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... a capacidade de perceber, compreender, criar, adaptar, organizar e produzir insumos, produtos e
serviços. Em outros termos, à tecnologia transcende a dimensão puramente técnica, ao desenvolvimento
experimental ou à pesquisa em laboratório; ela envolve dimensões de engenharia de produção, qualidade,
gerência, marketing, assistência técnica, vendas, dentre outras, que a tornam um vetor fundamental de
expressão da cultura das sociedades (BASTOS, 1998, P.32).
A tecnologia não pode ser vista como uma simples aplicação de técnicas. Os seres
humanos devem ser capazes de compreender e desenvolver uma interação entre o
mundo técnico, social e cultural. Figueiredo (1989, p. 08) aponta para a importância de se
“investigar que interesses prevalecem na satisfação de quais necessidades sociais sob a
pena de se fixar o avanço tecnológico, como auto-sustentado e absurdamente concebido
como fenômeno natural e independente de decisões e vontades humanas”.
Vale lembrar que a tecnologia é um elemento fundamental da nossa sociedade
hoje, mas ela não é o que determina os nossos comportamentos e atitudes frente ao
mundo. A tecnologia não passa de uma realização humana que deve sempre ser
compreendida dentro de um contexto social.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a tecnologia não está restrita aos
grandes laboratórios e salas de aula de universidades. A tecnologia está no cotidiano das
pessoas e está sempre em constante mutação, seja no âmbito social ou cultural.
Daí a necessidade de conhecer e interpretar a tecnologia, pois é ela que no
cotidiano vai, por meio de uma interação com os seres humanos, provocar alterações em
todos os níveis da sociedade, seja para o bem ou para o mal.
A tecnologia não é, portanto, algo neutro, ela é utilizada por um ser humano, e, de
acordo com Bastos (1998, p.09), “a máquina objetiva, no particular, um modo concreto de
vivenciar a ação social”, que se dá a partir da interação com o ser humano.
Assim, a tecnologia deve ser compreendida como uma necessidade criada pelo e
para o ser humano, que está sempre se transformando, de acordo com as suas
necessidades, sejam sociais, econômicas ou culturais.
Carvalho (2003, p. 20) declara que “houve uma incorporação crescente do
conhecimento científico à tecnologia”, por isso não se pode falar em desenvolvimento
tecnológico sem também se levar em conta o progresso científico. É importante que se vá
além do caráter instrumental da tecnologia, devendo-se também levar em conta os
aspectos sociais, culturais, políticos, históricos, etc.
O papel dos seres humanos e das relações sociais é fundamental dentro deste
contexto, uma vez que são eles que definem o que será desenvolvido, como, quando e a
finalidade de tal desenvolvimento tecnológico, por isso, não se pode entender a tecnologia
como algo autônomo, dotado de vida própria, mas, sim, um serviço que é prestado aos
seres humanos em diferentes circunstâncias, nas diversas sociedades.