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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
PUC-SP
Cristina Martins Torres Masiero
A resiliência em pessoas com lesão medular que estão no mercado de trabalho.
Uma abordagem psicossomática.
MESTRADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA
NÚCLEO DE PSICOSSOMÁTICA E PSICOLOGIA HOSPITALAR DO
PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS-GRADUADOS EM PSICOLOGIA
CLÍNICA
SÃO PAULO
2008
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
PUC-SP
Cristina Martins Torres Masiero
A resiliência em pessoas com lesão medular que estão no mercado de trabalho.
Uma abordagem psicossomática.
MESTRADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA
NÚCLEO DE PSICOSSOMÁTICA E PSICOLOGIA HOSPITALAR DO
PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS-GRADUADOS EM PSICOLOGIA
CLÍNICA
Dissertação apresentada à Banca
Examinadora como exigência parcial para
obtenção do título de MESTRE em
Psicologia Clínica, pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo, sob
orientação da Profa. Dra. Ceres Alves
Araújo.
SÃO PAULO
2008
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Banca Examinadora
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais, pela constante valorização e investimento na minha formação
profissional. E neste trabalho, agradeço, também, pela participação na revisão do Português e
do conteúdo. Especificamente à minha mãe, Helena, agradeço pelo constante apoio e carinho,
que muito contribui para meus processos de resiliência. Ao meu pai, Danilo, por ter me
apresentado à reabilitação, por ter me mostrado a importância do compromisso social no
desenvolvimento de um trabalho científico e por ter participado, como médico e pesquisador
experiente, na construção deste trabalho.
Ao Marcelo C. da A. Fonseca, meu marido, pelo constante suporte emocional, pela
revisão do conteúdo e do Português deste trabalho, e, mais ainda, pelo respeito e tolerância
durante toda a jornada do mestrado.
Agradeço às minhas irmãs, sogros, cunhados e sobrinho pelas demonstrações de
carinho, respeito e compreensão com a minha restrição de tempo nos últimos meses. Em
especial à Camila M. T. Masiero e Marcia M. T . Masiero, pelas orientações em informática e
à Angela C. da A. Fonseca, pela revisão do resumo na língua inglesa.
Agradeço à Dra. Therezinha Rosane Chamlian, Chefe da Disciplina de Fisiatria da
UNIFESP e Diretora Técnica do Lar Escola São Francisco (LESF), pela confiança e constante
suporte para o meu trabalho e pela autorização para a coleta dos dados desta pesquisa. À
Claudia Regina Pirani Xande, Superintendente do LESF, pelo apoio e confiança.
Aos colegas da Equipe de Lesão Medular do LESF que muito me ensinam sobre
reabilitação. Em especial, ao Dr. Ricardo D. Savodeli, à Heloize C. Borges, Paula Uenish,
Nadia Ap. do Amaral, Marcia Nardi e Fabiana Y. Takatuzi, pela ajuda para a coleta dos
dados. À Stella M. Molinari, Roberta G. Nardi, Maria Aparecida B. P. Valença e Flavia
Varga, pela parceria, por compartilharem experiências e discutirem comigo sobre a inclusão,
com entusiasmo. Às colegas Mirian Metello, Simone M. P. F. Lima, Josywanda B. Russo, às
professoras Edineide e Zilda e às secretárias Carla e Claudete, pelo carinho e atenção.
Às psicólogas do LESF, Sandra R. Rodrigues, Janaina de Carvalho, Lydiane R. P.
Fabretti e Sabine A. Zanotello, pela amizade, pelo carinho e por dividirem comigo seus
conhecimentos e experiência em Psicologia com toda a confiança e intimidade, que muito me
faz crescer.
Ao Dr. Luiz Antônio de Arruda Botelho, Diretor Superintendente da Fundação Selma,
pela autorização para a coleta dos dados, confiança e apoio profissional, e oportunidade de
aprendizagem e desenvolvimento da visão humanista e holística da reabilitação.
Às amigas Adnamare Tikasawa, Rebeca Santos e Andrea, pelo auxílio no
levantamento da amostra e organização para a coleta dos dados na Fundação Selma.
Ao Dr. Antonio Carlos Fernandes, Diretor Clínico da Associação de Assistência à
Criança Defeituosa, pela confiança e autorização para coleta de dados. Às Equipes de
Psicologia e de Lesão Medular da AACD, pela abertura do espaço e, em especial, à psicóloga
Claudia V. Pessoa, pela dedicação e auxílio para a coleta dos dados.
À Sra. Elisa Guskuma Henna, Diretora Clínica da Associação dos Policiais Militares
do Estado de São Paulo, pela autorização para a coleta de dados. E à amiga Silvia S. Cavalli,
coordenadora da Fisioterapia, pelo envolvimento direto na organização da coleta dos dados.
À Profa. Dra. Mathilde Neder, Coordenadora do Programa de Estudos Pós-graduados
em Psicologia Clínica da PUC-SP, por ter me guiado no início da jornada deste trabalho e
compartilhar experiências importantes para a elaboração de um trabalho científico.
À Profa. Dra. Ceres Alves Araújo, minha orientadora, pelos conhecimentos
compartilhados, pela delicadeza, apoio e confiança demonstrados.
À Profa. Dra. Edna Peters Kahhale, pelo incentivo desde o início, pelo apoio durante
o processo e por despertar em mim uma postura crítica e consciente sobre a prática em
Psicologia. Ao Prof. Dr. Esdras Guerreiro Vasconcellos, pelo incentivo e motivação, e pela
sensibilidade com a qual apresentou as questões da prática em psicoterapia e pesquisa.
À Profa. Yara P. G. de Castropela, pela produção das tabelas e orientação em
estatística sempre com carinho e paciência.
Ao Dr. George Barbosa, pelo estímulo para o início da minha jornada no mestrado,
pela amizade, pela autorização do uso do questionário de resiliência que validou, bem como
pela ajuda para tabulação dos dados e para a análise dos resultados dos fatores de resiliência.
Aos colegas da PUC-SP, pela postura sempre colaboradora, e em especial, à Maria
Cecília Chequini, Karoline de S. Barbosa, Fernando Maeda, Maria Thereza Nappi, Mariana
C. Taliba, Rosângela Fígaro, Rita Motooka e Mariângela Donice.
Ao Dr. João Ribas, pelas importantes contribuições feitas na ocasião da banca de
qualificação que muito contribuíram para a finalização deste trabalho.
Aos participantes da amostra, que foram a razão deste estudo, que colaboraram e
dedicaram um pouco do seu tempo para a coleta de dados.
Ao CNPQ, pela bolsa concedida para uma parte do curso de Mestrado.
Agradeço ainda a todos aqueles que, de alguma forma, participam do meu caminho
profissional.
MASIERO, C.M.T. A resiliência em pessoas com lesão medular que estão no mercado de
trabalho. Uma abordagem psicossomática. Dissertação de mestrado, pelo Núcleo de
Psicossomática e Psicologia Hospitalar, do Programa de Estudos Pós-graduados em
Psicologia Clínica da PUC-SP, 2008.
RESUMO
Introdução: A aquisição de uma deficiência física por lesão medular, pode ocasionar o
quadro de paraplegia, exigindo, muitas vezes, o uso de cadeira de rodas para locomoção.
Além da mobilidade reduzida e de outras conseqüências clínicas, as pessoas com lesão
medular podem ter que lidar com os impactos emocional e social da aquisição dessa
deficiência. Estudos epidemiológicos apontam que a maioria das pessoas que sofrem a lesão
medular são jovens adultos, do sexo masculino, fazendo com que o retorno ao trabalho seja
um tema de extrema importância. Para justificar a relevância deste trabalho, soma-se à última
informação, o atual movimento pela inclusão profissional de pessoas com deficiências,
promovido pela lei de cotas”. A mobilidade reduzida e a existência de barreiras físicas e
atitudinais podem constituir-se como fatores de risco para o desenvolvimento esperado para
esses adultos, uma vez que podem sofrer alterações nos seus papéis familiares, sociais e
profissionais. Nessa perspectiva, torna-se importante o estudo da resiliência dessas pessoas,
que envolve os recursos de enfrentamento de adversidades e a habilidade de adaptação
positiva, que traduzem a capacidade de algumas pessoas de lidarem com as adversidades e
aprenderem com elas. O retorno ao trabalho pode representar a retomada do processo do
desenvolvimento pessoal, após a aquisição da lesão medular. Objetivos: levantar as
características sócio-demográficas e de resiliência de uma amostra de 60 pessoas com lesão
medular, comparar essas características entre os 30 participantes da amostra que estavam
trabalhando e os 30 que não estavam e levantar os aspectos psicológicos da amostra, a partir
dos resultados dos fatores de resiliência. Método: para a coleta de dados utilizamos um
“Questionário de Dados Sócio-demográficos” e o “Questionário de Resiliência Adultos
Reivich-Shatté/Barbosa”. Os dados foram submetidos a análise estatística permitindo a
descrição das características sócio-demográficas e de resiliência da amostra, bem como a
comparação dessas características nos dois grupos. A partir da análise desses dados, pudemos
levantar alguns aspectos psicológicos da amostra. Resultados: A amostra apresentou
características condizentes com os estudos epidemiológicos sobre a população de pessoas com
lesão medular, com relação ao sexo, faixa etária e forma de aquisição da lesão. Os resultados
para os fatores de resiliência permitiram levantar alguns aspectos psicológicos da amostra. Na
comparação entre os grupos, não encontramos diferenças significantes para os fatores de
resiliência, contudo, os dados apontaram que as barreiras físicas, as barreiras atitudinais e a
dificuldade para autonomia são fatores que dificultam o retorno dessas pessoas ao trabalho.
Encontramos indicativos que sugerem a importância do trabalho do psicólogo em auxiliar
essas pessoas a elaborarem suas emoções para desenvolverem melhor os fatores de resiliência
e conseguirem retomar seu percurso de desenvolvimento pessoal, incluindo a capacidade da
construção de uma nova identidade profissional.
Palavras-chave: deficiência física, resiliência, inclusão profissional.
MASIERO, C.M.T. A resiliência em pessoas com lesão medular que estão no mercado de
trabalho. Uma abordagem psicossomática. Dissertação de mestrado, pelo Núcleo de
Psicossomática e Psicologia Hospitalar, do Programa de Estudos Pós-graduados em
Psicologia Clínica da PUC-SP, 2008.
ABSTRACT
Introduction: Paraplegia may be caused by physical deficiency as a result of a spinal cord
injury, often being necessary the use of wheelchair for locomotion by the injured person. On
top of reduced mobility and other clinical consequences, people with spinal cord injury might
have to deal with emotional and social impacts. Epidemiological studies show that most of
spinal cord injury patients are young male adults, what makes returning to work an extremely
important topic. Furthermore, the relevance of this study is justified/highlighted by the recent
movement for inclusion of handicapped people in the work environment, as outlined in the
“quote law” in Brazil. Reduced mobility, as well as some environmental barriers (physical
barriers and society’s atittudes) may be risk factors that could negatively affect the
development of these young adults, once they could alter their roles in their families and in
the society (socially and professionally). There comes the importance of studying these
people’s resilience which involves the ability to cope and positively adapt when dealing with
adversities, and their capacity to learn from these situations. Returning to work might
represent the re-start of their personal development after the spinal cord injury has occurred.
Objectives: to collect social-demographics and resilience characteristics of 60 participants
with spinal cord injury, to compare these characteristics between 30 worker with 30 non-
worker participants, and to collect the psychological aspects of this study sample from the
resilience results. Method: A “Social-Demographic Questionnaire” and the “Questionário de
Resiliência Adulto Reivich-Shatté/Barbosa” were used to collect the data. The data statistical
analysis showed the social-demographic and resilience characteristics of the study sample, as
well as the comparison of these characteristics between the two groups. From the data
analysis, it was possible to collect some psychological aspects of the study sample. Results:
the study sample showed similar characteristics to the epidemiological studies done with
spinal cord injury population as it relates to sex, age and how the spinal cord injury was
acquired. When comparing the two groups, no significant differences were found for the
resilience factors. However, the data showed that environmental factors (physical barriers and
society’s attitude), and the difficulty to have autonomy are factors that could make it more
challenging for people with spinal cord injury to return to work. It also was possible to collect
some psychological aspects of the sample based on the resilience factors results. That showed
the importance of the psychologists in helping people with spinal cord injury to deal with
their emotions and to better develop their resilience factors. This would allow them to return
to their personal development, including their capacity to rebuild a new professional identity.
Key-words: handicapped persons, resilience, returning to work.
SUMÁRIO
CAPÍ
TULO 1
-
INTRODUÇÃO
......................................................................................
11
CAPÍTULO 2 - OBJETIVOS ............................................................................................
16
CAPÍTULO 3 - REVISÃO DA LITERATURA .............................................................. 17
3.1 LESÃO MEDULAR E REABILITAÇÃO .................................................................... 17
3.1.1 Etiologia e Epidemiologia ...................................................................................... 19
3.1.2 Aspectos Psicológicos e Qualidade de Vida ..........................................................
21
3.2 DEFICIÊNCIA FÍSICA ADQUIRIDA - ASPECTOS PSICOLÓGICOS .....................
22
3.2.1 O Impacto Emocional da Deficiência Física Adquirida .........................................
23
3.2.2 O Impacto Emocional na Aquisição da Lesão Medular ......................................... 25
3.2.3 O Impacto da Deficiência na Família ..................................................................... 27
3.3 DEFICIÊNCIA E INDIVIDUAÇÃO – RETOMADA DO PROCESSO DE
DESENVOLVIMENTO .......................................................................................................
28
3.4 INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA ......................................................... 31
3.4.1 A Deficiência na Pré-História e Idade Antiga ........................................................ 33
3.4.2 A Deficiência na Idade Média ................................................................................ 34
3.4.3 A Deficiência na Idade Moderna ............................................................................
35
3.4.4 A “Lei de Cotas” e os Movimentos Atuais de Inclusão ......................................... 44
3.5 A TENDÊNCIA EXCLUDENTE COMO CARACTERÍSTICA ARQUETÍPICA ...... 45
3.6 INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO MERCADO DE TRABALHO 51
3.7 RESILIÊNCIA ...............................................................................................................
56
3.7.1 O Conceito de Resiliência ......................................................................................
56
3.8 AVALIAÇÃO DE RESILIÊNCIA ................................................................................
67
CAPÍTULO 4 - MÉTODO ................................................................................................
71
4.1 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO ............................................................................
71
4.2 LOCAL DA COLETA ...................................................................................................
71
4.3 PARTICIPANTES .........................................................................................................
71
4.4 INSTRUMENTOS .........................................................................................................
72
4.4.1 Questionário dos Dados Sócio-demográficos ........................................................
72
4.4.2 Questionário de Resiliência: Adultos Reivich – Shatté / Barbosa .........................
73
4.4.2.1 Fator Administração das Emoções ..............................................................
74
4.4.2.2 Avaliação dos resultados para o fator Administração das Emoções ...........
74
4.4.2.3 Fator Controle dos Impulsos .......................................................................
74
4.4.2.4 Avaliação dos resultados para o fator Controle dos Impulsos ....................
75
4.4.2.5 Fator Otimismo ...........................................................................................
75
4.4.2.6 Avaliação dos resultados para o fator Otimismo ........................................
75
4.4.2.7 Fator Análise do Ambiente .........................................................................
76
4.4.2.8 Avaliação dos resultados para o fator Análise do Ambiente ......................
76
4.4.2.9 Fator Empatia ..............................................................................................
76
4.4.2.10 Avaliação dos resultados para o fator Empatia .........................................
76
4.4.2.11 Fator Auto-eficácia ....................................................................................
77
4.4.2.12 Avaliação dos resultados para o fator Auto-eficácia .................................
77
4.4.2.13 Fator Alcançar Pessoas .............................................................................
77
4.4.2.14 Avaliação dos resultados para o fator Alcançar Pessoas ..........................
77
4.5 PROCEDIMENTOS .......................................................................................................
78
4.6 CUIDADOS ÉTICOS ....................................................................................................
78
4.7 ANÁLISE ESTATÍSTICA .............................................................................................
78
CAPÍTULO 5
-
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
............................................
80
5.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA ........................................................................
80
5.2 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA QUANTO À LESÃO MEDULAR ................
88
5.3 CARACTERÍSTICAS DA AMOSTRA APÓS A LESÃO MEDULAR .......................
91
5.4 CARACTERÍSTICAS DA AMOSTRA COM RELAÇÃO À SITUAÇÃO
PROFISSIONAL ..................................................................................................................
95
5.5 CARACTERÍSTICAS DA AMOSTRA COM RELAÇÃO À COMPOSIÇÃO
DA RENDA FAMILIAR .....................................................................................................
101
5.6 COMPARAÇÕES DAS CARACTERÍSTICAS DOS GRUPOS QUE
TRABALHAVAM E NÃO TRABALHAVAM ..................................................................
102
5.7 CORRELAÇÕES COM FATORES DE RESILIÊNCIA ..............................................
110
CAPÍTULO 6 - DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .....................................................
121
6.1 CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DA AMOSTRA DE PESSOAS COM
LESÃO MEDULAR ............................................................................................................
121
6.1.1 Com Relação aos Dados Sócio-Demográficos .......................................................
121
6.1.2 Com Relação à Aquisição da Lesão Medular .........................................................
123
6.1.3 Análise das Características da Amostra Após a Lesão Medular ............................
123
6.2 COMPARAÇÕES DAS CARACTERÍSTICAS NOS GRUPOS DOS QUE
TRABALHAVAM E NÃO TRABALHAVAM ..................................................................
125
6.2.1 Com Relação à Situação Profissional dos Participantes da Amostra .....................
125
6.2.2 Com Relação à Escolaridade ..................................................................................
127
6.2.3 Com relação ao Estilo de Vida Afetiva ..................................................................
128
6.2.4 Com Relação ao Recebimento de Benefício Previdenciário ..................................
128
6.2.5 Com Relação ao Tempo de Aquisição da Lesão Medular .....................................
128
6.2.6 Com Relação à Causa da Lesão Medular ...............................................................
129
6.2.7 Com Relação a Fazer Atividades de Manutenção ..................................................
129
6.2.8 Com Relação à Independência para Atividades de Vida Diária .............................
129
6.2.9 Com Relação à Freqüência com que Encontram com Amigos ..............................
130
6.3 ANÁLISE DOS FATORES DE RESILIÊNCIA ...........................................................
131
6.3.1 Análise dos Resultados da Amostra para o Fator Otimismo ..................................
131
6.3.2 Análise dos Resultados da Amostra para o Fator Análise do Ambiente ................
131
6.3.3 Análise dos Resultados da Amostra para o Fator Controle dos Impulsos ..............
132
6.3.4 Análise dos Resultados da Amostra para o Fator Administração das Emoções ....
132
6.3.5 Análise dos Resultados da Amostra para o Fator Auto-eficácia ............................
133
6.3.6 Análise dos Resultados da Amostra para o Fator Alcançar Pessoas ......................
134
6.3.7 Análise dos Resultados da Amostra para o Fator Empatia .....................................
134
6.4 COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS DOS FATORES DE RESILIÊNCIA NOS
GRUPOS DOS QUE TRABALHAVAM E DOS QUE NÃO TRABALHAVAM .............
135
6.4.1 Para o Fator Otimismo ............................................................................................
136
6.4.2 Para o Fator Análise do Ambiente ..........................................................................
136
6.4.3 Para os Fatores Controle dos Impulsos e Administração das Emoções .................
136
6.4.4 Para o Fator Auto-eficácia ......................................................................................
137
6.4.5 Para o Fator Alcançar Pessoas ................................................................................
137
6.4.6 Para o Fator Empatia ..............................................................................................
137
6.5 COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS DOS FATORES DE RESILIÊNCIA
ENTRE OS QUE VOLTARAM E OS QUE NÃO VOLTARAM A ESTUDAR ...............
138
6.6 COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS DOS FATORES DE RESILIÊNCIA
ENTRE OS QUE FAZEM E OS QUE NÃO FAZEM ATIVIDADES DE
MANUTENÇÃO ..................................................................................................................
138
CAPÍTULO 7 - CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................
139
REFERÊNCIAS .................................................................................................................
145
ANEXOS .............................................................................................................................
151
ANEXO A - Questionário dos Dados Sócio-demográficos .................................................
152
ANEXO B - Questionário de Resiliência: Adultos Reivich – Shatté / Barbosa ..................
156
ANEXO C - Autorização dos centros de reabilitação para compor a amostra da pesquisa .
163
ANEXO D - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ................................................
166
ANEXO E - Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo.
Universidade Católica de São Paulo .....................................................................................
169
11
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO
Este estudo consiste em uma pesquisa sobre as características sócio-demográficas dos
fatores de resiliência e dos aspectos psicológicos de pessoas com lesão medular. Além disso,
pretende comparar esses elementos entre os grupos de pessoas da amostra que estão inseridas
e as que não estão inseridas no mercado de trabalho.
Antes mesmo de iniciar meu trabalho como psicóloga de reabilitação, meu interesse
pelos assuntos referentes às pessoas com deficiências surgiu desde a infância. Em casa, eram
freqüentes as conversas sobre a saúde dessas pessoas, as possibilidades de independência, a
importância da estrutura familiar e do acesso à educação para o seu bom desenvolvimento
biopsicossocial e espiritual. Ouvi muitas histórias de superação, de sucesso e, também de
dificuldades e sofrimento. Eu gostava de saber que a Medicina oferecia recursos para a
melhora da qualidade de vida e desenvolvimento da autonomia, mas me impressionava muito
saber da influência dos fatores sociais, econômicos, familiares e psicológicos no processo de
reabilitação e no curso de vida dessas pessoas.
Quem contava essas histórias era meu pai. Como médico ortopedista e fisiatra, ele
trabalha, com verdadeira paixão, na reabilitação de pessoas com deficiência sica, desde o
início de sua jornada profissional, e também na formação de profissionais dessa área.
A busca pela espiritualidade e por uma postura humanista também foram estimuladas
em casa, pelos meus pais e irmãs, que influenciaram a minha formação pessoal e me ajudaram
a trilhar o meu caminho profissional na Psicologia.
Na minha prática como psicóloga clínica e escolar em Centros de Reabilitação, tenho tido a
oportunidade de acompanhar pessoas com deficiências físicas durante o processo de
reabilitação no período de manutenção dos ganhos reabilitativos e no processo de inclusão
social, educacional e profissional. Compreender os processos psicológicos e sociais
vivenciados pelas pessoas que adquirem uma deficiência tem pautado a minha prática
profissional, e me motivado a estudar este assunto em maior profundidade.
A importância de pesquisas sobre o tema se justifica pela expressividade da população
de pessoas com deficiência no Brasil que, segundo os dados do Censo do IBGE de 2000,
representam 14,5% da população brasileira somando, aproximadamente, 24,5 milhões de
pessoas. Desse grupo de pessoas, 15,22 milhões estão em idade laboral, sendo que apenas
metade está empregada. (CLEMENTE, 2008)
12
Por uma necessidade metodológica, escolhi um dos diagnósticos com os quais
trabalho: a lesão medular.
A lesão medular pode ocorrer por um trauma ou doença, produzindo, como
conseqüência, déficits sensitivos e motores, além das alterações viscerais e sexuais.
O nível da medula espinhal em que ocorre a lesão determina os déficits motores,
sensoriais e alterações do quadro clínico do paciente. Portanto, cada paciente necessitará de
um programa de reabilitação e tratamento médico em conformidade com o tipo da lesão e as
limitações adquiridas.
A partir da ocorrência da lesão, essas pessoas têm que se dedicar continuamente a
tratamentos e terapias de manutenção e, após alguns avanços no processo de reabilitação
muitas delas se tornam aptas para retornar às atividades sociais e ocupacionais.
Supõe-se que no Brasil cerca de sete mil pessoas por ano apresentem esse grave
comprometimento neurológico, devido à lesão medular. (CASALIS 2007)
Pesquisas brasileiras indicam que grande parte da população de pessoas com lesão
medular é jovem e ainda em idade de atividade profissional intensa. (CARAVIELLO, 2005 e
CASALIS, 2003)
Devido às alterações motoras e sensitivas, muitas dessas pessoas passam a depender
de adaptações para sua movimentação, locomoção, permanência em ambientes diversos e para
realizar atividades de vida diária. Exemplos dessas adaptações são: muletas, cadeira de rodas,
utensílios adaptados para higiene, alimentação e vestuário, modificações nas edificações
públicas e em suas casas. Em alguns casos, mesmo após a reabilitação, a pessoa pode não
conseguir retomar à atividade ocupacional anterior, principalmente se essa exigir esforço e
habilidades físicas específicas.
Além de terem que se adaptar a uma nova forma de realizar as atividades práticas,
essas pessoas têm que se adaptar ao impacto social e emocional de todas essas mudanças,
muitas vezes comprometendo sua auto-estima e autoconfiança, podendo passar, ainda, por
episódios de depressão ou ansiedade.
O estudo deste tema na abordagem psicossomática envolve a compreensão de que a
lesão medular pode ser entendida como um evento que ocorre no plano físico/corporal e,
concomitantemente, no plano psíquico, pois passa a ser um componente da elaboração da
identidade e do desenvolvimento pessoal de quem a adquire.
Entendo que a lesão medular e suas conseqüências podem colocar o paciente em uma
situação de crise, uma vez que são impostas mudanças em sua vida. Uma situação de crise
proporciona à pessoa uma condição de maior vulnerabilidade. Contudo, algumas pessoas
13
vivenciam esse processo de forma que as mudanças parecem ser extremamente ameaçadoras
para a sua integridade, e outras conseguem lidar com o sofrimento e fazer com que a
aquisição da deficiência passe a fazer parte do processo de estruturação da sua identidade.
É neste ponto que encontro a justificativa para utilizarmos os conceitos e instrumentos
de avaliação de resiliência que, segundo Grotberg, (2005, p. 15) é “a capacidade humana para
enfrentar, vencer e ser fortalecido ou transformado por experiências de adversidade.”
A decisão pelo estudo da resiliência em adultos com lesão medular, dependentes de
cadeira de rodas, que voltaram e não voltaram a trabalhar, está pautada na concepção de que
essa condição motora específica pode denotar uma adversidade objetiva, uma vez que pode
causar restrições que se constituem como riscos para o desenvolvimento pessoal. A
dependência da cadeira de rodas, bem como lidar com as demais conseqüências clínicas e
sociais podem interferir ou prejudicar as atividades de vida prática e diárias esperadas para a
fase adulta como, por exemplo, impedir o retorno para a atividade profissional anterior.
Tão importante quanto a natureza objetiva, o estudo se justifica pela conotação
subjetiva da adversidade, que depende de como a pessoa e o grupo no qual está inserida
percebem e lidam com a aquisição da deficiência.
Superadas as etapas do processo reabilitativo, observo que algumas dessas pessoas
continuam se dedicando quase que exclusivamente à sua saúde física, mantendo expectativas
de recuperação da condição anterior, enquanto outras conseguem dividir sua atenção entre os
cuidados com a saúde e a continuidade das atividades sociais, culturais e ocupacionais. Estas
últimas parecem conseguir retomar o caminho do seu desenvolvimento pessoal, ainda que
tenham que lidar com as limitações físicas e sociais.
Os recursos que cada indivíduo utiliza para lidar com as mudanças ocorridas parecem
depender da sua história de vida, do seu desenvolvimento psicológico, assim como do
contexto afetivo, social e econômico no qual está inserido. (ALVES ET AL., 1992;
KOVÁCS, 1997 e VASCH, 1988)
Sabe-se que os fatores constitutivos da resiliência de uma pessoa têm suas raízes no
seu processo de desenvolvimento (ARAÚJO, 2006). Sauaia (2003) identificou habilidades
que considerou fundamentais para o processo resiliente e as dividiu em duas categorias: a
primeira refere-se à habilidade de percepção de si”, que engloba características como
autonomia, senso de objetivo e futuro, habilidade cognitiva e percepção corporal. A segunda,
refere-se à percepção do “outro” e engloba características como competência social e
habilidade para resolver problemas.
14
Ao longo da revisão da literatura apresentada neste trabalho, poderemos observar que
os fatores citados como necessários para lidarmos de forma resiliente com adversidades são,
muitas vezes, citados por autores que estudam os fatores influenciadores nas reações
emocionais relacionadas à aquisição de uma deficiência física.
Dessa forma, o estudo da resiliência parece fornecer suporte para a compreensão dos
aspectos envolvidos na reabilitação e inclusão de pessoas com deficiências físicas.
Entendo a inserção no mercado de trabalho como um dos possíveis resultados da
reabilitação, que exige um bom vel de resiliência, pois é necessário que a pessoa reconheça
seus potenciais e consiga lidar adequadamente com suas dificuldades e limitações, para que
consiga se expor socialmente e assumir responsabilidades e direitos como cidadão.
Neste trabalho, a Psicologia Analítica fornecerá o suporte teórico para a reflexão a
respeito da influência da aquisição da deficiência física no processo de desenvolvimento
pessoal e para a análise dos fatores pessoais e sociais envolvidos no processo de inclusão.
Este trabalho pode ter relevância para psicólogos e profissionais da reabilitação, pois
pretende levantar as características sócio-demográficas e os fatores de resiliência de uma
amostra de pessoas c