- Sua majestade não a aceitou...
- Naturalmente; fez sua majestade muito bem.
- Não a aceitou porque me considera muito, e sabe que a um ministro ocupado como eu é fácil
escapar um decreto mal copiado.
- Peço mil perdões a vossa excelência - protestou o diretor-geral, terrivelmente impressionado
pela palavra demissão. O acúmulo de serviço fez com que me escapasse tão grave lacuna; mas
afirmo a vossa excelência que de agora em diante hei de ter o maior cuidado em que se não
reproduzam fatos desta natureza.
O ministro deu-lhe as costas e encolheu os ombros, dizendo:
- Bom! Mande reformar essa porcaria!
O diretor-geral saiu, fazendo muitas mesuras, e chegando no seu gabinete, mandou chamar o
chefe da 3ª seção que o encontrou fulo de cólera.
- Estou furioso! Por sua causa passei por uma vergonha diante do sr. ministro!
- Por minha causa?
- O Sr. mandou-me na pasta um decreto sem o nome do funcionário nomeado!
E atirou-lhe o papel, que caiu no chão.
O chefe da 3ª seção apanhou-o, atônito, e, depois de se certificar do erro, balbuciou:
- Queira vossa senhoria desculpar, Sr. diretor... são coisas que acontecem... havia tanto
serviço... e todo tão urgente!...
- O Sr. ministro ficou, e com razão, exasperado! Tratou-me com toda a consideração, com toda
a afabilidade, mas notei que estava fora de si!
- Não era o caso para tanto...
- Não era caso para tanto? Pois olhe, sua excelência disse-me que eu devia suspender o chefe
de seção que me mandou isto na pasta!