
GRAD, Guilherme Freitas. Arte Pública e paisagem urbana de Florianópolis, SC, Brasil. Dissertação
de Mestrado. Florianópolis: PGAU-CIDADE – UFSC, 2007.
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procurar uma atitude de trânsito de afetos do que a produção de
sentidos que reafirmem sua linguagem. Isto significa a instalação de
um processo de devires, de atitudes pautadas no diálogo e na troca
de experiências, ou seja, o tempo não é sentido dentro da lógica de
um envio imediato e direto do artista ao público, mas sim
reconhecendo que o tempo é múltiplo e dependente do desejo de
cada um em participar. Em sua forma complexa, o tempo da
experiência artística passa a ser relativo a intensidade de como é
vivenciado por cada um. Ou seja, para que uma proposta de arte
relacional em sua forma complexa ganhe legitimidade junto ao
contexto social que está inserido, o artista deve se predispor a
conviver, a dilatar o tempo da experiência artística até o ponto em
que consiga instalar processos de representatividade dentro daquele
contexto.” (KINCELER, 2006).
Espaços de relações nas dimensões culturais, políticas e sociais – espaços de
territorialidades:
“(...) um espaço permeado por sistemas de relações, as quais o
constroem, produzindo cultura. Constituem-se mais como
dimensões sociais, culturais, políticas: um espaço de relações, um
espaço de encontros. Portanto, mais do que espaço-físico, trata-se
de espaço-tempo, fruto de uma memória corporificada e uma
potência de futuro: a territorialidade acontece sempre no presente,
sempre na sua ação constitutiva.” (MOASSAB, 2006).
Espaço de relações e, por conseguinte, de disputa de poder. Desta maneira,
algumas manifestações artísticas vão, em seu discurso, subverter a estrutura de
poder, com uma constante resistência, como uma máquina de guerra, construindo
territorialidades urbanas. A partir daí, grupelhos
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dos mais diversos aparecem na
cidade e se apropriam da mesma (GUATTARI, 1981).
Uma ação sem hierarquia, mas que se assemelha mais a um rizoma (DELEUZE,
1997) – uma estrutura não-arbórea e não-hierárquica, onde cada grupo tem suas
singularidades, mas fazem parte de um todo. Uma multiplicidade de singularidades
espalhando-se pela cidade.
A Arte Pública, ao ser considerada um campo expandido das artes, se faz de um
meio para agenciar um pensar coletivo; para encontrar linhas de força e
possibilidades de fuga em um mundo regido pela individualidade e com espaços
cada vez mais fragmentados.
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O conceito de grupelhos é mencionado no texto do Fragmento 00 (Platô 00), e também abordado
no texto do Fragmento 03 (Platô 01).