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acidentes relacionados a esses processos ocorreram durante o período chuvoso,
que varia de região para região”.
Deve-se, porém, considerar outros condicionantes, que associados a altos
índices pluviométricos deflagram movimentos de massa.
Na Serra do Mar a suscetibilidade de escorregamentos é variável em cada setor,
reflexo da variação dos condicionantes envolvidos. De acordo com Tatizana et al.
(1987, p.239-241), os condicionantes de escorregamentos na Serra do Mar, para o
município de Cubatão - Baixada Santista, referem-se a:
• Geologia: as rochas mais brandas e que apresentam
assembléia mineral mais susceptível ao intemperismo químico, como
os migmatitos com predomínio de paleossoma xistoso e os xistos e
filitos, produzem solos mais argilosos e com menor resistência ao
cisalhamento. Ao contrário, os migmatitos com predomínio de
leucossoma, são mais resistentes ao intemperismo químico e geram
solos mais arenosos, com menor suscetibilidade de
escorregamentos. O acentuado fraturamento das rochas pela ação
do tectonismo regional, origina muitos blocos e matacões
potencialmente mobilizáveis em novos episódios de instabilizações;
• Geomorfologia: os escorregamentos nas encostas da Serra
do Mar nesta região, em geral estão associados a duas situações:
rupturas de declive positivas, comumente próximas ao topo da
encosta, ou em porções retilíneas. As encostas de traçado retilíneo
são as mais susceptíveis para os escorregamentos. As encostas
convexas, geralmente representam corpos de tálus, que são
estáveis, e apresentam preferencialmente movimentos lentos de
“creep”. Encostas de perfil côncavo são pouco freqüentes;
• Declividade: os escorregamentos ocorrem mais
freqüentemente em terrenos de inclinação superiores a 30
0
, mais
comuns nas regiões superiores da escarpa da serra e nos topos de
elevações secundárias. Nos terrenos com inclinação superiores a
45
0
, predominam a ação erosiva sobre o intemperismo químico, e
nestas porções, a rocha acha-se freqüentemente exposta e as
instabilizações são mais raras e associadas a queda de blocos. Em
inclinações próximas a 15%, os movimentos de massa são
preferencialmente lentos, rastejos de baixa velocidade, formando
depósitos coluviais de estabilidade relativamente alta;
• Cobertura vegetal: a vegetação exerce papel fundamental na
manutenção da estabilidade das encostas, principalmente nas
porções mais íngremes, onde o solo é pouco espesso. A ação da
cobertura vegetal se dá diretamente, através do travamento
mecânico do solo pelas raízes e, indiretamente, inibindo ações
indesejáveis das águas pluviais. O dossel das árvores impede o
impacto direto das gotas de água sobre o solo e retém uma
significativa parcela de água precipitada, que volta à atmosfera pela
evaporação, diminuindo conseqüentemente, a infiltração da água e o
escoamento superficial. A evapotranspiração das plantas diminui a
saturação do solo, melhorando as condições de estabilidade. O
entrelaçamento das raízes aumenta o coeficiente de coesão do solo,
numa taxa que supera os efeitos instabilizadores como o peso
exercido pela vegetação e o efeito alavanca. (...);