
Enfermagem humanística: contribuição para o desenvolvimento da enfermeira na Unidade Neonatal
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RESUMO
O cotidiano enfrentado pelas enfermeiras que trabalham em Unidade de Internação
Neonatal (UIN) lhes impõe um alargamento de perspectivas na observação,
realização e gerenciamento, do ponto de vista das suas atividades profissionais.
Como enfermeiras, atuando em Neonatologia, acreditamos ser necessária uma
reflexão para transpor obstáculos, procurando opções que levem a um trabalho com
perspectiva emancipatória. Nosso interesse neste texto é defender a tese de que,
após aquisição dos conhecimentos sobre a Teoria Humanística de Enfermagem, de
Paterson e Zderad, e, ao buscar o diálogo genuíno com o recém-nascido (RN) de
alto risco nas práticas diárias vivenciadas, com base em conhecimento científico e
humano, a enfermeira conseguirá compreender o significado do seu bem-estar e
estar-melhor. Objetivamos investigar a prática da enfermeira na assistência ao RN
de alto risco na UIN com base na Teoria Humanística; analisar a prática da
enfermeira na assistência ao RN de alto risco, após aprimoramento do seu cuidado,
embasado nos pressupostos da Teoria Humanística de Enfermagem, e elaborar um
processo de cuidado humanístico ao RN com participação coletiva das enfermeiras.
Trata-se de pesquisa qualitativa, apoiada na Teoria Humanística de Paterson e
Zderad, desenvolvida na UIN de uma maternidade-escola, na cidade de Fortaleza-
CE, perfazendo um período, referente à coleta de dados, de março a agosto de
2005. Os sujeitos foram dez enfermeiras atuantes na UIN. Para a coleta de dados
foram realizadas reuniões semanais, em um período de 60 dias, as quais foram
filmadas. No segundo momento, após as reuniões, usamos a observação
participante na UIN para registrar a comunicação enfermeira/bebê/família/equipe
interdisciplinar. No decorrer da análise, síntese e descrição buscamos compreendê-
la à luz da Teoria Humanística, de Paterson e Zderad. Os dados foram organizados
e apresentados por meio de quadros. As temáticas extraídas das falas e das
filmagens das participantes, após reflexões das exposições teóricas desenvolvidas
pelo grupo, foram: desmotivação, cuidado, ambiente, relacionamento interpessoal.
Da temática desmotivação, emergiram as subtemáticas cansaço físico e mental, o
re-trabalho na UIN, falta de perspectiva para mudanças, autoconhecimento; da
temática cuidado, as subtemáticas foram autocuidado e cuidado ao bebê; da
temática ambiente, emergiram as subtemáticas o ambiente da UIN e os sentimentos
da enfermeira ao atuar na UIN; da temática relacionamento interpessoal, a
subtemática foi relacionamento com a equipe interdisciplinar na UIN. O processo de
cuidado humanístico ao recém-nascido foi elaborado coletivamente pelas
enfermeiras após a compreensão do significado do seu estar-melhor em UIN, e
incluiu todas as etapas da Teoria Humanística. Tentamos compreender as relações
entre o discurso e a existência, o meio, a ambiência que rodeia a pessoa de cada
enfermeira. Acreditamos que a tese defendida alcança a compreensão da
enfermeira sobre o significado da sua experiência, do seu estar-melhor ao cuidar do
RN em UIN, pelo desenvolvimento da autoconsciência, da compreensão do outro,
pelo olhar mais relacionador das diversidades, pelo estabelecimento de uma visão
mais ampla das realidades vivenciadas em seu cotidiano, pela transição do seu
egocentrismo para o compartilhamento de suas emoções, do seu saber e da sua
vocação – o cuidar.
Palavras-Chave: Processos de Enfermagem. Relações Enfermeiro-Paciente.
Recém-Nascido. Enfermagem Neonatal.