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ANDRÉ OLIVEIRA LIMA
BIOFUMIGAÇÃO DO SOLO COM Brassica rapa PARA O
CONTROLE DE FITONEMATÓIDES.
Tese apresentada à Universidade
Federal de Viçosa, como parte das
exigências do Programa de Pós-
Graduação em Fitopatologia, para
obtenção do título de Magister Scientiae.
VIÇOSA
MINAS GERAIS – BRASIL
2006
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Ficha catalográfica preparada pela Seção de Catalogação e
Classificação da Biblioteca Central da UFV
T
Lima, André Oliveira, 1981-
L732b Biofumigação do solo com Brassica rapa para o
2006 controle de fitonematóides / André Oliveira Lima. –
Viçosa : UFV, 2006
x, 44f. : il. ; 29cm.
Orientador: Rosângela D’Arc de Lima Oliveira.
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de
Viçosa.
Inclui bibliografia.
1. Nematoda - Controle biológico. 2. Nematoda -
Efeito dos glucosinolatos. 3. Brassicaceae. 4. Microorga-
nismos do solo. I. Universidade Federal de Viçosa.
II.Título.
CDD 22.ed. 632.6257
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ANDRÉ OLIVEIRA LIMA
BIOFUMIGAÇÃO DO SOLO COM Brassica rapa PARA O
CONTROLE DE FITONEMATÓIDES.
Tese apresentada à Universidade
Federal de Viçosa, como parte das
exigências do Programa de Pós-
Graduação em Fitopatologia, para
obtenção do título de Magister
Scientiae.
APROVADA: 23 de março de 2006.
___________________________ ___________________________
Prof. Onkar Dev Dhingra Prof. Gulab Jham
(Conselheiro) (Conselheiro)
___________________________ ___________________________
Prof. José Rogério de Oliveira Prof. Silamar Ferraz
_____________________________________
Profª Rosângela D’Arc de Lima Oliveira
(Orientadora)
ii
Aos meus pais Humberto Pampolha
Lima e Maria Paula Oliveira Lima.
Aos meus irmãos Hugo e Paola.
À minha noiva Juliana.
iii
AGRADECIMENTOS
À Universidade Federal de Viçosa e ao Departamento de
Fitopatologia, pela oportunidade de realização do Programa de Pós-
Graduação.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES), pela concessão da bolsa de estudo.
À professora Rosângela D’Arc de Lima Oliveira, pela orientação.
Aos professores Onkar D. Dhingra, Gulab Jham, Silamar Ferraz e
José Rogério de Oliveira, pelas sugestões e informações necessárias à
correção deste trabalho.
Aos amigos Daniel Schurt e Dagoberto Saunders, pelo apoio dado
neste trabalho.
Aos colegas de turma Cristiano, Davi, Henrique, Cristiane, Cristiana,
Vivian e Magnólia.
Aos colegas da Nematologia Roseli, Rodrigo, Naylor, Débora e Elói.
Aos colegas da Química Eduardo e Carol.
E a todos que, de alguma forma, contribuíram para a realização
deste trabalho.
iv
BIOGRAFIA
ANDRÉ OLIVEIRA LIMA, filho de Humberto Pampolha Lima e Maria
Paula Oliveira Lima, nasceu em 04 de setembro de 1981, em Belém, Pará.
Em novembro de 2003, graduou-se em Agronomia pela
Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em Belém, Pará.
Em março de 2004, iniciou o Programa de Pós-Graduação em
Fitopatologia, em nível de Mestrado, na área de Nematologia, na
Universidade Federal de Viçosa.
v
CONTEÚDO
RESUMO .......................................................................................... Vii
ABSTRACT ix
INTRODUÇÃO GERAL..................................................................... 1
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................. 6
CAPÍTULO 1: MOSTARDA COMO BIOFUMIGANTES DE SOLO
NO CONTROLE DE ITONEMATÓIDES............................................. 9
INTRODUÇÃO............................................................................. 10
MATERIAL E MÉTODOS .......................................................... 11
Ensaio 01: Efeito de diferentes concentrações de folha
desidratada, farinha de sementes e farinha de sementes
desengordurada de mostarda na biofumigação de solos
infestados com Meloidogyne incognita.................................... 13
Ensaio 02: Efeito dos compostos voláteis liberados no solo
durante o processo de biofumigação com B. rapa sobre a
eclosão de Meloidogyne incognita........................................... 13
Ensaio 03: Efeito da mostarda na mortalidade de juvenis de
diferentes espécies de nematóides......................................... 14
RESULTADOS........................................................................... 15
Ensaio 01............................................................................... 15
Ensaio 02............................................................................... 20
Ensaio 03............................................................................... 21
DISCUSSÃO............................................................................... 24
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................... 28
CAPÍTULO 2: INFLUÊNCIA DA MOSTARDA NAS POPULAÇÕES
MICROBIANAS DO SOLO E QUANTIFICAÇÃO DO
ITCA...................................................................................................
30
vi
INTRODUÇÃO............................................................................ 31
MATERIAL E MÉTODOS ...................................................... 32
Ensaio 01: Efeito da biofumigação com mostarda nas
populações microbianas do solo............................................ 32
Ensaio 02: Quantificação de ITCA produzido durante o
processo de biofumigação com mostarda......... 33
RESULTADOS............................................................................ 34
Ensaio 01................................................................................. 34
Ensaio 02................................................................................. 36
DISCUSSÃO...............................................................................
39
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................. 42
vii
RESUMO
LIMA, André Oliveira, M.S., Universidade Federal de Viçosa, março de 2006.
Biofumigação do solo com Brassica rapa para o controle de
fitonematóides. Orientadora: Rosângela D’Arc de Lima Oliveira. Co-
orientadores: Onkar Dev Dhingra e Gulab Jham.
Os nematóides das galhas, pertencentes ao gênero Meloidogyne
Goeldi, 1887, constituem o grupo de fitonematóides com maior importância
econômica na agricultura, causando a formação de galhas em raízes
hospedeiras. Os prejuízos são maiores quando a infecção ocorre ainda na
fase de mudas. A família Brassicaceae tem representantes como a mostarda
(Brassica rapa), que produzem glucosinolatos, que ao sofrerem hidrólise
enzimática vão gerar produtos tóxicos como os isotiocianatos. Acredita-se
que sua incorporação permitirá o controle de fitonematóides presentes em
substratos para viveiros e em pequenas áreas destinadas ao cultivo de
olerícolas. Assim, esta pode ser uma alternativa viável ao uso de fumigantes
sintéticos, como o brometo de metila, prejudiciais ao meio ambiente. Para
avaliar o potencial biofumigante da mostarda no manejo de fitonematóides,
folha desidratada, farinha de sementes e farinha de sementes
desengordurada foram estudados para determinar a melhor dose destes
produtos a ser incorporada ao solo visando o controle de Meloidogyne
incognita. Conhecidas as doses, estas foram utilizadas para avaliar o efeito
“in vitro” sobre a mortalidade de Heterodera glycines, M. javanica, M. exigua,
M. mayaguensis e M. incognita. A ação biofumigante da mostarda foi
avaliada sobre populações microbianas do solo, assim como a quantificação
de isotiocianato de alila liberado no solo durante o processo de
biofumigação. Folha, farinha de sementes e farinha de sementes
desengordurada foram eficientes no controle de M. incognita, sendo que a
viii
farinha de sementes desengordurada foi a que apresentou melhores
resultados. Foi possível comprovar que o efeito nematicida da mostarda se
deve aos seus subprodutos voláteis, e foi verificada a sua eficiência em
causar a morte dos juvenis de todas as espécies de nematóides testadas. A
folha de mostarda ao ser incorporada ao solo aumentou o número de ufc’s
de bactérias e actinomicetos. A farinha de sementes desengordurada
apresentou as maiores quantidades de isotiocianato de alila liberadas
durante a fumigação. Conclui-se que o uso da mostarda como biofumigante
de solo é uma alternativa para o controle de fitonematóides e apresenta
potencial para a substituição do brometo de metila no tratamento de solo e
substratos.
ix
ABSTRACT
LIMA, André Oliveira, M.S., Universidade Federal de Viçosa, March, 2006.
Soil biofumigation with Brassica rapa to control plant nematodes.
Adviser: Rosângela D’Arc de Lima Oliveira. Committee members: Onkar
Dev Dhingra e Gulab Jham.
The root knot nematodes, belonging to the genus Meloidogyne Goeldi,
1887, are economically most important group of plant nematodes in the
agriculture, producing knobs or galls on the roots of host plants. The losses
are greater when infection occurs at the seedling stage. In the botanical
family there are species like that of wild mustard (Brassica rapa), that contain
glucosinolates, which after enzymatic hydrolyses can generate toxic volatile
compounds such as isothiocyanates. It is believed that the incorporation of
mustard tissues controls plant nematodes present in the planting substrates
used in nursery and seedling production and in the small areas destined for
vegetable crops. Thus this can be a viable alternative to the synthetic soil
fumigants such as methyl bromide that are harmful to the environment. To
evaluate the biofumigant potential of mustard in the management of plant
nematodes, dried leaves, seed meal and defatted seed meal were studied to
find the efficient tissue and the dose to be incorporated to the substrate to
control Meloidogyne incognita. After determining the ideal tissue and the
dose they were also used to study the in vitro effect on the mortality of
Heterodera glycines, M. javanica, M. exigua, M. mayaguensis and M.
incognita. The biofumigant effect was evaluated on the general microbial
population of soil. The amount of allyl isothiocyanate liberated in the soil was
also determined. The leaves, seed meal and defatted seed meal efficiently
controlled M. incognita, but the defatted seed meal proved to be most
efficient. The nematicidal effect of mustered was attributed to the volatile
x
compounds. The defatted seed meal efficient in causing the mortality of
juveniles of all the nematode species tested. The dehydrated mustard leaves
when incorporated into the soil increased the population of bacteria and
actinomycetes. The maximum of allyl isothiocyanate was liberated by the
defatted seed meal during the biofumigation process. It was concluded that
the use of mustard as biofumigant is a viable alternative to control plant
nematodes and has the potential to substitute the methyl bromide for
seedling substrates treatment.
1
INTRODUÇÃO GERAL
Os nematóides formadores de galhas radiculares, pertencentes ao
gênero Meloidogyne Goeldi, 1887, constituem o grupo de fitonematóides
com maior importância econômica na agricultura, devido sua ampla
distribuição geográfica e extensa gama de hospedeiros entre as plantas
cultivadas e daninhas (Eisenback & Triantaphyllou, 1991). Estes nematóides
são mais freqüentemente encontrados em regiões de climas quentes e
invernos curtos, onde várias gerações do nematóide ocorrem durante o ano,
causando a formação de galhas em raízes hospedeiras (Hussey, 1985).
Estas deformações radiculares diminuem a absorção de água e nutrientes, o
que conseqüentemente reduz a produtividade das culturas e o seu valor de
mercado. As perdas podem ser maiores ainda ou mesmo chegar a
destruição da cultura, quando plantas são infectadas nas fases iniciais de
desenvolvimento (Agrios, 1988; Mai, 1985).
Estes fitoparasitas são encontrados atacando uma grande variedade
de hortaliças nas áreas destinadas a olericultura. Devido aos danos
causados, principalmente por Meloidogyne incognita, o cultivo de culturas
importantes, como a do tomateiro (Lycopersicon esculentum. L), se torna
prejudicado e algumas vezes impossibilitado (Mai, 1985). Sasser (1979)
estimou que 23% das perdas ocorridas em culturas olerícolas são causados
pelo ataque de nematóides. O mesmo autor, em 1989, publicou os
resultados de um levantamento mundial acerca das perdas provocadas
pelos nematóides nas diferentes culturas e mostrou que este grupo de
patógenos era responsável por 20,6% das perdas na cultura do tomate. Em
pepino, o ataque de M. incognita reduziu em mais de 50% a produção de
frutos (Huang & Viana, 1980; citados por Lima et al., 1995). O controle
2
nestas áreas é difícil, visto que a maioria das hortaliças é suscetível a este
patógeno, o que dificulta a aplicação da rotação de culturas como prática de
manejo.
As medidas de manejo mais eficientes são aquelas que visam
prevenir a introdução do patógeno em lavouras sadias. Para isto é
importante que sejam produzidas mudas isentas de fitonematóides, e o
tratamento do substrato é sem dúvida a melhor opção para garantir a
sanidade do material de plantio, evitando assim a disseminação do patógeno
e que as mudas já venham do viveiro infectadas por nematóides, o que
ocasiona prejuízos maiores à produtividade das mesmas. Para se ter uma
idéia, em 1977 foram destruídas 3.321.952 mudas de cafeeiro infestadas por
M. incognita no estado de São Paulo (Gonçalves et al. 1978, citado por
Campos et al., 1985), e em Maringá (PR) foram destruídas 5.400.000 mudas
(Jaehn et al., 1977).
O uso de nematicidas é uma das mais importantes medidas adotadas
no manejo de fitonematóides, visando principalmente ao controle de
populações presentes no solo antes do plantio (Johnson, 1985). A produção
de várias culturas vegetais depende do uso do brometo de metila como
fumigante de solo para controlar uma vasta gama de fungos, nematóides,
insetos e ervas daninhas (Anonymous, 1992). No entanto, a sua utilização
como fumigante será limitada, de acordo com o Protocolo de Montreal
assinado por 128 países, devido a sua alta toxicidade, redução da
biodiversidade do solo, contaminação e principalmente a sua capacidade de
destruir a camada de ozônio (López-Pérez et al., 2003).
As restrições quanto ao uso desse biocida fizeram com que
aumentasse o interesse no desenvolvimento de estratégias alternativas, com
baixo impacto ecológico, para o controle de nematóides. Esse passo é
fundamental para proporcionar aos produtores uma alternativa viável a ser
usada no manejo de áreas de plantio de hortaliças infestadas e para o
tratamento de substratos utilizados em viveiros comerciais.
Um estudo mais aprofundado deve ser realizado na já conhecida
atividade biocida de plantas da família Brassicaceae, as quais ao serem
incorporadas ao solo liberam gases oriundos do processo de decomposição
de seus tecidos (Rosa et. al.,1997). A utilização destes subprodutos voláteis
3
para o controle de pragas e doenças é uma prática já utilizada e conhecida
como biofumigação (Bello 1998; Bello et al., 1997 e 2001). A biofumigação
também proporciona uma vantagem em relação ao uso de matéria orgânica
sem efeito tóxico, visto que para a utilização de um biofumigante são
necessárias quantidades menores de material a ser incorporado.
A comumente conhecida mostarda pode ser reconhecida em várias
espécies do gênero Brassica como B. rapa, B. nigra, B. juncea, inclusive tem
espécies no gênero Sinapsi (Fahey et al. 2001). As espécies de plantas
pertecentes a esses gêneros são conhecidas por apresentarem uma alta
taxa de cruzamento interespecífico, gerando uma grande quantidade de
variedades e subespécies, que acabam sendo agrupadas e vulgarmente
chamadas de mostarda. Ela é uma planta originária da Europa meridional e
se encontra disseminada amplamente pelo mundo, em regiões de clima
temperado e subtropical (Kissmann & Groth, 1999). Nos tecidos destas
plantas são encontrados os glucosinolatos, que têm como função primária a
defesa dos tecidos atacados por insetos e patógenos. Os glucosinolatos são
um grupo de glucosídeos (β-D-tioglucosídeos) portadores de enxofre em
suas cadeias (Zasada & Ferris, 2003). Durante a ação de defesa, os
glucosinolatos, localizados no vacúolo das células (Poulton & Moller, 1993),
entram em contato com a mirosinase (EC 3.2.3.1), também conhecida como
tioglucosídeo glucohidrolase, a qual é armazenada separadamente na célula
vegetal. Esta enzima catalisa a hidrólise dos glucosinolatos em glucose e um
intermediário instável que sofre rearranjo não enzimático para formar
sulfatos, isotiocianatos, tiocianatos, nitrilas e enxofre elementar (Bones and
Rossiter, 1996; Foo et al., 2000).
O efeito tóxico dos glucosinolatos está ligado aos seus produtos de
degradação biologicamente ativa, principalmente aos isotiocianatos (ITCs)
(Brown & Morra, 1997; Chew, 1988). Donkin et al. (1995) confirmaram que o
efeito tóxico das plantas da família Brassicaceae é devido aos isotiocianatos
em um teste de mortalidade com Caenorhabditis elegans. Eles observaram
que o glucosinolato sinigrina, na ausência da enzima mirosinase, não
mostrou toxicidade ao nematóide, em nenhuma concentração testada,
enquanto que na presença da enzima, a sinigrina apresentou toxicidade com
4
0,5 g/L (DL
50
). Já o isotiocianato de alila, que é um subproduto da interação
sinigrina-mirosinase apresentou uma DL
50
de 0,04 g/L.
Zasada & Ferris (2003) estudaram o efeito de diferentes ITCs em
Tylenchulus semipenetrans e Meloidogyne javanica, e concluíram que os
ITCs oriundos de brássicas, isotiocianato de alila (2-propanil) e de benzila (2-
feniletil), são os mais promissores no manejo de nematóides parasitas de
plantas. Em 1949, Evenari (citado por Bialy, 1990) já sugeria que o
isotiocianato de alila e seu precursor não volátil, a sinigrina (glucosinolato),
eram alelopáticos.
Já foram identificados mais de 20 isotiocianatos diferentes, dentre
outros aleloquímicos potenciais, oriundos de Brassica napus, B. hirta, B.
campestris, B. juncea, B. nigra e outras. Cada espécie tem um perfil de
glucosinolatos único, resultando correspondentemente em diferentes
isotiocianatos (ITCs) (Brown et al., 1991; Brown & Morra, 1996; Spencer &
Daxenbichler, 1980).
Contudo, há dificuldades em se interpretar o papel de ITCs nos efeitos
supressivos de nematóides, obtidos em muitos estudos, porque nenhuma ou
pouca informação é provida sobre o tipo ou concentração do glucosinolato
precursor nos tecidos incorporados. E a supressão de pragas e doenças
obtida nestes estudos sugere que podem ser esperadas melhorias na
seleção de biofumigantes e mais informação sobre o destino e atividade dos
compostos no solo. Este fato ressalta a importância em se determinar a
quantidade e a eficiência de liberação dos ITCs no solo.
Tais achados possibilitam o estudo da incorporação de material verde
de plantas da família Brassicaceae, ao solo, como compostos biocidas
naturais e até mesmo de material seco contendo altos níveis do sistema
glucosinolatos-mirosinase (Lazzeri et al. 2004). Outrossim, a incorporação
de tecidos vegetal destas plantas traz outros benefícios como a melhoria na
estrutura do solo e como fonte de nutrientes (N) (Akhtar, 2000).
É indiscutível o potencial de plantas da família Brassicaceae utilizadas
como biofumigantes de solo no controle de microrganismos parasitas de
plantas economicamente importantes. Neste estudo, dar-se-á atenção à
espécie selvagem de mostarda, Brassica rapa (Lorenzi, 2000), amplamente
disseminada no Brasil e considerada como infestante de áreas cultivadas,
5
pois apresenta grande produção de biomassa, ultrapassando 1,0 kg/ha/ano
na produção de sementes e entre 530 a 1.260 kg/ha de matéria seca após
45 dias do plantio em locais com temperaturas mais baixas (Matai et al.,
1973). Em estudos preliminares “in vitro” obtiveram-se resultados
promissores no controle de Meloidogyne spp. Por ser a espécie em questão
facilmente encontrada no Brasil e poder ser cultivada pelos próprios
agricultores aumentam-se as chances de se implementar essa tecnologia no
sistema produtivo brasileiro. Além disso, acredita-se que sua incorporação
permitirá o controle de fitonematóides em substratos para viveiros, em áreas
destinadas a horticultura e em cultivos protegidos, criando-se assim uma
alternativa viável ao uso de fumigantes sintéticos prejudiciais ao meio
ambiente.
O objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial biofumigante da
mostarda (Brassica rapa), incorporada ao solo, no manejo de fitonematóides.
6
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9
CAPÍTULO 1
MOSTARDA COMO BIOFUMIGANTE DE SOLO NO CONTROLE DE
FITONEMATÓIDES.
10
INTRODUÇÃO
Os fitonematóides formadores de galhas (Meloidogyne spp.) quando
encontrados em altas densidades populacionais, causam severos danos ao
sistema radicular de plantas hospedeiras, inviabilizando algumas vezes o
cultivo de culturas agrícolas em áreas infestadas.
O controle dos nematóides das galhas nestas áreas e em substratos
de viveiros é altamente dependente da fumigação com produtos químicos. A
disponibilidade destes nematicidas está sendo reduzida devido aos seus
efeitos deletérios ao meio ambiente. Assim, a procura de medidas
alternativas para controlar fitonematóides se tornou de fundamental
importância (Lazzeri et. al., 2004).
O efeito de diferentes espécies vegetais incorporadas ao solo tem
sido bastante estudado quanto ao seu efeito sobre populações de
fitonematóides. Plantas da família Brassicaceae, tais como mostarda,
canola, brócolis e outras produzem substâncias chamadas glucosinolatos,
que por meio de ação enzimática transformam-se em isotiocianatos (ITC),
nitrilas, isocianatos e enxofre elementar, substâncias muito eficientes como
biocidas naturais. Pesquisadores de diferentes partes do mundo têm
investigado, com sucesso, as propriedades biológicas do resíduo da
extração do óleo das sementes e a utilização do material verde de brássicas,
incorporando-os ao solo de cultivo de plantas atacadas por fitopatógenos
(Brown & Morra, 1997; Borek et al, 1995). A degradação dos tecidos de
brássica no solo libera estes compostos que podem reduzir a incidência de
patógenos além de melhorar as condições físicas e químicas pela
incorporação de matéria orgânica (Kirkegaard et al., 1998; Brown, et al.,
1991).
O desenvolvimento de sistemas de produção, não dependentes do
uso do brometo de metila ou outros químicos danosos ao meio ambiente e
ao homem, se faz necessário principalmente num sistema de manejo
integrado, combinando técnicas de práticas culturais e redução de risco
(Kokalis-Burelle & Dickson, 2003). O uso da mostarda poderia se encaixar
11
neste sistema e ser utilizada via aplicação direta por pequenos produtores
de hortaliças, para o tratamento de substratos de sementeiras e viveiros e
até mesmo para o cultivo orgânico.
Os objetivos deste trabalho foram avaliar as melhores concentrações
de mostarda (Brassica rapa) na biofumigação do solo visando ao controle de
M. incognita; estudar o efeito dos produtos voláteis da mostarda sobre M.
incognita; e estudar o efeito da biofumigação do solo com mostarda em
diferentes espécies de fitonematóides.
MATERIAL E MÉTODOS
Obtenção e multiplicação do inóculo
Os ovos dos nematóides de Meloidogyne spp. foram extraídos
segundo o método de Hussey & Barker (1973), modificado por Boneti &
Ferraz (1981): raízes de tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill), cultivados
em casa de vegetação, foram lavadas cuidadosamente em água corrente
para retirar as partículas de solo aderidas, picadas em pedaços de
aproximadamente 1 a 2 cm e trituradas em liquidificador com solução de
NaOCl 0,5% por 15 a 20 segundos. Os ovos foram recolhidos em peneira
com abertura de 0,0254 mm (500 “mesh”), após a passagem da suspensão
por uma peneira de 0,074 mm (200 “mesh”). A concentração de ovos foi
determinada em câmara de contagem de Peters, e a suspensão calibrada
para 1000 ovos/mL.
Plantas de tomateiro Santa Cruz ‘Kada’ com dois a três pares de
folhas definitivas foram transplantadas para vasos de plástico com
capacidade para dois litros, contendo uma mistura de solo e areia na
proporção 2:1 previamente tratada com brometo de metila. A inoculação foi
feita uma semana após o transplantio. Para tanto, 5 mL da suspensão de
ovos (5.000 ovos) foram aplicados, com o auxílio de uma pipeta, em quatro
orifícios de cerca de 5 cm de profundidade, feitos no substrato ao redor das
plantas.
As plantas utilizadas para a multiplicação dos nematóides e realização
dos ensaios, foram mantidas em casa de vegetação do Departamento de
12
Fitopatologia da Universidade Federal de Viçosa, com os tratos culturais
necessários ao desenvolvimento das mesmas, de acordo com as
recomendações técnicas para a cultura.
Para a obtenção de juvenis de segundo estágio (J2), os ovos de cada
espécie foram depositados em funil de Baermann (Baermann, 1917, citado
por Jacob & Bezooijen, 1977) modificado, utilizando-se uma tigela, ao invés
de funil. Após doze horas descartaram-se os nematóides eclodidos, com a
finalidade de se padronizar a idade dos J2. Após 24 horas do descarte
inicial, recolheram-se os juvenis de segundo estádio (J2) eclodidos e
ajustou-se a suspensão para 500 J2 por mL de água.
Solo utilizado nos ensaios.
Em todos os ensaios, foi utilizado solo com textura franco-argilo-
arenosa (areia 64%; silte 7% e argila 29%) e com pH 6,06, previamente
tratado com brometo de metila, na dose de 100 cc/m
3
de solo.
Material vegetal utilizado nos experimentos
Os produtos de origem vegetal utilizados nos ensaios foram
produzidos a partir plantas de mostarda (Brassica rapa) cultivadas em
condições de campo no Departamento de Fitopatologia da UFV. Folhas
maduras e frescas foram coletadas, secas em estufas e trituradas para
compor o biofumigante de folha desidratada. A farinha de sementes foi
preparada a partir de sementes moídas, e a farinha de sementes
desengordurada foi obtida similarmente, exceto que as sementes passaram
por um processo prévio de extração de seus compostos lipídicos com
solvente.
13
Ensaio 01: Efeito das diferentes concentrações de folha desidratada,
farinha de sementes e farinha de sementes desengordurada de
mostarda na biofumigação de solos infestados com Meloidogyne
incognita.
O ensaio foi montado em vasos de plástico de 2 litros de capacidade.
O solo de cada vaso foi umidificado com água a 18% (v/v) ou 58,5% da
capacidade de campo (501 kPa) e infestado com 5.000 ovos de M. incognita.
A seguir, foi incorporado o material vegetal de B. rapa constituído de folhas
desidratadas e moídas nas doses de 0%; 0,1%; 0,2%; 0,4%; 0,8% e 1,6%
(p/v), farinha de sementes ou farinha de sementes desengordurada nas
doses de 0%; 0,05%; 0,1%; 0,2%; 0,4% e 0,8% (p/v). A mistura resultante foi
revolvida visando à homogeneização dos substratos. Estes foram colocados
e vedados em sacos plásticos e permaneceram em câmara de crescimento
a 26° C, por 7 dias. Em seguida, cada substrato foi envasado e, após quatro
dias, recebeu uma muda de tomateiro por vaso, o qual foi mantido em casa
de vegetação à temperatura média de 26 ± 5
o
C.
A avaliação foi realizada aos 60 dias após o transplantio das mudas
de tomateiro. Foram mensuradas as seguintes variáveis: número de galhas,
número de massas de ovos e número de ovos por sistema radicular. O
experimento foi montado em delineamento inteiramente casualizado, com 8
repetições e os dados obtidos foram transformados em
1,0+x
, exceto na
variável massas de ovos. Os dados foram submetidos à análise de
regressão não linear, realizada pelo programa SAS (Statistical Analysis
System, 1995).
Ensaio 02: Efeito dos compostos voláteis liberados no solo durante o
processo de biofumigação com B. rapa sobre a eclosão de
Meloidogyne incognita.
O ensaio foi montado em potes de plástico de 500 mL de capacidade.
O solo de cada pote foi umidificado com água a 18% (v/v) ou 58,5% da
capacidade de campo (501 kPa) e ao qual foi incorporado o material vegetal
de B. rapa constituído de folha desidratada nas doses de 0%; 0,1%; 0,2%;
14
0,4%; 0,8% e 1,6% (p/v), ou farinha de sementes nas doses de 0%; 0,05%;
0,1%; 0,2%; 0,4% e 0,8% (p/v). Após a adição de cada tratamento, revolveu-
se o solo tratado visando à distribuição uniforme da mostarda. Uma cápsula,
preparada com filtro milipore (0,45µm) contendo 1000 ovos de M. incognita
em seu interior, foi depositada sobre a superfície de cada solo. Os potes
foram vedados e permaneceram em câmara de crescimento a 26 °C, por 7
dias. Após o período de biofumigação, as cápsulas foram abertas e
colocadas em funil de Baermann por 48 h. Os nematóides extraídos foram
contados com o auxílio de microscópio ótico. O experimento foi montado em
delineamento inteiramente casualizado, com 3 repetições e submetido à
análise de regressão não linear, realizada pelo programa SAS (Statistical
Analysis System, 1995).
Ensaio 03: Efeito da mostarda na mortalidade de juvenis de diferentes
espécies de nematóides.
A partir das melhores doses obtidas no primeiro ensaio, outras
espécies de fitonematóides da família Heteroderidae foram avaliadas quanto
à biofumigação com mostarda: Heterodera glycines, Meloidogyne javanica,
M. exigua, M. mayaguensis e M. incognita. Seguindo a metodologia de
Zasada & Ferris (2004), alíquotas de 10 mL de solo incorporado com folha
desidratada (1,6% p/v), farinha de sementes (0,2 % p/v) ou farinha de
sementes desengordurada (0,1 p/v), foram depositados numa depressão no
centro dos frascos de vidro 1 mL de suspensão contendo aproximadamente
500 nematóides de cada espécie. Água foi adicionada aos frascos para
atingir uma umidade de solo de aproximadamente 60% da capacidade de
campo e então estes foram vedados e incubados por 48 h a 25
0
C. Após
este período de incubação, o solo foi retirado do frasco e colocado em funil
de Baermann por 48 h, quando os nematóides extraídos foram contados
com auxílio de microscópio ótico. O experimento foi montado em
delineamento inteiramente casualizado com 5 repetições e as médias dos
tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
A análise estatística foi realizada pelo programa SAEG (Sistema para
análises Estatísticas e Genéticas) (Ribeiro Jr., 2001).
15
RESULTADOS
Ensaio 01: Efeito de diferentes concentrações de folha desidratada,
farinha de sementes e farinha de sementes desengordurada de
mostarda na biofumigação de solos infestados com Meloidogyne
incognita.
Ao final do período de tratamento com B. rapa, os solos apresentaram
uma estrutura visualmente mais agregada e com menor umidade quando
comparados com a testemunha, principalmente os que receberam maior
quantidade de material vegetal. Outra característica relevante notada nos
solos tratados, especialmente naqueles com doses mais elevadas, foi a
colonização pelo fungo Trichoderma sp.
As mudas de tomateiro apresentaram sintomas de fitotoxidez, como
crescimento retardado, clorose nas folhas e algumas chegaram a morrer,
quando cultivadas em vasos contendo os solos tratados com farinha de
sementes na concentração de 0,8% e com farinha de sementes
desengordurada à partir da concentração de 0,4%. No solo que recebeu a
farinha de sementes foi possível observar o desenvolvimento de alguns
embriões de B. rapa, mas o mesmo não foi observado quando se utilizou a
farinha de sementes desengordurada.
A biofumigação com folhas desidratadas de mostarda suprimiu a
população de M. incognita à medida que a quantidade incorporada ao solo
aumentava. Estes resultados foram semelhantes para as três variáveis
observadas: número de galhas (Fig. 01), massas de ovos (Fig. 02) e ovos
(Fig. 03). Pode-se notar que o tratamento do solo com as duas menores
doses (0,1% e 0,2%) resultou em um baixo controle de M. incognita, mas a
partir de 0,4% o número de galhas, de massas de ovos e de ovos nas raízes
começou a diminuir até que na dose de 1,6% as supressões foram de
92,7%; 97,7% e 94,2% em relação à testemunha para as três variáveis
analisadas, respectivamente.
As curvas de regressão ajustadas apresentaram tendência
exponencial e na concentração de 0,8% a taxa de supressão foi de 73% no
16
número de galhas, 86,6% no número de massas de ovos e 76% no número
de ovos.
y = 48,013e
-1,6361x
R
2
= 91,6%
0
10
20
30
40
50
60
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7
Concentrações
N
o
de galhas/sistema radicula
r
Figura 01 – Número de galhas por sistema radicular de tomateiros
inoculados com Meloidogyne incognita e tratados com diferentes
concentrações de folha desidratada de mostarda. Os dados foram
transformados em
1,0+x
.
y = 177,8e
-2,5217x
R
2
= 75,16%
0
50
100
150
200
250
300
350
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7
Concentrações
N
o
de massas de ovos/sistema radicular
17
Figura 02 – Número de massas de ovos por sistema radicular de tomateiros
inoculados com Meloidogyne incognita e tratados com diferentes
concentrações de folha desidratada de mostarda.
y = 215,7e
-1,7805x
R
2
= 84,09%
0
50
100
150
200
250
300
350
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 1,1 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7
Concentrações
N
o
de ovos/sistema radicular
Figura 03 – Número de ovos por sistema radicular de tomateiros inoculados
com Meloidogyne incognita e tratados com diferentes concentrações de
folha desidratada de mostarda. Os dados foram transformados em
1,0+x
.
A biofumigação com farinha de sementes apresentou efeito sobre a
população de Meloidogyne incognita a partir de 0,1%. As curvas de
regressão ajustadas para as três variáveis apresentaram uma redução
bastante acentuada até a dose de 0,2% na qual a supressão foi de 94,1%
para o número de galhas (Fig. 4), 96% para massas de ovos (Fig. 5) e
92,6% para ovos (Fig. 6). Nas doses de 0,4% e 0,8% as reduções foram de
99,5% e 99,9% respectivamente para todas as variáveis observadas.
18
y = 49,125e
-11,15x
R2 = 88,82%
0
10
20
30
40
50
60
70
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9
Concentrações
N
o
de galhas/sistema radicula
r
Figura 04 – Número de galhas por sistema radicular de tomateiros
inoculados com Meloidogyne incognita e tratados com diferentes
concentrações de farinha de sementes de mostarda. Os dados foram
transformados em
1,0+x
.
y = 167,2e
-16,177x
R
2
= 71,82%
0
50
100
150
200
250
300
350
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9
Concentrações
N
o
de massas deovos/sistema radicular
Figura 05 – Número de massas de ovos por sistema radicular de tomateiros
inoculados com Meloidogyne incognita e tratados com diferentes
concentrações de farinha de sementes de mostarda.
19
y = 197,5e
-13,038x
R2 = 76,58%
0
50
100
150
200
250
300
350
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9
Concentrações
N
o
de ovos/sistema radicular
Figura 06 – Número de ovos por sistema radicular de tomateiros inoculados
com Meloidogyne incognita e tratados com diferentes concentrações de
farinha de sementes de mostarda. Os dados foram transformados em
1,0+x
.
O uso da farinha de sementes desengordurada no solo ocasionou
grande redução na população de M. incognita. A quantidade desta
necessária para reduzir 97,5% do número de ovos, 99,4% de galhas e
98,1% de massas de ovos do fitonematóide foi de 0,05% (p/v), mas 100% de
supressão foi observada com a dose de 0,1% mantendo essa porcentagem
nas doses superiores (Fig. 07).
Tabela 07 - Número de ovos, galhas e massas de ovos de Meloidogyne
incognita no sistema radicular de tomateiro cultivado em substrato tratado
com doses de farinha de sementes desengordurada de mostarda.
Número de Tratamento
ovos galhas massas de ovos
0,0% 7326,0 ± 3222,8 346,4 ± 230,2 36,6 ± 22,4
0,05% 183,5 ± 449,4 2,2 ± 4,4 0,7 ± 1,0
0,10% 0,0 ± 0 0,0 ± 0 0,0 ± 0
0,20% 0,0 ± 0 0,0 ± 0 0,0 ± 0
0,40% 0,0 ± 0 0,0 ± 0 0,0 ± 0
0,80% 0,0 ± 0 0,0 ± 0 0,0 ± 0
Média de oito repetições ± desvio padrão.
20
Ensaio 02: Efeito dos compostos voláteis liberados no solo durante o
processo de biofumigação com Brassica rapa sobre a eclosão de
Meloidogyne incognita.
A ação dos compostos voláteis oriundos da decomposição da
mostarda, tanto da folha quanto da farinha de sementes, resultou num
menor número de juvenis J2 de M. incognita. Quando a folha de mostarda foi
utilizada como biofumigante a redução de J2 foi contínua à medida que se
aumentava a dose do produto. Com a dose de 0,8% a supressão no número
de juvenis foi de 58% em relação à testemunha e 82% de supressão foi
atingida quando esta dose foi dobrada (Fig. 08). Já com a farinha de
sementes a redução foi bastante acentuada e obteve-se uma supressão de
77% com 0,2% do produto e 99,7% de redução no número de J2 foi
observado com a dose de 0,8% (Fig. 09).
y = 118,7e
-1,0756x
R2 = 80,9%
0
50
100
150
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1,8
Concentrações
J2 de M. incognita
Figura 08 – Número de juvenis J2 de Meloidogyne incognita eclodidos após
exposição aos compostos voláteis de diferentes doses de folha de mostarda.
21
y = 137,3e
-7,5544x
R2 = 68%
0
50
100
150
200
250
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9
Concentrações
J2 de M. incognita
Figura 09 – Número de juvenis J2 de Meloidogyne incognita eclodidos após
exposição aos compostos voláteis de diferentes doses de sementes de
mostarda.
Ensaio 03: Efeito da mostarda na mortalidade de juvenis de diferentes
espécies de nematóides.
Notou-se que a ação nematicida dos produtos biofumigantes de
mostarda sobre outras espécies de fitonematóides foi efetiva, tanto para
Heterodera glycines (Fig. 10), como M. mayaguensis (Fig. 11), M. incognita
(Fig. 12), M. javanica (Fig. 13) e M. exigua (Fig. 14). De maneira geral, os
resultados foram semelhantes para todas as espécies, e houve diferença
estatística (P < 0,05) apenas entre a testemunha e os demais tratamentos,
mas estes não diferiram entre si. A mortalidade de juvenis atingiu mais de
95% para folha, de 98,5% para farinha de sementes e de 97,7% para farinha
de sementes desengordurada nas cinco espécies testadas.
22
0
20
40
60
80
100
120
140
160
180
Testemunha F. de grãos F. de grãos s/
óleo
Folha
Tratamentos
H. glycines
Figura 10 – Número de juvenis de Heterodera glycines recuperados vivos
após a biofumigação do solo com farinha de sementes (0,2%), de sementes
desengordurada ou sem óleo (0,1%) e folha desidratada de mostarda
(1,6%). As barras verticais representam o desvio padrão das médias. C.V. =
42,8%
0
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
Testemunha F. de grãos F. de grãos s/
óleo
Folha
Tratamentos
J2 de M. mayaguensis
Figura 11 – Número de juvenis de Meloidogyne mayaguensis recuperados
vivos após a biofumigação do solo com farinha de sementes (0,2%), de
sementes desengordurada ou sem óleo (0,1%) e folha desidratada de
mostarda (1,6%). As barras verticais representam o desvio padrão das
médias. C.V.= 54,1%
a
b
b
b
a
b
b
b
23
0
20
40
60
80
100
120
140
160
180
Testemunha F. de grãos F. de grãos s/
óleo
Folha
Tratamentos
J2 de M. incognita
Figura 12 – Número de juvenis de Meloidogyne incognita recuperados vivos
após a biofumigação do solo com farinha de sementes (0,2%), de sementes
desengordurada ou sem óleo (0,1%) e folha desidratada de mostarda
(1,6%). As barras verticais representam o desvio padrão das médias. C.V.=
79%.
0
20
40
60
80
100
120
140
160
Testemunha F. de grãos F. de grãos s/
óleo
Folha
Tratamentos
J2 de M. javanica
Figura 13 – Número de juvenis de Meloidogyne javanica recuperados vivos
após a biofumigação do solo com farinha de sementes (0,2%), de sementes
desengordurada ou sem óleo (0,1%) e folha desidratada de mostarda
(1,6%). As barras verticais representam o desvio padrão das médias. C.V. =
55,1%
a
b
b
b
a
b
b
b
24
0
50
100
150
200
250
Testemunha F. de grãos F. de grãos s/
óleo
Folha
Tratamentos
J2 de M. exigua
Figura 14 – Número de juvenis de Meloidogyne exigua recuperados vivos
após a biofumigação do solo com farinha de sementes (0,2%), de sementes
desengordurada ou sem óleo (0,1%) e folha desidratada de mostarda
(1,6%). As barras verticais representam o desvio padrão das médias. C.V. =
57,8%
DISCUSSÃO
O fato dos solos tratados apresentarem-se colonizados pelo fungo
Trichoderma sp., pode ser explicado pela ausência do efeito tóxico da
mostarda ao saprófita, o qual já se mostrou bastante tolerante a ação de
isotiocianatos em outros estudos (Smith & Kirkegaard, 2002; Sanchi et al.
2005). Este microrganismo também pode ter sido beneficiado pela
supressão de seus competidores no solo. Esta constatação deve ser
ressaltada uma vez que este fungo é um antagonista natural de outros
fitoparasitas de solo e já é utilizado como agente de controle biológico, o que
possibilitaria o estudo da utilização conjunta de mostarda e Trichoderma sp.
visando ao controle de fitoparasitas. Sanchi et al. (2005), relataram que o
tratamento do solo com farinha de sementes de Brassica carinata surtiu
efeito na interação Trichoderma harzianum - Sclerotinia spp., inibindo o
fungo Sclerotinia spp. e não influenciando o T. harzianum.
a
b
b
b
25
O efeito fitotóxico de brássicas às mudas de tomateiros também foi
observado por Mojtahedi et al. (1991), que sugeriram que tal efeito
alelopático fosse devido a uma substância liberada pela decomposição de
Brassica sp., provavelmente um isotiocianato. Na prática esse efeito pode
ser eliminado aumentando o tempo entre o tratamento do solo e o
transplantio das mudas. No entanto, as doses necessárias para controlar
99% de M. incognita não causaram fitotoxidez às mudas de tomateiro.
Os resultados do ensaio com folha de mostarda comprovaram a
hipótese de que este produto apresenta ação nematicida e pode ser utilizado
no manejo de fitonematóides. A dose de 1,6%, necessária para suprimir 99%
de M. incognita, foi mais eficiente do que foi necessária em outros trabalhos,
como o de Potter et. al. (1998), no qual 2% de folha de B. rapa e B. napus
causaram apenas 55% de mortalidade do fitonematóide Pratylenchus
neglectu. Mesmo no de Johnson et al. (1992), no qual a incorporação de 1,3
- 2,7 % (p/p) de folha de B. napus não afetou a densidade populacional de
M. incognita e M. javanica. Mas, equiparou-se ao resultado obtido por
Zasada & Ferris (2004), em que 2% (p/p) de B. juncea foram suficientes para
o controle de 100% de M. javanica. A inconstância dos resultados destes
trabalhos é explicada pelo fato de que cada espécie de Brassica apresenta
teores e tipos diferentes de glucosinolatos em seus tecidos. É devido a
essas diferenças que a escolha de uma espécie de brássica que apresente
altos teores de glucosinolatos é fundamental para o sucesso da
biofumigação.
No entanto, há de se considerar ainda que a supressão da população
de M. incognita, quando se incorporou folha de mostarda, pode não estar
restrita a ação dos produtos derivados da hidrólise dos glucosinolatos
presentes em seus tecidos. Provavelmente, as alterações na estrutura e
ecologia do solo, como o estímulo de microrganismos parasitas, predadores
e antagonistas, devido à incorporação de material orgânico contribuiu à
supressão de nematóides neste ensaio. Isto pode ser vantajoso, pois além
de eliminar o fitonematóide, a incorporação de matéria orgânica traz
benefícios como uma melhor estruturação do solo, estímulo à biodiversidade
de microrganismos benéficos e disponibilização de nutrientes para a cultura
de interesse.
26
A aplicação de farinha de sementes foi mais eficiente na supressão do
nematóide das galhas do que a folha desidratada. Esse resultado que já é
relatado na literatura, deve-se ao fato de que cada tecido da planta contém
teores diferentes de glucosinolatos assim como seus padrões de distribuição
(Davis et al., 1989). Esta observação também foi confirmada neste projeto
(Capítulo 2), em que a quantidade de isotiocianato de alila presente na
farinha de sementes foi 5 vezes maior que a concentração encontrada na
folha desidratada. Davis et al. (1989), relataram que a incorporação ao solo
de sementes de canola (B. napus) reduziu significativamente a população de
Pratylenchus neglectus, o mesmo não foi observado quando folhas foram
incorporadas.
Um ponto negativo na utilização da farinha de sementes para o
tratamento de solos e substratos foi a germinação de alguns embriões de B.
rapa, uma vez que plantas do gênero Brassica são consideradas como
invasoras e competiriam por espaço e nutrientes com a planta de interesse
econômico.
A aplicação da farinha de sementes desengordurada foi mais eficiente
do que o esperado pelos autores, e tudo indica que os glucosinolatos não
são perdidos e mantêm-se estáveis durante o processo de extração do óleo
das sementes de mostarda. Pelos resultados obtidos com o emprego da
farinha de sementes desengordurada, na dose de 0,1%, verificou-se que
esta foi suficiente para controlar 100% de M. incognita. Esta informação
torna este produto uma alternativa em potencial a ser implementada como
medida de manejo de fitonematóides presentes no solo ou substrato. Além
de não apresentar a desvantagem da germinação de embriões, a dose
necessária para inibir 100% da população de M. incognita foi metade da
dose de farinha de sementes com óleo necessária para inibir essa mesma
taxa, e 8 vezes menor que a dose de folha de mostarda.
No ensaio 2, foi possível comprovar que o efeito nematicida da
mostarda é devido a seus subprodutos voláteis. Os ovos de M. incognita não
entraram em contato direto com o solo, o que descarta a possibilidade de
que outras substâncias que poderiam estar diluídas na solução do solo ou
mesmo a ação direta de antagonistas sejam os responsáveis pela supressão
do fitonematóide. A ação ovicida ou supressora da eclosão de juvenis foi
27
menor que a ação tóxica sobre o nematóide como visto nos ensaios de
dosagem conduzidos em casa de vegetação. Mas, eles seguem a mesma
tendência de controle, pois à medida que se aumenta a quantidade de
mostarda incorporada ao solo maior é a supressão de M. incognita, o que é
justificado pela maior liberação de compostos tóxicos voláteis. Um próximo
passo para se conhecer melhor o processo de biofumigação com B. rapa,
seria identificar que volátil está agindo como princípio ativo e qual a
quantidade deste que está sendo liberada no solo.
Um estudo mais específico deve ser realizado para esclarecer se os
voláteis agem sobre os ovos do nematóide, apresentando assim uma ação
ovicida, ou se é apenas sobre os juvenis já eclodidos. Estudos “in vitro” já
confirmaram a ação tóxica do isotiocianato de alila (ITCA) sobre juvenis de
Meloidogyne incognita (Yu et al., 2005), no entanto o efeito ovicida ainda não
foi estudado. Esta informação seria de grande utilidade para a escolha da
melhor estratégia de aplicação do produto, visto que os ovos são as
estruturas de sobrevivência do patógeno no solo.
A exposição de diferentes espécies de nematóides aos produtos
voláteis da mostarda mostrou que não houve seletividade do efeito tóxico
dentro da família Meloidogynidae. Na realidade outros estudos já haviam
demonstrado a sensibilidade de vários nematóides aos subprodutos das
brássicas como Meloidogyne javanica, Tylenchulus semipenetrans,
Heterodera glycines, M. incognita, M. hapla, H schachtii, Pratylenchus
penetrans e P. neglectus (Zasada & Ferris, 2004; Yu et. al., 2005). As doses
utilizadas foram suficientes para suprimir todas as espécies testadas neste
ensaio, apesar de haver relatos na literatura de grandes discrepâncias de
sensibilidade dentro do mesmo gênero de nematóide ao ITCA (Yu et. al.,
2005). Com estes resultados, é viável o uso da biofumigação com farinha de
sementes desengordurada, farinha de sementes e folha desidratada de
mostarda em solos infestados com mais de uma espécie do fitoparasita.
Baseado nos resultados deste trabalho, acredita-se que a
biofumigação com a B. rapa seja uma alternativa viável a ser utilizada em
sistemas de manejo integrado, com o objetivo de suprimir fitonematóides
presentes em áreas destinadas ao plantio de hortaliças e em substratos para
sementeiras e viveiros. Apesar das farinhas de sementes com óleo e
28
desengordurada apresentarem maior eficiência que a folha de mostarda,
todos podem ser aplicados como biofumigantes, e a escolha irá depender da
disponibilidade da matéria prima economicamente acessível e do interesse
de cada produtor. No entanto, outras informações devem ser adquiridas para
se estabelecer uma otimização do uso destes biofumigantes, como as
melhores temperaturas e umidades a que deve ser exposto o produto e
conseqüentes benefícios para a produtividade de plantios comerciais.
Um grande potencial foi observado na farinha de sementes
desengordurada que, além das já citadas, apresenta outras vantagens em
relação aos demais biofumigantes: além de se mostrar mais efetiva no
controle de fitonematóides, ela pode ser armazenada, não exigindo assim o
uso imediato do produto. Esse é um ponto comum na maioria dos
biofumigantes obtidos a partir de brassicáceas, uma vez que estes são
incorporados ainda frescos e necessitam ser cultivados na entressafra das
culturas importantes. Estes atributos apresentados pelos biofumigantes à
base de farinha de sementes, são essenciais para difundir essa tecnologia
promissora no controle de fitonematóides.
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30
CAPÍTULO 2
INFLUÊNCIA DA MOSTARDA NAS POPULAÇÕES MICROBIANAS DO
SOLO E QUANTIFICAÇÃO DO ISOTIOCIANATO DE ALILA.
31
INTRODUÇÃO
Os fitonematóides constituem um dos principais problemas para a
agricultura brasileira, causando grandes perdas na produtividade de culturas
de importância econômica. Muitas dessas culturas já vêm do viveiro
infectadas por nematóides, o que ocasiona prejuízos maiores à rentabilidade
das mesmas. O controle químico através de fumigantes vem se tornando
uma solução insustentável face aos problemas causados por nematóides
devido aos altos custos e danos ao meio ambiente.
As plantas da família Brassicaceae são conhecidas por conterem
glucosinolatos em seus tecidos, os quais são produtos do seu metabolismo
secundário e constituem um grupo diverso de glucosídeos portadores de
enxofre em suas cadeias (Zasada & Ferris, 2003). Quando os tecidos destas
plantas são rompidos os glucosinolatos, localizados no vacúolo das células
(Poulton and Moller, 1993), entram em contato com a mirosinase, que é
armazenada separadamente na célula vegetal. Esta catalisa a hidrólise dos
glucosinolatos em sulfatos, isotiocianatos, tiocianatos, nitrilas e enxofre
elementar (Bones and Rossiter, 1996; Foo et al., 2000). Os isotiocianatos
(ITCs) são compostos que apresentam volatilidade e são reconhecidos como
o subproduto mais tóxico da hidrólise dos glucosinolatos (Smolinska, 1997).
Dentre os vários ITCs já identificados o isotiocianato de alila (ITCA) tem se
mostrado como o mais efetivo no controle de fitonematóides como
Meloidogyne javanica, Tylenchulus semipenetrans, Heterodera glycines, M.
incognita, M. hapla, H schachtii, Pratylenchus penetrans e P. neglectus
(Zasada & Ferris, 2004; Yu et al., 2005).
Brassica rapa é uma espécie de mostarda considerada como planta
daninha em cultivos de cereais de inverno no Brasil e o óleo de suas
sementes é considerado tóxico para o consumo do homem e de animais
(Lorenzi, 2000). Este fato talvez explique a pouca importância dada a esta
espécie e pouco conhecimento sobre os seus subprodutos e ação destes
sobre os microrganismos presentes no solo. Obviamente, a incorporação de
resíduos orgânicos apresenta um forte impacto nas propriedades físicas e
32
biológicas do solo e pode promover um ambiente favorável para
microorganismos antagônicos a fitonematóides (Stirling, 1991).
O uso de plantas da família Brassicaceae incorporadas ao solo
permite explorá-las como uma alternativa promissora ao controle dos
fitoparasitas de solo devido a ação tóxica de seus subprodutos.
Os objetivos deste estudo foram quantificar o isotiocianato de alila
produzido durante o processo de biofumigação do solo com mostarda
(Brassica rapa) e avaliar o efeito da mostarda nas populações microbianas
do solo.
MATERIAL E MÉTODOS
Ensaio 01: Efeito da biofumigação com mostarda nas populações
microbianas do solo.
Neste experimento foram avaliadas as populações microbianas
durante o processo de biofumigação de um solo natural oriundo de uma área
de cultivo de hortaliças localizada na Universidade Federal de Viçosa, este
solo apresentava uma umidade de 54% de sua capacidade de campo. Ao
solo foram incorporados farinha de sementes (0,2% p/p), farinha de
sementes desengordurada (0,2% p/p) ou folha desidratada (1,6% p/p) de B.
rapa. Parcelas com solo não tratado corresponderam à testemunha. Os
solos tratados foram depositados em potes plásticos e estes devidamente
vedados para evitar a perda de gases produzidos durante o processo de
biofumigação, e foram mantidos a 25°C. Amostras destes solos foram
coletadas com 0, 48 e 168 horas após a incorporação dos materiais
vegetais. A partir das amostras coletadas foram preparados os extratos a
1:10 (10g de solo em 90 mL de solução salina de NaCl a 0,85%), que foram
diluídos seqüencialmente: 10
-1
, 10
-2
, 10
-3
, 10
-4
, 10
-5
e 10
-6
. Um volume de
0,1 mL das diluições foi transferido para placas de Petri contendo o meio de
cultura correspondente a cada grupo de microrganismos estudado: bactérias
(ágar-nutriente/ciclohexamida), fungos (meio de Martin/estreptomicina) e
33
actinomicetos (dextrose nitrato/estreptomicina) (Dhingra & Sinclair, 1995). As
placas foram incubadas a 25° C e o aparecimento e contagem de colônias
foram acompanhados diariamente durante 7 dias.
O experimento foi montado em delineamento inteiramente
casualizado em esquema fatorial (4 tratamentos X 3 períodos de avaliação)
com 12 repetições. As médias dos resultados das foram comparadas pelo
teste de Tukey ao nível de probabilidade de 5%. A análise estatística foi
realizada no programa SAEG (Sistema para análises Estatísticas e
Genéticas) (Ribeiro Jr., 2001).
Ensaio 02: Quantificação de isotiocianato de alila produzido durante o
processo de biofumigação com mostarda.
Neste ensaio cada amostra foi constituída de 10 g de solo [franco-
argilo-arenoso (areia 64%; silte 7% e argila 29%), pH 6,06] umidificado com
água destilada, para atingir 60% da capacidade de campo, e ao solo foram
incorporados farinha de sementes (0,2% p/p), farinha de sementes
desengordurada (0,2% p/p) ou folha desidratada (1,6% p/p) de B. rapa. Uma
amostra de solo não tratado correspondeu à testemunha. Imediatamente
após a incorporação da mostarda os solos foram depositados em frascos de
vidro com 30 mL de capacidade, e estes foram devidamente vedados com
septos de teflon e tampas de plástico para evitar a perda de gases
produzidos durante o processo de biofumigação. Os frascos permaneceram
a 25°C no escuro.
Para a extração do ITCA (isotiocianato de alila) produzido no solo, 10
ml do solvente ciclohexano foram adicionados a cada frasco e estes foram
agitados vigorosamente por 1 minuto para formar uma suspensão de solo e
ciclohexano, e então os frascos ficaram sob agitação constante por mais 10
minutos em um agitador a 100 rpm. Com o auxilio de uma seringa, coletou-
se uma amostra de 1 mL do extrato de ciclohexano de cada frasco, durante
os seguintes períodos de avaliação 0, 2, 4, 6, 12, 24, 36 e 48 horas após a
incorporação da mostarda ao solo. As amostras foram injetadas num
cromatógrafo a gás, acoplado a um espectrômetro de massas CG/EM
(Shimadzu, modelo QP 5000), nas seguintes condições: coluna Equity-5
34
(Supelco) (30m x 0,25mm di x 0,25 μm filme), com programação de
temperatura iniciando a 40
0
C (permanência: 5 minutos), taxa de
crescimento de 8
0
C/min até 260
0
C (permanência: 30 minutos). A
temperatura da interface entre CG/EM foi de 260
0
C. Hélio foi usado como
gás de arraste (30 kPa, vazão 0,8 mL/min), injeção em modo splitless. O
espectrômetro de massas, 70 eV, foi operado no modo scan, com faixa m/z
40-300.
Foi utilizado delineamento inteiramente casualizado em esquema
fatorial (4 tratamentos X 8 períodos de avaliação) com 3 repetições. As
médias dos resultados foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade. A análise estatística foi realizada pelo programa SAEG
(Sistema para análises Estatísticas e Genéticas) (Ribeiro Jr., 2001).
RESULTADOS
Ensaio 01: Efeito da biofumigação com mostarda nas populações
microbianas do solo.
Pela análise dos resultados observou-se que a incorporação da
mostarda no solo influenciou as populações microbiológicas, tanto quanto o
tipo de material incorporado como o tempo em que as populações ficaram
expostas a biofumigação. Quando avaliada a população total de bactérias
(Tab. 1), pode-se observar que houve interação significativa (P < 0,05) entre
os dois fatores estudados. As populações de bactérias sofreram maior
influência da incorporação de mostarda quando foi utilizada a folha
desidratada como biofumigante. Às 48 horas, houve um aumento
significativo em relação aos outros tratamentos, cuja densidade populacional
foi a mais elevada (664,67 x10
7
ufc). Mesmo que a população tenha
decrescido na avaliação seguinte (168 horas), ainda assim ela manteve-se
maior que nos outros materiais incorporados. Nos solos em que foram
incorporadas as farinhas de sementes com óleo ou desengordurada, assim
como a testemunha, a densidade populacional de bactérias não diferiu
estatisticamente.
35
Tabela 1 – Unidades formadoras de colônias (ufc) de bactérias presentes no
solo após a biofumigação com folha (1,6%), farinha de sementes (0,2%) e
farinha de sementes desengordurada (sem. deseng.) de mostarda (0,2%), em
três períodos.
UFC (x10
7
) g
-1
solo
Farinha de Período de
avaliação
Testemunha
Folha Sementes Sem. deseng.
0 horas
79,10 ±21,3 Aa 71,90 ±58,6 Ac 81,30 ±31,0 Aa 85,00 ±69,6 Aa
48 horas
7,23 ±9,3 Ba 664,67 ±374,0 Aa 51,83 ±50,2 Ba 105,33 ±125,4 Ba
168 horas
21,71 ±20,4 Ba 432,67 ±329,2 Ab 261,5 ±223,8 Aa 301,67 ±351,0 Aa
Média de 12 repetições ± desvio padrão. Médias seguidas da mesma letra maiúscula na
linha e minúscula na coluna não diferem entre si pelo Teste de Tukey (P < 0,05). C.V. =
53,8%
Não houve interação significativa entre os tratamentos e os períodos
de avaliação. O número de unidades formadoras de colônias fúngicas no
solo variou significativamente (P < 0,05) entre os tratamentos (Tab. 2). A
incorporação de folha desidratada de mostarda não diferiu da testemunha
quanto a quantidade de fungos no solo, enquanto a farinha de sementes
desengordurada diminuiu a população fúngica. Um aumento no número de
colônias fúngicas também foi constatado no decorrer do período de
biofumigação.
Tabela 2 – Unidades formadoras de colônias (ufc) de fungos presentes no
solo após a biofumigação com folha (1,6%), farinha de sementes (0,2%) e
de sementes desengordurada de mostarda (0,2%), em três períodos.
Tratamento UFC (x10
6
) g
-1
solo Período de avaliação UFC (x10
6
) g
-1
solo
Testemunha
6,00 ± 6,3 AB
0 horas
2,26 ± 4,8 B
Farinha de Folha
9,51 ± 8,7 A
48 horas
6,59 ± 9,3 AB
F. sementes
5,66 ± 4,4 AB
168 horas
8,68 ± 7,6 A
F. sementes
desengordurada
2,21 ± 1,3 B
Média de doze repetições ± desvio padrão. Médias seguidas da mesma letra não diferem
entre si pelo Teste de Tukey (P < 0,05). C.V. = 76,1%
36
O número de actinomicetos variou significativamente (P < 0,05) e
houve interação entre os fatores estudados (Tab. 3). A população de
actinomicetos respondeu de forma semelhante à de bactérias, isto é, a maior
densidade foi detectada no solo tratado com farinha de folha e após 48
horas de biofumigação, o que se repetiu para os outros tratamentos, exceto
para a farinha de sementes desengordurada. Esta causou redução na
densidade populacional desse microrganismo a partir de 0 hora de
tratamento. Independente do material usado para a biofumigação, estes
atuaram como substrato para os actinomicetos, cuja população de foi maior
que na testemunha após 168 horas de tratamento.
Tabela 3 – Unidades formadoras de colônias de actinomicetos presentes no
solo após a biofumigação com folha (1,6%), farinha de sementes (0,2%) e de
sementes desengordurada (sem. deseng.) (0,2%), em três períodos.
UFC (x10
5
) g
-1
solo Período de
avaliação
Testemunha Folha F. sementes F. sem. deseng.
0 horas
5,28 ± 3,2 Ab 6,61± 6,3 Ac 4,25 ± 2,1 Ac 5,13 ± 2,6 Aa
48 horas
9,50 ± 16,8 Ca 62,83± 35,5 Aa 29,83 ± 24,6 Ba 2,83 ± 14,3 Dc
168 horas
0,83 ± 53,3 Ac 41,50± 49,9 Bb 7,50 ± 33,5 Bb 3,50 ± 38,7 Bb
Média de doze repetições ± desvio padrão. Médias seguidas da mesma letra maiúscula na
linha ou minúscula na coluna não diferem entre si pelo Teste de Tukey (P < 0,05). C.V. =
45,9%
Ensaio 02: Quantificação de isotiocianato de alila (ITCA) liberado
na biofumigação com mostarda.
Para a construção da curva padrão foram injetadas amostras do
padrão de ITCA à 0; 4,9; 6,2; 7,1; 9,9 e 12,3 ppm (Fig. 1), de uma solução
0,1 mg/mL de ciclohexano. Após quantificação, o teor de ITCA foi expresso
em ppm.
Nas amostras injetadas no cromatógrafo gasoso acoplado ao
espectrômetro de massas o único isotiocianato detectado foi o isotiocianato
de alila e apresentou um tempo de retenção de 10,06 minutos (Fig. 2),
semelhante ao tempo de retenção do padrão de ITCA, 10,00. (Fig. 3).
37
Foi observada interação significativa (P < 0,05) entres os fatores
estudados para a quantificação do ITCA produzido pelos produtos
incorporados ao solo. O tratamento com farinha de sementes
desengordurada apresentou as maiores concentrações de ITCA no período
total de avaliação. O ITCA começou a ser detectado após 2 horas de
incorporação e atingiu seu pico às 6 horas, com uma concentração de 9,76
ppm. Após esse tempo, o composto foi decrescendo gradualmente até 2,66
ppm, em 48 horas. A farinha de sementes, liberou suas maiores
concentrações de ITCA entre 2 e 12 horas após a mesma ser incorporada
ao solo e às 48 horas não foi observada a presença do composto. Não foi
detectada a presença de ITCA no solo tratado com folha até 24 horas, mas,
no tempo de 36 e 48 horas houve liberação do composto em doses muito
baixas, as quais não diferiram estatisticamente dos demais tempos de
avaliação (Tab. 4).
Figura 1 - Curva padrão de isotiocianato de alila. Os pontos são referentes a
injeções do padrão às concentrações de 0; 4,9; 6,2; 7,1; 9,9 e 12,3 ppm, em
análise por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas
(coluna Equity-5 (Supelco), temperatura inicial 40
0
C, taxa de crescimento de
8
0
C/min até 260
0
C. A temperatura da interface entre CG/EM foi de 260
0
C.
y = 395475x - 160863
R
2
= 0,9909
0
1000000
2000000
3000000
4000000
5000000
6000000
02468101214
Concentração (ppm)
Área
38
Gás de arraste hélio. Injeção em modo splitless. O espectrômetro de
massas, 70 eV, operado no modo scan, com faixa m/z 40-300).
Resposta do detector
Figura 2 - Cromatograma obtido pela amostra de farinha de sementes
desengordurada, 2 horas após sua incorporação ao solo, em análise por
cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (coluna Equity-
5 (Supelco), temperatura inicial 40
0
C, taxa de crescimento de 8
0
C/min até
260
0
C. A temperatura da interface entre CG/EM foi de 260
0
C. Gás de
arraste hélio. Injeção em modo splitless. O espectrômetro de massas, 70 eV,
operado no modo scan, com faixa m/z 40-300). (t
R
10,06).
Resposta do detector
Figura 3 - Cromatograma total de íons representantes do padrão de
isotiocianato de alila na concentração de 47,61 ng/µL, obtido por
cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (coluna Equity-
5 (Supelco), temperatura inicial 40
0
C, taxa de crescimento de 8
0
C/min até
260
0
C. A temperatura da interface entre CG/EM foi de 260
0
C. Gás de
ITCA
ITCA
Tempo (min)
Tempo (min)
39
arraste hélio. Injeção em modo splitless. O espectrômetro de massas, 70 eV,
operado no modo scan, com faixa m/z 40-300). (t
R
10,00).
Tabela 4 - Quantidade de isotiocianato de alila (ppm) produzido durante o processo de
biofumigação do solo tratado com folha desidratada, farinha de sementes e de
sementes desengordurada de mostarda, em oito períodos diferentes
Período de
avaliação
Testemunha Folha Farinha de sementes
Farinha de sementes
desengordurada
0 horas
0,0 ± 0 Aa 0,0 ± 0 Aa 0,94 ± 1,63 Acd 0,00 ± 0 Ad
2 horas
0,0 ± 0 Ba 0,0 ± 0 Ba 5,40 ± 0,90 Aabc 6,58 ± 1,12 Abc
4 horas
0,0 ± 0 Ba 0,0 ± 0 Ba 4,14 ± 0,77 Aabcd 6,06 ± 1,33 Abcd
6 horas
0,0 ± 0 Ca 0,0 ± 0 Ca 3,42 ± 2,17 Babcd 9,76 ± 3,51 Aab
12 horas
0,0 ± 0 Ba 0,0 ± 0 Ba 5,12 ± 0,39 Aabc 5,46 ± 1,63 Abcd
24 horas
0,0 ± 0 Ba 0,0 ± 0 Ba 2,25 ± 0,12 Bbcd 5,63 ± 0,82 Abcd
36 horas
0,0 ± 0 Ba 0,47 ± 0,82 Ba 1,42 ± 1,23 Bbcd 3,89 ± 0,87 Abcd
48 horas
0,0 ± 0 Ba 0,38 ± 0,67 ABa 0,00 ± 0 Bd 2,66 ± 2,39 Acd
Dados das médias de três repetições ± desvio padrão. Médias seguidas da mesma letra
maiúscula na linha ou minúscula na coluna não diferem entre si pelo Teste Tukey (P < 0,05).
DISCUSSÃO
A folha triturada de mostarda, no geral, aumentou a população de
microrganismos no solo durante o período avaliado. Essa observação faz
sentido por dois motivos, primeiro porque a produção de ITCA pela utilização
da folha é mais baixa, especialmente nas primeiras horas, e segundo, a
matéria orgânica quando incorporada ao solo disponibiliza nutrientes para os
microrganismos. Estes decompositores de matéria orgânica presentes no
solo vão atuar no substrato disponível, o que pode explicar as maiores
contagens das populações microbianas no tratamento com folha de
mostarda com 48 horas após a incorporação do material, uma vez que a
quantidade de matéria orgânica incorporada ao solo foi oito vezes maior com
a folha do que com os outros produtos. Mesmo com os outros materiais
usados, as populações de bactérias, actinomicetos e fungos no solo
tenderam a aumentar depois de certo tempo de tratamento.
40
A população total de fungos, cujas contagens foram menores no
tratamento com farinha de sementes desengordurada que nos outros
tratamentos, poderia levar ao questionamento acerca da sensibilidade deste
grupo de microrganismos ao princípio ativo liberado pela mostarda durante a
biofumigação. Contudo, parece que este efeito, se existiu, não é prolongado
no solo, já que permitiu o aumento da população fúngica após 168 horas de
aplicação do produto, quando comparado com a testemunha.
A produção de ITCA, que foi crescente nas primeiras horas de
biofumigação, pouco influenciou a população microbiana no solo. Mesmo no
caso da farinha desengordurada que chegou a produzir 9,76 ppm de ITCA
em 6 horas, os microrganismos foram capazes de recuperar a sua
população já com sete dias após a aplicação do biofumigante.
A influência da microbiota do solo na degradação dos tecidos
vegetais e produção de isotiocianatos (ITCs) apresenta dados contraditórios.
Bending & Lincoln (1999) sugerem que as enzimas produzidas por
microrganismos durante a decomposição da parede celular vegetal podem
degradar rapidamente a mirosinase antes que essa entre em contato com o
glucosinolato, sendo prejudicial à produção de ITCs. Sugerem também que a
hidrólise dos glucosinolatos ocorre principalmente nos estágios iniciais da
colonização do tecido vegetal por microrganismos. Tsao et al. (2000) sugeriu
que a presença de microrganismos no solo, não contribui para a degradação
do ITCA, já que os resultados foram semelhantes quando utilizou água
esterilizada e não esterilizada. É muito difícil interpretar a complexidade dos
resultados, visto que as populações microbianas sofrem uma série de
influências de fatores intrínsecos do solo, e cabe aos pesquisadores
identificar e administrar estas sutilezas com o objetivo de otimizar os
resultados da biofumigação
Quanto à produção do ITCA, notou-se que a hidrólise enzimática dos
glucosinolatos teve início imediatamente após a incorporação da farinha de
sementes e após 2 horas a incorporação de farinha de sementes
desengordurada ao solo. O contato do tecido vegetal com a água, permitiu
que a enzima mirosinase entrasse em contato com os glucosinolatos e
catalisasse a reação de hidrólise. Estes dados são importantes uma vez que
o controle de um organismo necessita da liberação de quantidade suficiente
41
de ITCA num determinado tempo. Considerando a rápida liberação do ITCA
no solo, recomenda-se que após a aplicação da mostarda no solo ou
substrato deverá se cobrir o solo o mais rápido possível, para que fique
retida uma maior quantidade de gases tóxicos e, conseqüentemente, o
controle de fitonematóides será mais eficiente.
O ITCA tem uma vida útil no solo de aproximadamente 48 horas e é
um composto bastante reativo, interage com reagentes nucleofílicos,
formando ésteres e outros derivados (Borek et.al., 1995). Por isso, houve um
decréscimo nas concentrações após atingirem seus picos de liberação. No
caso da folha em que a primeira detecção de ITCA só ocorreu com 36 horas,
pode ser explicado devido a esse tipo de tecido gastar mais tempo na sua
decomposição que a farinha de sementes, a qual estaria mais prontamente
exposta à ação da mirosinase.
Corroborando com os resultados deste experimento, em que os
maiores teores de ITCA foram observados logo após a incorporação dos
tecidos vegetais no solo, Chin & Lindsay (1993) observaram que as
concentrações mais altas, obtidas em diferentes cultivares de B. oleracea
pelo método de “headspace” foram observadas logo aos 10 minutos após o
preparo das amostras, e as concentrações tenderam a decrescer à medida
que o tempo de avaliação aumentava. No trabalho de Tsao et al. (2000) a
concentração de ITCA atingiu seu ápice aos 54 minutos após a
incorporação. Morra & Kirkegaard (2002) também encontraram a máxima
liberação de isotiocianatos logo na primeira aavaliação, 2 horas após a
incorporação de tecidos triturados de B. juncea e B. napus, e a concentração
de ITCs chegou ao mínimo na amostra de 48 horas.
Morra & Kirkegaard (2002) em suas conclusões sugeriram que
grandes avanços com o uso de brássicas para o controle de fitoparasitas de
solo seriam alcançados pelo desenvolvimento de técnicas que aumentassem
a ruptura das células vegetais e, conseqüentemente, aumentasse a
liberação de ITCs. O que faz sentido, pois a taxa de transformação de
glucosinolatos em ITC ocorre em apenas 5 - 15% da quantidade prevista. O
uso da farinha de sementes desengordurada como biofumigante pode se
encaixar nessa hipótese, já que o processo de moagem e extração do óleo
podem disponibilizar a interação glucosinolatos-mirosinase a uma ação
42
maior e mais rápida, potencializando a liberação de ITCs e a eficiência do
biofumigante. Este fato ressalta a importância em se determinar a
quantidade e eficiência de liberação dos ITCA no solo.
Mas vale ressaltar que o ITCA oriundo de folhas ou de sementes pode
agir de forma diferente do produto sintético devido a existência de outros
componentes da planta que agem em conjunto, como nitrilas, tiocianatos e
até mesmo outros isotiocianatos que podem afetar a atividade química e
biológica do ITCA.
A utilização efetiva da mostarda visando ao controle de fitoparasitas
irá depender principalmente da escolha do material com propriedades
biofumigantes baseado na composição e quantidade de ITCs produzidos por
este. Neste trabalho a farinha de sementes desengordurada se destacou
pelo alto teor de ITCA produzido e foi constatado que essa espécie de
brássica (B. rapa) apresenta grande potencial para atuar no manejo de
fitonematóides como biofumigante de solo, principalmente quando utilizada
na forma de farinha de sementes desengordurada.
Este produto apresenta outras vantagens em relação aos demais
biofumigantes, além de se mostrar mais efetivo no controle de
fitonematóides, ele pode ser armazenado, não exigindo assim o uso
imediato do produto como é o caso dos biofumigantes testados maioria dos
estudos com brassicáceas, uma vez que estes são incorporados ainda
frescos e necessitam ser cultivados na entressafra das culturas importantes.
Estes atributos apresentados pelos biofumigantes à base de farinha de
sementes, são essenciais para difundir essa tecnologia promissora no
controle de fitonematóides.
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