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Devido à condição altamente conservada do genoma plastidial, regiões de cpDNA são
pouco utilizadas para estudos evolutivos em nível populacional (van Ham e cols., 1994), pois
geralmente estas seqüências não evoluem rápido o suficiente para revelar
polimorfismos
intraespecíficos (Wolfe, 1987). Contudo, o seqüenciamento das regiões psbA-trnH e trnS-trnG do
cpDNA, realizado pelo nosso grupo de pesquisa, mostrou uma boa variação inter e intraespecífica
nos gêneros Petunia e Calibrachoa (Contini e cols., 2003; Kulcheski e cols., 2003; Kulcheski e
cols., no prelo; Longo e cols., 2003; Lorenz e cols., 2003).
As regiões do genoma nuclear são ferramentas mais adequadas para os estudos evolutivos
que requerem dados de variação molecular em nível intraespecífico e populacional em plantas, pois
apresentam taxas evolutivas cerca de três a seis vezes maiores que as do cpDNA (Small e cols.,
1998). Além disso, diversos trabalhos (p/ ex.: Molvray e cols, 1999; Fishbein e Soltis, 2004;
Koontz e cols., 2004; Oh e Potter, 2005) vêm combinando dados nucleares aos dados de cpDNA,
na tentativa de aumentar a confiabilidade das relações evolutivas inferidas, pois, uma vez que os
dois genomas apresentam mecanismos evolutivos diferentes, a história que é contada apenas por
um deles pode ser incompleta, como revisado em Schaal e cols. (1998) e Nordborg e Innan (2002).
A incongruência entre resultados obtidos a partir de regiões do genoma nuclear e plastidial pode
indicar a ocorrência de eventos de hibridação e introgressão, que passariam despercebidos caso os
estudos fossem conduzidos com apenas um tipo de marcador (Yoo e cols., 2002). Além disso, nos
estudos de genética de populações, o sistema diferenciado de herança dos genomas nuclear
(biparental) e plastidial (uniparental) acaba determinando padrões de diversidade genética intra e
interpopulacional bastante divergentes (Petit e cols., 1993a).
Uma das regiões mais usadas para estudos evolutivos, dentre as regiões nucleares
disponíveis para a análise, tem sido a região correspondente aos espaçadores internos transcritos do
DNA nuclear ribossomal (nrDNA), ITS1 e ITS2, que separam os genes 18S, 5,8S e 26S,
codificadores das subunidades ribossomais (Figura 7). Transcritos juntamente com as regiões
codificadoras, os espaçadores ITS são eliminados durante o processamento do RNA. Em
organismos superiores, o DNA ribossomal encontra-se agrupado em arranjos de centenas a
milhares de repetições. O mecanismo chamado “evolução em concerto” atua sobre as repetições
presentes em um genoma de maneira a homogeneizá-las em apenas uma seqüência definida, o que
facilita a utilização da região ITS em estudos que envolvem seqüenciamento. No caso da formação
de plantas híbridas, as seqüências de ITS, originadas dos diferentes genomas parentais,
preferencialmente, passam por evolução em concerto em vez de continuar a evoluir
independentemente, sendo homogeneizadas. Tem sido sugerido que o mecanismo para a
homogeneização interlocos seja a permuta desigual ou a conversão gênica (Baldwin e cols., 1995).
Como observado por Aguilar e cols. (1999), a homogenização das seqüências de ITS em híbridos