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há pouco operou em favor da gente brasileira,
quando fez raiar, rasgando as trevas do inferno,
na arcada celeste, esplendoroso arrebol.
Envolta, há séculos, no horror da escuridão idolátrica,
houve nas terras do Sul uma nação que dobrara a cabeça
ao jugo do tirano infernal, e levava uma vida
vazia de luz divina. Imersa na mais triste miséria,
soberba, desenfreada, cruel, atroz, sanguinária,
mestra em trespassar a vítima com a seta ligeira,
mais feroz do que o tigre, mais voraz que o lobo,
mais assanhada que o lebréu, mais audaz que o leão,
saciava o ávido ventre com carnes humanas.
Por muito tempo tramou emboscadas: seguia,
no seu viver de feras, o exemplo do rei dos infernos,
que por primeiro trouxe a morte ao mundo, enganando
nossos primeiros pais. Dilacerava os corpos de muitos,
com atrozes tormentos, e, embriagada de furor e soberba
ia enlutando os povos cristãos com mortes freqüentes.
Mas um dia o pai onipotente volveu os olhares
dos reinos da luz à noite das regiões brasileiras,
às terras que suavam, em borbotões, sangue humano.
Então mandou-lhes um heróis das plagas do Norte,
um heróis que vingasse os crimes nefandos,
que banisse as discórdias, freiasse o assassínio,
bárbaro e contínuo, acabasse com as guerras horrendas,
abrandasse os peitos ferozes e não sofresse impassível
cevar-se em sangue de irmãos queixadas humanas.
E já trezentos e doze lustros o tempo volvia.
depois que o Criador dos astros, feito homem,
saíra do seio da Virgem Maria impoluta,
iluminado de esplêndidos fulgores a terra,
sepultada, há séculos, no negror do pecado.
Eis que, liberta dos perigos do mar e de há muito esperada,
uma esquadra fundeia na baía a que todos os Santos
legaram o nome. Trazia, salvo das fauces do oceano,
um singular herói, de extraordinária coragem,
Mem, que do sangue de nobres antepassados
e de seiva ilustre de longa ascendência
herdara o sobrenome de Sá. Superiores aos anos,
ornam-lhe o rosto barbas brancas e majestosas:
alegres as feições, sombreadas de senil gravidade,
vivos os olhos, másculo o arcabouço do corpo,
frescas ainda, como de moço, as forças de adulto.
Muito mais excelente é a alma: pois lha poliram
vasta ciência, com a experiência longa do mundo,
e a arte da palavra bela. Arraigado no seio
traz um amor de Deus, santo, filial, verdadeiro
e a fé de Cristo jamais desmentida. No peito,
incendiado pelo sopro divino, ferve-lhe o zelo
de arrancar as almas brasílicas às cadeias do inferno.