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Como Labov mesmo diz, seu orientador faleceu muito cedo, e ele não
sabe distinguir até onde vai a contribuição de Weinreich em sua obra e onde se
iniciam suas próprias contribuições.
Labov conta que, quando chegou à universidade, havia dois principais
ramos de estudos linguísticos: i) sincrônico, que estuda a língua como ela é
agora e ii) diacrônico, que estuda a história das línguas. E ele notou que, em
ambos os ramos, havia grandes problemas a serem resolvidos. O principal
problema por ele detectado diz respeito ao fato de que os linguistas queriam
descrever as línguas como o inglês e o francês, porém, descreviam-nas com
uma metodologia que abarcava poucos indivíduos, em geral, os que
pertenciam às classes de prestígio.
Neste ambiente, ele foi atrás de sua primeira investigação: a pronúncia
de determinados ditongos na ilha de Martha’s Vineyard. Enquanto Labov fazia
sua pesquisa na ilha, ele se apercebeu que existiam fatores sociais que
determinavam a pronúncia de uma ou outra forma de ditongação. Em relação a
seu trabalho em Martha’s Vineyard, Labov (1997) diz:
My first research was on the little island of Martha’s
Vineyard off Cape Cod. My friend Murray Lerner, the
film maker, invited me up there. There I noticed a
peculiar way of pronouncing the words right, ice, sight,
with the vowel in the middle of the mouth, that was
stronger among young people, but varied a great deal
by occupation, by island locale, or by the speaker's
background--Yankee, Portuguese, or Indian. I
interviewed people all over the Vineyard, and among
them I found some of the finest users of the English
language I had ever known. As I finally figured out, the
Martha’s Vineyard sound change was serving as a
symbolic claim to local rights and privileges, and the
more someone tried to exercise that claim, the stronger
was the change. This became my M.A. essay, and I
gave it as a paper before the Linguistic Society of
America.
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Tradução de Labov em relação a seu trabalho em Martha’s Vineyard:
“Minha primeira pesquisa foi
sobre a pequena ilha de Martha's Vineyard. Meu amigo Murray Lerner, cineasta, havia me convidado para
ir até a ilha. Lá, eu notei uma maneira peculiar de pronunciar as palavras ‘right’, ‘ice’, ‘sight’, com a vogal
no meio da boca. Essa pronúncia era mais forte entre as pessoas jovens, mas, também, variou muito por
ocupação, por localidade da ilha, ou pelas origens do falante - ianque, português, ou hindu. Entrevistei
pessoas de todo a ilha, e entre elas eu encontrei alguns dos melhores usuários do idioma Inglês que eu já
tinha conhecido. E eu finalmente descobri, alterar a pronúncia das vogais em Martha's Vineyard estava
servindo como uma reivindicação simbólica dos direitos locais e privilégios. Isto tornou minha dissertação
de mestrado, e eu publiquei esse trabalho na Linguistic Society of América”.