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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
INSTITUTO DE QUÍMICA
Programa de Pós-Graduação em Bioquímica
PAULO DE PAIVA ROSA AMARAL
Estudo da biossíntese e regulação de RNAs não-
codificadores intrônicos em células humanas
São Paulo
Data do Depósito na SPG:
20/09/2006
Vinte de Setembro de Dois Mil e Seis
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PAULO DE PAIVA ROSA AMARAL
Estudo da biossíntese e regulação de RNAs não-
codificadores intrônicos em células humanas
Dissertação apresentada ao Instituto de
Química da Universidade de São Paulo para
obtenção do Título de Mestre em Bioquímica
Orientadora: Profa. Dra. Aline Maria da Silva
São Paulo
2006
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AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE
TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA
FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE.
DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO DO CONJUNTO DAS QUÍMICAS
Amaral, Paulo de Paiva Rosa
Estudo da biossíntese e regulação de RNAs não-codificadores intrônicos em
células humanas/ Paulo de Paiva Rosa Amaral; orientadora Aline Maria da Silva.
---São Paulo, 2006.
115 f.
Dissertação (Mestrado - Programa de Pós-Graduação em Bioquímica. Área
de Concentração: Bioquímica) – Instituto de Química da Universidade de São Paulo.
1. RNA não-codificador. 2. Íntron. 3. Transcrição. 4. Receptor de Andrógeno. 5. RNA
Polimerase II. 6. α-Amanitina.
Paulo de Paiva Rosa Amaral
Estudo da biossíntese e regulação de RNAs não-codificadores intrônicos em células
humanas.
Dissertação apresentada ao Instituto de
Química da Universidade de São Paulo para
obtenção do Título de Mestre em Bioquímica
Aprovado em: ____________
Banca Examinadora
Prof. Dr. _______________________________________________________
Instituição: _______________________________________________________
Assinatura: _______________________________________________________
Prof. Dr. _______________________________________________________
Instituição: _______________________________________________________
Assinatura: _______________________________________________________
Prof. Dr. _______________________________________________________
Instituição: _______________________________________________________
Assinatura: _______________________________________________________
À minha mãe, Dóris, que com amor sempre se doou completa e
incondicionalmente para a felicidade e educação de seus filhos.
A ela devo tudo.
AGRADECIMENTOS
À Profa. Dra. Aline Maria da Silva, que contribuiu decisivamente para esta etapa da
minha formação. Pelo encorajamento, atenção e orientação constantes, e,
especialmente, por sua amizade e generosidade.
Ao Prof. Dr. Sergio Verjovski-Almeida, pela co-orientação e suporte, mas
principalmente por seu entusiasmo científico que me serviu de grande incentivo. Ao
Prof. Dr. Eduardo Reis, cujo apoio e colaboração foram muito importantes para o
desenvolvimento deste trabalho.
Ao Helder Nakaya, grande amigo e companheiro de trabalho, que participou
ativamente em todo o projeto e que tornou minha estada em São Paulo mais
divertida.
Aos amigos do laboratório que me aconselharam, apoiaram e ensinaram durante
esse período: Alexandre, Ana Carolina, Andrea, Daniela Beton, Daniela Gonzalez,
Evelyn, Fernanda, Isabel, Ivone, Juliana, Layla e Renato. Em especial, ao Paulo
Zaini (Paulinho), companheiro de várias iniciativas, Patrícia e Leandro, pelos bons
momentos compartilhados.
Também aos amigos do Lab-Verjo/Edu com quem tive uma convivência diária
agradável e troquei experiências enriquecedoras. Em especial, ao Rodrigo Louro,
parceiro em várias etapas deste projeto, e aos amigos mais próximos Thiago, Júlio,
André e Ana.
Agradeço enormemente aos Professores que cederam equipamentos e espaço de
seus laboratórios: Dr. Armando Ventura (ICB), Dra. Carla Columbano, Dra. Maria
Julia Manso Alves, Dra. Suely Gomes e Dra. Mari Sogayar. Também aos membros
de seus laboratórios, especialmente à Fernanda Festa que contribuiu ativamente
para este trabalho.
Ao Milton e Diorge, que co-habitaram comigo neste período e com amizade e
camaradagem me proporcionaram uma convivência alegre e familiar.
Aos participantes do grupo Ciência com Cerva, com os quais vivi momentos muito
divertidos e instrutivos. Aos PDBs: Blanes, Mineiro, Pererê, Sinistro, Paulinho,
Luquito, Guliver, Mona, Lili, Fernandinha (honoris causa), Pipoca, Rita, Júlio, Gui e
Zé, Murilon, Antero; e também às PDTs Camila, Mari e Irina; por tornarem a pós-
graduação e os congressos muito mais legais do que já são.
Ao Departamento de Bioquímica, pelo ótimo trabalho e estrutura oferecidos. Aos
professores, funcionários e todos os amigos que tive a sorte de conhecer neste
período no Instituto de Química, especialmente ao pessoal do Bloco Zero (Robson,
Stefano, Alex, etc), do Lab-Terra e demais colegas do Bloco 12. Também aos meus
Professores e grandes amigos da Universidade de Brasília.
À Fernanda Ely, por existir.
À minha mãe e aos meus irmãos, Daniela e Walter Júnior, que são meus melhores
amigos e verdadeiros pontos de apoio. À minha avó Maria Leite e ao meu avô Dito
(in memorian), que sempre me deram suporte e carinho. Agradeço muito a todos os
tios, primos e amigos, que me apóiam de todas as formas. Também ao meu pai
Walter (in memorian), cujo exemplo é marcante em minha vida.
A Deus, por me proporcionar a vida para vivê-la e estudá-la.
“Escolha um trabalho que você ama, e nunca terá que trabalhar um dia em sua
vida.”
Confúcio
RESUMO
Amaral, P.P.R. Estudo da biossíntese e regulação de RNAs não-codificadores
intrônicos em células humanas. 2006. 115 f. Dissertação (Mestrado) - Programa
de Pós-Graduação em Bioquímica. Instituto de Química, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2006.
Recentemente, tem sido demonstrado que a maioria dos RNAs transcritos em
células humanas são RNAs não-codificadores de proteínas (ncRNAs) originados de
íntrons ou regiões intergênicas. Em trabalhos anteriores realizados por nosso grupo,
foram descritos longos ncRNAs transcritos de regiões intrônicas de genes
codificadores e cuja expressão foi correlacionada ao grau de diferenciação de
tumores de próstata, apontando para a relevância fisiológica desta classe de
transcritos. Apesar de sua abundância, as propriedades, funções e regulação da
grande maioria dos ncRNAs ainda não foram elucidadas. O objetivo do presente
trabalho foi investigar a biossíntese de ncRNAs intrônicos em células humanas,
primordialmente a contribuição da RNA Polimerase II (RNAP II), bem como aspectos
de sua regulação. Primeiramente, o modelo de regulação da expressão gênica por
hormônio andrógeno foi utilizado para avaliação da participação direta de um fator
de transcrição de RNAP II, o Receptor de Andrógeno (AR), na modulação da
transcrição de ncRNAs intrônicos. Utilizando-se a técnica de imunoprecipitação da
cromatina, foi detectada a ligação do AR ao elemento de resposta a andrógeno
(ARE) presente em um possível promotor de um transcrito intrônico antisenso
(derivado do locus Myo5A), cuja expressão é aumentada em células da linhagem
LNCaP tratadas com o hormônio. A ligação ao ARE foi induzida pelo tratamento,
sugerindo que o efeito do andrógeno na expressão do ncRNA é mediado pelo AR.
Em uma segunda abordagem, o efeito da inibição da transcrição por RNAP II com α-
amanitina por 24 h em células LNCaP foi avaliado com o uso de microarranjos de
oligonucleotídeos representando transcritos total ou parcialmente intrônicos, além de
éxons de genes codificadores. A expressão de menos de 20 % dos transcritos
intrônicos foi afetada, fração significativamente menor que a observada para os
transcritos exônicos (40 %). Ainda que a maioria dos ncRNAs intrônicos
diferencialmente expressos tenha sua abundância diminuída, interessantemente, 13
a 16 % foram aumentados, contrastando com aproximadamente 2 a 3 % de
exônicos que aumentaram. Os resultados obtidos neste trabalho indicam que a
RNAP II atua na transcrição de ncRNAs intrônicos, mas que uma fração
considerável pode ser transcrita por outra RNA Polimerase.
Palavras chave: RNA não-codificador, Íntron, Transcrição, Receptor de Andrógeno,
RNA Polimerase II, α-Amanitina
ABSTRACT
Amaral, P.P.R. Investigation of the biosynthesis and regulation of intronic non-
coding RNAs in human cells. 2006. 115 p. Master’s Thesis - Biochemistry
Graduate Program. Instituto de Química. Universidade de São Paulo.
It has been recently shown that the bulk of the transcription in human cells is
comprised of non-protein-coding RNAs (or noncoding RNAs - ncRNAs) transcribed
from introns and intergenic regions. Previous work from our group has demonstrated
that expression of long intronic ncRNAs can be correlated to the degree of prostate
tumor differentiation, underscoring the physiological relevance of these transcripts.
However, the properties, functions, and regulation of this huge population of ncRNAs
remain largely unknown. The present work aimed to investigate the biosynthesis of
intronic ncRNAs and aspects of its regulation in human cells, focusing on the
contribution of RNA Polymerase II (RNAP II). Initially, the model of regulation of gene
expression by androgen hormone was used in order to evaluate the participation of
the RNAP II transcription factor Androgen Receptor (AR) in the transcriptional
regulation of intronic ncRNAs. Chromatin immunoprecipitation experiments revealed
the binding of the AR in an androgen response element (ARE) present in a putative
promoter driving the expression of an antisense intronic transcript in Myo5A locus in
LNCaP cells. The interaction occurred in an androgen-inducible fashion, along with
the up-regulation of the transcript, suggesting that hormone activation occurred in a
direct manner mediated by the AR. In a different approach, the effect of RNAP II
inhibition with α-amanitin for 24 h in LNCaP cells was analyzed using an oligoarray
representing totally and partially intronic transcripts, as well as exons of protein-
coding genes. The expression of less than 20 % of the intronic transcripts was
affected by the treatment, contrasting to a significantly higher fraction observed for
exonic messages (40 %). Moreover, most differentially expressed intronic transcripts
were down-regulated, but strikingly 13 to 16 % were up-regulated in cells with
blocked RNAP II, while this fraction for exonic transcripts was about 2 %. The results
described here demonstrate that RNAP II in fact plays a role in intronic transcription
in human cells, but also highlight that another transcriptional system may account for
the biogenesis of a fraction of intronic ncRNAs.
Keywords: Noncoding RNA, Introns, Transcription, Androgen Receptor, RNA
Polymerase II, α-Amanitin
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AR Receptor de Andrógeno
ARE Elemento de Resposta a Andrógeno
AS Antisenso
BSA Albumina de soro bovino
cDNA DNA complementar
cRNA RNA complementar amplificado
ChIP Imunoprecipitação da cromatina
DEPC Dietilpirocarbonato
DMSO Dimetilsulfóxido
DNA Ácido desoxirribonucléico
DNase Desoxirribonuclease
dNTP Desoxinucleotídeo
DTT Ditiotreitol
EDTA Ácido etilenodiaminotetracético
EST Expressed Sequence Tag
GO Gene Ontology
IgG Imunoglobulina G
kb Quilobase
MOPS Ácido 3-N-morfolino propanosulfônico
mRNA RNA mensageiro
ncRNA RNA não-codificador de proteínas
nt Nucleotídeos
Oligo Oligonucleotídeo
pb Pares de bases
PBS
Solução salina de tampão de fosfato
PCR Reação em Cadeia da Polimerase
PIN Transcrito parcialmente intrônico
PMSF Fluoreto de fenilmetilsulfonil
qPCR PCR quantitativo
RACE Rapid Amplification of cDNA Ends
RNA Ácido ribonucléico
RNase Ribonuclease
RNAP RNA Polimerase
RT Transcrição reversa
rpm Rotações por minuto
S/AS Senso/Antisenso
SDS Dodecilsulfato de sódio
SFB Soro fetal bovino
TE Tampão Tris-EDTA
TIN Transcrito totalmente intrônico
Tris Hidroximetil aminometano
U Unidade de atividade enzimática
UV Luz ultravioleta
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO...................................................................................................16
1.1. Classes de RNAs em Eucariotos .............................................................................. 16
1.2. Complexidade do Transcritoma Humano.................................................................. 18
1.3. RNAs Não-Codificadores de Proteínas (ncRNAs) .................................................... 22
1.3.1. ncRNAs Pequenos .............................................................................................. 24
1.3.2. ncRNAs Longos .................................................................................................. 28
1.3.2.1. Características Estruturais e Evidência Funcional ........................................ 28
1.3.2.2. Mecanismos de Atuação Funcional............................................................... 32
1.4. Biogênese dos ncRNAs............................................................................................. 39
2. OBJETIVOS.......................................................................................................43
3. PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS .............................................................44
3.1. Linhagens Celulares Humanas e Condições de Cultivo ........................................... 44
3.2. Planejamento dos Oligonucleotídeos........................................................................ 45
3.3. Imunoprecipitação da Cromatina (ChIP) ................................................................... 46
3.3.1. Identificação Computacional de Possíveis Sítios de Ligação ao Receptor de
Andrógeno (AR)............................................................................................................. 46
3.3.2. Fixação e Fragmentação da Cromatina .............................................................. 47
3.3.3. Imunoprecipitação com Anticorpo anti-Receptor de Andrógeno......................... 49
3.4. Obtenção e Análise de RNA...................................................................................... 50
3.5. Transcrição Reversa Fita-Específica......................................................................... 52
3.6. Ensaio de Atividade de Promotor.............................................................................. 53
3.6.1. Amplificação e Purificação do Fragmento de DNA Genômico............................ 53
3.6.2. Obtenção da construção pGL3_Saf-prom........................................................... 54
3.6.3. Transfecção de Células Jurkat............................................................................ 56
3.6.4. Ensaio da Atividade de Luciferase...................................................................... 56
3.7. Análise da Expressão Gênica com Microarranjos de DNA ....................................... 57
3.7.1. Microarranjos de Oligonucleotídeos (Oligoarrays) .............................................. 57
3.7.2. Hibridação dos Oligoarrays ................................................................................. 59
3.7.3. Tratamento e Análise dos Dados da Hibridação dos Oligoarrays....................... 60
3.7.4. Análise de Enriquecimento de GO ...................................................................... 62
4. RESULTADOS ..................................................................................................63
4.1. Análise da Regulação da Expressão de Transcritos Intrônicos por
Andrógeno..........................................................................................................................63
4.1.1. Busca bioinformática por elementos de resposta a andrógeno .......................... 63
4.1.2. Imunoprecipitação da Cromatina com Anticorpo anti-AR ................................... 65
4.2. Avaliação da Contribuição da RNAP II na Expressão de ncRNAs Intrônicos........... 71
4.2.1. Análise da Expressão do Transcrito Antisenso SAF em Células Jurkat ............. 72
4.2.1.1. Efeito da α-Amanitina na Expressão de SAF ................................................ 72
4.2.1.2. Análise do Possível Promotor de SAF .......................................................... 74
4.2.2. Avaliação do Efeito da α-Amanitina na Transcrição Intrônica Utilizando
Oligoarrays .................................................................................................................... 77
5. DISCUSSÃO......................................................................................................86
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................101
LISTA DE ANEXOS................................................................................................115
16
1. Introdução
1.1. Classes de RNAs em Eucariotos
Diversos tipos de RNA são encontrados em células eucarióticas
desempenhando diferentes papéis. Na visão clássica, a função da grande maioria
dos RNAs converge para um único processo: síntese de proteínas. Esta concepção
é refletida no chamado “dogma central da Biologia Molecular”, que apresenta o fluxo
da informação genética em todos os seres vivos na forma DNARNAProteína
(Crick, 1970). De fato, dentre os RNAs melhor caracterizados, os RNAs ribossomais
(rRNAs) são componentes estruturais e catalíticos dos ribossomos, estruturas
ribonucleoprotéicas onde ocorre o processo de tradução; os RNAs mensageiros
(mRNAs) codificam a informação armazenada no DNA que determina a seqüência
de aminoácidos dos polipeptídeos; e os RNAs transportadores (tRNAs) carregam os
aminoácidos para os ribossomos durante a síntese protéica. Outros RNAs pequenos
também são indiretamente importantes para a produção de proteínas, como os
snRNAs (small nuclear RNAs) e snoRNAs (small nucleolar RNAs), os quais atuam
no processo de splicing e na biossíntese de ribossomos, respectivamente
(Bachellerie et al., 2002; Patel & Steitz, 2003). No entanto, além destes, existem
outros RNAs presentes em virtualmente todos os eucariotos, tais como RNA
telomerásico, envolvido na síntese dos telômeros (Chen et al., 2000); SRP RNA,
componente da SRP (Signal Recognition Particle), que atua no direcionamento de
peptídeos nascentes para o retículo endoplasmático (Zwieb et al., 2005); e RNAse P
RNA, componente catalítico da Ribonuclease P (Hartmann & Hartmann, 2003).
Assim, de forma geral, é possível separar os RNAs em dois grupos: os que
contêm a informação que será traduzida em proteínas (os mRNAs) e os que não
contém, denominados RNAs não-codificadores de proteínas ou RNAs não-
17
codificantes (ncRNAs). Dentre estes últimos, os apresentados acima possuem níveis
de expressão relativamente constantes, desempenham papéis estruturais ou
catalíticos necessários para a viabilidade celular, e, portanto, podem ser chamados
de “ncRNAs constitutivos” (Morey & Avner, 2004).
Os genes que codificam mRNAs e ncRNAs constitutivos ocupam uma fração
muito pequena do genoma em eucariotos superiores (Mattick & Makunin, 2006). O
genoma humano é formado por aproximadamente 3 bilhões de pares de bases (pb),
dos quais menos de 1,5 % (cerca de 34 milhões de pb) fazem parte de seqüências
codificadoras de proteínas (Lander et al., 2001; Venter et al., 2001). Em relação às
regiões de eucromatina, esta fração codificadora representa em torno de 2 %
(Consortium, 2004) e, mesmo considerando-se apenas as regiões não-repetitivas do
genoma, não é maior que 2,3 % (Frith et al., 2005).
As regiões não-codificadoras são compostas por seqüências intergênicas, as
quais representam a maior parte do genoma humano, e íntrons. Estes correspondem
a seqüências existentes entre as porções codificadoras (éxons) dos genes e que são
removidas dos pré-mRNAs para a formação dos mRNAs maduros
1
. Cerca de 92 %
dos genes codificadores de proteínas em humanos possuem íntrons (em média de 8
a 9 por gene) e, enquanto o tamanho médio dos éxons é de ~150 pb, o dos íntrons é
de ~5.500 pb (Fedorova & Fedorov, 2005). Deste modo, os íntrons correspondem a
aproximadamente 95 % do total de pares de bases dos genes codificadores, o que
equivale a um terço do genoma (Lander et al., 2001; Venter et al., 2001). Na
verdade, todas as seqüências codificadoras de proteínas, seqüências de ncRNAs
constitutivos, e elementos regulatórios de DNA já conhecidos contabilizam apenas 5
% do tamanho total do genoma humano (Fedorova & Fedorov, 2005). Não obstante,
1
Em um sentido mais amplo, íntrons podem ser definidos como as porções de transcritos primários
(codificadores ou não) que são removidas pós-transcricionalmente pelo processo de splicing, sendo
flanqueados por éxons (seqüências transcritas que são mantidas no transcrito maduro).
18
estudos recentes vêm demonstrando que pelo menos 60 % do genoma humano é
transcrito (Carninci et al., 2005). Portanto, em oposição ao “dogma central”
mencionado acima, a maior parte do transcritoma humano é composta por RNAs
não-codificadores de proteínas (Mattick & Makunin, 2006; Pearson, 2006), que não
fazem parte do grupo de ncRNAs constitutivos, mas pertencem a novas classes de
ncRNAs que serão apresentadas adiante.
1.2. Complexidade do Transcritoma Humano
Inicialmente, a composição do conjunto de moléculas de RNA que define o
transcritoma humano foi avaliada com base na anotação do genoma, realizada
principalmente através do mapeamento de mRNAs na seqüência de DNA (Lander et
al., 2001; Venter et al., 2001). Nos últimos anos, contudo, análises de expressão
gênica em larga-escala têm demonstrado que a atividade transcricional do genoma
humano e de outros mamíferos e eucariotos superiores é muito maior do que havia
sido previsto, com a maioria dos transcritos mapeando fora de regiões anotadas do
genoma (para revisão ver Willingham & Gingeras, 2006).
Uma análise pioneira da atividade transcricional dos cromossomos 21 e 22
com microarranjos de alta densidade (tiling arrays) indicou que a diversidade de
transcritos em células humanas é aproximadamente 10 vezes maior do que predito
pela anotação gênica existente (Kapranov et al., 2002). Da mesma forma, Kampa et
al. (2004), em uma análise da atividade dos mesmos cromossomos em 11 linhagens
celulares, detectaram a expressão em 26,5 % dos pontos dos microarranjos, sendo
que apenas 2,6 % representavam genes codificadores (Kampa et al., 2004).
Consistentemente, esta abundância de transcritos em humanos e murinos vem
sendo confirmada por outros experimentos de tiling array cobrindo grandes regiões
19
genômicas (Bertone et al., 2004; Cheng et al., 2005; Kapranov et al., 2005) e
também por diferentes abordagens experimentais: seqüenciamento de bibliotecas de
cDNA (Okazaki et al., 2002; Numata et al., 2003; Carninci et al., 2005), MPSS
(Massively Parallel Signature Sequencing) (Jongeneel et al., 2005), SAGE (Serial
Analysis of Gene Expression) (Chen et al., 2002; Saha et al., 2002), ou predições
computacionais (Washietl et al., 2005; Glusman et al., 2006).
Com o emprego da tecnologia de tiling arrays, foi possível avaliar a atividade
transcricional de toda a porção não-repetitiva do genoma humano (Bertone et al.,
2004). Utilizando apenas a fração poli(A)+ de RNA de fígado de vários indivíduos,
um total de 13.889 unidades transcricionais de 209 a 3.438 nucleotídeos (nt) foram
detectadas, das quais 64,5 % (8.958) mapeiam em regiões não-anotadas do
genoma. Deste grupo, 3.095 são transcritos que mapeiam inteiramente dentro de
íntrons, sendo que 1.566 (50,6 %) são transcritos na mesma orientação do gene
codificador e a outra metade é transcrita na fita oposta, gerando RNAs antisenso.
Um quadro similar foi revelado com tiling arrays cobrindo 10 cromossomos
humanos, cerca de 30 % do genoma, com uma maior resolução que as análises
anteriores (Cheng et al., 2005). Analisando a transcrição em 8 linhagens celulares
humanas, foi observada uma hibridação de RNAs poli(A)+ de cada linhagem em
aproximadamente 5 % (em média) dos nucleotídeos representados no array, ou,
considerando todas as linhagens celulares, em cerca de 10 %. Notavelmente, 56,7
% dos transcritos correspondem a mensagens não-anotadas, das quais, em média,
31,8 % mapeiam em regiões intergênicas e o restante, em regiões intrônicas. Uma
análise pelo método de RACE (Rapid Amplification of cDNA Ends) mostrou
transcritos com tamanho médio de 680 nt, dos quais ~36 % não sofrem splicing.
Interessantemente, para 50 % dos transcritos intrônicos, encontrados inteiramente
20
dentro de íntrons ou com sobreposição com éxons, foi observada a expressão de um
RNA antisenso, apontando para a abundância de pares senso/antisenso (S/AS)
intrônicos (Cheng et al., 2005).
Todas estas observações têm alterado a compreensão da organização e
funcionamento dos genomas eucarióticos. Ao contrário de concentrar toda a
atividade transcricional em uma fração minoritária de genes codificadores, o genoma
parece ser formado por redes intricadas de regiões transcritas, incluindo porções
codificadoras e não-codificadoras, gerando moléculas de RNA que se sobrepõe total
ou parcialmente, na mesma orientação ou em orientações opostas (Carninci et al.,
2005; Kapranov et al., 2005).
Em uma análise das seqüências de 180 mil transcritos de camundongos e
humanos com as extremidades 5’ e 3’ determinadas foi observado que grande parte
do genoma é organizada em regiões transcritas inteiramente em ambas as fitas,
chamadas de “florestas transcricionais”, intercaladas por regiões de desertos
transcricionais (Carninci et al., 2005). Em muitos casos, em um mesmo locus é
observada a expressão de cadeias de pelo menos três transcritos independentes
com sobreposição S/AS ou com promotores bidirecionais (Engstrom et al., 2006).
Mais ainda, dados experimentais indicam que mais de 70 % dos transcritos em
mamíferos possuem sobreposição com um RNA antisenso, que pode ser
sobreposição total, apenas na extremidade 3’ (transcrição convergente) ou apenas
na extremidade 5’ dos transcritos (transcrição divergente), sendo esta a mais
prevalente neste estudo (Katayama et al., 2005). Estas observações somam-se ao
fato de que a maioria dos transcritos possui sítios de iniciação da transcrição, de
terminação e padrões de splicing alternativos (Carninci et al., 2005), aumentando
ainda mais a complexidade do transcritoma.
21
Recentemente, nosso grupo realizou uma análise da extensão da transcrição
intrônica em humanos, através do mapeamento de seqüências expressas em
regiões intrônicas (Nakaya et al., 2006)
2
. Após a filtragem e agrupamento de mais de
5 milhões ESTs depositadas em bancos de dados públicos e mapeamento das suas
coordenadas no genoma, foram encontradas aproximadamente 55 mil unidades
transcricionais (representadas por clusters de ESTs), sem evidência de splicing,
t
otalmente intrônicas (TIN) e 12,6 mil parcialmente intrônicas (PIN) (com
sobreposição com um éxon), cujos tamanhos médios foram mais de quatro vezes
superior ao observado para os clusters exônicos (Figura 1). Uma análise de
potencial codificador indicou que 98 % e 90 % dos transcritos TIN e PIN,
respectivamente, provavelmente correspondem a ncRNAs. Além disso, foi
observado que mais de 74 % dos genes humanos anotados possuem regiões
intrônicas transcricionalmente ativas, ressaltando a abundância dos ncRNAs
intrônicos.
2
Nakaya et al. (Submetido). ANEXO 1 - incluso no CD-ROM suplementar a esta Dissertação.
22
% dos transcritos da classe correspondente
Extensão (bases)
Éxon (tamanho médio: 141 bases)
Íntron
ESTs
Cluster Parcialmente Intrônico
(tamanho médio: 719 bases)
Cluster Totalmente Intrônico
(tamanho médio: 573 bases)
Agrupamento das ESTs
Gene RefSeq
% dos transcritos da classe correspondente
Extensão (bases)
Éxon (tamanho médio: 141 bases)
Íntron
ESTs
Cluster Parcialmente Intrônico
(tamanho médio: 719 bases)
Cluster Totalmente Intrônico
(tamanho médio: 573 bases)
Agrupamento das ESTs
Gene RefSeq
Figura 1 - Distribuição de tamanho de unidades transcricionais identificadas em loci
anotados do genoma humano. Os transcritos foram definidos pelo agrupamento (cluster) de
ESTs mapeando totalmente ou parcialmente em íntrons, ou em éxons de genes curados
(RefSeq) (adaptado de Nakaya et al., submetido).
1.3. RNAs Não-Codificadores de Proteínas (ncRNAs)
Como já mencionado, existe uma grande diversidade de ncRNAs não-
constitutivos em células eucarióticas, os quais incluem transcritos que variam de 19
a milhares de nucleotídeos. Embora poucos ncRNAs tenham sido caracterizados, a
maioria não apresenta conservação de seqüência e apresenta baixos níveis de
expressão (Johnson et al., 2005). Estas observações, associadas à enorme fração
de transcritos que os ncRNA representam, têm levantado um debate em torno da
sua funcionalidade e relevância fisiológica (Dennis, 2002; Brosius, 2005; Castillo-
Davis, 2005; Huttenhofer et al., 2005; Johnson et al., 2005).
De um lado, há a hipótese de que ncRNAs representam meramente ruído
transcricional, produzido pelo reconhecimento ilegítimo de promotores pela RNA
Polimerase II, ou apenas produtos secundários de processos de ativação da
23
transcrição que ocorrem na cromatina para permitir a expressão de genes
codificadores de proteínas (Dennis, 2002; Cawley et al., 2004; Wang et al., 2004;
Kapranov et al., 2005). Por outro lado, tem sido proposto que estes ncRNAs ainda
não caracterizados podem desempenhar funções regulatórias (Mattick, 2003;
Szymanski & Barciszewski, 2003; Reis et al., 2005). Especula-se que ncRNAs
poderiam compor redes de sinalização que controlariam e integrariam processos
celulares, com papel determinante na ontogenia e evolução dos eucariotos (Mattick,
1994; Mattick, 2001). Esta hipótese é baseada em uma série de observações
experimentais e comparações entre os genomas e transcritomas de diversos
organismos, que revelam, por exemplo, que a quantidade de DNA não-codificador e
a razão do número de RNAs não-codificadores/RNAs codificadores aumentam
proporcionalmente à complexidade do organismo, enquanto a mesma correlação
não é observada para o número de genes codificadores (Mattick, 2004; Claverie,
2005; Frith et al., 2005; Amaral & Nakaya, 2006).
De fato, ncRNAs têm sido associados à regulação de uma grande variedade
de processos celulares, tais como splicing alternativo, edição de RNA (conversão de
adenosinas em inosinas), silenciamento gênico, compensação de dose, imprinting
genômico, metilação de DNA e formação de heterocromatina, expandindo o
repertório de papéis dos RNAs (Figura 2) (para revisão ver Mattick & Makunin,
2006).
24
Figura 2 - Representação esquemática das funções desempenhadas por ncRNAs em células
eucarióticas. São apresentados exemplos de diferentes papéis regulatórios envolvendo
ncRNAs, em contraste com a visão do RNA atuando apenas como intermediário na síntese
p
rotéica. Os círculos representam as proteínas envolvidas no processamento e vias de
atuação de alguns tipos de ncRNAs (siRNA: short interfering RNA, miRNA: microRNA,
dsRNA: double-
s
tranded RNA
)
(
extraído de Amaral & Naka
y
a
2006
.
1.3.1. ncRNAs Pequenos
Dentre os ncRNAs, os mais estudados e caracterizados pertencem às classes
de pequenos RNAs (small RNAs), com destaque à classe dos microRNAs (miRNAs).
Os miRNAs são em geral originados a partir de unidades transcricionais
25
independentes, os pri-miRNAs (transcritos primários), que formam estruturas
secundárias características e passam por duas etapas principais de processamento
até formarem miRNAs maduros de cerca de 21 a 23 nt (para revisão ver Bartel,
2004; Mattick & Makunin, 2005). Alguns miRNAs encontrados dentro de regiões
intrônicas de genes podem ser originados de íntrons processados (Rodriguez et al.,
2004).
Os primeiros miRNAs foram detectados em Caenorhabditis elegans
regulando o desenvolvimento larval (Lee et al., 1993; Wightman et al., 1993;
Reinhart & Bartel, 2002) e hoje eles são reconhecidos como uma classe fundamental
de moléculas regulatórias presentes em animais, plantas e vírus (Ruvkun et al.,
2004; Berezikov & Plasterk, 2005). As moléculas de miRNA atuam tipicamente em
trans (sobre RNAs de diferentes loci), como RNAs antisenso, direcionando de forma
específica a degradação ou a inibição da tradução de RNAs alvo que apresentam
complementaridade total ou parcial, respectivamente (Bartel, 2004; Petersen et al.,
2006). O processo envolve a via de “interferência de RNA”, ou RNAi (RNA
interference), no qual os miRNAs se associam a complexos contendo
endonucleases, denominados RISC (RNA induced silencing complex), e direcionam
o silenciamento pós-transcricional de genes específicos (Bartel, 2004).
A maioria dos miRNAs apresenta seqüências conservadas (Lagos-Quintana
et al., 2003) e muitos têm a expressão modulada espacial ou temporalmente
(Krichevsky et al., 2003; Kasashima et al., 2004; Liu et al., 2004; Wienholds et al.,
2005), participando da regulação de uma enorme gama de processos fisiológicos
(Ambros, 2004), inclusive em tumorigênese (Esquela-Kerscher & Slack, 2006). Um
miRNA pode ter muitos alvos e um RNA pode ser alvo de vários miRNAs,
ampliando, assim, sua influência em redes de regulação da expressão gênica (Farh
26
et al., 2005; Lim et al., 2005). Alguns estudos indicam que aproximadamente 30 %
dos genes em humanos têm a expressão modulada por miRNAs (Krek et al., 2005;
Lewis et al., 2005), sendo que já foram descritos mais de 400 miRNAs (Griffiths-
Jones, 2004) e cerca de mil foram preditos computacionalmente (Berezikov et al.,
2005), com muitos validados experimentalmente (Berezikov et al., 2006).
Além dos miRNAs, existem outras classes já conhecidas, como snoRNAs, e
novas classes de pequenos RNAs que atuam como RNAs regulatórios (Liu et al.,
2005; Mattick & Makunin, 2005). Os snoRNAs possuem de 60 a 300 nt e são
originados a partir do processamento de íntrons excisados ou da clivagem
endonucleolítica de transcritos primários. Sua atuação se baseia no pareamento de
pequenos trechos de sua seqüência com RNAs alvo, em geral envolvidos no
processo de modificação de rRNAs, no qual direcionam a atuação de proteínas que
promovem a pseudouridilação ou metilação de bases específicas (Kiss, 2002). No
ser humano, são encontrados mais de 300 snoRNAs (Liu et al., 2005); contudo,
muitos não possuem alvos conhecidos (chamados de snoRNAs órfãos) e podem
regular outros processos, tendo inclusive mRNAs como alvos (Kiss, 2002; Mattick &
Makunin, 2005). Alguns também não se enquadram na classe de ncRNAs
constitutivos por apresentarem expressão regulada ou tecido-específica (Cavaille et
al., 2000; Cavaille et al., 2002). Por exemplo, o snoRNA cérebro-específico HBII-52
pareia especificamente com o pré-mRNA do receptor de serotonina 5-HT2CRA,
regulando sua edição e splicing alternativo, com importantes implicações fisiológicas
e patológicas (Kishore et al., 2005). Além disso, até mesmo a alguns snRNAs (small
nuclear RNAs), como o U1 e o 7SK, têm sido atribuídos papéis regulatórios (Yang et
al., 2001; Kwek et al., 2002; Haaland et al., 2005).
27
Os também bem conhecidos siRNAs (short interfering RNAs) constituem uma
família importante de RNAs regulatórios e, similar aos miRNAs, são pequenas
moléculas de em torno de 22 nt, porém produzidas a partir de longas duplas fitas de
RNAs (dsRNA, double-stranded RNA) de origem exógena ou endógena. Estes RNAs
foram descobertos em plantas (Hamilton & Baulcombe, 1999), e em seguida
detectados em diversos eucariotos, nos quais originalmente lhes foi atribuída a
função de direcionamento da degradação de RNAs específicos (por exemplo RNAs
virais ou de transposons) (Hammond et al., 2000). Contudo, hoje se sabe que
siRNAs ocorrem naturalmente e também podem atuar na sinalização para a
degradação e inibição da tradução de RNAs alvo em cis ou em trans (Zeng et al.,
2003; Cullen, 2004a).
Desta forma, reconhece-se que miRNAs e siRNAs possuem muitas
semelhanças, diferenciando-se fundamentalmente em sua biogênese (ver adiante),
sendo que ambos são processados e atuam por vias relacionadas, envolvendo a
maquinaria de RNAi, com algumas etapas e componentes diferentes (especialmente
as proteínas da família Argonauta, componentes centrais dos complexos RISC, que
se associam ao RNA regulatório e promovem o silenciamento do RNA alvo) (Bartel,
2004; Sontheimer & Carthew, 2004). Vale ressaltar que suas funções vão além das
já mencionadas, incluindo regulação ao nível transcricional (Bernstein & Allis, 2005).
Pequenos RNAs e a via de RNAi têm sido associados ao controle da estrutura da
cromatina, por exemplo direcionando modificações de histonas e de DNA essenciais
para o silenciamento da cromatina e dinâmica estrutural dos cromossomos em
animais, plantas, fungos e protozoários (Volpe et al., 2002; Bayne & Allshire, 2005;
Matzke & Birchler, 2005; Mochizuki & Gorovsky, 2005; Wassenegger, 2005).
28
Na verdade, diversos tipos de siRNAs endógenos e novas classes de
pequenos RNAs têm sido encontradas em diferentes eucariotos (Kim, 2005; Mattick
& Makunin, 2005; Zamore & Haley, 2005). A descoberta recente dos piRNAs (Piwi-
interacting RNAs) constitui a primeira demonstração da ocorrência de RNAs
pequenos endógenos em mamíferos além dos miRNAs e indica que muitos RNAs
regulatórios pequenos ainda estão por ser descobertos. Milhares destes RNAs de 26
a 31 nt (certamente processados de longos transcritos primários) foram encontrados
associados com proteínas Argonauta da subfamília PIWI e, sendo expressos
especificamente e de forma extremamente abundante em testículos de ratos e
camundongos, podem estar envolvidos no processo de espermatogênese em
mamíferos (Aravin et al., 2006; Girard et al., 2006; Grivna et al., 2006; Lau et al.,
2006; Watanabe et al., 2006).
1.3.2. ncRNAs Longos
1.3.2.1. Características Estruturais e Evidência Funcional
Apesar da sua relevância funcional, os pequenos RNAs conhecidos e seus
precursores representam apenas uma pequena parcela do genoma e do
transcritoma humano. Como discutido anteriormente, as análises de tiling arrays e
seqüenciamento em larga escala de cDNAs completos têm detectado transcritos de
tamanho médio maior que 0,5 kb, muitas vezes bem acima de 1 kb, ocorrendo fora
das regiões de éxons de genes anotados e apresentando pouco ou nenhum
potencial codificador. Alguns destes RNAs podem codificar pequenos peptídeos
(Frith et al., 2006), mas para a grande maioria não há evidência de capacidade
codificadora, devendo constituir de fato ncRNAs, dos quais poucos foram
29
caracterizados. Não se sabe, por exemplo, se (e em qual proporção) estes RNAs
longos podem ser processados e dar origem a novos RNAs regulatórios pequenos.
Muitos ncRNAs longos detectados compartilham características estruturais
com mRNAs, tais como presença de cauda poli(A), cap 5` e splicing, sendo
chamados de mRNA like ncRNAs (Erdmann et al., 2001; Numata et al., 2003).
Porém, estudos recentes demonstram que uma fração majoritária não possui estas
características. Surpreendentemente, foi observado que cerca de metade de todos
os transcritos em células humanas são retidos no núcleo e, mais ainda, que
aproximadamente 44 % dos RNAs nunca são poliadenilados e 37 % são bimórficos,
encontrados nas formas poli(A)+ e poli(A)- (Cheng et al., 2005). É interessante notar
que mais da metade dos RNAs poli(A)- nunca exportada para o citoplasma são
transcritos intrônicos.
Uma grande parcela dos ncRNAs longos encontrados com as metodologias
baseadas em síntese de cDNA com oligo(dT) não correspondem necessariamente a
RNAs pós-transcricionalmente poliadenilados, mas a transcritos ainda maiores
detectados devido à existência de trechos ricos em adeninas em sua seqüência, que
servem de sítios internos de anelamento (internal priming) (Furuno et al., 2006).
Analisando apenas regiões intergênicas, Furuno e colaboradores (2006)
encontraram 66 ncRNAs maiores que 10 kb, chamados de macro ncRNAs, pela
extensão de seqüências de transcritos não-codificadores que haviam sido clonadas
originalmente como cDNAs menores, originados por internal priming de transcritos
mais longos. Dentre estes transcritos, foram encontrados dois macro ncRNAs bem
estudados, XIST (18 kb) e AIR (108 kb) (ver adiante), e é possível que muitos
ncRNAs sejam incluídos nesta classe. Nesta análise, 8.228 (de um total de 20.708)
unidades transcricionais intrônicas presentes no banco de dados original foram
30
excluídas, a fim de evitar a detecção de pré-mRNAs, mas é provável que muitos
macro ncRNAs intrônicos ocorram naturalmente nas células. É importante destacar
que, apesar de alguns ncRNAs serem detectados como produtos de internal priming,
eles não são produtos de contaminação com DNA genômico durante os
procedimentos de clonagem, mas representam transcritos reais (Ravasi et al., 2006).
Reis et al. (2004) também reportaram a existência de ncRNAs longos
transcritos a partir de íntrons e que são expressos em tumores de próstata humanos.
A caracterização destes transcritos por RACE e Northern blot revelou ncRNAs
totalmente intrônicos de 0,6 a 1,1 kb que não sofrem splicing e são expressos nas
formas antisenso, senso ou em ambas orientações, relativas aos genes em que
mapeiam (Reis et al., 2004). O tamanho destes transcritos é similar ao observado na
recente análise de seqüências expressas que mapeiam em regiões intrônicas
humanas, apresentada na Figura 1. Também em camundongos, das 23.218
unidades transcricionais diferentes definidas como ncRNAs (número superior ao
encontrado para genes codificadores, 20.929), ~37 % aparentemente não sofrem
splicing e sua distribuição de tamanho mostra um pico acima de mil nucleotídeos
(Carninci et al., 2005). Além disso, uma análise da expressão antisenso em
camundongos indica que RNAs antisenso freqüentemente não são poliadenilados
(Kiyosawa et al., 2005).
Consistente com a idéia de que muitos ncRNAs longos têm relevância
fisiológica, tem sido observado que a expressão de um grande número de ncRNAs
em humanos e camundongos ocorre de forma tecido-específica e é regulada em
resposta a sinais externos e mudanças ambientais (Cawley et al., 2004; Kampa et
al., 2004; Reis et al., 2004; Ravasi et al., 2006). Por exemplo, o nível da expressão
de ncRNAs é regulado em células humanas em diferenciação induzida por ácido
31
retinóico, com uma resposta similar à observada para a população de mRNAs
(Cawley et al., 2004). Resultados similares foram observados por nosso grupo para
ncRNAs intrônicos longos senso e antisenso, cuja expressão foi modulada
temporalmente em células humanas tratadas com hormônio andrógeno (Louro et al.,
2006)
3
. Também em camundongos, um repertório diferente de ncRNAs foi
observado em vários tecidos e sua expressão em macrófagos foi alterada
dinamicamente em resposta ao estímulo com LPS (Ravasi et al., 2006).
Em Drosophila, análises com tiling arrays representando todo o genoma (nas
quais cerca de 40 % das regiões intrônicas mostraram atividade transcricional)
revelaram ncRNAs com expressão regulada em estágios específicos do
desenvolvimento e que apresentam conservação superior às seqüências não-
transcritas (Stolc et al., 2004). Estudos de genômica comparativa têm também
indicado a relevância funcional das regiões não-codificadoras em humanos,
constatando que em torno de 5 % do genoma estão sobre pressão seletiva, apesar
de apenas 1,5 % serem compostos por seqüências codificadoras (Waterston et al.,
2002; Siepel et al., 2005). Por exemplo, a maior parte das regiões ultraconservadas,
seqüências de pelo menos 200 pb com 100 % de identidade entre o genoma
humano e murino (Bejerano et al., 2004), e também das seqüências preservadas da
inserção de transposons (Simons et al., 2006) são localizadas em regiões intrônicas
e intergênicas.
No entanto, mesmo a baixa conservação observada para muitos ncRNAs não
implica que estes não possuem função, já que muitos ncRNAs funcionais podem
estar evoluindo rapidamente (possivelmente, por seleção positiva) (Pang et al.,
2006), tal como o transcrito XIST (Nesterova et al., 2001). Um exemplo muito
3
Louro et al. (Submetido). ANEXO 3 - incluso no CD-ROM suplementar a esta Dissertação.
32
interessante foi observado na análise das seqüências conservadas em vertebrados,
mas com alta divergência entre chimpanzés e humanos, onde foram encontradas 49
regiões denominadas de HAR (Human Accelerated Regions), das quais 96 % estão
em porções não-codificadoras do genoma (Pollard et al., 2006). Dentre estas, a
região que apresentou a maior taxa de variação, HAR1, é transcrita em dois ncRNAs
(HAR1F e HAR1R) com sobreposição S/AS parcial, sendo que HAR1F é expresso
especificamente em neurônios Cajal-Retzius do neocórtex cerebral de embriões e
em cérebro adulto e apresenta estrutura secundária diferente da encontrada em
chimpanzé. Em outro exemplo, foram encontrados milhares de regiões
correspondentes entre os genomas de humanos e camundongos sem similaridade
de seqüência primária e que são fontes de ncRNAs com estruturas secundárias
conservadas (Torarinsson et al., 2006).
Finalmente, uma informação importante vem da constatação que muitos
ncRNAs estão envolvidos no desenvolvimento de várias doenças genéticas em
humanos (Costa, 2005; Szymanski et al., 2005). Por exemplo, a expressão de
ncRNAs intrônicos longos foi correlacionada com o grau de diferenciação de tumores
de próstata (Reis et al., 2004); observação semelhante à demonstração de que
microRNAs têm expressão característica em tumores, podendo servir como
classificadores tumorais (Lu et al., 2005).
1.3.2.2. Mecanismos de Atuação Funcional
O mecanismo funcional dos ncRNAs pode basear-se em interações
específicas RNA-RNA, RNA-DNA ou RNA-proteína, tirando proveito da versatilidade
e flexibilidade do RNA, que pode formar estruturas secundárias e terciárias. Os
complexos formados por sua vez podem sinalizar para a atuação de proteínas
33
efetoras, e a regulação pode dar-se tanto sobre a expressão de genes mapeando no
mesmo locus do ncRNA (cis) quanto em loci diferentes (trans) (Mattick, 2003;
Huttenhofer & Schattner, 2006).
As observações acumuladas de que uma grande parte dos genes possui
expressão antisenso em humanos e outros eucariotos (Yelin et al., 2003; Chen et al.,
2004; Chen et al., 2005; Katayama et al., 2005) sugerem que RNAs antisenso
podem desempenhar funções regulatórias importantes. Mesmo os pares S/AS no
genoma envolvendo apenas genes codificadores são comuns e parecem ter sido
negativamente selecionados durante a evolução dos vertebrados (Dahary et al.,
2005). No entanto, a maioria dos pares envolve ncRNAs e genes codificadores
(Katayama et al., 2005), sendo que uma gama de mecanismos de regulação pelo
antisenso tem sido proposta (Reis et al., 2005a; Munroe & Zhu, 2006).
A ocorrência de RNAs antisenso foi inicialmente reportada em bactérias, onde
são encontrados regulando a expressão gênica tipicamente via pareamento com
mRNAs alvo (Wagner & Simons, 1994; Storz et al., 2005). Em eucariotos, nos quais
são muito mais abundantes, fenômenos de regulação envolvendo interações S/AS
com regiões longas de pareamento certamente devem ocorrer no núcleo, já que a
formação de longos dsRNAs (maiores que 30 pb) no citoplasma de células
eucarióticas pode induzir uma resposta semelhante à resposta ao interferon que
culmina na morte celular (Carmichael, 2003). Uma hipótese imediata é que RNAs
antisenso poderiam parear com RNAs senso no núcleo, formando dsRNAs que
seriam substratos da via de RNAi. Dados que favorecem essa hipótese foram
obtidos em camundongos, onde se observou que a expressão de longos dsRNAs
confinada ao núcleo eventualmente produziu siRNAs e reprimiu a expressão do
gene-alvo (Shinagawa & Ishii, 2003). Contudo, não tem sido observada uma relação
34
óbvia entre a expressão natural de RNAs antisenso e de RNAs senso
correspondentes.
Cawley et al. (2004) analisaram, com o uso de tiling arrays, a expressão de
um grande número de pares S/AS envolvendo mRNAs e ncRNAs presentes no
citoplasma de células humanas NCCIT e modulados pelo tratamento com ácido
retinóico. Eles observaram uma expressão correlacionada positivamente (S e AS
simultaneamente aumentados ou diminuídos) mais freqüentemente do que o
esperado por acaso, mas encontraram poucos casos de correlação negativa
(esperada em caso do envolvimento da via de silenciamento por RNAi). Entretanto, o
estudo individual da expressão de oito pares envolvendo treze ncRNAs antisenso e
mRNAs (senso) correspondentes afetados temporalmente por LPS em culturas
celulares de macrófagos de camundongos não revelou nenhuma co-regulação
(positiva ou negativa) (Ravasi et al., 2006). Por último, Katayama et al. (2005)
examinaram 15 pares S/AS expressos em uma série temporal em condições
similares às do estudo anterior e observaram co-regulação para 7 pares, incluindo
correlação positiva (3 pares), negativa (2 pares) ou sem relação óbvia. Estes
resultados argumentam contra a hipótese simplista do papel dos RNAs antisenso
apenas como moléculas com atuação negativa em cis.
O pareamento específico de RNAs antisenso com RNAs codificadores pode
ter outras conseqüências funcionais. A região de complementaridade pode envolver
elementos regulatórios presentes nos pré-mRNAs, incluindo sinais de localização
celular, poliadenilação ou elementos de splicing (sítios de splicing, enhancers e
silencers), de forma que o pareamento com um RNA antisenso poderia “mascarar”
estes elementos e controlar estes processos. Esta forma de regulação do splicing
alternativo foi demonstrada para o gene pró-apoptótico FAS. Yan et al. (2005)
35
mostraram que o transcrito intrônico de 1,5 kb SAF, antisenso ao FAS, ao ser
superexpresso, modula a abundância de uma isoforma dos transcritos de FAS e
aumenta a resistência das células transfectadas ao processo de apoptose mediado
por este gene (Yan et al., 2005).
Alternativamente, um dúplex de dsRNA pode sinalizar para o processo de
edição de RNA com a conversão de adenosinas em inosinas por desaminases
chamadas ADARs (Adenosine Deaminases Acting on RNAs) (Bass, 2002). Esta
edição pode ter diferentes conseqüências como, por exemplo, alterar o potencial
codificador (Bass, 2002), o splicing alternativo (Laurencikiene et al., 2006) e a
formação de estruturas secundárias do mRNA, já que a inosina pareia com citosina
ao invés da uracila; ou até mesmo promover a retenção nuclear do RNA alvo,
considerando que RNAs com alto conteúdo de inosinas são preferencialmente
retidos no núcleo (Zhang & Carmichael, 2001). Deste modo, as células poderiam
regular a expressão de um determinado gene diminuindo o conteúdo citoplasmático
do transcrito senso. Acredita-se que os elementos retrotransponíveis Alu, exclusivos
de primatas e que representam 10 % do genoma humano, podem desempenhar um
papel importante na regulação da expressão gênica, especialmente envolvendo a
edição de RNA, visto que genes contendo inserções Alu em suas porções não-
codificadoras são freqüentes alvos de edição de RNA (Athanasiadis et al., 2004).
Interessantemente, várias ADARs são expressas especificamente no cérebro, onde
o processo de edição de RNA é particularmente ativo (Bass, 2002; Maas et al.,
2003). Além disso, a formação de longos dsRNAs no núcleo poderia afetar a
estrutura da cromatina (ver a seguir), por exemplo na indução da formação de
heterocromatina, similar ao observado para pequenos RNAs e com um possível
envolvimento da maquinaria de RNAi.
36
Interessantemente, a maioria dos loci gênicos humanos regulados pelo
processo de imprinting genômico, fenômeno de expressão monoalélica dependente
da origem paterna ou materna do alelo, são encontrados em clusters que também
contém longos ncRNAs (também regulados pelo imprinting), freqüentemente
transcritos na fita oposta (Leighton et al., 1995; Wylie et al., 2000; Hatada et al.,
2001). Como exemplo, o ncRNA AIR (Antisense Igf2r RNA) é expresso a partir do
segundo íntron do gene Igf2, estendendo até o gene Mas1, e sua expressão é
relacionada com a repressão de três genes codificados na outra fita (Sleutels et al.,
2002). O processo de imprinting envolve várias modificações epigenéticas que
marcam o alelo silenciado e que podem ser regulados por ncRNAs (Mattick, 2003).
Katayama et al. (2005) sugerem que até 81 % dos transcritos possivelmente
regulados por imprinting formam pares S/AS, indicando uma atuação em cis dos
RNAs antisenso (incluindo RNAs intrônicos) no processo.
Na verdade, não só transcritos antisenso, mas também ncRNAs senso ou
intergênicos, têm o potencial para atuar como moléculas sinalizadoras,
especialmente na modulação das alterações epigenéticas e estrutura da cromatina
(Mattick, 2003; Schmitt & Paro, 2006). Grande parte das proteínas modificadoras e
remodeladoras da cromatina possui domínios de ligação a RNA. Por exemplo, o
domínio conservado cromodomínio (Brehm et al., 2004) está presente em proteínas
das famílias de histona metiltransferases, histona acetiltransferases (HAT), HP1,
Polycomb, RBP1, CDH e SWI3 (Tajul-Arifin et al., 2003). Proteínas que interagem
com RNA também são componentes de sistemas de metilação de DNA em
mamíferos (Jeffery & Nakielny, 2004).
De fato, diversos ncRNAs longos, como AIR e XIST, estão envolvidos em
fenômenos epigenéticos, incluíndo imprinting genômico e inativação do cromossomo
37
X (Szymanski & Barciszewski, 2003). O transcrito XIST (X-inactivation specific
transcript) é um ncRNA bem conhecido por promover a compensação de dose em
células humanas, através da sinalização para inativação do cromossomo X
(Brockdorff et al., 1992; Brown et al., 1992; Chang et al., 2006). Por sua vez, XIST é
regulado em cis por um ncRNA antisenso de 40 kb, Tsix (Chang et al., 2006).
Recentemente foi demonstrado que Tsix dirige modificações de histonas no
cromossomo X, levando a eventos seqüenciais complexos que culminam na
manutenção da expressão de XIST em apenas um dos dois cromossomos sexuais.
Além disso, também foi observado que Tsix interage especificamente com a de novo
DNA metiltransferase Dnmt3a, sinalizando para a metilação do promotor de XIST
(Sun et al., 2006). Em Drosophila melanogaster, a compensação de dose também é
controlada por ncRNAs longos redundantes, roX1 e roX2 (de RNA on the X), mas
neste caso dirigindo o aumento em duas vezes da atividade do único cromossomo X
em células de machos (Park et al., 2002).
Também em D. melanogaster, o mecanismo de controle da arquitetura da
cromatina dirigido por RNA foi demonstrado para modificações em elementos
regulatórios de DNA TRE (Trithorax Response Elements), que regulam a expressão
de genes homeóticos, como o gene Ultrabitórax. RNAs transcritos a partir dos TRE
interagem diretamente com o DNA em elementos TRE para recrutar a enzima Ash1,
que promove a ativação regional da estrutura da cromatina (Sanchez-Elsner et al.,
2006). Em um estudo mais recente, observou-se que ncRNAs originados de
espaçadores intergênicos (IGS) presentes em regiões de rDNA (DNA ribossomal)
interagem com complexos remodeladores do nucléolo (NoRC), recrutando proteínas
modificadoras da cromatina e DNA metiltransferases para o silenciamento dos loci
de rDNA (Mayer et al., 2006).
38
Notavelmente, a superexpressão de fragmentos de um RNA antisenso Khps1
resultou na desmetilação de dinucleotídeos CG e metilação de sítios CC(A/T)GG em
uma região do promotor do gene Sphk1, que é sujeito a metilação tecido-específica
diferencial, sugerindo que a sinalização por RNA pode atuar em mais de um modo
(Imamura et al., 2004). Até mesmo o processo de iniciação da transcrição pode ser
regulado de diferentes maneiras por ncRNAs (Goodrich & Kugel, 2006). Por
exemplo, o transcrito não-codificador SRA (steroid receptor activator) é um co-
ativador transcricional que regula a ação do receptor de esteróides SRC-1 (Lanz et
al., 1999). Já o ncRNA TAR liga-se à proteína Tat, que recruta HATs e outras
proteínas necessária para ativação da transcrição do HIV em células humanas
(Pumfery et al., 2003).
A exposição acima torna aparente a heterogeneidade das funções
desempenhadas pelos ncRNAs, mas a descoberta de suas implicações fisiológicas
tem ocorrido de forma pontual em vários eucariotos. Apenas como exemplos,
citamos o RNA antisenso frq que regula o ciclo circadiano em Neurospora crassa
(Kramer et al., 2003); TUG1 que está envolvido na diferenciação da retina em
camundongos (Young et al., 2005); Msx1 que é necessário para o desenvolvimento
crânio-facial e dental em mamíferos (Blin-Wakkach et al., 2001); e PRINS que é um
ncRNA protetor de estresse celular, cuja alteração na expressão está envolvida no
desenvolvimento de psoríase em humanos (Sonkoly et al., 2005). Estratégias
sistemáticas para a determinação da função de ncRNAs em larga escala têm sido
desenvolvidas e podem acelerar o processo de descoberta. Em um estudo piloto
com o uso de bibliotecas de interferência de RNA associado a um ensaio celular,
foram descobertos 8 novos ncRNAs funcionais em células humanas e de
camundongos; dentre eles o transcrito NRON, que reprime a atuação do fator de
39
transcrição NFAT ao interagir especificamente com proteínas que regulam seu
transporte citoplasma-núcleo (Willingham et al., 2005).
Por fim, também foi proposto que a transcrição em si (e não os ncRNAs
produzidos) pode ter um papel regulatório importante (Chakalova et al., 2005; Reis et
al., 2005). Dentre os mecanismos propostos, destaca-se o modelo de interferência
ou colisão transcricional, pelo qual a transcrição de um ncRNA com sobreposição
(principalmente antisenso) com um gene codificador pode promover o choque físico
ou restrições topológicas entre as maquinarias de transcrição em atividade, levando
à inibição da expressão gênica. Acredita-se que este processo de repressão indireta
ocorra, por exemplo, no caso do ncRNA intergênico SRG1, cuja transcrição leva à
inibição do gene adjacente SER3 em leveduras (Martens et al., 2004; Martens et al.,
2005). Este modelo também foi proposto para explicar o efeito da transcrição do
antisenso AIR no imprinting genômico, já que deleções em porções do transcrito que
sobrepõe com as regiões de imprinting não anulam o silenciamento dos alelos (Seidl
et al., 2006).
1.4. Biogênese dos ncRNAs
Em células eucarióticas, a transcrição do DNA nuclear é atribuída a três RNA
Polimerases (I, II e III). Cada uma é majoritariamente responsável pela síntese de
diferentes classes de RNAs: A RNAP I transcreve rRNAs (5,8S, 18S e 28S), a RNAP
II sintetiza os mRNAs e a RNAP III produz os tRNAs. A RNAP II sintetiza também
alguns snRNAs (U1 a U5) e a RNAP III transcreve o rRNA 5S e também outros
snRNAs (como o RNA U6). No entanto, além destas polimerases, no ano passado
foi mostrado que uma isoforma da RNAP mitocondrial humana é encontrada no
40
núcleo celular transcrevendo alguns mRNAs e, constituindo a quarta RNAP nuclear,
foi denominada spRNAP IV (single-polypeptide RNAP IV) (Kravchenko et al., 2005).
Verificou-se recentemente que, para a biossíntese de miRNAs, longos
ncRNAs primários (pri-miRNAs) de vários kb são transcritos pela RNA Pol II, os
quais são semelhantes aos mRNAs, possuindo cap e poli-A, e podem originar
múltiplos miRNAs (Lee et al., 2004). Com o emprego da técnica de
imunoprecipitação da cromatina (ChIP), foi mostrada a associação física da RNAP II
aos seus promotores e a atividade destes foi demonstrada por ensaios de gene
repórter. Além disso, os níveis de expressão de ambos pri-miRNAs e genes
repórteres foram diminuídos pelo inibidor de RNAP II α-amanitina (Lee et al., 2004).
Resumidamente, para síntese dos miRNAs, os transcritos pri-miRNAs formam
regiões intramoleculares de dsRNA (grampos) que são clivadas no núcleo por
complexos contendo Drosha, uma endonuclease RNase III, gerando precursores
(pre-miRNAs) de 65 a 75 nt (Cullen, 2004b). Estes são exportados para o citoplasma
pela Exportina 5 (Yi et al., 2005) (Lund et al., 2004) e são então processados por
uma RNase III Dicer, que gera dúplex de ~22 nt com 2 nt não pareados nas
extremidades 3’ de cada fita (Lee et al., 2003). Os diferentes siRNAs também são
formados por Dicer (ou DCLs, Dicer-like enzymes), porém a partir de longos dsRNAs
(Bernstein et al., 2001), e Drosha não está envolvida no processo. Em diferentes
eucariotos, os dsRNAs longos que são processados pela Dicer podem ter origem na
transcrição de seqüências invertidas em série, transcrição convergente de pares
S/AS ou cópia de um transcrito por uma RNA Polimerase dependente de RNA
(RpRD) (Zamore & Haley, 2005). Para outros pequenos RNAs, como os piRNAs, o
processo de biogênese ainda não foi elucidado (Aravin et al., 2006; Girard et al.,
2006).
41
Contudo, apesar dos consistentes dados apresentados acima que
demonstram que a maior parte dos transcritos humanos são ncRNAs longos
transcritos de íntrons e de regiões intergênicas, até agora nenhum estudo abordou
direta e sistematicamente o mecanismo de biossíntese destes transcritos. Baseado
na observação de que muitos ncRNAs compartilham características estruturais com
mRNAs, tem sido amplamente assumido que os ncRNAs são transcritos pela RNAP
II (Erdmann et al., 2001; Numata et al., 2003; Willingham & Gingeras, 2006).
Uma série de observações experimentais favorece esta hipótese. Estudos
recentes utilizando a técnica de ChIP associada à interrogação de microarranjos, ou
“ChIP-chip”, revelaram a existência de sítios para ligação de fatores de transcrição
em regiões genômicas distantes de promotores canônicos de genes codificadores
(Martone et al., 2003; Cawley et al., 2004; Euskirchen et al., 2004). Utilizando esta
abordagem com a interrogação de tiling arrays representativos da seqüência
completa dos cromossomos 21 e 22 humanos, Cawley e colaboradores (2004)
verificaram que apenas 22 % dos sítios de ligação para os fatores de transcrição
Sp1, c-Myc e p53 estão localizados em regiões promotoras e que 36 % residem em
regiões internas ou imediatamente vizinhas à porção 3' de genes conhecidos. Outros
24 % dos sítios de ligação identificados para estes fatores residem em regiões
genômicas ainda não anotadas. Em adição, sítios alternativos de ligação para os
fatores de transcrição da família do NF-κB foram identificados no cromossomo 22,
indicando que sua ligação não está restrita às regiões promotoras canônicas
(Martone et al., 2003), e resultados similares foram obtidos no mapeamento dos
sítios de ligação de CREB também no cromossomo 22 (Euskirchen et al., 2004).
Neste caso, a maioria dos sítios de ligação identificados mapeia em íntrons e em
regiões não anotadas. Cabe ressaltar que muitos dos sítios de ligação de fatores de
42
transcrição associados à transcrição de ncRNAs nos cromossomos 21 e 22
humanos são conservados em camundongos (Dermitzakis et al., 2002; Cawley et al.,
2004).
No entanto, apesar das observações indiretas de ligação de fatores de
transcrição em regiões não-codificadoras, a extensão da participação da RNAP II na
transcrição das abundantes e heterogêneas classes de RNAs humanos permanece
obscura (Kim et al., 2005; Zeng & Schultz, 2005).
43
2. Objetivos
Este trabalho teve como objetivo o estudo da biossíntese de RNAs não-
codificadores (ncRNAs) intrônicos em células humanas, em particular alguns
aspectos de sua regulação e a participação da RNA Polimerase II (RNAP II) neste
processo. Para isto, foram adotadas duas estratégias diferentes. Na primeira,
investigamos a ligação de um fator de transcrição (Receptor de Andrógeno) a
possíveis seqüências promotoras que estariam dirigindo a expressão de ncRNAs
intrônicos por RNAP II de maneira regulada. Na segunda, analisamos o efeito da
inibição de RNAP II na expressão de diferentes ncRNAs, através da utilização de
microarranjos de oligonucleotídeos (oligoarrays) enriquecidos em seqüências
intrônicas com evidência de atividade transcricional.
44
3. Procedimentos Experimentais
3.1. Linhagens Celulares Humanas e Condições de Cultivo
As células de linhagens humanas utilizadas neste trabalho foram adquiridas
da ATCC (American Type Culture Collection) e cultivadas a 37 °C em atmosfera de 5
% de CO
2
em meio de cultura apropriado (Tabela 1). Os meios utilizados, RPMI
(Roswell Park Memorial Institute) e DMEM (Dulbecco’s Modified Eagle Medium)
(Gibco), foram suplementados com SFB (soro fetal bovino) (Cultilab Materiais para
Cultura de Células) 10 %, bicarbonato de sódio 1,2 g/L, e antibióticos penicilina (100
U/mL) e estreptomicina (100 µg/mL), exceto quando especificado. Para a
manutenção das linhagens em cultura, ao atingirem aproximadamente 80 % da
densidade de saturação, as células foram lavadas com solução salina PBS
(Phosphate Buffered Saline) (NaCl 140 mM, KCl 2,7 mM, Na
2
HPO
4
8 mM e KH
2
PO
4
1,5 mM, pH 7,2) e subcultivadas com o uso de solução de tripsina 0,1 % (Gibco). Os
estoques celulares foram mantidos no meio de cultivo com DMSO 10 %
(dimetilsulfóxido) estéril em reservatório contendo nitrogênio líquido.
Tabela 1 - Linhagens celulares e os meios de cultivo utilizados neste trabalho.
Linhagem Origem Meio de Cultivo
LNCaP
Adenocarcinoma de próstata metastático RPMI 1640, glicose 4,5 g/L,
piruvato de sódio 1 mM
Jurkat
Linfócito T de paciente com leucemia
aguda
RPMI 1640, glicose 4,5 g/L,
piruvato de sódio 1 mM
MDA-MB 435
Epitélio de câncer de mama humano
metastático
RPMI 1640
DU 145 Carcinoma metastático de próstata DMEM
45
Para os experimentos de imunoprecipitação da cromatina (ChIP) (seção 3.3),
cerca de 1 x 10
7
células LNCaP foram cultivadas em placas P150 (140 cm
2
) e, após
24 h, o meio foi trocado para meio RPMI contendo SFB 10 % previamente tratado
com carvão ativado. Este pré-tratamento do soro tem a finalidade de eliminar
hormônios esteróides nele presentes e foi realizado pela adição de carvão dextrana
ativado (50 mg/mL), seguindo-se de incubação no gelo sob agitação constante por 1
h. O carvão foi removido após centrifugação a 5.000 rpm por 15 min e filtragem do
sobrenadante (filtro 0,22 µm ). Após 24 h de cultivo, o meio foi substituído pelo
mesmo meio fresco contendo andrógeno sintético R1881 1 nM (NEN - Life Sciences
Products) ou veículo (etanol 0,01 %), seguindo-se uma incubação por 4 h até a
etapa de fixação da cromatina (ver adiante). Para os experimentos de inibição de
RNA Polimerase II, as células foram semeadas (~8 x 10
5
células LNCaP em placas
P60 (20 cm
2
) ou ~8 x 10
5
células Jurkat em frascos de 25 cm
2
) e cultivadas por 2
dias, quando o meio de cultura foi trocado por meio fresco com ou sem α-amanitina
(Roche) 50 µg/mL.
3.2. Planejamento dos Oligonucleotídeos
Os oligonucleotídeos (oligos) utilizados neste trabalho (Tabela 2) foram
planejados utilizando-se o programa Primer3 (http://frodo.wi.mit.edu/cgi-
bin/primer3/primer3_www.cgi) com parâmetros padrão para os oligos Saf_RT-PCR,
Saf_Prom e pGL3_Sequenc, ou o programa Primer Express versão 2.0 (Applied
Biosystems) para os demais oligos. Os principais parâmetros definidos no uso deste
último foram: tamanho dos fragmentos amplificados entre 100 e 150 pb, conteúdo
CG entre 30 e 80 %, ausência de capacidade de formação de dímeros ou de
46
estrutura secundária, temperatura de anelamento entre 58 °C e 60 °C, de acordo
com o algoritmo Nearest Neighbor (Breslauer et al., 1986).
Tabela 2 - Seqüências dos oligonucleotídeos utilizados.
Nome do oligo Seqüência de Nucleotídeos
a
F: GCTCAGCCTTTGTCTCTGATGA
PSA_ARE_III
R: TGCAAGATGATATCTCTCTCAGATCC
F: TTTGCTGGATAAGGATTCCCA
Myo5A_ARE
R: AGTTCCTTAAACTTTAGCTTAGAAAAAGGA
F: CCCCCAGCCAGCTTTACAC
GAS6_ARE
R: GCCCCGATCTCAGCTGC
F: CCAAAGTAAAAATGAAGGGAGGAA
ITGA_ARE
R: AATAATCCGAGGGACAGAGGG
F: TTGCGTATTAGCCAATTCATTTTC
DNAJC3_ARE
R: GAGGGTAGGCAAACGTGTGTG
F: GACTACAGGTGTGCGCCATCAT
Tub_ChIP
R: TGCCGTGTTCCAGGCAGTAG
F: TCCAGATTGGCAATGCCTG
Tub_RT
R: GGCCATCGGGCTGGAT
F: AGCGCAAAACCAATTTCTGT
Saf_RT-PCR
R: CGTGTTTAAAGCCCGAAGAA
F: GAATACTCGAGGATTGCCTGGCCAATGTC
Saf_Prom
R: GCTGTAAGCTTGCCTTCACGGTTATGTTTTC
F: GGCTGTCCCCAGTGCAAGTGCAGGT
pGL3_Sequenc
R: TGCAGTTGCTCTCCAGCGGTTCCAT
a
F = forward, R = reverse
3.3. Imunoprecipitação da Cromatina (ChIP)
3.3.1. Identificação Computacional de Possíveis Sítios de Ligação ao
Receptor de Andrógeno (AR)
As seqüências no genoma de até 3 kb à montante e à jusante das posições
de mapeamento dos clones de ORESTES depositados no microarranjo (Reis et al.,
2004) e correspondentes aos transcritos com expressão alterada frente ao
47
tratamento com andrógeno (Louro et al., submetido) foram analisadas quanto à
presença de possíveis sítios de ligação ao Receptor de Andrógeno (AR). Estes
motivos, chamados de ARE (Androgen Response Element), são caracterizados por
2 elementos assimétricos de 6 bases separados por 3 nucleotídeos quaisquer, cujo
consenso é uma seqüência palindrômica com os 2 elementos invertidos
(AGAACAnnnTGTTCT), encontrada no banco de dados TRANSFAC
(
http://www.gene-regulation.com/pub/databases.html/
) (Matys et al., 2003). Um
programa em linguagem PERL foi utilizado para a seleção de motivos com
identidade de pelo menos 9 das 12 bases presentes no ARE consenso. Para o
planejamento de oligonucleotídeos (flanqueando os AREs candidatos) utilizados nos
experimentos de ChIP, foram escolhidos possíveis AREs identificados próximos aos
transcritos cuja variação na expressão em resposta ao andrógeno havia sido
validada e que também haviam sido estendidos por RACE (ver adiante).
3.3.2. Fixação e Fragmentação da Cromatina
Ao meio de cultura das células LNCaP (tratadas com andrógeno ou veículo)
foi adicionado formaldeído 1 % e as placas foram mantidas à temperatura ambiente
por 10 min, a fim de promover ligações cruzadas para fixação das proteínas
associadas à cromatina. Em seguida, o meio foi incubado com glicina 125 mM por 5
min, para interromper a formação de ligações cruzadas, e, em seguida, removido. As
células foram lavadas por 2 vezes com PBS gelado contendo os inibidores de
proteases PMSF 1 mM, aprotinina 1 µg/mL e pepstatina A 1 µg/mL (Sigma). Após a
adição de 1 mL de PBS com os inibidores, com as placas sobre gelo, as células
foram raspadas e transferidas para tubos de 1,5 mL. As suspensões foram
centrifugadas a 3.000 rpm por 5 min a 4 °C e o sobrenadante foi removido. O
48
sedimento de células foi ressuspendido em 600 µL de tampão de lise (SDS 1 %;
EDTA 10 mM; Tris 50 mM, pH 8,1; contendo uma mistura comercial (Upstate) de
inibidores de protease) para uma concentração aproximada de 2 x 10
6
células/100
µL de tampão. Para a fragmentação da cromatina, os extratos celulares foram
submetidos a 15 pulsos de 10 s na intensidade de 11 % do aparelho Sonic
Dismembrator Model 500 (Fischer Scientific). Esta condição foi determinada após a
otimização das condições de fragmentação, descrita a seguir. Para evitar
superaquecimento das amostras, os tubos foram incubados em banho de gelo por 1
min entre cada pulso de sonicação.
Foi necessária a otimização das condições para quebra mecânica da
cromatina por sonicação em fragmentos entre 200 e 1000 pb, faixa de tamanho
adequada para realização da ChIP (Das et al., 2004). Testamos diversas condições
com os sonicadores Branson Sonifier de 450 W e Sonic Dismembrator Model 500,
ambos com sonda intrusiva de 3,2 mm. Na etapa de padronização, utilizamos as
linhagens celulares DU 475 e MDA-MB 436, que apresentam maior taxa de
crescimento que a linhagem LNCaP, facilitando assim a obtenção de quantidade
suficiente de células para todas as condições testadas (Tabela 3).
Para a avaliação da fragmentação do DNA, foi feita a reversão das ligações
cruzadas com 8 µL de solução de NaCl 5 M adicionados a 200 µL das amostras
sonicadas, e a mistura foi mantida a 65 °C por 4 a 6 h. Em seguida, o DNA foi
extraído com fenol/clorofórmio (Sambrook et al., 1989), ressuspendido em TE (Tris-
HCl 10 mM, EDTA 1 mM, pH 8,0) e a distribuição de tamanho dos fragmentos
verificada após eletroforese em gel de agarose 1,4 % corado com brometo de
etídeo. As condições mais apropriadas foram então testadas e refinadas para a
fragmentação da cromatina de células LNCaP.
49
Tabela 3 – Principais condições de sonicação testadas para padronização da fragmentação da
cromatina
Linhas verticais indicam condição idêntica à condição na célula acima
3.3.3. Imunoprecipitação com Anticorpo anti-Receptor de Andrógeno
Para a realização da imunoprecipitação da cromatina, foi utilizado o kit EZ
ChIP (Upstate), seguindo protocolo recomendado pelo fabricante. Em resumo, após
a lise celular e fragmentação da cromatina, o procedimento inclui as seguintes
etapas: (a) eliminação de ligantes de proteína G inespecíficos, (b) incubação com o
anticorpo de interesse, (c) precipitação do complexo anticorpo-cromatina com
proteína G, (d) lavagens do imunoprecipitado com soluções salinas de estringência
crescente e (e) eluição da cromatina. Segue-se a reversão das ligações cruzadas,
digestão das proteínas da cromatina com Proteinase K, purificação e detecção dos
fragmentos de DNA co-imunoprecipitados (Das et al., 2004).
Para a imunoprecipitação do Receptor de Andrógeno (AR), foi utilizado o
anticorpo policlonal IgG H-280 (Santa Cruz), específico para a região N-terminal do
50
AR. Alíquotas de 100 µL do extrato celular (obtido após sonicação de células
tratadas com andrógeno ou veículo) foram diluídas em 1 mL de tampão de diluição e
utilizadas para cada imunoprecipitação. Uma fração de 10 µL (0,01 %) das amostras
diluídas foi separada para servir como controle da quantidade inicial de DNA
presente (DNA input), e as imunoprecipitações foram realizadas por 14 h de
incubação com 3 µg do anticorpo H-280 ou com 1 µg de IgG normal de
camundongo, utilizado como controle negativo. O DNA resultante da
imunoprecipitação e o DNA input foram purificados e a imunoprecipitação do
complexo AR-cromatina foi confirmada por PCR com oligos específicos
(PSA_ARE_III F e R) flanqueando o ARE III (Androgen Response Element III)
presente no enhancer do gene PSA (Prostate Specific Antigen) (controle positivo).
Para os outros fragmentos de interesse, a análise por PCR foi realizada utilizando-se
oligos específicos, em reações de 50 µL contendo 2 µL do produto imunoprecipitado.
Como controle da inespecificidade na imunoprecipitação da cromatina, utilizamos
oligos para amplificação de uma seqüência interna do gene da tubulina (oligos
Tub_ChIP) (controle negativo).
3.4. Obtenção e Análise de RNA
Células LNCaP foram cultivadas em frascos apropriados até a confluência
desejada, lavadas com PBS e descoladas da superfície do frasco por tratamento
com 0,1 % tripsina seguido da adição de meio contendo SFB, ou apenas raspadas
com o auxílio de um policial de borracha em PBS. Em seguida, as células foram
sedimentadas por centrifugação a 3.000 rpm a 4 °C por 5 min e o sobrenadante foi
removido. Células Jurkat, cultivadas em suspensão, foram apenas centrifugadas
51
como descrito acima e o meio de cultura, removido. Os sedimentos foram utilizados
imediatamente ou mantidos a -70 °C até extração do RNA.
RNA total foi isolado utilizando-se o kit RNeasy (Qiagen), segundo
metodologia descrita pelo fabricante, e eluído em um volume de 30 µL de água
tratada com DEPC (Sambrook et al., 1989). As amostras contendo RNA foram
tratadas com DNase I na coluna RNeasy por 15 a 20 min à temperatura ambiente,
durante o procedimento de extração, e/ou foram tratadas com 1 U de Turbo DNase I
(Ambion) por 30 min a 37 °C após a extração e novamente purificadas utilizando-se
o kit RNeasy. Os RNAs purificados foram armazenados em alíquotas a -70 °C.
A quantificação do RNA extraído foi realizada por leitura da absorbância a 260
nm (Abs
260nm
) em espectrofotômetro NanoDrop ND-1000 (NanoDrop Technologies),
considerando-se a relação: Abs
260nm
= 1 equivalente a 40 µg/mL de RNA. A pureza
foi avaliada pela razão Abs
260nm
/Abs
280nm
, sendo considerada adequada quando
próxima de 2,0. A qualidade do RNA foi analisada no aparelho Bioanalyzer 2100
(Agilent Technologies) pela observação da integridade das bandas de RNA
ribossomal 28S e 18S (razão 28S/18S > 1,7), utilizando o RNA 6000 Nano LabChip
Kit (Agilent Technologies) com aplicação de 200 ng de RNA total. Alternativamente,
a qualidade do RNA total foi avaliada por eletroforese em gel de agarose em
condições desnaturantes. Os géis desnaturantes foram preparados segundo
(Sambrook et al., 1989), contendo agarose 1,4 %, MOPS 1X (MOPS 20 mM pH 7,0,
acetato de sódio 5 mM, EDTA 0,1 mM) e formaldeído 3,5 %. Para a aplicação, as
amostras contendo 2 µg de RNA total foram diluídas em tampão de amostra (MOPS
20 mM pH 7,0, acetato de sódio 5 mM, EDTA 0,1 mM, formaldeído 3,5 %, formamida
50 %, azul de bromofenol 3,5 µg/mL e brometo de etídeo 0,5 µg/mL), aquecidas a 65
°C por 5 min e imediatamente transferidas para banho de gelo. A eletroforese foi
52
Figura 3 - Perfil analítico típico de uma preparação de RNA total tratado com DNase I. O painel
da esquerda apresenta o eletroferograma obtido na análise com o aparelho Bioanalyzer (Agilen
t
Technologies), na qual foram utilizados 200 ng de RNA total isolado de células LNCaP, com os
dois picos maiores representando os rRNAs 18S e 28S (da esquerda para a direita). O painel
central mostra a imagem da eletroforese reconstruída após análise no Bioanalyzer. A image
m
obtida após separação de 2 µg de RNA total por eletroforese em gel de agarose desnaturante
corado com brometo de etidio está mostrada no painel da direita. As bandas equivalentes aos
rRNAs 18S e 28S estão apontadas por setas, respectivamente de baixo para cima.
procedida com o gel submerso em tampão MOPS 1X a voltagem constante (70V),
por 2 a 3 h. A Figura 3 é representativa da qualidade dos RNAs utilizados neste
trabalho.
3.5. Transcrição Reversa Fita-Específica
Reações de transcrição reversa (RT) foram realizadas com oligonucleotídeos
específicos complementares à fita senso ou antisenso da região genômica na qual
mapeia o transcrito estudado, seguida por PCR. Para as reações de RT, foram
adicionados 2 pmol de oligos senso ou antisenso à solução contendo 2,5 µg de RNA
total previamente tratado com DNase I e a mistura foi incubada a 75 °C por 10 min,
para destruição de estruturas secundárias. As amostras foram então mantidas a 55
°C até adição de 200 U da enzima SuperScript III em tampão próprio contendo
demais reagentes (Invitrogen), previamente aquecido a 55 °C por 2 min, de acordo
com a metodologia descrita pelo fabricante. As reações foram realizadas em um
53
volume final de 20 µL a 55 °C por 1 h, seguidas de incubação a 70 °C por 15 min
para inativação da enzima. Controles negativos foram realizados sem a adição da
enzima, para verificação de ausência de DNA, e/ou sem adição de
oligonucleotídeos, para a verificação de ausência de DNA contaminante e de auto-
anelamento (self-priming) (Reis et al., 2004). Controles positivos foram realizados
utilizando-se oligos complementares à tubulina (oligos TUB_RT).
3.6. Ensaio de Atividade de Promotor
3.6.1. Amplificação e Purificação do Fragmento de DNA Genômico
Para a amplificação de um segmento de 618 pb contendo o possível promotor
que dirige a transcrição do RNA antisenso SAF (Yan et al., 2005), foi planejado o par
de oligos Saf_prom_R e Saf_prom_F (Tabela 2). O oligo Saf_prom_R mapeia no
genoma humano na posição +69, relativa ao início de transcrição de SAF
determinado por Yan e colaboradores (2005), e inclui sítio para a enzima de
restrição Hind III em sua extremidade 5’. O oligo Saf_prom_F mapeia na posição -
549 desta mesma região e inclui sítio para enzima Xho I. A PCR (50 µL, em 35
ciclos) foi realizada com 250 ng de DNA genômico e Taq Polimerase (Invitrogen),
seguindo as instruções do fabricante. O produto da reação foi submetido à
eletroforese em gel de agarose 1 %, sendo aplicadas em partes diferentes do gel
uma fração de 10 µl e outra de 40 µL da reação. A porção do gel contendo a
primeira fração da reação foi separada e corada em solução de brometo de etídeo
0,5 µg/mL com agitação por 20 min após a eletroforese, para verificação do tamanho
e pureza do amplicon sob luz UV. Em seguida, foi recortada a porção do gel não
incubada com brometo de etídio correspondente ao fragmento observado, contendo
o produto amplificado presente na segunda fração da reação. O fragmento de DNA
54
foi então purificado com o kit GFX PCR DNA and Gel Band Purification (Amersham)
e eluído em 30 µl de água, segundo instruções do fabricante.
3.6.2. Obtenção da construção pGL3_Saf-prom
A amostra (14 µL) do amplicon descrito na seção anterior foi submetida à
digestão com 20 U de Hind III e Xho I (New England Biolabs) em reação de 20 µl a
37 °C por 20 h, na presença de BSA 100 µg/mL. Paralelamente, 2 µg de pGL3 Basic
(Promega) foram digeridos por 1 h com 10 U de Hind III em reação de 10 µl, sendo
em seguida adicionados 10 U de Xho I e BSA 100 µg/mL e a reação incubada por
mais 2 h. Assim, o vetor plasmidial foi linearizado, de modo a gerar-se extremidades
coesivas para a inserção do fragmento de PCR na orientação desejada à montante
do gene repórter luciferase presente no vetor. Antes de serem ligados, o vetor
linearizado e o inserto digerido foram novamente purificados após eletroforese em
gel de agarose, seguindo-se extração com o kit GFX PCR DNA and Gel Band
Purification (Amersham), como descrito na seção anterior. Foram utilizados 3 µL do
eluato (30 µL) contendo vetor, 9 µL de eluato (30 µL) contendo inserto e 5 U de T7
DNA Ligase (Invitrogen) em um volume total de 20 µL de reação de ligação a 16 °C,
para obtenção da construção denominada “pGL3_Saf-prom”. Após 16 h, a enzima
foi inativada por aquecimento a 65 °C por 15 min e a amostra foi microdialisada em
membrana VS de 0,025 µM (Milliipore) por 2 h, antes de ser utilizada para
transformação de células competentes de Escherichia coli cepa DH10B.
A eletroporação da cepa DH10B foi realizada a 2,5 kV, 200 e 25 mF com 6
µL da reação de ligação. Imediatamente após a eletroporação, 400 µL de meio SOC
(bacto-triptona 20 mg/mL, extrato de levedura 5 mg/mL, NaCl 0,584 mg/mL, KCl
0,186 mg/mL, MgCl
2
10 mM, MgSO
4
10 mM, glicose 20 mM, pH 7,0) foram
55
adicionados às células, que foram incubadas a 37 °C por 1 h e então semeadas em
meio LB-ágar (peptona de caseína 1 %, extrato de levedura 0,5 %, NaCl 1 %, ágar
bacteriológico 1,4 %, pH 7,0) contendo carbenicilina (50 µg/mL). As placas foram
mantidas a 37 °C até o aparecimento de colônias, que foram selecionadas para
inoculação em 5 mL de meio LBC (LB contendo carbenicilina 50 µg/mL) e cultivadas
a 37 °C sob agitação a 300 rpm por 9 h. A partir de cada cultura, foram retirados 3
mL para extração de DNA plasmidial, purificado em mini-preparação com o kit
QIAprep Spin Miniprep Kit (Qiagen). A presença de inserto foi verificada por PCR
partir da cultura (diluída 1: 1000) com os oligos Saf_Prom_F e R, e também por
digestão do DNA plasmidial purificado com Hind III e Xho I, seguindo-se análise por
eletroforese em gel de agarose. A confirmação da identidade e da orientação correta
do inserto na construção pGL3_Saf-prom foi obtida por seqüenciamento utilizando
os oligonucleotídeos pGL3_Sequenc F e R (Tabela 2) que flanqueiam o sítio de
inserção do fragmento. O seqüenciamento foi realizado no aparelho ABI PRISM
3100 (Applied Biosystems) conforme recomendações do fabricante, sendo que as
reações de seqüenciamento foram realizadas com Big dye terminator mix (Perkin
Elmer) e 100 ng de DNA plasmidial e oligonucleotídeos (pGL3_Sequenc F ou R) de
acordo com as instruções do fabricante.
Para obtenção de maior quantidade, o DNA plasmidial foi purificado a partir
de 50 mL de cultura bacteriana em midi-preparações, utilizando-se o kit HiSpeed
Plasmid Mid Kit (Qiagen), com eluição do DNA puro em 1 mL de TE.
Os plasmídeos (20 ng) pGL3 Control, pGL3 Basic e pRL-SV40 (Promega)
também foram utilizados na transformação de E. coli DH10B e purificados como
descrito acima, para obtenção de quantidade adequada para os ensaios de atividade
de promotor.
56
3.6.3. Transfecção de Células Jurkat
Os ensaios de atividade de promotor foram realizados na linhagem Jurkat, na
qual foi detectada a expressão do transcrito SAF (Yan et al., 2005). Células Jurkat
foram semeadas em placas de 24 poços (4 x 10
5
células / 500 µL de meio sem
antibióticos acrescido de SFB 10 %, previamente aquecido a 56 °C por 1h para
inativação de DNases). As transfecções foram realizadas no mesmo dia pelo método
de lipofecção com o reagente Lipofectamine 2000 (LP 2000), segundo instruções do
fabricante (Invitrogen). Utilizamos 4 µL de LP 2000 para transfecção de 0,8 µg de
DNA, correspondentes a 0,65 µg dos plasmídeos pGL3_Saf-prom, pGL3 Control ou
pGL3 Basic, co-transfectados com 0,125 µg do plasmídeo pRL-SV40. Este último é
utilizado para normalização da eficiência de transfecção (ver a seção seguinte). As
transfecções foram realizadas em triplicata para cada condição.
As condições de transfecção foram previamente otimizadas com testes nos
quais se variou a concentração de células, a quantidade de DNA aplicado, a
quantidade de LP 2000 e a proporção DNA/LP 2000. Nesta etapa, foram utilizados
os plasmídeos pGL3 Control (contendo o gene repórter luciferase sob controle do
promotor CMV) e pCMV-EGFP (contendo o gene GFP também sob o controle do
promotor CMV) (Pfeifer et al., 2002).
3.6.4. Ensaio da Atividade de Luciferase
Quarenta e oito horas após a transfecção, as células foram transferidas para
tubos de 1,5 mL, sedimentadas por centrifugação a 5.000 rpm por 5 min e o
sobrenadante foi removido. Para avaliação da atividade de promotor, foi utilizado o
sistema Dual-Luciferase Reporter Assay System (Promega), segundo instruções do
fabricante. Este método inclui a medição da atividade da enzima “Firefly luciferase”
57
(enzima do vagalume Photinus pyralis cuja seqüência codificadora está clonada nos
vetores pGL3) pela a adição de substrato (luciferina) específico, seguida da
inativação desta enzima e posterior medição da atividade da “Renilla luciferase”
(enzima do cnidário Renilla reniformis, cuja seqüência codificadora está clonada no
vetor pRL-SV40). Esta segunda medida é utilizada para a normalização dos valores
da atividade “Firefly luciferase”, a fim de reduzir as variações decorrentes de
diferenças nas eficiências de transfecção. As reações foram realizadas em placa
opaca de 96 poços e as medidas de emissão de luz foram obtidas em luminômetro
MicroLumat Plus (Microplate Luminometer LB – Berthold Technologies) com o
programa WinGlow (Berthold Technologies) utilizando-se os seguintes parâmetros:
intervalo de medida 1 de 10 s, intervalo de medida 2 de 1 s e temperatura de 25 °C.
A razão do valor obtido para cada medida das luciferases “Firefly” e “Renilla” de
cada poço foi calculada, assim como a média aritmética da razão de três réplicas da
transfecção com cada plasmídeo.
3.7. Análise da Expressão Gênica com Microarranjos de DNA
3.7.1. Microarranjos de Oligonucleotídeos (Oligoarrays)
Para avaliação do efeito da α-amanitina na expressão de transcritos intrônicos
em larga escala e de forma fita-específica foi utilizada uma plataforma de
microarranjos de DNA construída com a tecnologia de síntese de oligonucleotídeos
in situ (tecnologia SurePrint) (Agilent Technologies). O microarranjo de
oligonucleotídeos (oligoarray) que utilizamos (Nakaya et al., submetido) é composto
por 44.290 oligonucleotídeos (oligos) de 60-mer, sendo que ~42.000 foram
planejados por nosso grupo, seguindo os critérios recomendados pelo fabricante
(Agilent Technologies) e descritos por Hughes e colaboradores (2001) (Hughes et
58
al., 2001). Os transcritos representados no oligoarray foram definidos após extensiva
análise de mapeamento de seqüências expressas no genoma humano (Nakaya et
al., submetido). Resumidamente, todas as seqüências de ESTs (~5,5 milhões),
mRNAs (~187 mil) e RefSeqs (~25 mil) humanas, depositadas no GenBank e
mapeadas na montagem de maio de 2004 do genoma humano (HG17), disponível
no Genome Browser (http://genome.ucsc.edu), foram filtradas e as seqüências
expressas com sobreposição foram agrupadas em clusters cujas coordenadas foram
mapeadas no genoma. Os clusters foram definidos como “transcritos” e classificados
quanto à localização e orientação relativa a genes anotados.
Este oligoarray contém seqüências para detecção de diferentes classes de
transcritos definidas pelo mapeamento, como descrito em Nakaya et al. (submetido).
Dentre estas, estão incluídas duas classes representadas por clusters de ESTs
intrônicos que não apresentam evidência de splicing: (1) seqüências que mapeiam
totalmente dentro de íntrons, denominadas TIN (Totalmente Intrônicas), para as
quais foram planejados 15.430 oligos para detecção da expressão da forma senso
ou antisenso (~7.700 oligos para cada) e (2) seqüências que sobrepõe um éxon e
estendem para ambos os íntrons que o flanqueiam, denominadas PIN (Parcialmente
Intrônicas), representadas por 10.578 oligos planejados na região do éxon, para a
detecção das formas antisenso e senso (esta última equivalente ao éxon). Além
destes dois conjuntos, o microarranjo contém 4.927 oligos para detecção de
transcrição em porções de dentro do íntron (fita senso) no qual mapeia um transcrito
PIN (elementos do oligoarray denominados PIN pré-mRNA), 158 oligos para
detecção de transcritos de regiões intergênicas e 1.276 oligos representativos de
transcritos depositados no banco de dados RNAdb (Pang et al., 2005). Também
estão presentes 9.114 oligos para detecção de éxons de genes codificadores de
59
proteínas e 2.256 oligos utilizados como controles positivos e negativos da lâmina,
idênticos aos oligos controle (IS-44290-1-V1_eQC-V1) presentes no oligoarray
"Agilent 44K Human Whole Genome" (Agilent Technologies). A lista com todos os
oligos presentes no oligoarray que utilizamos será disponibilizada no repositório
Gene Expression Omnibus (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/geo/) sobre o número de
acesso GPL4051.
3.7.2. Hibridação dos Oligoarrays
Quantidades iniciais de 500 ng de RNA total pré-tratado com DNase I extraído
de células LNCaP, tratadas ou não-tratadas com α-amanitina por 24 h como
descrito anteriormente (seção 3.1), foram misturadas com 2 µL de RNA sintético
(RNA Spike-In Mix) na diluição especificada pelo fabricante (Agilent Technologies).
O RNA Spike-In Mix contém 10 transcritos poliadenilados derivados do adenovírus
E1A e sintetizados in vitro. Estes transcritos não possuem complementaridade a
seqüências humanas e são otimizados para hibridação em oligos controle presentes
no oligoarray. Estes controles são utilizados na normalização dos dados, como
descrito a seguir.
Em seguida, as amostras de RNA foram usadas em reações de transcrição
reversa, amplificadas e marcadas utilizando-se o kit Low RNA Input Fluorescent
Linear Amplification (Agilent Technologies), o qual emprega transcrição por T7 RNA
Polimerase após a síntese da primeira fita de cDNA com iniciadores oligo(dT) que
incluem a seqüência promotora desta polimerase. (A amplificação e marcação de
cRNA - RNA complementar - utilizando T7 RNA Polimerase é importante neste
experimento, pois ela garante a preservação da orientação do RNA, ao contrário de
metodologias de marcação utilizando Transcriptase Reversa que pode
60
eventualmente gerar uma segunda fita de cDNA com a orientação oposta do RNA
original (Johnson et al., 2005).) O RNA de cada amostra foi separadamente marcado
com os fluoróforos Cyanine 3-CTP (Cy3) ou Cyanine 5-CTP (Cy5) (Perkin-Elmer Life
Sciences). Para cada condição experimental (células LNCaP, tratadas ou não-
tratadas com α-amanitina) dispúnhamos de quatro réplicas, sendo duas biológicas
(tratamentos com α-amanitina independentes) e duas técnicas (marcação e
hibridação independentes).
Foram realizadas quatro hibridações, sendo que em cada uma foram
utilizadas quantidades iguais (750 ng) de cRNA da mesma amostra marcado com
Cy3 e com Cy5. Para as hibridações utilizamos o kit In situ Hybridization kit-plus
(Agilent Technologies), segundo as especificações do fabricante. As lâminas foram
lavadas com as soluções indicadas no kit e os valores de intensidade de cada ponto
do oligoarray foram obtidos com a utilização do scanner GenePix 4000B (Axon
Instruments) e a extração dos dados foi realizada com o programa ArrayVision
versão 8.0 (Imaging Research Inc.).
3.7.3. Tratamento e Análise dos Dados da Hibridação dos Oligoarrays
Os dados brutos de intensidade dos pontos foram extraídos de cada lâmina e
normalizados (excluindo-se os pontos que servem de controle) utilizando o algoritmo
Lowess implementado no pacote R (www.r-project.org
), para a correção de
variações nas diferenças de marcação e eficiência de detecção entre os dois
fluoróforos Cy3 e Cy5. Em seguida, a intensidade média (calculada após exclusão
dos valores extremos – 20 % maiores e 20 % menores – de intensidade) de 300
pontos correspondentes aos oligos que detectam o RNA sintético presente nas
amostras foi utilizada para normalizar as intensidades de todos os demais pontos.
61
Esta normalização utilizando um RNA sintético adicionado em igual
quantidade às amostras foi realizada a fim de permitir uma análise comparativa entre
as intensidades de cada transcrito detectado nas lâminas hibridadas com RNA de
células tratadas com α-amanitina versus não-tratadas, visto que a intensidade global
da lâmina é afetada pelo tratamento com o inibidor de transcrição. Paralelamente,
para identificar os pontos com intensidade de hibridação significativa, foi
estabelecido um limite de detecção de expressão mínimo para cada fluoróforo,
baseado na intensidade bruta média de 1.198 controles negativos presentes nas
diferentes lâminas, mais 3 desvios-padrão desta média. Apenas os transcritos cuja
intensidade bruta subtraída do ruído individual (intensidade ao redor do ponto)
estava acima deste limite de detecção em pelo menos 3 das 4 réplicas foram
considerados expressos.
Para análise da expressão diferencial, foram utilizadas as metodologias de
Signal-to-Noise Ratio (SNR) (Golub et al., 1999) com 10.000 permutações (p < 0,05)
e Significance Analysis of Microarray (SAM) (Tusher et al., 2001), utilizando-se os
seguintes parâmetros: two-class unpaired response, 1.000 permutações, K-Nearest
Neighbors Imputer, fold-change 1,5 e FDR (false discovery rate) de 0,2 % a 3,5 %.
Transcritos identificados por ambas as metodologias foram combinados para
determinação de um grupo cuja expressão em células tratadas com α-amanitina
apresentou variação estatisticamente significativa. Por fim, os valores de expressão
dos transcritos diferencialmente expressos foram agrupados hierarquicamente e
visualizados com o programa Spotfire Decision Site In Function Genomics (Spotfire
Inc.).
62
3.7.4. Análise de Enriquecimento de GO
Análise de enriquecimento de categoria de função biológica definidas por
termos de GO (Gene Ontology) para genes codificadores de proteínas expressos e
para genes nos quais mapeiam transcritos intrônicos expressos foi realizada
utilizando a ferramenta BiNGO (The Biological Network Gene Ontology plug-in tool)
(Marere et al., 2005) do pacote Cytoscape (http://www.cytoscape.org/). No banco de
referência, foram utilizados os genes representados no oligoarray da seguinte
maneira: na análise para os genes codificadores foram utilizados todos os
identificadores de loci gênicos (Gene_IDs) dos genes presentes no array; e na
análise para os transcritos intrônicos foram utilizados como referência todos os
genes (Gene_IDs) para os quais há ncRNAs intrônicos (TIN ou PIN) representados
no oligoarray. Foi aplicado o teste estatístico Hipergeométrico (com Benjamini &
Hochberg's FDR multiple testing correction) com um nível de significância de 0,05.
63
4. Resultados
4.1. Análise da Regulação da Expressão de Transcritos Intrônicos por
Andrógeno
Experimentos realizados por nosso grupo demonstraram que a expressão de
RNAs não-codificadores intrônicos é afetada pelo tratamento com o andrógeno
sintético R1881 em células LNCaP (Louro et al., submetido). Com o emprego de
microarranjos de DNA (Reis et al., 2004), foram identificados 39 transcritos intrônicos
cuja expressão variou dinamicamente em uma série temporal, aumentando ou
diminuindo, após o estímulo hormonal. De 13 transcritos cuja orientação em relação
ao gene codificador no qual eles mapeiam foi determinada, 4 foram detectados na
orientação antisenso, 3 na senso e 6 nas formas senso e antisenso. O tamanho de 6
destes transcritos foi avaliado por RACE-PCR ou Northern Blot fita-específico e
variou de 0,5 a 5 kb (Louro et al., submetido). Em face destes resultados, buscamos
no presente trabalho avaliar se a regulação da expressão dos ncRNAs intrônicos por
andrógeno seria mediada pela ação direta do fator de transcrição Receptor de
Andrógeno (AR) sobre possíveis regiões promotoras destes transcritos. Para isto,
foram realizados experimentos de imunoprecipitação da cromatina (ChIP) com
anticorpo anti-AR.
4.1.1. Busca bioinformática por elementos de resposta a andrógeno
Inicialmente, foi realizada uma análise in silico para a identificação de
possíveis motivos de ligação ao AR, chamados de ARE (Androgen Response
Element), em regiões do genoma na vizinhança dos transcritos intrônicos cuja
expressão variou com tratamento com andrógeno, como verificado na análise por
microarranjos de DNA. Detectamos seqüências com mais de 75 % de identidade
com o ARE consenso (Nelson et al., 2002) próximas (até 3 kb) à região de
64
mapeamento de 27 ESTs representativas de transcritos responsivos a andrógeno.
Estes motivos foram considerados candidatos a elementos regulatórios dirigindo a
expressão dos transcritos intrônicos, tendo sido encontrada uma média de 2,2
candidatos a ARE na região genômica analisada de cada transcrito. Na Figura 4
são mostrados possíveis motivos ARE encontrados para 23 transcritos intrônicos,
cuja seqüência consenso é idêntica ao elemento ARE consenso presente no banco
TRANSFAC (Figura 4B). Para um grupo selecionado de transcritos (ver adiante),
foram sintetizados oligonucleotídeos flanqueando possíveis AREs para a detecção
de fragmentos de DNA ligados ao AR in vivo por experimentos de ChIP.
A
65
Gene (1) mRNA (2) Posição (3) Localização Cromossômica %
Identidade
RSNL2 AK024722 AGG ACAGAATGTTT T
-2056
2p23.2 83
NIBP AY190606 AGAAGGTGCTGTTCA
-621
8q24.3 75
GAS6 AK126533 G GAAA A TCATGTTCA
-1528
13q34 75
DST AK023487 AGAACATCTT T TTGC
-799
6p12.1 75
ALMS1 BC050330 G GAC CAGTTT T TTC T
-1091
2p13.1 75
P2RY14 BC034989 AGAACAGCAGG C TCT
-1837
3q25.1 83
DNAJC3 U28424 AGAAT A CCATGTTGC
-1608
13q32.1 75
ACTN4 D89980 G GAACATGAATTTCT
-785
19q13.2 75
ACTN4 D89980 G GAACCACTGGTTCT
-1839
19q13.2 75
ATF2 AY029364 T GAACAGACACTTCT
-920
2q31.1 75
STARD13 AK094704 AGAT CATGTGGTTCT
-2239
13q13.1 83
PDK1 L42450 AGAACAGGTT T TTGA
-2788
2q31.1 75
ADD3 BC043143 T GAC CATGCTGG TCT
-2285
10q25.1 75
MYO5A Z22957 AGT ACATAAT T T A CT
-812
15q21.2 75
PMF1 BC050735 AGAAATTCTTGC TCT
-2104
1q22 75
ERG AY204740 AGAACTGCTT TGTCT
+246
21q22.2 75
KDELR2 X63745 AGAACAGCTGCTTCT
+219
7p22.1 83
PALLD AB023209 AGAC CAGTTT TATCT
-181
4q32.3 75
UBE2V1 BT007382 AGAACAAFATGTTAA
-2786
20q13.13 83
PECAM1 AF393678 AGAG CAGGAAG C TCT
-881
17q23.3 75
SAP18 U96915 AGAC CAGCCTGG TCA
-414
13q12.11 75
C16orf46 AK057264 T GAC CAGGCTGG TCT
-2481
16q23.2 75
ITGA6 X53586 AGAACAAGGT T TTGA
-2788
2q31.1 75
ZNF644 AK024026 AGAATCTACTGTTCC
-283
1p22.2 75
Seqüência consenso
AGAACAn n n TGT TCT
Seqüência do Possível ARE
B
Figura 4 - Identificação de possíveis ARE (Androgen Response Elements). A) Candidatos
a
elementos ARE encontrados em regiões genômicas nas proximidades da posição de mapeamento de
23 transcritos intrônicos no genoma. As letras destacadas (fundo em preto) correspondem às bases
idênticas ao consenso utilizado na análise bioinformática. São mostrados o nome do gene (1) e do
mRNA (2) em cujo locus mapeia o transcrito intrônico, a localização no cromossomo, a posição
genômica relativa ao início da EST ("+": a jusante, "-": a montante) e a porcentagem de bases
idênticas ao consenso. B) Consenso gerado pelo programa WEBLOGO
(http://www.bio.cam.ac.uk/seqlogo/) para os possíveis ARE identificados. A altura de cada letra é
p
roporcional à freqüência do nucleotídeo naquela posição.
4.1.2. Imunoprecipitação da Cromatina com Anticorpo anti-AR
Uma etapa importante nos experimentos de ChIP é a quebra do DNA da
cromatina em fragmentos menores que 1,5 kb, para proporcionar especificidade na
detecção dos fragmentos de DNA imunoprecipitados. Assim, testamos diversas
condições de sonicação (ver Tabela 3, seção 3.3.2.) visando a otimização da
fragmentação do DNA. A Figura 5 mostra a separação dos fragmentos obtidos em
66
algumas destas condições nos testes para padronização realizados com células das
linhagens DU 475 e MDA-MB 436.
Na etapa de sonicação, pulsos de alta intensidade provocaram a formação de
espuma, devido à presença de detergente SDS (1 %) na solução de lise,
prejudicando a transmissão mecânica das ondas de ultra-som cujo impacto causa a
fragmentação do DNA. Apenas na intensidade mínima dos aparelhos e utilizando
volumes de amostras de pelo menos 600 µL foi possível a realização da sonicação
sem a formação de espuma. Também o formato dos tubos foi importante para este
propósito, sendo que os mais adequados foram tubos de congelamento de células
(Criovials) de 2 mL que possuem fundo largo e chato (ao contrário dos tubos
Eppendorf de 1,5 mL de fundo cônico).
Dentre as condições testadas, a mais eficiente em fragmentar o DNA no
intervalo de tamanho desejado (entre 200 e 1.000 pb) foi a de 15 pulsos de 10 s,
realizada com o sonicador eletrônico Sonic Dismembrator Model 500 (Fischer
Scientific) (Figura 5, poços I). Nesta condição, obtivemos menor quantidade de
fragmentos fora do intervalo desejado, com enriquecimento de fragmentos no
tamanho médio de 500 pb. Esta condição também se mostrou adequada na
fragmentação do DNA de células LNCaP (Figura 6).
67
Figura 6 - Otimização das condições de fragmentação do DNA da cromatina de células
LNCaP após sonicação com aplicação de diferentes números de pulsos: (A) 7 X 10s, (B) 10
X 10s, (C) 15 X 10s (vide tabela 2). Após a sonicação 200 µL dos lisados foram extraídos
com fenol:clorofórmio e o DNA isolado foi ressuspendido em 50 µL de TE. Para cad
a
condição, foram aplicados no gel 5, 10 e 20 µL (da esquerda para a direita) do DN
A
p
urificado. As linhas delimitam a região de interesse (entre 200 e 1000 pb).
C
B
A
500
p
b
200
p
b
1000
p
b
K
J
I
H
G
F
E
D
C
B
A
Figura 5 - Teste de fragmentação da cromatina por sonicação. Extratos contendo
aproximadamente 5 x 10
5
células/100µL de tampão de lise foram sonicados nas condições
especificadas na Tabela 3. Após a sonicação, o DNA presente em 200 µL dos lisados foi
extraído com fenol:clorofórmio e ressuspendido em 50 µL de TE. Para cada condição, fora
m
aplicados no gel de agarose 5, 10 e 20 µL (da esquerda para a direita) da amostra de DN
A
p
urificado.
68
Tendo padronizado as condições para fragmentação da cromatina,
realizamos o experimento de ChIP, como esquematizado na Figura 7. Células
LNCaP tratadas com andrógeno R1881 ou com veículo foram fixadas, lisadas e sua
cromatina fragmentada por sonicação. Em seguida, utilizamos anticorpo específico
contra o receptor de andrógeno (AR) e a eficácia da imunoprecipitação foi avaliada
pela detecção do ARE presente no enhancer do gene PSA (Prostate Specific
Antigen), ARE III (Cleutjens et al., 1996; Farmer et al., 2001) (Figura 8). O gene PSA
é diretamente regulado por andrógeno (Jia et al., 2003) e com este controle foi
possível confirmar a indução da ligação do AR pelo tratamento com o andrógeno
R1881, observada na fase linear de amplificação por PCR, como mostrado na Figura
8.
Detecção por PCR (primers
flanqueando os possíveis AREs)
Lise celular
Fragmentação do DNA em 200-1000pb
Ip com 3µg de anticorpo anti-AR
Células LNCaP
em meio com
soro deprivado
Tratamento com
R1881 por 1 ou 4h
Ligações cruzadas na
cromatina (1% formaldeído)
Reversão das ligações cruzadas, tratamento
com proteinase K e purificação do DNA
200pb
1000pb
Detecção por PCR (primers
flanqueando os possíveis AREs)
Lise celular
Fragmentação do DNA em 200-1000pb
Ip com 3µg de anticorpo anti-AR
Células LNCaP
em meio com
soro deprivado
Tratamento com
R1881 por 1 ou 4h
Ligações cruzadas na
cromatina (1% formaldeído)
Reversão das ligações cruzadas, tratamento
com proteinase K e purificação do DNA
Detecção por PCR (primers
flanqueando os possíveis AREs)
Lise celular
Fragmentação do DNA em 200-1000pb
Ip com 3µg de anticorpo anti-AR
Células LNCaP
em meio com
soro deprivado
Tratamento com
R1881 por 1 ou 4h
Ligações cruzadas na
cromatina (1% formaldeído)
Reversão das ligações cruzadas, tratamento
com proteinase K e purificação do DNA
Detecção por PCR (primers
flanqueando os possíveis AREs)
Lise celular
Fragmentação do DNA em 200-1000pb
Ip com 3µg de anticorpo anti-AR
Células LNCaP
em meio com
soro deprivado
Tratamento com
R1881 por 1 ou 4h
Ligações cruzadas na
cromatina (1% formaldeído)
Reversão das ligações cruzadas, tratamento
com proteinase K e purificação do DNA
200pb
1000pb
200pb
1000pb
200pb
1000pb
Figura 7 - Representação esquemática do procedimento de imunoprecipitação da cromatin
a
(ChIP). O experimento foi realizado para detecção da ocupação de possíveis promotores de
transcritos intrônicos pelo receptor de andrógeno (AR) em células LNCaP tratadas co
m
andrógeno sintético R1881. A imunoprecipitação (Ip) da cromatina é realizada com anticorpo
anti-AR e a detecção dos fragmentos imunoprecipitados é realizada por PCR co
m
oligonucleotídeos flanqueando os candidatos a ARE (Androgen Response Element). O gel
à
direita mostra a separação eletroforética dos fragmentos da cromatina obtidos após
a
sonicação de lisados de células LNCaP.
69
100
p
b
R1881 +- +-+-
Anti-AR
+
-
Input
H
2
OR1881 +- +-+-
Anti-AR
+
-
Input
H
2
O
200
p
b
Figura 8 - ChIP utilizando anticorpo anti-AR (+) ou IgG Normal de camundongo (-) a partir de
extrato de células LNCaP tratadas com andrógeno R1881 ou com veículo por 1 h. Partindo de 2
µL do produto imunoprecipitado, foi amplificada a região flanqueando o ARE III do enhancer
do gene PSA (181 pb) em PCR de 20 ciclos seguidos por mais 20 ciclos a partir de 1 µL da
p
rimeira reação. Input: 0,01 % do DNA total presente nos lisados celulares antes da
imunoprecipitação, purificado e eluído em 50 µL.
A ligação do AR a possíveis AREs identificados no genoma a 5’ da posição de
mapeamento de transcritos intrônicos dos genes ITGA, MYO5A, GAS6 e DNAJC3 foi
analisada, após o procedimento de ChIP, por PCR com oligonucleotídeos
específicos, planejados a partir das seqüências que flanqueiam os possíveis AREs.
Estes transcritos foram escolhidos para esta análise porque a variação na sua
expressão em resposta ao tratamento com andrógeno havia sido confirmada por RT-
qPCR (PCR quantitativo precedido por transcrição reversa) bem como seus
tamanhos prováveis haviam sido determinados por RACE-PCR (transcritos ITGA,
MYO5A e DNAJC3) ou Northern blot fita-específico (transcrito GAS6) como descrito
na Tabela 4 (Louro et al., submetido).
70
Tabela 4 - Características dos transcritos cujas possíveis regiões promotoras fora
m
analisadas por ChIP.
Identificação do gene no qual
mapeia o transcrito intrônico
Tamanho do
fragmento
depositado no
microarranjo
(# bases)
Resposta na
expressão ao
tratamento
com
andrógeno
Tamanho do
transcrito
determinado
por RACE ou
Northern Blot
(# bases)
Orientação
do RNA (S:
senso, AS:
antisenso)
DNAJC3
(DnaJ (Hsp40),
subfamily C,
member 3)
328 Aumentado 1.132 S
ITGA
(Integrin, alpha 6) 202 Aumentado 834 AS
GAS6
(Growth arrest-
specific 6)
274 Diminuído ~5.000 AS
MYO5A
(Myosin heavy chain
12)
427 Aumentado 610 AS
A Figura 9A mostra um fragmento de DNA imunoprecipitado com anticorpo
anti-AR e que foi amplificado por PCR utilizando-se oligonucleotídeos flanqueando o
possível ARE encontrado no íntron do gene MYO5A. Assim como verificamos para o
controle positivo, ARE III do gene PSA, a reação de imunoprecipitação é específica
para as amostras tratadas com anticorpo anti-AR e não é observada na região
gênica da tubulina, indicando que não houve imunoprecipitação inespecífica
significativa de fragmentos genômicos. O ARE em questão, presente no fragmento
amplificado, está localizado a 798 pb à montante da posição de mapeamento da
extremidade 5’ determinada para o transcrito intrônico antisenso ao gene MYO5A
(Figura 9B). De forma importante, a ligação detectada é estimulada em células
tratadas com andrógeno, em congruência com o aumento na expressão do RNA
antisenso de 0,6 kb observado originalmente nas análises de microarranjos de DNA
e validadas por RT-qPCR. Este resultado demonstra a ligação do AR em uma
possível região promotora que dirige a expressão do RNA antisenso intrônico,
sugerindo uma regulação da expressão do transcrito intrônico pelo recrutamento da
RNAP II (Shang et al., 2002).
71
Para os outros três transcritos selecionados (ITGA, GAS6 e DNAJC3), não
detectamos a ligação do AR nos AREs candidatos nos experimentos de ChIP
seguidos da tentativa de amplificação da região por PCR. Este resultado pode ter
sido observado por diversos fatores, discutidos adiante.
+
-
+
-
+
-
R1881
IgG anti-AR
IgG Normal de
Camundongo Input
ARE Myo5A
ARE III PSA
TUBB
Posição no Genoma
Produto do ChIP-PCR
Transcrito Intrônico
Gene Myo5A
Posição no Genoma
Produto do ChIP-PCR
Transcrito Intrônico
Gene Myo5A
+
-
+
-
+
-
R1881
IgG anti-AR
IgG Normal de
Camundongo Input
ARE Myo5A
ARE III PSA
TUBB
+
-
+
-
+
-
R1881
IgG anti-AR
IgG Normal de
Camundongo Input
ARE Myo5A
ARE III PSA
TUBB
Posição no Genoma
Produto do ChIP-PCR
Transcrito Intrônico
Gene Myo5A
Posição no Genoma
Produto do ChIP-PCR
Transcrito Intrônico
Gene Myo5A
B
A
Figura 9 - Ligação do AR em possível seqüência promotora dirigindo a expressão do transcrito
intrônico antisenso MYO5A em células LNCaP. A) ChIP utilizando anticorpo anti-AR ou IgG
N
ormal de camundongo, realizado a partir de lisados de células LNCaP tratadas com andrógeno
R1881 ou com veículo por 4 h. O ARE III do PSA e o promotor da tubulina são utilizados como
controles positivo e negativo, respectivamente. Input: 0,01 % do DNA total presente nos extratos
celulares foi purificado e eluído em 50 µL antes da etapa de imunoprecipitação. B) Representação
esquemática da região no cromossomo 15 na qual mapeia o transcrito intrônico, entre os éxons 19
e 20 (barras azuis) do gene MYO5A, e o produto de PCR flanqueando o ARE encontrado. O
resultado é representativo de dois experimentos de ChIP independentes.
4.2. Avaliação da Contribuição da RNAP II na Expressão de ncRNAs
Intrônicos
Na segunda parte deste trabalho, α-amanitina foi aplicada em células
humanas em cultura e seu efeito na expressão de ncRNAs foi avaliado. A α-
amanitina é um octapeptídeo bicíclico, extraído a partir do cogumelo Amanita
72
phalloides, que inibe fortemente a atividade da RNAP II, impedindo a sua
translocação sobre o DNA para o processo de elongação da transcrição (Bushnell et
al., 2002). Primeiramente, o seu efeito foi analisado individualmente na expressão do
transcrito intrônico antisenso SAF, recentemente encontrado por Yan et al. (2005)
em células linfóides humanas da linhagem Jurkat. Este transcrito foi escolhido para
esta análise inicial porque constitui um dos primeiros ncRNAs intrônicos
caracterizados ao nível molecular e funcional. SAF atua na regulação do splicing
alternativo do pré-mRNA de FAS, alterando o comportamento celular de apoptose
(Yan et al., 2005). Posteriormente, investigamos o efeito da α-amanitina na
transcrição de ncRNAs intrônicos com o uso de microarranjos de oligonucleotídeos
(oligoarrays).
4.2.1. Análise da Expressão do Transcrito Antisenso SAF em Células
Jurkat
4.2.1.1. Efeito da α-Amanitina na Expressão de SAF
Inicialmente, foi realizada RT-PCR fita específica para confirmação da
presença de SAF em células Jurkat. Além da forma antisenso (SAF), também foi
observada a presença de um transcrito na orientação senso (Figura 10), o qual não
foi detectado por Yan e colaboradores (2005). Em seguida, células Jurkat foram
tratadas com α-amanitina por 12 h e a presença de SAF analisada por RT-PCR fita-
específica (Figura 11). Nas amostras tratadas com α-amanitina, nota-se que o nível
do mRNA da tubulina diminuiu, mas a detecção não foi abolida, certamente, devido
à estabilidade do mRNA. Contudo, nestas amostras não é possível detectar o
transcrito SAF, indicando que este RNA antisenso também é sintetizado pela RNAP
II e apresenta uma estabilidade menor que a tubulina.
73
RTase + - + - H
2
O
Senso Anti-senso
RTase + - + - H
2
O
Senso Anti-senso
Figura 10 - Presença das formas senso e antisenso dos transcritos intrônicos ao gene FAS e
m
células Jurkat. A detecção foi realizada por RT-PCR fita-específica a partir de 2 µg de RNA total
tratados com DNase I. Foram realizados 35 ciclos de PCR, utilizando 2 µL do produto da reação
de RT, realizada com (+) ou sem (-) Transcriptase Reversa (RTase), ou apenas com água.
RTase-0,1µL 1µL 2µL 0,1µL 1µL 2µL
Saf
Tubulina
α-amanitina -
cDNA:
α-amanitina +
RTase-0,1µL 1µL 2µL 0,1µL 1µL 2µL
Saf
Tubulina
α-amanitina -
cDNA:
α-amanitina +
Figura 11 - Inibição da expressão de SAF pelo tratamento com α-amanitina (50 µg/mL) por 12 h
em células Jurkat. Foram utilizados 2 µg de RNA total para síntese de cDNA de forma fita-
específica e diferentes volumes (0,1, 1 e 2 µL) da reação de RT em PCR de 35 ciclos.
74
4.2.1.2. Análise do Possível Promotor de SAF
Yan e colaboradores (2005) determinaram experimentalmente a extremidade
5’ do transcrito SAF por 5’ RACE e extensão de oligonucleotídeo (primer extension),
encontrando elementos característicos de promotor da RNAP II, incluindo um TATA
box, na região genômica proximal à montante do transcrito. Aqui, procuramos
demonstrar experimentalmente a existência de um promotor dirigindo a transcrição
de SAF. A partir de DNA de células humanas, amplificamos um fragmento de 618 pb
cobrindo a região de –549 a +69, relativo ao provável início de transcrição do
antisenso SAF apontado por Yan e colaboradores (2005). Este amplicon foi ligado
no vetor pGL3 Basic (Promega) de forma direcionada, na mesma orientação
correspondente à encontrada no genoma em relação ao transcrito SAF, como
esquematizado na Figura 12. A autenticidade e integridade da construção resultante,
pGL3_Saf-prom, foram confirmadas pela amplificação por PCR do inserto com
tamanho esperado, pela liberação do inserto após digestão com as enzimas Hind III
e Xho I, bem como por seqüenciamento (dados não apresentados).
Para o ensaio de atividade de promotor, a construção pGL3_Saf-prom e os
plasmídeos controle pGL3 Control e pGL3 Basic foram utilizados na transfecção de
células, sempre co-transfectados com iguais quantidades de pRL-SV40. O pGL3
Control é utilizado como controle positivo e contém o gene da luciferase sob o
controle do promotor do vírus SV-40, altamente ativo em células de mamíferos; o
pGL3 Basic não possui seqüência promotora à montante do gene da luciferase,
servindo como controle negativo; e o pRL-SV40 codifica uma luciferase distinta
(“Renilla luciferase”) sob controle do promotor SV-40, cuja atividade é utilizada para
75
1- Saf_Prom_F (
Xho
I) GAATACTCGAGGATTGCCTGGCCAATGTC
2- Saf_Prom_R (
Hind
III) GCTGTAAGCTTGCCTTCACGGTTATGTTTTC
Saf
1,5 kpb
-549
+69
1
2
Saf-prom
618pb
A
B
C
1
2
3M
Hind III
Xho I
pGL3 Basic
Sinal de
Poliadenilação
Saf_prom
Hind III
Xho I
pGL3 Basic
Sinal de
Poliadenilação
Saf_prom
1- Saf_Prom_F (
Xho
I) GAATACTCGAGGATTGCCTGGCCAATGTC
2- Saf_Prom_R (
Hind
III) GCTGTAAGCTTGCCTTCACGGTTATGTTTTC
Saf
1,5 kpb
-549
+69
1
2
Saf-prom
618pb
1- Saf_Prom_F (
Xho
I) GAATACTCGAGGATTGCCTGGCCAATGTC
2- Saf_Prom_R (
Hind
III) GCTGTAAGCTTGCCTTCACGGTTATGTTTTC
Saf
1,5 kpb
-549
+69
1
2
Saf-prom
1- Saf_Prom_F (
Xho
I) GAATACTCGAGGATTGCCTGGCCAATGTC
2- Saf_Prom_R (
Hind
III) GCTGTAAGCTTGCCTTCACGGTTATGTTTTC
Saf
1,5 kpb
-549
+69
1
2
Saf-prom
Saf
1,5 kpb
-549
+69
1
2
Saf-prom
618pb
A
B
C
1
2
3M
C
1
2
3M
Hind III
Xho I
pGL3 Basic
Sinal de
Poliadenilação
Saf_prom
Hind III
Xho I
pGL3 Basic
Sinal de
Poliadenilação
Saf_prom
Figura 12 - Clonagem do possível promotor de SAF. A) Esquema da amplificação do fragmento
de 618 pb correspondendo à seqüência à montante do início de transcrição de SAF, utilizando-se
oligonucleotídeos contendo sítios de restrição Hind III e Xho I para clonagem no vetor pGL3
Basic (B). Amp
r
: gene que confere resistência a amplicilina em Escherichia coli; ori: origem de
replicação em E. coli; luc+: gene codificador da enzima luciferase derivada do vagalume. As setas
em “B” indicam a direção da transcrição. C) Visualização da separação eletroforética do veto
r
p
GL3 intacto (1), linearizado com Hind III e Xho I (2), e do fragmento de PCR “Saf-prom”
digerido com as mesmas enzimas (3). M: marcador de tamanho 100 pb (Fermentas).
normalização pelas diferenças nas eficiências de transfecção, permitindo a
comparação entre as condições.
A atividade da luciferase foi medida para cada condição em um luminômetro e
normalizada pelo valor da “Renilla luciferase”. Na comparação entre as condições, o
fragmento (Saf-prom) analisado não apresentou atividade acima do controle
negativo (pGL3 Basic) nas condições testadas (Figura 13). No entanto, a atividade
obtida com o extrato de células transfectadas com o controle positivo (pGL3 Control)
76
foi cerca de 40 vezes maior que a atividade residual do controle negativo (ver
discussão adiante).
0
0.5
1
1.5
2
2.5
3
3.5
4
pGL3_Saf-prom pGL3 Control pGL3 Basic
Plasdeo Transfectado
Atividade de Luciferase (U.L.)
Figura 13 - Ensaio da atividade de promotor da região genômica à montante do transcrito SAF.
Células Jurkat foram coletadas 48 h após a transfecção com os plasmídeos pGL3_Saf-prom,
p
GL3 Control ou pGL3 Basic, a atividade da luciferase presente nos extratos celulares foi
medida (sendo representada pela unidade arbitrária U.L. - unidade de luz) e o valor, dividido
p
ela atividade da Renilla luciferase para normalização. São apresentadas as médias e os desvios-
p
adrão dos valores normalizados de três réplicas. Os valores são representativos de dois
experimentos independentes.
77
4.2.2. Avaliação do Efeito da α-Amanitina na Transcrição Intrônica
Utilizando Oligoarrays
Para avaliarmos de uma forma mais ampla a participação da RNAP II na
expressão de transcritos não-codificadores, o efeito da sua inibição foi analisado
utilizando-se microarranjos de DNA. Primeiramente, comparamos os níveis de
expressão de ncRNAs em células LNCaP tratadas e não-tratadas com α-amanitina
por 24 h, utilizando microarranjos de cDNA construídos por nosso grupo, contendo
3.355 elementos e enriquecidos em seqüências intrônicas (822 elementos) (Reis et
al., 2004). Este estudo preliminar revelou que todos os genes housekeeping
detectados tiveram seus níveis de expressão reduzidos (em média 3 vezes),
incluindo actina B, tubulina, GAPDH e hCyPB, assim como os marcadores
prostáticos PSA, KLK-1 e RPL17. Estes dados indicaram que o tratamento com α-
amanitina por 24 h inibiu eficientemente a transcrição por RNAP II. Esta avaliação
inicial também revelou que uma fração significativa dos ncRNAs representados nos
microarranjos não teve sua expressão reduzida frente ao tratamento com o inibidor
de RNAP II, enquanto que outra fração de ncRNAs, surpreendentemente,
apresentou um aumento em seus níveis (dados não apresentados). Apesar da
relevância destas observações, optamos por descartar estes dados iniciais, visto que
tivemos acesso a uma plataforma de microarranjos de oligonucletídeos (oligoarray)
mais adequada e robusta (Nakaya et al., submetido). Assim, os tratamentos das
células LNCaP com α-amanitina por 24 h foram repetidos e o RNA total isolado foi
utilizado na hibridização dos oligoarrays.
Esta nova plataforma proporciona uma detecção fita-específica, ou seja,
discrimina a orientação senso ou antisenso dos transcritos, em maior escala e com
maior sensibilidade. A construção do oligoarray foi baseada no mapeamento de
seqüências expressas depositadas em bancos de dados públicos no genoma
78
humano (Nakaya et al., submetido). Oligonucleotídeos presentes no microarranjo
representam transcritos intrônicos senso e antisenso, nos quais foi concentrada a
presente análise, que mapeiam totalmente dentro de íntrons, denominados TIN
(Totalmente Intrônicos), ou que apresentam sobreposição com éxons de genes
codificadores, denominados PIN (Parcialmente Intrônicos). É importante lembrar que
uma avaliação com o programa ESTScan (Iseli et al., 1999)
(http://www.ch.embnet.org/software/ESTScan2.html) revelou que 98% e 90% dos
transcritos TIN e PIN antisenso, respectivamente, apresentam pouco ou nenhum
potencial para codificação de proteínas, sendo, portanto, prováveis ncRNAs (Nakaya
et al., submetido). Além destas classes, este oligoarray contém elementos que
representam transcritos exônicos (detectados por oligos “exônicos” e PIN senso),
que foram usados na análise comparativa com os transcritos intrônicos.
Para o experimento, quantidades iguais de RNA total de células LNCaP
tratadas ou não (em duplicata para cada condição) com α-amanitina por 24 h foram
então marcados e utlizados em hibridações (quatro réplicas de cada condição).
Comparando-se as intensidades obtidas com as hibridações das réplicas em lâminas
diferentes, foram observados altos índices de correlação (em média R
2
> 0,9),
apontando para a boa reprodutibilidade das hibridações e robustez da plataforma de
oligoarrays.
A intensidade média detectada para os transcritos exônicos expressos em
células LNCaP não-tratadas foi consideravelmente maior que para as outras classes
de transcritos (Tabela 4), corroborando dados observados por outros laboratórios
com experimentos de microarranjo que transcritos não-codificadores em geral
apresentam intensidades mais baixas que os mRNAs (Kampa et al., 2004; Ravasi et
al., 2006). Além disso, com o critério de análise utilizado, 47 % de todos transcritos
79
representados no oligoarray foram expressos (com intensidade acima do limite de
detecção estipulado), porém, novamente considerando apenas os transcritos
exônicos, uma proporção significativamente maior é observada (73,15 %).
Para a avaliação do efeito da inibição da RNAP II na abundância dos RNA
das diferentes classes representadas no oligoarray, os transcritos expressos foram
submetidos a uma análise estatística combinando os métodos de SAM e SNR para
determinação do conjunto de transcritos diferencialmente expressos (ver seção
3.7.3). Cerca de 40 % (2.606) dos transcritos exônicos expressos apresentaram
variação significativa com o tratamento (Tabela 5), fração virtualmente igual à de
transcritos representados por oligos PIN senso. Notavelmente, uma parcela
consideravelmente menor de transcritos intrônicos não-codificadores é afetada: esta
fração cai para 16 %, 18 % e 19 % para os transcritos TIN antisenso (416), senso
(486) e PIN antisenso (523), respectivamente. Este contraste também é observado
na magnitude da inibição das diferentes classes. Enquanto a redução da intensidade
média dos transcritos exônicos diferencialmente expressos em células com RNAP II
inibida por 24 h é superior a 50 % (e para os representados pelos oligos PIN senso é
de aproximadamente 42 %), para os transcritos TIN antisenso, senso e PIN
antisenso esta redução é inferior: apenas 17 %, 25 % e 28 %, respectivamente.
Claramente, portanto, a resposta à inibição da transcrição por RNAP II por 24 h é
diferente entre transcritos exônicos e transcritos intrônicos não-codificadores de
proteínas.
80
Tabela 5 - Análise da expressão em LNCaP de cada classe de transcrito presente no
experimento de oligoarray e efeito do tratamento com α-amanitina por 24 h.
Intensidade Média
Expressos
Intensidade Média
Diferencialmente
Expressos
Classe
#Total de
Elementos
no
Oligoarray
#Expressos
(% spots)
#Diferencialmente
Expressos
(% Expressos)
Não-
Tratadas
Tratadas
Não-
Tratadas
Tratadas
Exônico 9.114 6.667 (73,15) 2.606 (39,09) 1148,7 818,5 1394,8 682,4
PIN senso 5.289 2.477 (46,83) 1.013 (40,90) 493,4 388,7 904,5 521,3
TIN senso 7.991 2.750 (34,41) 486 (17,67) 344,6 309,4 601,1 495,9
TIN antisenso 7.990 2.555 (31,98) 416 (16,28) 250,4 240,6 504,1 380,8
PIN antisenso 5.289 2.708 (51,20) 523 (19,31) 236,7 228,0 320,3 229,1
Intergênico 158 87 (55,06) 42 (48,28) 279,8 221,4 407,4 260,8
PIN pré-mRNA 4.927 2.103 (42,68) 429 (20,40) 344,6 319,9 430,1 352,3
ncRNA RNAdb 1.276 542 (42,48) 184 (33,95) 511,3 477,0 632,6 384,1
Total / Média 42.034 17.412 (47,00) 4.686 (28,65) 510,8 412,3 937,2 521,6
Esta resposta distinta é também evidenciada quando o perfil de expressão
dos transcritos significativamente afetados é analisado (Figura 14). Como esperado,
a expressão da maioria dos exônicos (97 %) e dos PIN senso (98 %) é reduzida,
mas, interessantemente, a parcela pequena restante é encontrada aumentada com
o tratamento. Considerando os oligos de transcritos exônicos e PIN senso como
representativos de éxons de genes codificadores de proteínas (“Exônicos”), são
totalizados 110 transcritos aumentados dentre 3.619 diferencialmente expressos
frente à inibição com α-amanitina por 24 h. Se considerados apenas aqueles com
aumento de duas vezes ou mais, são encontrados 44 transcritos “exônicos” (Tabela
6), similar à fração encontrada por Kravchenko et al. (2005), que detectaram 70
mRNAs aumentados duas vezes ou mais em células humanas HeLa tratadas com α-
81
amanitina, utilizando uma plataforma de microarranjo Affimetrix representando
~20.000 genes codificadores de proteínas (Kravchenko et al., 2005).
Contudo, para os transcritos TIN senso e antisenso e PIN antisenso, a fração
de transcritos diferencialmente expressos com abundância aumentada em células
tratadas é consideravelmente superior à observada para as classes codificadoras:
13% (61/486), 15% (62/416) e 12% (65/523), respectivamente (Figura 15).
Por fim, foi realizada uma análise das categorias funcionais dos genes em
cujos loci foi detectada expressão (exônica ou intrônica) em células LNCaP.
Interessantemente, observa-se um enriquecimento significativo (p < 0,05) na
categoria de GO (Gene Ontology) “Regulação da Transcrição” (regulation of
trancription, DNA-dependent, GO:006355) apenas para loci com expressão de
transcritos intrônicos não-codificadores (TIN senso e antisenso ou PIN antisenso)
aumentada no tratamento com α-amanitina (Figura 16). Dos 188 transcritos
intrônicos aumentados destas classes, 40 mapeiam em genes relacionados a
funções regulatórias (Tabela 7), incluindo genes codificando histona desacetilase,
fatores de transcrição com domínios “zinc-finger”, bromodomínio, cromodomínio,
receptores nucleares e fatores de elongação de RNAP II. A possível relevância
desse resultado será tratada a seguir na seção “Discussão”. Nenhuma categoria
funcional foi encontrada significativamente enriquecida para os genes expressos ou
diferencialmente expressos associados a qualquer outra classe de transcrição.
82
Oligo #
Tipo de
Oligo
Lócus
Símbolo
do Gene
Descrição do Gene
log
2
Razão
*
10094 Exônico 59 ACTA2 actin, alpha 2, smooth muscle, aorta 4,3
17019 Exônico 79949 C10orf81 chromosome 10 open reading frame 81 3,5
42924 Exônico 6876 TAGLN transgelin 3,4
22166 Exônico 83857 TMTC1 transmembrane and tetratricopeptide repeat containing 1 3,1
21022 Exônico 220164 DOK6 docking protein 6 3,1
17225 Exônico 79949 C10orf81 chromosome 10 open reading frame 81 3,0
14956 Exônico 83938 C10orf11 chromosome 10 open reading frame 11 3,0
31726 Exônico 3494 IGHA2 immunoglobulin heavy constant alpha 2 (A2m marker) 2,8
16996 Exônico 3118 HLA-DQA2 major histocompatibility complex, class II, DQ alpha 2 2,4
7727 Exônico 81033 KCNH6 potassium voltage-gated channel, subfamily H, member 6 2,4
8035 Exônico 1311 COMP cartilage oligomeric matrix protein precursor 2,4
19138 Exônico 5176 SERPINF1 serine (or cysteine) proteinase inhibitor, clade F, member 1 2,2
8551 Exônico 91353 LOC91353 hypothetical protein LOC91353 2,2
31186 Exônico 5858 PZP pregnancy-zone protein 2,2
19392 Exônico 64167 LRAP leukocyte-derived arginine aminopeptidase 2,1
14215 Exônico 3117 HLA-DQA1 major histocompatibility complex, class II, DQ alpha 1 2,0
20312 PIN Senso 83872 HMCN1 hemicentin 1 1,9
9007 Exônico 26509 FER1L3 fer-1-like 3, myoferlin (C. elegans) 1,6
30354 Exônico 7975 MAFK v-maf musculoaponeurotic fibrosarcoma oncogene homolog K 1,6
26521 PIN Senso 23358 USP24 ubiquitin specific protease 24 1,4
17214 Exônico 143903 LAYN layilin 1,4
5952 PIN Senso 5602 MAPK10 mitogen-activated protein kinase 10 1,4
7285 PIN Senso 7038 TG thyroglobulin 1,3
29460 Exônico 10586 MAB21L2 mab-21-like 2 (C. elegans) 1,3
8177 PIN Senso 53616 ADAM22 a disintegrin and metalloproteinase domain 22 1,3
7743 Exônico 89927 C16orf45 chromosome 16 open reading frame 45 1,3
17119 PIN Senso 84162 KIAA1109 KIAA1109 1,2
39032 Exônico 1384 CRAT carnitine acetyltransferase 1,2
14627 Exônico 5320 PLA2G2A phospholipase A2 group IIA 1,2
22172 Exônico 64582 GPR135 G protein-coupled receptor 135 1,2
22029 Exônico 3371 TNC tenascin C (hexabrachion) 1,2
17099 Exônico 162417 NAGS N-acetylglutamate synthase 1,2
28619 Exônico 3914 LAMB3 laminin, beta 3 1,1
22234 Exônico 3687 ITGAX integrin, alpha X (antigen CD11C (p150), alpha polypeptide) 1,1
13880 Exônico 6347 CCL2 chemokine (C-C motif) ligand 2 1,1
23450 Exônico 8635 RNASET2 ribonuclease T2 1,1
33940 Exônico 23043 TNIK TRAF2 and NCK interacting kinase 1,0
4430 Exônico 976 CD97 CD97 antigen isoform 3 precursor 1,0
38299 Exônico 4354 MPP1 membrane protein, palmitoylated 1, 55kDa 1,0
16393 Exônico 114819 BC033082 KIAA1922 protein 1,0
19806 PIN Senso 57609 DIP2B DIP2 disco-interacting protein 2 homolog B 1,0
40163 Exônico 1672 DEFB1 defensin, beta 1 1,0
11968 Exônico 84467 FBN3 fibrillin 3 1,0
38730 Exônico 2835 GPR12 G protein-coupled receptor 12 1,0
Tabela 6 - Genes codificadores de proteínas com expressão aumentada em células
tratadas com α-amanitina (RNAP II inibida).
# Os genes são representados por oligos mapeando em seus éxons e que detectaram transcritos co
m
intensidade aumentada duas ou mais vezes em células LNCaP tratadas com α-amanitina por 24 h. *O
aumento na abundância é indicado pelo Log
2
da razão das intensidades médias de expressão de cada
transcrito observadas em células tratadas / não-tratadas.
83
0,0
10,0
20,0
30,0
40,0
50,0
60,0
70,0
80,0
90,0
100,0
Diferencialmente Expressos (%)
# Diminuídos
2517 992 425 354 458 41 423 180
# Aumentados
89 21 61 62 65 1 16 4
% Diminuídos
96,6 97,9 87,4 85,1 87,6 97,6 98,6 97,8
% Aumentados
3,4 2,1 12,6 14,9 12,4 2,4 3,7 2,2
Exônico PIN senso TIN senso
TIN
antisenso
PIN
antisenso
Intergênico
PIN pré-
mRNA
ncRNA
RNAdb
Figura 14 - Resposta da expressão das diferentes classes de transcritos no tratamento de células
LNCaP com α-amanitina por 24 h. Os transcritos considerados diferencialmente expressos fora
m
determinados por uma análise combinada de SAM (FDR de 0,2% a 3,5%) e SNR (p 0,05).
84
Tabela 7 - Genes codificadores de proteínas nos quais mapeiam transcritos intrônicos com
expressão aumentada após tratamento com α-amanitina, enriquecidos na categoria funcional
“Regulação da Transcrição”
a
.
Oligo # Tipo de Oligo Lócus
Símbolo
do Lócus
Anotação do Lócus
16847 TIN senso 10608 MXD4 MAX dimerization protein 4
36503 TIN senso 51701 NLK nemo like kinase
3110 TIN senso 84441 MAML2 mastermind-like 2 (Drosophila)
31464 TIN senso 23512 SUZ12 suppressor of zeste 12 homolog (Drosophila)
13137 TIN senso 11083 DATF1 death associated transcription factor 1
17140 TIN senso 51341 ZBTB7A zinc finger and BTB domain containing 7A
7820 TIN senso 2034 EPAS1 endothelial PAS domain protein 1
23986 TIN senso 3607 FOXK2 forkhead box K2
12415 TIN senso 22823 MTF2 metal response element binding transcription factor 2
33974 TIN senso 4149 MAX MYC associated factor X
24586 TIN senso 7936 RDBP RD RNA binding protein
27454 TIN senso 11177 BAZ1A bromodomain adjacent to zinc finger domain, 1A
31194 TIN antisenso 4084 MXD1 MAX dimerization protein 1
13268 TIN antisenso 5087 PBX1 pre-B-cell leukemia transcription factor 1
15195 TIN antisenso 22936 ELL2 elongation factor, RNA polymerase II, 2
35320 TIN antisenso 2309 FOXO3A forkhead box O3A
23226 TIN antisenso 23261 CAMTA1 calmodulin binding transcription activator 1
20871 TIN antisenso 9611 NCOR1 nuclear receptor co-repressor 1
25266 TIN antisenso 57178 RAI17 retinoic acid induced 17
39410 TIN antisenso 9759 HDAC4 histone deacetylase 4
12811 TIN antisenso 54796 BNC2 basonuclin 2
43764 TIN antisenso 2969 GTF2I general transcription factor II, i
44275 TIN antisenso 3899 LAF4 lymphoid nuclear protein related to AF4
30361 TIN antisenso 6095 RORA RAR-related orphan receptor A
30666 TIN antisenso 6920 TCEA3 transcription elongation factor A (SII), 3
23755 TIN antisenso 9612 NCOR2 nuclear receptor co-repressor 2
40265 PIN antisenso 2119 ETV5 ets variant gene 5 (ets-related molecule)
41908 PIN antisenso 3659 IRF1 interferon regulatory factor 1
43556 PIN antisenso 3661 IRF3 interferon regulatory factor 3
23247 PIN antisenso 7701 ZNF142 zinc finger protein 142 (clone pHZ-49)
44065 PIN antisenso 4929 NR4A2 nuclear receptor subfamily 4, group A, member 2
28191 PIN antisenso 7633 ZNF79 zinc finger protein 79 (pT7)
36767 PIN antisenso 1106 CHD2 chromodomain helicase DNA binding protein 2
15410 PIN antisenso 9819 TSC22D2 TSC22 domain family, member 2
40067 PIN antisenso 166 AES amino-terminal enhancer of split
29019 PIN antisenso 6721 SREBF2 sterol regulatory element binding transcription factor 2
43464 PIN antisenso 405 ARNT aryl hydrocarbon receptor nuclear translocator
21997 PIN antisenso 10589 DRAP1 DR1-associated protein 1 (negative cofactor 2 alpha)
16215 PIN antisenso 29128 UHRF1 ubiquitin-like, containing PHD and RING finger domains, 1
29734 PIN antisenso 8570 KHSRP KH-type splicing regulatory protein (FUSE binding protein 2)
a
Análise das categorias de GO (Gene Ontology) de genes em cujos loci foram detectados transcritos
intrônicos TIN senso, antisenso ou PIN antisenso com abundância aumentada em células tratadas com α-
amanitina (RNAP II inibida) revelou enriquecimento significativo (p < 0,05) da categoria “
R
egulation o
f
Transcription, DNA-dependent” (GO: 006355).
85
Exônicos TIN Antisenso
TIN Senso
PIN Antisenso
Desvios-Padrão em
relação à média
controle
+
α-amanitina
Figura 15 - Efeito do tratamento com α-amanitina por 24 h em células LNCaP observado po
r
oligoarray. A variação da expressão de diferentes classes de transcritos representadas no
oligoarray foi avaliada com uma análise combinada de SAM (FDR < 0,2% to 3,5%) e SNR (p
0,05). Aqui os “Exônicos” incluem os transcritos detectados pelos oligos Exônicos e PIN senso.
PIN - Parcialmente Intrônico, TIN - Totalmente Intrônicos. Cada coluna representa uma réplica e
cada linha um transcrito diferente. Para cada transcrito, a diferença de expressão é apresentada
como o número de desvios-padrão acima (vermelho) ou abaixo (verde) da média de todas as suas
p
licas das duas condi
ç
ões.
Figura 16 - Categorias funcionais enriquecidas entre os genes com expressão intrônica aumentada
em células com RNAP II inibida. Análise com o programa BiNGO foi utilizada para identificar as
categorias definidas por termos de GO (Gene Ontology) significativamente (p < 0,05)
enriquecidas dentre os genes em cujos loci mapeiam transcritos intrônicos PIN antisenso e TIN
senso e antisenso com expressão aumentada em células LNCaP tratadas com α-amanitina por 24
h. É apresentada a saída original do programa, incluindo (à direita) a representação do
enriquecimento em barra de cor em escala logarítmica.
86
5. Discussão
Um caminho para melhor compreendermos a relevância biológica das
diferentes classes de ncRNAs é o estudo dos mecanismos envolvidos em sua
biossíntese e modulação em resposta a sinais intracelulares e ambientais. No
presente trabalho, investigamos um mecanismo envolvido na modulação da
expressão de ncRNAs pertencentes à classe de transcritos totalmente intrônicos que
não sofrem splicing previamente descrita por nosso grupo (Reis et al., 2004), bem
como a participação da RNAP II na expressão de um grande número de RNAs
mapeados em íntrons.
Ligação do Receptor de Andrógeno a Possível Promotor Intrônico
O ponto de partida deste estudo foi a observação que longos ncRNAs
intrônicos têm a expressão regulada por andrógeno em células humanas da
linhagem de carcinoma prostático LNCaP (Louro et al., submetido). A sinalização por
andrógeno desempenha um papel importante na regulação de diversos processos
em células de próstata normal e neoplásica, incluindo proliferação e diferenciação
celular, quiescência, apoptose e várias vias do metabolismo celular (Isaacs et al.,
1992; Geck et al., 1997; Swinnen & Verhoeven, 1998), e é marcada pela alteração
na expressão de um conjunto específico de genes relacionados a esses processos
(DePrimo et al., 2002; Nelson et al., 2002). Da mesma forma, a modulação da
expressão de ncRNAs frente ao tratamento com andrógeno evidencia a
funcionalidade e a participação destes transcritos em processos fisiológicos nas
células (Cawley et al., 2004).
Alguns autores, no entanto, argumentam que a alteração na expressão
destes transcritos poderia ser apenas conseqüência de modificações na estrutura da
87
cromatina promovida por um estímulo específico, favorecendo ou reprimindo a
ocorrência de transcrição espúria em alguns loci (Johnson et al., 2005). Contudo, a
observação de elementos promotores específicos e da ligação funcional de fatores
de transcrição regulando a expressão de ncRNAs contraria esta hipótese.
Neste trabalho, procuramos observar o mecanismo da regulação da
expressão de alguns ncRNAs por andrógeno em células LNCaP. Esta linhagem
expressa Receptores de Andrógeno (AR), constituindo-se em um dos principais
modelos de estudo da ação de hormônios androgênicos em células humanas
(Nelson et al., 2002). A regulação da transcrição induzida por andrógeno envolve a
interação direta do hormônio esteróide com o AR no citoplasma, promovendo sua
dimerização e translocação para o núcleo, onde se liga a seqüências regulatórias de
DNA (AREs) proximais ou distais e leva à modulação positiva ou negativa da
expressão dos genes-alvo pela interação com a maquinaria basal da RNAP II e co-
reguladores, incluindo proteínas modificadoras da cromatina (Heinlein & Chang,
2002; Shang et al., 2002; Shaffer et al., 2004).
Investigamos a ligação do AR em AREs candidatos identificados à montante
de quatro ncRNAs intrônicos, os quais foram selecionados para esta análise por
termos uma indicação de sua provável extremidade 5’ (Louro et al., submetido). Para
um destes transcritos (ncRNA intrônico antisenso ao gene Myo5A), a análise por
imunoprecipitação da cromatina (ChIP) mostrou que o AR liga-se ao provável
promotor que controla a transcrição induzida por andrógeno. Este resultado coincide
com o observado para o gene PSA, sabidamente ativado pelo hormônio pela ligação
do AR à sua região promotora.
No entanto, a ligação do AR não foi observada para os outros três transcritos
estudados. Uma possível explicação seria que a extremidade 5’ real destes
88
transcritos se estendesse mais à montante e que o fragmento que selecionamos
para os ensaios de ligação não corresponda à região promotora. Alternativamente, a
ativação da transcrição destes RNAs pode ser decorrente de uma resposta
secundária ao tratamento com andrógeno e não derive diretamente da ligação de
AR aos AREs putativos que identificamos.
Os experimentos que levaram à identificação dos ncRNAs responsivos a
andrógeno incluíram apenas tempos longos, com pelo menos 6 h de estimulação
(Louro et al., submetido). A resposta a hormônios esteróides é em geral rápida e,
apesar da resposta primária mediada pelo AR ser mantida durante um longo período
de estímulo com andrógeno (Jia et al., 2003), a variação na expressão de vários
genes e ncRNAs pode refletir efeitos secundários decorrentes das vias de
sinalização celular ativadas por andrógeno, em particular após um período longo de
exposição. Ademais, embora a detecção computacional de candidatos a ARE tenha
sido importante para o planejamento dos oligonucleotídeos utilizados nos ensaios de
ChIP, é provável que maioria dos AREs identificados não represente elementos
funcionais. Isto se deve ao pequeno tamanho da seqüência consenso do ARE e ao
critério de identificação de candidatos, que aceita 75 % de identidade ao consenso
(observado para muitos AREs funcionais - Nelson et al., 2002), que se refletiu na alta
incidência de candidatos a ARE encontrados nas vizinhanças dos transcritos (média
de ~2 por transcrito). De fato, experimentos preliminares mostraram que a inibição
da síntese protéica por cicloheximida abole a modulação da expressão de alguns
transcritos em células tratadas com andrógeno (dados não mostrados), indicando
que a resposta ao hormônio observada para estes transcritos pode ser secundária.
Por outro lado, nossos dados de que a expressão do RNA intrônico antisenso
ao gene MYO5A ocorre de forma regulada, e que aparentemente envolve a RNAP II
89
modulada por um fator de transcrição, apontam para uma semelhança com o
mecanismo de transcrição de genes codificadores. Como evidência adicional,
Pandey e colaboradores (2004) investigaram a influência do fator de transcrição NF-
Y na expressão do ncRNA antisenso kcnq1ot1 e demonstraram a sua ligação na
seqüência à montante do transcrito. Neste caso, a funcionalidade da ligação foi
verificada com experimentos de deleção dos sítios de ligação a NF-Y que afetaram
negativamente a expressão do transcrito (Pandey et al., 2004). Além disso, Cawley
et al. (2004) mostraram que muitos sítios de ligação dos fatores c-Myc, p53, Sp1 e
CREB no genoma coincidem com as posições de mapeamento de ncRNAs poli(A)+
(cujo tamanho varia de 0,8 a 9 kb dentre os transcritos analisados), sugerindo que os
fatores de transcrição podem estar guiando a maquinaria de transcrição da RNAP II
para a biossíntese de ncRNAs.
O RNA intrônico antisenso ao gene MYO5A, mencionado acima, é transcrito a
partir do íntron 19 deste gene. MYO5A codifica uma proteína com funções motoras
mediadas pela interação com actina, atuando no tráfico intracelular e exocitose
(Rudolf et al., 2003; Tyska & Mooseker, 2003; Varadi et al., 2005; Watanabe et al.,
2005). Interessantemente, este gene codifica isoformas tecido-específicas
determinadas pelo uso alternativo de éxons, às quais, acredita-se, modulam a
especificidade e direcionamento do transporte de diferentes cargas dentro das
células (Au & Huang, 2002; Westbroek et al., 2003). Assim, é interessante especular
que o RNA intrônico antisenso possa atuar regulando o splicing alternativo de
MYO5A, e que a modulação na sua expressão por andrógeno provavelmente afete a
abundância relativa de diferentes isoformas. De forma semelhante, tem sido
proposto que o controle da expressão da cadeia pesada da miosina de músculo
cardíaco em diferentes situações fisiológicas e patológicas é mediado por um RNA
90
antisenso cis-atuante (Haddad et al., 2003; Haddad et al., 2006). Cabe lembrar que
o mecanismo de regulação do splicing alternativo já foi demonstrado para o
transcrito intrônico antisenso SAF (Yan et al., 2005).
Análise da Expressão do Antisenso SAF
Em células Jurkat, além do transcrito antisenso SAF, nós detectamos um
transcrito intrônico senso, que pode corresponder a uma unidade transcricional
independente ou simplesmente a uma forma imatura de FAS. Observamos que a
expressão de SAF é inibida em células tratadas por 12 h α-amanitina, um inibidor da
RNAP II. Utilizando esta mesma abordagem, foi demonstrado que a RNAP II é
responsável pela biossíntese de alguns ncRNAs longos, como o transcrito PRINS,
de pelo menos 1,48 kb, e o enorme transcrito AIR, de 108 kb, cuja expressão é
reprimida em células humanas tratadas com α-amanitina (Sonkoly et al., 2005; Seidl
et al., 2006).
Recentemente, foi demonstrado que um promotor típico de RNAP II dirige a
expressão de um ncRNA de 7 kb (AncR-1) de Apis mellifera em ensaio de gene
repórter em células de Drosophila (Sawata et al., 2004). Este promotor contém um
sítio TATA Box que ocorre na posição canônica a ~30 pb do sítio de iniciação da
transcrição. O ncRNA AncR-1 é, à semelhança dos mRNAs, poliadenilado e
apresenta diversas isoformas de splicing (Sawata et al., 2004).
Procuramos, também, demonstrar a ocorrência de um promotor específico
dirigindo a transcrição do ncRNA SAF em um segmento de ~600 pb à montante de
seu sítio de iniciação de transcrição, previamente determinado por 5’ RACE e primer
extension (Yan et al., 2005). Ainda que este segmento possua elementos
característicos de um promotor de RNAP II, como o TATA Box, não observamos
91
atividade promotora em ensaios de gene repórter. Uma explicação para nossos
resultados poderia ser que o sítio de iniciação da transcrição previamente
determinado não é o correto, o que implicaria na incorreta designação do promotor
proximal estudado. Entretanto, a metodologia utilizada por Yan e colaboradores na
determinação do início transcrição é bastante confiável.
Intrigantemente, uma busca por promotores funcionais em 1 % do genoma
humano revelou que menos de um terço (31,6 %) dos candidatos a promotores de
transcritos sem evidência de splicing apresentaram atividade em ensaios de gene
repórter (Cooper et al., 2006). Para modelos gênicos com múltiplos éxons, sendo a
maioria mRNAs, a fração de promotores com atividade é mais de duas vezes maior
(~66 %). Pelo menos metade dos transcritos no primeiro modelo gênico (sem
evidência de splicing) correspondem a ncRNAs, os quais representam uma fração
muito menor no segundo (múltiplos éxons). Os autores argumentaram que este
contraste poderia refletir que os transcritos não-anotados representam artefatos das
bibliotecas (ou produtos de transcrição espúria), ou que eles têm promotores
diferentes, com propriedades não bem avaliadas por esses ensaios de atividade de
promotor, nos quais apenas uma porção genômica imediatamente à 5’ do transcrito
é clonada à montante do gene repórter (Cooper et al., 2006).
Como exposto acima, a funcionalidade do ncRNA intrônico SAF (que não
sofre splicing) já foi demonstrada e, certamente, este transcrito não representa um
produto de transcrição espúria por RNAP II. De forma especulativa, é possível supor
diferentes explicações para nossos resultados, tais como: o funcionamento do
promotor de SAF pode depender de elementos regulatórios positivos não incluídos
no fragmento analisado; o contexto da cromatina pode ser fundamental para sua
atividade; ou no fragmento clonado pode haver um elemento regulatório negativo
92
cujo efeito fora do ambiente da cromatina é preponderante, uma vez que
aparentemente cerca de 55 % dos promotores possuem elementos negativos na
região de –1.000 a –500 capazes de reduzir consideravelmente (até praticamente
abolir, como para o promotor do gene SPAG4) a sua atividade em ensaios de gene
repórter (Cooper et al., 2006).
Por fim, cabe ressaltar que já foram demonstrados promotores ativos para
diversos tipos de ncRNAs (como os mencionados acima), inclusive antes da
descoberta da abundância destes transcritos. Como exemplos, descobertas
eventuais mostraram a ocorrência de um promotor dirigindo a expressão de um
ncRNA senso originado no primeiro íntron de P53 (Reisman et al., 1988; Reisman &
Rotter, 1989); de um elemento iniciador Inr, ocorrendo a 242 pb à jusante do início
de transcrição do gene eIF-2α, capaz de dirigir a síntese de um transcrito antisenso
(Silverman et al., 1992; Noguchi et al., 1994); além da demonstração da expressão
de um RNA antisenso ao gene c-MYC em núcleos de células de camundongo por
experimentos de run-on (Nepveu & Marcu, 1986).
Efeito da Inibição da RNAP II na Transcrição Intrônica
Neste trabalho, também avaliamos o efeito da inibição da RNAP II na
abundância de mensagens codificadoras e de transcritos intrônicos em células
humanas, utilizando oligoarrays. De encontro com a noção predominante da
transcrição de ncRNAs por RNAP II, observamos uma diminuição significativa na
abundância da maior parte dos transcritos intrônicos diferencialmente expressos em
células LNCaP tratadas por 24 h com alta dose de α-amanitina (50 µg/mL). Este
resultado também é consistente com o modelo da transcrição de ncRNAs intrônicos
93
por RNAP II, proposto a partir da observação da sua regulação por andrógeno, como
discutido acima.
Contudo, uma grande fração de ncRNAs não compartilha características
estruturais com mRNAs (por exemplo, poliadenilação e splicing) e a participação da
RNAP II em sua transcrição não está clara. No presente estudo, observamos que
uma fração significativa de transcritos totalmente ou parcialmente intrônicos
(antisenso) apresentou, após a inibição com α-amanitina, uma resposta distinta da
apresentada por transcritos mapeando em éxons de genes codificadores de
proteínas. Não apenas uma parcela pelo menos duas vezes menor destes
transcritos não-codificadores (16 a 19 %) expressos foi afetada pela inibição da
RNAP II por 24 h em relação aos exônicos (40 %), mas, notavelmente, muitos dos
diferencialmente expressos (12 a 15 %) tiveram a abundância significativamente
aumentada nesta condição, uma fração de 4 a 5 vezes maior que a observada para
transcritos exônicos.
A proporção de ncRNAs intrônicos com expressão insensível ou estimulada
frente à inibição da RNAP II pode ser ainda maior que a aqui reportada. O critério de
análise dos dados de hibridação dos oligoarrays envolvendo dois métodos
estatísticos combinados foi utilizado para definição de um conjunto robusto e
estatisticamente confiável de transcritos diferencialmente expressos, porém mais
restrito. A análise utilizando microarranjos de cDNA representando mais de 3 mil
transcritos (incluindo cerca de 800 intrônicos) revelou, por outro lado, maiores
proporções de transcritos intrônicos aumentados, porém sem a distinção da
orientação senso ou antisenso dos transcritos detectados (dados não mostrados).
Nestes experimentos, a proporção de exônicos afetados pela inibição da RNAP II foi
similar à observada nos experimentos em que utilizamos oligoarrays. De qualquer
94
modo, estendendo os resultados aqui apresentados para toda a população de
ncRNAs encontrados em células humanas, milhares de transcritos intrônicos devem
apresentar este comportamento frente à inibição da RNAP II. Considerando apenas
os ~55 mil clusters de ESTs intrônicos encontrados por Nakaya et al. (submetido),
em uma extrapolação da fração cuja abundância foi aumentada em células com
RNAP II bloqueada com α-amanitina por 24 h, estimamos que mais de mil serão
aumentados, se pelo menos 13 % forem diferencialmente expressos.
Estas observações evidenciam que a transcrição por RNAP II pode não
explicar a expressão de uma fração considerável de ncRNAs intrônicos. Uma forte
indicação a favor dessa hipótese pode ser extraída do estudo de Kim et al. (2005),
que utilizaram a estratégia de ChIP-chip para mapear os promotores ocupados pela
RNAP II em toda seqüência não-repetitiva do genoma humano. Estes autores
mostraram que apenas 13 % dos Pré-Complexos de Iniciação (PIC) da RNAP II
estão localizados em regiões a mais de 2,5 kb dos sítios de início de transcrição de
genes codificadores. Estes possíveis promotores em regiões não anotadas podem
estar dirigindo a expressão de ncRNAs, contudo esta proporção não é suficiente
para responder pela expressão do grande número de transcritos não-codificadores
observados em células humanas (Kim et al., 2005). À luz destes dados, é provável
que muitos dos sítios de ligação de fatores transcrição em regiões não-codificadoras,
determinados por ChIP-chip com tiling arrays genômicos, sejam elementos
regulatórios distais (como enhancers ou silencers) e não promotores proximais de
ncRNAs transcritos por RNAP II (Cawley et al., 2004).
Ao correlacionar a expressão de 14.437 transcritos com a ocupação pelo PIC
em células humanas, a transcrição pela RNAP II pode explicar a expressão de
95
apenas 75 % dos RNAs, sugerindo que um mecanismo ainda não conhecido deve
ser responsável pela biossíntese da fração restante (Kim et al., 2005).
Intrigantemente, diversos estudos têm sugerido a existência de propriedades
distintas para promotores de ncRNAs. Embora tenha sido mostrado (Cooper et al.,
2006) que muitos promotores de transcritos sem splicing e não-anotados não
apresentaram atividade em ensaio de gene repórter, também foi observado que eles
têm uma conservação média semelhante à dos promotores ativos de genes
anotados (muito superior à conservação média do genoma), o que é um indicativo
de funcionalidade. Ainda mais marcante, uma análise em maior escala das regiões
promotoras de transcritos de camundongo e humanos cujas extremidades 5’ foram
determinadas mostrou que as regiões à montante de ncRNAs são em geral muito
mais conservadas (e por um trecho maior) que os promotores de genes
codificadores (Carninci et al., 2005). Por outro lado, Kimura e colaboradores (2006),
estudando as seqüências dos sítios de iniciação da transcrição de cDNAs completos
clonados pelo método oligo-capping (Suzuki & Sugano, 2003), notaram que a
composição de bases dos sítios de iniciação de genes RefSeq (bem anotados,
curados manualmente) é significativamente diferente do observado para transcritos
não incluídos nos RefSeq, na maior parte constituídos de ncRNAs. Face a estes
resultados, esses autores sugeriram que a natureza do mecanismo de iniciação da
transcrição deve ser diferente entre genes codificadores de proteínas e ncRNAs
(Kimura et al., 2006). Coletivamente, estas descobertas indicam que pode haver
diferenças fundamentais na base dos processos de biossíntese de mRNAs e
ncRNAs. Uma das possibilidades é que outra RNAP também esteja envolvida na
transcrição de ncRNAs.
96
As três RNA polimerases nucleares de eucariotos foram originalmente
diferenciadas com base em sua sensibilidade à α-amanitina, que inibe fortemente a
RNAP II, mas não afeta a atividade da RNAP I e em altas concentrações inibe a
RNAP III (Jacob et al., 1970; Kedinger et al., 1970; Lindell et al., 1970).
Interessantemente, a quarta RNAP nuclear, descrita em células humanas, spRNAP
IV, apresenta atividade aumentada em células tratadas com α-amanitina
(Kravchenko et al., 2005). Como já destacado, a pequena fração de transcritos
exônicos que identificamos que aumenta acima de duas vezes em células com
RNAP II inibida é semelhante à encontrada por Kravchenko e colaboradores em uma
análise de um conjunto diferente de genes. A ocorrência de transcritos mapeados
em éxons de genes codificadores (alguns bem anotados) com expressão aumentada
com α-amanitina, é intrigante e deve ser estudada em maior detalhe. Considerando
a abundância de transcrição que ocorre em muitos loci complexos em células
humanas, é possível que alguns destes transcritos aumentados e classificados como
“exônicos” correspondam a ncRNAs com sobreposição a éxons na mesma
orientação.
Naturalmente, a spRNAP IV é uma boa candidata para a atuação na síntese
dos ncRNAs intrônicos aumentados com α-amanitina. Experimentos de interferência
de RNA visando à inibição desta polimerase estão em curso em nosso grupo e
deverão revelar se ela atua na biossíntese de transcritos intrônicos. Também será
importante a caracterização das seqüências promotoras reconhecidas por esta
enzima e dos fatores que regulam sua atividade transcricional.
Na verdade, o fato de uma fração pequena (duas vezes menor do que a
observadas para os exônicos) de transcritos intrônicos expressos terem sido
afetados pela inibição da RNAP II é bastante sugestivo de que esta polimerase pode
97
não estar envolvida na transcrição de um conjunto de ncRNAs. Contudo, o
mecanismo de aumento da expressão induzido por α-amanitina permanece mais
obscuro. Entretanto, vale destacar que α-amanitina pode promover alterações
drásticas na estrutura da cromatina em células humanas (Haaf & Ward, 1996), o que
poderia levar ao aumento da abundância de RNAs transcritos por uma polimerase
insensível à α-amanitina que teria uma maior acessibilidade a regiões contendo
promotores de ncRNAs.
Uma segunda hipótese seria que o aumento na expressão (abundância) de
RNAs exônicos e intrônicos poderia ser devido a uma estabilização destes
transcritos em células tratadas com α-amanitina. Em leveduras, foi mostrado que a
deleção de Rrp6p, componente da forma nuclear do exossomo, leva ao acúmulo de
RNAs intergênicos, chamados de RNAs crípticos (Wyers et al., 2005). Esta
observação indica a ocorrência de transcrição de ncRNAs instáveis que são
normalmente degradados no núcleo de leveduras. Contudo, desconhecemos
qualquer evidência da existência de um mecanismo que favoreça a estabilidade de
RNAs não-codificadores senso e antisenso em relação a mRNAs em células
humanas, o qual poderia explicar a diferença observada entre as proporções de
transcritos exônicos e intrônicos não afetados ou aumentados frente à inibição da
RNAP II. Assim, parece improvável a ocorrência de tal sistema de degradação
preferencial de ncRNAs, cuja depleção em células com inibição da RNAP II por
apenas 24 h seria responsável pelo aumento observado na abundância destes
transcritos.
A possibilidade de que novas polimerases desempenhem funções como a
transcrição de diferentes ncRNAs em células eucarióticas é bastante atrativa. Além
da spRNAP IV, muito recentemente, outras duas novas RNA polimerases nucleares
98
eucarióticas foram descobertas. Exclusivas de plantas, a RNAP IVa e RNAP IVb
são responsáveis pela transcrição de pequenos RNAs que atuam dirigindo a
formação de heterocromatina e silenciamento de transposons (Herr et al., 2005;
Onodera et al., 2005; Pontier et al., 2005). Tem sido considerado que até mesmo
uma RNA Polimerase dependente de RNA (RpRD) ativa poderia existir em células
humanas, assim como ocorre em fungos, animais invertebrados, plantas e diversos
vírus de RNA (Zamore & Haley, 2005; Wassenegger & Krczal, 2006). Esta hipótese
é baseada na observação de que alguns RNAs são perfeitamente complementares a
outro RNA (antisenso) em toda sua extensão, inclusive com a mesma estrutura de
splicing (naturalmente, invertida), ou seja, são transcritos especulares cuja origem é
explicável pela cópia por uma RpRD (Cheng et al., 2005; Kapranov et al., 2005). As
RpRDs descritas em eucariotos desempenham um papel importante na geração de
siRNAs secundários e manutenção do processo de RNAi, mas, apesar de a via
existir em humanos e outros mamíferos, a atividade desta polimerase ainda não foi
detectada nestes organismos (Stein et al., 2003).
Além da caracterização da biossíntese e regulação, será muito importante
definir as funções biológicas destes transcritos. É relevante notar que no nosso
estudo sobre o efeito da inibição da RNAP II observamos uma similaridade entre a
resposta da expressão dos transcritos totalmente intrônicos senso e antisenso. Estes
apresentaram proporções de transcritos não afetados e aumentados quase
idênticas, as quais foram muito diferentes da observada para os transcritos exônicos.
Este resultado sugere fortemente que os transcritos intrônicos senso não são
artefatos originados dos pré-mRNAs ou ruído produzido pela RNAP II transcrevendo
genes codificadores (Dennis, 2002; Brosius, 2005; Castillo-Davis, 2005; Huttenhofer
et al., 2005; Johnson et al., 2005; Kapranov et al., 2005).
99
Uma boa indicação da possível relevância funcional dos ncRNAs é dada pela
sua distribuição não randômica no genoma. Interessantemente, os transcritos
intrônicos de todas as classes não-codificadoras (TIN senso e antisenso e PIN
antisenso) com expressão aumentada em células com RNAP II inibida apresentaram
um enriquecimento significativo em loci de genes envolvidos com regulação da
transcrição. Esta observação soma-se aos resultados obtidos por Nakaya e
colaboradores (submetido) que, utilizando a mesma plataforma de oligoarray,
mostraram que os transcritos intrônicos antisenso mais abundantes em diferentes
tecidos (próstata, rim e fígado) mapeiam preferencialmente em genes pertencentes a
esta classe regulatória.
A identificação de regiões genômicas não-codificadoras que estão sobre forte
pressão seletiva, incluindo regiões intrônicas, tem sido realizada com diferentes
abordagens: identificação de seqüências “ultraconservadas” (Bejerano et al., 2004);
de seqüências conservadas em múltiplas espécies (Sironi et al., 2005); seqüências
conservadas entre vertebrados, mas altamente divergentes entre chimpanzés e
humanos (Pollard et al., 2006); pequenos blocos de seqüência com múltiplas cópias
(pyknons) (Rigoutsos et al., 2006); ou ausência de inserção de transposons (Simons
et al., 2006). É extremamente interessante que todas estas regiões identificadas
estão fortemente associadas com genes envolvidos com regulação da transcrição,
sobre os quais provavelmente exercem papéis regulatórios importantes (Bejerano et
al., 2004; Sironi et al., 2005; Pollard et al., 2006; Rigoutsos et al., 2006; Simons et
al., 2006). É possível que nossa observação do mapeamento de transcritos
intrônicos nestes genes represente um mecanismo adicional de regulação dos
reguladores, constituindo um sistema elaborado de controle fino da expressão
gênica em células humanas.
100
Em conclusão, neste trabalho mostramos que a RNAP II desempenha um
papel importante na transcrição intrônica e que esta pode ocorrer de forma regulada
por fatores de transcrição, da mesma forma como ocorre a expressão de genes
codificadores. Por outro lado, também observamos que uma fração significativa de
ncRNAs intrônicos apresenta propriedades diferentes dos transcritos codificadores
de proteínas. A expressão refratária ou mesmo estimulada de transcritos intrônicos
observada em células humanas com RNAP II bloqueada suscita a possibilidade de
que outra polimerase atue em sua transcrição, o que contraria a visão
preponderante, mas abre novas perspectivas para o entendimento de sua
biossíntese. A elucidação deste aspecto da biologia dos ncRNAs será importante
para a compreensão das diferentes classes de RNAs e de suas funções em
humanos e outros eucariotos.
101
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115
LISTA DE ANEXOS
Anexos inclusos no CD-ROM suplementar a esta Dissertação
Anexo 1: Nakaya, H.I., Amaral, P.P., Louro, R., Lopes, A., Fachel, A.A., Moreira,
Y.B., El-Jundi, T.A., da Silva, A.M., Reis, E.M. & Verjovski-Almeida, S. (2006)
Expression Analyses of Human Intronic Noncoding RNAs Reveal Tissue-Specific
Patterns and Enrichment in Genes Related to Regulation of Transcription.
(Submetido)
Anexo 2: Amaral, P.P. & Nakaya, H.I. (2006) DNA não-codificador: o lixo que vale
ouro? Ciência Hoje, 38, 36-42.
Anexo 3: Louro, R., Nakaya, H.I., Amaral, P.P., Festa, F., Sogayar, M.C., da Silva,
A.M., Verjovski-Almeida, S. & Reis, E.M. (2006) Androgen responsive intronic non-
coding RNAs. (Submetido).
Anexo 4: Súmula Curricular.
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