D. LAURA isto fica aqui;
Há coisas que eu só digo e só confio a ti.
Não me quero meter em negócios estranhos.
Dizem que há um rapaz, que quando esteve a banhos,
No Flamengo, há um mês, ou dois meses, ou três,
Não sei bem; um rapaz... Ora, o Juca Valdez!
D. BEATRIZ O Valdez!
D. LAURA Junto dela, às vezes, conversava
A respeito do mar que ali espreguiçava,
E não sei se também a respeito do sol;
Não foi preciso mais; entrou logo no rol
Dos fiéis e ganhou (dizem), em poucos dias,
O primeiro lugar.
D. BEATRIZ E casam-se?
D. LAURA A Farias
Diz que sim; diz até que eles se casarão
Na véspera de Santo Antônio ou São João.
D. BEATRIZ A Farias foi lá a tua casa?
D. LAURA Foi;
Valsou como um pião e comeu como um boi.
D. BEATRIZ Come muito, então?
D. LAURA Muito, enormemente; come
Que, só vê-la comer, tira aos outros a fome.
Sentou-se ao pé de mim. Olha, imagina tu
Que varreu, num minuto, um prato de peru,
Quatro croquetes, dois pastéis de ostras, fiambre;
O cônsul espanhol dizia "Ah, Dios quê hambre!"
Mal me pude conter. A Carmosina Vaz,
Que a detesta, contou o dito a um rapaz.
Imagina se foi repetido; imagina.
D. BEATRIZ Não aprovo o que fez a outra.
D. LAURA A Carmosina?
D. BEATRIZ A Carmesina. Foi leviana; andou mal.
Lá porque ela não come ou só come o ideal...
D. LAURA O ideal são talvez os olhos do Antonico?
D. BEATRIZ Má língua!
D. LAURA (erguendo-se)
Adeus!