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combinações dos tipos de discurso e das formas de seqüências são de número ilimitado
e podem ocorrer até dentro de um mesmo gênero, o que por conseguinte impede que se
façam uma definição e uma classificação dos gêneros tomando por base as
características lingüísticas neles observáveis. (Cf. Bronckart, 1996/1999, p.256). Para
tornar mais transparente a terminologia e os conceitos defendidos por Bronckart faço
uma citação integral que, embora seja longa, é esclarecedora e confirma os parágrafos
anteriores:
Os tipos de discurso são formas de organização lingüística, em
número limitado, com os quais são compostos, em diferentes modalidades os
gêneros textuais.
Um mesmo tipo de discurso pode, portanto, aparecer como elemento
constitutivo de numerosos gêneros diferentes. A narração, por exemplo,
aparece, geralmente, como tipo principal nos gêneros romance, novela,
conto, [...] mas também pode aparecer como tipo menor nos gêneros
enciclopédia, manual, [...] o discurso interativo, por sua vez, aparece, como
tipo principal nos gêneros conversação, entrevista, peça de teatro, etc. mas
aparece também freqüentemente, como tipo secundário nos gêneros
romance, conto, novela, etc.
Esses tipos de discurso são identificáveis, inicialmente, em superfície,
como tipos lingüísticos, que são definidos pelas configurações de unidades
específicas que neles podem aparecer [...]
As seqüências são essas formas de planificação convencional, também
em número restrito, que podem ser observadas no interior de um tipo de
discurso. [...] organizam uma parte ou a totalidade dos enunciados que
pertencem a um tipo [...]
As seqüências narrativas só aparecem nos relatos interativos e nas
narrações; as seqüências explicativas, argumentativas e injuntivas só nos
discursos teóricos e nos discursos interativos monologados; as seqüências
dialogais, enfim, só nos discursos interativos dialogados... (BRONCKART,
1996/1999, p. 250-252)
Para esclarecer e ampliar essa discussão sobre gêneros que é tão extensa, atual
e urgente, trago a fala de um conceituado pesquisador brasileiro, Marcuschi (2005),
que embora não tendo total equivalência aos princípios teóricos de Bronckart, sente-se
defensor
9
de uma posição semelhante que distingue gêneros de “tipos textuais”
10
(a) Usamos a expressão tipo textual para designar uma espécie de seqüência
teoricamente definida pela natureza lingüística de sua composição (aspectos
lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas). Em geral, os tipos
9
O próprio autor cita Bronckart, entre outros autores/pesquisadores, incluindo a si próprio, como defensores de
um entendimento sobre conceito de gênero semelhante. (Marcuschi, 2005, p. 22).
10
O que Marcuschi chama de “tipos textuais” Bronckart entende como tipos de seqüência
(Bronckart,1996/1999, p. 217-232)