
1999): "A vida depende do ambiente, e o ambiente depende da gen-
te. Vamos todos juntos nos mobilizar para o ambiente preservar".
O livro que o leitor tem em mãos é fruto do interesse demonstra-
do pela comunidade para com a piscicultura. Com muita freqüên-
cia, somos solicitados a prestar informações sobre como criar pei-
xes. Mas, além do manejo da espécie em si, invariavelmente as
informações requeridas fluem para a construção da infra-estrutura
adequada: quantos viveiros são necessários, a construção do viveiro
em si, a quantidade e a qualidade da água. Claramente percebe-
mos que a maioria dessas pessoas tem a intenção de criar peixes,
mas não sabe como fazê-lo. A maioria desconhece a importância
de detalhes técnicos na construção do viveiro, e até mesmo as mais
simples técnicas de manejo, como a realização da colheita dos pei-
xes (despesca), além de não saber como conciliar o desenvolvi-
mento necessário sem agredir e provocar danos ao meio ambiente.
Entre nós, a explicação para o pouco conhecimento sobre pisci-
cultura é simples e até natural. A piscicultura ainda é uma ativida-
de nova aqui no Brasil, e um pequeno número de pessoas a ela tem
se dedicado. As técnicas de cultivo aquático não são muito difun-
didas. Além disso, alguns conceitos são distorcidos, e poucos sa-
bem distinguir um viveiro de cultivo de um depósito de água, por
exemplo. Embora as pessoas digam que são piscicultoras, nem todas
efetivamente dominam ou conhecem as técnicas de construção de
viveiros e de manejo das diferentes espécies de peixes. Embora
afirmem ser piscicultoras há anos, o que elas, em sua maioria, desen-
volvem é uma criação extensiva de peixes, utilizando-se de um
corpo de água sobre o qual não têm nenhum controle.
A piscicultura envolve, ainda, uma nova concepção: a de uma
atividade de controle indireto. Não é a toda hora que o peixe é
visto. A quantidade de peixe que se diz ter não é passível de ser
comprovada, senão na hora da colheita. Quase não se "vê" o peixe
crescer. Muitas vezes, nem sequer se vê o peixe comer. Mas se acom-
panha o bem-estar do peixe e o seu desenvolvimento harmônico,
observando-se a qualidade da água (cor, cheiro, pH), os teores de
oxigênio e amônia dissolvidos, a aceitação do alimento, a quanti-
dade de alimento consumida, o comportamento do cardume etc.
Isso é muito diferente dos demais cultivos. Na criação de gado, por