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CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
O CRESCIMENTO DO JORNALISMO POPULAR E A RETRAÇÃO DO
SENSACIONALISMO NO RIO DE JANEIRO: UM ESTUDO DE CASO DOS
JORNAIS EXTRA E MEIA HORA
por
ALEXANDRE MADRUGA
Rio de Janeiro
2009.2
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CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
O CRESCIMENTO DO JORNALISMO POPULAR E A RETRAÇÃO DO
SENSACIONALSIMO NO RIO DE JANEIRO: UM ESTUDO DE CASO DOS
JORNAIS EXTRA E MEIA HORA
Trabalho acadêmico apresentado ao
Curso de Comunicação Social da
UNISUAM, como parte dos requisitos
para obtenção do Título de Bacharel em
Comunicação Social (Jornalismo).
Por:
Alexandre Carlos Nunes Madruga
Professor-Orientador:
Vanessa Paiva
Professores Convidados:
Fabiana Crispino
Ovídio Mota
Rio de Janeiro
2009.2
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Ficha Cadastral
Nome completo do aluno: Alexandre Carlos Nunes Madruga
Matricula: 06.101.038
Identidade: 08.279.445-4
CPF: 025.689.607.-01
Endereço: Rua Carmo do Rio Verde, 25-A – Jardim Sulacap - RJ
4
ALEXANDRE CARLOS NUNES MADRUGA
O CRESCIMENTO DO JORNALISMO POPULAR E A RETRAÇÃO DO
SENSACIONALISMO NO RIO DE JANEIRO: UM ESTUDO DE CASO DOS
JORNAIS EXTRA E MEIA HORA
Banca Examinadora composta para a defesa de Monografia para obtenção do
grau de Bacharel em Comunicação Social (Jornalismo)
APROVADA em: ______ de ___________ de _______
Professor-Orientador: ____________________________________________
Professor Convidado: ____________________________________________
Professor Convidado: ____________________________________________
Rio de Janeiro
2009.2
5
CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA
ÁREA DE ..................................................
CURSO DE .................................................................................
ATA DE MONOGRAFIA
Aos ...... dias do mês de ................................., do ano de 200....., na sala
............do bloco ........., da Unidade ................................................. do Centro
Universitário Augusto Motta UNISUAM, reuniu-se a Banca Examinadora de
Monografia composta pelos Professores: .............................................................
........................................................................ como Orientador, .........................
............................................................................................. e ..............................
........................................................................................., sob a presidência do
primeiro, para julgamento do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)
intitulado ....................................................................................................................
............................................................................................................... de autoria
de ..............................................................................................................................
, matrícula número ..............................., como requisito para a obtenção do grau
de ............................................................................................ Após o exame do
trabalho escrito, apresentado aos membros anteriormente, e a respectiva defesa,
a Banca Examinadora (sugestões da
banca)........................................................................................................................
...........................................................................................................................
conferindo o grau ................. (..........................). E, nada mais havendo a registrar,
eu,....................................................................................................., lavrei a
presente ata que segue por todos os membros assinada.
Rio de Janeiro, ............ de ................................. de 200.....
Presidente (Orientador): .......................................................................................
Primeiro Membro:..................................................................................................
Segundo Membro: ................................................................................................
6
DEDICARIA
Este Trabalho de Conclusão de Curso é o resultado que simboliza a realização e
conquista de parte de meus anseios profissionais e pessoais, pois meu sonho
está definitivamente mais próximo: ser professor universitário. Estar mais próximo
dessa realização é graças à influência direta de três mestres que aprendi a
chamar de amigos: Professores Ovidio Mota, Marco Schneider e Vanessa Paiva.
7
AGRADECIMENTOS
Tudo que sou hoje, definitivamente é fruto do aprendido com meus mestres que
fizeram parte de minha vida na UNISUAM. Minha passagem por esses
educadores me fez crescer, evoluir e me tornar um profissional certamente muito
melhor. Ganhei como cidadão, cresci como homem.
Agradeço a todos, pois me mostraram o caminho de como chegar ao meu
primeiro destino: ser um jornalista.
8
“É evidente que todos os jornais, pela
necessidade de sobrevivência, se
tornaram mercadorias. Os interesses
econômicos são centrais na definição
dos modos de ser dessa imprensa, mas
dizem respeito somente a uma das
faces do fenômeno. Além de serem
mercadorias, os jornais também
produzem sentidos, significações”.
MÁRCIA FRANZ AMARAL
9
RESUMO
MADRUGA, Alexandre. O crescimento do jornalismo popular e a retração do
sensacionalismo no Rio de Janeiro: um estudo de caso dos jornais Extra e Meia
Hora. Orientador: Profª. Ms. Vanessa Paiva. Rio de Janeiro: Unisuam, 2009. 74
páginas. Monografia. (Graduação em Comunicação Social).
No início de 2000 jornais populares alavancaram as tiragens de todos os jornais
do país. No Rio de Janeiro, Extra e Meia Hora lideram em vendas. No entanto, os
jornais que antes chegaram a dividir a liderança, sofreram uma mudança no início
de 2009. O tipo de jornalismo feito por cada jornal acabou por determinar aquele
que venderia mais ou menos. Com isso, uma queda acabou sendo constatada
dentro do jornalismo chamado sensacionalista, enquanto que o “popular” manteve
a liderança. O presente projeto fará um estudo de caso desses jornais e verificará
a mudança, ou não, em suas editorias e o modo de escolha na opção do que é ou
não é publicado, além da prioridade na escolha dessas editorias.
10
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.......................................................................................................11
CAPÍTULO 1 O CRESCIMENTO DO JORNALISMO “POPULAR” E SUAS
RAMIFICAÇÕES PELO MUNDO .........................................................................13
1.1 Contexto Histórico do Jornalismo Popular.......................................................15
1.2 O movimento dos “populares” pelo mundo......................................................19
1.3 Jornalismo Popular, Sensacionalista e Fait Divers..........................................22
CAPÍTULO 2 – A IMPRENSA POPULAR NO BRASIL........................................27
2.1 O crescimento dos “populares” .......................................................................28
2.2 Os critérios-notícia nos jornais Extra e Meia Hora ..........................................31
CAPÍTULO 3 – UMA COMPARAÇÃO DA IMPRENSA POPULAR....................36
3.1 O Extra.............................................................................................................37
3.2 O Meia Hora.....................................................................................................47
3.3 O discurso dos jornais EXTRA e MEIA HORA................................................55
3.4 Ascensão, Desenvolvimento e Novos Números..............................................62
CONCLUSÃO........................................................................................................68
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................72
11
INTRODUÇÃO
Durante os quase dez anos que antecederam esta pesquisa, notamos um
crescimento dos jornais impressos populares, que, com o tempo, assumiram a
frente das vendas entre os jornais no Rio de Janeiro. Inicialmente, falaríamos do
crescimento dessa imprensa popular. No entanto, desde o início de 2009, notou-
se uma queda no número de vendas de um dos jornais analisados, enquanto
outro se mantinha líder. Esse fato alterou nossa pesquisa, que prontamente
modificou seu foco para entender o motivo dessa separação (quando antes
apenas tentaríamos demonstrar o “crescimento de todos os populares”). Como
um deles caiu, a temática da pesquisa precisou ser refeita.
A mudança, necessária, acabou por evidenciar uma diferença dentro da
imprensa popular. Descobrimos, com isso, duas vertentes distintas dentro do
mesmo segmento. A partir disto, propomos um estudo detalhando desde o
surgimento dos populares, a chegada ao Brasil e um estudo de caso detalhado,
para melhor entendimento do que estava ocorrendo.
Em nosso primeiro capítulo fomos a fundo na história do jornalismo popular
e sensacionalista, descobrindo suas origens e desdobramentos pelo mundo,
caminhando juntos em alguns momentos e se separando em outros. Mas, antes
de qualquer coisa, procuramos explicar o que é o jornalismo, matéria prima para
tudo o que viria a seguir, com seus segmentos e caminhos. Europa, Estados
Unidos e, posteriormente, o Brasil, seriam o caminho do jornalismo que adveio da
literatura popular do velho mundo.
Na chegada do jornalismo ao Brasil, o início do sensacionalismo e a
tentativa de produzir um jornalismo popular. Ainda naquela época, essa diferença
12
era inexistente, que, por vezes, ambos caminhavam juntos. O crescimento dos
populares é mostrado através da elevação de índices de alfabetização e de
classes sociais, graças à situação financeira do país no início de 2000. A
mudança no pensamento desse público, os critérios adotados por essa imprensa
e a diferenciação entre eles servem para mostrar o quanto são diferentes os
jornais de referência, popular e sensacionalista.
Por fim, um estudo de caso dos jornais que justificaram essa pesquisa:
MEIA HORA e EXTRA, com suas editorias específicas. Uma comunicação
comparada entre os anos de 2007 e 2009, em ambos os jornais, apoiada por
apresentações gráficas, ajudam, inicialmente, a entender os motivos da oscilação
de vendas dos veículos em questão. Para enriquecer essa fundamentação, uma
breve análise no discurso dos jornais e a apresentação de todos os números que
embasaram essa pesquisa.
Tudo isso para tentar entender os motivos que separaram o jornalismo
popular do jornalismo dito sensacionalista e demonstrar a opção do público leitor
pelo segmento popular.
13
CAPÍTULO 1
O NASCIMENTO DO JORNALISMO “POPULAR”
E SUAS RAMIFICAÇÕES PELO MUNDO
Martín-Barbero (2008, p.246) afirma que a imprensa de referência é a
temática mais escolhida pelos pesquisadores mas, quando os estudos vão para a
parte sensacionalista, ou imprensa marrom (que, por enquanto, trataremos como
jornalismo popular, mas, no entanto, verificaremos mais adiante que existem
diferenças), o fazem quase que exclusivamente em termos de crescimento das
tiragens e da expansão publicitária.
No cenário brasileiro, consultar as vendas e constatar o crescimento
comercial de publicações populares é simples, baseando-se em dados
estatísticos, especificamente do Instituto Verificador de Circulação (IVC). Mas,
para muito além de meramente observar dados numéricos que analisam o
desempenho comercial dos principais periódicos do país, a pesquisa ora
desenvolvida também deseja entender a linguagem utilizada nos veículos ditos
“populares”, suas formas expressas, a tendência de saturação da linguagem
sensacionalista e a busca pelo jornalismo popular de qualidade, com uma
comparação entre os jornais populares cariocas EXTRA e MEIA HORA.
Não queremos ficar restritos a questões como a construção de um lead,
que responde apenas às perguntas básicas. Tentaremos identificar que público é
esse e por que lê, compra, fideliza-se. Essa constatação de alta demanda pelos
“populares” foi comprovada em 2000, quando o “Workshop de Jornais
Populares”, da quarta edição do Curso ster em Jornalismo para Editores,
14
concluiu que são um dos maiores fenômenos editoriais do país
1
. Mas, por que da
preferência? Quais os motivos que colocam os “populares” entre sete dos dez
jornais mais lidos do país?
2
Ou seja, as classes C, D e E passaram a ler mais jornal, seja pela
estabilidade econômica ou pelo valor dos periódicos. Conforme explica Amaral
(2004, p.19), os grandes grupos de comunicação perceberam que “servir o
cidadão passa a ser mais do que uma função social, torna-se também uma
atividade lucrativa”. Entende-se, então, que a notícia tem valor, financeiramente
falando mesmo. Mas, para se vender bem, precisa-se adequar a linguagem
editorial a essas classes.
Então, falaremos também aos (e dos) jornalistas e demonstraremos a
formulação da notícia no passado e no presente com o título e o lead, a busca
pela qualidade da informação e fuga do sensacionalismo. Comprovando a teoria
de Amaral (2004, p.14), onde afirma que “o fato de nos dirigirmos a um
determinado tipo de leitor não é uma estratégia do plano mercadológico, mas,
fundamentalmente, do plano comunicacional”.
Analisar essa comunicação será uma de nossas etapas, buscando
entender como os jornalistas se instrumentalizam para compreender a lógica dos
“populares”. Técnicas como “o povo fala” e o conceito dos Lugares de Fala serão
métodos demonstrados em nossa pesquisa. Ou seja, a informação é dirigida a
1 In: AMARAL, Marcia Franz. Jornalismo popular: desdém ou superexposição? Artigo publicado em
Comunicação & Cultura Midiática. Silveira, Ada. C. et. alii. Santa Maria: FACOS-UFSM, 2003. p. 97-116.
Apresentado no I Encontro da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), reunido em
Brasília, nos dias 28 e 29 de novembro de 2003, com o título original "Imprensa e modos de endereçamento
ao leitor popular: do desdém à superexposição"; título e intertítulos da redação do OI. Disponível em
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=276DAC003. Publicado em 11/05/2004. Acesso
em 26/08/2009.
2 Dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC).
15
certo público, de certa maneira, oriunda de um suporte que o leitor se identifica,
que se vê, seja através da narrativa do cotidiano ou da necessidade retratada.
Ao fim, perceberemos que mesmo com essa divulgação do cotidiano
especificamente da violência, que ocupa espaços maiores com fotos e, por vezes,
lançando mão de recursos linguísticos que remetem ao exagero perceberemos
que essa linguagem sensacionalista começa a ficar menos aceitável, conforme
conceitua Lemos (apud AMARAL, 2004, p.18-19).
Constataremos também a queda de vendas do jornal MEIA HORA, assim
como a preocupação do jornal EXTRA em diferenciar-se entre os “populares”,
preocupando-se com um jornalismo popular destinado a um público que valoriza a
informação e, com isso, conseqüentemente, manteve um alto índice de leitores. O
desempenho mercadológico de ambos os jornais aqui destacados dialoga com a
observação por Marcia Franz Amaral, a seguir:
Conhecer o público é uma meta ausente nas aulas de graduação e nos
textos sobre jornalismo, em que o assunto da relação com o público é
imediatamente remetido ao campo do marketing. A ojeriza à submissão
mercadológica tem razões históricas importantes, como as distorções,
invenções, exageros e deslizes éticos cometidos em nome do aumento
das tiragens. Ela não pode fazer com que nós, jornalistas, localizemo-
nos no extremo oposto e desenvolvamos um sentimento que apaga do
horizonte a existência de um público leitor de jornais. Como quem lança
garrafas ao mar, muitas vezes escrevemos sem saber sobre nosso
destinatário. Queiramos ou não, todo jornal para tornar-se viável precisa
ser dirigido a um mercado de leitores (AMARAL, 2004, p. 13).
1.1 Contexto Histórico do Jornalismo Popular
Falar de jornalismo popular nos remete a uma primeira idéia: o que é
jornalismo? Para o dicionário Michaelis e Aurélio, a conceituação de jornalismo
quer dizer “imprensa periódica, profissão de jornalista e os jornais”.
Para Ciro Marcondes (apud Genro Filho, 1987, p.60), jornalismo é:
Propriamente dito a atividade que surge em um segundo momento da
produção empresarial de notícias, e que se caracteriza pelo uso do
veículo impresso para fins – além de econômicos, políticos e ideológicos.
16
Somente no momento em que a imprensa passa a funcionar como
instrumento de classe é que ela assume o seu caráter rigorosamente
jornalístico.
Para Genro Filho (1987), jornalismo é:
A modalidade de informação que surge sistematicamente destes meios
(rádio, TV etc.) para suprir certas necessidades histórico-sociais que (...)
expressam uma ambivalência entre a particularidade dos interesses
burgueses e a universidade do social em seu desenvolvimento histórico.
Já para a Publique Agência de Notícias, jornalismo é:
Atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais
e divulgação de informações. Também define-se o jornalismo como a
prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos
atuais. Jornalismo é uma atividade de Comunicação.
3
A sinopse do livro “O que é o Jornalismo”, de Clóvis Rossi, da Coleção
Primeiros Passos (1995), cita o jornalismo como:
Uma fascinante batalha pela conquista das mentes e corações de seus
alvos - leitores, telespectadores ou ouvintes. Uma batalha geralmente
sutil e que usa uma arma de aparência extremamente inofensiva - a
palavra, acrescida, no caso da televisão, de imagens.
Analisando estas breves definições, podemos perceber a combinação de
termos que nos remetem a uma reflexão: como se difere jornalismo de referência
e de jornalismo popular, se ambos estão voltados para o mesmo público, o leitor?
Para interpretar isto, talvez seja interessante, antes de tudo, recuar no tempo e
observar o início deste tipo de publicação, dito “popular”. Nossa aposta é que,
apenas a partir deste mapeamento histórico, será possível compreender o avanço
de tais periódicos no desenrolar da história do jornalismo.
A produção cultural para as classes populares advém do século XVII.