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Não me agrada!
Quero um marido melhor!
É bem mau não ser casada,
Mas mal casada é pior.
Ainda hoje escreveu-me uma cartinha, a terceira em que me fala de amor, e a
segunda em que me pede em casamento. (Tira uma carta da algibeira.) Ela aqui
está. (Lê.) “Minha bela senhora. Estimo que estas duas regras vão encontrá-la no
gozo da mais perfeita saúde. Eu vou indo como Deus é servido. Antes assim que
amortalhado. Venho pedi-la em casamento pela Segunda vez. Ruim é quem em ruim
conta se tem, e eu que não me tenho nessa conta. Jamais senti por outra o que
sinto pela senhora; mas uma vez é a primeira.”(Declamando.) Que enfiada de
anexins! Pois é o mesmo homem a falar! (Continua a ler.) “Tenho uns cobres a
render; são poucos, é verdade, mas de hora em hora Deus melhora, e mais tem
Deus para dar do que o diabo para levar. Não devo nada a ninguém, e quem não
deve não teme. Tenho boa casa e boa mesa, e onde come um comem dois. Irei
saber da resposta hoje mesmo. Todo seu, Isaías.”(Guardando a carta. ) Está bem
aviado, Senhor Isaías! Vou às compras; é um excelente meio de me ver livre de
vossemecê e de seus anexins. Vou preparar-me. (Sai pela porta da direita. Pausa.)
Cena II -
(Isaías)
Isaías (Deita com precaução a cabeça pela porta do fundo.) — Porta aberta, o justo
peca.
(Avançando na ponta dos pés.) A ocasião faz o ladrão. Preciso estudar o
gênio desta mulher: antes que cases, olha o que fazes. Dois gênios iguais não
fazem liga; se a pequena não me sai ao pintar, para cá vem de carrinho. É preciso
olhar para o futuro: quem para adiante não olha atrás fica; quem cospe para o ar cai-
lhe na cara, e quem boa cama faz nela se deita. Resolvi casar-me, mas bem sei que
casar não é casaca. Alguém dirá que resolvi um pouco tarde, porém, mais vale tarde
que nunca. Deus ajuda a quem madruga, é verdade; mas nem por muito madrugar
se amanhece mais cedo. Procurei uma mulher como quem procura ouro. Infeliz até
ali! Vi-as a dar com um pau: bonitas, que era um louvar a Deus de gatinhas; mas...
nem tudo o que luz é ouro; feias também que era um Deus nos acuda; mas muitas
vezes donde não se espera daí é que vem. Quem porfia mata caça dizia com meus
botões, e não foi nada, que enquanto o diabo esfrega um olho, cá a dona encheu-
me... o olho. Pois olhem que não me passou camarão pela malha... Esta é viúva e
costureira... Estou pelo beicinho, e creio que estou servido. Quem já deu não tem
para dar, é certo; mas, ora adeus! Quem muito quer muito perde. Já tomei
informações a seu respeito: foram as melhores possíveis; ma como o saber não
ocupa lugar, e mais vale um tolo no seu que um avisado no alheio, observei-a . Eu
sou como São Tomé: ver para crer. Vi-a andar sempre sozinha... e nada de
pândegas! Dize-me com quem andas, dir-te-ei as manhas que tens. (Examinando a
casa.) Boa dona-de-casa parece ser! Asseio e simplicidade. Pelo dedo se conhece o
gigante. Há de ser o que Deus quiser: o casamento e a mortalha no céu se talham.
(Reparando.) Ai, que ela aí vem! (Perfilando-se.) Coragem, Isaías! Lembra-te de que
um homem... (Atrapalhando-se.) é um gato e um bicho é um homem! Disse
asneira...