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que vem acontecendo nas salas de aulas, que corrobora um “currículo de turista”
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,
destinadas apenas em traduzir uma série de lições ou unidades isoladas, destinadas
a um breve contato com estas realidades, como um desencargo de consciência.
Santomé (1998, p. 150) ratifica a afirmação, ao mencionar que a educação
democrática e não excludente,
[...] não é aquela que trabalha com conteúdos culturais fragmentado,
que representam apenas a história, tradições, produtos e vozes dos
grupos sociais hegemônicos (em geral, a denominada cultura
européia, que representa os interesses e valores dos grupos sociais
com poder econômico, social, político, militar e religioso). Ao
contrário, uma educação antimarginalizadora tem de ser planejada e
desenvolvida com base na revisão e reconstrução do conhecimento
de todos e cada um dos grupos e culturas do mundo.
Diante dos conhecimentos prévios dos nossos alunos, seus conceitos,
experiências de vida, concepções de vida, seus preconceitos, devem ser tomados
como ponto de partida para o trabalho de antimarginalização. Com esses
conhecimentos, assimilados praticamente de maneira passiva, deve-se ser
comparado à crítica, ao diálogo, construído e reconstruído democraticamente, a
considerar as perspectivas de classe social, gênero, sexualidade, etnia e
nacionalidade.
Nas instituições escolares nas quais existem filtros para selecionar
apenas determinadas aspectos da realidade, para evitar qualquer
informação ou situação social problemática, contribuem para excluir
ou negar essas realidades e, em conseqüência, para não ajudar
meninos e meninas a compreenderem o mundo que os rodeia,
objetivo prioritário, segundo todos os discursos de intenções tanto da
Administração educacional como do próprio corpo docente. Doutrinar
é impedir o surgimento de determinadas realidades que possam
transformar-se em objeto de análise e reflexão (SANTOMÉ, 1998, p.
151).
Para a construção de um currículo antidiscriminatório é necessário à
reconstrução da história e da cultura dos povos minoritários. Para tal, é preciso
promover debates sobre as interpretações conflituosas do presente, identificar suas
próprias posições, interesses, ideologias e pressuposições. Compreender também
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Segundo Santomé (1998), trata-se de um currículo no qual a informação sobre as comunidades
silenciadas, marginalizadas, oprimidas, ou seja, sem poder, é apresentada de maneira deformada,
com superficialidade, centrada em episódios descontextualizados. São propostas de trabalho isoladas
da programação oficial, alheias dos recursos didáticos mais usados, como o caso dos livros-texto.