cronista e poeta – a mão da infanta D. Maria, o que o fez preterir a noiva em favor
da filha de Afonso IV. Nessa nova situação, D. Pedro se casaria com D. Branca,
filha do Infante D. Pedro de Castela e prima do rei Afonso XI.
Ainda criança, D. Branca é levada à corte portuguesa. Estabeleceu-se que,
quando completassem doze anos, o casamento seria sacramentado. Desde cedo, no
entanto, D. Branca mostrou-se de saúde fraca. Quando finalmente completaram a
idade para se casarem, decidiu-se que seria mais conveniente esperar por mais
dois anos, na esperança de que D. Branca pudesse ter sua saúde restabelecida. Não
aconteceu. Decidiu-se em conselho, então, desatar de vez o matrimônio.
D. Afonso IV tratou, desde logo, de arranjar outro casamento para o seu
filho. Mais uma vez o monarca português fez-se valer da política de casamentos.
Consultados os conselheiros, pensou-se para mulher de D. Pedro a filha do rei de
Aragão, a irmã do rei de França ou a filha do duque de Milão. Optou-se, afinal,
por Constança Manuel, a mesma que tivera seu noivado desfeito com Afonso XI.
Tal casamento seria uma tentativa de se estabelecer a paz entre Portugal e Castela.
Conforme destaca Manuela Mendonça, o monarca castelhano casou-se com
D. Maria de Portugal em 1328, o que selou, temporariamente, a paz entre os
reinos.
Porém, este consórcio não foi marcado pela felicidade, sendo certo que o rei
preferiu uma amante, D. Leonor de Gusmão, impondo à real consorte um
permanente retiro em Sevilha. Aí viveu a filha de Afonso IV com seu filho, Pedro,
que nascera em 1334. Entretanto, Afonso XI teria, com a amante, dez outros filhos.
Tal situação desagradava profundamente o rei de Portugal, que abriu um claro
conflito com o genro. Esse conflito iria agudizar-se quando o rei português
escolheu para noiva do sucessor régio, D. Pedro, a D. Constança Manuel. Era a
jovem filha do poderoso D. João Manuel, tio de Afonso XI, com quem antes fora
acordado casamento para a mesma jovem. Ora o rei de Castela preterira a noiva a
favor da infanta D. Maria, o que levara D. João Manuel a perfilar-se no grupo que,
em Castela, se opunha ao seu rei. O descontentamento do rei de Portugal pelo
modo como Afonso XI procedia com D. Maria terá encontrado eco no fidalgo
castelhano ofendido, o que viria a contribuir para a união de forças feita, que foi
selada com o casamento do herdeiro português com D. Constança Manuel. Tal
frente de oposição não agradou, naturalmente a Afonso XI, que decidiu dificultar a
vinda da noiva para Portugal. De facto, feita a negociação do casamento em 1335,
o mesmo só viria a realizar-se em 1340. Entretanto, D. Afonso IV decidira usar a
força das armas, enfrentando o genro, para resolver o conflito.