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Alfredo Syrkis e o já mencionado romance de Renato Tapajós.
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A livre circulação de
algumas dessas obras, provavelmente, somente foi possível pela desestruturação dos
mecanismos censórios em fins dos anos 1970, sobretudo a partir de 1978, quando há
indícios de que o SIGAB deixou de atuar no âmbito da censura política de livros. Pelo
menos, era isso que mencionava o diretor da DCDP, Rogério Nunes, num processo
sobre diversos livros de “natureza política” retidos pela EBCT:
Por haver a DOPS passado a cuidar de matéria que antes estava
afeta ao SI/GAB, então encarregado de pronunciar-se sobre
obras literárias de cunho político e social, transmito àquele
órgão o material a que se refere este expediente, solicitando-lhe
a gentileza de seu parecer a respeito da conveniência ou não em
permitir o ingresso no país dos livros remetidos pelo Colis
Postaux.
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Apesar desses indícios de uma espécie de desestruturação da censura política de
livros, os órgãos de informações, entretanto, continuaram produzindo denúncias sobre a
produção literária nos anos finais da década de 1970, ao passo que, do lado dos
militares, também foram sendo escritas obras-depoimento por volta daquele período,
como as de Olympio Mourão Filho, Hugo de Abreu, Jayme Portella Mello e Hernani
D’Aguiar,
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algo que teria continuidade nas décadas seguintes, conformando uma
verdadeira batalha pela memória dos anos de repressão entre os setores oposicionistas e
aqueles ligados aos governos militares.
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Não bastasse isso, a luta pela “leitura correta”
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GABEIRA, Fernando. O que é isso companheiro? Rio de Janeiro: Codecri, 1979. SYRKIS, Alfredo.
Os carbonários. Memórias da guerrilha perdida. São Paulo: Global, 1980. TAPAJÓS, Renato. Em
câmara lenta. São Paulo: Alfa-Omega, 1977. São desse período também, entre vários outros de mesmo
teor, os livros FON, Antônio Carlos. Tortura. A história da repressão política no Brasil. São Paulo:
Global, 1979 e BOAL, Augusto. Milagre no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
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Anotação do diretor da DCDP, Rogério Nunes, no documento citado na nota anterior, 25 set. 1978.
Conforme já destacamos, o SIGAB centralizava a censura política de livros e do jornalismo político de
modo geral, inclusive no que concerne aos bilhetinhos encaminhados às redações dos jornais com os
assuntos proibidos de serem tratados. A retirada da feitura da censura política daquele órgão, com sua
passagem à DOPS, nesse sentido, parecia ser uma medida bastante afinada com o projeto de “abertura
política” do governo Geisel, não obstante os sabidos retrocessos que, vez por outra, esse processo sofreu.
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MOURÃO FILHO, Olympio. Memórias. A verdade de um revolucionário. Porto Alegre: L&PM,
1978. ABREU, Hugo. O outro lado do poder. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1979. MELLO, Jayme
Portella. A revolução e o governo Costa e Silva. Rio de Janeiro: Guavira, 1979. D’AGUIAR, Hernani. A
revolução por dentro. Rio de Janeiro: Artenova, 1976.
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Para a “versão dos militares” exposta em livros mais recentes ver, por exemplo, os depoimentos
contidos nos livros organizados pelo CPDOC/FGV: D’ARAÚJO, Maria Celina; SOARES, Gláucio Ary
Dillon e CASTRO, Celso. Os anos de chumbo. A memória militar sobre a repressão. Rio de Janeiro:
Relume Dumará, 1994. ______. Visões do golpe. A memória militar sobre 1964. Rio de Janeiro: Relume
Dumará, 1994.______. A volta aos quartéis. A memória militar sobre a abertura. Rio de Janeiro: Relume
Dumará, 1995. Para a memória recente dos setores oposicionistas ver, por exemplo, TAVARES, Flávio.