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polinizadores bióticos, que constituem a grande maioria das plantas cultivadas pelo
homem. A perda de polinizadores em áreas agrícolas já chegou a situações tão extremas
que em culturas como maçã, melão, maracujá, kiwi, melancia, entre outras, para
assegurarem níveis de produtividade competitivos no mercado e que possam gerar algum
lucro, os produtores tem que optar entre alugar abelhas ou pagar pessoas para fazerem à
polinização manual (FREE, 1993; FREITAS, 1995). Outras culturas, embora em escala
menor, também dependem da polinização feita pelas abelhas para maximizar sua produção
e, consequentemente os lucros (FREITAS, 1991; NORONHA, 1997).
Polinização define-se como sendo o processo pelo qual as células reprodutivas
masculinas dos vegetais superiores (grãos de pólen) são transferidos das anteras das flores,
onde são produzidos, para o receptor feminino (estigma) da mesma flor ou de outra flor da
mesma planta ou de uma outra flor da mesma espécie (FREITAS, 1995). Este processo é
necessário para que os grãos de pólen possam germinar no estigma da flor e fecundar os
óvulos dando origem às sementes e assegurando a próxima geração de plantas daquela
espécie (NOGUEIRA-NETO, 1997; KERR et al., 1996).
Como as plantas não podem se deslocar em busca de parceiros sexuais, elas usam
intermediários para transferirem os grãos de pólen dos estames para os estigmas das flores,
chamados de agentes polinizadores. Estes agentes polinizadores podem ser o vento (caso
dos pinheiros, milho, trigo, arroz, etc.), a água (como em algumas plantas aquáticas), a
gravidade (caso de plantas com pólen pesado) e seres vivos, como acontece com 80% de
todas as plantas com flores (NABHAN e BUCHMANN, 1997; KEVAN e IMPERATRIZ-
FONSECA, 2002). Sem estes agentes polinizadores, a grande maioria das espécies de
plantas não reproduziria sexualmente, e consequentemente, não seria possível produzir
sementes, grãos, amêndoas, castanhas, frutas, vagens, folhagens, raízes, óleos vegetais,
essências, corantes naturais, etc. utilizadas em larga escala pela sociedade humana.
De acordo com Wilson (1998), citado por Schlindwein (2000), quase todas as
espécies vegetais possuem flores zoófilas e, desta maneira, necessitam de animais para
desenvolver frutos e sementes. A polinização das flores junto com a dispersão dos
diásporos é processo chave no sucesso reprodutivo das espécies de plantas. Desta maneira,
os animais envolvidos neste processo cumprem um papel crucial. Um em cada três
alimentos que consumimos depende da polinização por abelhas e de outros animais para
chegar até nossas mesas (BUCKMANN & NABHAN, 1996).