
Fundamentos Teóricos – Capítulo 1
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platônica, arquetípica, é a forma básica comum da arquitetura; “modelo” é aquilo que é
possível ir repetindo tal qual, como um carimbo que possui uma série de caracteres
recorrentes” (MONTANER, 2001b: 110). Enquanto o tipo se estabelece de forma
analógica e inconsciente – a partir de questões subjetivas como a experiência e a
memória individual e coletiva – o modelo se estabelece por meio da mimese e do
pensamento racional, associado a um ideal distante da realidade, uma situação utópica e
intemporal. É estático, deve ser eterno. Um tipo tem, como referência, um outro tipo que
é transformado, modificado, até mesmo destruído, dando origem a um outro; o modelo
tem, como norma, o ideal.
A palavra tipo não representa tanto a imagem de uma coisa a ser copiada ou imitada
perfeitamente quanto a idéia de um elemento que deve, ele mesmo, servir de regra ao
modelo (...) o modelo, entendido segundo a execução prática da arte, é um objeto que deve
se repetir tal como é; o tipo é, pelo contrário, um objeto, segundo o qual cada um pode
conceber obras que não se assemelhe entre si. Tudo é preciso e dado no modelo; tudo é
mais ou menos vago no “tipo” (QUINCY 1832 apud ROSSI, 1998: 25).
O tipo, que encontrava sua razão de ser na história, na natureza e no uso, não devia,
portanto, ser confundido com o modelo, a repetição mecânica de um objeto. O tipo
manifestava a permanência no objeto, simples e único, daquelas características que o
conectavam com o passado, dando razão assim de uma identidade cunhada anos atrás,
mas sempre presente na imediatez do objeto (MONEO, 1984: 17).
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Este enfoque teórico, adotado com base no conceito de tipo, se faz necessário por
permitir a comparação entre projetos de diferentes programas – ou funções – e
momentos históricos, possibilitando identificar as transformações sofridas através do
tempo e as adaptações – interpretações. A articulação das análises do mesmo tipo
possibilitam a identificação de suas semelhanças, assim como as diferenças que dão o
caráter de cada obra e sua identificação como tal.
Tal atitude ante a tipologia propõe uma nova dimensão histórica da obra de arquitetura que
ajuda a situá-la no terreno público não como objeto autônomo, mas como elementos criados
no processo de desenvolvimento no tempo da história. Segundo palavras de George Kubler:
“a história é demasiado imprecisa e breve para poder ser considerada simplesmente como
uma sucessão temporal, estruturada mediante períodos de idêntica consistência” (MONEO,
1984: 23).
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Tradução livre da autora: (El tipo, que encontraba su razón de ser em la história, la naturaleza y
el uso, no debia, por tanto, ser confundido com el modelo, la repetición mecânica de um objecto.
El tipo manifestaba la permanência em el objecto, simple y único, de aquellas características que
lo conectaban com el pasado, dando razón así de uma identidad açuñada años atrás, pero
siempre presente em imediatez del objecto).
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Tradução livre da autora (Uma tal actitud ante la tipologia propone uma nueva dimensión
histórica de la obra de arquitectura que ayuda a situarla en el terreno de lo público no como um
objecto autônomo, sino como elementos creados en el processo de desarrollo en el tiempo de la