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Juca Sá — Dez. (Compram, etc.)
Góis (Ao sócio.) — Quantos queres?
Companhia — Quantos quiseres.
Góis — E quantos hei de querer?
Companhia — Dez para cada um.
Góis — Então dez e dez... dez e dez são... (Calcula.)
Companhia (Contando nos dedos.) — Dez, onze, doze, treze, quatorze, quinze,
dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte, vinte e um...
Góis — Já basta! Dez e dez são vinte. (Ao Alferes.) Dê cá vinte, Seu Alferes
Pancada... quero dizer, Andrade.
Alferes Andrade (Tirando meia espada.) — Eu dou-lhe mais são vinte espadeiradas!
(Guarda a espada tranqüilamente e dá os cartões.) Dê cá quatro mil réis. (Góis paga.
Acham-se todos munidos dos competentes cartões.) Quem mais quer? quem mais
quer?
Pedrinho — Já todos tem... Vamos com isso!
Alferes Andrade (Estendendo muitos cartões que restam diante de si.) — Tomem
lugares! (Remexendo os números em um saquinho.) Vamos principiar!
Cascais (Ao Alferes.) — Mas, com licença, o senhor não pagou!
Alferes Andrade — Como não paguei?...
Pedrinho — Ainda não, senhor!
Todos — Não, senhor! Pague! Pague e não bufe!
Alferes Andrade — Pois vá lá... pela segunda vez! Contra força não há resistência.
(Tirando dinheiro.) Cá está! (Marcolina sai pela direita.)
Pedrinho — Esta nota ainda não está recolhida?
Alferes Andrade — Eu é que te recolho já esta espada no bucho! Falta um tostão!
Quem empresta um níquel?
Pantaleão — Ninguém.
Alferes Andrade — Pois bem: quem tirar a mesa tem o direito de me exigir um níquel!
Benjamin — Mas haverá crédito?
Alferes Andrade — Menino, eu sou comandante de um destacamento!
Benjamin — Folgo muito.
Cascais — Se a dificuldade é um níquel, dignus est entrare.
(Marcolina, que tinha saído, volta com um saco de milho, do qual distribui um punhado
a cada jogador. Os personagens estão colocados do seguinte modo: Helena, no
canapé em que já estava sentada, estende seus cartões. No canapé, onde cabem
duas pessoas, vai sentar-se também outra moça. Cascais puxa uma cadeira para a
boca de cena e coloca seus cartões sobre a cúpula do ponto. A banca é ocupada pelo
Alferes, no centro, e nos dois lados por Pantaleão e Pedrinho. Góis senta-se numa
cadeira e estende os cartões no chão. O sócio vai buscar o retrato de Nicolau, coloca-
o nas costas de Góis, e, de pé, por trás da cadeira, espalha seus cartões na tela do
retrato. Benjamin e Juca Sá sentam-se no chão defronte um do outro. Na tábua de
engomar devem jogar três ou quatro moças. Os mais distribuem-se por todos os lados.
Marcolina vai guardar o saco de milho e, quando volta, coloca-se por trás do canapé.)
Alferes Andrade (Depois de contar o dinheiro que está sobre a banca.) — Vamos! A
banca é de vinte e quatro mil e setecentos... Com o tostão que estou a dever, vinte e
quatro mil e oitocentos. Pronto.
Todos — Pronto!