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se haja tentado empregá-la em português, nem talvez seja coisa que mereça trasladação. A forma entretanto é
graciosa e não encontra dificuldade na nossa língua, creio eu.
iii
A estes versos respondeu o meu talentoso amigo Ernesto Cybrão com a seguinte poesia; vale a pena escrever
de meninas e moças, quando elas produzem estas flores e frutos:
Flor e Fruto
A antítese é mair (sic) do que pensaste, amigo.
Está naquela idade em que se busca o abrigo
Do berço contra o sol, do mundo contra o lar;
Antemanhã da vida, hora crepuscular,
Que traz dormente a moça e desperta a menina:
Esta brinca no céu, encarnação divina,
Aquela sonha e crê...quantos sonhos de amor!
São uma e outra a mesma: o fruto sai da flor.
Era a flor perfumosa e bela e delicada,
A sedução da brisa, o amor da madrugada;
Mas nasce o fruto amargo, e traz veneno em si.
Aqui morre a menina e nasce a moça; aqui
Cede a criança-luz o passo à mulher-fogo;
E vai-se o querubim, surge o demônio; e logo
Da terra faz escrava e quer pisá-la aos pés.
Insurjo-me: serei vassalo mau talvez,
Serei; e ao triste exílio o coração condeno.
Peço a menina-flor, dão-me a mulher-veneno;
Prefiro o meu deserto, a minha solidão:
Ela tem o futuro, e eu tenho o coração.
Bem sabes tu que adoro as louras criancinhas,
E levo a adoração no êxtase. Adivinhas
Que encontro na criança um perfume dos céus
E nela admiro a um tempo a natureza e Deus.
Pois, quando cinjo ao colo uma menina, e penso
Que inda há de ser mulher, sinto desgosto imenso;
Porque pode ser boa, e vítima será,
E, para ser ditosa, há de talvez ser má...
De mim dirás com pena: “Oh! coração vazio!
Cinza que foste luz! lama que foste rio!”
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Olha, amigo, a mulher é um ídolo. Tens fé?
Ajoelha e sê feliz; eu contemplo-a de pé.
Cede a Menina e Moça à lei comum: divina
E bela e encantadora enquanto a vês menina;
Moça, transmuda a face e toma um ar cruel:
Desaparece o arcanjo e mostra-se Lusbel.