
exames de suplência profissionalizante, exigindo-se, nesse caso, que o
interessado comprove a prática do exercício da atividade profissional
pretendida. No outro tipo, o preparo para o trabalho se faz em cursos
rápidos ligados às funções de aprendizagem e qualificação.
Além disso, o Brasil possui outra estrutura de formação de recursos
humanos - o SNFMO, criado pelo Decreto nº 77.326/76 —, vinculada o
Ministério do Trabalho. 0 SNFMO inclui o SENAI, o SENAC, o SENAR, o
PIPMO, as empresas e outros organismos que eventualmente colaborem
em processos de preparo profissional, desenvolvidos de acor-do com as
normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Mão-de-Obra CFMO).
Esse, juntamente com a Secretaria de Mão-de-Obra do Ministé-rio do
Trabalho, constitui o órgão central do Sistema, que tem função de elaborar
"planos nacionais que definam a política global de forma-ção de mão-de-
obra, atendendo em áreas prioritárias, às novas tendências e
características da nossa força de trabalho" (BRASIL, 1979).
Coerentemente com as expectativas das empresas de grande porte, vem
sendo atribuída ao setor empresarial uma parcela cada vez maior da
responsabilidade pela formação de seus próprios recursos humanos, talvez
até em detrimento de órgãos como o SENAI e o SENAC. O estímu-lo fiscal
oferecido pela Lei 6.297/71 mostra claramente essa tendência, permitindo
às empresas descontarem em dobro, do lucro tributável para fins de
imposto de renda, as despesas realizadas com atividades de treinamento.
É verdade que, juntamente com o estímulo, criou-se um sistema de
controle centralizado dessas atividades, por parte do CFMO.
Era de se esperar que esse crescimento da iniciativa empresarial ocorres-
se, pois embora as intervenções do Estado na economia brasileira costu-
mem ser no sentido de beneficiar o setor, a empresa capitalista de grande
porte, pública ou privada, tende a preferir a auto-suficiência. Assim, a
adequação da mão-de-obra ao processo de trabalho ocorre,
predominantemente, dentro da própria empresa. SALM (1980, p. 91-9)
demonstra que essa adequação é, essencialmente, um produto histórico
do próprio processo de trabalho que é, ao mesmo tempo, processo de
formação do trabalhador. Nessa tarefa, a empresa evita, tanto quanto
possível, depender de agências externas de treinamento, ou de mão-de-
obra que seu corpo coletivo de trabalho não possa formar. Nas condições
atuais de desenvolvimento tecnológico e de organização das grandes
empresas, qualificação de mão-de-obra significa ajustamento ao ritmo do
corpo coletivo de trabalho e obtenção de condições para ocupar um posto
em uma das várias hierarquias existentes nas empresas. A capacidade de
executar tarefas será desenvolvida praticamente como produto desse
ajuste.