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FACULDADE CRISTO REI
VIVIANE APARECIDA ALEXANDRINO
A MULHER NO JORNALISMO ESPORTIVO: ANÁLISE DA
PARTICIPAÇÃO FEMININA NO TELEJORNALISMO BRASILEIRO
Cornélio Procópio
2011
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FACULDADE CRISTO REI
VIVIANE APARECIDA ALEXANDRINO
A MULHER NO JORNALISMO ESPORTIVO: ANÁLISE DA
PARTICIPAÇÃO FEMININA NO TELEJORNALISMO BRASILEIRO
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Curso de Comunicação
Social com habilitação em Jornalismo da
Faculdade Cristo Rei como pré-requisito
parcial para obtenção do título de
Bacharel em Jornalismo.
Orientador: Professor Esp. Marcos
Rogério Ferreira.
Cornélio Procópio
2011
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VIVIANE APARECIDA ALEXANDRINO
A MULHER NO JORNALISMO ESPORTIVO: ANÁLISE DA
PARTICIPAÇÃO FEMININA NO TELEJORNALISMO BRASILEIRO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Comunicação
Social com Habilitação em Jornalismo da Faculdade Cristo Rei, como pré-requisito
para obtenção do título de Bacharel.
Orientador: Prof.º Esp. Marcos Rogério Ferreira
BANCA EXAMINADORA
______________________________________________________
Faculdade Cristo Rei
___________________________________________________________
Faculdade Cristo Rei
Cornélio Procópio, __________ de _____________________ de 2011.
3
Dedico esse trabalho aos meus professores
Gisele e Marcos por toda dedicação e apoio
dispensados a mim em todos esses anos da
graduação, aos meus verdadeiros amigos,
ao meu esposo Carlos por todo amor e
paciência e a Deus por ter me permitido
chegar até aqui.
4
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus por ter me dado forças para chegar até aqui
e realizar o sonho de me tornar jornalista. A Ele todo agradecimento pelas situações
em que esteve presente em minha vida, dando-me conforto, sabedoria, paciência e
a certeza de que ao final, tudo daria certo.
Agradeço aos meus amigos sempre presentes na minha vida, em especial
Marli e Camilo por todo amor e incentivo.
Ao meu orientador Profº Esp. Marcos Rogério Ferreira, que me auxiliou em
todos os momentos da elaboração desse trabalho, por acreditar na proposta da
minha pesquisa, dando-me todo o suporte necessário para que eu pudesse realizá-
la.
Aos meus colegas de sala, por esses quatro anos de convivência, ajuda
mútua e momentos inesquecíveis.
A professora Gisele Barros que sempre esteve comigo nesses quatro anos da
graduação, acreditando em meu potencial e auxiliando sempre no que foi
necessário.
Ao meu esposo Carlos Henrique, pessoa essencial em minha vida que,
oferecendo todo o seu amor e incentivo, tornou possível a minha chegada até o final
fazendo com que eu me sinta uma vencedora pelas lutas travadas e o sonho
realizado.
As minhas amigas do trabalho, Jaciane e Ludimili, que sempre tiveram
paciência ao conviver comigo durante a elaboração desse trabalho e que me
ajudaram a não desistir e chorar quando tinha vontade.
5
As pessoas que vencem neste mundo são
as que procuram as circunstâncias de que
precisam e, quando não as encontram, as
criam.
Bernard Shaw.
6
ALEXANDRINO, Viviane Aparecida. A mulher no jornalismo esportivo: Análise da
participação feminina no telejornalismo brasileiro. 2011. 64 fls. Trabalho de
Conclusão de Curso (Graduação em Comunicação Social com Habilitação em
Jornalismo), Faculdade Cristo Rei, Cornélio Procópio, 2011.
RESUMO
O presente Trabalho de Conclusão de Curso é um estudo sobre a presença das
mulheres no jornalismo esportivo na televisão brasileira. O trabalho analisa a
crescente procura das mulheres pela editoria esportiva e em quais situações essas
profissionais se encontram para desenvolver o trabalho jornalístico lidando com
aspectos negativos como, por exemplo, o preconceito. São analisados os
programas, debates e principais reportagens dos programas esportivos Globo
Espetacular, Jogo Aberto e Esporte Fantástico, respectivamente das emissoras
Rede Globo, Rede Bandeirantes e Rede Record para verificar possíveis diferenças
existentes nos programas esportivos em ambas as emissoras, averiguar a
representatividade da mulher nesses veículos e se a participação feminina possui
significância na televisão ou se apenas a sua imagem é utilizada como forma de
atrair audiência. Os programas analisados são dos meses de setembro e outubro de
2011, meses em que ocorrem os jogos decisivos do Campeonato Brasileiro e
também dos Jogos Pan-Americanos no México. Com isso estima-se verificar se a
mulher enquanto jornalista esportiva possui domínio dos assuntos ligados ao
esporte.
Palavras-chave: Jornalismo Esportivo. Mulher. Telejornalismo. Futebol. Jogos Pan-
Americanos.
7
ALEXANDRINO, Viviane Aparecida. The woman in the sporting journalism:
Analysis of the feminine participation in the Brazilian tvjournalism. 2011. 64 fls. Work
of Conclusion of Course (Graduation in Social Communication with Competence in
Journalism), College Christ King, Cornélio Procópio, 2011.
ABSTRACT
The present Work of Conclusion of Course is a study on the presence of the women
in the sporting journalism in the Brazilian television. The work analyses the growing
search of the women for the sporting section and in which situations these
professionals are to develop the journalistic work dealing with negative aspects like,
for example, the prejudice. They are analyzed the programs, discussions and
principal reports of the sporting programs Spectacular Globe, Open Play and
Fantastic Sport, respectively of the broadcasting stations Net Globe, Net Pioneer and
Net Record to check possible existent differences in the sporting programs in both
broadcasting stations, to check the representativeness of the woman in these
vehicles and if the feminine participation has signification in the television or if only
his image is used like the form of attracting audience. The analyzed programs are of
the September and October of 2011, months in which there take place the decisive
plays of the Brazilian Championship and also of the Pan American Games in Mexico.
With that it is appreciated to check if the woman while sporting journalist has power
of the subjects connected with the sport.
Keywords: Sporting journalism. Woman. Tvjournalism. Football. Pan American
Games.
8
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO..............................................................................................01
CAPÍTULO I – SURGIMENTO DO JORNALISMO ESPORTIVO................05
1.1. O jornalismo esportivo no Brasil........................................................06
1.2. Linguagem do jornalismo esportivo...................................................11
1.3 Cobertura esportiva não é apenas futebol.........................................15
1.4 História do telejornalismo no Brasil....................................................17
1.5 O encontro do telejornalismo e o esporte...........................................21
CAPÍTULO II – A mulher na imprensa brasileira......................................23
2.1 A mulher e o esporte...........................................................................25
2.2 A mulher no jornalismo esportivo........................................................28
CAPÍTULO III ALISE DOS PROGRAMAS ESPORTIVOS ESPORTE
ESPETACULAR, JOGO ABERTO E ESPORTE FANTÁSTICO.................33
3.1 Globo Espetacular...............................................................................34
3.2 Jogo Aberto.........................................................................................37
3.3 Esporte Fantástico...............................................................................41
CONCLUSÃO...............................................................................................46
REFERÊNCIAS.............................................................................................50
ANEXOS........................................................................................................55
9
INTRODUÇÃO
A mulher no decorrer da história lutou para conquistar seu espaço e
principalmente para conseguir seus direitos civis. Durante as Olimpíadas da Grécia
Antiga, as mulheres buscaram o direito de ao menos assistirem os jogos, mostrando
que existia interesse por parte do blico feminino em interagir com assuntos
pertinentes ao mundo esportivo e ter os mesmos direitos garantidos aos homens.
No Brasil, a mulher conseguiu se firmar como profissional e cidadã no
início do século XX, pois foi nesse período que ela conquistou o direito ao trabalho
também o direito ao voto. Os movimentos feministas no país surgiram nas décadas
de 60 e 70 para emancipar a mulher e torná-la componente ativo da sociedade. Mas
a inserção da mulher dentro da sociedade foi realizada de maneira lenta e gradual.
Referente ao jornalismo, segundo Coelho (2003), na imprensa esportiva antes da
década de 70 era quase impossível ver mulheres trabalhando com cobertura
esportiva.
O objetivo desse trabalho é analisar a inclusão da mulher no jornalismo
esportivo, a relevância da participação feminina dentro dessa editoria e o qual o
significado do aumento da imprensa feminina dentro do jornalismo esportivo. O
enfoque do trabalho é abordar a presença da mulher na cobertura esportiva
televisiva para encontrar o diferencial feminino para estar à frente ou apresentar
programas esportivos.
Os programas esportivos Globo Esporte, Jogo Aberto e Esporte Fantástico
das emissoras Rede Globo, Rede Bandeirantes e Rede Record serão analisados
durante os meses de setembro e outubro de 2011, em que ocorrem as principais
rodadas do Campeonato Brasileiros e jogos Pan-Americanos. Para verificar se a
mulher possui domínio sobre. A escolha de emissoras dos canais abertos é devido a
maior visibilidade e facilidade do público para assistir esses programas, uma vez que
a os canais pagos ainda não são acessíveis a boa parcela da população.
10
Podem-se verificar ao longo da pesquisa, quais as situações e problemas
que as mulheres enfrentam ao optar por trabalhar por com o jornalismo esportivo
como: preconceitos e dúvidas em relação à qualidade do seu trabalho.
Além disso, acredita-se que a presença feminina dentro do jornalismo
esportivo se propicia pelo aspecto físico. É notório que a maioria das mulheres
envolvidas com o jornalismo esportivo televisivo possui a beleza como aliado, mas
em algumas vezes, a beleza é considerada problema quando o seu lado profissional
é questionado.
A cobertura esportiva é outro ponto para análise desse trabalho, pois ao
se falar em jornalismo esportivo estamos condicionados a lembrarmos apenas do
futebol e por vezes automobilismo, nos esquecendo de outros esportes que
englobam a cobertura esportiva.
Segundo Coelho (2003), relacionando a cobertura esportiva com a mulher
nota-se que ao se profissionalizar como repórter esportiva, a mulher na maior parte
das situações é encaminhada para as editorias de esportes amadores. Isso se deve
ao fato da mulher ser recebida com desconfiança dentro do meio esportivo e
considerada despreparada para entender as expressões idiomáticas do futebol, ou
seja, seus jargões e termos próprios do meio. Por isso a linguagem jornalística
esportiva está presente no trabalho, para revelar que qualquer pessoa está apta a
trabalhar com a mídia esportiva.
A pesquisa desse tema proposto se torna relevante, pois há uma
escassez de referencial bibliográfico referente à inclusão feminina dentro da
cobertura esportiva e também, porque o assunto se tornou um expoente dentro da
sociedade, gerando questionamentos por parte de profissionais, estudantes e
pessoas ligadas ao jornalismo e, portanto, é necessário entender porque as
mulheres procuram trabalhar nessa editoria especializada do jornalismo.
O trabalho consiste em uma pesquisa de natureza básica ou pura, pois
visa um conhecimento maior sobre o tema da inclusão da mulher no jornalismo
esportivo. A pesquisa exploratória será utilizada para aprimorar os conhecimentos
11
sobre a participação da mulher na imprensa esportiva. Também se caracteriza como
descritiva, pois serão utilizadas análises de programas esportivos televisivos. Por
fim, será realizado um levantamento sobre o tema proposto, pesquisando autores e
estudiosos que abordam o assunto, o que classifica a pesquisa como bibliográfica e
documental.
O referencial teórico do trabalho é alicerçado por autores da área como
Paulo Vinícius Coelho (2003), Heródoto Barbeiro e Patrícia Rangel (2006), Débora
Bravo (2009), Guilherme Jorge de Resende (2000), Sérgio Mattos (2002), entre
outros.
O trabalho de pesquisa é composto por 03 capítulos. No primeiro capítulo
são feitas considerações gerais sobre o surgimento do jornalismo esportivo. É
importante entender o surgimento para analisar a necessidade da existência dessa
especialização do jornalismo. Dentro do capítulo é abordado o surgimento da
cobertura esportiva no mundo e no Brasil e alguns outros itens importantes para
desenvolvimento do trabalho, como é a linguagem própria do meio e como ocorreu o
encontro do telejornalismo com o esporte.
No segundo capítulo trataremos sobre o objeto de pesquisa do trabalho: a
participação da mulher no meio esportivo. Os principais pontos de análise do
capítulo são: a história da mulher na imprensa no Brasil e outros itens que se
atrelam ao assunto como a mulher enquanto atleta e sua busca para conquistar
espaço.
No terceiro e último capítulo é realizado uma análise dos programas
esportivos da Rede Bandeirantes, Rede Globo e Rede Record para identificar como
os veículos de comunicação se comportam com a presença feminina dentro da
atração esportiva e o espaço destinado para essas profissionais dentro de cada
emissora.
Essa análise busca responder se a mulher conduz a atração esportiva
com confiança e credibilidade em seus comentários e se sua presença é apenas
12
para intermediar ou interagir ativamente e o nível de conhecimento técnico sobre o
assunto.
Por fim a conclusão, em que os resultados alcançados com a pesquisa
são informados e são feitas as considerações finais acerca do assunto. Os
programas esportivos analisados estão presentes no anexo do trabalho.
13
1 SURGIMENTO DO JORNALISMO ESPORTIVO
A história do jornalismo esportivo é recente, possui pouco mais de 100
anos. Segundo Fonseca (1997, apud GONÇALVES e CAMARGO, 2005, p.07), os
primeiros registros sobre cobertura esportiva no mundo ocorreram na França em
1854, com o periódico Le Sport que publicava crônicas sobre caça, canoagem,
natação e o turfe.
A imprensa do período se preocupava apenas em divulgar como cada
esporte era praticado. O primeiro órgão de imprensa esportiva foi o inglês Bell’s Life,
posteriormente chamado de Sporting Life. Nos Estados Unidos, o jornalismo
esportivo apenas ganhou representatividade no começo dos anos 20.
Somente em meados do século XIX, na França, houve melhora no modo
de produção das notícias, pois as informações esportivas passaram a ser mais bem
elaboradas e com mais conteúdo. O hipismo foi a primeira modalidade a divulgar
dados completos sobre o esporte. Pode-se afirmar que o jornalismo esportivo surgiu
junto com alguns esportes mais populares como o futebol, por exemplo, e
consequentemente divulgados também por veículos com o mesmo perfil, conforme
informa Fonseca:
A grande imprensa só abriu espaço em 1875, num momento de mudanças
sociais e de crescimentos de esportes populares, pois, até então, se
registravam notas sobre boxe, iatismo e esgrima. Por isso, os pioneiros do
jornalismo esportivo surgiram nos jornais populares. (FONSECA 1997,
apud GONÇALVES e CAMARGO, 2005, p.07).
Segundo Fonseca (1997, apud GONÇALVES e CAMARGO, 2005, p.07), a
popularização dos esportes teve ajuda da sociedade. Diferente do que vemos
atualmente, onde ricos e pobres praticam qualquer esporte que optar, no século
passado apenas os menos favorecidos socialmente e sem posses praticavam os
esportes. O esporte era considerado um assunto sem importância pela sociedade e
os ricos somente se envolviam em assuntos esportivos quando a burguesia
patrocinava os eventos.
14
Segundo Camargo (1998), para que todas as classes sociais da França
praticassem esportes, o aristocrata francês Barrão Pierre de Coubertin fez com que
a idéia de jogos Olímpicos ressurgisse na França, e com isso se tornou possível a
prática por todos da sociedade, situação antes não vivenciada devido o esporte ser
considerado inferior
1
, apenas praticado pelo proletariado.
Enquanto na França somente a classe baixa praticava esporte, no Brasil a
situação era o inverso. Na história do jornalismo esportivo brasileiro, apenas os ricos
podiam praticar esportes e o futebol foi o esporte responsável por alavancar a
cobertura esportiva no país.
1.1 JORNALISMO ESPORTIVO NO BRASIL
A história do jornalismo esportivo no Brasil está atrelada ao surgimento,
profissionalização e popularização do futebol no país, pois antes do futebol se tornar
esporte admirado pelos brasileiros, a imprensa esportiva não possuía destaque e
credibilidade nas publicações em jornais impressos da época. Coelho (2003), afirma
que “nos primeiros anos da cobertura esportiva era assim, pouca gente acreditava
que o futebol fosse assunto para estampar manchetes”. O autor ainda enfatiza que
até mesmo o remo, esporte praticado no início do século XX, não apresentava
características para ganhar destaque na mídia.
A imprensa desse período se preocupava apenas em divulgar conteúdo
jornalístico esportivo para a elite, pois esse público seleto era o que praticava
esporte e com isso as notícias sobre eventos esportivos muitas vezes tinha caráter
social, parecido com o que temos hoje no jornalismo, as colunas sociais. Mesmo
com a prática do remo, a imprensa publicava de maneira esporádica notícias de
cunho esportivo. Entre as décadas de 1920 e 1930, o futebol ganhou notoriedade
após a disputa do primeiro Campeonato Carioca em 1923, junto a esse
acontecimento ocorreu à profissionalização do esporte.
Entre as décadas de 1920 e 1930, o futebol se profissionalizou e deixou
de ser esporte voltado e praticado para e pelas elites da sociedade. Após a disputa
1
O conceito de inferioridade a qual o texto se refere significa a divisão entre pobres e ricos.
15
do primeiro campeonato em 1923, os negros e mulatos, operários e aristocratas
podiam praticar o esporte. Coelho
2
(2003) relata que o clube Vasco da Gama foi o
precursor em escalar pela primeira vez um negro para fazer parte de uma equipe de
futebol e se tornando campeão da Segunda Divisão Carioca em 1923 e
consequentemente campeão carioca em 1924. Em 1930, a primeira transmissão
radiofônica de uma partida de futebol ajudou, a definitivamente, a difundir o esporte
pelo país e a torná-lo popular.
O primeiro narrador de futebol foi Nicolau Tuma
3
, responsável pelo que
conhecemos hoje da forma de narrar um jogo de futebol colaborando para sua
rápida disseminação do futebol entre todas as esferas do país. A descrição dos
jogos era realizada de maneira quase fotográfica, para dar ao ouvinte a noção exata
de como era praticado o esporte e os melhores lances da partida. A modalidade
ganhou a credibilidade entre os veículos de comunicação da época e o jornalismo
esportivo ganhou espaço dentro do jornalismo, sendo considerada uma editoria
promissora.
Na medida em que o futebol cativava a população conquistava mais
adeptos, a imprensa crescia de maneira gradativa na cobertura esportiva. rios
periódicos surgiram nesse período como, por exemplo, o jornal Paulista A Gazeta, o
primeiro jornal a publicar um suplemento esportivo com grande circulação em todo o
país. Mas foi somente em 1930, que os jornais começaram a ganhar destaque na
cobertura esportiva como relata Shuen e Souza:
Em 1928 o jornal paulista A Gazeta passou a publicar o primeiro
suplemento de esportes em jornal de grande circulação. “Mas foi a partir
dos anos 30 que os primeiros diários esportivos começaram a fazer
sucesso na esteira da profissionalização do esporte que começava a ser
encarado como meio de ascensão social para negros e brancos pobres”
(SHUEN e SOUZA, 2004, p.4).
2
FONTE: COELHO, 2003. É a principal referência bibliográfica sobre a história do jornalismo
esportivo no Brasil que será utilizada no primeiro capítulo desse trabalho, pois embora o tema seja
relevante ainda existe escassez de referencial bibliográfico.
3
Nicolau Tuma era jornalista e político e começou a trabalhar na Rádio Educadora Paulista em 1929,
mas foi apenas em 19 de julho de 1932 que ele realizou a primeira transmissão radiofônica direto do
campo.
16
Anterior ao crescimento e visibilidade do jornalismo esportivo na imprensa
existia alguns veículos que se dedicavam à cobertura do esporte. É o caso do Jornal
Fanfulla de São Paulo. Criado em 1910, esse jornal possuía um conteúdo esportivo
em que o material jornalístico não era voltado apenas para a elite da sociedade, pois
nesse período somente a essa parcela da população praticava esporte. Coelho
(2003, p.08) afirma que o Fanfulla “não se tratava de um periódico voltado para as
elites, não formava opinião, mas atingia um público cada vez mais numeroso em
São Paulo da época, os italianos”.
Coelho (2003) cita que o Fanfulla se destacava pela forma de noticiar o
futebol, em tempos que o mesmo não era popular entre a população. As páginas do
jornal traziam informações completas sobre todos os jogos do time dos italianos, o
Palestra Itália hoje conhecido como Palmeiras e também trazia relatos sobre as
equipes do interior.
Em 1930, foi criado no Rio de Janeiro o Jornal dos Sports, considerado o
primeiro veículo exclusivamente dedicado aos esportes no Brasil. O jornal não
destacava apenas o futebol como esporte, mas também o boxe, o basquete, o turfe
e o vôlei. O Jornal dos Sports tinha como objetivo de buscar uma identidade
nacional junto aos brasileiros e na Copa do Mundo de 1938, e foi importante para
divulgar todos os acontecimentos do evento esportivo criando assim, uma
proximidade com o povo brasileiro, mostrando a cultura do país através do futebol
para todo o mundo e gerando na população um sentimento de patriotismo antes não
observado.
A identidade nacional foi correspondida em forma de patriotismo pela
nação, que acompanhava as notícias do futebol com maior afinco através das
crônicas esportivas de Mário Rodrigues Filho fundador do Jornal dos Sports e
Nelson Rodrigues, seu irmão caçula. As crônicas esportivas geravam fascínio nos
leitores, pois os relatos sobre o futebol eram realizados através da emoção e paixão,
o jornalista Paulo Vinícius Coelho (2003, p. 15) afirma que “a população, portanto se
apaixonou ainda mais pelo futebol depois da primeira conquista da Seleção
Brasileira... Mas foi a partir do começo dos anos 40 que o futebol ganhou os
relatos apaixonados em espaços cada dia maiores”.
17
Depois do jornal impresso e do rádio, era necessário atingir a televisão,
novidade no Brasil no início da década de 1950. A TV Tupi de propriedade do
jornalista Assis Chateaubriand foi inaugurada em São Paulo em 1950 como a
primeira emissora de televisão do Brasil. A primeira transmissão esportiva ocorreu
em 15 de outubro de 1950 pela própria Tupi em uma partida entre São Paulo e
Palmeiras.
Esse acontecimento favoreceu para que outras emissoras do país
tivessem em suas grades programas com conteúdo esportivo, como Mesa Redonda
de 1954, na TV Record.
A conquista do primeiro título mundial de futebol pela Seleção Brasileira
em 1958 contribuiu para que o jornalismo esportivo se estabelecesse definitivamente
como cobertura jornalística, mas a imprensa esportiva sofria com a falta de recursos
para a publicação dos conteúdos esportivos e o jornalismo esportivo não
apresentava uma linguagem definida para informar os interessados em esporte.
O Brasil publicou a primeira revista esportiva nos anos 70, em contra
partida países como Argentina e Itália contavam com uma publicação nos moldes de
revista desde 1927. Acreditava-se que investir e gastar dinheiro com gols, cestas,
bandeiradas e cortadas era desnecessário. A imprensa esportiva brasileira somente
ganhou representatividade em meados dos anos 60 com um volume maior de
cadernos esportivos
4
.
Nos anos 90, mais precisamente na metade dos anos 90, a internet se
tornou febre no Brasil. Nos Estados Unidos havia se tornado um fenômeno de
comoção em todo o país, e os sites estavam se fixando enquanto produto e
consequentemente em negócios lucrativos.
No Brasil, a internet apresentou sinais de que iria se fixar como veículo de
comunicação em 1997, quando foi lançado o diário esportivo Lance e também o
4
COELHO, 2003, p.10 - no fim a década de 60, os cadernos esportivos tomaram conta dos jornais.
Em São Paulo, surgiu o Caderno de Esportes, que originou o Jornal da Tarde, uma das mais
importantes experiências de grandes reportagens do jornalismo brasileiro.
18
surgimento na rede do lancenet.com. br. O prestigio na internet ocorreu apenas dois
anos após o lançamento do diário Lance.
A internet estava recrutando os melhores jornalistas esportivos do país
para trabalhar no veículo de comunicação. Nomes como