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stant ora metu nec fessa recedunt
lumina diversas circum servantibus undas,
cum procul auditi sonitus insanaque saxa,
saxa neque illa viris, sed praecipitata profundo
siderei pars visa poli. dumque ocius instant,
ferre fugam maria ante ratem, maria ipsa repente
deficere adversosque vident discedere montes,
omnibus et gelida rapti formidine remi.
ipse per arma volans et per iuga summa carinae
hortatur supplexque manus intendit Iason
nomine quemque premens: 'ubi nunc promissa superba
ingentesque minae, mecum quibus ista secuti?
idem Amyci certe visus timor omnibus antro
perculerat; stetimus tamen et deus adfuit ausis.
quin iterum idem aderit, credo, deus.' haec ubi fatus
corripit abiecti remumque locumque Phaleri
et trahit, insequitur flammata pudore iuventus.
unda laborantes praeceps rotat ac fuga ponti
obvia. miscentur rupes iamque aequore toto
Cyaneae iuga praecipites inlisa remittunt.
bis fragor infestas cautes adversaque saxis
saxa dedit, flamma expresso bis fulsit in imbri.
sicut multifidus ruptis e nubibus horror
effugit et tenebras nimbosque intermicat ignis
terrificique ruunt tonitrus elisaque noctem
lux dirimit (pavor ora virum, pavor occupat aures),
haud secus implevit pontum fragor; effluit imber
spumeus et magno puppem procul aequore vestit.
Arrostam o medo e não desviam os olhos cansados de vigiar as ondas ao redor, quando ao
longe se ouve o estrondo e as funestas rochas – rochas que aos homens não parecem, mas uma parte do
firmamento estrelado caída no oceano. Enquanto se apressam em levar o barco em fuga para o mar,
vêem, de súbito, o próprio mar abrir-se e afastarem-se os montes entrechocantes. Todos os remos foram
tomados por gélido medo. Jasão, correndo por sobre as armas e por sobre os bancos da nau, súplice,
estende as mãos e exorta os companheiros, chamando cada um pelo nome: “Onde estão agora as
soberbas promessas e as grandes ameaças dos que comigo buscaram estas [rochas]? Temor igual causara
a todos a visão da caverna de Âmico – mas persistimos e, audazes, um deus nos ajudou. Por isso, creio
que o mesmo deus de novo ajudará”. Tendo assim dito, toma do amedrontado Falero o remo e o banco,
e rema; os jovens, inflamados por pudor, seguem-no. Uma onda, quebrando, aderna os esforçados, e o
mar foge. As pedras chocam-se e com toda a água, as Ciâneas, precipitando-se, devolvem vagas
encrespadas. Por duas vezes, penhas e rochas, contra rochas, retumbaram; por duas vezes, relampejou
no aguaceiro. Tal como o repartido horror [ou o raio] escapa das nuvens e espalha fogos pelas trevas e
pelos nimbos, e trovões terríficos ruem e a luz desprendida corta a noite (e o pavor toma faces e ouvidos
dos homens) assim o fragor do oceano a tudo tomou; espúmea tempestade despenca e logo cobre o
barco com grande água.
Aos nautas, porém, o auxílio divino não faltou. Vendo do empíreo o perigo a que a
expedição estava sujeita, Palas lançou uma tocha acesa por entre os rochedos, marcando o
caminho a ser seguido pela embarcação. Os marinheiros, com os ânimos recobrados,
arrojaram-se contra o espaço aberto entre os escolhos – mas nem a força dos remos, nem o
sopro dos ventos contra as velas lhes serviam, já que o empuxo das ondas os conduzia (IV,