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Reunir, coordenar, opinar, produzir, revisar, propor, discutir, planejar, e, é claro,
escrever... Descobrimos o fazer da revista ao fazê-la. Alguns de nós tínhamos, de fato,
mais experiência do que outros. No final, a experiência coletiva de participar do
processo de elaboração do segundo número de uma jovem revista – jovem, mas que
já havia nascido grande – foi um trabalho memorável, um prazer inesperado.
No fundo, trata-se de um trabalho, sobretudo, de equilíbrio. Buscávamos, desde o
início, harmonia entre seriedade e experimentação. Ser original sem a pretensão de
desprender-se das origens. E, como no próprio fazer diplomático, nosso equilíbrio
era móvel, demandava firme prudência. Trabalhamos no limiar entre o entusiasmo da
criação e a persistente sensação de que tudo era frágil.
Mas não nos faltou apoio. A muitos devemos o êxito desse projeto – não
poderíamos deixar de mencioná-los aqui. Ao Embaixador Celso Amorim, que, com
sua sensibilidade cultural e alentador envolvimento nas atividades do Instituto
Rio Branco, apoiou a Revista Juca desde o início. Ao Embaixador Samuel Pinheiro
Guimarães, sempre presente no Instituto, sempre instigante, promovendo salutar
ênfase na diversidade e excelência acadêmica de nossa formação.
Gostaríamos de manifestar nosso especial agradecimento também aos que
estiveram diretamente envolvidos na produção da Juca 02, sobretudo no Instituto
Rio Branco e na Fundação Alexandre de Gusmão. Ao nosso Diretor Honorário,
Embaixador Fernando Guimarães Reis, que permaneceu interessado, participativo
e disponível, em todas as etapas, devemos a inspiração criativa e o crucial liame
institucional. Ao Embaixador Jeronimo Moscardo, igualmente, agradecemos
o apoio, não só para esta edição como para a anterior. Parabenizamos os
colaboradores, last but not least, por seus textos eruditos e engraçados, líricos e
engajados, belos e alarmantes.
Escrevemos essas palavras ao apagar das luzes. E agora, considerando em
retrospecto o ano que se passou, percebemos que a ansiedade se transformou na
compreensão de que a Revista, diferentemente de nós, deverá sempre permanecer
experimental, operando nos limiares entre a juventude e a grandeza, como o próprio
José Maria. Que venham os próximos Jucanos!
dos editores
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APRESENTAÇÕES
03 Dos Editores
06 Expediente
07 Colaboradores
PERFIS
08 Ramiro, empregado do Brasil
João Francisco Pereira
14 Embaixador Ovídio de Andrade Melo,
o Juca
Filipe Nasser
ESPECIAL: COMUNIDADES
BRASILEIRAS NO EXTERIOR
28 Presos no exterior
Adriana Telles Ribeiro
36 Comunidades Brasileiras no espaço
MERCOSUL
Aloísio Barbosa de S. Neto
43 Desafios das migrações internacionais
ao Direito e ao Brasil
Leandro Vieira
49 Comportamento social e preconceito
Mariana Lobato
ARTIGOS E ENSAIOS
56 Espartanos, mutantes e excluídos:
um ensaio sobre cultura e relações
internacionais
Paulo André Moraes de Lima
63 Sob o olhar cético: diplomacia e
cultura na Antigüidade
Gabriella Guimarães Gazzinelli
sumário
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68 Dança das Cadeiras: a reforma do Conselho de
Segurança das Nações Unidas
Fábio Simão Alves
75 La cuestión del cambio en la Teoría de las
Relaciones Internacionales
Romina Paola Bocache
PELO MUNDO
84 Uma experiência brasileira no Sudão
Luiz Fernando Deo Evangelista
92 Heriberto, nosso homem em Havana: reflexões
literárias sobre a vida cultural em Cuba
Felipe Krause Dornelles
RESENHA
100 O Amor nos Tempos do Cólera: amor, cinema
e literatura no universo de Gabriel Garcia
Márquez
Maurício Alves da Costa
POESIA E PROSA
104 Orientações importantes à nova musa
Raphael Nascimento
108 Buenos Aires Romina Bocache
110 Nuvem César Nascimento
111 Arquitetura D.G. Ducci
112 Papo de língua Francisco Figueiredo de Souza
116 Buraco na parede André Cortez
DEPOIMENTO
120 Crónicas de un emotivo encuentro entre Río
Branco e Isen
Silvina Aguirre, Sebastián Coronel,
M. Florencia Segura (ISEN)
122 Notasobreacapa–Embaixador Ovídio de
Andrade Melo
Juca número 02
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Diretor Honorário
Embaixador Fernando Guimarães Reis
Felipe Krause Dornelles – Editor-Chefe
Raphael Nascimento – Diretor Executivo
Bruno Rodrigues – Editor de Resenhas
Daniel Guilarducci – Editor de Poesia e Prosa
Francisco Figueiredo de Souza – Editor do
Especial Comunidades Brasileiras no Exterior
João Francisco Pereira – Editor de Perfis
Pedro Brancante Machado – Editor de
Artigos e Ensaios
Leonardo Valverde – Relações Públicas
Mariana Lobato – Projeto Gráfico
Vanessa Bonifácio – Diretora Jurídica
Vicente Amaral Bezerra – Diretor Financeiro
Agradecimentos
Embaixador Ramiro Elysio Saraiva Guerreiro e Embaixatriz Maria da Glória Vallim Guerreiro;
Embaixador Ovídio de Andrade Melo; Embaixador Francisco Soares Alvim Neto; Embaixador
Jeronimo Moscardo ; Conselheiro Sérgio Barreiros de Santana Azevedo; Conselheiro
Sarquis José Buainain Sarquis; Conselheiro Geraldo Cordeiro Tupynambá; Secretário Pedro
Montenegro; Secretário Filipe Nasser, Secretário Eduardo Lessa e toda a Equipe JUCA 01;
Secretário Octavio Lopes; Clarissa Henriques e Silva; George Wanderley Costa Júnior e
Maria Nilva de Almeida.
expediente
Comissão Editorial
Bruno Santos de Oliveira
Candice Sakamoto Souza Vianna
Carlos Augusto Resende
Carlos Kessel
Catarina da Mota Brandão de Araújo
Christiana Lamazière
Ciro Marques Russo
Cristina Vieira Machado Alexandre
Daniel Afonso da Silva
Fábio Simão Alves
Felipe Santos Lemos
Filipe Thomaz Mallet
Gabriela Guimarães Gazzinelli
Gustavo da Cunha Westmann
Gustavo Ludwig Ribeiro Rosas
João Augusto Costa Vargas
Leandro Antunes Mariosi
Maurício Gomes Candeloro
Sydma Aguiar Damasceno
Direção de Arte e Diagramação
Fabiana Marafiotti
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colaboradores
colaboradores
Adriana Telles Ribeiro (turma 2006-2008 do
IRBr) é bacharel em Ciência Política pela New
School for Social Research.
Aloísio Barbosa de S. Neto (turma 2007-2009
do IRBr) é bacharel em Relações Internacionais
pela Universidade de Brasília.
André Souza Machado Cortez (turma 2007-
2009 do IRBr) é bacharel em História pela
Universidade de São Paulo.
César Nascimento (turma 2006-2008 do IRBr)
é bacharel em Administração de Empresas pela
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Daniel Guilarducci Moreira Lopes, D.G.Ducci
(Turma 2007-2009 do IRBr) é bacharel em
História e bacharel em Biblioteconomia e Ciência
da Informação pela Universidade de Brasília.
Fábio Simão Alves (turma 2007-2009 do IRBr)
é bacharel em Relações Internacionais pela
Universidade de São Paulo.
Felipe Krause Dornelles (turma 2007-2009
do IRBr) é mestre em Desenvolvimento
Internacional pela Universidade de Oxford.
Filipe Nasser (turma 2006-2008 do IRBr)
é bacharel em Relações Internacionais pela
Universidade de Brasília. Foi Editor-Chefe da Juca 01.
Francisco Figueiredo de Souza (turma 2007-2009
do IRBr) é bacharel em Relações Internacionais
pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
e bacharel em Comunicação Social/Jornalismo
pela Universidade de São Paulo. Integrou o projeto
“Universidades em Timor Leste” durante o
segundo semestre de 2004.
Gabriella Guimarães Gazzinelli (turma 2007-
2009 do IRBr) é bacharel em Letras/Grego
Antigo e mestre em Filosofia pela Universidade
Federal de Minas Gerais.
João Francisco Pereira (turma 2007-2009 do IRBr)
é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Leandro Vieira Silva (turma 2007-2009 do IRBr)
é mestre cum laude em Direito Internacional
Público pela Universidade de Leiden. Foi
Consultor Legislativo do Senado Federal, assessor
técnico da CPMI da Emigração e revisor final do
Relatório apresentado pela Comissão.
Luiz Fernando Deo Evangelista (turma
2007-2009 do IRBr) é bacharel em Medicina
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e
pós-graduado em Relações Internacionais pela
Universidade Cândido Mendes.
M. Florencia Segura (turma 2007-2008 do
Instituto del Servicio Exterior de la Nación
– ISEN) é formada em Direito e mestre em
Filosofia e Ciência Política pela Universidad
Nacional de Mar del Plata.
Mariana Lobato Benvenuti (turma 2007-2009
do IRBr) é bacharel em Direito pela Faculdade
de Direito da Universidade de São Paulo.
Maurício Alves da Costa (turma 2007-2009 do
IRBr) é bacharel em Letras/Japonês e mestre em
Letras pela Universidade Federal do Rio Grande
do Sul.
Michel Laham Neto (turma 2007-2009 do
IRBr) é bacharel em Relações Internacionais pela
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Paulo André Moraes de Lima (turma 2000-
2002 do IRBr) é bacharel em Comunicação
Social pela Universidade Federal Fluminense
e mestre em Comunicação e Cultura pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Raphael Nascimento (turma 2007-2009
do IRBr) é bacharel e mestre em Relações
Internacionais pela Universidade de Brasília.
Romina Paola Bocache (turma 2005-2006 do
ISEN e turma 2007-2009 do IRBr) é formada
em Direito pela Universidad de Buenos Aires,
com Medalha de Ouro, e pós-graduada em
Diplomacia e Tecnologias da Informação e
da Comunicação pela University of Malta e
DiploFoundation.
Sebastián Leonardo Coronel (turma 2007-
2008 do ISEN) é formado em Direito pela
Universidad Nacional de Tucumán e pós-
graduado em Relações Internacionais pelo
Instituto para la Integración y el Desarrollo
Latinoamericano.
Silvina Aguirre (turma 2007-2008 do ISEN)
é formada em Direito e mestre em Relações
Internacionais pela Universidad de Buenos
Aires. Completou Curso de Aperfeiçoamento
em Direito Internacional e Europeu de Direitos
Humanos na Universidad de Alcalá.
PERFIL
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RAMIRO,
EMPREGADO
DO BRASIL
João Francisco Pereira
Corria o mês de janeiro de 1979, pouco antes da posse do novo
chefe do Executivo, quando o então Embaixador brasileiro em Paris foi
chamado com urgência a Brasília para uma audiência reservada com o
futuro Presidente. Diplomata experiente, exercera durante a gestão anterior
o cargo mais alto da carreira do Serviço Exterior brasileiro, a Secretaria-
Geral do Itamaraty. Presumia-se que o conteúdo da conversa embutiria um
convite oficial, ou pelo menos assim esperava, intimamente, o Embaixador.
Ao chegar à capital federal, não se decepcionara. Em pouco mais de meia-
hora, o General João Baptista Figueiredo convidava-o a assumir em seu
governo a pasta das Relações Exteriores, com o compromisso de manter
as bases da administração anterior, adaptando-as às transformações do
cenário externo. Ramiro Elysio Saraiva Guerreiro tornava-se, então, o 105°
chanceler da história do País.
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Quando Figueiredo teve a certeza de que
seu nome seria o escolhido pelo governo
para a sucessão de Ernesto Geisel à frente
da Presidência da República, uma mudança
substancial já tivera início nas di