurou até o presente. Estas colunas formavam uma
perspectiva pelo fato de estarem alinhadas num ritmo constante. A idéia dessa
disposição deve ter surgido dos pórticos colunares das basílicas e templos. Trata-se de
um raro exemplo do uso de colunas como elemento independente e seriado para
organizar um espaço aberto.
As colunas e provavelmente também os capitéis eram espólio de monumentos
anteriores. Os pedestais eram revestidos com mármore, provavelmente de dois tipos
diferentes. As colunas foram feitas de mármore e granito.
Figura: 63
Fórum Romano com as colunas
honoríficas, maquete.
Fonte: http://www.maquettes-
historiques.net
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.48
Figura: 64
Fórum Romano com as colunas honoríficas, maquete.
Fonte: http://www.maquettes-historiques.net
Coluna Triunfal
É uma coluna independente, de grande dimensão, geralmente da ordem toscana, em
um pedestal, com o propósito de servir como um monumento que celebra um indivíduo
e eventos associados a este. O exemplo mais conhecido é a coluna de Trajano, no Fórum
Romano ci.
61
112 d.C., com um friso em espiral contínuo em torno do fuste que narra as
guerras do imperador na Dácia
62
entre 101 e 2 e de 105 a 6 d.C.). A coluna de Trajano
também é chamada de coluna do tipo centenário
63
, por ter sua altura igual a cem pés
romanos
64
. Muito similar é a coluna de Marco Aurélio (imperador de 121 d.C. a 180
d.C.), chamada anteriormente de coluna de Antonino. Serviu de modelo para Fischer
von Erlach elaborar as colunas gêmeas da Igreja de São Carlos de Viena (1715-25), cujas
espirais gravam eventos na vida de São Carlos Borromeo (1538-84). Os exemplos
também incluem a coluna de Place Vendôme, em Paris, por Gondoin e Lepère (1806-10,
destruída 1831, e re-erigida em 1874). Algumas colunas comemorativas, entretanto,
têm fustes lisos ou frisados, omitindo a espiral como por exemplo, a coluna chamada de
“The Monument” (1671-7) e a coluna de Nelson (1839-42), ambas em Londres. A
Coluna Triunfal parece ter sua inspiração nos enormes obeliscos egípcios, que também
traziam inscrições de cunho religioso e de exaltação aos Faraós. Ela também foi utilizada
61
ci. = abreviatura para “circa”, utilizada em datas.
62
Dácia, localizava-se onde atualmente estão a Romênia e a Moldávia .
63
Enciclopedia General: www.sapere.it
64
1 pé romano = 29,64 cm.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.49
como marco ou como organizador de espaços devido às suas proporções e sua
disposição nos sítios.
Figura: 65
Coluna de Trajano (à esquerda)
Roma, ci. 112 d.C..
Fonte: www.wikipedia.com
Figura: 66
Detalhe da Coluna de Trajano
(à direita).
Fonte: www.wikipedia.com
Figura: 67
Unidades de medida da
Antigüidade.
Fonte: ROWLAND, Ingrid
D.; HOWE, Thomas Noble:
Vitruvius. Ten Books on
Architecture. Cambridge
University Press, Cambridge
1999. p. 190.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.50
Coluna de Focas
Uma coluna monumento erigida em 608 d.C. por Esmaragdo
65
, para Focas,
imperador de Bizâncio entre 602 e 601 d.C.. Está no fórum Romano entre a Rostra e o
Lacus Curtius, ao lado da fileira de colunas honoríficas, em um pedestal elevado sobre
uma pirâmide escalonada e revestida com mármore branco. A coluna é de mármore
branco, fasciculada e com uma base e um capitel coríntio primoroso, provavelmente
removido de algum antigo monumento imperial
66
.
Figura: 68
Coluna de Focas no Fórum Romano
Fonte: www.wikipedia.com
Figura: 69
Coluna de Focas, reconstrução virtual.
Fonte: http://www.maquettes-historiques.net
65
Esmaragdo era o Exarcado de Ravenna. Exarcado é o território de um Exarca. Exarca é delegado dos
imperadores bizantinos na Itália. O Exarcado de Ravena foi o centro do poder bizantino na península
itálica desde o final do século VI até o ano de 751, quando o último Exarca foi morto pelos lombardos.
66
Pois no final do Império Romano a qualificação da mão-de-obra dos artesãos havia decaído em
demasia.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.51
Estes diferentes tipos de colunas criadas pelos romanos formam uma nova classe desse
elemento, basicamente por dois motivos de especial interesse no tema em estudo.
Primeiramente, por serem independentes, ou seja, não compõem um sistema trilítico de
sustentação, mas simplesmente apóiam algum monumento. Outra inovação é a
organização dos espaços adjacentes promovida tanto pelas colunas totalmente isoladas,
que são os casos das Colunas Triunfais, como pelas colunas colocadas em série, as
colunas honoríficas, que estão dispostas em um local aberto. Ainda na Itália, mas
séculos mais tarde, surge as colunas duplas venezianas: na Piazza de São Marcos em
Veneza e na Praça da Basílica em Vicenza, esta disposição pode configurar virtualmente
tanto um portal como a marcação do limite de um espaço aberto.
Figura: 70
Piazzetta, Piazza de San Marcos, Veneza.Gravura: Guiseppe
Bombrin – acquaforte
Figura: 71
Piazza dei Signori – Vicenza.
As duas colunas na Piazza dei Signori, em Vicenza, com a
torre do relógio a esquerda. ci. 1829.
Gravura T. Jeavons após um desenho por Samuel Prout.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.52
Figura: 72
Ilustrações do livro de Perspectiva, páginas 41 e 48
Fonte: Perspectiva Practica, Anno 1710.
A organização espacial promovida por um elemento afastado de modo ritmado é
virtualmente semelhante ao efeito por uma colunata de grandes palmeiras como ilustra
a figura 72, proveniente de estudo de perspectiva do Renascimento, composta por
volumes prismáticos semelhantes à colunas, cujo efeito de foco absoluto é semelhante à
uma aléia de palmeiras.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.53
Capitulo 2
Ritmo
A palavra ritmo vem do grego rhytmos e designa aquilo que flui, que se move, que
apresenta movimento regulado
67
. O rigor do ritmo gera a ordem e ajuda a organizar
grandes estruturas, podendo torná-las mais ou menos interessantes à vista humana. O
ritmo é um elemento essencial do espaço arquitetônico e pode ser entendido pelo uso
repetitivo de um grupo de elementos visuais, dispostos em uma combinação
reconhecida com um afastamento regular repetido pelo menos três vezes,
estabelecendo um padrão reconhecível. Conseguir manipulá-lo permite criar novas
sensações de conforto psíquico em virtude de modulações visuais.
68
A compreensão de ordem por Vitrúvio
69
está relacionada ao ritmo na arquitetura.
Segundo Vitrúvio, a ordem é obtida pelo uso apropriado das partes, ou seja, de modo
simétrico e proporcional do todo. O arranjo das partes compõe os módulos, que são
combinados de modos distintos a formar um sistema. Assim, módulos combinados de
modo adequado formam um sistema. A repetição do módulo vitruviano ocorre de
modo regular, obtendo-se assim um ritmo, sendo que cada sistema terá o seu próprio
ritmo e eurritmia.
70
Vitrúvio também propõe que o espaço urbano esteja relacionado com o edifício, e este,
com os seus espaços e medidas internas, todos articulados em razão de um módulo pré-
estabelecido. Assim sendo, a materialidade da arquitetura estaria de algum modo,
refletindo uma ordem maior, ou seja, uma ordem da natureza e da divindade, pois o
sistema modular grego e romano tenham se baseado na natureza do próprio corpo
humano.
71
67
"rhythm" Dictionary.com Unabridged (v 1.1). Random House, Inc. 19 Oct. 2008. <Dictionary.com
http://dictionary.reference.com/browse/rhythm>.
68
fonte: Experiencing Architecture, de Steen Eiler Rasmussen. ed.: MIT Press, 2001. p. 135.
69
Ver Vitruvius, Book, chapter 2.
70
O ritmo diz respeito à repetição de dimensões bidimensionais, enquanto a eurritmia à seqüências
proporcionais e volumétricas. Ver: Architectural Theory de Harry Francis Mallgrave, p. 6.
71
Idem 69.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.54
Figura: 73
Ilustração sobre Ordem baseadas no Livro I de Vitrúvio
Fonte: Rowland, Ingrid Drake. Ten books on architecture, 2002.
A harmonia das proporções, ou Eurritmia, é a beleza e a aptidão nos ajustes das partes.
Isto é encontrado quando estas partes estão na altura ajustada a sua largura, de uma
largura conforme o seu comprimento, e, em uma palavra, quando todas correspondem
simetricamente. Tzonis explica as origens destes conceitos:
Uma obra clássica de arquitetura é um mundo dentro do mundo. Está
separada do entorno pela precisão de suas partes e pela forte demarcação
de seus limites. Em contraste com o que a rodeia é completa e total,
possuindo unidade. Estas noções de estrutura completa, total e unitária,
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.55
chegam ao pensamento arquitetônico por intermédio da Poética de
Aristóteles.
72
Ainda segundo Tzonis, no pensamento filosófico de Platão, a forma ou proporção ideal
teria sido obra do grande Ordenador, por meio da ação das idéias e dos números. Todo
edifício importante na Antigüidade clássica tinha suas dimensões inter-relacionadas
(altura, comprimento e largura) e deste modo, expressaria o mesmo sentido de
proporção. Estas proporções eram buscadas na natureza, pela observação do corpo
humano e suas medidas. O conceito de simetria grego adotado por Vitrúvio é referente
ao equilíbrio e não ao conceito de simetria especular que foi enfatizado posteriormente.
Vitrúvio define simetria do seguinte modo:
A simetria surge a partir de uma apropriada harmonia das partes que
compõe uma obra; surge também a partir da correspondência de cada
uma das partes individualmente para com o conjunto de toda a estrutura.
Assim como se dá a simetria no corpo humano, do cúbito, o pé, a palma,
a polegada e das demais partes, assim também se define a eurritmia nas
obras concluídas. Em edifícios sacros, a simetria se dá a partir da espessura
das colunas, ou de um tríglifo, ou o módulo;...
73
Diretamente ligado ao conceito de proporção e número, temos o ritmo, do grego
rhythmos que tem a mesma raiz da palavra arithmos, de aritmética. Podemos dizer que
o ritmo é uma dimensão temporal enquanto a eurritmia é a sua versão tridimensional.
74
72
TZONIS, Alexander; LEFAIVRE, Liane. Classical Architecture: the poetics of order. MIT Press, 1986. pp.9-
10.
73
Tradução do autor a partir da versão inglesa: MORGAN, Morris Hicky. Vitruvius, Vitruvius Pollio. The ten
books on architecture. ed. Plain Label Books, 1914. p. 36.
74
GHYKA, Matila. The Geometry of Art and Life. New York: Dover Publication, Inc. 1977
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.56
Figura: 74
Palácio Quirinal, fachada Via XXIV Maggio
Fonte: http://www.flickr.com/people/zakmc/
O ritmo está relacionado a uma cadência. Particularmente na arquitetura, podemos ter
um padrão pela repetição de subdivisões formando um novo conjunto ordenado e mais
complexo, como por exemplo, a fachada do palácio Quirinal em Roma, onde há três
séries de aberturas padronizadas e ordenadas de forma regular, formando um ritmo
pela repetição de um módulo com elementos distintos. Esta cadência necessária para
caracterizar o ritmo é um fator de ordenação, e este atributo pode ser explorado de
diversas formas
75
. O rompimento do ritmo é facilmente perceptível ao olho humano e
pode ser utilizado como marcação de determinado acontecimento, como um acesso,
uma troca de função, de material ou de escala em um prédio. A interrupção ou quebra
do ritmo pressupõe a própria existência do ritmo, sob pena do caos vir a prevalecer.
Portanto, a quebra acentua a presença do ritmo, tornando-o mais evidente em certas
situações. Já a sobreposição de ritmos é talvez a operação mais arriscada para o
arquiteto, se os ritmos não estiverem devidamente ajustados, a busca pela ordem pode
torna-se desarmonia, assim como na música. Saber trabalhar com vários ritmos em uma
75
RASMUSSEN, Steen Eiler. Arquitetura vivenciada. São Paulo: Martins Fontes, 1986. p.121-122.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.57
só obra é uma tarefa que requer conhecimento de proporção, simetria, composição e,
sobretudo, compreensão do sistema com um todo.
Figura: 75
Palácio Quirinal,
fachada Via XXIV
Maggio
foto: Silvia Niko
Em Porto Alegre temos como exemplos afins a fachada do Colégio Rosário e a colunata
do Edifício Esplanada.
Figura: 76
Edifício Esplanada, Porto
Alegre. Colunata na
fachada-quarteirão no
lado norte.
Foto: autor (2008)
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.58
Figura: 77
Colégio Marista Rosário,
Porto Alegre. A fachada-
quarteirão mostra o
ritmo com distintas
aberturas.
Foto: autor (2008)
Ritmos Colunares – Organizadores Espaciais
O sistema colunar como definidor de planos e seqüências espaciais é um poderoso
instrumento arquitetônico, urbanístico e paisagístico. Seus usos são verificados ao longo
da historia em inúmeros casos. Sua característica predominantemente vertical aliada a
uma disposição regular em locais abertos tem a potencialidade de “organizar espaços”e
introduzir um sentimento de ordenação do ambiente humano.
Figura: 78
Colunata de Bernini, Piazza San Pietro
Roma de 1656 a 1667 - Gravura de Falda
Figura: 79
Colunata de Bernini, Piazza San
Pietro – Roma.
Fonte: autor, 1994.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.59
Já foi mencionado o caso das colunas honoríficas no Fórum Romano e das notáveis
Colunas Triunfais, ambas em espaços abertos e sem ter a função de sustentação. Esta
ordenação virtual é extremamente eficaz para espaços abertos, onde normalmente não
há demarcação por volumes construídos. O Barroco explorou de forma contínua as
virtudes organizativas de elementos verticais ordenados ritmicamente. Entre elas está: a
Piazza San Pietro no Vaticano, tanto pelas colunatas colossais como pelo obelisco
colocado no centro da praça.
Figura: 80
Place Vendôme, e a
fachada projetada
por Jules Hardouin-
Mansart em 1699.
Foto:
www.wikipedia.com
Na França há também importantes exemplos de praças com colunatas ao redor. Entre
elas estão as praças Vendôme
76
e De Lês Victoires, que tem suas laterais definidas por
uma seqüência de colunas e pilastras colossais. Estas praças são espaços abertos
delimitados por planos de gabarito padronizado e demarcados por colunas ou pilastras
colossais em ritmo contínuo.
76
AYERS, Andrew. The Architecture of Paris. Segundo Ayers. A Place Vendome foi uma sucessão de
iniciativas inspiradas na realeza, que começaram com a Praça Des Vosges por Henri IV em 1605. Em
1685., Louis XIV comprou o “Hôtel de Vendôme” com a intenção de usar o local construir arcada o
quadrado para abrigar a Biblioteca e a Academia Real. As fachadas deste projeto foram construídas, mas
as dificuldades financeiras forçaram uma mudança da planta e, em 1698, o rei vendeu a terra à
municipalidade. Em 1699, Jules Hardouin-Mansart projeta as novas fachadas de um quarteirão de
interior octogonal que formou a praça.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.60
Figura: 82
Colunata da Place Vosges, antigo Palais Royal
77
,
Paris 1605 a 1612.
Fonte: www.http://en.wikipedia.org
Figura: 83
Place dês Victories, Paris, 1865 pelo arquiteto Jules Hardouin-
Mansart.
Fonte: www.http://en.wikipedia.org
Os palácios Barrocos em seus jardins fizeram uso da vegetação como elemento de
composição volumétrica e organizador de espaços abertos que complementavam o
projeto arquitetônico. Embora não fosse típico o uso de colunatas de pedra, nos jardins
nota-se o uso da vegetação como forma de ordenar o espaço.
77
Originalmente conhecida como Place Royale, atualmente se chama Place de Vosges. Foi construído por
Henrique IV de 1605 a 1612. Seu formato é um quadrado de 140 m de lado, personificou o primeiro
programa europeu do planejamento de cidade real. Baroque Architecture, Christian Norberg-Schultz
1986.
Figura: 81
Place Vendôme, Paris,
foto aérea.
Fonte:
http://paris.evous.fr/paris-
decouverte/paris-
insolite/paris-vu-du-
ciel/place-vendome.html
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.61
Assim, as colunas isoladas e suas combinações por agrupamento formam um eficiente
sistema organizador tridimensional que pode ser utilizado de diversos modos em
combinação com a volumetria urbana. Uma diferença básica do uso isolado para as
combinações é seu caráter monumental. Quando a coluna ou monolito é utilizado
isoladamente, se torna um monumento, ou um objeto de referência. Quando em
grupo, o caráter é transferido ao grupo e perde o aspecto de monumento para assumir
o papel de delimitador ou organizador. Este segundo caso se adapta ao uso de árvores,
como no caso das palmeiras de grande porte, que tem na repetição cadenciada a
propriedade ordenador.
Em Porto Alegre há um exemplo significativo desta questão: a Praça Itália, projeto de
autoria do arquiteto Carlos Fayet, de 1992, que consiste num espaço aberto ordenado
pela simples repetição de colunas em duas fileiras. O ponto focal desta colunata dupla
paralela são dois monumentos, um em cada extremidade. Todavia, a solução não é
muito elegante, pois as colunas são muito delgadas e espaçada demais, dando a
impressão de desproporcionalidade.
Figura: 84
Praça Itália, Porto Alegre
Fonte: autor, 2008.
Figura: 85
Marcação do acesso ao Canal 7, Buenos Aires
Fonte: autor, 1994.
Outro exemplo contemporâneo deste uso é a marcação de acesso da emissora de
televisão ATC, atual Canal 7 de Buenos Aires, reformulado para a Copa de 1978 na
Argentina. O projeto feito por Rafael Viñoly ainda quando trabalhava no escritório
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.62
Manteola-Santos-Sánchez Gómez-Solsona. Neste caso, o espaçamento entre as colunas
e as fileiras é menor do que na Praça Itália, e o diâmetro das colunas é maior o que
estabelece relações proporcionais mais próximas da tradição clássica.
Como referido anteriormente, as qualidades da ordenação espacial conferidas pelas
colunas à espaços abertos pode ser alcançadas pelo uso de vegetação. Le Corbusier ao
registrar a sua impressão sobre a cidade do Rio de Janeiro quando da sua visita em
1929, cita as palmeiras-imperiais do seguinte modo:
.... Aléias de palmeiras retas, de troncos lisos, matematicamente dispostas,
correm em ruas retas; há quem afirme que elas alcançam 80 metros de
altura, mas eu me contento com 35.
78
O Brasil apresenta vários casos de organização espacial de espaços abertos por meio de
vegetação, um dos quais parece ser o pioneiro no mundo ocidental: o uso de palmeiras
imperiais alinhadas. Isso ocorre no ano de 1842, no Real Jardim Botânico do Rio de
Janeiro
79
. De porte delgado, perfil retilíneo e extremamente alta, a palmeira é
semelhante à coluna clássica. Quando disposta de forma rítmica, com espaçamento de
uma colunata, a palmeira fica cria um efeito espacial similar. Com seu porte de até
quarenta metros, as aléias do Jardim Botânico do Rio de Janeiro constituem uma típica
solução tropical para uso em grandes espaços abertos, privados e públicos. O uso destas
aléias de palmeiras imperiais se prestou muito bem para complementar a arquitetura
neoclássica adotada pelo Império Brasileiro, reforçando a imagem de monumentalidade
e imponência demandada pelos palácios e espaços públicos de então.
78
LE CORBUSIER, Précisions sur un état présent de l'architecture et de l'urbanisme. Ed. Éditions Vincent,
Fréal, 1960 p.37. “Des allées de palmiers droits, aux troncs lisses, galbés par de la mathématique, courent
en rues droites; l'un veut qu'ils aient quatre-vingt mètres du haut je me contente de trente-cinq.» tradução
do autor.
79
Real Jardim Botânico do Rio de Janeiro , nome que o antigo Horto Real assume em 1822 quando da
Independência do Brasil, nome este que permaneceu até a proclamação da República em 1889.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.63
Capitulo 3
Precedentes Cariocas
Antes de abordar os estudos de caso porto-alegrenses, é fundamental investigar não
somente os precedentes mais antigos no Brasil, que provavelmente foram a fonte
inspiradora para a capital gaúcha.
A cidade do Rio de Janeiro foi a capital do país de 1763 até 1960, e, portanto,
referência nacional em inúmeros aspectos relacionados à arquitetura e ao paisagismo.
Foi em 1842 no Real Jardim Botânico, durante o Segundo Império, que surgiriam as
primeiras aléias de grandes palmeiras. Não demoraria a ocorrer o seu uso em
importantes propriedades da nobreza carioca e quase um século depois, também em
importantes avenidas da capital gaúcha. Mas o principal motivo de investigar os casos
cariocas se deve ao fato de serem as protagonistas do uso mais antigo que se conhece
na historia ocidental de uma colunata vegetal composta por palmeiras de grande porte.
O plantio foi intensificado e deve até ter se tornado moda na cidade a partir da década
de 1850, o que coincide com a maioridade de Dom Pedro II e a necessidade do
fortalecimento simbólico do II Império
80
. Neste caso seria procedente a história segundo
a qual sementes de palmeiras foram distribuídas aos súditos como sinal de proximidade
ou lealdade ao poder central. Afinal, é nesse período que se inicia a distribuição de
títulos de nobreza. Isto faria parte de um esforço em formar uma corte alinhada com o
jovem imperador.
80
D'ELBOUX, Roseli Maria Martins. Uma promenade nos trópicos: Os barões do café sob as palmeiras
imperiais, entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Anais do Museu Paulista, julho-dezembro, año/vol. 14,
número 002. São Paulo, Brasil pp. 193-250. Neste artigo D’Elboux mostra através de fotos de época a
difusão das palmeiras-imperiais pela cidade do Rio de Janeiro. Cruzando as imagens com datas de
construção de prédios conhecidos, é possível verificar o incremento do uso da palmeira-imperial no Rio de
Janeiro por volta de 1850 até o final do período Imperial.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.64
Jardim Botânico do Rio de Janeiro
O antigo Horto Real Botânico, criado em 1808, que posteriormente se converteria no
Jardim Botânico do Rio de Janeiro, apresenta duas alamedas compostas pelas palmeiras
imperiais, dispostas em “T”, sendo uma paralela ao muro frontal e a outra perpendicular
ao mesmo, conforme ilustrado esquematicamente na figura 86.
Figura: 86
Planta Baixa do Jardim Botânico em 1933 com a marcação
de onde seriam plantadas as aléias de palmeiras-imperiais
em 1842.
Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Figura: 87
Esquema da implantação aléia de palmeiras-imperiais,
medidas médias em metros.
A aléia paralela ao muro de acesso é chamada de Candido Baptista, tendo cerca de 600
metros de extensão com palmeiras imperiais, e somando um total de 142 pares. Ela é
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.65
brevemente interrompida junto à porta de acesso, onde encontra a aléia perpendicular
ao muro de acesso, que se chama Barbosa Rodrigues e atualmente apresenta 134 pares
de palmeiras-imperiais
81
. Estas são as primeiras aléias de grandes palmeiras conhecidas,
tendo sido plantadas em 1842 pelo diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro,
Bernardo José da Serpa Brandão, com sementes oriundas da própria Palma Mater, que
foi plantada por Dom João VI em 1810.
Figura: 88
Aléia Candido Baptista, paralela à via de acesso do Jardim
Botânico, final do séc. XIX.
Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Figura: 89
Aléia Barbosa Rodrigues, marcando o eixo
de acesso.
Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro
As alamedas têm aproximadamente seis metros de largura e não são pavimentadas. As
palmeiras estão distribuídas ao longo destas vias de modo a formar uma colunata
dupla, com pouco mais de sete metros de largura e com um espaçamento lateral de
quatro metros. Este afastamento relativamente próximo entre os espécimes faz com que
na idade adulta, a colunata forme praticamente uma parede para quem se encontra no
centro destas alamedas, virtualmente bloqueando as visuais diagonais. A experiência de
estar envolto por duas “paredes” de mais de trinta metros de altura e afastadas por
pouco mais de sete metros, largura semelhante à de um lote colonial típico porto-
alegrense, e com altura de trinta metros, é impactante. Naqueles tempos do Rio de
Janeiro imperial, na arquitetura da capital não havia prédios deste porte, o que ampliava
81
Dados fornecidos pela museóloga do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a Sra. Luisa Maria Gomes de
M. Rocha. (visita em 23/09/2008).
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.66
a sensação de monumentalidade destas palmeiras em meio à cidade. Este fato mostra
quão singular é a experiência espacial das aléias do Jardim Botânico, fato que
permanece valido no presente. Também devem ser notadas as diferenças entre as duas
aléias. Naquela paralela ao muro de entrada, não existe qualquer obstáculo nem
marcações de terminação, formando uma gigantesca galeria ininterrupta em duas alas
(fig.: 85). Já a aléia perpendicular ao muro de acesso possui dois eventos ao longo de
seu curso: primeiramente, surge um chafariz
82
(fig.: 86) e depois o pórtico central da
antiga Academia Imperial de Belas Artes
83
. Estes dois elementos servem para demarcar
intervalos ao longo do percurso, assim como se tornam pontos focais no eixo (fig.: 87,
88 e 89).
Figura: 90
Chafariz das Musas, divide a Aléia Barbosa Rodrigues
Fonte: autor, 2008.
Figura: 91
Aléia Candido Baptista
Fonte: autor, 2008.
82
O Chafariz das Musas foi executado por Herbert W. Hogg, da cidade de Derby, na Inglaterra, no final
do século XIX. Foi transferido do Largo da Lapa, em 1895 por Barbosa Rodrigues. Feito de ferro fundido e
tem várias alegorias. Entre elas quatro figuras que representam a poesia, a música, a ciência e a arte.
Fonte: Instituto de Pesquisas do JBRJ.
83
O Portal da Real Academia de Belas Artes foi projetado por Auguste Henri Victor Grandjean de
Montigny, arquiteto francês nascido em Paris em 1777 e que veio para o Rio de Janeiro em 1816. Na
aquarela de Debret podemos apreciar a composição arquitetônica e a planta baixa do edifício que se
localizava próximo à Praça Tiradentes. O ensino das Belas Artes funcionou neste edifício até 1908. Com a
sua demolição em 1938, o portal foi montado no Jardim Botânico em 1940, ao final da Aléia Barbosa
Rodrigues, conhecida também como Aléia das Palmeiras.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.67
Figura: 92 (acima)
Aquarela da fachada da Academia Imperial de Belas Artes, por Debret.
Fonte: JBRJ
Figura: 93 (abaixo)
Final da Aléia Barbosa Rodrigues onde está o Portal da Academia Imperial
de Belas Artes desde 1940.
fotografia reproduzida de M
EYER, Claus e SECCHIN,Carlos. O Jardim de
Acclimação, Rio de Janeiro: Cor Ação, 1983.
Figura: 94 (acima)
Final da Aléia Barbosa Rodrigues
onde está o Portal da Academia
Imperial de Belas Artes desde
1940.
Fonte: Autor, 2008.
Rua Paissandu
Esta rua atualmente está inserida na malha urbana do bairro do Flamengo, no Rio de
Janeiro e é arborizada por palmeiras-imperiais centenárias. Sob este olhar, desvinculado
do contexto histórico, é difícil compreender a razão destas imensas palmeiras numa rua
estreita para os padrões atuais. Um olhar mais atento sobre o entorno esclarece sua
origem e propósito.
A atual Rua Paissandu servia de acesso ao terreno que abrigava a residência da Princesa
Isabel e seu esposo, o Conde d'Eu, que ficou conhecida como Paço Isabel. Sua
construção foi iniciada pelo português José Machado Coelho em 1853, tendo sido
residência particular até a década de 1860. Pertenceu aos príncipes até a proclamação
da República em 1889, quando foi confiscada pelo governo militar e transferida ao
patrimônio da União. Até hoje a Família Imperial tenta retomar sua posse, sendo um
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.68
dos processos jurídicos mais antigos do país. O Palácio manteve sua conformação
original até 1908 quando, já incorporado ao Patrimônio da União, sofreu radical
reforma de feição eclética, projetada pelo Engenheiro Francisco Marcelino de Souza
Aguiar e pelo paisagista Paul Villon para a recepção, depois frustrada, do Rei D. Carlos
de Portugal
84
. Sua reforma se dá quase que simultaneamente à construção do palácio
das Laranjeiras. Atualmente o edifício é denominado de Palácio Guanabara, e é a sede
do governo fluminense.
Figura: 95
Palácio Isabel, RJ
Foto: R.H. Klumb em 1865 - acervo George Ermakoff
Figura: 96
Rua Paissandu a partir do palácio
Guanabara
Foto: autor não informado, data: 1911
A rua foi aberta por volta de 1864 e ligava a residência da Princesa Isabel ao mar pela
praia do Flamengo. Tal proximidade com a realeza fez desta rua um ponto de
concentração de residências da elite carioca. Nas imagens de época, é possível ver a Rua
Paissandu ainda com seus casarões que não resistiram à especulação imobiliária. Na
figura 96, uma rara foto a partir do palácio, onde é possível ver o tradicional Clube
Paysandu, que curiosamente também apresenta um renque de palmeiras imperiais com
altura ainda maior do que as da própria rua e portanto mais antigas
85
, tal terreno fora
anteriormente propriedade do Conde D’Eu.
84
Histórico do Palácio Guanabara, http://www.governo.rj.gov.br.
85
Foto datada de 1911, de dentro do Paço Isabel, vendo-se a Rua Paissandu com suas palmeiras imperiais
e, à direita, o "ground" de "cricket" do Paissandu Atlético Clube. Este clube foi fundado em 1872, com o
nome de Rio Cricket Club. Estabeleceu-se na Rua Berquó, hoje Rua General Polidoro, esquina de 19 de
Fevereiro, em Botafogo. Em 1880 o Rio Cricket Club saiu de Botafogo, indo para o terreno alugado da
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.69
Figura: 97
Rua Paissandu nos anos 30, Bairro do Flamengo (anos 30)
Fonte: Roberto Tumminelli
Figura: 98
Aléia de palmeiras imperais na Rua Paissandu,
RJ (sem data fornecida).
Fonte: acervo André Costa
Destes tempos, restam poucas casas e outras construções mais antigas. As palmeiras-
imperiais continuam lá, só que agora competem com os altos e modernos prédios. Uma
foto de época (figura 97), provavelmente dos anos trinta, apresenta a rua já inserida na
malha urbana do bairro, mas devido ao porte pequeno das edificações, é ainda claro o
aspecto que deveria ter na época em que fazia parte do terreno do palácio e definia a
marcação do acesso principal por meio das palmeiras imperiais. No contexto do Século
XIX, a escala do corredor de palmeiras criava um senso de monumentalidade particular,
contrastando com a singeleza das casas.
Rua Paissandu. Este terreno era propriedade do Conde D´Eu e ficava em frente ao Paço Isabel, residência
da herdeira do trono do Brasil, a Princesa Isabel. Hoje, esta casa é o Palácio Guanabara, sede do Governo
do Estado do Rio de Janeiro. Fonte: IORIO, Vitor e Patrícia - Paissandu Atlético Clube: pioneiro do esporte
no Rio de Janeiro, 2001.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.70
Figura: 99
Figura: 100
Figura: 101
Figura: 102
Figuras: 99, 100, 101 e 102.
Seqüência de fotos da reforma do Palácio Isabel entre 1907 e 1908 reforma projetada e executada por
Engenheiro Francisco Marcelino de Souza Aguiar, fotografadas por Augusto Malta,então fotografo da
prefeitura do Rio de Janeiro.
Fonte: Biblioteca Pública Digital do Rio de Janeiro
A Rua Paissandu tem uma extensão aproximada de 1000 metros e em ambos os
passeios tem palmeiras imperiais, sendo que o afastamento no sentido longitudinal é
cerca de cinco metros, principalmente no setor mais próximo ao Palácio Guanabara.
Atualmente, a seqüência de palmeiras imperiais apresenta algumas “falhas” que estão
sendo recuperadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro nos pontos onde não houve um
plantio de árvores de outras espécies e rebaixos de meio-fio.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.71
Figura: 103
Esquema de assentamento das palmeiras na Rua
Paissandu a partir de trechos remanescentes mais
próximos do Palácio da Guanabara.
Figura: 104
Rua Paissandu em 2008.
Foto: autor.
Figura: 105
Rua Paissandu em 2008.
Foto: autor.
Figura: 106 (à esquerda)
Palácio Guanabara.
Foto: Peter von Fuss ci. 1940
Figura: 107 (acima)
Palácio Guanabara atualmente.
Fonte:
www.revistafatorbrasil.com.br
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.72
Palácio do Catete
Outro exemplo remanescente do período imperial é a aléia de palmeiras imperiais que se
encontra no jardim do palácio do Catete, no Rio de Janeiro. O atual prédio foi obra do
Barão de Nova Friburgo, importante comerciante que fez fortuna em meados do século
XIX. Segundo informações do Museu da República, por meio da museóloga Elisabeth
Abel
86
, o Barão comprou o terreno que já possuía uma edificação e a demoliu
completamente para ali construir o atual palácio, projetado pelo arquiteto alemão
Gustav Waehneldt. Durante o período da construção (1858-1867), o Barão compra o
terreno dos fundos cuja casa e o terreno era propriedade da Sra. Violante Ribeiro da
Fonseca que herdou de seu filho, o comendador Manuel Pinto de Almeida, segundo a
escritura lavrada no dia 14 de maio de 1858
87
. Esta propriedade tinha um jardim que
fazia frente para a praia do Flamengo e já possuía uma aléia de palmeiras imperiais,
provavelmente plantada pelos proprietários.
Este jardim seria reformulado por Paul Villon, discípulo do famoso paisagista francês
Auguste François Marie Glaziou, que havia projetado no Rio de Janeiro a reforma do
Passeio Público, o jardim da Quinta da Boa Vista e o Campo de Santana.
Figura: 108
Modelo em 3D do jardim do palácio do Catete antes
da intervenção de Paul Villon
Figura: 109
Modelo em 3D do jardim do palácio do Catete após a
intervenção de Paul Villon
86
. Entrevista com a museóloga Elisabeth Abel do Museu da República no dia 23/09/2008 - Rio de Janeiro.
87
Idem 81.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.73
Figura: 110
Planta redesenhada do jardim do Palácio do Catete,
situação anterior à intervenção de Paul Villon.
Fonte: http://www.fau.ufrj.br/prourb/catete. Imagens
do trabalho “Um Palácio na Cidade” desenvolvido pela
equipe de professores e alunos do PROURB, FAU-UFRJ.
Figura: 111
Planta redesenhada do projeto do jardim do Palácio do
Catete por Paul Villon, circa 1896.
Fonte: http://www.fau.ufrj.br/prourb/catete. Imagens do
trabalho “Um Palácio na Cidade” desenvolvido pela
equipe de professores e alunos do PROURB, FAU-UFRJ
Figura: 112
Esquema de distribuição das palmeiras no Jardim do
Catete.
Figura: 113
Imagem do projeto original de Paul Villon para o jardim
do Palácio do Catete.
Figura: 114
Jardim do Catete em 2008.
Fonte: autor
Figura: 115
Jardim do Catete em 2008.
Fonte: autor
O projeto de Villon introduz uma malha sinuosa sobre uma composição ortogonal. Em
relação ao eixo de palmeiras, há uma aléia única, de largura de cerca de oito metros
similar ao Jardim Botânico, e com espaçamento longitudinal entre as espécimes com
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.74
cerca de seis metros e meio. Sua altura é maior do que o próprio palácio, evidenciando
o porte desta planta.
Figura: 116
Esquema da organização do jardim de Villon, que mescla a estrutura ortogonal da aléia com jardins
sinuosos.
Fonte: autor.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.75
Palácio do Itamaraty
Figura: 117
Jardim do Palácio Itamaraty, lago ladeado por aléias de palmeiras imperiais presenteadas
pelo próprio imperador quando da sua construção.
Fonte: autor, 2008.
O Palácio do Itamaraty é construído entre 1851 e 1855, por Francisco José da Rocha, o
Conde de Itamaraty, filho do Barão de Itamaraty. O conde foi um próspero homem de
negócios e estava estreitamente ligado com o poder. Para demonstrar seu status, manda
construir um palácio para realizar recepções. O projeto do prédio principal, os jardins e
o lago internos são de autoria de José Maria Jacinto Rebelo, discípulo de Grandjean de
Montigny. Em reconhecimento à sua estima junto ao imperador, o conde é presenteado
com palmeiras-imperiais para adornar seu novo palácio. As palmeiras foram plantadas
de modo a configurar duas aléias que ladeiam o lago artificial que há no jardim interno
do palácio
88
.
Esta composição se diferencia da grande maioria dos exemplos da época, que
apresentavam uma única aléia de palmeiras, ou seja, duas fileiras paralelas. No jardim
88
Conforme informação fornecida pelo guia do Museu do Palácio Itamaraty.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.76
do Itamaraty há uma duplicação, ou seja, duas aléias paralelas, o que enriquece a
experimentação visual. Surgem duas colunatas duplas e curtas, que emolduram os dois
lados maiores do lago retangular, deixando as extremidades como focos perspectivos.
Figura: 118 (acima)
Jardim do Palácio Itamaraty, Planta Baixa esquemática do lago ladeado por aléias de palmeiras imperiais.
Figura: 119
Jardim do Palácio Itamaraty, aléia na lateral do lago.
Fonte: autor, 2008.
Figura: 120
Jardim do Palácio Itamaraty, aléia na lateral do lago.
Fonte: autor, 2008.
As aléias apresentam uma extensão de aproximadamente cinqüenta metros, com
afastamento entre cada renque de cinco metros e o ritmo em cada renque de seis
metros e meio.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.77
Figura: 121
Jardim do Palácio Itamaraty, Planta Baixa esquemática do lago ladeado por aléias de palmeiras imperiais.
Canal do Mangue
O Canal do Mangue ou Avenida do Mangue como também é conhecida, é outro caso
do uso das palmeiras imperiais em vias públicas no Rio de Janeiro. Sua história data dos
tempos de Dom João VI
89
, quando já se pensava em construir um canal navegável
ligando o mar ao Rocio Pequeno, atual Praça Onze de Junho. A explicação é simples: o
palácio da Quinta da Boa Vista, residência de verão de Dom João VI, ficava no final de
um longo e malcheiroso caminho repleto de pântanos e mangues. Até hoje boa parte
deste trajeto desde o Campo de Santana é conhecido como Cidade Nova, pois
praticamente uma nova cidade surgiu no caminho até a nobre moradia de Dom João VI
e em seu entorno.
O canal teria a função de drenar um grande pântano existente nas imediações, que era
um foco de doenças, mosquitos e exalações desagradáveis. Em 1854
90
, o Barão de
Mauá fundou a Companhia de Gás nesta área da cidade cuja sede permanece até hoje.
89
SANTOS, Luiz Gonçalves dos. Memórias para servir à história do reino do Brasil: Pref. e anotações de
Noronha Santos. Rio de Janeiro. ed. Z. Valverde, 1943. pp. 185-187.
90
AZEVEDO, Manuel Duarte Moreira de. O Rio de Janeiro: sua história, monumentos, homens notáveis,
usos e curiosidades. Rio de Janeiro. ed. Livraria Brasiliana Editora, 1969. p. 383.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.78
Figura: 122
Avenida do Mangue, Rio de Janeiro, início do séc. XX.
Fonte: banco de imagens de André da Costa
Figura: 123
Carnaval de 1910 na Av. do Mangue, RJ.
Fonte: Foto da Revista Careta
Figura: 124
Canal do Mangue, Mapa
de 1913 com indicação
do Canal do Mangue e
da Quinta da Boa Vista.
Em 1857
91
, sai do papel o projeto que data de 1835, e que propunha um canal que
coletasse a água dos rios que ali desaguavam e levá-los ao mar. A obra do canal fica a
91
DECRETO N 2.117 de 6 de Março de 1858. Império do Brasil - Rio de Janeiro.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.79
encargo do Barão de Mauá e passava próximo à sua fábrica de gás. As obras ficaram
prontas em 1860. Em 1876 foram feitas a limpeza e a restauração dos muros e pontes e
foram plantadas palmeiras
92
. Foi também aterrada uma área sobre o mangue, que ficou
conhecida como “Aterrado”. Assim estava definida a feição do Canal do Mangue até os
dias de hoje, com exceção das palmeiras, que foram removidas quando a criação da
Avenida Presidente Vargas, inaugurada em 07/09/1944.
Com extensão de 2600 metros
93
, o Canal do Mangue era margeado por duas vias de
cada lado, uma para bondes e outra para veículos. Por causa disto é disposta de uma
colunata dupla de cada lado do canal. Neste caso ocorre uma ampliação do que fora
realizado no Jardim do Palácio do Itamaraty.
Figura: 125
Cédula de 50 réis lançada em 1923 confirma a importância desta importante obra de saneamento e
paisagismo da capital federal.
Fonte: Museu de História Nacional
92
MEC, Ministério da Educação e Cultura. Anais do Museu Histórico Nacional, vol. X. Rio de Janeiro ed.
MEC, 1955. p. 209.
93
RIO DE JANEIRO, Distrito Federal. Recenseamento do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, ed. Officina da
Estatística, 1907. p. xlvi
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.80
Figura: 126
Estação de Mauá em 1928
Foto: Augusto Malta
Figura: 127
Canal do Mangue, 1906
Fonte: memória viva – Rio de
Janeiro
Figura: 128
Cartão Postal do Canal do
Mangue
Fonte: André Costa
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.81
Figura: 129
Canal do Mangue, 1919.
Fonte: Ana de Toledo
Figura: 130
Esquema estimado da implantação no Canal do Mangue
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.82
Figura: 131
Canal do Mangue ci. 1970, com
algumas palmeiras remanescentes.
Fonte: LIMA, Francisco Negrão de. Rio,
Guanabara em nova dimensão: um
balanço do Governo. Governador do Rio
de Janeiro (1965-1970) ed. Guavira
Publicidade, 1971.
Figura: 132
Canal do Mangue 2007, com árvores substituindo as antigas
palmeiras.
Foto: Wilson Moura
Figura: 133
Canal do Mangue ci. 1970 foto aérea do
canal demarcando a linha antes
ocupada pelas palmeiras.
Fonte: LIMA, Francisco Negrão de. Rio,
Guanabara em nova dimensão: um
balanço do Governo. Governador do Rio
de Janeiro (1965-1970) ed. Guavira
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.83
Capítulo 4
Precedentes fora do Rio de Janeiro
Como visto anteriormente, a palmeira imperial foi utilizada inicialmente em jardins e vias
públicas na cidade do Rio de Janeiro. Seu uso difunde-se rapidamente pela província
fluminense e, no rastro do desenvolvimento econômico dos crescentes centros urbanos,
acaba alcançando diversas províncias do Império, tendo sido amplamente empregadas
em intervenções urbanas realizadas até as primeiras décadas do século XX.
Neste percurso propagador, exemplos da palmeira-imperial foram encontrados em
diversas regiões do país. O propósito aqui é mostrar justamente essa disseminação, que
vai além da mera difusão geográfica do uso de uma determinada espécie vegetal, mas
abrange questões sociais, políticas e culturais, no processo de transferência da espécie a
partir do Rio de Janeiro. Importante também foi a sua vinculação aos diferentes regimes
políticos que se sucederam desde 1809
94
e o significado de sua presença nos espaços
públicos onde é utilizada. Se a palmeira foi a espécie preferida de Dom João VI, em
seguida ficará estreitamente vinculada à imagem do Segundo Império e,
posteriormente, à Primeira República. Desse modo, o sentido de orientação monumental
conferido pelas palmeiras-imperiais foi adotado pelas instituições de governo como
ícone.
A seguir, são abordados alguns exemplos isolados do uso de palmeiras-imperiais na
composição de espaços arquitetônicos fora da cidade do Rio de Janeiro. Estes exemplos
comprovam o sucesso das experiências paisagísticas cariocas, que fazem escola em
vários pontos do país e mostram o contexto para as intervenções de larga escala em
Porto Alegre à partir de 1935.
Petrópolis
Em Petrópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro, Dom Pedro II constrói um palácio para
servir de residência de verão para a família imperial. Construído entre 1845 e 1862, o
94
Ano do plantio da palmeira-imperial por Dom João VI no Horto Real Botânico.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.84
prédio neoclássico teve seu jardins encomendados em 1853 ao horticultor parisiense
Jean Baptiste Binot. A autoria do projeto é desconhecida, sendo Binot encarregado do
envio de milhares de mudas exóticas, entre as quais "palmeiras australianas". É possível
que o projeto tenha sido enviado do Brasil, contando com a orientação do próprio
imperador. Como sentinelas do prédio, estão as palmeiras imperiais dispostas em torno
do prédio formando um retângulo. Como o passar dos anos, parte da área do jardim foi
absorvida por loteamentos depois da queda do império, mas o jardim ainda preserva
parte das palmeiras imperiais em seu contorno.
95
Atualmente, o prédio é sede do Museu
Imperial.
Figura: 134
Museu Imperial, Petrópolis – RJ
Antiga residência de verão da família
imperial.
Fonte:
www.museuimperial.gov.br/fotos.htm
Figura: 135
Museu Imperial, Petrópolis – RJ
Antiga residência de verão da família
imperial.
Fonte:
http://www.arquiteturahistorica.com.br/
95
Regina H. de Castro Resende Coordenadora do Setor de Educação Museu Imperial
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.85
Quissamã
Assim como na capital, o interior do estado do Rio de Janeiro também registra casos de
palmeiras imperiais. Quissamã, cidade que no final do século XVIII fora um prospero
pólo açucareiro, manteve uma relativa importância econômica ao longo do século XIX a
ponto de ter influência na vida política do país e de atrair investimentos para a região,
como é o caso da construção do canal de navegação Campos-Macaé (1844-1861) para
facilitar o escoamento da produção. Nesta época também fora comum a presença de
visitantes ilustres como o Imperador Dom Pedro II, Duque de Caxias e Eusébio de
Queirós, deixando Quissamã com um ar de corte.
96
Neste contexto, a Casa da Fazenda
Quissamã foi ornamentada com o plantio de um eixo duplo de palmeiras-imperiais ao
longo de seu acesso principal.
96
Site da prefeitura da cidade de Quissamã: http://www.quissama.rj.gov.br
Figura: 136
Fazenda Quissamã, Quissamã – RJ
Fonte: www.wikepedia.com
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.86
Outras palmeiras também foram plantadas nas proximidades da casa. Isso tornou a
casa um dos maiores conjuntos arquitetônicos da cidade, não só pela intensa vida social
que desfrutava, como pelo crescente prestígio de seus moradores na região.
Figura: 137
Fazenda Quissamã, Quissamã – RJ
Fonte: www.wikepedia.com
Figura: 138
Fazenda Quissamã, Quissamã – RJ
Fonte: www.wikepedia.com
Outra exemplo de fazenda com palmeiras imperiais é a sede da fazenda Mandiqüera
97
,
que durante a sua construção chegou a hospedar o próprio Imperador D. Pedro II em
1947.
97
Construída em 1826, atualmente preserva parte das construções que antigamente compunham o
conjunto rural, tendo desaparecido o engenho, a serraria, o hospital, armazém, senzalas e dois sobrados
anexos ao corpo principal que foram demolidas em meados do século XX, permanecendo apenas o seu
corpo central e o torreão. Site turístico de Quissamã: http://www.quissama.org/historico_cultural.php.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.87
Figuras 139
Fazenda Mantiqüera -
Quissamã – RJ
Fonte: www.wikepedia.com
A fachada principal, que é o ponto focal de uma aléia de palmeiras, apresenta uma
articulação de semicolunas e pilastras de ordem dórica, encimadas por um ático. O eixo
de palmeiras, o chafariz e o pórtico dórico conformam um notável exemplo de
arquitetura neoclássica.
É bastante provável que a data do plantio das palmeiras imperiais esteja ligada a esta
visita, já que estas árvores estavam associadas ao governo imperial.
Figuras 140
Fazenda Mantiqüera - Quissamã –
RJ
Fonte: www.wikepedia.com
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.88
Palácio dos Príncipes (Joinville)
Joinville, uma singela colônia de imigração alemã no sul do país, praticamente alheia ao
requinte da corte e às transformações urbanas do Rio de Janeiro, mostra o uso de
palmeiras imperiais tal qual a capital do Império. Este contexto atípico no uso de
palmeiras-imperiais, vem a incrementar o impacto deste feito para esta cidade, onde há
uma dupla fileira de palmeiras que se posiciona em frente ao “Palácio dos Príncipes”,
nome do prédio que atualmente abriga o Museu Nacional de Imigração e Colonização.
A história tradicional conta que o Palácio dos Príncipes foi construído para ser a
residência de verão do príncipe François Ferdinand Phillipe de Orleéans da França e da
princesa Francisca Carolina, filha de Dom Pedro I, que havia se casado em 1840. O casal
recebeu como dote de casamento vinte e cinco léguas quadradas no norte de Santa
Catarina. Após as núpcias, o casal nunca mais retornaria ao Brasil. Infelizmente esta
história, que é divulgada amplamente, não é correta. O fato é que em 1849, após a
deposição do Rei Luís Felipe da França, o casal doou 8 léguas quadradas deste lote à
Sociedade Colonizadora de Hamburgo, a fim de assentar os primeiros imigrantes
alemães na Colônia Dona Francisca, atual Joinville
98
. Vários anos depois deste episodio, é
construído em 1870 o Palácio dos Príncipes, que na verdade tinha a função de abrigar a
sede da administração da Colônia. Portanto, o assim denominado “Palácio” era a sede
administrativa de uma colônia oficial de imigrantes alemães.
O Palácio foi executado a mando do então administrador, Frederico Brüstlein. O
arquiteto da obra é Frederico Müller, que projeta um palacete de dois pavimentos, com
uma aléia de palmeiras-imperiais enquadrando o eixo da edificação. Neste caso, a aléia
tem o palacete como ponto focal, tal como na Rua Paissandu, no Rio de Janeiro.
As palmeiras foram plantadas em 1873, portanto, ainda do período imperial, sendo um
dos exemplos paisagísticos mais meridionais do uso de palmeiras imperiais a formar
uma colunata dupla no Brasil.
99
98
Conforme informa o Museu Nacional de Imigração e Colonização em Joinville.
99
Deve-se lembrar que as palmeiras usadas no Rio Grande do Sul não são do tipo imperial.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.89
Figura: 141
Aléia de palmeiras imperiais em frente ao Palácio dos
Príncipes, Joinville. Plantadas em 1873.
Foto: A. Drummond, 2007
(http://www.flickr.com/photos/30215281@N00/397585480/)
Figura: 142
Aléia de palmeiras imperiais em frente ao Palácio dos
Príncipes, Joinville. Plantadas em 1873.
Foto: Cláudio Calovi Pereira, 2008.
Figura: 143
Vista aérea da Alameda Bürstlein
Fonte: Google Earth
Na Alameda Bürstlein, largo em frente ao Palácio dos Príncipes, encontram-se 52
palmeiras-imperiais dispostas nos extremos transversais, formando dois renques
paralelos. O espaçamento entre as plantas em cada renque é de cerca de seis metros,
enquanto os renques são tem um afastamento de 13 metros aproximadamente. Com
uma extensão de 165 metros e largura de somente 17metros, a alameda tem o formato
Alameda Bürstlein
com palmeiras
imperiais nos seus
limites longitudinais.
Palácio dos Príncipes,
atual Museu Nacional
de Imigração e
Colonização.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.90
de um retângulo alongado. A intercolunio de 6,3 metros forma uma barreira virtual das
diagonais ao observador que estiver no centro da alameda voltado para o palácio. Este
bloqueio visual às diagonais é bastante adequado para enfatizar o foco no centro do
palácio.
Figura: 144
Esquema de distribuição das palmeiras em Joinville.
Figura: 145
Palmenalle, Avenida das Palmeiras e atualmente
Alameda Bürstlein.
Foto: acervo família Schroeder Joinville
Figura: 146
Alameda Bürstlein, antiga Av. das Palmeiras.
Foto: cartão postal década de 70
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.91
Blumenau
Assim como Joinville, Blumenau é uma cidade de colonização alemã, criada em 1850,
por Hermann Bruno Otto Blumenau, que obtivera do governo Provincial de Santa
Catarina uma área de terras de duas léguas, para estabelecer uma colônia agrícola, com
imigrantes europeus.
Em 1860 o Governo Imperial encampou o empreendimento e Blumenau foi mantido na
direção até a elevação da colônia à categoria de Município, em 1880.
A Alameda Duque de Caxias (antiga Palmenalle ou Rua das Palmeiras) foi a primeira rua
planejada da colônia. Denominada pelo imigrantes “Boulevard Wendenburg”, esta via
recebe no ano de 1876
100
, em seu canteiro central, duas fileiras de palmeiras imperiais
que foram trazidas por próprio Hermann Blumenau.
101
Estas palmeiras foram
preservadas até os dias de hoje.
Figura: 147
Av. Duque de Caxias, antiga Av. das
Palmeiras, foto do início do século.
Fonte: Prefeitura de Blumenau
Figura: 148
Palmenalle ou Av. das Palmeiras, foto do início do século.
Fonte: acervo Juliana Silva
100
Prefeitura Municipal de Blumenau.
101
Roteiros Turísticos da Folha de São Paulo.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.92
O historiador Adalberto Day coloca:
A primeira Rua em Blumenau surgiu em 1852, com o nome de Palmenalle , onde
foi construído o primeiro hotel, de alvenaria. Num dos quartos o Dr. Blumenau
instalou a direção da Colônia.
- A Rua Palmenalle mudou seu nome para Boulevard Wendeburg em 3 de
fevereiro de 1883, depois para alameda Dr. Blumenau e em 8 de abril de 1939,
para Alameda Duque de Caxias através do Decreto-Lei nº. 68 de 18 de agosto
1942, na administração de Afonso Rabe. O Decreto-Lei nº. 1.202, que se referia
sobre a nacionalização dos nomes de ruas, determinava que as ruas com nomes
estrangeiros fossem alterados e colocados nomes nacionais
102
Praça da Liberdade, Belo Horizonte
Figura: 149
Palácio da Liberdade e Praça da Liberdade na década de 1910, já com as palmeiras-imperiais.
Fonte: cartão postal de Belo Horizonte, foto de E.Guerra
Belo Horizonte foi a primeira grande cidade brasileira construída totalmente a partir de
um projeto. Foi projetada por Aarão Reis ainda no do final do século XIX, entre 1894 e
1897 para ser a nova capital do Estado de Minas Gerais. No coração administrativo da
102
Site pessoal do historiador Adalberto Day, < http://adalbertoday.blogspot.com/>
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.93
“Cidade de Minas”, nome que teve inicialmente está o Palácio da Liberdade e frente a
este, a Praça com mesmo nome.
A Praça da Liberdade foi um dos principais projetos do engenheiro Aarão Reis, dentro
do planejamento da nova capital. Sua construção recebeu todos os cuidados, pois era o
espaço onde se concentraria o poder político do Estado. O Morro da Boa Vista, por ser o
ponto mais alto dentro da área da Avenida Contorno, foi o escolhido para receber o
Palácio do Governo e uma praça. O morro foi aplainado e criou-se uma esplanada. No
projeto inicial, Aarão Reis havia destinado para a Praça da Liberdade apenas o Palácio.
Quando Francisco Bicalho assumiu a chefia da comissão construtora, modificou o
projeto incluindo prédios para as secretarias de Estado. Os jardins só foram concluídos
em 1905 com o projeto de Paul Villon.
A sistematização urbanística da Praça da Liberdade é semelhante ao tridente, tendo o
Palácio da Liberdade
103
como vértice do encontro de três grandes avenidas: duas
103
O Palácio da Liberdade, que domina o conjunto arquitetônico da Praça da Liberdade, teve sua pedra
fundamental lançada em 7 de setembro de 1895 e sua construção foi iniciada em 25 de novembro do
mesmo ano. Foi inaugurado em 1898, com projeto de autoria de José de Magalhães. O empreendimento
reflete a influência francesa em sua arquitetura. O requinte do projeto exigiu que grande parte dos
materiais utilizados em sua construção fosse importada da Europa. Foi o caso das armações de ferro das
escadarias e estruturas metálicas da cobertura, procedentes da Bélgica, das telhas de Marselha, do pinho
de Riga da Letônia, entre outros. O restante veio do Rio de Janeiro. De Minas Gerais, vieram somente os
tijolos, as pedras e a cal. Em 1920, durante o governo Arthur Bernardes, o Palácio da Liberdade passou
por reforma substancial, inclusive em seus jardins, originalmente projetados, em 1899, por Paul Villon,
Figura: 150
Praça e Palácio da Liberdade, ci. 1930
Fonte: Museu Histórico Abílio Barreto
Figura: 151
Praça e Palácio da Liberdade, 2007.
Fonte: foto Alessandra Szekut
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.94
convergentes, Brasil e Bias Fortes, e uma central, a João Pinheiro, que se prolonga até o
palácio por meio de uma alameda de palmeiras imperiais. As edificações foram
concebidas de acordo com as tendências arquitetônicas da época – um ecletismo de
base clássica.
Este caso é mais um importante precedente do uso de colunatas vegetais compostas por
palmeiras imperiais. Na Praça da Liberdade, que faz frente ao palácio do governo, há
uma aléia de palmeiras imperiais nos mesmos moldes dos utilizados ainda na época do
império, apropriando-se assim das qualidades morfológicas de uma colunata
monumental aos seus aspectos organizativos.
Figura: 152
Praça da Liberdade e prédios das secretarias que consolidam a esplanada cívica de Belo Horizonte.
Fonte: http://www.circuitoliberdade.mg.gov.br/galeria/index.php
para receber os soberanos belgas em visita a Belo Horizonte. Fonte: Secretaria de Estado do Governo de
Minas Gerais.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.95
De formato retangular alongado, com dimensões similares à de um quarteirão, a Praça
da Liberdade tem cerca de 190 metros de comprimento por 115 metros de largura,
sendo dividida, no sentido longitudinal, por uma via, a Alameda da Travessia, com
aproximadamente 8,5 metros de largura. Junto à esta via central à praça estão as
palmeiras-imperiais, como que emoldurando o Palácio da Liberdade ao fundo, assim
como no caso da Rua Paissandu no Rio de Janeiro e em Joinville.
A distância entre cada renque de palmeiras é de aproximadamente 15 metros e o
espaçamento longitudinal entre as árvores de cada renque é cerca de 7,7 metros.
No caso da Praça de Liberdade, o afastamento entre as palmeiras é grande suficiente
para que não bloqueie as visuais nas diagonais, desde modo os demais prédios que
compõe a Esplanada Cívica também podem ser percebidos pelo observador.
Figura: 153
Esquema de distribuição das palmeiras-imperais
na Praça da Liberdade, Belo Horizonte.
Figura: 154
Vista aérea da Praça da Liberdade, Belo Horizonte.
Fonte: Google Earth
Palácio da
Liberdade
Praça da
Liberdade
Via Central:
Alameda da Travessia
ladeada por renques
de palmeiras imperiais
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.96
Casos paulistas
No estado de São Paulo também se verifica esta estratégia compositiva paisagística em
diversos locais. Talvez sua maioria não tenha o predicado da nobreza exibida pela capital
nacional, mas reflete o fruto do sucesso econômico da agricultura cafeeira e sua
ostentação de riqueza e poder. Neste rastro do enriquecimento propiciado pela
cafeicultura, surgem os primeiros usos da palmeira imperial em vários casos urbanos e
rurais, públicos e particulares. No contexto da cultura do café, algumas cidades do
interior do estado apresentam o uso de colunatas de palmeiras-imperiais neste período,
mas infelizmente boa parte destes exemplos já se perdeu. As figuras 155 e 156 ilustram
colunatas duplas de palmeiras imperiais em Taubaté e Lorena
104
.
Figura: 155
Rua das Palmeiras. Taubaté. Cartão postal, s.d.,
Taubaté, SP. Acervo do Museu Paulista da Universidade
de São Paulo.
Figura: 156
Palmeiras-imperiais no largo da Matriz. Fotografia, ci.
1930, Lorena, SP. Acervo do Museu Paulista da
Universidade de São Paulo.
104
Segundo Roseli Maria Martins D'Elboux em seu artigo “Uma promenade nos trópicos: os barões do
café sob as palmeiras-imperiais, entre o Rio de Janeiro e São Paulo.” A data estimada de plantio das
palmeiras de Taubaté e Lorena é de 1881 e 1884 respectivamente.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.97
Na cidade de Santos há outro exemplo, um pouco mais tardio, mas igualmente
relevante. A Avenida Ana Costa, aberta em 1920, apresenta um estreito canteiro central
com 128 palmeiras-imperiais dispostas em um único renque central.
105
Figura: 157
Avenida Ana Costa em 1922, vista da praia para o Centro, junto à
Praça da Independência.
Foto reproduzida do boletim empresarial Informativo Cerqueira, de
novembro de 1978.
Figura: 158
Avenida Ana Costa em 1950, justificando o apelido de Avenida das
Palmeiras.
Foto: Poliantéia Santista, de Fernando Martins Lichti, vol. III, Gráfica
Prodesan, Santos - SP, 1996.
105
Diário Oficial de Santos em 11/05/2001.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.98
Cachoeira do Sul
O Rio Grande do Sul também apresenta casos de uso de palmeiras de grande porte na
composição de espaço públicos. A cidade de Cachoeira do Sul, que até o início do
século XX foi uma das mais importantes cidades do interior gaúcho e no ano de 1925
fez uso de palmeiras-da-Califórnia em uma de suas principais praças, a Praça Balthazar
de Bem, atualmente conhecida como Chateau D’Eau. Esta praça que está localizada em
frente à Igreja Nossa Senhora da Conceição, à prefeitura e ao antigo teatro municipal, e
formava um conjunto arquitetônico significativo no contexto da arquitetura gaúcha.
Figura: 159
Praça Balthazar de Bem, Cachoeira do Sul, década
de 20. Ao fundo a Igreja N. Sra. Conceição ainda
com sua fachada original em estilo colonial.
Fonte: www.pratti.com.com
Figura: 160
Praça Balthazar de Bem, Cachoeira do Sul, década de
50, já com as palmeiras-da-Califórnia. Ao fundo a
Prefeitura Municipal em estilo neoclássico.
Foto: Walter Teixeira
Embora não haja citação do responsável pelo paisagismo da praça, é comprovada a
participação de Guilherme Gaudenzi no horto municipal neste período. Anos mais tarde,
Gaudenzi faria parte da Secretaria de Praças e Parques de Porto Alegre durante o
governo de Loureiro da Silva (1937-1943), quando foram plantadas muitas palmeiras do
mesmo tipo.
O Chateau D’Eau é um reservatório de água elevado, construído entre 1924 e 1925,
período em que reformas sanitárias foram intensas em todo o estado do Rio Grande do
Sul. A preocupação com a estética urbana é evidente no tratamento dado à obra,
fazendo parecer mais com um monumento do que com um simples reservatório.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.99
Figura: 161
Esculturas de Guiseppe Gaudenzi na Praça Balthazar
de Bem, Cachoeira do Sul.
Fonte: Autor, 2008.
Figura: 162
Praça Balthazar de Bem, Cachoeira do Sul.
Fonte: Autor, 2008.
Em seu livro: Muito além da Praça José Bonifácio, Jéferson Selbach
115
conta que o
projeto arquitetônico foi assinado pelo engenheiro Walter Jobim, que cercou a escultura
central com estátuas de ninfas, divindades do mar, segurando cântaros que jorravam
água. No topo do monumento, colocou a escultura de Netuno, deus mitológico dos
mares, de frente para a igreja. As esculturas foram esculpidas na oficina de J. Vicente
Friedrichs, em Porto Alegre, sob a direção do professor Giuseppe Gaudenzi. Ao redor do
monumento, foram plantadas palmeiras formando um circulo ao redor do núcleo
central, em afastamento regular. Deste modo, aos dois círculos correspondentes à torre
e ao pórtico, mas o 3º círculo do espelho d’água, soma-se o 4. circulo conformado
pelas palmeiras.
Figura: 163
Praça Balthazar de Bem, Cachoeira do Sul, em
2007.
Fonte: www.commons.wikimedia.org
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.100
Capitulo 5
Casos Modernistas
Os primeiros casos de uso da palmeira-imperial em projetos modernistas ocorrem
justamente entre os dois períodos que houve o plantio em Porto Alegre. Os primeiros
casos porto-alegrenses foram plantadas para a Exposição de 1935, e o segundo
momento de plantio se deu para a comemoração do bicentenário da cidade, em
1940
106
. Não é possível estabelecer uma ligação ou influencia direta, mas o ponto
relevante aqui é a permanência do papel simbólico da palmeira-imperial na arquitetura
brasileira, que é atestada pelas primeiras obras propostas de arquitetura moderna no
país.
A arquitetura moderna brasileira surge num momento de profundas transformações.
Com a chegada de Vargas ao poder em 1930. Paradoxalmente, o discurso de Vargas era
modernizador, mas seu regime procura a simpatia dos conservadores. Na arquitetura, o
ecletismo cedia lugar a outros movimentos nacionalistas que almejavam
reconhecimento como o neocolonial, o californiano (ou misssion style) e o marajoara.
Nesse momento, a arquitetura moderna no Brasil se manifesta nas obras de
Warchvchick em São Paulo (desde 1928), enquanto uma “modernidade pragmática”
107
se afirmava em todo o país, inspirada em vertentes européias como o expressionismo, o
art déco e o racionalismo estrutural.
Neste contexto, em 1936, Le Corbusier visita novamente o Brasil, agora a convite do
governo Vargas, com a finalidade de conduzir um grupo de arquitetos locais em dois
projetos importantes: a nova sede do Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP) e
a nova Cidade Universitária, no Rio de Janeiro.
106
Conforme a cronologia assumida na época.
107
Segawa, Hugo. Arquiteturas no Brasil: 1900-1990. 2. ed.. São Paulo: Edusp, 1999. 224 p.. p. 53.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.101
Cidade Universitária, projeto de Le Corbusier
Le Corbusier foi convidado por Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde
Pública de Vargas, para ser o consultor do projeto para a futura Cidade Universitária do
Brasil a ser construído na cidade do Rio de Janeiro. O terreno escolhido era junto à
histórica Quinta da Boa Vista e era cortado por uma importante ferrovia (Central do
Brasil).
Figura: 164
Projeto de Le Corbusier para cidade universitária do Rio de Janeiro, Perspectiva.
Fonte: OEuvre Complète 1934-1938.
Em seu projeto para a cidade universitária, Le Corbusier dispõe uma monumental
esplanada entre o setor da reitoria e auditório e o Museu Universitário que é totalmente
ocupada por uma vasta retícula de palmeiras-imperiais a formar um grande e alongado
retângulo. Este conjunto sugere a existência de um volume edificado, ou de um
gigantesco pórtico colunar frente aos edifícios monumentais do campus. Le Corbusier
denomina este espaço de “esplanada das dez mil palmeiras”
108
. Este gesto mostra o
quanto as palmeiras cativaram Le Corbusier como elementos importantes de
108
LE CORBUSIER et Pierre Jeanneret: oeuvre complete. Zurich:Les Editions D'Architecture v.3, 1995. p. 42.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.102
composição monumental. Ao registrar a sua impressão sobre a cidade do Rio de Janeiro
quando da sua visita em 1929, ele cita as palmeiras-imperiais do seguinte modo:
.... Aléias de palmeiras retas, de troncos lisos, matematicamente dispostas,
correm em ruas retas; há quem afirme que elas alcançam 80 metros de
altura, mas eu me contento com 35.
109
Figura: 165
Detalhe da esplanada das dez mil
palmeiras-imperiais.
Fonte: OEuvre Complète 1934-
1938
Figura: 166
Projeto de Le Corbusier para cidade universitária do Rio de Janeiro, ao fundo a esplanada das dez mil palmeiras e em
primeiro plano um dos caminhos emoldurados por uma aléia de palmeiras em disposição alternada (ziguezague).
Fonte: OEuvre Complète 1934-1938.
109
LE CORBUSIER, Précisions sur un état présent de l'architecture et de l'urbanisme. Ed. Éditions Vincent,
Fréal, 1960 p.37. “Des allées de palmiers droits, aux troncs lisses, galbés par de la mathématique, courent
en rues droites; l'un veut qu'ils aient quatre-vingt mètres du haut je me contente de trente-cinq.»
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.103
Figura: 167
Projeto de Le Corbusier para cidade universitária do Rio de Janeiro, Implantação.
Fonte: OEuvre Complète 1934-1938.
Cidade Universitária, projeto de Lúcio Costa
Uma vez que o projeto de Le Corbusier para a Cidade Universitária não foi aceito, Lúcio
Costa e uma equipe de assessores locais preparam um novo plano. Este possuía uma
organização mais axial, na qual uma grande avenida ligava os dois pólos principais
(entrada monumental com reitoria e auditório e, ao final, o grande volume do hospital
universitário). Ao longo do eixo se encontram as demais unidades do conjunto. Neste
eixo aparecem dois longos trechos demarcados por palmeiras-imperiais. No primeiro,
logo após a praça de entrada, as palmeiras ladeiam a avenida em dois renques. No
segundo trecho, elas se encontram em disposição reticular, espaçadas por oito
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.104
metros
110
. Lúcio Costa apresenta uma versão mais clássica e axial da proposta corbusiana
e suas palmeiras se adaptam a esta disposição. Merece destaque a criação de dois
ambientes ao longo do mesmo eixo, que definem situações espaciais distintas.
Ao final desta esplanada de palmeiras-imperiais há uma avenida que marca o seu final.
Esta via é proposta com dois renques de palmeiras, formando uma aléia perpendicular
(levemente inclinada) ao grande eixo. Esta interrupção marca a transição para o terceiro
e final setor do projeto, onde está o hospital universitário e prédios afins. Deste modo,
Costa faz um uso estratégico de composição com as palmeiras, organizando-as de
modo a reforçar cada aspecto dos três setores em que o Campus foi trabalhado.
Figuras 168
Projeto de Lúcio Costa para cidade universitária do Rio de Janeiro, Implantação.
Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995.
110
seis renques de palmeiras imperiais afastadas 8 metros umas das outras – afastamento que elas têm na
rua Paissandu. Lucio Costa: registro de uma vivência. p.183.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.105
Figura: 169
Perspectiva do projeto de Lúcio Costa para Cidade Universitária do Brasil, a ser realizada no Rio de Janeiro.
Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995.
Figura: 170
Perspectiva do projeto de Lúcio Costa para Cidade Universitária do Brasil, a ser realizada no Rio de Janeiro.
Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.106
Figura: 171
Perspectiva do projeto de Lúcio Costa para Cidade Universitária do Brasil, a ser realizada no Rio de Janeiro.
Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995.
Figura: 172
Perspectiva Geral do projeto de Lúcio Costa para Cidade Universitária do Brasil, a ser realizada no Rio de Janeiro.
Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.107
MESP
Em sua visita de 1936, Le Corbusier deixou desenhos para o edifício do Ministério da
Educação e Saúde Pública (MESP). Os poucos esboços para o terreno da Esplanada do
Castelo apresentam palmeiras-imperiais em dois eixos que criam um pórtico colossal
entre a barra de escritórios e o auditório.
Figura: 173
Projeto de Le Corbusier
para o MESP, Rio de
Janeiro, fachada para a
Rua da Imprensa.
Fonte: OEuvre Complète
1934-1938.
Figura: 174
Projeto de Le Corbusier
para o MESP, Rio de
Janeiro, fachada para a
Rua Araújo de Porto
Alegre.
Fonte: OEuvre Complète
1934-1938.
Figura: 175
Projeto de Le Corbusier
para o MESP, Rio de
Janeiro, Perspectiva.
Fonte: OEuvre Complète
1934-1938.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.108
Figura: 176
Planta Baixa e Implantação do projeto de Le Corbusier para o MESP, Rio de Janeiro.
Fonte: OEuvre Complète 1934-1938.
Outros Exemplos
Ainda dentre os projetos pioneiros dos arquitetos modernistas cariocas, merecem ser
mencionados o Instituto Nacional de Puericultura de Oscar Niemeyer e o Colégio Pedro
II de Carlos Leão, ambos em 1937. O primeiro, o Instituto Nacional de Puericultura,
apresenta um renque de palmeiras no limite do terreno justamente no setor em que a
edificação está recuada, configurando virtualmente o limite da área de intervenção até a
borda do quarteirão.
Figura: 177
Instituto Nacional de Puericultura de Oscar Niemeyer, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 180.
Figura: 178
Instituto Nacional de Puericultura de Oscar Niemeyer, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 190.Figura: 160
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.109
Figura: 179
Instituto Nacional de Puericultura de Oscar Niemeyer, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 191.
Figura: 180
Instituto Nacional de Puericultura de Oscar Niemeyer, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 196.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.110
Já no Colégio Pedro II, as palmeiras-imperiais marcam os acesso ao complexo através de
duas aléias, dispostas em “L”.
Figura: 181 (acima)
Colégio Pedro II de Carlos Leão, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF)
p. 208.
Figura: 182 (esquerda)
Colégio Pedro II de Carlos Leão, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF)
p. 200.
Figura: 183
Colégio Pedro II de Carlos Leão, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 201.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.111
Parte 3 – Porto Alegre e o esforço de
embelezamento
Capitulo 1
O Plantio das palmeiras
Em Porto Alegre, não haviam sido utilizadas grandes palmeiras como elemento
compositivo paisagístico até meados da década de 30. Até então, algumas ruas foram
arborizadas com palmeiras de médio porte, tal como o Jerivá, uma espécie nativa do Rio
Grande do Sul.
Um precedente notável e muito pouco conhecido é a Rua dos Coqueiros, atual Rua 17
de Junho, no Bairro Menino Deus. Uma foto de 1914 (figura 185) mostra uma rua em
perspectiva ladeada por duas fileiras de jerivás. Este conjunto já está registrado no mapa
de Porto Alegre de 1888, como acesso de uma propriedade privada.
Figura: 184
Rua dos Coqueiros
Fonte: acervo particular de Augusto Carneiro
Figura: 185
Rua 17 de Junho em 1914.
Fonte: BASTOS, 1997.
Em 1892 a rua já é uma via pública, recebendo o nome atual, com o qual comparece no
mapa de 1896. Esse fato mostra que houve um caso do uso de palmeiras enfileiradas ao
longo de uma via ainda no século XIX em Porto Alegre.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.112
Figura: 186
Rua dos Coqueiros no mapa Porto-alegrense de
1888.
Figura: 187
Rua 17 de Junho no mapa Porto-alegrense de
1896.
Outro exemplo de uso de palmeiras na paisagem urbana é o conjunto dos prédios
gêmeos do Theatro São Pedro e da Casa da Câmara.
Figura: 188
Theatro São Pedro em 1910 com jerivás no passeio lateral
Fonte: Museu da Comunicação Social Hipólito José da Costa.
Rua 17 de Junho
Rua dos
Coqueiros
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.113
O uso de palmeiras, ainda que não monumentais, provavelmente revela a influencia do
uso destas árvores na capital do império, que teria favorecido sua adoção por
governantes e particulares na capital gaúcha.
Os primeiros plantios de grandes palmeiras na capital gaúcha se deram durante um
momento especial na história da cidade e do estado, marcado pela Exposição do
Centenário Farroupilha em 1935. Para esta ocasião, houve uma intensa mobilização dos
poderes estadual e municipal como também da sociedade civil para promover tal
evento. No governo do estado, estava o Gen. Flores da Cunha (PRR
111
) e a Prefeitura
Municipal era ocupada por Alberto Bins (PRR). O governo municipal foi responsável por
prover um local para a Exposição, incrementar os meios de acesso bem como embelezar
a cidade. Para o evento, o Campo da Várzea (ou Campo da Redenção) é escolhido para
sediar o evento. Como parte do programa de embelezamento, algumas das principais
vias da cidade recebem uma nova arborização com palmeiras-da-Califórnia, uma espécie
distinta da palmeira-Imperial, mas que também é de grande porte e é mais adaptada ao
clima subtropical.
No ano de 1935, quatro das principais avenidas da cidade foram arborizadas com
palmeiras-da-Califórnia:
Avenida Sepúlveda, junto ao porto;
Avenida Getúlio Vargas, principal via do mais antigo arrabalde de Porto Alegre;
Avenida Gen. Flores da Cunha, atual Av. Independência
112
, situada num dos
setores residenciais mais nobres da cidade;
Avenida Osvaldo Aranha via limítrofe do Campo da Várzea, que estava sendo
preparado para receber a Exposição.
111
PRR, Partido Republicano Rio-grandense que comandou o Rio Grande do Sul de 1893 a 1937.
112
Nome dado à atual Avenida Independência pelo intendente Alberto Bins em homenagem ao então
governador. Tal designação teve vigência de 24/10/1933 a 22/11/1937, quando o Prefeito Loureiro da
Silva restabelece o antigo nome.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.114
Figura: 189
Mapa parcial de Porto Alegre, de 1935 com a marcação, pelo autor, das avenidas que foram
arborizadas com palmeiras-da-Califórnia, referentes ao primeiro plantio.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
Estas quatro avenidas somadas recebem 288 mudas palmeiras, o que revela o vulto
deste esforço. A fim de suprir tal demanda, a cidade dispunha de viveiros municipais
113
,
que somente no ano de 1935 proveram 696 mudas de diversas espécies. Chama a
atenção que a quantidade de mudas de palmeiras, que perfazem 40% do total plantado
na cidade em 1935.
O segundo período de plantio das palmeiras não é tão pontual como em 1935, quando
um evento específico foi o promotor da ação. Agora, o plantio das palmeiras é parte
113
Conforme Relatório DGOV, Diretoria Geral de Obras e Viação de 1933.
Av. Getúlio Var
g
as
Av. Se
p
úlveda
Parque Farroupilha
Centro administrativo e
comercial da cidade
Av. Flores da Cunha,
atual Av. Independência
Av. Osvaldo Aranha
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.115
integrante do planejamento urbano e se dará de um modo continuado pela
administração municipal.
Em 1937, Getúlio Vargas instaura no país um regime ditatorial conhecido como “Estado
Novo”. Em conseqüência disso, o estado do Rio Grande do Sul passa a ser comandado
por interventores federais, e em nível municipal a Intendência passa a ser chamada de
Prefeitura, que terá José Loureiro da Silva no comando (22/10/1937 a 15/09/1943).
Esta troca de comando marca também o início de um intenso período de mudanças no
planejamento urbano de Porto Alegre. O prefeito Loureiro da Silva coloca o urbanista
Arnaldo Gladosch no comando da equipe que irá elaborar um novo plano diretor para a
cidade. É sob este cenário que ocorre o segundo período de plantio das palmeiras em
Porto Alegre. Desta vez o seu uso será mais abrangente, pois ocorrerá também em
parques e praças de um modo mais efetivo.
Neste segundo período (1939-43), pode-se destacar a arborização com palmeiras-da-
Califórnia dos seguintes locais:
Avenida Protásio Alves, continuação da Av. Osvaldo Aranha que já era arborizada
com palmeiras;
Hidráulica dos Moinhos de Vento, uma estação de tratamento d’água que tem
áreas verdes públicas;
Avenida João Pessoa e Avenida Piratini, integrantes do “Tridente” urbano
proposto por Arnaldo Gladosch para as esquinas da Avenida João Pessoa com a
Avenida d Azenha e Avenida Piratini;
Parque Farroupilha, sob forma de pequenos recantos.
Praça Garibaldi, na remodelação proposta pelo novo plano diretor.
Nesta segunda etapa, foram plantadas aproximadamente 630 palmeiras somente em
duas avenidas e dois parques. A este número deve-se agregar ainda outras palmeiras
plantadas em vários parques de pequeno e médio porte. Esta significativa quantidade de
espécimes plantados demonstra a importância dada pela administração municipal ao
paisagismo com palmeiras, integrada à ênfase do novo plano no aumento de áreas
verdes.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.116
Figura: 190
Mapa parcial de Porto Alegre, de 2008. As avenidas que foram arborizadas com
palmeiras-da-Califórnia, referentes ao segundo plantio (1939-1943) estão com legendas
indicando o local. Enquanto as demais vias marcadas são referentes ao primeiro plantio
de 1935.
Fonte: www.maps.google.com
Nota-se um aspecto relevante, no caso gaúcho, é que a maciça maioria das palmeiras
foi plantada num intervalo de somente oito anos, em dois momentos distintos, cada um
sob diferentes planos urbanísticos.
As informações disponíveis sobre os plantios de palmeiras-da-Califórnia em Porto Alegre
são muito limitadas, tendo em vista o incêndio ocorrido em 1970 na “Divisão de Praças
e Jardins”, setor que detinha a documentação oficial sobre o tema. Os dados obtidos
neste trabalho são fruto da investigação em diversos locais e mídias, dentre eles os
Relatórios da Intendência remanescentes (1933, 34, 36 e 41); projetos arquitetônicos
originais de algumas pontes, monumentos e parques; revistas e jornais e outras
publicações da época; acervos fotográficos e entrevistas com profissionais da área.
Av. Protásio Alves
Av. Piratini
Av. João Pessoa
Hidráulica Moinhos
de Vento
Parque Farroupilha
Recanto Solar e
Recanto Europeu
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.117
Capitulo 2
O Plano de Melhoramentos
Durante o primeiro período do plantio das palmeiras (1935), o plano urbanístico vigente
ainda era o “Plano de Geral de Melhoramentos” de 1914. Este plano foi coordenado
pelo engenheiro-arquiteto João Moreira Maciel e produzido pela “Comissão de
Melhoramentos e Embelezamento” criada em 1912. Souza
114
observa que mesmo sem
evidencias testemunhais, é clara a influência do Plano Haussmann
115
de Paris (1852-70)
no plano porto-alegrense. Abreu reforça esta conexão: Mesmo que ainda distante da
amplitude do plano francês, as idéias básicas de circular, sanear e embelezar também
estavam presentes no plano gaúcho
116
. Estas diretrizes aliadas à estratégia do PRR,
caracterizada pelo lema “melhorar conservando”, tipificam o primeiro plano urbanístico
de Porto Alegre. O Plano Geral de Melhoramentos teve uma abrangência que interferiu
fortemente na paisagem da cidade, tanto ao ampliar o centro na extensão de dois
quarteirões, quanto na modernização do porto, ao melhorar o sistema viário e o
saneamento básico.
Desde sua criação, o Plano Geral de Melhoramentos havia sofrido poucas modificações.
Entretanto, durante o mandato de Otávio Rocha ocorrem algumas mudanças. Dentre a
quais está a alteração de sete artigos com novas determinações para construções no
centro que regulam as alturas, mostrando sua preocupação morfológica. Quanto a
circulação, as novas normas determinam as larguras dos novos arruamentos. Abreu
comenta que, apesar da intenção de Rocha em promover um gabarito para a área
114
Ver: SOUZA, Célia Ferraz. O plano geral de melhoramentos de Porto Alegre: da concepção às
permanências. Tese (doutorado) - Universidade de São Paulo. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, São
Paulo, BR-SP, 2004.
115
Napoleão III, prefeito de Paris executa um plano de reforma urbana sob coordenação do Baron
Georges-Eugène Haussmann entre 1852 e 1870. O projeto abrangeu o centro de Paris e os distritos
circunvizinhos: ruas e bulevares, regulamentos para fachadas de edifícios, parques públicos, esgotos e
tratamento de água e monumentos públicos.
116
ABREU FILHO, Silvio Belmonte de. Porto Alegre como cidade ideal: planos e projetos urbanos para
Porto Alegre. Tese (doutorado) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Arquitetura.
Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura, Porto Alegre, BR-RS, 2006.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.118
central, a legislação não tinha o rigor nem a precisão do Plano Haussmann.
117
Outro
ponto comum entre a reforma de Paris por Haussmann e o Plano Moreira Maciel é do
conceito de “Belo Público”. Abreu resume de forma clara o “sistema do belo público” de
Antoine Grumbach:
O sistema se manifesta no desenho dos passeios públicos, das praças,
parques e jardins, no equipamento e mobiliário urbano, nas operações de
“colagem” com os traços históricos e o tecido preexistente, e na
celebração da natureza na cidade.
118
É neste espírito embelezador, de aprimoramento dos equipamentos urbanos e da
criação e espaços verdes públicos que Alberto Bins, sucessor de Otávio Rocha na
intendência da capital, convida em 1928 o arquiteto e urbanista Alfred Agache para
remodelar o então “Campo da Redenção”, que anos mais tarde seria o local da
Exposição Farroupilha
119
.
Figura: 191
Alfred Donat Agache em frente ao seu plano de
reformulação do Rio de Janeiro. s/d
Fonte: www.wikipedia.com
Agache era um personagem conhecido por estar elaborando um plano urbano para o
Rio de Janeiro, então capital federal. Entretanto, por falta de acordo financeiro, Agache
117
ABREU, 2006.
118
Idem a 117
119
No dia 19 de setembro de 1935 o Campo da Redenção recebeu a denominação de Parque Farroupilha,
através do Decreto Municipal 307/35.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.119
faz somente o anteprojeto para o parque e nada é executado. Ao escolher o Campo da
Redenção como local da Exposição do Centenário Farroupilha em 1935, Alberto Bins
aproveita o estudo de Agache e segue suas diretrizes, com algumas adaptações
realizadas pela equipe da prefeitura para receber a feira.
Figura: 192
Anteprojeto de Ajardinamento do Campo da Redenção de Alfred Agache, em 08/12/1928.
Fonte: mapoteca da SMOV
Ainda sobre Agache, é pertinente comentar a estratégia de tratamento paisagístico que
utiliza. No plano de remodelação para a Ponta do Calabouço no Rio de Janeiro (parte do
plano para a cidade). O local seria um parque cívico que abrigaria o Panteão Nacional.
Seria constituído por um eixo monumental com um espelho d’água ao centro e
emoldurado por colunatas de palmeiras imperiais, que faziam uma solene esplanada
para o Panteão, localizado ao término deste largo. Este projeto deveria ser de
conhecimento dos principais arquitetos da época, entre eles Le Corbusier, que visita o
Rio de Janeiro em 1929.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.120
Figura: 193
Jardins da Ponta do Calabouço, Remodelação do Rio de Janeiro por Alfred Agache.
Fonte: Revista Cruzeiro, 1928.
Figura: 194
Plano Agache para a capital federal em 1928
Fonte: www.wikipedia.com
Panteão
Cívico
Ponta do
Calabou
ç
o
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.121
Capitulo 3
A Exposição de 35
Figura: 195
Material de divulgação da Exposição do Centenário Farroupilha.
Fonte: Arquitetura Comemorativa: Exposição do Centenário Farroupilha 1935. Porto Alegre: UFRGS, Pro -
Reitoria de Extensão; Faculdade de Arquitetura, Gape, 1999. 84p. : il.
A Exposição do Centenário Farroupilha foi uma importante feira de exposições que
procurou mostrar ao país a capacidade da indústria e do setor agro-pecuário do Rio
Grande do Sul, associado ao desejo de reacender o sentimento de orgulho e afirmação
regional que representou a revolta dos Farrapos. Para este evento foi construído um
verdadeiro complexo. A localização é privilegiada por sua proximidade ao centro e com
vias de acesso rápido. Um terreno de 25 hectares, o Campo da Redenção, recebe toda a
infra-estrutura para mais de 30 pavilhões, um lago artificial, monumentos e fontes, além
do tratamento paisagístico. Outro dado que revela a importância do evento é o da
iluminação elétrica, pois a quantidade de lâmpadas era quatro vezes maior do que as
ruas da cidade de Porto Alegre.
Tal esforço é compreensível ao observar o contexto em que se inseria. Segundo
Pesavento, “o Rio Grande do Sul, no decorrer da República Nova, ocupava a posição
periférico-dependente mais importante do país.", e "desde o ponto de vista da oligarquia
gaúcha, sua participação na Revolução de 30 e a ascensão de um gaúcho ao posto mais
alto do país, deveria, forçosamente, implicar na orientação da política nacional em favor
do Rio Grande do Sul. Em suma, para setores da classe dominante regional, os gaúchos
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.122
deveriam alçar-se na posição outrora ocupada pelos paulistas”.
120
Neste aspecto, a
comemoração do Centenário Farroupilha foi o resultado das expectativas e esforços de
parcelas importantes das elites gaúchas, em busca de uma afirmação nacional.
Figura: 196
Material promocional publicado na Revista do Globo, 23/11/1935.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
A Exposição de 1935 foi um divisor de águas no pensamento arquitetônico regional ao
adotar uma nova linguagem arquitetônica em um empreendimento oficial. Os pavilhões
da feira gaúcha adotam uma linguagem claramente alinhada com uma imagem
moderna, inspirada nas vanguardas arquitetônicas européias. Os traços futuristas,
expressionistas e art déco manifestados em grande escala, tal como uma cidade
futurista de grandes avenidas, contrastam notavelmente com a paisagem arquitetônica
da cidade naquele momento.
120
PESAVENTO, Sandra J. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1994, p. 103.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.123
Entre os principais protagonistas desta nova linguagem estão o arquiteto municipal
Christiano de La Paix Gelbert
121
e o artista plástico Francisco Bellanca
122
. Gelbert seria um
personagem representativo na consolidação da linguagem art déco em Porto Alegre
pela série de prédios oficiais por ele projetados ao longo de sua permanência na chefia
da Secretaria de Obras do Município até a década de 50. Entre eles estão o Hospital de
Pronto Socorro (1939-42), o Centro de Saúde Modelo (1939), o Mercado Livre (1937) as
pontes da Azenha (1934-5), João Pessoa (1939-40) e Getúlio Vargas (1941-2) sobre o
Arroio Dilúvio
123
. Gelbert foi também o projetista da maioria dos pavilhões da Exposição
Farroupilha.
Figura: 197
Eng. Agrônomo Gastão de Almeida Santos, Técnico da
Divisão de Parques e Jardins responsável pelo ajardinamento
da Exposição de 35.
Fonte: Aspectos Gerais de Porto Alegre de Fortunato Pimentel
121
Christiano de la Paix Gelbert nasceu em Blumenau em 5 de março de 1899. De origem alemã,
começou a trabalhar na Prefeitura de Porto Alegre como desenhista projetista da Diretoria de
Obras e
Viação, nomeado em 1º de janeiro de 1925. Em julho daquele ano assumia o cargo de desenhista chefe
.
Em sua ficha funcional aparece com o cargo de arquiteto em 10 de março de 1932, e a partir de
31/12/1932 assume a chefia de seção da Diretoria de Obras, depois de chefe da IV Seção e de Diretor de
Arquitetura em 1946, cargo exercido até sua aposentadoria em 1953. Faleceu em 15 de outubro de
1984. Fonte: OLIVEIRA, Ana Luiza. Os projetos da Seção de Arquitetura da Prefeitura de Porto Alegre sob
chefia de Christiano de la Paix Gelbert. X EHTA, Caxias do Sul, 2006.
122
Francisco Bellanca (1895-1974) cursou Artes Plásticas do Instituto Livre de Belas Artes do RS em 1916 e
projetou vários monumentos de Porto Alegre Porto Alegre.
123
Datas referentes ao ano de projeto.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.124
Também cabe destacar o Engenheiro Agrônomo Gastão de Almeida Santos, chefe da
divisão de Parques e Jardins até 1937
124
, quando do seu falecimento. Gastão foi
responsável pelo paisagismo da Exposição da Farroupilha
125
, também pela reformulação
de parques e praças na cidade. A Divisão de Parques e Jardins era subordinada à
Secretaria de Obras da Prefeitura, e a integração era tal que Gelbert e Bellanca
desenvolveram toda uma linha de mobiliário urbano como bancos, escadarias,
belvederes e até pontes, como as da Azenha, Getúlio Vargas e João Pessoa.
Em Caxias do Sul, em 1937, por ocasião da Festa da Uva, Gastão foi cedido pela Divisão
de Parques e Jardins de Porto Alegre para colaborar com o paisagismo da Praça Dante
Alighieri, onde orientou a construção de canteiros e delimitação dos caminhos internos
e presenteou a municipalidade com as palmeiras, que ainda hoje ali se encontram.
126
.
Este fato demonstra a sintonia entre a arquitetura modernizante introduzida por Gelbert
e o paisagismo com palmeiras usado em larga escala na cidade ao mesmo tempo.
Portanto cabe salientar a coincidência temporal entre o advento de uma arquitetura
moderna e o estabelecimento dos grandes eixos viários demarcados por palmeiras na
capital gaúcha.
124
PIMENTEL, Fortunato. Aspectos Gerais de Porto Alegre. Porto Alegre, ed.: CORAG, 1945.
125
Pela lei municipal nº 1103 de 16 de outubro de 1953 recebeu a denominação de Orquidário Municipal
Gastão de Almeida Santos em homenagem ao diretor da Divisão de Parques e Jardins, este responsável
pelo ajardinamento do parque durante a exposição do Centenário Farroupilha.
126
Correio Riograndense, Edição 4.960 - Ano 97 - Caxias do Sul-RS, 26 de outubro de 2005.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.125
Figura: 198
Recortes de jornal de 1935 do Correio do Povo ilustrando o engajamento da cidade para o evento.
Fonte: Museu Hipólito da Costa
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.126
Capitulo 4
A Porto Alegre de Gladosch e Loureiro da Silva
Em 1937, em menos de dois anos após o enceramento da Exposição Farroupilha há um
novo momento no cenário político brasileiro, em que surge o Estado Novo através de
um golpe de estado, e se estabelece um regime ditatorial. Para a capital gaúcha, o
resultado disto é a nomeação de José Loureiro da Silva para a prefeitura em 22 de
outubro de 1937.
Loureiro da Silva mostrou-se um político progressista e viu na arquitetura a possibilidade
de não só angariar o apoio popular como também de deixar a sua marca na história da
cidade. Para tal, trata de contratar o arquiteto e urbanista paulista Arnaldo Gladosch,
que participara do Plano de Remodelação do Rio de Janeiro sob comando de Alfred
Agache.
Gladosch foi o responsável pela coordenação da equipe que confeccionaria o novo
plano urbanístico da cidade, preparando-a para um crescimento ordenado e conferindo-
Figura: 199
Arnaldo Gladosch, n a Reunião do Conselho do
Plano.
Fonte: Boletim Municipal, Porto Alegre, ano I, v.
II, n.3, out./nov./dez. 1939. (não paginado).
Figura: 200
Prefeito Loureiro da Silva, na Reunião do Conselho do
Plano.
Fonte: Boletim Municipal, Porto Alegre, ano I, v. II, n.3,
out./nov./dez. 1939. (não paginado).
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.127
lhe um aspecto moderno. As propostas de Gladosch tinham pontos em comum com o
Plano de Melhoramentos, pois também enfatizavam a circulação, o saneamento e o
embelezamento. Gladosch, entretanto, não se limitou a dar continuidade ao plano
anterior, pois sua contribuição pode ser medida pela quantidade e escala das
intervenções propostas e realizadas, assim como pelo padrão homogêneo imagem de
cidade buscado.
127
Figura: 201
Plano Gladosch (Estudo IV)
Fonte: Revista do Globo, 16/12/1939.
A transformação que ocorre na cidade durante a administração de Loureiro da Silva é
impressionante. O plantio das palmeiras em grandes avenidas está relacionado com a
127
ABREU, 2006.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.128
imagem monumental buscada em algumas propostas urbanísticas de Gladosch para a
cidade. Como exemplo, temos o Tridente da Avenida João Pessoa.
A decisão de prolongar a Av. João Pessoa até a atual Av. Bento Gonçalves foi decida em
1925 pelo Prefeito Otávio Rocha, Gladosch incluiu a obra inconclusa em seu plano, mas
introduziu na confluência com a Av. da Azenha a figura de um tridente ou pata de
ganso.
O tridente foi definido pela criação de uma terceira avenida, que rebate simetricamente
o ângulo existente entre as Avenidas João Pessoa e Azenha. A nova via (Avenida Piratini)
se estenderia até a nova Feira Permanente de Exposições, localizada do outro lado do
Arroio Dilúvio. Portanto, o novo tridente fazia parte de um plano de desenho urbano,
que envolvia a retificação do arroio (com a construção da Av. Ipiranga e de três novas
pontes) e a edificação de uma Feira de Amostras.
Este foi um dos aspectos característicos das propostas de Gladosch: A
monumentalização de espaços públicos de uso especial. Ao final da Av. Piratini haveria
outro Tridente, que marcaria o eixo central da Feira Permanente de Exposições. Estas
mudanças integravam o projeto de retificação do Arroio Dilúvio, que teve implicações
significativas na paisagem da cidade. A retificação do arroio
128
teve que considerar a
preexistência da Ponte da Azenha, que havia sido projetada para os festejos do
centenário da Revolução Farroupilha sobre o antigo curso do arroio, mas acabou só
sendo inaugurada em 1936. Embora a retificação do Dilúvio já tivesse sido prevista por
Moreira Maciel em 1914, o traçado previsto era outro. Na versão de Maciel, ele partiria
da Praça Garibaldi em linha reta em direção ao Guaíba. Gladosch, por sua vez, já propõe
uma retificação total do arroio, somando mais de 10 quilômetros de extensão.
Vinculado à esta proposta, surgiria a Avenida do Riacho, que viria a ser a Avenida
Ipiranga, uma via de ligação entre os bairros.
128
Sua canalização parcial já havia sido prevista pelo Plano de Melhoramentos de 1914.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.129
Figuras: 202, 203 e 204.
As figuras acima ilustram a mudança da escolha do local onde ficaria o monumento à Bento Gonçalves.
Inicialmente faria parte da Ponte da Azenha, conforme as duas primeiras figuras do projeto com data de
2 de junho de 1935. Posteriormente, a mesma equipe faz uma versão adaptada ao Tridente proposto por
Gladosch, cujo desenho data de 26 de fevereiro de 1940.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.130
A retificação do arroio e a criação de uma nova via seriam combinadas com a
construção de pontes que atravessariam o riacho canalizado, que teria um vão de quase
40 metros (com as vias, chegavam a 70 metros). Durante o governo de Loureiro da
Silva, o riacho canalizado avançou até a Rua Santana, mas a ponte para ali prevista não
foi executada conforme o projeto original (uma versão mais simplificada foi construída
anos mais tarde). As pontes efetivamente construídas por Loureiro da Silva foram as da
Av. João Pessoa, a Av. da Azenha (ainda no governo de Alberto Bins) e a da Av. Getúlio
Vargas.
Figura: 205
Croqui do conjunto do canal do Riacho e Avenidas Laterais (Retificação do Dilúvio e Avenida Ipiranga)
Fonte: Fig. N. 48, Um Plano de Urbanização, 1943. Prefeitura Municipal de Porto Alegre
Após a Exposição do Centenário Farroupilha ocorrida em 1935, a cidade vivia outra
importante data comemorativa: A do seu bicentenário, comemorado em 1940. Até
então, 5 novembro de 1940 era considerada a data de fundação da cidade.
129
No
129
SPALDING, W. Noticiário. In: Boletim Municipal, Porto Alegre, ano 2, vol. 3, n°4, jan-abr. 1940, pp.
155-156; que reproduz o artigo de Spalding no Correio do Povo de 27/4/40, o qual originou a discussão
acerca da data de fundação da cidade. Nesse artigo, Spalding defendia a adoção de 5 de novembro de
1740 como a data em que se havia iniciado a "colonização" de Porto Alegre. Sua proposta estava baseada
na descoberta da "carta" de doação de uma sesmaria a Jerônimo de Ornelas Menezes e Vasconcelos às
margens do Guaíba pela Coroa Portuguesa. Essa carta de doação era o documento mais antigo de que se
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.131
comando da Secretaria de Obras da Prefeitura está o mesmo arquiteto da Exposição do
Centenário Farroupilha, Christiano de la Paix Gelbert, fato que ajudaria a consolidar a
imagem homogênea dos equipamentos públicos construídos na época. Para as
comemorações do Bicentenário repete-se o esforço da prefeitura em embelezar a
cidade. Várias obras ocorrem em ritmo acelerado para serem inauguradas durante a
visita do Presidente Getúlio Vargas para as comemorações da proclamação da
República. Assim, no dia 14 de novembro de 1940, Getúlio Vargas tem uma agenda
repleta de inaugurações e visitas às diversas obras que ocorriam na capital gaúcha, entre
elas a abertura da Avenida Farrapos, o prolongamento da Avenida João Pessoa, as obras
de retificação do riacho, o lançamento da pedra fundamental da nova sede do IPE, uma
visita ao Bairro Petrópolis e a inauguração da piscina do Grêmio Náutico União.
130
Figura: 206
Fotos do Presidente Getúlio Vargas
inaugurando algumas obras pelo em
Porto Alegre no dia 14/11/1940, entre
elas a Av. Farrapos, a Av. 10 de
Novembro, a Praça Piratini e o
prolongamento da AV. João Pessoa.
Fonte: Boletim Municipal de Porto Alegre,
1940.
tinha notícia sobre a ocupação do Porto de Viamão, tendo sido considerada por Spalding uma espécie de
"certidão de nascimento" da cidade.
130
Correio do Povo de 14/11/1940
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.132
Dentre as obras promovidas por Loureiro da Silva está o alargamento da Avenida
Protásio Alves e sua arborização com palmeiras, que procura da continuidade ao que
fora feito em 1935
131
na Avenida Osvaldo Aranha ao intercalar palmeiras-da-Califórnia
com Jacarandás. Também são plantadas palmeiras deste tipo durante a ampliação da
Hidráulica dos Moinhos de Vento em 1939, cuja disposição bi-axial em ziguezague
muito lembra a do prolongamento da Avenida João Pessoa.
Figura: 207
Vista aérea da Hidráulica dos Moinhos de Vento já com a aléia de palmeiras plantadas junto à Rua Dr.
Vale.
Fonte: Boletim Municipal de Porto Alegre, 1939.
O incremento da área verde da cidade foi um ponto de interesse de Gladosch. Revelado
no texto do plano de urbanização de 1943. Através de parques e praças seria possível
melhorar a qualidade de vida, promovendo o bem estar. Em 1937, a equipe da Divisão
de Praças e Jardins, assume o cargo de chefe da Divisão o engenheiro agrônomo
Guilherme Guadenzi
132
, substituindo o também engenheiro agrônomo Gastão de
131
Repete-se o uso alternado de palmeiras-da-Califórnia com jacarandás.
132
Guilherme Gaudenzi, engenheiro agrônomo formado em 1923 pelo Instituto Borges de Medeiros da
Universidade Técnica do Rio Grande do Sul- URGS. Atuou em todo o interior do Estado em vários
Rua Dr. Valle
Aléia de
p
almeiras
Prédio da Hidráulica
Tanques de
Tratamento
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.133
Almeida Santos, falecido no mesmo ano. Guadenzi publicou vários artigos sobre temas
tanto de sua área, a agronomia, como também de arquitetura. Participou dos projetos
dos jardins temáticos da Redenção como o Jardim Alpino, o Jardim Japonês, o Jardim
Tropical e o Jardim Europeu, este último com uso de palmeiras-da-Califórnia
emoldurando o círculo formado em torno do chafariz. A vinculação de Gaudenzi com as
palmeiras-da-Califórnia plantadas durante sua gestão da Divisão de Parques e Jardins
pode ser confirmada no Jardim Europeu através testemunhos pessoais.
133
Em textos inéditos, datilografados por Gaudenzi para a própria divisão de Parques e
Jardins sobre o modo que a arborização deveria utilizada na cidade, fica clara sua
compreensão sobre o potencial da vegetação em atribuir distintos significados conforme
o tipo de árvore fosse utilizada.
134
Ele sugere o uso da palmeira-da-Califórnia a eventos
festivos e avenidas importantes e como elemento de marcação.
135
Um dos grandes méritos da associação entre Loureiro da Silva e Arnaldo Gladosch foi a
expressiva modificação da imagem da cidade na busca da modernidade. A continuidade
de um trabalho multidisciplinar por parte das distintas equipes da prefeitura tais como
Obras, Praças e Jardins e Saneamento, possibilitou que, em curto intervalo de tempo, a
cidade adquirisse aspectos de uma nova imagem. No caso dos grandes eixos de
palmeiras, é clara a sintonia entre estes distintos departamentos, onde as intervenções
eram uma soma em busca de uma unidade que viria a marcar estilisticamente este
período.
trabalhos tanto particulares como a serviço da Secretaria de Obras de Porto Alegre e posteriormente pelo
Ministério da Agricultura. Admitido na Divisão de Praças e Jardins em 28/02/1938.
133
Entrevista dada pelo engenheiro agrônomo Rui Baddo Krug à arquiteta Ana Maria Germani em uma
entrevista para sua dissertação de mestrado Estudo sobre o uso de espécies vegetais nos projetos
paisagísticos para as áreas verdes públicas de Porto Alegre. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. Faculdade de Arquitetura. Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em
Arquitetura, Porto Alegre, BR-RS, 2004.
134
Textos disponíveis nos arquivos da SMAM.
135
Textos disponíveis nos arquivos da SMAM.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.134
Parte 4 – Estudos de Caso
Capitulo 1
Avenida Sepúlveda, o portal de entrada da
cidade.
Figura: 208
Gare de Vidro do Porto, Portal de Entrada para a cidade após o aterro.
Foto: Autor, 2007.
A Avenida Sepúlveda foi a primeira avenida implantada em Porto Alegre, que na época
(1910) só possuía as ruas estreitas dos tempos coloniais.
136
Sua construção faz parte das
obras do novo porto da cidade, integradas a um plano de modernização da capital da
província através do saneamento, abertura de novas vias, melhoramento dos sistemas
de circulação existente, arborização, iluminação pública e edificação de prédios públicos
que comportassem as necessidades de uma metrópole. Neste período, uma equipe de
engenheiros compunha os órgãos responsáveis pelas obras públicas da cidade. Esta
136
Catálogo: “Arquitetura de Porto Alegre durante o período Positivista, Aterro do Porto. PEREIRA,
Claudio Calovi; BARBOSA, Rinaldo; DIEFENBACH, Samantha Sonza; CALOVI, Ricardo. ed. Memorial de
Porto Alegre, Porto Alegre, 2007.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.135
equipe era afinada intelectualmente com os ideais positivistas difundidos pelo PRR,
partido que ocupava o comando da Província. O presidente da Província era o Dr. Carlos
Barbosa, médico formado no Rio de Janeiro e que vivera quatro anos em Paris
exercendo sua profissão. A atividade construtiva promovida por Barbosa evidencia a
grande influencia da arquitetura e do desenho urbano da Paris “Belle Époque”.
137
A Avenida Sepúlveda tem sua origem no projeto de Attilio Alberto Trebbi de 1909
138
,
que busca conjugar as intervenções nas Praças da Matriz e Alfândega através de uma via
pública. Junto ao porto, esta intervenção foi possível graças à área acrescia à cidade pelo
aterramento, que ampliou o centro em cerca de dois quarteirões e meio.
Figura: 209
Attilio Trebbi: projeto de ampliação e embelezamento da praça Mal. Deodoro e abertura de uma avenida
até o cais projetado (fonte: Relatório S.O.P. 1909).
Uma das funções desta nova avenida seria a de transformar o aspecto rudimentar da
chegada à cidade. Desse modo, juntamente com o projeto do novo porto, é criado um
grande portal. O conjunto implantado na área da alfândega difere bastante do que
Trebbi previra, pois em lugar de jardins, a avenida passa a abrigar um conjunto de
palácios ecléticos e o pavilhão de passageiros do porto. Essa modificação foi definida
em 1910, ano do início da construção do edifício dos Correios e Telégrafos no local.
137
PEREIRA, Claudio Calovi; DIEFENBACH, Samantha Sonza; CALOVI, Ricardo. Artigo: Arquitetura e
imagem metropolitana nas praças centrais de Porto Alegre na República Velha. X SEMINÁRIO DE
HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO. Recife, 2008.
138
Idem137.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.136
Figura: 210
Attilio Trebbi: projeto de ampliação e embelezamento da praça Mal. Deodoro e abertura
de uma avenida até o cais projetado (fonte: Relatório S.O.P. 1909).
O novo eixo de ingresso à cidade liga o novo cais ao coração urbano da época, e se
integra à grande intervenção que Carlos Barbosa já fazia na Praça da Matriz. Por meio
de ministros gaúchos junto ao governo central no Rio de Janeiro e alinhados com os
ideais positivistas, Carlos Barbosa assegura o financiamento de dois importantes
palácios: os Correios e Telegraphos e a Delegacia Fiscal, ambos projetados pelo arquiteto
alemão Theo Wiedersphan. Embora distintos em sua orientação, os edifícios tem
volumetria e gabarito similares, além de apresentarem torres junto à esquina com a
nova avenida, solução esta que emoldura a vista em perspectiva até o pavilhão do
porto.
Da avenida planejada em 1909, apenas o trecho entre o novo cais e a Rua Sete de
setembro foi executado, totalizando apenas dois quarteirões. Embora estivesse
concluída antes de 1922 (figura 216) só recebeu a atual denominação em 1925.
139
O
conjunto hoje mostra que o pavilhão do porto está algo deslocado em relação ao eixo
da avenida, o que deve indicar algum problema havido na montagem dos galpões cujo
processo de importação foi iniciado em 1919.
139
Franco, Sérgio da Costa, “Porto Alegre: guia histórico”. 4. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2006.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.137
Os dois edifícios iniciais, Correios e Telégrafos e Delegacia Fiscal, indicam um gabarito
para a avenida, que foi continuado nas duas construções posteriores, a Secretaria da
Fazenda (Mesa de Rendas) e a Alfândega. Contudo, a adição de dois pavimentos à
secretaria da Fazenda e a construção desrespeitosa do edifício do Ministério do Trabalho
alteraram a harmonia do conjunto.
Inicialmente, o canteiro central da Avenida Sepúlveda foi arborizado com acácias. Em
cada canteiro havia duas acácias com um postes da iluminação publica entre elas. Deste
modo a avenida permaneceu até 1935, quando foram plantadas as atuais palmeiras-da-
Califórnia.
140
O canteiro central da extremidade junto ao cais, também receberia um
obelisco comemorativo ao Centenário da Revolução Farroupilha, patrocinado pela
Colônia Portuguesa.
141
140
Ver: Mensagem apresentada à Câmara Municipal pelo Prefeito Alberto Bins em 03 de outubro de
1936. Porto Alegre, ed.: Livraria do Globo, 1936.
141
Entregue Pela Colônia Portuguesa à cidade no dia 24/09/1935. Correio do Povo de 25/09/1935, pg. 10
- noticiário.
Ilustração: 211
Avenida Sepúlveda, início do século XX, antes da montagem da Gare de Vidro no Cais e ainda com
Acácias no canteiro central.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.138
A largura da Avenida Sepúlveda é de 26 metros de caixa por 135 metros de extensão,
apresentando um canteiro central de três metros de largura. Estes canteiros apresentam
uma fileira simples de palmeiras-da-Califórnia dispostas em linha reta. Entre as avenidas
Mauá e Siqueira Campos, os canteiros centrais tinham originalmente cerca de nove
metros de comprimento e eram afastados entre si 6,7 metros em média. Com o passar
dos anos, estes canteiros foram unificados em cada quarteirão. Coordenado pelo
IPHAN, o Projeto Monumenta de Porto Alegre está trabalhando para recuperar o
aspecto original destes canteiros quando de sua configuração em 1935, ano do plantio
das palmeiras.
142
Avenida Sepúlveda – esquema dos canteiros quando de sua implantação em 1935.
Figura: 212
Esquema das palmeiras e seus canteiros, ritmos de repetição em seu trecho inicial, próximo à Av. Mauá.
1º esquema: somente canteiros, 2º esquema: somente as palmeiras e 3º esquema: conjunto completo,
canteiros, palmeiras e caixa de rolamento com passeio.
142
Entrevista com o arquiteto Luiz Merino Xavier do Projeto Monumenta em 06/07/2008.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.139
Figura: 213
Corte Transversal
Esquemático mostrando
as palmeiras em
comparação com as
alturas dos edifícios da
Delegacia Fiscal e dos
Correios e Telégrafos. Ao
fundo, a projeção da
Gare do porto.
Figura: 214
Corte Longitudinal Esquemático mostrando as palmeiras em comparação com as alturas dos edifícios da
Delegacia Fiscal e dos Correios e Telégrafos. Entre as palmeiras, os postes de iluminação.
Figura: 215
Avenida Sepúlveda junto ao
MARGS, vista lateral mostrando o
ritmo de repetição das palmeiras.
Foto: Autor, 2008.
Dele
g
acia Fiscal
Correios e Telé
g
rafos
Dele
g
acia Fiscal
Alfânde
g
a
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.140
Entre as avenidas Siqueira Campos e Sete de Setembro, outro canteiro central tem uma
série de dez palmeiras em linha com um intercolúnio regular de oito metros e ao sul,
outro canteiro central, com outra série palmeiras distribuída igualmente a cada oito
metros. Desse modo se estabelece na área um conjunto axial formado pelo pavilhão do
porto, o obelisco, a linha de palmeiras e a estátua eqüestre do General Osório (de
1933). A perspectiva desde a Praça da Alfândega permanece relativamente preservada
pela predominância do porte moderado dos edifícios originais.
Tendo os prédios cerca de vinte metros de altura, as palmeiras têm um destaque
evidenciado pela largura da via com prédios de porte médio em contraponto com as
esbeltas e longas hastes vegetais.
Figura: 216
Praça da Alfândega, Avenida Sepúlveda, Gare de Vidro do porto e monumento
eqüestre do Gen. Osório.
Fonte: Projeto Monumenta.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.141
O levantamento aerofotogramétrico de 1941 de Porto Alegre confirma a configuração
do canteiro central da Avenida Sepúlveda .
143
Figura: 217
Levantamento aerofotogramétrico de 1941 da Av. Sepúlveda ainda com os canteiros originais que eram
compostos por palmeiras-da-califórnia nas extremidades separadas por um poste de iluminação.
143
SMOV – Mapa Topográfico do Município de Porto Alegre, executado pelo Sindicato Condor Ltda.,
Secção Aerofotogramétrica entre 1939 e 1941, de acordo com o contrato lavrado em 5 de julho de 1939.
Figura: 218
Secretaria da Fazenda em sua configuração original, sem o acréscimo de dois pavimentos.
à esquerda, a Avenida Sepúlveda, ainda sem o obelisco comemorativo do Centenário Farroupilha, mas
já com as palmeiras-da-Califórnia plantadas.
Fonte: Revista do Globo 28-09-1935.
Monumento
Gen. Osório
Prédio dos Correios e
Telegraphos, atual
Memorial do RS.
Av. 7 de Setembro
Secretaria da Fazenda
Prédio da Alfândega
Prédio da Delegacia
Fiscal, atual MARGS.
Gare do Porto
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.142
Figura: 219
Canteiros em 1935 já com as
palmeiras-da-Califórnia e um
poste central. Ao fundo o
prédio da Alfândega antes de
ser modificado.
Fonte: Projeto Monumenta
Figura: 220
Colunata de palmeiras-da-Califórnia, o prédio dos Correios e Telégrafos e Secretaria da Fazenda
ao fundo.
Fonte: Autor, 2006.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.143
Figura: 221
Eixo configurado pela Gare do porto, o obelisco da Sociedade Portuguesa, o renque de palmeiras-da-
Califórnia e finalizando com a estátua eqüestre do Gen. Osório.
Fonte: Fototeca Sioma Breitman
O ritmo das palmeiras é demarcado pelos capitéis (copas), que crescem de forma
uniforme. O esquema implantado em 1935 mostra o uso da colunata de palmeiras
como uma conexão rítmica que faz a ligação entre a estação de passageiros do porto e
a esplanada seca da Praça da Alfândega, ao redor da estátua do Gen. Osório.
A introdução das palmeiras-da-Califórnia na Avenida Sepúlveda consolidou a percepção
do eixo organizativo que preside o esquema. A linha simples de troncos esbeltos e altos
configura: uma seqüência ao mesmo tempo monumental e pouco intrusiva para a
observação dos edifícios. O espaçamento é maior do que no Jardim Botânico do Rio de
Janeiro (6,7 contra 5 metros) o que torna a seqüência mais permeável.
Gare do porto
Obelisco da Soc.
Portuguesa
Secretaria da
Fazenda
Alfândega
Correios e
Telegraphos, atual
Memorial do RS
Delegacia Fiscal,
atual MARGS
Monumento
ao
Gen. Osório
Av. 7 de Setembro
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.144
Capitulo 2
Avenida Osvaldo Aranha
Os primeiros registros sobre a atual Avenida Osvaldo Aranha estão e um requerimento
da Santa Casa de Misericórdia para edificar algumas casas ao fundo do seu terreno em
1833
144
. Em 10 de julho de 1849, os vereadores autorizaram um fiscal municipal a
"mandar compor a Estrada do Meio nas proximidades da Várzea, hoje Parque
Farroupilha". Na planta de 1896, de Alexandre Ahrons, todos os quarteirões já estão
demarcados. Estrada do Meio ou Caminho do Meio foi a primeira denominação dessa
avenida, como também da atual Av. Protásio Alves. Desde 1916 ela aparece em mapas
como Avenida do Bom Fim, em função da Igreja de mesmo nome nela iniciada em
1867. Em 1919, o Intendente José Montaury
145
inicia a arborização desta avenida, que
ficaria abrigada por um canteiro central, atendendo ao Plano Geral de
Melhoramentos
146
.
Também nesta época são realizadas obras de drenagem, esgoto pluvial, terraplanagem
e arborização no Campo da Redenção. Otávio Rocha inaugura em 1°de agosto de 1927
a pavimentação de duas pistas com concreto armado. Seu nome atual data de 14 de
novembro de 1930, quando um decreto estabelece o nome do logradouro para Osvaldo
Aranha, em homenagem ao ilustre político rio-grandense (1894-1960), que acabava de
participar do triunfo da Revolução de 1930.
147
A Avenida Osvaldo Aranha sempre se
mostrou ser uma importante via de ligação entre o centro e a zona leste da cidade,
caráter que mantém até hoje. O Plano de Melhoramentos atribui a esta via uma
amplitude adequada para a tarefa de importante via de tráfego da cidade. As palmerias-
da-Califórnia que ali foram posteriormente plantadas em 1935 confirmam o status que
via tinha para a cidade.
144
Franco, Sérgio da Costa, 2006.
145
Intendente de Porto Alegre de 15 de Março de 1897 até 15 de Outubro de 1924. Homem de
confiança de Júlio de Castilhos e importante líder do PRR. Engenheiro por formação foi durante o seu
mandato que foi elaborado o Plano Geral de Melhoramentos e boa parte de sua implantação.
146
Ver: SOUZA, Célia Ferraz, 2004..
147
Idem144.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.145
Figura: 223
Avenida Osvaldo Aranha em 1931. Detalhe do bonde elétrico e do cine Baltimore.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
A extensão de 1.160 metros e o perfil com três pistas separadas por canteiros
arborizados, confere a esta via um aspecto de um grande boulevard, ainda mais se
comparada com as estreitas ruas coloniais do centro da cidade. Originalmente, a pista
Figura: 222
Avenida Osvaldo Aranha ainda na década de 20, antes de receber as pistas de concreto e as palmeiras.
Percebe-se a ocupação do Bairro Bom Fim, mesmo que ainda de pequeno porte. A pista central já era
dedicada aos bondes. À direita, o então Campo da Várzea, que se tornaria o Parque Farroupilha.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.146
central era exclusiva aos bondes, fato alterado com a desativação deste serviço em 26 de
outubro de 1969.
148
Figura: 224
Canteiro central da Av. Osvaldo Aranha na década de
1940, ainda com os trilhos do bonde elétrico.
Fonte: Fototeca Sioma Breitman
Figura: 225
Canteiro central da Av. Osvaldo Aranha em 2008, que
agora comporta o “corredor de ônibus” desde 1982.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
Como uma das mais importantes avenidas da cidade, em 1935, a Av. Osvaldo Aranha
foi inclusa na lista das vias que foram embelezadas para a Exposição do Centenário
Farroupilha
149
. O fato de estar localizada diante do acesso principal da exposição
certamente influenciou a decisão. Resultado disto foi a arborização de seus canteiros
centrais com palmeiras-da-Califórnia intercaladas com jacarandás. A configuração
morfológica urbana desta avenida é caracterizada pelo contraste. Enquanto na face sul
está o Parque Farroupilha, na face norte está o tradicional Bairro Bom Fim, que é
densamente ocupado. As edificações estão, em sua maior parte, alinhada junto ao
passeio, promovendo uma percepção de continuidade ao transeunte. O mesmo já não
ocorre quanto às alturas, que mostram uma grande variação volumétrica. A vegetação
148
Data fornecida pela Cia. Carris Porto-alegrense em seu site: <www.carris.com.br.>
149
Idem 140.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.147
do Parque Farroupilha junto a Osvaldo Aranha é uniforme e forma uma massa verde
compacta, de leitura única ao pedestre.
Deste modo, a dupla cortina de delgadas colunas vegetais cria um plano virtual
uniforme que acomoda os dois lados distintos de forma harmônica. Ao mesmo tempo,
quem percorre a avenida percebe a marcação monumental do eixo pela dupla colunata
vegetal que a demarca.
Figura: 226
Avenida Osvaldo Aranha em 2008, foto a partir do Parque Farroupilha, ilustrando a diversidade
das alturas das edificações.
Fonte: Autor.
Nos canteiros centrais, onde se localizam as palmeiras intercaladas com os jacarandás, o
afastamento entre as espécies é, em média, 4,2 metros e a distância entre as árvores da
mesma espécie é 8,4 metros em média. Sendo assim, o afastamento é constante e
uniforme, de percepção contínua ao longo de toda a avenida.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.148
Avenida Osvaldo Aranha – esquema dos canteiros quando de sua implantação em 1935.
Figura: 227
Esquema das palmeiras e seus canteiros, ritmos de repetição médios.
1º esquema: somente canteiros com a marcação da modulação das palmeiras no canteiro esquerdo e dos
jacarandás no canteiro direito, ilustrando a distribuição intercalada das espécies. No 2º esquema: conjunto
completo, canteiros, palmeiras e caixa de rolamento com passeio.
Quanto ao atual perfil da via, permanece o mesmo desde 1927 no que se refere às
larguras, tendo as vias de rolamento (laterais) 8,6 m de largura; já a pista central, que
originalmente se destinava aos bondes, tem 7,3 m de largura e é separada das vias
laterais por canteiros contínuos de 4,2 metros de largura.
150
150
Dimensões obtidas pelas médias dos trechos a partir do levantamento cadastral da SMOV.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.149
Os perfis transversais e longitudinais mostram o efeito de embasamento dado pelas
copas dos jacarandás, cobrindo cerca de ¼ da altura das palmeiras.
Figura: 228
Corte longitudinal esquemático mostrando a distribuição intercalada de palmeiras-da-Califórnia e
Jacarandás. Nota-se o efeito de embasamento promovido pelos Jacarandás que cobrem
aproximadamente 1/4 da altura das palmeiras.
Figura: 229
Corte transversal esquemático mostra a distribuição da vegetação quanto ao perfil da avenida. Os
jacarandás formam uma base também neste sentido. Ao centro, como era a configuração original com os
bondes circulando pela via central.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.150
Figura: 230
Croqui volumétrico
revelando o efeito de
“cortina” diáfana que
regulariza as alturas
discordantes da frontaria
da Av. Osvaldo Aranha.
Figuras: 231 e 232
Avenida Osvaldo Aranha em 2008. Ambas as imagens mostram o contraste entre a verticalidade do lado
edificado em contraste com o Parque Farroupilha, com sua vegetação compacta e uniforme junto à avenida.
Fonte: Autor.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.151
Capítulo 3
Avenida Independência
Localizada em um espigão que verte do limite do centro de Porto Alegre, onde está a
Santa Casa de Misericórdia na direção oeste, está a Avenida Independência. Sua origem
está no caminho que surge de modo espontâneo a partir do Alto da Misericórdia rumo
a Aldeia dos Anjos de Gravataí. Há referencias sobre esta via desde o ano de 1829 em
relatórios da Câmara Municipal, quando era conhecida como Estrada dos Moinhos. Seu
nome atual data de 20 de outubro de 1857, quando passa a se chamar de Rua da
Independência. Em 1874, o serviço de água encanada atendia 18 assinantes, indo até a
atual Rua Barros Cassal. Dali em diante, a urbanização era precária, somente no final do
século XIX, já sob o governo republicano, é que esta via é pavimentada. O crescente
número de casas e sobrados ali registrados justificam a criação de uma linha de bondes
em 1894, mesmo ano em que é inaugurado o Prado da Independência. Durante a
gestão de Alberto Bins (1933 a 1937), esta rua recebeu a denominação de Avenida
General Flores da Cunha. Seu sucessor, o prefeito Loureiro da Silva, restabelece o antigo
nome assim que assume.
151
A posição elevada da Avenida Independência sempre proporcionou uma bela vista da
cidade, além de uma melhor salubridade do que no centro colonial. O fato de ser uma
das rotas de escoamento da capital, aliada a sua proximidade com o centro, também
favoreceu a valorização desta via. Ao longo do século XX foi parte de um subúrbio
residencial e elegante e uma via importante, tendo recebido uma série de melhorias
como o calçamento (1893), a já mencionada linha de bondes (1894), implementação de
água encanada a partir da hidráulica dos Moinhos de Vento (1904), implantação de um
canteiro central e arborização da via (1925), fatos que a torna uma das mais
importantes avenidas da cidade.
O canteiro central original foi implantado em toda a extensão da avenida. No sentido
centro-bairro, a partir da esquina com a Rua Gen. João Telles, há um alargamento da
151
Franco, Sérgio da Costa, 2006.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.152
via, onde foi mantida a largura das vias de rolamento em nove metros e a diferença
promovida pela maior largura é repassada aos canteiros centrais, que passam de um
metro e meio para quatro metros e meio (1925). Estes canteiros mais largos também
eram mais longos, com o comprimento consideravelmente irregular, variando de 35 a
70 metros, como é possível observar na figura 235.
Figura: 233
Av. Independência esquina Santo Antônio, setor da avenida que apresentava os canteiros curtos,
dispostos de modo ritmado.
Fonte: Fototeca Sioma Breitman, sem data.
A Avenida Independência inicia junto à Santa Casa de Misericórdia, no centro de Porto
Alegre e finda junto ao encontro com a Av. Ramiro Barcelos, somando cerca de 1.300
Figura: 234
Av. Independência no trecho imediato à Av. Gen. João Telles, onde há uma inflexão da via. À esquerda o
canteiro central mais estreito e curto, e à direita, o canteiro central mais largo e longo.
Fonte: Levantamento aerofotogramétrico de Porto Alegre, 1941.
Rua Gen. João Telles
Rua Santo Antônio
Av. Inde
p
endencia
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.153
metros de extensão. Atualmente, somente uma parte desta avenida apresenta canteiro
central, entre a Av. Gen. João Telles e a Av. Ramiro Barcelos. Neste mesmo trecho é que
em 1935, é plantada uma linha de palmeiras nos canteiros centrais mais largos, entre a
Rua Gen. João Telles e a Av. Ramiro Barcelos, num total de 23 espécimes. Tal feito foi
parte do esforço de embelezamento da cidade para receber a Exposição do Centenário
Farroupilha no mesmo ano.
152
Este plantio de deu em cinco canteiros, onde o
afastamento entre as plantas também não é uniforme, com canteiros apresentando
desde três até seis espécimes.
Figura: 235
Montagem do levantamento aerofotogramétrico de 1941 mostrando parcialmente a Av. Independência.
Indicados os canteiros menores, o ponto de inflexão da via e os canteiros com palmeiras-da-Califórnia.
O esquema acima mostra o alargamento da via a partir da esquina com a Rua João
Telles bem como os canteiros centrais do intervalo entre esta última e a Av. Ramiro
Barcelos, onde finda a via. Assim, a Av. Independência, apresenta as palmerias-da-
Califórnia dispostas nestes canteiros diferentes dos existentes no restante da via. As 23
palmeiras são dispostas em cinco canteiros, agrupadas de modo irregular numa
extensão total de 285 metros.
Este trecho da avenida é levemente flexionado, quebrando a continuidade visual
existente com a parte inicial da avenida, que apresentava canteiros centrais mais curtos e
estreitos, com maior rigor na repetição e no tipo de vegetação que continha (figura
235). O setor final da avenida, o que contém as palmeiras, também é contínuo quanto à
vegetação e a repetição dos canteiros centrais maiores e mais largos, mas com maior
152
Franco, Sérgio da Costa, 2006.
Ponto de inflexão,
esquina com Rua Gen.
João Telles.
Canteiros pequenos,
medindo 6,8 x 1,5 m.
Canteiros com palmeiras.
Mais largos (aprox. 4,3 m) e
comprimento variando de
35 a 70 m.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.154
variação em seus comprimentos, nos afastamentos entre si e na distribuição das
palmeiras. Ainda assim, o efeito produzido pela seqüência de palmeiras colocadas em
uma fileira simples, de modo compacto, possibilita a compreensão de um evento
distinto na paisagem, onde a volumetria nestes dias era composta essencialmente de
casarões de duplo pavimento.
Atualmente, o canteiro central onde se localizam as palmeiras é o resultado da
unificação feita dos cinco canteiros originais. Além disso, foram plantadas novas mudas,
inclusive de espécies diferentes, o que diluiu o efeito organizador da repetição.
Figura: 236
Corte longitudinal esquemático mostrando a distribuição irregular da vegetação quanto ao perfil da avenida, com
base no levantamento aerofotogramétrico de 1941.
Figura: 237
Corte transversal esquemático mostra a
distribuição da vegetação quanto ao perfil
da avenida. A linha de palmeiras-da-
Califórnia ocupa o canteiro central,
enquanto que ligustros e álamos
arborizam os passeios.
Em 2000, no levantamento feito pela SMAM
153
, constatou-se que havia 28 palmeiras-
da-Califórnia no canteiro central, sendo 9 com aproximadamente 15 m de altura e 19
com 6 m em média, o que demonstra que, em algum momento, houve remoções de
espécimes assim como um novo plantio. Também foi observada a existência de algumas
153
Porto Alegre. Prefeitura Municipal - Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Plano diretor de
arborização de vias públicas. Porto Alegre: SMAM, 2000. 203 p.
Esquina Rua Gen.
Jaime Telles
Esquina Av.
Ramiro Barcellos
Gabarito médio
em 1935.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.155
falhas na seqüência original das palmeiras, inclusive com substituição por outras
espécies.
Segundo o cadastramento das vias públicas, realizado pela Prefeitura Municipal de Porto
Alegre a partir de 1953
154
, foi possível mapear algumas alterações ocorridas ao longo
dos anos. Entre as mais significativas mudanças estão os alargamentos da via e as
mudanças do canteiro central.
Figura: 238
Av. Independência mantém seu corredor central no trecho mais largo a partir da esq. com a
Rua Gen. João Telles até a Av. Ramiro Barcelos, onde finda.
Fonte: Autor, 2008.
O cadastramento de 1953 dá conta que nesta época, os canteiros centrais da Av.
Independência já estavam unificados entre os quarteirões, e ainda existiam ao longo de
toda a extensão da via. Depois de contínuos alargamentos, os canteiros centrais da
parte inicial foram eliminados. Todavia, os canteiros com palmeiras, localizados na seção
mais larga da avenida (a partir da esquina com a Rua Gen. João Telles) foram
preservados.
154
Dados fornecidos pela Secretaria do Planejamento Municipal (SPM) através da Unidade de
Planejamento Viário (UPV), em 24/04/2008.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.156
Figura: 239
A linha sólida sobre a Av. Independência no mapa, indica o setor melhor preservado e o tracejado representa o
local onde foi alterada a seqüência original tanto em afastamento como pelo uso de outras espécies.
Figura: 240
Avenida Independência e a presença de espécies
diferentes da palmeira-da-Califórnia original.
Foto: Autor, 2008.
Figura: 241
Setor com falhas na seqüência original da linha
de palmeiras-da-Califórnia.
Foto: Autor, 2008.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.157
Figura: 242
Vista da seqüência de palmeiras-da-Califórnia mais
bem preservada da Av. Independência, onde é
nítido seu potencial ordenador do espaço.
Foto: Autor, 2008.
Figura: 243
Vista aérea do eixo da Av. Independência, com sua
fileira de palmeiras no canteiro central e a
arborização de menor porte nos passeios.
Foto: Autor, 2008.
Já no setor mais bem preservado é possível identificar a unidade da fileira de palmeiras,
que provem uma experiência visual mais harmônica ao criar uma tela virtual que
acomoda algo do tecido urbano muito diversificado em altura, largura e recuos.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.158
Capítulo 4
Avenida Getúlio Vargas
Figura: 244
Arraial do Menino Deus: foto da primeira Capela do Menino Deus (1853-1904), detalhe para o
bonde de tração animal e os trilhos no eixo da via.
Fonte: Correio do Povo, 26/11/1978, p.20.
Inserida no bairro Menino Deus, a Avenida Getúlio Vargas é a sua principal avenida. O
registro mais antigo data de 1848, quando era chamada de Av. Santa Teresa e sua
largura foi estabelecida em 100 palmos, equivalente à 22 metros. Seu começo era junto
ao antigo curso do riacho e findava junto à Rua Caxias, atual José de Alencar. Para
viabilizar o acesso à esta via, fora necessário a construção de uma ponte, pois a via era
separada do centro da cidade pelo riacho. Em 1852 já há notícias sobre a construção da
capela do Menino Deus, que seria inaugurada no Natal do ano seguinte. Em 1858, o
nome da via é alterado para Estrada do Menino Deu e em 1888, ela passa a se chamar
Rua Treze de Maio e em 1935 recebe o nome atual de Avenida Getúlio Vargas.
155
155
Franco, Sérgio da Costa, 2006.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.159
Dada a importância desta via na ligação da cidade com a zona sul, sucessivos
melhoramentos foram feitos. Entre eles está o primeiro serviço de bondes, ainda de
tração animal, que inicia os serviços em 1873.
156
Em 1882, a Cia. Hidráulica é solicitada
a prover encanamento até o local e em 1883 a Cia. Carris é encarregada de pavimentar
a via e arborizá-la. Somente em 1903 a ponte de madeira sobre o riacho, que
demandava uma constante manutenção, foi substituída por uma de ferro, com 25
metros de vão.
Figura: 245
Ponte de Ferro sobre o riacho ainda não retificado.
Fonte: Cia. Carris Porto-alegrense.
Figura: 246
Ponte de Ferro ou ponte 13 de Maio
Fonte: Cia. Carris Porto-alegrense.
Figura: 247
Ponte de Ferro na então Rua 13 de Maio, ainda sem os canteiros centrais,
mas já com a via pavimentada e arborizada.
Fonte: Cia. Carris Porto-alegrense.
156
MAZERON, Gaston Hasslocher. Reminiscências de Porto Alegre. Porto Alegre: Livraria Selbach, [s/d].
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.160
O Bairro Menino Deus foi um proeminente bairro na cidade, que no final do século XIX
já contava com um teatro e um prado, o segundo da capital, que posteriormente
passaria a ser sede da exposição agropecuária do estado a partir de 1912. Também
contou com um jardim zoológico a partir de 1913. A ocupação da Av. Getúlio Vargas
com residências elegantes nas três primeiras décadas do século XX a tornou uma das
vias nobres da cidade.
157
Talvez este status privilegiado que gozava a Av. Getúlio Vargas
tenha sido um dos motivos de ter sido escolhida dentre as avenidas que receberiam as
palmeiras-da-Califórnia no esforço de embelezamento da capital para a comemoração
do Centenário Farroupilha.
Figura: 248
Avenida Getúlio Vargas na década de 30: Observa-se que inicialmente, o canteiro central tinha as
palmeiras em seus extremos separadas por uma árvore de porte avantajado. Posteriormente, estas árvores
são removidas.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
Cabe lembrar que em 1935, o Arroio Dilúvio, ou simplesmente riacho, como é também
conhecido, não havia ainda sido retificado. A avenida começava junto à Ilhota
158
e o
acesso se dava pela ponte anteriormente mencionada. Assim, uma linha de palmeiras é
plantada nos canteiros centrais e tem como fundo da perspectiva, a Igreja do Menino
157
Franco, Sérgio da Costa, 2006.
158
A denominação de Ilhota deu-se em função de uma intervenção realizada em 1905 no fluxo do
Riachinho, que acabou por abrir um canal, determinando a formação de uma pequena ilha.
Posteriormente, o Riachinho foi canalizado, e teve seu curso modificado através de um projeto municipal,
durante a administração de José Loureiro da Silva em 1941, criando o atual curso do Arroio Dilúvio.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.161
Deus em sua segunda versão, agora em estilo neogótico. As edificações eram junto ao
alinhamento e com altura pouco variada, indo de uma a dois pavimentos. Os passeios
apresentavam uma vegetação de médio porte regularmente espaçada. O conjunto
proporcionava uma agradável regularidade volumétrica e uma organização espacial. O
eixo central se configuraria como uma seqüência de elementos verticais copados
análogos à torre neogótica da igreja, demarcado lateralmente pelas linhas de árvores
mais baixas com copas uniformemente podadas.
Figura: 249
Avenida Getúlio Vargas na década de 40, com a segunda versão da igreja. Agora, os
canteiros centrais são arborizados somente por palmeiras.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho
Os relatórios de 1936 dão conta que em 1935 haviam sido plantadas 66 palmeiras. Os
relatos da SMAM referentes a um relatório de 1937 já mencionam a presença de 85
espécimes. Em 1950 é registrado a presença de 84 palmeiras, sendo que em 1982 havia
102 e em 2003 eram 92
159
. A significativa variação de unidades entre 1935 e 1936,
citados nos respectivos relatórios, e a permanência deste número até 1950, pode ser um
sinal que não tenha sido possível plantar toda a quantidade prevista num primeiro
momento, tendo sido alcançada a meta em 1936, quando o número se estabiliza por
praticamente 15 anos.
159
Dados fornecidos pela Secretaria do Planejamento Municipal (SPM) através da Unidade de
Planejamento Viário (UPV), em 24/04/2008.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.162
Figura: 250
Mapa de Porto Alegre de1935: A linha preta mais grossa marca a Av. Getúlio Vargas ainda com a
ponte em seu início e sua extensão até a Igreja do Menino Deus.
Fonte: mapa de Porto Alegre de 1935
A Av. Getúlio Vargas apresenta uma largura média de 22 metros, a mesma que havia
sido estipulada quando da sua criação. Em 1935 já possuía canteiro central que mostra
uma significativa variação quanto à extensão dos módulos. Já sua largura é uniforme,
tendo uma média de 2,95 metros. Também a largura dos passeios é bastante regular,
com cerca de três metros em cada lado com pequenas variações, em geral, devido às
construções mais recentes que apresentam seus recuos acrescidos de quatro metros. As
palmeiras apresentam hoje uma altura média de 18 metros
160
, e originalmente foram
plantadas aos pares nos canteiros centrais.
A Avenida Getúlio Vargas é, dentre os estudos de caso, a que apresenta a maior
irregularidade quanto à distribuição regular das palmeiras. Tal arritmia se deve ao
esquema de implantação das palmeiras em cada canteiro, pois eram sempre plantadas
nas extremidades, o que combinado com a significativa variação das extensões dos
160
Embora as palmeiras-da-Califórnia possam atingir até 30 metros de altura, certos fatores (insolação,
solo, doenças, etc...) podem afetar seu desenvolvimento.
Ilh
o
ta
P
o
nt
e
Igreja do
Menino
Deus
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.163
canteiros, acabou gerando esta disposição única. Apesar de não haver um sistema ou
aparente lógica quanto ao comprimento dos canteiros, é possível notar um certo padrão
ou uma proximidade dos tamanhos no setor mais perto da igreja. O que possibilitou a
montagem de um esquema de implantação ilustrado na figura 252.
Av. Getúlio Vargas - Esquema típico no setor inicial (no extremo norte)
Figura: 251
Esquema das palmeiras e seus canteiros, ritmos de repetição no trecho próximo à ponte de ferro.
1º esquema: somente canteiros, 2º esquema: somente as palmeiras e 3º esquema: conjunto completo,
canteiros, palmeiras e caixa de rolamento com passeio.
Os esquemas mostram os diferentes afastamentos entre os canteiros (entre 10 e 17,6
metros – figura 251), mas também a unidade quanto ao afastamento entre os pares de
palmeiras. Atualmente há várias falhas na seqüência assim como no afastamento entre
as espécies devido à intervenções que não consideraram o conjunto como um todo. A
própria SMAM reconhece, em seu plano diretor de urbanização em via públicas
161
que
161
Porto Alegre. Prefeitura Municipal - Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Plano diretor de
arborização de vias públicas. Porto Alegre: SMAM, 2000. 203 p.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.164
houve tal equívoco ao incentivar os moradores e comerciantes a cultivarem flores nos
canteiros, pois também foram plantadas árvores e palmeiras de outras espécies. Assim
como na Av. Sepúlveda, Osvaldo Aranha e Independência, também na Av. Getúlio
Vargas vários canteiros foram unificados, alterando a percepção dos módulos e a idéia
de repetição ordenada.
Av. Getúlio Vargas – Esquema típico no setor final (no extremo sul)
Figura: 252
Esquema das palmeiras e seus canteiros, ritmos de repetição no trecho próximo à Igreja do Menino Deus.
1º esquema: somente canteiros, 2º esquema: somente as palmeiras e 3º esquema: conjunto completo,
canteiros, palmeiras e caixa de rolamento com passeio.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.165
Figura: 253
Corte longitudinal esquemático, mostra a distribuição da vegetação quanto ao perfil da avenida.
A diferença de afastamento entre o módulo do canteiro e o vão entre as árvores é praticamente
imperceptível ao observador, principalmente junto ao extremo sul da via.
Figura: 254
Com a vegetação em idade adulta, as diferentes
alturas reforçam a ordem proposta pelo eixo de
palmeiras.
A configuração original da avenida não pode mais ser percebida desde a década de 40,
quando foram executadas as obras de retificação do Arroio Dilúvio. No ano de 1940 foi
iniciada a construção da atual ponte da Av. Getúlio Vargas, que é inaugurada dois anos
depois. Ao ser deslocado ao sul, o novo curso do arroio deixou de marcar o início da
Avenida Getúlio Vargas para cortá-la mais adiante. Para tal, foi necessária a elevação do
nível da via junto a nova ponte o que seccionou a perspectiva integral da avenida
existente anteriormente.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.166
Figura: 255
Perfil da Avenida Getúlio Vargas elevado junto ao Arroio Dilúvio retificado, fato que quebrou a
perspectiva integral existente anteriormente.
Fonte: Fig. N. 51, Um Plano de Urbanização, 1943. Prefeitura Municipal de Porto Alegre
Figura: 256
Nova ponte da Av. Getúlio Vargas sobre o
arroio retificado (foto de 1950).
Fonte: Lume, Museu Universitário da UFRGS.
Se na época de sua implantação (1935), as palmeiras serviam como eixo monumental
que presidia uma seqüência de residências baixas, hoje elas servem como elemento
coordenador de uma avenida de tecido desigual (ora baixo, ora alto, ora recuado, ora
alinhado). Este papel está sendo comprometido pela progressiva descaracterização da
seqüência de árvores, devido a não reposição de espécimes removidos.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.167
Figura: 257
Av. Getúlio Vargas em 2006, a continuidade da linha
de palmeiras ameniza a irregularidade volumétrica do
tecido urbano atual.
Foto: Autor, 2006.
Figura: 258
Exemplo de falha na seqüência das palmeiras,
descaracterização da ordenação volumétrica
promovida pelo conjunto originalmente proposto.
Foto: Autor, 2006.
Neste caso, novamente o plantio se deu em função da configuração existente de
canteiros centrais, e o que prevaleceu foi o modo como foram assentadas as plantas em
cada canteiro. Tal rigor no sistema acabou por ser a própria causa de sua maior
irregularidade. Assim com nas outras avenidas ornamentadas com palmeiras, foi feita
uma adaptação ao sítio, embora os critérios não tenham sido os mesmos dos outros
casos.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.168
Figura: 259
Av. Getúlio Vargas com os canteiros centrais antes de terem sido unificados. O trecho mais próximo à
igreja mostra certa regularidade quanto a extensão destes canteiros.
Fonte: Levantamento aerofotogramétrico de Porto Alegre, 1941.
Figura: 260
Av. Getúlio Vargas com os canteiros centrais antes de terem sido unificados. O trecho próximo à Av.
Bastian mostra os canteiros com extensão bastante irregular.
Fonte: Levantamento aerofotogramétrico de Porto Alegre, 1941.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.169
Capitulo 5
Avenida João Pessoa
A atual Av. João Pessoa tem suas origens nos primórdios da ocupação de Porto Alegre,
tendo nascido da ligação da vila até a ponte da Azenha, de onde a Estrada do Mato
Grosso fazia a ligação com Viamão. Há referencia ao “Caminho da Azenha” desde o
século XVIII, quando este ainda não passava de um caminho rural, aspecto que
permaneceu até após o sítio farroupilha em 1842. Em 1843 tem início os trabalhos de
alinhamento da avenida, inicialmente estipulado em 100 palmos, ou cerca de 22 metros
de largura. Na época era chamada de Rua da Azenha e mais tarde de Avenida da
Azenha. Ela partia do antigo portão da cidade em linha reta junto ao Campo da Várzea
e fazia uma inflexão onde hoje situa-se o cruzamento com a Av. Jerônimo de Ornelas,
continuando em direção a Ponte da Azenha e se estendendo até o encontro com a
Estrada do Mato Grosso, onde havia uma bifurcação para a Estrada de Belém.
Figura: 261
Mapa parcial de Porto Alegre
de 1888 com a indicação da
Rua da Azenha.
Fonte: IHGRGS
No mapa de 1916 a via consta com o nome de Avenida da Redenção e se estendia até o
encontro com a Av. Venâncio Aires. Sua continuação após este ponto segue sendo
Rua da Azenha
Centro da cidade
Cam
p
o da Reden
ç
ão
Bifurcação para as
estradas do Mato
Grosso e Belém
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.170
chamada Av. da Azenha. Em 04/10/1930, o nome da avenida é trocado mais uma vez,
passando a chamar-se de Av. João Pessoa, o que permanece até hoje.
162
Em 1925, durante o governo de Otávio Rocha, começa a ser projetado o
prolongamento da avenida desde a esquina da Rua Laurindo (ponto de inflexão da Av.
da Azenha) até a Estrada do Mato Grosso (atual Av. Bento Gonçalves). Este
prolongamento seria executado a partir de 1939 pelo Prefeito Loureiro da Silva.
Figura: 262
Mapa parcial de Porto Alegre em 1932, com a indicação da Avenida João Pessoa e a previsão de seu
prolongamento até a Av. Bento Gonçalves. Também aparece a retificação do Arroio Dilúvio a partir da
então Av. Treze de Maio (atual Av. Getúlio Vargas) até o Guaíba.
162
Franco, Sérgio da Costa, 2006.
Previsão da retificação do
Arroio Dilúvio a partir da Av.
Treze de Maio (atual Av.
Getúlio Vargas) até o
Guaíba.
Projeção do prolongamento
previsto para a Av. João
Pessoa até a Estrada do
Mato Grosso
Novo início da Av. Azenha
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.171
Ao final de 1937, o prefeito Loureiro da Silva assume a prefeitura da capital e com
grande ímpeto modernizador, dá início a profundas transformações na paisagem da
capital sob a coordenação do urbanista Arnaldo Gladosch (1938-1943). Neste contexto,
a Av. João Pessoa faria parte de uma série de modificações do desenho urbano da
cidade. Durante o desenvolvimento do plano urbanístico, Gladosch propôs a criação de
um local que abrigaria a Feira Permanente de Amostras de Porto Alegre para a
comemoração do bi-centenário da cidade
163
, e sugere a introdução de um tridente viário
que convergisse para o novo local.
Figura: 263
Tridente e a Feira de Exposições.
Fonte: Um plano de urbanização, 1943.
Desse modo, a nova Feira de Amostras teria diante de sua entrada principal uma
avenida larga, com a extensão de um quarteirão alongado, ao final da qual (no
encontro com o Arroio) se abriria o tridente. Este teria como via central uma avenida
163
Canez, Anna Paula Moura. Arnaldo Gladosch : o edifício e a metrópole. 2006. 603 p. : il. Tese
(doutorado) - UFRGS. Faculdade de Arquitetura. Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura,
Porto Alegre, BR-RS, 2006
Avenida
proposta
para compor
o Tridente
Av. João
Pessoa
formando
um Tridente
Invertido
Parque
Farroupilha
Feira
Permanente de
Amostras
Av. Santana
seria alargada
Rua Jacinto
Gomes
Av. da
Azenha
Arroio Dilúvio
Retificado
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.172
correspondente ao curso da atual Rua Santana. Nos dois lados desta via central se
abririam duas avenidas diagonais. Uma delas corresponderia ao traçado atual da Rua
Jacinto Gomes e a outra encontraria a Av. João Pessoa, formando ali outro tridente
menor, junto com a Av. da Azenha.
Figura: 264
Maquete da Feira Permanente
de Amostras, no final da Rua
Santana.
Fonte: Um plano de
urbanização, 1943.
Novamente um evento comemorativo é usado para impulsionar um programa de obras
que contemplava o embelezamento da cidade. Entretanto, isso não garantiu a
implementação deste projeto, revelando as discrepâncias entre a visão de Gladosch e a
realidade do governo local. Sílvio Abreu comenta particularmente este episódio da
seguinte forma:
Entretanto, o tratamento que o Prefeito dá à localização da Feira Permanente de
Amostras ilustra o tipo de conflito entre as diretrizes gerais do Plano de Gladosch
(no caso bem mais que diretrizes gerais, já que foi executado um anteprojeto,
inclusive com maquete) e as contingências e conveniências de governo. Mesmo
com a Feira Permanente constando explicitamente do Plano na continuação da
Rua Santana, o Prefeito anuncia um acordo com o governo do Estado para a
implantação imediata de uma feira, bem mais modesta, em área entre as
avenidas Getúlio Vargas e outra projetada (futura Avenida Cascatinha, depois
Érico Veríssimo), onde foi efetivamente implantado o Parque de Exposições.
164
164
ABREU FILHO, Silvio Belmonte de, 2006.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.173
Aqui Gladosch articula a criação de um local estratégico que atenderia diversas
demandas que envolviam aquele momento e local em particular. No Tridente recém
criado, foi proposto a relocação do monumento à Bento Gonçalves que ainda se
encontrava junto ao Parque Farroupilha. O convergência das vias criava um estratégico
ponto focal, que comportaria o monumento eqüestre do Gen. Bento Gonçalves a fim de
garantir a harmonia do conjunto. Hoje em dia, este arranjo apresenta largura iguais nas
Avenidas João Pessoa e Azenha, enquanto a Av. Piratini é mais estreita. Todavia, o
projeto de 1940 (figura 266) mostra as duas avenidas diagonais com a mesma largura,
sendo a extensão da Av. João Pessoa ligeiramente mais larga.
Figura: 265
Projeto da Praça Piratini, assinado por Gelbert e desenho por Bellanca. Aqui o Tridente da João Pessoa revela o
uso de uma estratégia do urbanismo barroco na criação de pontos focais.
Fonte: Um plano de urbanização, Porto Alegre Ed. Globo, 1943.
Assim, o prolongamento da Av. João Pessoa, que já havia sido proposto em 1925, serve
para criar um novo episódio urbano que fornecia um local de destaque para o
monumento e promovia a extensão de vias importantes no desenvolvimento da cidade.
Contribuíram para a identificação do novo conjunto urbano os dois largos com
chafarizes e um arranjo ao estilo art déco, que compunham o tridente junto com a
estátua eqüestre e a seqüência de palmeiras. Também nota-se a representação de um
tecido de gabarito uniforme ao redor do conjunto, que auxiliaria criando uma moldura
neutra.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.174
Atrelado ao prolongamento da Av. João Pessoa está a transposição do Arroio Dilúvio e a
compatibilização com a recém inaugurada Ponte da Azenha. Aqui cabe introduzir
alguns dos valores simbólicos atrelados ao projeto original. Durante a Revolução
Farroupilha, Porto Alegre foi sitiada pelos revoltosos que conseguiram chegar até os
muros da cidade após passarem por esta ponte. No planejamento das comemorações
do centenário da revolução em 1935, foi projetada uma ponte que conteria quatro
lanceiros, locados nos quatro extremos da mesma. No centro da avenida, diante da
ponte, era previsto a colocação do monumento eqüestre de Bento Gonçalves.
Figura: 266
Projeto da Praça Piratini e o local para o monumento
à Bento Gonçalves, datado de 26/02/1940.
Assina o projeto o arq. Gelbert.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho
Figuras: 267 e 268
Projeto do novo pedestal para o Monumento à
Bento Gonçalves, datado de 26-02-1940.
Assina o projeto o arq. Gelbert.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.175
Figura: 269
Projeto da Ponte da Azenha, assinado por Francisco Bellanca e Christiano de la Paix Gelbert, em
08/06/1934, já mostrando como se configuraria a retificação do arroio. Deve ser observado o detalhe dos
cavaleiros nas extremidades da ponte.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho
Figura: 270
Projeto da Ponte da Azenha que foi proposto para a Exposição de 1935, com o monumento a Bento
Gonçalves ao centro da Av. da Azenha e os quatro lanceiros nas extremidades da ponte.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho
A Ponte da Azenha veio a ser inaugurada em 1936, mas sem os quatro lanceiros e sem
o monumento à Bento Gonçalves, que foi instalado no Parque Farroupilha no dia
15/01/1936, um dia antes do encerramento da exposição.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.176
Figura: 271
Maquete elaborada por Caringi para o projeto da Ponte da Azenha a ser construída para o Centenário da
Revolução Farroupilha. Detalhe para os quatro lanceiros, cada qual em uma quina e ao centro da via, o
monumento eqüestre ao Gen. Bento Gonçalves.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
Gladosch, de certo modo, recupera a conexão entre a homenagem à Bento Gonçalves e
as obras de retificação do Arroio Dilúvio. A estátua eqüestre, que antes comandava uma
intervenção envolvendo a avenida, ponte e riacho canalizado, agora ocupa o ponto
focal de um tridente para onde convergem três avenidas importantes.
Não é conhecida a origem da idéia da linha dupla de palmeiras que seguem em fila
atrás da estátua de Bento Gonçalves. Sabe-se que Gladosch projetou o tridente e que
Gelbert, como arquiteto-chefe da prefeitura, teve participação no desenvolvimento da
idéia. O engenheiro agrônomo Guilherme Gaudenzi
165
, da Divisão de Parques e Jardins
da prefeitura, já havia redigido textos sugerindo o uso de palmeiras em obras
comemorativas. Desse modo, é provável que a obra com um todo seja de autoria
coletiva.
165
Guilherme Gaudenzi, Eng. Agrônomo da Divisão de Parques e Jardins da prefeitura, foi o responsável
pelo plantio da palmeiras no trecho entre o monumento de Bento até o final do prolongamento até a Av.
Bento Gonçalves.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.177
Figura: 272
Monumento à Bento Gonçalves na Praça Piratini à frente de uma dupla fileira de palmeiras-da-
Califórnia, que virtualmente bloqueiam a perspectiva e incrementam o direcionamento focal no
conjunto.
Foto: Autor, 2006.
A implantação do conjunto não revela grande articulação entre as avenidas. A extensão
da Av. João Pessoa recebe tratamento privilegiado. Correspondente à sua condição
principal. A estátua eqüestre é colocada como foco perspectivo de duas linhas de
paralelas de palmeiras. A Av. Piratini também é adornada com palmeiras, mas em linha
única no canteiro central. Já a Av. da Azenha recebe duas linhas de árvores no canteiro
central, onde se localizam as paradas de bonde. Esse tratamento é similar ao verificado
na parte antiga da Av. João Pessoa (figura 266).
O prolongamento da Av. João Pessoa
166
tem 26 metros de largura da caixa de rolamento
separada por um canteiro central de oito metros e os passeios com quatro metros e
meio em ambos os lados. As palmeiras-da-Califórnia estão plantadas no canteiro
central, sendo que o início da seqüência, junto ao monumento do Gen. Bento
Gonçalves, há um par disposto lado a lado e imediatamente após este par, a disposição
das palmeiras se dá em ziguezague. O afastamento entre as espécies em cada fileira é
166
Também foram inauguradas no dia 05/11/1940 além do prolongamento da Av. João Pessoa, a Av.
Farrapos, a Av. 10 de Novembro, atual Salgado Filho, lançamento da pedra fundamental do IPE e da
piscina olímpica do Grêmio Náutico União (GNU). Fonte: Jornal Correio do Povo, 05/11/1940.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.178
em média, 6,10 metros, e entre as fileiras é de 3,30 metros. O comprimento dos
canteiros centrais varia conforme a extensão do respectivo quarteirão.
Figura: 273
Praça Piratini no dia de sua inauguração pelo presidente Getúlio Vargas em 05/11/1940. A imagem
captada no vértice do Tridente da Av. João Pessoa mostra o monumento já relocado, e fazia parte de um
amplo conjunto de obras que o Presidente Getúlio Vargas inaugurou nesta festiva data da cidade.
Fonte: Um plano de urbanização, 1943.
Figura: 274
À esquerda a Ponte da João
Pessoa em 1950.
Fonte: Lume, Museu da UFRGS.
Av. Piratini já com
as palmeiras
plantadas.
Monumento relocado como
parte do projeto de
prolongamento da Av. João
Pessoa em 05
/
11
/
1940.
Dupla fileira de
árvores onde
estavam as paradas
dos bondes.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.179
Av. João Pessoa – esquema modular e dimensões médias
Figura: 275
Esquema do posicionamento das palmeiras, afastamentos, dimensões médias, ritmos de repetição.
1º esquema: módulos intercalados, 2º esquema: medidas médias de um trecho ideal.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.180
Figura: 276
Corte longitudinal esquemático mostra a
distribuição da vegetação quanto ao perfil da
avenida.
Figura: 277
Corte transversal esquemático com a o monumento
eqüestre do Gen. Bento Gonçalves.
A elevação longitudinal da Av. João Pessoa, que mostra as palmeiras intercaladas, revela
o efeito cortina obtido com esta configuração. Já a elevação frontal mostra a localização
do monumento ao Gen. Bento centralizado em relação a dupla fileira de palmeiras,
como um pórtico virtual.
Figura: 278
Palmeiras dispostas de modo intercalado
Foto: Autor, 2008.
Figura: 279
Sistema de foco absoluto promovido pela dupla
colunata de palmeiras
Foto: Autor, 2008.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.181
Figura: 280
Em primeiro plano o monumento eqüestre ao Gen. Bento Gonçalves, ao fundo e a esquerda, as palmeiras
da Av. Piratini e o Colégio Júlio de Castilhos. As palmeiras da Av. João Pessoa (a direita) em conjunto com
as da Av. Piratini
Foto: Autor, 2008.
A Avenida Piratini tem 16,9 metros de caixa e apresenta um canteiro central de 5,9
metros de largura e assim com na Av. João Pessoa, o canteiro tem o comprimento do
respectivo quarteirão. As palmeiras estão dispostas em uma única fileira. A linha de
palmeiras é distribuída de modo relativamente uniforme ao longo do canteiro central da
Av. Piratini com exceção de dois módulos, um pouco mais espaçados. O Colégio Júlio de
Castilhos, projetado por Demétrio e Enilda Ribeiro em 1952, cria uma barra de quatro
pavimentos que ocupa toda a extensão do quarteirão Avenida Piratini. O edifício
concretiza a volumetria prevista por Gelbert e Gladosch na perspectiva do conjunto
(figura 265).
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.182
Av. Piratini – Esquema de distribuição no canteiro
Figura: 281
Esquema do posicionamento das palmeiras, afastamentos, dimensões médias, ritmos de repetição.
1º esquema: linha de palmeiras, somente o tronco, 2º esquema: mostrando com a copa.
Figura: 282
Acima a Ponte da Av. João Pessoa ainda em projeto, desenho de Francisco Bellanca.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.183
Capitulo 6
Avenida Protásio Alves
A atual Avenida Protasio Alves era um dos mais antigos caminhos de acesso à cidade,
sendo conhecida como Caminho do Meio por ser justamente o caminho central à
Viamão. Ao sul havia o Caminho de Mato Grosso
167
, que se ligava à Avenida da Azenha
e ao norte havia o Caminho de Gravataí (Alameda dos Anjos, atual Independência).
É a mais extensa radial da cidade, começando no fim da Av. Osvaldo Aranha, da qual é
continuação, e terminando na divisa do município de Viamão. Também já foi conhecida
no passado como Estrada da Capela e Caminho de Viamão. Conta Franco que depois de
pacificada a Província em 1845, começaram as providências para melhorar os caminhos
de ligação entre a capital e as freguesias de sua circunscrição.
168
Durante a República, o Caminho do Meio foi oficialmente denominado Estrada do
Capitão Montanha, em homenagem ao Capitão Alexandre José Montanha. Na
Estatística Predial de 1892, essa via pública aparece apenas com dez prédios térreos
registrados, indício certo de que continuava sendo um caminho rural. Somente a planta
de 1916 acusa algum atividade construtiva no início do Caminho do Meio, mas seu
efetivo desenvolvimento só aconteceu a partir da década de 1930, resultado da
expansão dos numerosos loteamentos implantados além das ruas anteriormente
citadas.
169
O Decreto Municipal n.84, de 11/10/1939, regula a cobrança em prestações do
calçamento e meios-fios e demais obras realizadas na Av. Protásio Alves pela prefeitura
na administração de José Loureiro da Silva. Junto com estes melhoramentos ocorre o
plantio de 373 palmeiras-da-Califórnia, entre a Rua Vicente da Fontoura e a Avenida
Carlos Gomes, somando 2.4 km de extensão. Também é nesta época que a linha de
167
Estrada do Mato Grosso, hoje Avenida Bento Gonçalves. A alteração de nome, para o atual decorreu da lei de 6/7/1936.
168
Ver FRANCO, Sérgio da Costa, 2006. p. 332.
169
Idem 168.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.184
bonde da Cia. Carris, que antes não ultrapassava a Rua Vicente da Fontoura, é estendida
até a esquina da Rua Carazinho.
Figura: 283
Avenida Protásio Alves esq. Av. Palmeira no sentido centro. À esquerda, nota-se o canteiro, que era o
meio-fio do lado par até a implantação do “corredor de ônibus” na década de 80. Foto: autor, 2008.
A Avenida Protásio Alves, durante a gestão de Loureiro da Silva, recebeu um número
maior de palmeiras-da-Califórnia do que qualquer outra via na cidade (total de 373
espécimes). Esta seqüência de palmeiras, intercaladas com jacarandás, promovem uma
ordenação espacial, dando um sentido de direcionalidade que reforçava seu papel de
tronco de circulação da cidade.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.185
Figura: 284
Bonde elétrico da Cia. Carris, linha Petrópolis, na Avenida Protásio Alves próximo à Avenida
Carazinho.
Fonte: Um Plano de Urbanização, 1943. Prefeitura Municipal de Porto Alegre
A figura 284 mostra as palmeiras existentes na Avenida Protásio Alves. Embora não
existam registros oficiais remanescentes referentes à data do plantio, as informações
foram obtidas a partir do cruzamento de dados documentais e fotográficos de época
onde o registro mais antigo data de 1939, no mesmo período em que a Av. Protásio
Alves estava recebendo melhorias segundo o decreto municipal já citado.
Mesmo nos primeiros anos do plantio não houve uma continuidade efetiva ao longo da
Av. Protásio Alves, pois algumas edificações se localizavam no antigo alinhamento, o
que forçou ocorrência de trechos interrompidos. Poucos anos mais tarde, numa
demonstração de que a avenida assumia crescente importância e recebia um progressivo
tráfego, o decreto de 4/2/1944, do Prefeito Antônio Brochado da Rocha, determinou
seu alargamento, de 22 para 30 metros. Previsto para toda a extensão da avenida,o
alargamento ocorreu inicialmente até o cruzamento com a Rua Lucas de Oliveira e
mediante recuo progressivo das futuras construções. Posteriores obras estenderam o
trecho marcado até a Rua Carazinho.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.186
Figura: 285
Avenida Protásio Alves esq. Amélia Telles fotografada no sentido do centro, palmeiras
intercaladas com jacarandás nas duas calçadas.
Fonte: Revista do Globo, 16/09/1939.
Isso erigiu a retirada das palmeiras plantadas cinco anos antes existente no antigo
passeio. No intervalo entre a Rua Carazinho e a Av. Carlos Gomes, as palmeiras foram
mantidas até o alargamento ocorrido nos anos 1980 para a implementação dos
corredores de ônibus no centro da avenida.
Figura: 286
Avenida Protásio Alves esq. Palmeira sentido centro, à esquerda o que atualmente é um canteiro,
era o meio-fio do lado par até a implantação do “corredor de ônibus” na década de 80.
Foto: autor, 2008.
Atualmente permanece somente uma pequena extensão ainda com a configuração
original de 1939, no setor entre a Av. Montenegro e a Av. Carlos Gomes. Mesmo este
último testemunho está incompleto, mas ainda é possível estimar como deveria ser o
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.187
seu aspecto. No trecho entre a Rua Murilo Furtado e a Rua Carazinho permanece uma
fileira de 45 palmeiras-da-Califórnia intercaladas com jacarandás no lado par da avenida.
Figura: 287
Avenida Protásio Alves esq. Vicente da Fontoura fotografada no sentido do bairro,
observa-se palmeiras intercaladas com jacarandá nas duas calçadas.
Fonte: Um Plano de Urbanização, 1943. Prefeitura Municipal de Porto Alegre
A Avenida Protásio Alves, em 1939, era uma via de caixa única, onde ao centro estavam
os postes e duas linhas de bonde. Entre a linha de bonde e o meio-fio, havia uma pista
de rolamento de cada lado. Os passeios continham a vegetação composta por
palmeiras-da-Califórnia intercaladas por jacarandás.
Figura: 288
Av. Protásio Alves entre as Ruas Vicente da Fontoura e Lucas de Oliveira no levantamento
aerofotogramétrico, 1941. Detalhe do setor onde começa a arborização com palmeiras intercaladas por
jacarandás ao longo da calçada da Av. Protásio Alves.
Rua Vic
e
nt
e
da F
o
nt
o
ura
Av. Protásio Alves ainda
com 22 m de caixa e com
duas linhas de bonde e
p
almeiras com
j
acarandás
Rua Lucas d
e
O
liv
e
ira
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.188
Avenida Protásio Alves – esquema modular e dimensões médias
Figura: 289
Esquema do posicionamento das palmeiras, afastamentos, dimensões médias, ritmos de repetição
1º esquema: módulos intercalados, 2º esquema: medidas médias de um trecho ideal.
O plantio de palmeiras-da-Califórnia na Avenida Protásio Alves se deu ao longo de um
trecho de 2.400 m. O afastamento médio entre as palmeiras é de dez metros, que é o
mesmo afastamento médio entre os jacarandás. Portanto, o espaçamento médio entre
as espécies é de cinco metros.
Lado par
Lado par
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.189
A estratégia compositiva é a mesma adotada na Avenida Osvaldo Aranha. A mescla de
espécies ameniza o aspecto monumentalizante de uma colunata de grandes palmeiras,
além de promover uma vegetação de porte médio, de copa aberta e arredonda que
garante sombra nas estações mais ensolaradas.
A combinação entre palmeiras e jacarandás é análoga ao uso de ordens clássicas no
Capitólio de Michelangelo, onde as duas “ordens” tratam de duas escalas distintas. Já
foi mencionado que, na fachada do Palazzo dei Conservatori, Michelangelo dispõe uma
seqüência de pilastras colossais (correspondentes aos dois pavimentos do edifício), que
confere escala monumental. Ao mesmo tempo, a galeria térrea possui colunas menores,
correspondentes ao piso térreo. No caso da Av. Protásio Alves, as palmeiras configuram
a perspectiva monumental da avenida, enquanto os jacarandás estabelecem a escala
domestica do transeunte.
Figura: 290
Corte longitudinal esquemático mostrando a
distribuição intercalada de palmeiras-da-Califórnia e
Jacarandás. Nota-se o efeito de embasamento
promovido pelos Jacarandás que cobrem
aproximadamente 1/2 da altura das palmeiras.
Figura: 291
Corte transversal esquemático mostra a distribuição
da vegetação quanto ao perfil da avenida.
Os jacarandás formam uma base também neste
sentido.
Lado par
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.190
Figura: 292
Desenho da fachada do Palazzo dei Conservatori (Michelangelo), no Campidoglio, Roma.
Entre as ordens colossais, de dois pavimentos, encontram-se colunas menores na galeria térrea.
Figura: 293
Campidoglio de Michelangelo, Roma
Foto: Autor, 1994.
Figura: 294
Colégio Paula Soares, Porto Alegre
Foto: Autor, 2007.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.191
Capitulo 7
Praças e Jardins
Este capítulo aborda algumas praças onde ocorreu o uso de palmeiras-da-Califórnia de
modo similar ao utilizado em importantes vias públicas, tratadas anteriormente.
Também nas praças, houve dois momentos em que se dá o plantio. O primeiro ocorre
em 1935, no esforço municipal de embelezamento da cidade para as comemorações do
centenário da Revolução Farroupilha. Posteriormente, uma segunda campanha se dá
sob o comando de Arnaldo Gladosch (1939-43), que via no paisagismo das praças e
parques uma ferramenta eficaz para o embelezamento urbano.
Belém Novo
Belém Novo foi, por muito tempo, praticamente outra cidade dentro de Porto Alegre. É
uma Sede Distrital e um subúrbio da capital gaúcha. Sua criação está vinculada a
problemas encontrados em Belém Velho, onde os descontentes moradores
reivindicavam uma ligação com o Guaíba já em 1867. Em 1880 ocorre a transferência
do arraial para o novo local. Contudo o antigo sobreviveu e virtualmente parou no
tempo devido à sua estagnação quanto ao crescimento urbano.
170
Por muitos anos, Belém Novo se manteve praticamente isolada da capital pela
precariedade das vias de ligação. Isso só é contornado em 1933, quando Alberto Bins
conclui a estrada de ligação com o centro da cidade. Em 1935, no cenário das
comemorações pelo Centenário da Revolução Farroupilha, a praça principal de Belém
Novo recebe uma placa comemorativa de bronze
171
e é provável que também as
palmeiras-da-Califórnia que emolduram o monumento e a visual do eixo frontal à Igreja
façam parte desta intervenção.
170
Ver: FRANCO, Sérgio da Costa, “Porto Alegre: guia histórico”. 4. ed. Porto Alegre: Editora da
UFRGS, 2006. p.64.
171
ALVES, José Francisco. A escultura pública de Porto Alegre: história, contexto e significação. Porto
Alegre, ed.: Artfolio, 2004. p.60.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.192
Figura: 295
Bronze comemorativo ao centenário da Revolução
Farroupilha, 1935.
Foto: autor, 2009.
Figura: 296
Bronze comemorativo ao centenário da Revolução
Farroupilha, 1935 e ao fundo uma aléia de palmeiras-da-
Califórnia enfatizam o eixo focal.
Foto: autor, 2009.
Em Belém Novo, a Praça Inácio Antônio da Silva situa-se diante do Guaíba, tendo num
dos lados a igreja católica do distrito. Em frente a igreja em oposição está a Escola
Estadual de 1º Grau Evaristo Flores da Cunha. No eixo entre a escola e a igreja há um
duplo renque de cinco palmeiras-da-Califórnia, e a disposição das plantas se dá de
forma paralela. Em cada renque o espaçamento entre as espécies é de 7 metros e entre
os renques temos um corredor de dez metros de largura. Para o passante que sai da
igreja, bem a sua frente, está o monumento comemorativo disposto no centro de um
patamar semicircular. Atrás do monumento, em um patamar abaixo, estão localizadas
as palmeiras em aléia, como se emoldurassem o monumento.
Nas investigações realizadas não foi possível confirmar a data do plantio da palmeiras.
Entretanto, esta intervenção parece estar associada à colocação do monumento tanto
pelo porte atual das árvores, como pelo estilo art-déco dos equipamentos, dos desenhos
das áreas verdes, das escadas e demais elementos da praça. Estes fatores permitem
associar a intervenção a uma das campanhas antes referidas (1935 ou 1937-49).
Embora o porte da intervenção seja modesto, neste projeto é demonstrada a
compreensão quanto às relações de proporções de acordo com as dimensões da praça e
de seu uso (uma mescla de espaço cívico e recreativo de um distrito).
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.193
Figura: 298
Eixo da Aléia de Palmeiras a partir da
escola. Ao fundo o monumento e a
Igreja de Belém Novo.
Foto: autor, 2009.
Figura: 297
Planta da Praça Inácio Antônio da Silva, que ilustra a disposição da aléia de palmeiras-da-Califórnia que
se localiza no eixo entre a igreja e a escola.
I
g
re
j
a Católica
Escola Evaristo
Flores da Cunha
Guaíba
Aléia de
palmeiras
Placa
Comemorativa
ao Centenário
da Revolução
Farroupilha
Palmeiras dispostas
ao longo do semi-
circulo,
moldurando a placa
comemorativa
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.194
Praça Garibaldi
A Praça Garibaldi está no encontro dos Bairros da Cidade Baixa, Menino Deus e da
Azenha. Suas origens datam do final do século XIX, fruto de uma permuta de área entre
os governos municipal e imperial no ano de 1874. Inicialmente o espaço recebeu o
nome de Praça da Concórdia e sua localização era junto ao Riacho, ainda não retificado,
que passava junto ao Potreiro da Várzea. A dita praça não passava de um terreno baldio
e nem constava nos mapas do município até 1896. O local recebe os primeiros
ajardinamentos no governo de José Montaury em 1905, quando ocorre uma
intervenção para a retificação do riacho no local, fato que iria criar a “Ilhota”.
172
Figura: 299
Traçado original do Riacho, ou Dilúvio. O Campo da
Redenção se estendia até a atual a Av. Venâncio Aires
que é um dos limites da Praça Garibaldi.
Fonte: mapa de Porto Alegre de 1896.
Figura: 300
Praça Garibaldi já configurada. O projeto do Parque
Farroupilha ainda é o anterior da proposta de Agache.
Fonte: mapa de Porto Alegre de 1927.
quarto dia de Julho, comemora-se o nascimento de Guiseppe Garibaldi e nesta data, no
ano de 1907, José Montaury homenageia este herói ao trocar o nome de Praça da
Concórdia para Praça Garibaldi e a gradeia para preservar os jardins.
173
Em outra data
relacionada a Garibaldi, no aniversario da Revolução Farroupilha de 1913, a colônia
italiana inaugura um monumento elaborado em mármore de Carrara com as figuras de
172
Franco, Sérgio da Costa, 2006.
173
ALVES, José Francisco. A escultura pública de Porto Alegre: história, contexto e significação. Porto
Alegre, ed.: Artfolio, 2004.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.195
Guiseppe e Anita Garibaldi.
174
Em 1925, no dia 8 de Dezembro, para celebrar o
cinqüentenário da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, é feita uma placa de bronze
pelo artista italiano Guiseppe Gaudenzi e colocada junto ao monumento.
Figura: 301
Ampliação de figura anterior (300), mostrando a
Praça Garibaldi.
Figura: 302
Monumento à Guiseppe Garibaldi, presenteado pela
Colônia Italiana em 1913.
Foto: Autor, 2008.
Em 1931, o prefeito Alberto Bins remodela a praça e providencia obras a fim de evitar
os estragos causados pelas cheias do riacho, que até então a margeava. De interesse a
este estudo foi a remodelação iniciada no primeiro trimestre de 1940.
175
Esta
intervenção fazia parte do grupo de praças e parques que foram especialmente
embelezados para o Bicentenário da cidade, comemorado em 1940. Com a canalização
do Arroio Dilúvio em curso distante da praça, esta ganhou contornos definidos por rua.
Na época a praça foi completamente remodelada em seu ajardinamento, passeios e
arborização. A estátua de Garibaldi estava posicionada próxima ao passeio foi recuada
174
ALVES, José Francisco. A escultura pública de Porto Alegre : história, contexto e significação. Porto
Alegre, ed.: Artfolio, 2004. p.103.
175
Boletim Municipal, I e II trimestres de 1940.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.196
mais para o centro da praça, construindo-se à sua frente um espelho d'água de grande
efeito ornamental. Em torno foi feito calçamento em pedra portuguesa com mosaicos.
Figura: 303
Praça Garibaldi registrada no levantamento aerofotogramétrico de 1941, com palmeiras-da-Califórnia ao
longo das ruas Venâncio Aires e José do Patrocínio, assim como nos caminhos em “X”. Cabe lembrar que
a grande maioria das fotos que geraram este levantamento foram feitas em 1939, antes da retificação do
Arroio Dilúvio.
A pavimentação interna da praça foi modificada de modo a compor um quadrado com
um traçado diagonal convergindo para o centro da praça. Estes passeios têm
aproximadamente três metros de largura e são ladeados por palmeiras-da-Califórnia.
Entre cada renque de palmeiras há aproximadamente seis metros e cada fileira tem as
espécies espaçadas, em média, a cada sete metros. Um pouco à frente do encontro
destes passeios em diagonal está o Monumento à Garibaldi. Foi também nesta
intervenção que foram colocados 30 bancos estilizados de concreto com assentos de
Av. Getúlio Vargas
Monumento
à Garibaldi
Espelho d’água
Palmeiras ao
longo da Rua
Venâncio Aires
Palmeiras ao
longo da Rua José
do Patrocínio
Palmeiras dispostas
em diagonal
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.197
madeira e iluminação ampliada.
176
Décadas mais tarde, nos anos 70, com a criação da
Av. Érico Veríssimo, a Praça Garibaldi sofreu uma redução de área, mas sem perder suas
características básicas.
Figura: 304
Monumento à Guiseppe Garibaldi. Ao fundo,
nota-se uma das quatro aléias de palmeiras.
Foto: autor, 2008.
Figura: 305
Aléia de palmeiras da Praça Garibaldi em 2008. A
vegetação de grande porte invade o “corredor” e
impede a vista da perspectiva de palmeiras.
Foto: autor, 2008.
176
Porto Alegre. Prefeitura Municipal, Um plano de urbanização, Porto Alegre : Globo, 1943. p.115.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.198
Hidráulica Moinhos de Vento
Originalmente a Hidráulica Moinhos de Vento era propriedade da Hidráulica Guaybense,
um empresa privada que fornecia água paralelamente aos serviços municipais. Em 1926
o Intendente José Montaury
177
encampa a estação de tratamento, que receberia
importantes melhoramentos e ampliação dos tanques durante a administração de
Loureiro da Silva, em 1939.
178
Figura: 306
Foto aérea da Hidráulica dos Moinhos de Vento em 1939, já com a aléia de palmeiras plantadas.
Fonte: Revista do Globo, 16/09/1939.
No mesmo período em que a estação de tratamento e bombeamento d’água era
modernizada e ampliada é que foram plantadas mais de 60 palmeiras-da-Califórnia no
177
FRANCO, Sérgio da Costa, “Porto Alegre : guia histórico”. 4. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2006.
p.18.
178
Revista do Globo, 16-IX-39.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.199
limite oeste do terreno, ao longo da Rua Dr. Valle. A distribuição das palmeiras se dá em
duas fileiras paralelas deslocadas em meio módulo, de modo a formar um ziguezague.
Como na Av. João Pessoa, o primeiro par de palmeiras está alinhado, como se fosse um
portal. A Hidráulica do Moinhos de Vento é um caso único, pois é uma combinação de
parque e equipamento público, e a localização das palmeiras junto à borda do terreno
faz com que a partir da Rua Dr. Valle, se perceba a elegante colunata vegetal. Para o
observador dentro da hidráulica, a sensação é de um pano de fundo, ou de um filtro
visual.
Figura:307
Esquema de distribuição das palmeiras
com as medidas médias do afastamento
entre as plantas.
Figura: 308
Esquema de distribuição das palmeiras, o
par em paralelo formando um pórtico
seguidas pela disposição em ziguezague.
Os renques de palmeiras se encontram em
um patamar elevado em relação ao
passeio e aos tanques, sendo limitados
por um muro vazado com a Rua Dr. Valle
e por um talude gramado junto aos
tanques.
Figura: 309
Corte esquemático transversal à via,
mostra que as palmeiras estão em um
patamar elevado em relação à rua e aos
tanques, formando uma cortina vegetal
entre o tecido urbano residencial e o
equipamento público.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.200
Figura: 310
Vista da aléia de palmeiras a partir do pátio da hidráulica. O cadência da distribuição associada a
uniformidade das copas formam um transição harmoniosa entre o tecido urbano e a extensa área plana
dos tanques.
Foto: autor, 2009.
Figura: 311
Detalhe da 1.a fila com as palmeiras lado a lado.
Foto: autor, 2009.
Figura: 312
Detalhe da disposição em ziguezague.
Foto: autor, 2009.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.201
Figura: 313
O ritmo e a altura uniforme da colunata de palmeiras é um verdadeiro filtro que absorve a irregularidade
do tecido urbano.
Foto: autor, 2009.
A extensão do conjunto cria uma perspectiva monumental marcante ao longo da via,
assinalando a presença do equipamento público como palácio da cidade moderna.
Nesse sentido, nota-se a coerência entre a importância da hidráulica no funcionamento
da cidade, o tratamento plástico palaciano dado as instalações (edifícios e jardins) e o
uso do grande eixo de palmeiras.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.202
Recantos Europeu e Solar
Em 1941, a equipe de Arnaldo Gladosch criou quatro jardins especiais no Parque
Farroupilha: Os Recantos Alpino, Oriental, Solar e Europeu
179
. O Recanto Europeu é
composto por de caminhos e parterres que se desenvolvem em torno do antigo chafariz
francês da Praça Parobé, retirado durante a enchente de 41 e instalado no parque. A
decisão de utilizar palmeiras-da-Califórnia, no perímetro do recanto, criando uma
moldura especial para o setor, é atribuída
180
a Guilherme Gaudenzi, o então responsável
pela Divisão de Parques e Jardins da cidade. Contudo, a autoria destas obras na
administração Loureiro da Silva deve ser entendida num contexto de colaboração entre
Gladosch (urbanista), Gelbert (arquiteto) e Gaudenzi (paisagista). Neste caso, as
palmeiras criam um efeito de delimitação do espaço, conformando um recinto. Isso
define uma situação espacial distinta do efeito direcional dos eixos usados nas avenidas.
Figura: 314
Planta Baixa do Recanto Europeu, com as palmeiras
dispostas de forma radial.
Figura: 315
Planta Baixa do Recanto Solar, com as palmeiras
dispostas aos pares atrás dos pontos cardeais.
O Recanto Solar tem um desenho que configura uma rosa-dos-vento, demarcado pelo
tratamento de piso e esferas colocadas em cada ponto cardeal com a respectiva letra
inicial. Originalmente ainda havia um pino, ao centro, de marcação de horas de um
relógio solar. Neste recanto, percebe-se grupos de palmeiras-da-Califórnia atrás de cada
179
Também conhecido como Jardim Europeu.
180
Ver: Germani, 2004. Onde um colaborador de Gaudenzi , Rui Krug, faz esta afirmação em entrevista,
p. 131.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.203
ponto cardeal a ponto de insinuar alguma relação entre tais pontos e a disposição das
palmeiras. Entretanto, o crescimento desordenado da vegetação conjugado a possível
retirada de algumas espécimes, não permite entender o conjunto original hoje em dia.
Figura: 316
Levantamento Aerofotogramétrico do Parque Farroupilha, 1982, com a indicação dos Recantos Solar e
Europeu. Ambos fazem uso da palmeira-da-Califórnia em seu paisagismo.
Recanto
Solar
Recanto
Europeu
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.204
Figura: 317
Formação circular, Recanto Europeu, palmeiras conformando o circulo em torno da fonte.
Fonte: autor, 2006.
Figura: 318
Recanto Solar com as palmeiras ao fundo do
ponto cardeal.
Fonte: autor, 2006.
Figura: 319
Detalhe da antiga fonte da Praça Parobé e as palmeiras ao
fundo.
Fonte: autor, 2006.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.205
Conclusão
A investigação sobre a origem das colunatas de palmeiras em Porto Alegre acabou por
revelar uma nova faceta de um breve período de intensa atividade urbanística da capital
gaúcha. Em menos de uma década, Porto Alegre vivenciou dois momentos festivos: A
comemoração do centenário da Revolução Farroupilha (1935) e do bi-centenário da
cidade (1940). Neste período, a sociedade e a arquitetura gaúcha vivia um processo de
transição modernizadora, onde a cidade foi transformada para atender as novas
demandas inerentes à modernidade, tais como o incremento quantitativo e qualitativo
de equipamentos urbanos, vias de circulação e infra-estrutura. Tais transformações
foram coordenadas pelos planos urbanísticos de Arnaldo Gladosch e pela arquitetura
oficial de Christiano Gelbert, durante o governo Loureiro da Silva.
O caso porto-alegrense impressiona por sua escala. Em duas campanhas relativamente
curtas, longas avenidas são monumentalizadas por fileiras de palmeiras, constituindo
um evento único no contexto brasileiro do século XX. As intervenções de Alberto Bins e
de Loureiro da Silva se assemelham aos trabalhos da época imperial no Rio de Janeiro do
século XIX. No entanto, o único exemplo de via monumental no caso carioca é a
Avenida do Mangue, do qual restam pequenos fragmentos com palmeiras imperiais. Na
capital gaúcha, quase todas as avenidas se mantém organizadas pelas seqüências de
palmeiras até o presente. Isso confere à Porto Alegre um papel singular no contexto
nacional, devido ao porte e à extensão de suas perspectivas de palmeiras-da-Califórnia.
A ausência de documentação sobre estas intervenções deixa a questão de sua autoria
em aberto.
181
Todavia, é possível considerar que houve uma oportuna conjunção de
capacidades pela presença de profissionais como Gaudenzi, Gelbert e Gladosch na
coordenação das ações de uma municipalidade empreendedora e confiante nas
possibilidades de um programa arquitetônico. Este contexto propiciou investimentos no
embelezamento de Porto Alegre. Entre as estratégias urbanas disponíveis, a palmeira-
181
O incêndio do Departamento de Praças de Jardins do Município de Porto Alegre, órgão que originou a
SMAM (Secretaria Municipal do Meio Ambiente), em 1970 causou o desaparecimento da documentação
relativa a este período.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.206
da-Califórnia foi um componente importante na criação destes cenários urbanos, na
maioria dos casos, de caráter comemorativo ou monumentalizante. O caso porto-
alegrense segue os exemplos antecedentes do uso de grandes palmeiras no Brasil ao
fazer uso deste elemento paisagístico como instrumento compositivo para destacar
episódios urbanos especiais.
A palmeira-da-Califórnia é utilizada como uma coluna virtual, de modo ordenado e
ritmado para organizar espaços e criar cenários, emoldurar equipamentos e destacar
monumentos. A simbologia de status e nobreza associada à palmeira-imperial no Rio de
Janeiro é sui generis e não deve ter sido este o objetivo primordial no seu uso em Porto
Alegre. Entretanto, esta palmeira é naturalmente elegante e de porte monumental e
assim como a palmeira–imperial, assemelha-se à uma colunata quando arranjada
apropriadamente. Estes predicados, juntamente com a sua melhor adaptabildadade ao
clima, justificam a sua escolha para compor os distintos casos porto-alegrenses.
O caso gaúcho apresenta a particularidade de ainda manter em boa condição a maior
parte dos sítios onde foram utilizadas as palmeiras-da-Califórnia, ainda que estes
mostrem sinais de abandono. Depois do Rio de Janeiro, que foi pioneiro no uso
paisagístico de palmeiras de grande porte, Porto Alegre é a capital que mais utilizou este
artifício compositivo, com uma espécie distinta da carioca. Este uso se deu com uma
intensidade suficiente para podermos associar a maioria dos sitios com palmeira-da-
Califórnia com as intervenções paisagísticas e urbanas ocorridas entre 1935 e 1943,
período em que Porto Alegre recebe mais de mil palmeiras em 6.500 metros de
avenidas e em diversos parques. Estes números são significativos se forem considerados
ao porte da cidade e ao curto período de sua implantação. Aliado a isto, este uso
sistemático de palmeiras vem por revelar um período de integração entre diferentes
setores da administração municipal onde foi possível produzir uma imagem hegemônica
para os equipamentos urbanos da cidade, sendo também a palmeira-da-Califórnia uma
marca da Porto Alegre de mica dos anos 40.
182
A preservação e recuperação dos sítios
onde a palmeira-da-Califórnia foi utilizada é fundamental para que não seja perdido
este ícone que marcou uma era na cidade.
182
ABREU, 2006. Porto Alegre de mica, expressão utilizada por Silvio Abreu ao referir-se ao período de
1940 quando o “novo estilo” é veiculado em prédios públicos e privados.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.207
Anexo
Catálogo de Composições
Alguns exemplos do uso de grandes palmeiras como elementos de composição formal
para espaços abertos são identificados nos exemplos brasileiros e alguns destes em
Porto Alegre. Dentre estas disposições citamos as seguintes:
Linear simples
Linear dupla paralela
Linear dupla intercalada
Circular
Semicircular
Pares como pórticos ou portais
Malha ortogonal compacta
Malha ortogonal espaçada
Tais configurações têm efeitos distintos na organização espacial. O uso mais comum é a
Colunata Linear dupla paralela, usada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e seu efeito
mais marcante é o de proporcionar um sistema de foco absoluto para o seu ponto
central através do bloqueio das visuais diagonais. Esta poderosa ferramenta foi muito
utilizada em palácios e monumentos por todo o Brasil.
Figura: A1
Formação colunata simples paralela, JBRJ.
Foto: autor, 2008.
Figura: A2
Formação colunata dupla paralela, JBRJ.
Foto: autor, 2008.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.208
As colunatas duplas podem ser ampliadas, como no caso da Avenida do Mangue no Rio
de Janeiro, onde havia duas colunatas deste tipo, separadas pelo canal.
Colunatas duplas intercaladas são exemplificadas pela Avenida João Pessoa e pelos
jardins da Hidráulica dos Moinhos de Ventos em Porto Alegre. Nesses casos, as colunas
não fazem pares, mas são dispostas num arranjo em ziguezague. Isso fornece
percepções distintas na vista diagonal do conjunto e na vista interna em relação à vista
paralela (figura A4 - palmeiras dispostas em paralelo e figura A5 - palmeiras dispostas
de modo intercalado).
Acima Figura A4
Colunata dupla de palmeiras em paralelo (aléia)
– Palácio do Catete, RJ.
Abaixo Figura A5
Colunata dupla alternada de palmeiras, Avenida
João Pessoa, Porto Alegre.
Fotos: autor, 2008.
Figura A6
Colunata dupla em paralelo, Palácio
do Itamaraty, RJ.
Figura A7
Colunta dupla alternada
(ziguezague). Hidráulica
dos Moinhos de Vento,
Porto Alegre.
Figura: A3
Colunas duplas em cada margem do
Canal do Mangue, RJ em 1922.
Foto: André Costa
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.209
As soluções circulares e semicirculares se prestam para emoldurar espaços. Em Porto
Alegre temos esta solução no parque Farroupilha, no Recanto Europeu, implantado em
1941 por Arnaldo Gladosch após a enchente do mesmo ano, quando também o
chafariz de ferro fundido da Praça Pereira Parobé é trazido para compor o centro do
Recanto.
183
Figura: A8
Formação circular, Recanto
Europeu, palmeiras
conformando o circulo em
torno da fonte.
Fonte: autor, 2006.
Na cidade de Bagé, interior do Rio Grande do Sul, encontram-se exemplos da solução
em forma de pórtico, onde um par de palmeiras emolduram a entrada principal do
edifício.
À esquerda, figura: A9.
Catedral de Bagé – RS.
Formação tipo pórtico ou
portal.
À direita, figura A10. ,
Sociedade Espanhola,
Bagé – RS.
Fotos: autor, 2007.
183
Conforme relatório de bens tombados da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.210
As malhas ortogonais de palmeiras imperiais foram propostas nos projetos não
executados da cidade universitária do Rio de Janeiro, propostas nos projetos de Le
Corbusier e de Lúcio Costa. Curiosamente cada arquiteto opta por fazer o uso de modo
distinto: Le Corbusier imagina um grande volume compacto o qual chama de Floresta
das Mil Palmeiras; enquanto Lúcio Costa propõe uma malha mais espaçada, ocupando
uma imensa esplanada de palmeiras. Burle Max repete esta estratégia no MAM-RJ em
1954, ao compor o jardim emoldurado por palmeiras organizadas em dois blocos em
malha ortogonail, cujas duas fileiras mais próximas ao museu se prolongam até se
encontrar.
Figura: A11
Exemplo de colunata em malha, MAM - RJ
Foto: autor, 2008.
Figura: A12
Exemplo de colunata em malha, MAM – RJ.
Fonte: Google Earth, 2008.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.211
Esquemas de composições com palmeiras
Desde suas primeiras aparições ainda na Antigüidade, a disposição de colunas foi se
diversificando de acordo com a evolução tecnológica e o espírito criativo dos
construtores e arquitetos. As composições paisagísticas compostas especificamente por
palmeiras-imperiais e da Califórina no Brasil também exibem vários arranjos. A fim de
sistematizar os casos apresentados neste estudo, um catálogo destas composições foi
elaborado.
Esquema 1
Arranjo
local
Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Jardim do Palácio
do Catete e Rua Paissandu no Rio de Janeiro. Praça da
Liberdade em Belo Horizonte e nas cidades de Lorena
e Taubaté em São Paulo. Palácio dos Príncipes em
Joinville (SC).
Duas fileiras simples contínuas,
envolvendo um caminho ou via, também
chamado de Aléia.
Figura A13 - Aléia Barbosa Rodrigues, JBRJ.
Foto: autor, 2008.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.212
Esquema 2
Arranjo
local
Av. Duque de Caxias em Blumenau e Av. em Bagé
Fileira dupla paralela em canteiro central,
separando um caminho ou via.
Figura A14 - Palmenalle, atual Rua Duque de Caxias,
Blumenau-SC
Fonte: site da prefeitura de Blumenau
<
http://www.blumenau.sc.gov.br>
Esquema 3
Arranjo
local
Palácio Itamaraty (RJ)
Duas fileiras duplas contínuas, envolvendo um
equipamento ou esplanada.
Figura A15 - Palácio Itamaraty, pátio interno.
Foto: autor, 2008.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.213
Esquema 4
Arranjo
local
Avenidas Independência e Piratini em Porto Alegre.
Fileira simples em canteiro central, disposta
de modo grupado, separando um caminho
ou via
Figura A16 - Avenida Piratini, Porto Alegre
Foto: autor, 2008.
Esquema 5
Arranjo
local
Av. Sepúlveda e Av. Getúlio Vargas em Porto Alegre.
Fileira simples em canteiro central,
disposta aos pares, separando um
caminho ou via.
Figura A17 - Avenida Sepúlveda, Porto Alegre
Foto: autor, 2008.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.214
Esquema 6
Arranjo
local
Avenida João Pessoa e Hidráulica dos Moinhos de
Vento em Porto Alegre.
Fileira dupla em ziguezague em
canteiro central, disposta ao pares,
separando um caminho ou via.
Figura A18 - Hidráulica dos Moinhos de Vento,
Porto Alegre
Foto: autor, 2008.
Esquema 7
Arranjo
local
Instituto Nacional de Puericultura do Rio de Janeiro.
Fileira simples contínua, disposta no limite
da via.
Figura A19 - Instituto Nacional de Puericultura do
Rio de Janeiro
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p.
191.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.215
Esquema 8
Arranjo
local
Praça Jaime Telles, Porto Alegre.
Duas fileiras simples contínuas, dispostas
ortogonalmente dispostas no limite da via.
Figura A20 - Praça Jaime Telles
Foto: autor, 2008.
Esquema 9
Arranjo
local
Avenida Protásio Alves, Porto Alegre.
Duas fileiras mistas contínuas paralelas
envolvendo um caminho ou via, a formar uma
aléia mista.
Figura A21 - Avenida Protásio Alves
Foto: autor, 2008.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.216
Esquema 10
Arranjo
local
Avenida Osvaldo Aranha, Porto Alegre.
Duas fileiras mistas contínuas paralelas em
canteiros centrais de modo a dividir o caminho
ou via em três pistas.
Figura A22 - Avenida Osvaldo Aranha
Foto: autor, 2008.
Esquema 11
Arranjo
local
Projetos de Le Corbusier e Lúcio Costa
para a Cidade Universitária do Rio de
Janeiro.
Museu de Arte Moderna do Rio de
Janeiro, MAM.
Malha ortogonal
Figura A23 - Cidade Universitária do Brasil, Projeto de Lúcio Costa.
Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.217
Esquema 12
Arranjo
local
Em frente de prédios de uso especial,Bagé – RS
Catedral, Sociedade Espanhola, Igreja Conceição.
Par, no centro do lote, a formar um
pórtico virtual.
Figura A24 - Catedral de Bagé - RS
Foto: autor, 2007.
Esquema 13
Arranjo
local
Recanto Europeu, Parque Farroupilha – Porto Alegre
Praça Souza Gomes, Porto Alegre.
Circular ou radial.
Figura A25 – Recanto Europeu, Parque
Farroupilha – Porto Alegre
Foto: autor, 2006.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.218
Esquema 14
Arranjo
local
Antiga Fabrica Renner
184
, atual Shopping DC
Navegantes, Porto Alegre.
Linha simples contínua
Figura A26 – Shopping DC Navegantes, Porto
Alegre
Foto: autor, 2007.
184
Adicionar nota: Não foi identificada a data de plantio destas palmeiras, que fogem ao escopo do
trabalho por serem iniciativa em área privada.
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.219
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Google Earth, software de visualização de sítios.
Índice de ilustrações
Figura Conteúdo - Fonte pág.
01 Villa Adriano (planta baixa), Tiber, atual Tívoli. - Fonte: Ackerman, James. The Villa, 1990. 04
02
Villa Laurentinum de Plinio, séc. II d.C. virtualmente reconstruída por Winnefeld (planta)
Fonte: Ackerman, James. The Villa, 1990.
05
03
Villa Laurentinum de Plinio, séc. II d.C. virtualmente reconstruída por Leon Krier (perspectiva)
Fonte: Ackerman, James. The Villa, 1990. 05
04 Villa Médici, Monte Pincio, Roma. 1580.
Fonte: Ackerman, James. The Villa. 1990. 06
05 Villa Lante, Roma - Fonte: Ackerman, James. The Villa. 1990 07
06 Villa d'Este, Tivoli, de Pirro Ligorio, ci. 1565-72. Vista área por Etienne Dupérac, 1573
fonte: Ackerman, James. The Villa. 1990
08
07 Villa Lante, Bagnaia, de Giulio Romano, ci. 1518-20. Gravura de Tarquinio Ligustri, 1596
fonte: Ackerman, James. The Villa. 08
08 Jardins do Palazzo Pitti, Florença. Fonte: autor, 1994. 09
09 Palazzo Pitti – Florença. - Fonte: Candida Martinelli's Italophile Site 09
10 Palácio Vaux-le-Vicomte, gravura do século XVII, vista do jardim frontal projetado por
André Le Nôtre. - Fonte: site wikipedia.com 10
11 Palácio de Versalhes - Gravura de Gabriel Pèrrelle 1766.
Fonte: Baroque Architecture, Christian Norberg-Schultz 1986.
10
12 Planta de Versalhes , 1746 - Fonte: www. wikipedia.com 11
13 Richard Payne Knight, a propriedade de Capability Brown (“the beautiful") como projetada
Fonte: Ackerman, James. The Villa. 1990.
12
14 Payne Knight por ele mesmo (the "picturesque"), de” The Landscape, 1794”
Fonte: Ackerman, James. The Villa. 1990. 12
15 Planta do Passeio Público, de Mestre Valentim, Litografia em Um Passeio pela Cidade do
Rio de Janeiro, de Joaquim Manuel de Macedo.
Fonte: http://www.geocities.com/nunes_garcia/JM_P_Rio.htm
13
16 Reformulação do Passeio Público em 1861: Glaziou modifica o projeto geométrico de
mestre Valentim e introduz um traçado romântico.
Fonte: http://www.passeiopublico.com
14
17 Jardim da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro. Projeto de Glaziou em 1869.
Fonte: http://www.passeiopublico.com 14
18 Parque São Clemente, Nova Friburgo. Projeto de Jardim Pitoresco projetado pelo
paisagista francês Auguste Glaziou em 1871. - Foto: Halley Pacheco 15
19 Jardins da Praça da República, aproximadamente 1893/1894 (foto: Juan Gutierrez). Vista
dos jardins públicos projetados pelo paisagista francês Glaziou, em 1873, e completados
em 1880. Fonte: Museu Histórico Nacional 15
20 Projeto para os jardins da Quinta da Boa Vista, por Glaziou. - Fonte: Arquivo Nacional 15
21 e 22 Colunata de palmeiras-das-canárias (Phoenix canariensis) em Punta del Este, Uruguai e
exemplo isolado. - Fonte: autor, 2007. 17
23 e 24 Colunata de palmeiras jerivá (Syagrus romanzoffiana) na Av. Farrapos, Porto Alegre e
exemplo isolado. - Fonte: autor, 2005.
17
25 Desenhos de colunas egípcias com suas respectivas inspirações botânicas. Na primeira
linha a flor de Lótus e na segunda linha o Papiro. - Fonte: http://sandrashaw.com 18
26 Templo de Luxor, Egito c 1350 a.C. - Fonte: http://sandrashaw.com 18
27 Domenica delle palme, mosaico na Cappella Palatina, Palermo – Itália. ci. 1150 d.C.,
Entrada Triunfal em Jerusalém. - Fonte: http://it.wikipedia.org 19
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.224
Figura Conteúdo - Fonte pág.
28 Gravura da Expedição de Martius, Família Palmae (Arecaceae) - Fonte: Vol. I, Part I, Fasc.
Prancha 50 Publicado em 1906 - responsável pelo tratamento: Carl Georg Oscar Drude
[Drude] 20
29 Gravura da Expedição de Martius, Família Palmae (Arecaceae) - Fonte: Vol. I, Part I, Fasc.
Prancha 41 Publicado em 1906.
21
30 Esquema com as principais partes de uma palmeira. - Fonte: SODRÉ, José Barbosa Sodré.
Morfologia das Palmeiras como meio de identificação e uso paisagístico. Lavras, Minas
Gerais, 2005. 21
31 Syagrus romanzoffiana. Jerivá. Altura até 15 metros – fonte: University of Florida 23
32 Livistona chinensis. Palmeira-leque-da-china. Altura até 15 metros – fonte: University of
Florida
23
33 Butia capitata. Butiazeiro. Altura até 7,5 metros – fonte: University of Florida 23
34 Desenho esquemático das partes que compõem as folhas pinadas e palmadas de uma
palmeira. - Fonte: SODRÉ, José Barbosa Sodré. Morfologia das Palmeiras como meio de
identificação e uso paisagístico. Lavras Minas Gerais, 2005. 24
35 Roystonea oleracea. Palmeira Imperial. Altura até 40 metros – fonte: University of Florida 25
36 Washingtonia robusta. Palmeira-da-Califórnia. Altura até 30 metros. – fonte: University of
Florida
25
37 Phoenix canariensis. Palmeira-das-Canárias. Altura até 18 metros – fonte: University of
Florida 25
38 Cabeça de Negro - Albizia lebeck - Fonte:www.commons.wikimedia.org 29
39 Eucalipto - Eucalyptus gigantea - Fonte:www.commons.wikimedia.org 29
40 Cinamomo - Melia azedarach - Fonte:www.commons.wikimedia.org 29
41 Carolina ou Olho de Dragão - Adenanthera pavonina
Fonte:www.commons.wikimedia.org 29
42 Cartão-postal em comemoração aos 150 anos do Jardim Botânico do Rio (1958).
Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro 30
43 LEUZINGER,Georges – 1865. Aléia Barbosa Rodrigues no Jardim Botânico do Rio de
Janeiro. - Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro 31
44 FERREZ, Marc – 1880. Rua do Jardim Botânico RJ. O Jardim Botanico e a rua do mesmo
nome. Aléia Candido Baptista. - Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro
31
45 Vista do Jardim Botânico. SISSON, Sebastien Auguste Youds, J. [ED.] .s/d Litografia
39x52,5cm, colorido. Entrada do Jardim Botânico e suas Palmeiras-Imperiais, Aléia
Barbosa Rodrigues. - Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 32
46 Augusto Stahl, Aléia de palmeiras Barbosa Rodrigues no Jardim Botânico do Rio de
Janeiro. ci.1865, Rio de Janeiro, RJ. 25,4 x 17,8cm, albúmen. - Fonte: Acervo do Instituto
Moreira Salles, Rio de Janeiro. 33
47 Accademia das Bellas Artes, autor: ANÔNIMO. 1846, Litografia,13,4x21,5cm; P&B
Imperial , com um tílburi à frente e cidadãos passeando. - Fonte: Jardim Botânico do Rio
de Janeiro. 35
48 Pirâmide de degraus de Djoser, Egito. Projeto de Imhotep - fonte: www.wikipedia.com 36
49 Acesso sul ao complexo da pirâmide de degraus de Djoser, Egito com colunas atribuídas à
Imhotep. -
Fonte: www.wikipedia.com 36
50 Coluna de Persépolis. Reconstruída de acordo com F. Krefter, E. Schmidt, F. Herzfeld, A.
Sami. - Fonte: http://www.viskom.oeaw.ac.at 37
51 Gravuda da Coluna de Persépolis. - Fonte: www.wikipedia.com 37
52 Capitel da Coluna de Persépolis completa com a estutura de madeira que apoiava.
Fonte: Museu do Louvre. 37
53 Ordens gregas, dórica, jônica e coríntia - Fonte: http://atheism.about.com 38
54 Ordem Toscana. - Fonte: ilustraçao do livro: Vitruvius, Ten Books of Architecture by
MORGAN, 1914. 38
55 Ordem Compósita. - Fonte: ilustraçao do livro: Vitruvius, Ten Books of Architecture by
MORGAN, 1914. 38
56 Tempietto de Bramante, Roma. foto: autor não informado 41
57 Mausoléu por Hawksmoor no Caltelo Howard. - Ffonte: www.skycell.net 41
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.225
Figura Conteúdo - Fonte pág.
58 Intercolunium: Relações de Altura x Diâmetro x Afastamento da Coluna, conforme
Vitrúvio. Exemplos de variações nos intercolúnios gerados por mudanças dimensionais,
sem alterar a proporção. - Fonte: Desenhos feitos pelo autor baseados nas ilustrações de
Rowland, Ingrid Drake. Ten books on architecture, 2002. p.197. 41
59 Intercolunium: Relações de Altura x Diâmetro x Afastamento da Coluna, conforme
Vitrúvio. - Fonte: Desenhos do autor com base nas ilustrações de Rowland, Ingrid Drake.
Ten books on architecture, 2002. p.197
42
60 Chiesa di San Michele in Foro, Lucca, Itália (ci. 1070). Exemplo das várias formas que as
colunas da Idade Média apresentam. - Foto: autor, 1994. 43
61 Palazzo dei Conservatori no Campidoglio, Roma. Projeto: Michelangelo em 1536.
Foto: autor, 1994.
44
62 Planta do Fórum Romano com as colunas honoríficas ao longo da Via Sacra e a coluna
Focas. - Fonte: Scan of a map of the Roman Forum, taken from Ball Platner's The
Topography and Monuments of Ancient Rome (1904), autor: Prof. Felix Just, Loyola
Marymount University. 46
63 Fórum Romano com as colunas honoríficas, maquete.
Fonte: http://www.maquettes-historiques.net 47
64 Fórum Romano com as colunas honoríficas, maquete.
Fonte: http://www.maquettes-historiques.net
48
65 Coluna de Trajano (à esquerda) Roma, ci. 112 d.C.. - Fonte: www.wikipedia.com 49
66 Detalhe da Coluna de Trajano (à direita). - Fonte: www.wikipedia.com 49
67 Unidades de medida da Antigüidade. - Fonte: ROWLAND, Ingrid D.; HOWE, Thomas
Noble: Vitruvius. Ten Books on Architecture. Cambridge University Press, Cambridge 1999.
p. 190 49
68 Coluna de Focas no Fórum Romano. - Fonte: www.wikipedia.com 50
69 Coluna de Focas, reconstrução virtual. - Fonte: http://www.maquettes-historiques.net 50
70 Piazzetta, Piazza de San Marcos, Veneza. Gravura: Guiseppe Bombrin - acquaforte 51
71 Piazza dei Signori – Vicenza. As duas colunas na Piazza dei Signori, em Vicenza, com a
torre do relógio a esquerda ci. 1829. Gravura T. Jeavons após um desenho por Samuel
Prout. 51
72 Ilustrações do livro de Perspectiva, páginas 41 e 48. - Fonte: Perspectiva Practica, Anno
1710.
52
73 Ilustração sobre Ordem baseadas no Livro I de Vitrúvio. - Fonte: Rowland, Ingrid Drake.
Ten books on architecture, 2002. 54
74 Palácio Quirinal, fachada Via XXIV Maggio. - Fonte: http://www.flickr.com/people/zakmc/ 56
75 Palácio Quirinal, fachada Via XXIV Maggio. - Foto: Silvia Niko 57
76 Edifício Esplanada, Porto Alegre. Colunata na fachada-quarteirão no lado norte.
Foto: autor (2008). 57
77 Colégio Marista Rosário, Porto Alegre. A fachada- quarteirão mostra o ritmo com distintas
aberturas. Foto: autor (2008)
58
78 Colunata de Bernini, Piazza San Pietro. Roma de 1656 a 1667 - Gravura de Falda 58
79 Colunata de Bernini, Piazza San Pietro – Roma. - Fonte: autor, 1994. 58
80 Place Vendôme, e a fachada projetada por Jules Hardouin-Mansart em 1699.
Foto: www.wikipedia.com 59
81 Place Vendôme, Paris, foto aérea. - Fonte: http://paris.evous.fr/paris-decouverte/paris-
insolite/paris-vu-du-ciel/place-vendome.html 60
82 Colunata da Place Vosges, antigo Palais Royal, Paris 1605 a 1612.
Fonte: www.http://en.wikipedia.org
60
83 Place dês Victories, Paris, 1865 pelo arquiteto Jules Hardouin-Mansart.
Fonte: www.http://en.wikipedia.org 60
84 Praça Itália, Porto Alegre. - Fonte: autor, 2008. 61
85 Marcação do acesso ao Canal 7, Buenos Aires. - Fonte: autor, 1994. 61
86 Planta Baixa do Jardim Botânico em 1933 com a marcação de onde seriam plantadas as
aléias de palmeiras-imperiais em 1842. - Fonte: Jardim
Botânico do Rio de Janeiro 64
87 Esquema da implantação aléia de palmeiras-imperiais, medidas médias em metros. 64
88 Aléia Candido Baptista, paralela à via de acesso do Jardim Botânico, final do séc. XIX.
Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 65
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.226
Figura Conteúdo - Fonte pág.
89 Aléia Barbosa Rodrigues, marcando o eixo de acesso.
Fonte: Jardim Botânico do Rio de Janeiro 65
90 Chafariz das Musas, divide a Aléia Barbosa Rodrigues. - Fonte: autor, 2008. 66
91 Aléia Candido Baptista. - Fonte: autor, 2008. 66
92 Aquarela da fachada da Academia Imperial de Belas Artes, por Debret. - Fonte: JBRJ 67
93 Final da Aléia Barbosa Rodrigues onde está o Portal da Academia Imperial de Belas Artes
desde 1940. - Fotografia reproduzida de Meyer, Claus e Secchin,Carlos. O Jardim de
Acclimação, Rio de Janeiro: Cor Ação, 1983. 67
94 Final da Aléia Barbosa Rodrigues onde está o Portal da Academia Imperial de Belas Artes
desde 1940. Fonte: Autor, 2008. 67
95 Palácio Isabel, RJ. - Foto: R.H. Klumb em 1865 - acervo George Ermakoff 68
96 Rua Paissandu a partir do palácio Guanabara. - Foto: autor não informado, data: 1911 68
97 Rua Paissandu nos anos 30, Bairro do Flamengo (anos 30). - Fonte: Roberto Tumminelli 69
98 Aléia de palmeiras imperais na Rua Paissandu, RJ (sem data fornecida). - Fonte: acervo
André Costa 69
99, 100,
101 e 102
Seqüência de fotos da reforma do Palácio Isabel entre 1907 e 1908 reforma projetada e
executada por Engenheiro Francisco Marcelino de Souza Aguiar, fotografadas por
Augusto Malta,então fotografo da prefeitura do Rio de Janeiro.
Fonte: Biblioteca Pública Digital do Rio de Janeiro 70
103 Esquema de assentamento das palmeiras na Rua Paissandu a partir de trechos
remanescentes mais próximos do Palácio da Guanabara.
71
104 e 105 Rua Paissandu em 2008. - Foto: autor. 71
106 Palácio Guanabara. - Foto: Peter von Fuss ci. 1940 71
107 Palácio Guanabara atualmente. - Fonte: www.revistafatorbrasil.com.br 71
108 Modelo em 3D do jardim do palácio do Catete antes da intervenção de Paul Villon.
Fonte: http://www.fau.ufrj.br/prourb/catete. Imagens do trabalho “Um Palácio na Cidade”
desenvolvido pela equipe de professores e alunos do PROURB, FAU-UFRJ. 72
109 Modelo em 3D do jardim do palácio do Catete após a intervenção de Paul Villon
Fonte: http://www.fau.ufrj.br/prourb/catete. Imagens do trabalho “Um Palácio na Cidade”
desenvolvido pela equipe de professores e alunos do PROURB, FAU-UFRJ. 72
110 Planta redesenhada do jardim do Palácio do Catete, situação anterior à intervenção de
Paul Villon. -
Fonte: http://www.fau.ufrj.br/prourb/catete. Imagens do trabalho “Um Palácio na Cidade”
desenvolvido pela equipe de professores e alunos do PROURB, FAU-UFRJ. 73
111 Planta redesenhada do projeto do jardim do Palácio do Catete por Paul Villon, circa 1896.
Fonte: http://www.fau.ufrj.br/prourb/catete. Imagens do trabalho “Um Palácio na Cidade”
desenvolvido pela equipe de professores e alunos do PROURB, FAU-UFRJ 73
112 Esquema de distribuição das palmeiras no Jardim do Catete. 73
113 Imagem do projeto original de Paul Villon para o jardim do Palácio do Catete. 73
114 e 115 Jardim do Catete em 2008. - Fotos: autor 73
116 Esquema da organização do jardim de Villon, que mescla a estrutura ortogonal da aléia
com jardins sinuosos. - Fonte: autor.
74
117 Jardim do Palácio Itamaraty, lago ladeado por aléias de palmeiras imperiais presenteadas
pelo próprio imperador quando da sua construção. - Fonte: autor, 2008. 75
118 Jardim do Palácio Itamaraty, Planta Baixa esquemática do lago ladeado por aléias de
palmeiras imperiais. 76
119 e 120 Jardim do Palácio Itamaraty, aléia na lateral do lago. - Fonte: autor, 2008. 76
121 Jardim do Palácio Itamaraty, Planta Baixa esquemática do lago ladeado por aléias de
palmeiras imperiais. 77
122 Avenida do Mangue, Rio de Janeiro, início do séc. XX. - Fonte: banco de imagens de
André da Costa 78
123 Carnaval de 1910 na Av. do Mangue, RJ. - Fonte: Foto da Revista Careta 78
124 Canal do Mangue, Mapa de 1913 com indicação do Canal do Mangue e da Quinta da
Boa Vista. 78
125 Cédula de 50 réis lançada em 1923 confirma a importância desta importante obra de
saneamento e paisagismo da capital federal. - Fonte: Museu de História Nacional 79
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.227
Figura Conteúdo - Fonte pág.
126 Estação de Mauá em 1928 - Foto: Augusto Malta 80
127 Canal do Mangue, 1906. - Fonte: memória viva – Rio de Janeiro 80
128 Cartão Postal do Canal do Mangue. - Fonte: André Costa 80
129 Canal do Mangue, 1919. - Fonte: Ana de Toledo 81
130 Esquema estimado da implantação no Canal do Mangue 81
131 Canal do Mangue ci. 1970, com algumas palmeiras remanescentes. - Fonte: LIMA,
Francisco Negrão de. Rio, Guanabara em nova dimensão: um balanço do Governo.
Governador do Rio de Janeiro (1965-1970) ed. Guavira Publicidade, 1971. 82
132 Canal do Mangue 2007, com árvores substituindo as antigas palmeiras. - Foto: Wilson
Moura 82
133 Canal do Mangue ci. 1970, foto aérea do canal demarcando a linha antes ocupada pelas
palmeiras. - Fonte: LIMA, Francisco Negrão de. Rio, Guanabara em nova dimensão: um
balanço do Governo. Governador do Rio de Janeiro (1965-1970) ed. Guavira 82
134 Museu Imperial, Petrópolis – RJ. Antiga residência de verão da família imperial.
Fonte: www.museuimperial.gov.br/fotos.htm 84
135 Museu Imperial, Petrópolis – RJ. Antiga residência de verão da família imperial.
Fonte: http://www.arquiteturahistorica.com.br/
84
136 Fazenda Quissamã, Quissamã – RJ. - Fonte: www.wikepedia.com 85
137 e 138 Fazenda Quissamã, Quissamã – RJ. - Fonte: www.wikepedia.com 86
139 Fazenda Mantiqüera - Quissamã – RJ. - Fonte: www.wikepedia.com 87
140 Fazenda Mantiqüera - Quissamã – RJ. - Fonte: www.wikepedia.com 87
141 Aléia de palmeiras imperiais em frente ao Palácio dos Príncipes, Joinville. Plantadas em
1873. - Foto: A. Drummond, 2007.
http://www.flickr.com/photos/30215281@N00/397585480 89
142 Aléia de palmeiras imperiais em frente ao Palácio dos Príncipes, Joinville. Plantadas em
1873. - Foto: Cláudio Calovi Pereira, 2008. 89
143 Vista aérea da Alameda Bürstlein. - Fonte: Google Earth 89
144 Esquema de distribuição das palmeiras em Joinville. 90
145 Palmenalle, Avenida das Palmeiras e atualmente Alameda Bürstlein.
Foto: acervo família Schroeder Joinville 90
146 Alameda Bürstlein, antiga Av. das Palmeiras. - Foto: cartão postal década de 70 90
147 Av. Duque de Caxias, antiga Av. das Palmeiras, foto do início do século.
Fonte: Prefeitura de Blumenau.
91
148 Palmenalle ou Av. das Palmeiras, foto do início do século. - Fonte: acervo Juliana Silva 91
149 Palácio da Liberdade e Praça da Liberdade na década de 1910, já com as palmeiras-
imperiais. - Fonte: cartão postal de Belo Horizonte, foto de E.Guerra
92
150 Praça e Palácio da Liberdade, ci. 1930. - Fonte: Museu Histórico Abílio Barreto 93
151 Praça e Palácio da Liberdade, 2007. - Fonte: foto Alessandra Szekut 93
152 Praça da Liberdade e prédios das secretarias que consolidam a esplanada cívica de Belo
Horizonte. - Fonte: http://www.circuitoliberdade.mg.gov.br/galeria/index.php 94
153 Esquema de distribuição das palmeiras-imperais na Praça da Liberdade, Belo Horizonte. 95
154 Vista aérea da Praça da Liberdade, Belo Horizonte. - Fonte: Google Earth 95
155 Rua das Palmeiras. Taubaté. Cartão postal, s.d., Taubaté, SP. Acervo do Museu Paulista da
Universidade de São Paulo.
96
156 Palmeiras-imperiais no largo da Matriz. Fotografia, ci. 1930, Lorena, SP. Acervo do Museu
Paulista da Universidade de São Paulo.
96
157 Avenida Ana Costa em 1922, vista da praia para o Centro, junto à Praça da
Independência.
Foto reproduzida do boletim empresarial Informativo Cerqueira, de novembro de 1978. 97
158 Avenida Ana Costa em 1950, justificando o apelido de Avenida das Palmeiras.
Foto: Poliantéia Santista, de Fernando Martins Lichti, vol. III, Gráfica Prodesan, Santos - SP,
1996. 97
159 Praça Balthazar de Bem, Cachoeira do Sul,
década de 20. Ao fundo a Igreja N. Sra.
Conceição ainda com sua fachada original em estilo colonial. Fonte: www.pratti.com.com 98
160 Praça Balthazar de Bem, Cachoeira do Sul, década de 50, já com as palmeiras-da-
Califórnia. Ao fundo a Prefeitura Municipal em estilo neoclássico. - Foto: Walter Teixeira 98
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.228
Figura Conteúdo - Fonte pág.
161 Esculturas de Guiseppe Gaudenzi na Praça Balthazar de Bem, Cachoeira do Sul.
Fonte: Autor, 2008. 99
162 Praça Balthazar de Bem, Cachoeira do Sul. - Fonte: Autor, 2008. 99
163 Praça Balthazar de Bem, Cachoeira do Sul, em 2007. Fonte:www.commons.wikimedia.org 99
164 Projeto de Le Corbusier para cidade universitária do Rio de Janeiro, Perspectiva.
Fonte: OEuvre Complète 1934-1938. 101
165 Detalhe da esplanada das dez mil palmeiras-imperiais.Fonte: OEuvre Complète 1934-1938 102
166 Projeto de Le Corbusier para cidade universitária do Rio de Janeiro, ao fundo a esplanada
das dez mil palmeiras e em primeiro plano um dos caminhos emoldurados por uma aléia de
palmeiras em disposição alternada (ziguezague). Fonte: OEuvre Complète 1934-1938. 102
167 Projeto de Le Corbusier para cidade universitária do Rio de Janeiro, Implantação.
Fonte: OEuvre Complète 1934-1938.
103
168 Projeto de Lúcio Costa para cidade universitária do Rio de Janeiro, Implantação.
Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995. 104
169 Perspectiva do projeto de Lúcio Costa para Cidade Universitária do Brasil, a ser realizada no
Rio de Janeiro. - Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995. 105
170 Perspectiva do projeto de Lúcio Costa para Cidade Universitária do Brasil, a ser realizada no
Rio de Janeiro. - Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995.
105
171 Perspectiva do projeto de Lúcio Costa para Cidade Universitária do Brasil, a ser realizada no
Rio de Janeiro. - Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995. 106
172 Perspectiva Geral do projeto de Lúcio Costa para Cidade Universitária do Brasil, a ser
realizada no Rio de Janeiro. - Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995.
106
173 Projeto de Le Corbusier para o MESP, Rio de Janeiro, fachada para a Rua da Imprensa.
Fonte: OEuvre Complète 1934-1938. 107
174 Projeto de Le Corbusier para o MESP, Rio de Janeiro, fachada para a Rua Araújo de Porto
Alegre. - Fonte: OEuvre Complète 1934-1938.
107
175 Projeto de Le Corbusier para o MESP, Rio de Janeiro, Perspectiva.
Fonte: OEuvre Complète 1934-1938. 107
176 Planta Baixa e Implantação do projeto de Le Corbusier para o MESP, Rio de Janeiro.
Fonte: OEuvre Complète 1934-1938. 108
177 Instituto Nacional de Puericultura de Oscar Niemeyer, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 180.
108
178 Instituto Nacional de Puericultura de Oscar Niemeyer, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 190.Figura: 160.
108
179 Instituto Nacional de Puericultura de Oscar Niemeyer, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 191. 109
180 Instituto Nacional de Puericultura de Oscar Niemeyer, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de En
genharia (PDF) p. 196. 109
181 Colégio Pedro II de Carlos Leão, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 208.
110
182 Colégio Pedro II de Carlos Leão, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 200. 110
183 Colégio Pedro II de Carlos Leão, 1937.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 201. 110
184 Rua dos Coqueiros. - Fonte: acervo particular de Augusto Carneiro 111
185 Rua 17 de Junho em 1914. - Fonte: BASTOS, 1997. 111
186 Rua dos Coqueiros no mapa Porto-alegrense de 1888. 112
187 Rua 17 de Junho no mapa Porto-alegrense de 1896. 112
188 Theatro São Pedro em 1910 com jerivás no passeio lateral
Fonte: Museu da Comunicação Social Hipólito José da Costa. 112
189 Mapa parcial de Porto Alegre, de 1935 com a marcação, pelo autor, das avenidas que
foram arborizadas com palmeiras-da-Califórnia, referentes ao primeiro plantio.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho. 114
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.229
Figura Conteúdo - Fonte pág.
190 Mapa parcial de Porto Alegre, de 2008. As avenidas que foram arborizadas com palmeiras-
da-Califórnia, referentes ao segundo plantio (1939-1943) estão com legendas indicando o
local. Enquanto as demais vias marcadas são referentes ao primeiro plantio de 1935. -
Fonte: www.maps.google.com 116
191 Alfred Donat Agache em frente ao seu plano de reformulação do Rio de Janeiro. s/d
Fonte: www.wikipedia.com
118
192 Anteprojeto de Ajardinamento do Campo da Redenção de Alfred Agache, em 08/12/1928. -
Fonte: mapoteca da SMOV 119
193 Jardins da Ponta do Calabouço, Remodelação do Rio de Janeiro por Alfred Agache.
Fonte: Revista Cruzeiro, 1928. 120
194 Plano Agache para a capital federal em 1928
Fonte: www.wikipedia.com
120
195 Material de divulgação da Exposição do Centenário Farroupilha. - Fonte: Arquitetura
Comemorativa: Exposição do Centenário Farroupilha 1935. Porto Alegre: UFRGS, Pro -
Reitoria de Extensão; Faculdade de Arquitetura, Gape, 1999. 84p.: il. 121
196 Material promocional publicado na Revista do Globo, 23/11/1935.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
122
197 Eng. Agrônomo Gastão de Almeida Santos, Técnico da Divisão de Parques e Jardins
responsável pelo ajardinamento da Exposição de 35. - Fonte: Aspectos Gerais de Porto
Alegre de Fortunato Pimentel 123
198 Recortes de jornal de 1935 do Correio do Povo ilustrando o engajamento da cidade para o
evento. - Fonte: Museu Hipólito da Costa
125
199 Arnaldo Gladosch, n a Reunião do Conselho do Plano. Fonte: Boletim Municipal, Porto
Alegre, ano I, v. II, n.3, out./nov./dez. 1939. (não paginado). 126
200 Prefeito Loureiro da Silva, na Reunião do Conselho do Plano. - Fonte: Boletim Municipal,
Porto Alegre, ano I, v. II, n.3, out./nov./dez. 1939. (não paginado). 126
201 Plano Gladosch (Estudo IV) - Fonte: Revista do Globo, 16/12/1939. 127
202, 203
e 204
As figuras acima ilustram a mudança da escolha do local onde ficaria o monumento à Bento
Gonçalves. Inicialmente faria parte da Ponte da Azenha, conforme as duas primeiras figuras
do projeto com data de 2 de junho de 1935. Posteriormente, a mesma equipe faz uma
versão adaptada ao Tridente proposto por Gladosch, cujo desenho data de 26 de fevereiro
de 1940. - Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho. 129
205 Croqui do conjunto do canal do Riacho e Avenidas Laterais (Retificação do Dilúvio e Avenida
Ipiranga). - Fonte: Fig. N. 48, Um Plano de Urbanização, 1943. Prefeitura Municipal de
Porto Alegre
130
206 Fotos do Presidente Getúlio Vargas inaugurando algumas obras pelo em Porto Alegre no dia
14/11/1940, entre elas a Av. Farrapos, a Av. 10 de Novembro, a Praça Piratini e o
prolongamento da AV. João Pessoa. - Fonte: Boletim Municipal de Porto Alegre, 1940.
131
207 Vista aérea da Hidráulica dos Moinhos de Vento já com a aléia de palmeiras plantadas junto
à Rua Dr. Vale. - Fonte: Boletim Municipal de Porto Alegre, 1939. 132
208 Gare de Vidro do Porto, Portal de Entrada para a cidade após o aterro. Foto: Autor, 2007. 134
209 Attilio Trebbi: projeto de ampliação e embelezamento da praça Mal. Deodoro e abertura de
uma avenida até o cais projetado (fonte: Relatório S.O.P. 1909).
135
210 Attilio Trebbi: projeto de ampliação e embelezamento da praça Mal. Deodoro e abertura de
uma avenida até o cais projetado (fonte: Relatório S.O.P. 1909). 136
211 Avenida Sepúlveda, início do século XX, antes da montagem da Gare de Vidro no Cais e
ainda com Acácias no canteiro central. - Fonte: Arquivo Histórico
Moysés Vellinho
137
212 Esquema das palmeiras e seus canteiros, ritmos de repetição em seu trecho inicial, próximo
à Av. Mauá. 1º esquema: somente canteiros, 2º esquema: somente as palmeiras e 3º
esquema: conjunto completo, canteiros, palmeiras e caixa de rolamento com passeio. 138
213 Corte Transversal Esquemático mostrando as palmeiras em comparação com as alturas dos
edifícios da Delegacia Fiscal e dos Correios e Telégrafos. Ao fundo, a projeção da Gare do
porto. 139
214 Corte Longitudinal Esquemático mostrando as palmeiras em comparação com as alturas dos
edifícios da Delegacia Fiscal e dos Correios e Telégrafos. Entre as palmeiras, os postes de
iluminação. 139
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.230
Figura Conteúdo - Fonte pág.
215 Avenida Sepúlveda junto ao MARGS, vista lateral mostrando o ritmo de repetição das
palmeiras. - Foto: Autor, 2008. 139
216 Praça da Alfândega, Avenida Sepúlveda, Gare de Vidro do porto e monumento eqüestre
do Gen. Osório. - Fonte: Projeto Monumenta.
140
217 Levantamento aerofotogramétrico de 1941 da Av. Sepúlveda ainda com os canteiros
originais que eram compostos por palmeiras-da-califórnia nas extremidades separadas por
um poste de iluminação. 141
218 Secretaria da Fazenda em sua configuração original, sem o acréscimo de dois pavimentos.
à esquerda, a Avenida Sepúlveda, ainda sem o obelisco comemorativo do Centenário
Farroupilha, mas já com as palmeiras-da-Califórnia plantadas.
Fonte: Revista do Globo 28-09-1935. 141
219 Canteiros em 1935 já com as palmeiras-da-Califórnia e um poste central. Ao fundo o
prédio da Alfândega antes de ser modificado. - Fonte: Projeto Monumenta 142
220 Colunata de palmeiras-da-Califórnia, o prédio dos Correios e Telégrafos e Secretaria da
Fazenda ao fundo. - Fonte: Autor, 2006. 142
221 Eixo configurado pela Gare do porto, o obelisco da Sociedade Portuguesa, o renque de
palmeiras-da-Califórnia e finalizando com a estátua eqüestre do Gen. Osório.
Fonte: Fototeca Sioma Breitman 143
222 Avenida Osvaldo Aranha ainda na década de 20, antes de receber as pistas de concreto e
as palmeiras. Percebe-se a ocupação do Bairro Bom Fim, mesmo que ainda de pequeno
porte. A pista central já era dedicada aos bondes. À direita, o então Campo da Várzea,
que se tornaria o Parque Farroupilha. - Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
145
223 Avenida Osvaldo Aranha em 1931. Detalhe do bonde elétrico e do cine Baltimore.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho. 145
224 Canteiro central da Av. Osvaldo Aranha na década de 1940, ainda com os trilhos do
bonde elétrico. - Fonte: Fototeca Sioma Breitman 146
225 Canteiro central da Av. Osvaldo Aranha em 2008, que agora comporta o “corredor de
ônibus” desde 1982. - Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
146
226 Avenida Osvaldo Aranha em 2008, foto a partir do Parque Farroupilha, ilustrando a
diversidade das alturas das edificações. - Fonte: Autor.
147
227 Esquema das palmeiras e seus canteiros, ritmos de repetição médios. 1º esquema:
somente canteiros com a marcação da modulação das palmeiras no canteiro esquerdo e
dos jacarandás no canteiro direito, ilustrando a distribuição intercalada das espécies. No
2º esquema: conjunto completo, canteiros, palmeiras e caixa de rolamento com passeio. 148
228 Corte longitudinal esquemático mostrando a distribuição intercalada de palmeiras-da-
Califórnia e Jacarandás. Nota-se o efeito de embasamento promovido pelos Jacarandás
que cobrem aproximadamente 1/4 da altura das palmeiras. 149
229 Corte transversal esquemático mostra a distribuição da vegetação quanto ao perfil da
avenida. Os jacarandás formam uma base também neste sentido. Ao centro, como era a
configuração original com os bondes circulando pela via central.
149
230 Croqui volumétrico revelando o efeito de “cortina” diáfana que regulariza as alturas
discordantes da frontaria da Av. Osvaldo Aranha. 150
231 e 232 Avenida Osvaldo Aranha em 2008. Ambas as imagens mostram o contraste entre a
verticalidade do lado edificado em contraste com o Parque Farroupilha, com sua
vegetação compacta e uniforme junto à avenida. - Fonte: Autor. 150
233 Av. Independência esquina Santo Antônio, setor da avenida que apresentava os canteiros
curtos, dispostos de modo ritmado. - Fonte: Fototeca Sioma Breitman, sem data. 152
234 Av. Independência no trecho imediato à Av. Gen. João Telles, onde há uma inflexão da
via. À esquerda o canteiro central mais estreito e curto, e à direita, o canteiro central mais
largo e longo.
Fonte: Levantamento aerofotogramétrico de Porto Alegre, 1941.
152
235 Montagem do levantamento aerofotogramétrico de 1941 mostrando parcialmente a Av.
Independência. Indicados os canteiros menores, o ponto de inflexão da via e os canteiros
com palmeiras-da-Califórnia. 153
236 Corte longitudinal esquemático mostra a distribuição uniforme da vegetação quanto ao
perfil da avenida, sendo o ritmo de espaçamento praticamente igual ao ritmo de
repetição dos espécimes. 154
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.231
Figura Conteúdo - Fonte pág.
237 Corte transversal esquemático mostra a distribuição da vegetação quanto ao perfil da avenida. A
linha de palmeiras-da-Califórnia ocupa o canteiro central, enquanto que ligustros e álamos
arborizam os passeios. 154
238 Av. Independência mantém seu corredor central no trecho mais largo a partir da esq. com a Rua
Gen. João Telles até a Av. Ramiro Barcelos, onde finda. - Fonte: Autor, 2008.
155
239 A linha sólida sobre a Av. Independência no mapa, indica o setor melhor preservado e o tracejado
representa o local onde foi alterada a seqüência original tanto em afastamento como pelo uso de
outras espécies. 156
240 Avenida Independência e a presença de espécies diferentes da palmeira-da-Califórnia original.
Foto: Autor, 2008. 156
241 Setor com falhas na seqüência original da linha de palmeiras-da-Califórnia. - Foto: Autor, 2008. 156
242 Vista da seqüência de palmeiras-da-Califórnia mais bem preservada da Av. Independência, onde é
nítido seu potencial ordenador do espaço. - Foto: Autor, 2008
157
243 Vista aérea do eixo da Av. Independência, com sua fileira de palmeiras no canteiro central e a
arborização de menor porte nos passeios. - Foto: Autor, 2008. 157
244 Arraial do Menino Deus: foto da primeira Capela do Menino Deus (1853-1904), detalhe para o
bonde de tração animal e os trilhos no eixo da via. - Fonte: Correio do Povo, 26/11/1978, p.20. 158
245 Ponte de Ferro sobre o riacho ainda não retificado. - Fonte: Cia. Carris Porto-alegrense. 159
246 Ponte de Ferro ou ponte 13 de Maio. - Fonte: Cia. Carris Porto-alegrense. 159
247 Ponte de Ferro na então Rua 13 de Maio, ainda sem os canteiros centrais, mas já com a via
pavimentada e arborizada. - Fonte: Cia. Carris Porto-alegrense. 159
248 Avenida Getúlio Vargas na década de 30: Observa-se que inicialmente, o canteiro central tinha as
palmeiras em seus extremos separadas por uma árvore de porte avantajado. Posteriormente, estas
árvores são removidas. - Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho. 160
249 Avenida Getúlio Vargas na década de 40, com a segunda versão da igreja. Agora, os canteiros
centrais são arborizados somente por palmeiras. - Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho 161
250 Mapa de Porto Alegre de1935: A linha preta mais grossa marca a Av. Getúlio Vargas ainda com a
ponte em seu início e sua extensão até a Igreja do Menino Deus. - Fonte: mapa de Porto Alegre de
1935
162
251 Esquema das palmeiras e seus canteiros, ritmos de repetição no trecho próximo à ponte de ferro.
1º esquema: somente canteiros, 2º esquema: somente as palmeiras e 3º esquema: conjunto
completo, canteiros, palmeiras e caixa de rolamento com passeio. 163
252 Esquema das palmeiras e seus canteiros, ritmos de repetição no trecho próximo à Igreja do Menino
Deus. 1º esquema: somente canteiros, 2º esquema: somente as palmeiras e 3º esquema: conjunto
completo, canteiros, palmeiras e caixa de rolamento com passeio. 164
253 Corte longitudinal esquemático, mostra a distribuição da vegetação quanto ao perfil da avenida.
A diferença de afastamento entre o módulo do canteiro e o vão entre as árvores é praticamente
imperceptível ao observador, principalmente junto ao extremo sul da via. 165
254 Com a vegetação em idade adulta, as diferentes alturas reforçam a ordem proposta pelo eixo de
palmeiras.
165
255 Perfil da Avenida Getúlio Vargas elevado junto ao Arroio Dilúvio retificado, fato que quebrou a
perspectiva integral existente anteriormente.
Fonte: Fig. N. 51, Um Plano de Urbanização, 1943. Prefeitura Municipal de Porto Alegre 166
256 Nova ponte da Av. Getúlio Vargas sobre o arroio retificado (foto de 1950).
Fonte: Lume, Museu Universitário da UFRGS. 166
257 Av. Getúlio Vargas em 2006, a continuidade da linha de palmeiras ameniza a irregularidade
volumétrica do tecido urbano atual. - Foto: Autor, 2006. 167
258 Exemplo de falha na seqüência das palmeiras, descaracterização da ordenação volumétrica
promovida pelo conjunto originalmente proposto. - Foto: Autor, 2006.
16
7
259 Av. Getúlio Vargas com os canteiros centrais antes de terem sido unificados. O trecho mais
próximo à igreja mostra certa regularidade quanto a extensão destes canteiros.
Fonte: Levantamento aerofotogramétrico de Porto Alegre, 1941. 168
260 Av. Getúlio Vargas com os canteiros centrais antes de terem sido unificados. O trecho próximo à
Av. Bastian mostra os canteiros com extensão bastante irregular.
Fonte: Levantamento aerofotogramétrico de Porto Alegre, 1941. 168
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.232
Figura Conteúdo - Fonte pág.
261 Mapa parcial de Porto Alegre de 1888 com a indicação da Rua da Azenha. - Fonte: IHGRGS 169
262 Mapa parcial de Porto Alegre em 1932, com a indicação da Avenida João Pessoa e a previsão de
seu prolongamento até a Av. Bento Gonçalves. Também aparece a retificação do Arroio Dilúvio a
partir da então Av. Treze de Maio (atual Av. Getúlio Vargas) até o Guaíba. 170
263 Tridente e a Feira de Exposições. - Fonte: Um plano de urbanização, 1943. 171
264 Maquete da Feira Permanente de Amostras, no final da Rua Santana.
Fonte: Um plano de urbanização, 1943.
172
265 Projeto da Praça Piratini, assinado por Gelbert e desenho por Bellanca. Aqui o Tridente da João
Pessoa revela o uso de uma estratégia do urbanismo barroco na criação de pontos focais.
Fonte: Um plano de urbanização, Porto Alegre Ed. Globo, 1943. 173
266 Projeto da Praça Piratini e o local para o monumento à Bento Gonçalves, datado de 26/02/1940.
Assina o projeto o arq. Gelbert. - Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho 174
267 e
268
Projeto do novo pedestal para o Monumento à Bento Gonçalves, datado de 26-02-1940.
Assina o projeto o arq. Gelbert. - Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho 174
269 Projeto da Ponte da Azenha, assinado por Francisco Bellanca e Chistiano de la Paix Gelbert, em
08/06/1934, já mostrando como se configuraria a retificação do arroio. Deve ser observado o
detalhe dos cavaleiros nas extremidades da ponte. - Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho
175
270 Projeto da Ponte da Azenha que foi proposto para a Exposição de 1935, com o monumento a
Bento Gonçalves ao centro da Av. da Azenha e os quatro lanceiros nas extremidades da ponte.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho
175
271 Maquete elaborada por Caringi para o projeto da Ponte da Azenha a ser construída para o
Centenário da Revolução Farroupilha. Detalhe para os quatro lanceiros, cada qual em uma quina e
ao centro da via, o monumento eqüestre ao Gen. Bento Gonçalves.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho. 176
272 Monumento à Bento Gonçalves na Praça Piratini à frente de uma dupla fileira de palmeiras-da-
Califórnia, que virtualmente bloqueiam a perspectiva e incrementam o direcionamento focal no
conjunto. - Foto: Autor, 2006. 177
273 Praça Piratini no dia de sua inauguração pelo presidente Getúlio Vargas em 05/11/1940. A
imagem captada no vértice do Tridente da Av. João Pessoa mostra o monumento já relocado, e
fazia parte de um amplo conjunto de obras que o Presidente Getúlio Vargas inaugurou nesta
festiva data da cidade. Fonte: Um plano de urbanização, 1943. 178
274 À esquerda a Ponte da João Pessoa em 1950. - Fonte: Lume, Museu da UFRGS. 178
275 Esquema do posicionamento das palmeiras, afastamentos, dimensões médias, ritmos de repetição.
1º esquema: módulos intercalados, 2º esquema: medidas médias de um trecho ideal. 179
276 Corte longitudinal esquemático mostra a distribuição da vegetação quanto ao perfil da avenida. 180
277 Corte transversal esquemático com a o monumento eqüestre do Gen. Bento Gonçalves. 180
278 Palmeiras dispostas de modo intercalado. - Foto: Autor, 2008.
180
279 Sistema de foco absoluto promovido pela dupla colunata de palmeiras. - Foto: Autor, 2008. 180
280 Em primeiro plano o monumento eqüestre ao Gen. Bento Gonçalves, ao fundo e a esquerda, as
palmeiras da Av. Piratini e o Colégio Júlio de Castilhos. As palmeiras da Av. João Pessoa (a direita)
em conjunto com as da Av. Piratini. - Foto: Autor, 2008. 181
281 Esquema do posicionamento das palmeiras, afastamentos, dimensões médias, ritmos de repetição.
1º esquema: linha de palmeiras, somente o tronco, 2º esquema: mostrando com a copa.
182
282 Acima a Ponte da Av. João Pessoa ainda em projeto, desenho de Francisco Bellanca.
Fonte: Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
182
283 Avenida Protásio Alves esq. Av. Palmeira no sentido centro. À esquerda, nota-se o canteiro, que
era o meio-fio do lado par até a implantação do “corredor de ônibus” na década de 80. Foto:
autor, 2008. 18
4
284 Bonde elétrico da Cia. Carris, linha Petrópolis, na Avenida Protásio Alves próximo à Avenida
Carazinho. - Fonte: Um Plano de Urbanização, 1943. Prefeitura Municipal de Porto Alegre 185
285 Avenida Protásio Alves esq. Amélia Telles fotografada no sentido do centro, palmeiras intercaladas
com jacarandás nas duas calçadas. - Fonte: Revista do Globo, 16/09/1939. 186
286 Avenida Protásio Alves esq. Palmeira sentido centro, à esquerda o que atualmente é um canteiro,
era o meio-fio do lado par até a implantação do “corredor de ônibus” na década de 80.
Foto: autor, 2008. 186
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.233
Figura Conteúdo - Fonte pág.
287 Avenida Protásio Alves esq. Vicente da Fontoura fotografada no sentido do bairro, observa-se
palmeiras intercaladas com jacarandá nas duas calçadas.
Fonte: Um Plano de Urbanização, 1943. Prefeitura Municipal de Porto Alegre
187
288 Av. Protásio Alves entre as Ruas Vicente da Fontoura e Lucas de Oliveira no levantamento
aerofotogramétrico, 1941. Detalhe do setor onde começa a arborização com palmeiras
intercaladas por jacarandás ao longo da calçada da Av. Protásio Alves.
187
289 Esquema do posicionamento das palmeiras, afastamentos, dimensões médias, ritmos de repetição.
1º esquema: módulos intercalados, 2º esquema: medidas médias de um trecho ideal. 188
290 Corte longitudinal esquemático mostrando a distribuição intercalada de palmeiras-da-Califórnia e
Jacarandás. Nota-se o efeito de embasamento promovido pelos Jacarandás que cobrem
aproximadamente 1/2 da altura das palmeiras.
189
291 Corte transversal esquemático mostra a distribuição da vegetação quanto ao perfil da avenida.
Os jacarandás formam uma base também neste sentido. 189
292 Desenho da fachada do Palazzo dei Conservatori (Michelangelo), no Campidoglio, Roma.
Entre as ordens colossais, de dois pavimentos, encontram-se colunas menores na galeria térrea.
190
293 Campidógio de Michelangelo, Roma. - Foto: autor, 1994. 190
294 Colégio Paula Soares, Porto Alegre. - Foto: autor, 2007. 190
295 Bronze comemorativo ao centenário da Revolução Farroupilha, 1935. - Foto: autor, 2009. 192
296 Bronze comemorativo ao centenário da Revolução Farroupilha, 1935 e ao fundo uma aléia de
palmeiras-da-Califórnia enfatizam o eixo focal. - Foto: autor, 2009.
192
297 Planta da Praça Inácio Antônio da Silva, que ilustra a disposição da aléia de palmeiras-da-Califórnia
que se localiza no eixo entre a igreja e a escola. 193
298 Eixo da Aléia de Palmeiras a partir da escola. Ao fundo o monumento e a Igreja de Belém Novo.
Foto: autor, 2009. 193
299 Traçado original do Riacho, ou Dilúvio. O Campo da Redenção se estendia até a atual a Av.
Venâncio Aires que é um dos limites da Praça Garibaldi. - Fonte: mapa de Porto Alegre de 1896. 194
300 Praça Garibaldi já configurada. O projeto do Parque Farroupilha ainda é o anterior da proposta de
Agache. - Fonte: mapa de Porto Alegre de 1927.
194
301 Ampliação de figura anterior (296), mostrando a Praça Garibaldi. 195
302 Monumento à Guiseppe Garibaldi, presenteado pela Colônia Italiana em 1913. Foto: Autor, 2008. 195
303 Praça Garibaldi registrada no levantamento aerofotogramétrico de 1941, com palmeiras-da-
Califórnia ao longo das ruas Venâncio Aires e José do Patrocínio, assim como nos caminhos em
“X”. Cabe lembrar que a grande maioria das fotos que geraram este levantamento foram feitas
em 1939, antes da retificação do Arroio Dilúvio. 196
304 Monumento à Guiseppe Garibaldi, ao fundo, nota-se uma das quatro aléias de palmeiras.
Foto: autor, 2008.
197
305 Aléia de palmeiras da Praça Garibaldi em 2008. A vegetação de grande porte invade o “corredor”
e impede a vista da perspectiva de palmeiras. - Foto: autor, 2008. 197
306 Foto aérea da Hidráulica dos Moinhos de Vento em 1939, já com a aléia de palmeiras plantadas.
Fonte: Revista do Globo, 16/09/1939. 198
307 Esquema de distribuição das palmeiras com as medidas médias do afastamento entre as plantas. 199
308 Esquema de distribuição das palmeiras, o par em paralelo formando um pórtico seguidas pela
disposição em ziguezague. Os renques de palmeiras se encontram em um patamar elevado em
relação ao passeio e aos tanques, sendo limitados por um muro vazado com a Rua Dr. Valle e por
um talude gramado junto aos tanques. 199
309 Corte esquemático transversal à via, mostra que as palmeiras estão em um patamar elevado em
relação à rua e aos tanques, formando uma cortina vegetal entre o tecido urbano residencial e o
equipamento público. 199
310 Vista da aléia de palmeiras a partir do pátio da hidráulica. O cadência da distribuição associada a
uniformidade das copas formam um transição harmoniosa entre o tecido urbano e a extensa área
plana dos tanques. - Foto: autor, 2009.
200
311 Detalhe da 1.a fila com as palmeiras lado a lado. - Foto: autor, 2009. 200
312 Detalhe da disposição em ziguezague. - Foto: autor, 2009. 200
313 O ritmo e a altura uniforme da colunata de palmeiras é um verdadeiro filtro que absorve a
irregularidade do tecido urbano. - Foto: autor, 2009.
20
1
314 Planta Baixa do Recanto Europeu, com as palmeiras dispostas de forma radial. 202
Colunatas vegetais - Palmeiras e a cenografia urbana em Porto Alegre pg.234
Figura Conteúdo - Fonte pág.
315 Planta Baixa do Recanto Solar, com as palmeiras dispostas aos pares atrás dos pontos cardeais. 202
316 Levantamento Aerofotogramétrico do Parque Farroupilha, 1982, com a indicação dos Recantos
Solar e Europeu. Ambos fazem uso da palmeira-da-Califórnia em seu paisagismo. 203
317 Formação circular, Recanto Europeu, palmeiras conformando o circulo em torno da fonte.
Fonte: autor, 2006. 204
318 Recanto Solar com as palmeiras ao fundo do ponto cardeal. - Fonte: autor, 2006. 204
319 Detalhe da antiga fonte da Praça Parobé e as palmeiras ao fundo. - Fonte: autor, 2006. 204
Lista de imagens do anexo
Figura Conteúdo - Fonte pág.
A1 Formação colunata simples paralela, JBRJ. - Foto: autor, 2008. 207
A2 Formação colunata dupla paralela, JBRJ. - Foto: autor, 2008. 207
A3 Colunas duplas em cada margem do Canal do Mangue, RJ em 1922. - Foto: André Costa 208
A4 Colunata dupla de palmeiras em paralelo (aléia) Palácio do Catete, RJ. 208
A5 Colunata dupla alternada de palmeiras, Avenida João Pessoa, Porto Alegre. - Fotos: autor, 2008. 208
A6 Colunata dupla em paralelo, Palácio do Itamaraty, RJ. 208
A7 Colunta dupla alternada (ziguezague). Hidráulica dos Moinhos de Vento, Porto Alegre. 208
A8 Formação circular, Recanto Europeu, palmeiras conformando o circulo em torno da fonte.
Fonte: autor, 2006. 209
A9 Catedral de Bagé – RS. - Formação tipo pórtico ou portal. 209
A10 Sociedade Espanhola, Bagé – RS. - Fotos: autor, 2007. 209
A11 Exemplo de colunata em malha, MAM – RJ. - Foto: autor, 2008. 210
A12 Exemplo de colunata em malha, MAM – RJ. - Fonte: Google Earth, 2008. 210
A13 Aléia Barbosa Rodrigues, JBRJ. - Foto: autor, 2008. 211
A14 Palmenalle, atual Rua Duque de Caxias, Blumenau-SC. Fonte: site da prefeitura de Blumenau
< http://www.blumenau.sc.gov.br> 212
A15 Palácio Itamaraty, pátio interno. - Foto: autor, 2008. 212
A16 Avenida Piratini, Porto Alegre. - Foto: autor, 2008. 213
A17 Avenida Sepúlveda, Porto Alegre. - Foto: autor, 2008. 213
A19 Instituto Nacional de Puericultura do Rio de Janeiro
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 191.
214
A18 Hidráulica dos Moinhos de Vento, Porto Alegre. - Foto: autor, 2008. 214
A20 Instituto Nacional de Puericultura do Rio de Janeiro.
Fonte: Revista da Diretoria de Engenharia (PDF) p. 191. 215
A21 Praça Jaime Telles. - Foto: autor, 2008. 215
A22 Avenida Protásio Alves. - Foto: autor, 2008. 216
A23 Avenida Osvaldo Aranha. Foto: autor, 2008. 216
A24 Cidade Universitária do Brasil, Projeto de Lúcio Costa.
Fonte: Lucio Costa: Registro de uma vivência. 1995.
217
A25 Catedral de Bagé – RS. - Foto: autor, 2007. 217
A26 Shopping DC Navegantes, Porto Alegre. - Foto: autor, 2007. 218
Capa Monumento à Bento Gonçalves, Tridente das Avenidas Piratini, João Pessoa e da Azenha.
Foto: autor, 2006. capa
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