16
se disfarçar tanto que se tornou descaracterizada e deixou de ser arte. Virou tudo: desenho
geométrico, arte manuais, artes industriais, artes domésticas, fanfarras, etc. Tudo, menos arte.”
(DUARTE JÚNIOR, 1996, p. 77-78).
Os ideais da Semana de Arte Moderna de 22, baseados nas teorias expressionistas (re)
valorizaram os trabalhos artísticos a partir do conceito da Livre-expressão (Laissez faire). Entretanto,
a valorização da Arte caminhava desde que alinhada à função terapêutica.
O resultado dessa visão foi a ampliação do preconceito contra o ensino da Arte a partir de um
profissional da área, legitimando-a como um luxo ou instrumento de outros saberes.
O ensino da arte voltou-se para a valorização do espontaneísmo, baseado em um dogma cujo
objetivo era preservar uma espécie de pureza artística produzida pelas crianças e adolescentes, uma
das personalidades mais emblemáticas desta vertente de pensamento foi Anita Malfatti:
“[...] como professora de arte, em seu atelier (e mais moderadamente na Escola Americana) inovaria os
métodos e as concepções de arte infantil, transformando a função do professor em espectador da obra
de arte da criança, e ao qual competia, antes de tudo, preservar sua ingênua e autentica expressão.”
(BARBOSA, 1995, p.114).
O rompimento com este movimento surgiu por volta de 1948 com as Escolinhas de Arte que
ocuparam a função pioneira na formação de educadores de arte com os seguintes objetivos: “[...] o
desenvolvimento da capacidade criadora em geral [...] É necessário ensinar a ver, a analisar, a
especular, a investigar.” (BARBOSA, 1985, p.46 ).
Nas décadas de 60 e 70 surgiu nos Estados Unidos da América outro movimento que
conhecemos por DBAE (Discipline Based Art education), começava uma sistematização pedagógica
que lançaria os alicerces teóricos da Arte/Educação pós-moderna com as seguintes características:
atelier ou produção artística, fruição ou apreciação, história da arte e conhecimento sobre estética.
Entretanto, no Brasil, até os anos 70 a docência em Arte não possuía sequer uma graduação.
A lei de diretrizes e Bases de 1971 só fazia uma distinção entre desenho técnico e artístico, a fim de
conciliar esses conteúdos e destinou a Arte um espaço específico na grade curricular “[...] no artigo
38, item V, como ‘atividade complementar de iniciação artística’, enquanto que o desenho sempre foi
exigido como matéria obrigatória [...]” (BARBOSA, 1995, p.101).
Neste mesmo ano, com a promulgação da lei federal 5692/71, as instituições de ensino
começaram a criar os primeiros cursos de graduação na então chamada “Educação Artística”, porém
acabaram por criar duas situações pedagogicamente inusitadas: a primeira, pelo fato dos cursos de
graduação possuírem um conteúdo baseado nas quatro linguagens artísticas (dança, música, artes