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Estatística ou qualquer outra disciplina, não devemos reduzir essa competência aos
seus saberes característicos, devendo-se acrescentar a estes as atitudes, os valores
e as capacidades. Nota-se aqui, uma semelhança entre esta e a definição de
alfabetismo funcional.
Assim, em analogia à definição do INAF, alfabetização funcional é a versão
para o português que vamos adotar para a palavra da língua inglesa literacy, a qual
em Portugal e para alguns autores brasileiros tem sido traduzida como “literacia”.
Literacy é o estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e
escrever. Implícita nesse conceito está a idéia de que a escrita traz
conseqüências sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas,
lingüísticas, quer para o grupo social em que seja introduzida, quer para o
indivíduo que aprenda a usá-la. (SOARES, 2003, p.17)
Particularizando para o contexto estatístico, Lopes (2003), afirma:
A literacia estatística requer que a pessoa seja capaz de reconhecer e
classificar dados como quantitativos e qualitativos, discretos ou contínuos, e
saiba como o tipo de dado conduz a um tipo específico de tabela, gráfico,
ou medida estatística. Precisa saber ler e interpretar tabelas e gráficos,
entender as medidas de posição e dispersão, usar as idéias de
aleatoriedade, chance e probabilidade para fazer julgamento sobre eventos
incertos e relacionar a amostra com a população. Espera-se, ainda, que o
indivíduo saiba como julgar e interpretar uma relação entre duas variáveis.
Pode-se notar que isso é muito mais do que possuir competências de
cálculo, é preciso adquirir hábitos para compreender a leitura e a
interpretação numérica necessária para o exercício pleno da cidadania com
responsabilidade social na tomada de decisão. (LOPES, 2003, p.188)
Verificamos que as duas citações acima apresentam o mesmo significado
atribuído, no capítulo anterior, para a expressão alfabetização funcional utilizada
pelo INAF.
Shamos (apud MORAIS, 2006) utiliza uma estrutura composta por três níveis
para categorizar a alfabetização estatística. Observe-se que a autora em questão
(MORAIS, 2006) adotou o termo “letramento” para traduzir literacy.
O primeiro, considerado básico, é o letramento cultural, referindo-se às
pessoas que compreendem termos básicos usados comumente nos meios
de comunicação diante de assuntos relacionados à ciência. O segundo,