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que está em sua cabeça (Os dois palhaços estão dividindo com o público sua confusão, o que,
aliás, acontecerá por todo o número, por parte de ambos; dão assim aos artistas a
possibilidade de quebrarem a 4ª parede e possibilitarem o sincronismo das gags, uma vez que
terão como perceber um ao outro pelo olhar periférico)
O empregado aproveita e pega um chapéu para si também, só que agora formando a
imagem inversa, pois o patrão tirou o chapéu. O patrão estranha e olha o chapéu em sua mão. O
empregado aproveita e retira o seu. O patrão olha, se conforma e ri para o público. O servente
copia (mas sempre um pouco mais exagerado e estúpido). O patrão com elegância coloca o
chapéu em sua cabeça com um malabarismo e bate palma; mesmo um pouco atrasado o criado
copia. Depois o bêbado joga o chapéu pra cima, porém não consegue pegar o chapéu; e o criado
ao contrario apanha o chapéu no ar coloca em sua cabeça e bate palma. Quando vê que o patrão
deixou o chapéu no chão, o servente atira o seu também.
O patrão senta-se e provoca mais uma correria no criado pra pegar o seu banco e chegar
sincrônico ao tempo do patrão se virar para o espelho. Os dois se olham, o bêbado se estranha
um pouco, mas se aprova tossindo e cruzando as pernas, o que é repetido pelo mordomo. O
bêbado troca de pernas e começa a balançar o pé no ritmo da música. O mordomo acompanha a
troca, porem balança os pés num ritmo bem mais acelerado, pois está empolgado com o fato de
estar conseguindo ludibriar o patrão. O patrão percebe a falta de sincronismo nos ritmos.
Interrompe o movimento dos seus pés e compara com os do criado. Enquanto comenta com o
público mais um estranhamento, o criado percebe a gafe e se interrompe também. O bêbado ri
de si mesmo como se estivesse tendo alucinações. Logo o criado não só começa a rir também,
como gargalha e se excede. Dessa vêz o bêbado flagra sua imagem se movimentando
independentemente.
O patrão, estranhando, se aproxima do espelho para reparar-se melhor. O criado
também se aproxima. Ambos tocam seus rostos com a mão que esta próxima ao espelho. O
bêbado quer conferir se aquele rosto que ele está vendo é mesmo o seu. Percebendo que está
suado, vira-se para o público, coloca a mão em seu bolso e pega um lenço e enxugando seu
rosto vira-se novamente para o espelho. Do outro lado o criado tentando adivinhar os
movimentos do patrão, consegue a tempo pegar um lenço e sincronizam com os lenços
enxugando o suor. O patrão joga seu lenço pra traz com um pequeno grito grave. O mordomo,
paspalho, mais uma vez, empolgado com sua farsa, joga o lenço pra frente com um grito agudo.
Enquanto o patrão se abaixa pra pegar a cachaça e dar mais um gole, o mordomo notando a
falha corre para pegar o lenço. Quando volta correndo para o banco acaba tombando para traz.
O patrão olha para o público estranhando o barulho e olha pra traz, porém pelo lado oposto ao
espelho, dando tempo para o mordomo sentar-se no banco e esperar o patrão voltar para o
espelho.
O patrão se levanta e sente falta do chapéu indo buscá-lo. O criado faz o mesmo. O
bêbado olhando sua imagem vê o chapéu muito à frente da cabeça, cobrindo seus olhos. Como o
seu chapéu já estava numa boa posição em sua cabeça, o patrão termina ajeitando o chapéu
muito atrás, fazendo-o cair da cabeça. Ébrio, o patrão fica a procurar desequilibrado pelo palco.
O criado passa por dentro do espelho e pega o chapéu. Retira o seu, e passando-se agora por
criado, no lado oposto do espelho, toca nos ombros do patrão e entrega-lhe o chapéu. O patrão
percebendo que seu criado estava usando um casaco igual ao seu, corre para frente do espelho.
O chapéu cai novamente na sua frente, e ao abaixar-se pra pegar, observa que sua imagem fica
parada em pé. O criado abaixa-se pra igualar-se com o patrão, porém o patrão levanta-se pra
igualar-se com a imagem. Assim ficam dessincronizados mais umas três ou quatro vezes. O
bêbado para e comenta com o público que o mundo está girando e coloca mais uma vez a mão
em seu bolso. Dessa vez tira uma cigarreira. Abre e retira um dos quatro cigarros que ali estão,
mas não a guarda, fica a exibir-se socando o fumo, batendo o cigarro em sua perna com a
cigarreira na outra mão. É a chance que o criado aproveita pra lhe tirar um cigarro também, pois
desesperado estava pedindo cigarro a alguém do público. O patrão guarda a cigarreira e já retira
um isqueiro. O criado mais uma vez pede ao público uma solução.
O patrão está desequilibrado, e correndo atrás da chama do isqueiro termina parando na frente
do espelho. O criado obrigado a retornar ao espelho, consegue acender seu cigarro na mesma
chama junto ao seu patrão executando seu papel de imagem.