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Nesse sentido, não podemos dizer que um indivíduo já está letrado ou é
iletrado. Falamos, portanto, em níveis de Letramento, ou seja, um indivíduo que
frequentou a escola, que lê jornais, revistas, romances, escreve cartas, e-mails,
tem um alto grau de Letramento, mas sempre estará nesse processo de aquisição
e aumento do nível de Letramento. De outro modo, outro que sabe ler e escrever,
mas não utiliza essa tecnologia em sua vida cotidiana, tendo dificuldades de ler
um simples bilhete, tem um baixo grau de letramento. Portanto, a alfabetização
não garante o Letramento. Segundo Soares (2006), o ideal seria “alfabetizar
letrando”, ou seja, ensinar a tecnologia da escrita, por meio de práticas sociais de
leitura e escrita, utilizando, por exemplo, jornais, revistas, poemas, cartas, e não,
simplesmente, textos artificiais produzidos para esse fim, ou seja, textos que não
são gêneros textuais, pois não circulam socialmente.
Mas como sabermos se alguém é Letrado, ou tem um bom grau de
Letramento, ou se é apenas alfabetizado? Alguns países tomam como base os
anos de escolaridade de seus aprendentes. Soares (op.cit.) diz que quatro ou
cinco anos de escolarização, para alguns países, é a condição para dizer que o
indivíduo é Letrado. Entretanto, sabemos que, no Brasil, as provas oficiais como
SAEB e ENEM têm mostrado que mesmo estudantes com 5, 6 ou até 10 anos de
escolarização, ainda enfrentam grandes dificuldades na compreensão e produção
de textos de gêneros diversos, portanto, a escola alfabetizou, mas não
proporcionou o desenvolvimento do nível de letramento desses aprendentes.
Dessa forma, a escola precisa criar condições para o Letramento de seus
estudantes. Para isso, é necessário uma mudança de postura desde a
alfabetização até o último ano do ensino médio. A escola precisa organizar-se, em
longo prazo, para proporcionar aos seus aprendentes o contato e o aprendizado,
durante toda sua escolaridade, com os mais variados e diversificados gêneros,
tipos e suportes textuais. Em outras palavras, desde a Educação Infantil até o
Ensino Médio, a escola precisa eleger os gêneros que serão estudados em cada
nível para que, ao final da sua escolarização, tenha havido contato com o maior
número possível de textos reais, que estão na sociedade, tanto para a leitura
quanto para a escrita, desde um bilhete, ou uma ficha, até uma monografia e um
romance.