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Angelitude
Valdecir de Oliveira Anselmo
Caxias do Sul, 2005
(Edição do Autor)
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Auto-retrato
Ensimesmo-me na aprazibilidade d’um recanto
Onde entôo meu canto, qual feérica ave canora
Em hora prandial, hora de comunhão com a luz
A qual transluz do peito como quem em templo ora
Sou quem está a um passo da angelitude, mas vacila
Quem se envereda por trilha de lucescentes pegadas
As quais se acham atadas por liames indeléveis
Impregnadas de leves recendências ou de atmosferas pesadas
Sou quem almeja embeber-se na luz do que lhe falta alcançar
Quem vê algo abarcar, aquilo que anela
Que diante de si desvela em toda sua visão sublime
Mas que logo se esvai o encanto quando se vê imanente a ela
Sou quem ao belo, embevecido, contempla, extasiado
A deslindar-lhe o segredo, ocultado em seus variados feitios
Descrevendo com atavios, em formas que lhe agrada
Pois com as mesmas, cumpliciada, prende-se a alma em seus lios.
De tudo aquilo que creio, por mais que haja contraste:
Amo o fugaz devaneio de um poeta, seu sonho
E folgo, assim, tão risonho, ao que me alimenta e seduz
... e assim minha vida conduz em um acalanto, destarte.
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Aline
Te ver é tão vital quanto o ar que respiro
Que minh’alma em suspiro outra coisa não há que almejar
Com tanto ardor que ao arquejar descansa um pouco
E então qual louco procuro um rosto em meu sonhar
Com o afã tremendo como o céu buscar
Minh’alma a errar inda vagueia ao decantar
A beleza que é tanta que só havendo quem a suplante
Que sirva então igual calmante que faça a alma então
quedar
Nesse páramo sublime que é aprazível
Que, de tão risível, graceja ao meu
Gesto arroubado que se apegou à tua beleza
Que só coteja a esse anjo que vara o céu.
Carina
A graciosidade deambula em teu sorriso ameno
No hausto sereno de quem se embebe no encanto
Em vivaz acalanto da luz que te perpassa
A simpatia te enlaça, em seu enleio pleno
A luz que em ti incide prende em gracioso amarrilho
Junto a ti a candura, fitilho usado em presente
Que um anjo tão docemente te ofertou com afeto
Vendo achegar-se bem perto de seus olhos teu brilho
És graciosa e querida como teu nome o confirma
O teu olhar se destina ao puro afeiçoamento
Enleando em vivaz aprazimento aqueles que cativas
Pois em concorde as divas te chamaram Carina.
Para um anjo inesquecível
Te ver é como contemplar a face de um anjo
é como um arranjo orquestral tua beleza
é como se embeber na certeza de que não há igual encanto
que se compare nesse recanto com tal graça e tal leveza
Te ver, anjo lindo
é como se embeber no infindo céu
e buscar no véu da noite uma estrela solitária
que tenha a luz vicária à beleza que cintila aqui
Minha alma então sorri quando com o olhar teu se depara
pois teu brilho que deixara arrebatado e tão contente
aquele anjo plangente que se chama saudade
pois teu semblante é só claridade que aquece a alma da gente.
Nunca antes
Nunca antes com a luz se coadunou a beleza
de forma tão coesa que a tudo envolve
como o encanto que evolve com um méleo sorriso
ao eternal paraíso que até um anjo comove
Nunca antes, que a mim se achegue
lembrança que me pegue a contemplar, encantado
deixando o coração enleado em seu palpitar de emoção
querendo compor-te canção ou um poema inspirado
Nunca antes, meu anjo, a luz teve o brilho de agora
Sequer a rosa que aflora perfume mais doce não tem
Até a brisa detém seu caminhar tão moroso
para pegar o oloroso perfume que exalas, contém.
Afeição a um anjo
Havia um anjo com a voz mais melíflua que seu ouviu
Como uma melodia que partiu do paraíso
Que enternece como um sorriso cativante
Como um encanto que doravante não sairá do coração
É uma canção inaudita sua beleza
Tem dulcíssona pureza a melodia
Traz a luz pra um novo dia – como um sol dulcificante
Tem seu olhar penetrante tão meiga e doce alegria
É luz que transita entre as belezas do mundo
Tem um olhar tão profundo que engolfa a essência
encantada
E faz-te, figura amada, um anjo que faz-me sentir afeição
E um sentimento em efusão que deixa a alma enlevada.
Embevecido
Anjos pululam na luz do teu olhar
E esse encanto a dimanar em profusão de beleza e graça
Na alma perpassa com sua fragrância airosa
Em silfidez tão formosa como o ideal que se enlaça
A um sonho deleitoso, em acalanto
Na melifluidade de um canto harmonioso
És um anjo assim formoso, na claridade embebido
Tem esse encanto querido esse seu ar donairoso
Anjos brincam em teus olhos, assim tão fagueiros
Em seus melieiros encantos como se outra luz não trouxessem
Como se eles viessem do paraíso celeste
Só pra te dar como veste essa beleza que tens.
Deleite
Um anjo de contemplar-te jamais se cansa, jamais se enfada
Pois sua inspiração albergada na luz do teu olhar
Traz o amor a imbuir seu coração
E vem o seu existir acalentar
És a doce luz dulcificante
Tens um olhar penetrante, tens um encanto inaudito
Traz a paz pro aflito coração que ao sonhar
Tem ao te contemplar um sentimento incontrito
Se o anjo não se vê no teu olhar refletido
Se sente a vagar perdido no ermo de seu pesar
Sem tua vivaz claridade a rebrilhar em seu sonho
Se encontra por vezes tristonho até, novamente, te olhar.
Visão de um anjo
Na luz se embebeu seu seráfico olhar
E o anjo embevecido ficar deixou-se
Como se ele não fosse a pura expressão da meiguice
Que a alma haurisse pra no amor deleitar
E ele então a sonhar, dulcífluo enlevo
O riso em desvelo derramando com graça
Sobre a face tão bela qual feérica imagem
Cuja doce harmonia à paragem do encanto conduzia o
Mancebo
O anjo expressou-se, sem pretensões ou entono
A pureza em contorno delineando o falar:
- É linda, é bela, a menina que vejo
Que só um desejo: sua beleza exaltar.
Réstias da luz
Melíflua melodia a alma exalou
Com a luz que se embrenhou em um sonho dileto
Pra poder ficar bem perto desse olhar tão decantado
Desse ser amado que tem o sinal do afeto
Ó esplendor divinal!
Nesse eternal acalanto da luz
Que d’alma transluz com a beleza apetecível
Faz-me, oh anjo invisível! A réstia do amor que reluz!
Tomas a alma em seu acossar o encanto
No ridente recanto onde est’anjo convive
Com o amor que revive quando brilha o olhar seu...
E que traga pra terra esse céu onde estive.
Cidade do paraíso
Um anjo te confundiu com a luz
Pois a beleza de ti transluz e é qual uma estrela
Que então ao revê-la tomei-a por sol
A nortear-me – farol – nessas paragens oníricas
Pois tu’alma, nessas ricas vestes do encanto,
Passeia ao recanto como um anjo, embebido em alacridade
E tua doce claridade fez do meu mundo – paraíso –
Onde, embebido em teu sorriso, erijo então uma cidade!
Há praças e jardins floridos - e regatos a serpentear,
risonhos
Há luz de sonhos em incursões serenas, em gáudio d’anjos meninos!
Há olhos cheios de ternura e paz – que beleza imensa!!!
E há minh’alma então propensa a lá ficar por toda a vida
Bebendo a luz que então haurida das habitações dos
peregrinos.
A busca do céu
Anjos pululam, com gáudio efusivo
No sonho tão vivo qual coração latejante
E eu, então, andejante, os olhos enternecidos ao céu
Entretecia um poema, quase então uma oração
Joelhos vingados ao chão, a alma em enlace tão terno...
Um beijo, com amor tão fraterno, na fronte dum anjo de luz
Que então minh’alma conduz com mão extremosa e suave
E eu com ele evolava, qual ave, na busca dum céu anelado
Sorria, então, ao seu lado, eu – somente alguém que ficou
Na luz por fim embebido quando o paraíso inundou
Com o mar de luz desse olhar – olhar d’anjo fagueiro
Que é então um luzeiro, que vem almas guiar!
Musa
Um anjo se imiscuiu em teu olhar
pra desvelar, além da cativante face,
esse brilho que traz o enlace da beleza
com o encanto a perpassar
com tal deleite no evolar que traz leveza
Tu’alma tem o brilho doce desses jardins floridos
em que comovidos os anjos em sentimentais passeios
nos meneios d’asas, em seus galanteios
que em devaneios te elevavam aos céus
Queira o anjo agora dar respaldo aos meus
versos toscos sem pretensão alguma
pra tirar da bruma essa luz serena
que então te acena com louvor à uma
figura angélica que desponta em cena.
Beleza
Um anjo em teu olhar se embebeu por fim
Pois afim à luz em teu céu ele adejava
E o encanto que desse olhar então transluz
Tem o brilho que reluz até no céu onde morava
E ele então do páramo que decantava belezas mil
Deixou-lhas todas e então partiu, embevecido
Tendo por bagagem o querido e doce sonho
Que seu espírito risonho estreitava, enternecido
E onde o coração seu fez paragem
Direi ao anjo, ao pé do ouvido
Quando ele se achegar à amada minha:
- Não tinha então razão o meu
Achar que toda a beleza que ao céu chegava
De outra fonte não provinha?
Um poema no olhar
Um anjo na esfuziancia dum olhar
Embevecido a exalar dulcíflua fragrância
Que tem na recendência do encanto
O méleo acalanto dum sonho a oscular
A face risonha que então embebida
Na luz que haurida no manancial de tu’graça
Pois tua alma a enlaça quando brilha o olhar teu
E dum sonho tão meu se vestirá minha essência
Pois a tua existência cumulou-me de luz
E tua face reluz o indizível esplendor
Que nem sequer o bom anjo, em seu recanto aprazível
Com a Beleza visível aos seus olhos, compôs
Poema igual ao olhar teu, inesquecível.
Ritos da luz
Na refulgência duma estrela matutina
Em revérberos de luz um anjo a andejar
Na via que alborava com brilho d’olhos
Que como lios do encanto punham a alma a sonhar
Est’alma que é flama e que é todo o meu ser
Que ao alborecer, em seu plácido anseio
Busca, de permeio, na luz se embeber
Em uníssono ao anjo em seu galanteio
Cuja voz, um poema melífluo
Que recende onde fluo, com lépido espírito
Através desse espaço que preenche com a luz
Que do seu ser transluz como um mágico rito.
Solfejos do encanto
Voa minha alma extemporânea
Em seu cortejo reminescente
Em seu flanar audaz cotejo
Ao brilho que te enlaça, transcendente
No rol desse teu estro nidifica
Est’ave em afago, em devaneio
Em suspiro que exala esse meu âmago
Amava o prender-me nesse enleio
Tinha ao decantar doce desvelo
Era a flama que flutua ao acalanto
Tenho os versos que a saudade então declama
E o aroma que exala meu recanto
E assim quando o encanto arrefecia
Pairava o arrolo que cantavas
No ar que recendia teu consolo
Sentia a mesma paz que tu buscavas.
Fulgor de um anjo
Um anjo então desceu do céu
E em cada estágio da descida sua
A doce efusão do sol e a plácida timidez da lua
Testemunhas eram do desvelo seu
Pois ele descera pra ficar bem perto
Do seu afeto que lhe insuflava o peito
Dessa flama a qual já estava afeito
E também da luz que o norteava ao certo
E ele deixou amainar então
O brilho do ser que a angelitude traz
Pra que a amada ao ver seu enamorado olhar
Seus olhos, em um deslumbrar, não se esgazeassem, não.
Um anjo alegre
Um anjo saudou o dia com inenarrável ternura
Afeito à candura como atributo indelével
De alma abluída em fonte perene
Que mana indene para além do horizonte
Que nele s’embebe, porém sem corromper
A limpidez em pureza que cotejava à su’graça
E tinha a destreza ao afrontar com pirraça
Quando chegava a tristeza no seu peito irromper
Ficava, calado, no seu canto e sorria
E falava que havia só alegria em seu canto
E então convidava, com gesto galante:
- Te achega, avante! Brinca comigo ao recanto,
Às margens do álveo com som murmurante.
Debutante
Um anjo se inclinou e através das nuvens
Vislumbrou a imagem mais linda que conceber pudesse
Apesar de sob o Sol beleza houvesse
Nenhuma além daquela lhe fascinou
E como se a luz lhe concedesse o brilho
Qual atrativo maior do seu encanto
O anjo, então, tão enlevado
Prostrou-se ao chão do seu recanto
E as mãos postas em oração sublime
Louvou ao céu o conceder-lhe a graça
De contemplar a beleza que desvelava
Toda a leveza que ao olhar perpassa.
Para uma linda menina
Do brilho de teus olhos dimana teu encanto
teu riso é o acalanto que minha alma enterneceu
Em olência teu fascínio recendeu nesse recanto
impregnado de tua graça, onde adeja o coração
Teu nome é uma canção que minha alma solfejou
tua beleza transladou ao teu rosto que transluz
toda a graça que traduz a efusão de um meigo olhar
a incidir, a se espraiar como o albor de cada dia
Tua beleza que fulgia, cumulou-me de ternura
inclinando com doçura minha alma à devoção
te estreitar junto ao coração é o que anseio com carinho
nidificar qual passarinho minha alma em teu olhar.
Ao dia do seu aniversário
Nesse dia de indizível expressão do encanto
O inefável adeja com seu cortejo e reluz
E a graça conduz com extremoso desvelo
Retê-lo n’alma é como abastar-se da luz
Que dimana do anjo na deidade embebido
Nesse dia de vívido céu tão risonho
Estreita esse sonho das almas queridas
Que levam suas vidas nesse acalanto tão seu
Sua ternura transluz quando a face oscula
D’alma em candura que anula o cismar
Pois então seu cantar tem o tono do alento
E seu pensamento é um hino, na luz a vogar.
Um dia de luz
Uma onda de luz embebe esse dia
Que assim reluzia com o afago do encanto
Em atavios do manto com lirial seu fulgir
Com a graça a incidir no jardim do recanto
Que é o paraíso para a alma remida
Que ama a vida com a alegria de um anjo
Que faz do seu manto qual se asa em voejo
Seu doce adejo traz a luz de algum guia
Que então transluzia d’alma ridente
Que tem a olente expressão da ternura
De anjo em alvura, em candura embebido
Que assim tão querido te vela d’altura.
Te ver ....
Te ver é contemplar o Sol
Em cinéreo dia
É luz que fulgia em fugidia noite
É vagar ao léu em devaneios d’alma
Te ver é almejar a calma do coração pulsante
Deambular errante com o cortejo d’anjos
E dormir risonho, em arquejo o peito
E fazer de leito o meu doce sonho
Te ver é estreitar à alma o teu doce anelo
Ter o peito pleno de ternura imensa
Transcrevendo em verso a tua doçura.
Doce enlevo
Um anjo, no amor, se embebia até os sonhos
E suas asas então ruflar sequer podia
Pois nem um dispersar arrefecia
O encanto em seus olhos tão risonhos
A brisa até quedou o reboliço
Da miríade de seres tão fagueiros
Que subiam encantados esses oiteiros,
Consubstancias do anelo em pleno viço
Para mais perto ouvir o seu silente
E encantado fluir do pensamento
Seu doce alento era seu guia
E sua alegria seguia olente.
Efusão
Um anjo n'alma risonho perpassou
suas asas majestosas roçaram o coração
com afago, com efusão, estreitou-me em seu desvelo
quisera então retê-lo com o perfume que deixou
Seu canto mavioso, impregnado de poesia
então alusão fazia ao liame que entretece
o riso que não fenece, antes n'alma refulgia
qual luz de cada dia em que o encanto se embebesse
Tenho o afago do lene riso que minh'alma acalentou
tenho o amor que então ficou como um mar que não se exaure
desse anjo que então haure do fervor o doce afeto
e ao achegar-se assim tão perto seu bafejo me enlevou.
Querubim
Anjos brincavam, peraltas
Além das altas nuvens, enlevados
Tinham nos risos enleados cumplicidade tão pura
Trajados com vestidura de luz eram então revelados
Eram anjos, olhos verdes, cabelos louros ao vento
Hauridos do firmamento seus halos, brilho intenso
Seu canto, puro consenso, em unicidade, em festim
Chegando até ao Querubim no paraíso Ascenso
De uma alegria discreta, não que fosse infenso
Nem que julgasse descenso o proceder arroubado
Era esse anjo calado, seu brilho assim expressivo
O seu olhar alusivo ao olhar de pai desvelado.
Luzes n'alma
Miríade de luzes n'alma pululam
em recendente aroma de méleos olores
ao adejar suave de asas ao vento
refestelam-se ao repique de gáudios fragores
É o ruflar de anjos fagueiros
ao ataviar-se a lua de álacre olhar
esvoaçam aos rumores dos risos que entoam
os lábios ao afago de doce estreitar
Assim ao flanar d'alma que anseia
deleite de anelos em doce espreitar
a brisa permeia em rocio ao relento
leva consigo um anjo a cismar
N'alma entrevejo um sol de esperança
ao doce arpejo d'um riso a exalar
suave perfume que eclode das flores
que vem dos amores meu sonho embalar
Então na calada as luzes se acendem
inflama-se a alma em doce sonhar
tem nos pendores seus nobres anseios
assim aos enleios com anjo a folgar.
Sílfide Imagem
Da cara imagem a essência vivaz
mavioso adágio que entretinha o infinito
exaure d'alma a flama fugaz
sustem o verdor do onírico encanto
Então ao acalanto flanava audaz
sorvia das margens seu hálito alegro
na aléia de flores, olentes frescores
vicejam os amores que a brisa nos traz
Então se desfaz a sílfide imagem
em ato que apraz à doce ilusão
ficou tão silente o apreço que eu tinha
que minh'alma entretinha no meu coração.
Banquete com um anjo
Aprendi seu cantar, aprendi de oitiva
imitando su'arte, de conviva na mesa
com minha afoiteza a sua inteireza não pude abarcar
Queria era estar consigo ao banquete e ouvir seu cantar
Queria era estar no riso efusivo que lhe é peculiar
Consigo brindar e bebericar em sua onírica taça
no sonho que passa, mas a alma enlaça, no gozo sedento
Queria suster o seu firmamento com o encanto a flertar
Queria era estar consigo na mesa
seu amor quem dera, minha sobremesa, então requestar!
Queria brindar na noite serena, no rocio do encanto
queria portanto ficar e dançar depois do banquete.
Harmonia
Tem a doce harmonia dum riso galante
a flama enastrada que a alma enleou
ao arrolo de amores que então em guirlanda
em entrajes de olores que minh'alma exalou
Quando refocila, ao peito estreitada
à voz da amada a verve vacila
então decantada se embebe ao arrebol
é flama, farol. Se espraia, lucila
Dedilhando a corda do peito queixoso
em flanar garboso de um anjo em folguedo
meu riso sorvia da doce harmonia
a tal de poesia que impregnava o meu céu brumoso.
Carisma
Ah! se esse indelével dom que d'alma dimana
sustesse o fascínio ao arrimo da luz
o encanto transluz no riso que afana
a graça da jóia guardada no escrínio
O encanto enobrece a alma propensa
ao anelo do amor em nuança mais pura
evola à altura em plenitude do afeto
um afago em dueto com o amor se depura
Amo o aspirar esse doce voejo
folgo no ensejo que a vida me dá
Vejo lá luz onde havia desejo
do céu decantado por fim almejar.
Cortejo
Tem o brilho eternal das visões oníricas
o flanar nas veredas de anjo tão cauto
Idílicas almas de hausto sereno
formavam o cortejo que então em lampejo
varava-se o céu
Sua cauda, coreu de versos quebrados
banhava-me a fronte de anjo novel
E assim tão risonho lança-me atrás
do brilho vivaz dos seus tutelados
Incide o lampejo do estro em meu sonho
com brilho bisonho me julgo um poeta
Então experiente o anjo se achega
a mim ele entrega seu manto sereno
E assim encantado vou-lhe na alheta.
Sentado
Um anjo então deixou-se inebriar
Pela dulcíflua paz que dimanava
Desse amor que a doce brisa acalentava
Enleado ao encanto em seu flanar
E ele então olhou placidamente
O ocaso do sol que dormitava
E a luz do arrebol se desvelava
Em seu fluir assim languidamente
Por fim ele sentou tão arquejante
O peito insuflado de alegria
Arfava com a luz que transluzia
Do seio que pulsava ao seu talante.
A um anjo
Possuis a pureza do olhar
a candura do sorriso
a leveza no flanar
pelas sendas do paraíso
Tem teu canto a mansuetude
e o vôo audaz das aves altaneiras
vem embalar-me a quietude
sob suas asas sombreiras
De olhar, já ébrio, os olhos teus
voz embargada no vento ressoa
canção que de lágrimas os olhos meus
qual vaga embebe minha alma à toa
Quem te ama co’o céu se reveste
no ermo da solidão não vagueia
almeja essa paz celeste
das misérias do mundo se alheia.
Écloga
No crisol da poesia a doce avena
de um anjo ádvena nas paragens d'amores
exala fulgores seu alegre corisco
su'asas recendem bucólico olor
Reúne as estrelas no céu, esse aprisco
Não cantes o flébil, suspiroso treno
tu és um poeta da campina olente
deixe esse desaire dolente ao anjo tristonho
pois rendo a tu' graça meu canto tão terno
És anjo afeito ao riso efusivo
de olhar persuasivo convida-me ao canto
Então eu prostrado em reza no prado
ouvia o murmúrio do regato sereno.
Absorto
Meu anjo olhava... Quiçá se compraza o estar tão calado!
refluindo no tempo, resfolegado nas asas
Olhava ele o céu estrelado, e assim se abastava
do brilho em sobejo, do cálido beijo
que a noite lhe dava
Meu anjo brincava com as estrelas que tinha
abarcadas nas asas em esvoaços na brisa
Meu anjo as retinha na doce alegria, da qual se atavia
Enquanto fluía, meu canto avaliza
sua travessia na vau do encanto
Meu anjo, risonho, sorriso tão solto
cabelo revolto, melenas ao vento
Deixava que o alento afagasse seu rosto
Amava com gosto, com grande alegria
a doce poesia que a noite trazia.
Eflúvios
Quando a alma em fascínio se impregna
dos méleos eflúvios que dimanam ridentes
dos anjos luzentes, de olentes frescores
sorvendo os vapores minh'alma serena
Minh'alma se embebe na luz da angélia
do doce exalar da corbelha de flores
recende a virtude do cândido olhar
no acalentar minh'alma c'olores
Vislumbro meu anjo. Sua imagem é vivaz
de riso folgaz ele brinca ao jardim
Com gesto fagueiro a mim se achega
o anjo luzeiro suas flores me entrega.
Anseios vernais
Quando a primavera se abasta de olores florais
Em que os anseios vernais deambulam pelos campos
E os dias escampos em festejos alegrativos
Pois que a alma em ablativos de viagem aos seus recantos
Esses refolhos aprazíveis do ser
Que os olhos deixam entrever em toda beleza imanente
Pois que a luz é tal qual semente que medra e eclode no imo
E traça um doce destino de méleas fragrâncias olentes
E então os campos ao vernal acalanto de ternas delícias
Nas tardes de amicícias folganças
Faziam d’almas crianças ao entreter-se, fagueiras
Colhendo as roseiras e fazendo entranças.
Lembras o sorriso?
Lembras, meu encanto,
Aqueles decantados dias
Em que flanava a candura
Com sua lânguida olência?
Lembras a cadência do harmonioso sorrir?
Lembras que o porvir era só um hino de amores?
Lembras que os olores das fragrâncias dos dias
Eram só alegria quando meu anjo sorria?
Alacridade
Com seu álacre olhar a lua ressumbrava
Um quê de espírito exultante
Meu contemplar então flanava
E quedo olhava seu semblante
Fascinado estava ao olhar aliciante
Ao embeber a alma assim inebriada
No aljôfar da pranto cambiante
Transluz o olhar da minha amada
Mas a doce ilusão que assim me traga
Tem a placidez de um sonho desolado
Como se voraz a ingente vaga
Tragasse o riso, assim selado
Meu contemplar então flanava
E quedo olhava seu semblante
Com seu álacre olhar a luz ressumbrava
Um que de espírito exultante.
Quanto o amor te tocar a alma
Se algum dia o amor te tocar a alma
Fala do sonho que te acalanta
Fala da poesia que te arrebata
Fala do pranto que te comove
Fala do riso que te envolve
Se algum dia o amor te tocar a alma
Fala das flores que margeiam teu caminho tão sereno
Fala do olhar que te enternece
Fala do sorriso que te emudece
Se algum dia o amor te tocar a alma
Fala de tudo aquilo que te encanta
Mas não deixes de falar
Do amor que te toca a alma.
Em um coro de anjos
Um anjo perpassou, qual brisa, rente à alma dileta
E então flecha precisa no coração veio a incidir
Com um olhar a transluzir toda a efusão de meigo ser
Deixou transparecer sua essência de poeta
E ele, então silente, em marejo o seu olhar
Com a luz a dimanar do seu peito em profusão
Transido em emoção estreitou às asas ternas
Aquela que as eternas vozes sua beleza a decantar
Iam ao voejar transladando a alma ao céu
Despojando então do véu o encanto pouco a pouco
E então o coro rouco de cantar por fim quedou
E o amor que tinha ao peito então o anjo extravasou.
A acolhida
Um anjo hauriu do encanto a luz para o espírito seu
Para quando ao céu chegar ter o coração qual jóia em seu escrínio
Como um pássaro, ao deixar o ninho, ter asas fortes pra evolar
E no amor então ficar embebido em seu fascínio
E o anjo buscou nas flores a recendência dum olor
Com o calor de seu espírito a irradiar sua energia
No fragor de sua alegria com estrépito alarido,
Em entraje tão garrido para a luz de um novo dia,
Ouvia ele o saudar dos anjos, seus irmãos,
Que como infindos grãos de areia se espraiavam ao infinito
Com um querer tão inaudito nesse mundo em evolução
Era qual uma ovação, um louvor ao amor restrito.
Um momento de luz
Havia tanta melifluidade e o ar impregnado de romantismo
E havia a linguagem tão pura sem que eufemismo houvesse
Para expressar o querer que enternece e reluz
Pois que à alma conduz a um sentimento almejado
Para o momento adequado que o destino conduz
Ter a alma na luz para encantar o eleito
Oferecer do teu peito essa rosa que pulsa
Essa rosa tão dulça que é o teu coração
A pulsar de emoção quando um anjo sugere
Para que não desespere quando tua voz embargada
É sinal que enleada tua alma já está
E palavras não há que te sejam aliadas
Pois, no momento, caladas, as almas se unem no céu
Pra se tornarem abastadas da luz que provém de lá.
Coeterna luz
Quando a alma esforço envida
No transcurso de uma vida, tendo um sonho por respaldo
Tendo a alegria por saldo, crédito da esperança
Tendo a paz de criança e a sapiência da idade
Tendo a luz da eternidade a nortear o passo certo
Tendo um anjo por perto e a alma embebida
Em sua vivaz claridade
Então vem a alacridade em seu lampejo enteu
Trazer do céu uma nesga, um recanto só seu – paraíso almejado
Sentir-se então maturado no refocilo da luz
Sentir que o corpo é de truz e não será corrompido
Pois o ser então embebido em felicidade superna
Sentindo o bafejo da coeterna luz
Que te ouviu, no teu primeiro vagido.
Frondes do Encanto
Um anjo sentou-se à sombra da luz com frondes do encanto
No aprazível recanto onde o plácido álveo murmureja
E onde tua dulcíflua beleza paira, com sua alvacencia...
E a chama de minha essência nada mais vê com clareza
Pois somente a ti tenho a preencher-me o pensamento
E minha alma, sentimento, se sente então impregnada
Da luz que só da amada então provem
E na qual se atem a contemplar, extasiada!
Levas, encanto, fagulhas de minh’alma contigo...
Pois só assim eu prossigo na célere busca de um amor tão louvável
Em um sonho deleitável que a alma então cinge
E que a luz que me atinge tenha um toque afável.
Rebento
Um anjo deu sorridente espiadela
Através d’uma estrela, em seu brilho tão olente
Derramando, docemente, o perfume do alento
Para um querido rebento que despontava então pra vida
E em sua descida, em esperança tamanha
Levava consigo, em manhã dadivosa,
A límpida e garbosa veste do céu
E também seu farnel das conquistas d’alma
Descia com calma, sorvendo o momento,
E seu pensamento, na luz embebido,
Buscava no manancial, onde haurido, a graça do encanto
Revestindo su’alma com um corpo bendito.
Paz d’anjo
Um anjo osculou a face risonha
Como um jovem que sonha requestar a luz dum amor
Nesse querer de valor inestimável – tesouro pra alma, ternura
Que a eleva, por fim, à altura com asas de graça, candor
Trazia consigo o perfume das flores de luz dum vergel
Que era uma nesga do céu no qual flanava, entre os canteiros
Subindo e descendo os oiteiros, risonho, enamorado
Por ter ficado ao teu lado, sorvendo os encantos fagueiros
Olhava ele, em desvelo – desvelo d’anjo extremoso,
Com gesto assim tão garboso – o garbo dum amor tão silente,
O céu que por fim desvelava o véu que cobria o encanto
Deixando o anjo ao recanto sorvendo a paz, docemente.
Ao teu encanto
O encanto em teus olhos, de tão excelso é indizível
Com brilho inaudível que só o coração pode ouvir
E só então persuadir o espírito, quase predisposto
A se enfeitiçar por um rosto como a ofuscância a incidir
Nos olhos quase a tirar-lhe a razão
Que então o fascínio em grácil voejo
Traz por fim em su’asas desejo tão puro:
Que o céu obscuro brilhasse com graça
E então que a ilusão se desfaça
E que a treva que embaça a pura expressão da ternura
Não pulse sequer mais um dia
Pois todo o afeto que havia e que adejava em seu céu
O anjo fez um dossel
Pro leito do amor que nascia.
Luz e flores
Um anjo brincava ao entardecer
Com as estrelas que sorriam, embevecidas
À graça que fazia ao reqüestá-las
Da luz a atenção que lhe incidia
Pois ele aquele dia então colhera
Mais flores que de costume em seu jardim
E tinha em transbordo o coração
Ao impregnar então o ar o seu perfume
E fez com aquele lume um entrelaço
Nas flores pra ofertar à alma querida
Aquela cuja luz ofusca a todas
As estrelas que do céu dão-lhe assistida.
Uma tela para o futuro
Um anjo audaz, de gesto fagueiro
Trejeito arroubado que encanta e seduz
Seu canto traduz a efusão repentina
Que afaga e fascina a alma que é luz
Tu’alma se afina com est’anjo ridente
Que segue contente, as asas ao vento
Sequer um lamento é nódoa ao seu canto
Pois do firmamento se abasta do encanto, que até de si doa
A luz que povoa o ermo recanto
E enxuga o pranto que vem do vazio
D’alma sem o afago de doce acalanto
E prima seu canto a evocar o estio
Que traz esse sol que incide no afeto
E assim bem de perto teu passo te vela
E pinta, enlevado, em vívida tela
Entregando ao futuro paisagem tão bela.
Luz Inebriante
Um anjo se inebriava
desses bafejos da luz
com a graça que conduz
ao limiar da candura
toda e qualquer criatura
que insuflada da ternura
trasladava a alma ao céu
seu pensamento então ao léu
tinha as asas da ventura
e sua cândida alvura
cotejava-se tão somente
com a graça dimanante
desse encanto que vem d’ altura...
Sorriu, embevecido
Ao amor que tinha haurido
No manancial de todo encanto
E se viu assim, portanto
Como um ser então querido
Pela luz desse recanto
Que falou, enternecido:
- Tenho o paraíso embebido
No brilho duma estrela
Tenho o encanto e a luz daquela
Que fascina o simples vê-la.
A uma estrela
A beleza serena
Que perpassa em tua face
Todo encanto atrai
E de tua graça emana
A leveza sutil que a simpatia embala
E a candura em ti é tanta
Que quando um anjo se levanta
Pra contemplar o céu azul
Seus olhos, em regalo,
Nada fitam
Além da face linda de uma estrela
Que ou findar a noite, brilha ainda.
Pintura e música
Anjos sorriam, embevecidos
Com os ridentes olhos atidos a contemplar-te
Como um mote para suas composições pictóricas
Que eram ricas em detalhes, perfeitas obras-de-arte
Realçando-te a alma condal
Com traço versal teu nome transpôs
Em um tom musical mais leve e sonoro...
A acompanhá-lo um coro belo quadro compôs
Nada mais enaltecer-te pode com tamanha propriedade
Pois tanta blandicidade lhes coroava o cantar
E era a maestria ao pintar, o pincel qual batuta a reger
A orquestra que então a reter um som mavioso no ar.
Mãe, fulgor da Criação
Alma digna dos desvelos sempiternos
Que a envolve nos supernos acalantos do Pai Celeste
Adornando-te a veste de atavios de luz
Que do teu ser transluz como os fulgores eternos
Estreitas as almas famélicas de amor
Ao doce candor dess’asas alvinitentes
Que recendem olentes frescores do encanto
Que buscaste ao recanto, no Domo do Criador
Buscas no Santuário Celeste na paz te embeber
E respingos trazer como rocios de alívio
Enternecendo o bravio coração desse mundo
Com um amor tão profundo que já não consegues conter.
Tertúlia
Um anjo deixou sua luz como vicário seu
Quando desceu na encolha da morada cerúlea
Tendo como guia a tertúlia dos amantes do belo
Que fazem então esse elo da luz co’a paisagem terrúlea
Nessas reuniões as vozes se enlevavam entusiásticas
Recitando encomiásticas poesias ao encanto que provém do céu
E cada exaltação da luz era um êmulo que concorria em graça
As virtudes d’alma que enlaça todo engenho enteu
O anjo dali saiu mais donairoso e venusto
Pois do enaltecer tão justo a tudo que d’alma é virtude
Descia tal qual alude dos patamares do céu
E tinham o branco véu da pureza em beatitude.
Despertar
Havia uma certa magia
Uma inaudita alegria que d’almas dimanava
E esse encanto que enleava os corações embevecidos
Que dantes sentiam tolhidos em seu sentimento mais nobre
Olhavam agora de sobre as nuvens dum céu, comovidos
Quando o encanto com a luz em terno amplexo
Não sentindo como vexo o fragrante, visto puro
Pois o afeto em seu acuro legitimava a união
Fundindo a um só coração esse enlace perduro
Tão vivaz e tão festivo era esse ritmo
Esse pulsar do brando imo embevecido
Tendo no olhar tão perdido esse entressonho de menino
Esse amor tão cristalino que um anjo julgou, no homem, já esquecido.
Desejo de um anjo
A dulcificante ternura que exala a alma
Na placidez idílica, calma dos elementos
Tem a fluidez dos alentos, refocilo apetecível
É indelével, imperecível, como os anelados pensamentos
Regozijos, cortejos de encantos deleitosos
Dimanam de anjos garbosos, anjos adejantes
Melenas esvoaçantes no céu, arco luminoso
É qual vistoso sorriso nos páramos triunfantes
Se houvessem dois sóis a refulgirem seu olhar
Seriam tácito expressar dos olhos de um anjo risonho
Cuja vivaz expressão do seu sonho, seu anelo
É ver incidir seu desvelo num olhar plangente, tristonho
E fazê-lo sorrir, novamente.
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