
176 A REACÇÃO DO BOM SENSO
de decidir seja o que for, já representa o juizo
formal de que os seus politicos são todos uns
patifes, sem dignidade nem brio nem consciencia;
um paiz em que multidão de militares, isto é, o que
deve haver de mais amante da disciplina, da ordem,
da hierarchia, da lei, baseando-se num documento
que, quando fosse verdadeiro, seria de caracter
absolutamente privado, e homens de honra jamais
tornariam publico, um paiz em que multidão de
militares, baseando-se num tal documento, se julga
desobrigada de respeitar o que decidir a nação, e
serve de pedestal á fantastica maluqueira da
primeira co-rista que veste as roupagens de
Magdalena em escuras vigílias civicas, é
positivamente um caso serio de debilidade mental
collectiva, de vocação para o ridiculo, o que,
certamente, não impedirá a tendência também para
o suicidio.
Não falo á gente velha, a toda essa gente
afundada, ha trinta annos, no caldo podre "desta"
Republica, obra de acaso, se assim se pode dizer,
producto de occasião, feita sem fé e sem fé
mantida, até que as novas gerações, já agora no
scenario propriamente politico, como que
retomaram o fio instinctivo do nosso
republicanismo tradicional. Não falo a essa gente.
Pela legalidade ou contra a legalidade só uma força
a moverá agora, como sempre: a do interesse. Falo,
sim, aos moços, áquelles mesmos que, tendo, já
penetrado esse domínio político, em que se decide
do destino da nação, são os primeiros verdadeiros
republicanos, que o Brazil co-