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Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO
Centro de Ciências Humanas e Sociais – CCH
Museu de Astronomia e Ciências Afins – MAST/MCT
Programa de Pós Graduação em Museologia e Patrimônio – PPG-PMUS
Mestrado em Museologia e Patrimônio
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A via conceitual aberta por
Zbynek Zbyslav Stránský
Anaildo Bernardo Baraçal
UNIRIO / MAST - RJ, Abril de 2008
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O OBJETO DA MUSEOLOGIA:
A VIA CONCEITUAL ABERTA POR
ZBYNEK ZBYSLAV STRÁNSKÝ
por
Anaildo Bernardo Baraçal
Aluno do Curso de Mestrado em Museologia e Patrimônio
Linha 01 – Museu e Museologia
Dissertação de Mestrado apresentada à
Coordenação do Programa de Pós-Graduação
em Museologia e Patrimônio
Orientador:
Professora Doutora Tereza Cristina Moletta Scheiner
UNIRIO/MAST - RJ, Abril de 2008.
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FOLHA DE APROVAÇÃO
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A via conceitual aberta por
Zbynek Zbyslav Stránský
Dissertação de Mestrado submetida ao corpo docente do Programa de Pós-
graduação em Museologia e Patrimônio, do Centro de Ciências Humanas e
Sociais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO e
Museu de Astronomia e Ciências Afins MAST/MCT, como parte dos
requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Museologia e
Patrimônio.
Aprovada por:
Prof. Dr. ___________________________________________________
TEREZA CRISTINA MOLETTA SCHEINER
Prof. Dr ___________________________________________________
JOSÉ MAURO MATHEUS LOUREIRO
Prof. Dr. _________________________________________________
NÉLIDA GONZÁLEZ DE GOMÉZ
Rio de Janeiro, abril de 2008.
iii
Baraçal, Anaildo Bernardo.
B223 Objeto da Museologia: a via conceitual aberta por Zbynek Zbyslav
Stránský / Anaildo Bernardo Baraçal. - 2008.
124 f.: il., ix; 30cm.
Orientador: Profª. Drª. Tereza Cristina Moletta Scheiner.
Dissertação (Mestrado em Museologia e Patrimônio) Universidade
Federal do Estado do Rio de Janeiro/Museu de Astronomia e Ciências
Afins/Programa de Pós-graduação em Museologia e Patrimônio, Rio de
Janeiro, 2008.
Bibliografia: f. 102-108.
1.Museologia. 2. Museologia - Teoria. 3. Stránský, Zbynek Zbyslav. 4.
Metamuseologia. I. Scheiner, Tereza Cristina Moletta. II. Universidade
Federal do Estado do Rio de Janeiro. Programa de s-graduação em
Museologia e Patrimônio. III. Museu de Astronomia e Ciências Afins
(Brasil). IV. Título.
CDU – 069.01
iv
AGRADECIMENTOS
Dekuji, obrigado em checo, ou dito em qualquer outro idioma, sempre serei
insuficientemente grato à carinhosa e decisiva participação de Amauri Rodrigues Dias,
Bruna Latini, Jan Dolák, José Mauro Mateus Loureiro, Katerina Kotiková, Mariana
Lamas, Suzanne Nash, Tereza Cristina Scheiner, Vinos Sofka, Zuzana Paternostro e
Zbynek Zbyslav Stránský.
Também agradeço aos obstáculos e tropeços, seres humanos, máquinas, programas
e padronizações, cujos nomes e designações, no entanto, não julgo merecedores de
registro.
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A Arnaldo (in memoriam) e Ana Arcanjo, mestres eternos.
vi
Já si védú svuj zivot a me vede zivot.
[…] A tak pres hory a doly jdu dal a dal.
Já si védú svuj zivot a me vede zivot.”
Eri do Cais e Serginho Meriti
“Deixa a vida me levar, vida leva eu.
[...] e aos trancos e barrancos lá vou eu.
Deixa a vida me levar, vida leva eu.”
Eri do Cais e Serginho Meriti
BARAÇAL, Anaildo Bernardo. O objeto da museologia: a via conceitual aberta por Zbynek
Zbyslav Stránský. 2008. Dissertação (Mestrado) Programa de Pós-Graduação em
Museologia e Patrimônio, UNIRIO/MAST, Rio de Janeiro, 2008. 126p. Orientador: Prof. Dra.
Tereza Cristina Moletta Scheiner
RESUMO
Para a Museologia, como para a sistemática do conhecimento, seja filosófico, seja científico, é
necessário que se defina o objeto a ser estudado. Nesse âmbito, a especificação do objeto na
contribuição do museólogo checo Zbynek Zbyslav Stránský (1926), ocorre em 1965, quando
enuncia que o objeto não é o museu, e que a Museologia se constituía como disciplina
científica. Parte de seu pensamento é contrastada com a do museólogo alemão Klaus
Schreiner e da filósofa eslovaca Anna Gregorová, em 1980, e considerada na exposição O
caminho do museu, de 1971, em que sua teoria se apresenta na linguagem museística. E
atinge-se o cume de seu edifício conceitual na análise do capítulo em que trata da
metamuseologia, em sua obra Archeologie a muzeologie, de 2005. Neste caso, se recorreu ao
diálogo com parcela da obra Le musée virtuel, de Bernard Deloche, de 2001. O recurso a
autores para efeito de contraste, atestando ou refutando considerações de Stránský, propicia e
favorece apoio ou base de questionamento para as proposições teóricas do museólogo checo.
Stránský tem como referencial a Gnoseologia, em que sujeito e objeto são termos
fundamentais. O sujeito cognoscente subjaz ontológica ou onticamente, enquanto que o objeto
carece de definição. A partir desta e de outras considerações filosóficas, Stránský atinge a sua
afirmação da Museologia científica, que instaura a realidade da sua construção enquanto
conhecimento. Além da precisão do objeto, outros critérios de identificação científica são a
metodologia e a terminologia. A riqueza da nomenclatura cunhada por Stránský expressa em
termos na complexidade conceptual e lingüística de seu idioma natal, o checo - proporciona um
debate angular que alimenta o panorama museológico. A questão sobre o objeto da
Museologia, complexa desde 1980, com discussão patrocinada pelo Comitê para a
Museologia do Conselho Internacional de Museus, ICOFOM, ainda persiste. Procurou-se nesta
dissertação não a resposta ou a geração de uma alternativa conceitual. Diz respeito a uma
“arqueologia”, uma busca por fragmentos estimuladores da crítica e da criatividade analítica. A
perspectiva metodológica se pretendeu filosófica, recorrendo-se a uma constante e infinita
inquirição, que não se pode esgotar, quer na capacidade do acadêmico, quer nos limites do
próprio conhecimento. Trata-se de uma nova série de perguntas sobre a natureza da
Museologia na sua relação metafísica com o ser e, assim, distanciada das considerações
fenomenológicas. Desdobra-se, de fato, na discussão em nível da Metamuseologia, enquanto
teoria da Museologia, significando um exercício de contribuição à reflexão teórica do campo.
Palavras-chave: Museu. Museologia. Metamuseologia. Musealidade. Zbynek Stránsky.
ICOFOM.
viii
BARAÇAL, Anaildo Bernardo. The Object of Museology: the conceptual pathway created by
Zbynek Zbyslav Stránský. 2008. Dissertation (Master’s) Graduate Program in Museology and
Heritage, UNIRIO/MAST, Rio de Janeiro, 2008. 126p. Supervisor: Prof. Dr. Sc. Tereza Cristina
Moletta Scheiner.
ABSTRACT
For Museology, as for systematic - either philosophic or scientific - knowledge, it is necessary to
define the object to be studied. In this context, the designation of the object, in the contribution
of the museologist Zbynek Zbyslav Stránský (1926), takes place in 1965, when he proclaims
that the museum is not the object of Museology, and that Museology constitutes a scientific
discipline. Part of Stránský’s ideas can be contrasted with the German museologist Klaus
Schreiner and the Slovak philosopher Anna Gregorová, in 1980, and it was considered in the
exhibition The museum way, in 1971, when his theory is presented in museistic language. And
it reaches its conceptual climax in the analyses of the chapter about metamuseology, in his
work Archeologie a Muzeologie, 2005. In this case, the dialogue was retraced with a fragment
of Bernard Deloche’s work Le musée virtuel, from 2001. The use of other authors that contrast
with those ideas, agreeing or disagreeing with Stránský’s considerations, favored questioning
about the theoretical propositions of the Czech museologist. Stránský’s referential is
Gnoseology, in which the subject and object are fundamental terms. The subject of cognition is
ontologically and ontically submitted, while the object lacks definition. From this and others
philosophical considerations, Stránský reaches his scientific affirmation of Museology, which
establishes the reality of his constructions as knowledge. Besides the object precision, other
criteria of scientific identification are methodology and terminology. The richness of
nomenclature coined by Stránský - expressed in the conceptual and linguistic complexity of his
mother’s language, Czech – permits an angular debate that feeds museological panorama. The
question about the object of Museology, complex since 1980, with discussions supported by the
International Council of Museums Committee for Museology, ICOFOM, still exists. We tried in
this dissertation not to answer or to create a conceptual alternative. It concerns an archeology,
a search for stimulant fragments of criticism and analytical creativity. The methodological
perspective intended to be philosophical, retracing into a constant and infinite inquire which
cannot be extinguished, either in the academic capacity, or in the limits of knowledge itself. It
concerns the formulation of new series of questions on the nature of Museology in its
metaphysics relation with the being, therefore, distanced of phenomenological considerations. It
folds itself, indeed, in the discussion about Metamuseology as the theory of Museology as an
exercise of contribution to the theoretical reflection of the realm.
Keywords: Museum. Museology. Metamuseology. Museality. Zbynek Stránsky. ICOFOM.
ix
SUMÁRIO
Pág.
INTRODUÇÃO 01
Cap. 1
O OBJETO DA MUSEOLOGIA PARA STRÁNSKÝ:
ARGUMENTANDO COM GREGOROVÁ E SCHREINER
EM 1980
17
Cap. 2 EXPONDO A MUSEOLOGIA EM 1971 (ou: ASPECTOS
ARQUEOLÓGICOS DO PENSAMENTO DE STRÁ
NSKÝ)
32
Cap. 3
UM NOVO CAMINHO CONCEITUAL, 1965 - 2005:
EXERCÍCIO CRÍTICO
60
CONSIDERAÇÕES FINAIS
93
REFERÊNCIAS 104
GLOSSÁRIO MÍNIMO (a partir de Stránský) 109
ANEXOS
A. CURSOS E DISCIPLINAS CRIADOS POR
STRÁNS
116
B. ÍNDICE DE STRÁNSKÝ, Zbynek Z. Archeologie a
muzeologie. Brno: Masarykova Univerzita, 2005 121
INTRODUÇÃO
Fique claro que o que se irá discutir será apenas pequena parcela do extenso e
complexo pensamento de Stránský. Não se tratará de, e não se deve ver neste
trabalho, um reducionismo da reflexão stranskyana. As escolhas de textos, autores,
referências, conceitos e excertos de concepções do pensamento [noética], tiveram,
certamente, fins interpretativos e, desse modo, representam uma eleição deliberada
de aspectos considerados úteis à discussão. Os dados foram inevitavelmente
recortados do contexto inclusivo, permitindo um distanciamento eventual de uma
expressão em relação a um quadro de referência do autor. Todavia, os conceitos
foram, tanto quanto o conscientemente possível, controlados no uso consentâneo a
sua acepção original. Por isso, nos ocupamos de apresentá-los, se não todos, ao
menos os mais relevantes no pensamento stranskyano, como anexo, para consulta e
confrontação de parte do leitor, como possibilidade e método de aferição sobre alguns
elementos da argumentação que faremos. Outro recurso de controle foi o contraste de
autores outros, atestando ou refutando considerações de Stránský, propiciando-nos e
favorecendo-nos apoio ou base de questionamento para as proposições teóricas do
museólogo checo.
O OBJETO DA MUSEOLOGIA: A VIA CONCEITUAL ABERTA POR STRANS
Pensar a Museologia é, para Scheiner,
[...] um fascinante exercício intelectual, que nos permite uma
aproximação organizada a diferentes sistemas de pensamento, na
tentativa de contribuir para o amadurecimento teórico do campo. Mas
é também um exercício difícil, considerando que a linguagem
museológica ainda não se encontra devidamente estruturada.
1
Ao final da década [de 1990], parece estar clara a necessidade de
aproximar Museologia e Filosofia: ‘Si la museología aspira a
constituirse como una ciencia del hombre, debe fundamentarse en los
principios que le proporciona la filosofía. Requiere por tanto de una
ontología, entendida como reflexión de la esencia de su objeto; de
una epistemología para el conocimiento de lo real en el contexto
museal; de una estética como aproximación a la capacidad creadora
1
SCHEINER, Tereza. Museu e museologia: definições em processo. Rio de Janeiro: Nov. 2005 [inédito].
2
del hombre y de una ética sustentada en el principio máximo de la
libertad
2
Conceber-se a Museologia como ciência requer o estabelecimento de um
objeto de estudo que lhe seja específico. Dentre as definições propostas, a de Zbynek
Zbyslav Stránský se destaca pelo caráter filosófico de uma formulação gnoseológica,
diversa das demais que têm no Museu sua referência.
No meio museológico tem se falado na Museologia, no seu objeto, enquanto
“relação entre homem e a realidade” e em Museu como “fenômeno”. Sendo estas
definições estabelecidas por Stránský a partir de 1965, o “senso comum” museológico,
apesar de constituído em cerca de trinta anos e, portanto, esse tempo ser integrante
de um passado próximo, não associa o conceito ao autor e nem aos seus
pressupostos epistemológicos. Tanto o partido gnoseológico, quanto o referencial
fenomenológico de Stránský não são considerados, ao que se atribuiria a
superficialidade ou vacuidade com que esses termos têm sido empregados. Em
termos hipotéticos, procuraremos observar a Museologia, em determinada linha de
reflexão, como sendo científicamente independente do Museu. “Consideramos a
contribuição de Stránský essencial para a definição dos fundamentos da Teoria
Museológica.”
3
Comecemos pelas apresentações.
Zybnek Zbyslav Stránský, nascido em 1926, tendo formação em música,
formou-se na Universidade Carolina de Praga, pelo Departamento de Filosofia e
História, durante os anos de 1946 a1950. A seguir, Stránský trabalhou no museu da
cidade de Ceský Brod e depois no Museu de Antonín Dvorák, em Praga. Em 1958
teve que sair do museu da região de Praga, em Podebrady, por razões políticas.
Nesse mesmo ano, ingressa na então denominada Universidade de Jan Evangelista
Purkyne, UJEP, na cidade de Brno, para estudar musicologia.
4
2
ICOFOM. ICOFOM LAM. Carta de Coro. Conclusões e Recomendações do VIII Encontro Regional do
ICOFOM LAM. Coro, Venezuela, dezembro de 1999. Apud. SCHEINER, Tereza. Museu e museologia:
definições em processo. Op. Cit.
3
SCHEINER, Tereza. Museu e museologia: definições em processo. Op. Cit. “Pouco compreendidas por
seus pares, as reflexões de Stranski, Sola e Desvallés não receberam a atenção e o respeito devidos. As
questões que propõem são mesmo consideradas, por alguns colegas, como problemas fictícios, criados
por pessoas que gostam de teorizar’ BURCAW, E. Comments, apud SCHEINER, Tereza. In Op. Cit., 21.
4
Convém se abrir um parêntese para apresentar Jan Jelinek. Conterrâneo e contemporâneo de Stránský,
por quem foi assistido, tanto no Museu da Morávia, no qual atua e se torna seu diretor em 1958, quanto
no curso de Museologia, restabelecida a cadeira de museologia na UJEP, a que dirige inicialmente, e por
pouco tempo, cedendo lugar a Stránský. Presidente (Chairman) do Conselho Consultivo do ICOM a partir
de 1965, é presidente geral do ICOM, de 1971 a 1977, deixando o cargo para encabeçar o Comitê para a
3
No ano de 1962, Stránský foi admitido para trabalhar no Museu da Morávia,
com a “incumbência de chefiar” o novo departamento de museologia, como um centro
de metodologia, teoria museológica e centro de documentação.
5
No mesmo ano,
articula-se o restabelecimento da cadeira de museologia da Faculdade de Filosofia da
UJEP, na qual lecionou sem pertencer aos quadros acadêmicos, dados os
impedimentos políticos: de fato, continuava como funcionário do Museu da Morávia.
No ano de 1965, preparou o programa de estudos e depois sua autorização pelo
Ministério da Educação, e abriu o curso de pós-graduação em museologia, do qual foi
a figura central até sua saída por aposentadoria, em 1996. Mas, mesmo depois,
continuou a ensinar nos anos seguintes como professor convidado.
6
O ensino sobre
museus na Universidade Masaryk foi estabelecido por Jaroslav Helfert nos anos 1920.
Stránský criou-lhe um conceito completamente diferente. Graças a sua formação
filosófica e seu conceito metacientífico, ele formou a base teórica da museologia como
uma disciplina científica independente.
7
Sua iniciativa de renovação da Associação dos Museus Checos, em 1968, e
articulação de sua nova concepção de gerenciamento de museus lhe valeram
restrições políticas. Após a segunda guerra mundial, a então Checoslováquia fica sob
influência soviética, e durante alguns meses daquele ano, o país, durante a Primavera
de Praga, buscou liberalizar e humanizar o regime comunista. O movimento foi
sufocadao pela invasão de tropas do Pacto de Varsóvia. Tinha início a época da
Normalização política [1969-1987], vitimando Stránský, exonerado, em 1971, da
direção do departamento de museologia do Museu da Morávia.
Stránský viceja, ao lado de Jan Jelinek, e torna-se atuante colaborador do
ICOFOM, desde 1979. A partir desse organismo, o pensamento de Stránský avança
para além dos antigos países do leste europeu, pelos textos publicados e pelas
conferências, a partir do momento em que foram permitidas pelo Estado
checoslovaco, após a pacífica Revolução de Veludo, de 1989. Então, em 1990 pode
Museologia do Conselho Internacional de Museus ICOFOM, do qual é um dos proponentes, em 1976 e
um dos fundadores com o reconhecimento pelo ICOM no ano seguinte. DELOCHE, Bernard. Le musée
virtuel. Paris: Presses Universitaires de France, 2001. p. 116.
5
DOLÁK, Jan; VAVRIKOVÁ, Jana. Muzeolog Z. Z. Stránský: zivot a dílo. [O museólogo Z. Z. Stránský:
vida e obra]. Brno: Masarykova Univerzita, 2006, p.5.
6
Ibidem, p. 6.
7
Ibidem, loc. cit.
4
se tornar membro regular do ICOM e vir a ser, entre 1993 e 1998, vice-presidente do
ICOFOM.
8
Ativo professor, especialmente da UJEP/Masaryk, quando não afastado da
docência pelo governo comunista
9
, orientou inúmeros trabalhos acadêmicos e criou
diversos programas de ensino em museologia. No ano de 1983, a pedido da
UNESCO, ele elaborou o projeto da Escola Internacional de Museologia de Verão
ISSOM
10
e foi seu diretor até 1998
11
. Nos anos de 1997-1998, elaborou projetos
especiais de ensino da museologia para a nova universidade de M. Bela, na cidade de
Banská Bystrica. Em 1998, baseada em projeto seu, foi criada a cadeira de
ecomuseologia.
12
Com a defesa de sua tese De Museologica, para a titulação de professor
adjunto, em 1993, formaliza-se o reconhecimento checo da museologia. [...] “ele criou
em Brno sua própria escola de ciência, baseado em estudos existentes.“
13
Pensador profícuo, suas realizações que se manifestam em obras especializadas,
criação de projetos, realização de exposições, profere palestras, participa do
estabelecimento de organizações na área museística e de cursos universitários.
Continua produzindo como colaborador editorial do jornal mensal de Munique
Museum Aktuell e formou e esrealizando os portfólios de museólogos em páginas
desse jornal na Internet, além de prosseguir proferindo palestras.
14
“Alguns termos novos de Stránský, [...] agora são usados com freqüência, até
por pessoas que, mais ou menos, objetam as [suas] teorias...” e a [...] ”aplicação
filosófica parece até certa forma com a musealização operada pelos filósofos pós-
modernos.”
15
“Personalidade que ajudou a criar e a desenvolver este campo novo de
estudos [da museologia].” ”[...] trata-se de uma personagem que não se pode omitir.”
16
8
Ibidem, loc. cit.
9
Veio a ser professor regularmente integrante dos quadros universitários apenas desde 1991. DOLÁK,
Jan, VAVRIKOVÁ, Jana. Muzeolog Z. Z. Stránský: zivot a dílo. Op. Cit., p.7.
10
Ibidem, p.6.
11
Ibidem, p.7.
12
Ibidem, loc. cit.
13
Ibidem, loc. cit.
14
Ibidem, p.8.
15
Ibidem, loc. cit.
16
Ibidem, loc. cit.
5
Por serem expressivas e referenciais, transcrevemos algumas alusões ao que
definira em Museologia.
Museologia como a ciência que estuda a relação específica entre Homem
e Realidade’ (Desvallées)
17
, tendo como objeto de estudo a musealidade
18
, é
enunciado, ao que parece, em 1979. No ano seguinte (1980), Stránský acrescenta: "O
termo Museologia, ou teoria de museu (sic), concerne à esfera de atividade de um
conhecimento específico, orientado (sic) para o fenômeno Museu”.
19
E estamos
diante do Museu como fenômeno.
20
E a partir disso, temos os desdobramentos da discussão aberta sobre a
Museologia e seu objeto.
“Museology should not be centered on the institution museum (as defined by
ICOM).”
21
[...] relever le manque de consensus qui affecte à la fois la définition
de la muséologie et la détermination de son objet. [...] depuis trente
ans pour tenter de caractériser la muséologie, le consensus n`est pas
encore réalisé et la confusion la plus grande règne toujours quant à la
défintion de cette discipline assez particulière.
22
Il est sûrement difficile de determiner l`objet d`une discipline que l`on
n`a pas encore parfaitement définie et réciproquement d`ailleurs de
définr une discipline dont on ne connaît pas l’objet – c`est pourquoi, ici
aussi, règnent l`incertitude et le désaccord.
23
JUSTIFCATIVA
O termo Museologia existe por pouco mais de cem anos, mas o início do
tratamento desse campo de conhecimento enquanto estudo sistemático remonta
17
DESVALÉES, André; dir. Terminologia museológica. Poyecto permanente de investigación.
ICOFOM/ICOFOM LAM. [s.l.]: _____, maio 2000, p.5.
18
Outros autores referem-se à Museologia como uma nova disciplina, dirigida ao estudo das relações
específicas entre Homem e Realidade mas sem conseguir desvinculá-la da relação com a cultura
material. É o caso de Gregorová: Museologia é uma nova disciplina, ainda em estagio de construção, e
que tem como sujeito (sic) o estudo das relações específicas entre Homem e Realidade, em todos os
contextos em que esta se haja manifestado concretamente. O objeto de estudo da Museologia é o objeto,
testemunho da natureza e da sociedade. Mesmo Stranski, em 1979, define a musealidade como o valor
documental específico do objeto ICOM, ICOFOM, 1979, apud SCHEINER, Tereza. Museu e
museologia: definições em processo. Op. Cit.
19
MUWOP 1, 1980. Apud. SCHEINER, Tereza. Op. Cit.
20
STRÁNSKÝ, Z. Museologia é a área específica de estudo, fundamentada no estudo do fenômeno
Museu’ ICOM, ICOFOM, 1979. Apud. SCHEINER, Tereza. Op. Cit.
21
Joint Colloquium Methodology of Museology and professional training. [ANNUAL CONFERENCE
OF THE INTERNATIONAL COMMITTEE FOR MUSEOLOGY / ICOFOM (5)]. London [UK]. July/juillet
1983. Coord. Vinos Sofka. Stockholm: ICOM, International Committee for Museology/ICOFOM and
International Committee for the Training of Personnel/ICTOP; Museum of National Antiquities, Stockholm,
Sweden. ICOFOM STUDY SERIES – ISS 1, p. 95, 1983, apud. SCHEINER, Tereza. Op. Cit.
22
DELOCHE, Bernard. Le musée virtuel. Op. Cit., p. 117.
23
Ibidem, p.118.
6
apenas cerca de três décadas. Campo disciplinar instável, seus conceitos e
terminologia não têm validação universal e tal estado reflete uma dispersão nas
abordagens acadêmicas. Nesse sentido, entretanto, o viés de atrelamento da
Museologia ao Museu apenas se interrompe na perspectiva instaurada por Stránský.
Seja pela busca de contribuição teórica, seja pelo exercício de aproximação com o
pensamento museológico conforme a linha estabelecida no leste europeu, ou ainda
pela investigação sobre a independência da Museologia em relação ao Museu, a
Dissertação se justifica por:
- a possibilidade de recuperação de literatura pouco acessível escrita em checo e
de circulação quase restrita àquele Estado.
- a possibilidade de contribuir para a compreensão de pressupostos tornados
referenciais na teoria museológica sem contudo haver clareza de sua
pertinência científica ou afiliação conceitual.
- a disponibilização do material bibliográfico traduzido para o português,
facultando maior acesso pelo mundo lusófono de trabalhos de Stránský e
decorrente abertura a novas possibilidades analíticas aos pesquisadores.
Na Linha de Pesquisa 01 Museu e Museologia, do Programa de Pós
Graduação em Museologia e Patrimônio, PPG-PMUS, UNIRIO/MAST, a que se
vincula a dissertação proposta, destaca-se do ementário: “Abordagem [...] da
Museologia como campo disciplinar, em suas relações com os diferentes campos do
saber. [...] Teoria da Museologia. [...] Terminologia da Museologia. Museologia como
geração do novo: interpretação de realidades.” Assim, esses três tópicos são
observados na Dissertação, que recorta a Museologia como disciplina científica,
através da análise de seu objeto e a consideração de que, em se fundando enquanto
campo científico, instaura a realidade da sua construção enquanto conhecimento.
Vinculando-se ao Projeto de Pesquisa Termos e Conceitos da Museologia, o trabalho
diz respeito, diretamente, à questão de ordem terminológica e conceitual,
aprofundando os estudos sobre um dos objetos de estudo definidos para Museologia.
Dessa linha de pesquisa participa a Profa. Dra.Teresa Cristina Scheiner, orientadora
da Dissertação que ora apresentamos à qualificação.
VIABILIDADE
Tratando-se de reflexão de ordem dedutiva, os meios para realização desta
Dissertação estão definidos pela disponibilidade de textos do principal pensador nela
7
considerado, Zbynek Zbyslav Stránský, e na fundamentação das abordagens teóricas
que enquadrariam a discussão proposta sobre o objeto da Museologia. Ao longo do
Programa de Pós-Graduação e ao término de várias disciplinas, os trabalhos
apresentados versaram sobre tópicos do anteprojeto da Dissertação.
A Profa. Dra. Teresa Cristina Scheiner, ao nos colocar à disposição o contato
com o museólogo Dr. Jan Dolák - responsável pela cátedra de Museologia e
Patrimônio Mundial da UNESCO, Universidade Masaryk, Brno, República Checa
possibilitou o estabelecimento de troca de correspondência eletrônica e entrevista
pessoal, na cdadade do Rio de Janeiro, no dia 30 de setembro de 2007. Nessa
oportunidade, o Dr. Dolák ofertou publicações de e sobre Stránský, quase
integralmente no idioma checo. Com relação à questão idiomática, previamente, um
trabalho de final de disciplina carecera de tradução de texto de consulta, para o que
recorremos a uma colega de trabalho no Museu Nacional de Belas Artes, do Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, do Ministério da Cultura MinC.
Nesse contexto, a eslava Zusana Paternostro indicara a antropóloga checa Katerina
Kotikova, radicada no Rio de Janeiro, para oportunos serviços de tradução. No
momento, os itens bibliográficos necessários ao desenvolvimento da dissertaçao
foram traduzidos e vêm alimentando o trabalho acadêmico, e permitindo a
confrontação com o material anteriormente coligido.
Considerando-se que a vertente filosófica é pouco explorada nas análises
museológicas e que o estudo sistemático e teórico da Museologia , como se disse,
pode remontar a cerca de apenas três décadas, a bibliografia específica e os
interlocutores são escassos. A Drª Scheiner e o Dr. Dolák têm propostos os raros
nomes dos museólogos que, em todo o mundo, se dedicam à consideração filosófica
da Museologia, notadamente na Suécia e na própria República Checa. Assim, pelo
montante do já produzido, pelas providências em andamento, pelos canais abertos
pelos colaboradores e pelos meios disponíveis, a Dissertação tornou-se plenamente
viável.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS
Apesar do nosso esforço, somos apenas principiantes quanto ao domínio da filosofia. E
a tarefa deve ser encarada como um exercício de um ferramental intelectual para
autodesenvolvimento e, eventualmente, colaboração para o campo museológico.
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Cabe, inicialmente, além da definição da abordagem principal a ser observada,
conceituar o aspecto da vertente gnoseológica tomada como referencial.
Gnoseologia
24
, ou gnoseiologia, “é o ramo da filosofia que se preocupa com a validade
do conhecimento em função do sujeito cognoscente, ou seja, daquele que conhece o
objeto. Este (o objeto), por sua vez, é questionado pela ontologia que é o ramo da
filosofia que se preocupa com o ser.” Este ramo se distingue da epistemologia, estudo
do conhecimento relativo ao campo de pesquisa em cada ramo das ciências. Também
difere da metafísica e da ontologia, pois "ambas se preocupam com o ser, porém a
metafísica põe em questão a própria essência e existência do ser. “[...] a ontologia
insere-se na teoria geral do conhecimento ou Ontognoseologia que preocupa-se com
a validade do pensamento e das condições do objeto e sua relação com o sujeito
cognoscente enquanto que a metafísica procura a verdadeira essência e condições de
existência do ser.”
Teoria do Conhecimento em geral, a Gnoseologia se distingue da
Epistemologia por esta tratar do conhecimento na sua acepção científica, “estudo
crítico dos princípios, das hipóteses e dos resultados das diversas ciências, destinado
a determinar sua origem lógica, seu valor e conteúdo.”
25
Supõe-se no pensamento de
Stránský o aspecto de a Museologia lidar com o conhecimento, derivando daí a
oportunidade de considerá-la gnoseologicamente.
“Entendo por um objeto qualquer coisa sobre a qual nós possamos pensar,
isto é, qualquer coisa sobre a qual nós possamos falar”. Esta é a definição sucinta
que Charles Sanders Peirce estabelece para a ampla noção de objeto.
26
(grifo nosso)
Mas, então, subjacente ao objeto encontra-se esse nós que pensa e que fala sobre
algo. Como supor a existência de algo denominável objeto sem se considerar o
sujeito, sua pré-condição existencial: do latim subjectus, substantivo derivado do
24
ENCYCLOPEDIA Tiosam. Disponível em: <http://www.tiosam.com/enciclopedia/?q=gnoseologia>.
Acesso em 20 set.2007. Tradução nossa.
25
MIRANDA, E. Gnoseologia/Epistemologia. Disponível em:
<http://www.pucpr.edu/facultad/emiranda/educacion_430/Presentaciones/Epistemolog%C3ADa.ppt.>.
Acesso em 20 set. 2007. Tradução nossa.
26
O texto de Peirce encontra-se no manuscrito [Reflections on Real and Unreal Objects], MS 966, s/d.[
Arquivo não citado],apud BERGMAN, Mats; PAAVOLA, Sami. The commens dictionary of Peirce’s
terms: Peirce’s terminology in his own words. [S.l.]: [s.n.], 2003. Disponível em:
<http://www.helsinki.fi/science/commens/terms/object.html>. Acesso em: 27 jul. 2007.Tradução nossa.
N.T.: MS significa manuscrito.
9
particípio passado de subicere = colocar sob, de sub = sob + forma combinada de
jacere = lançar, significando colocado sob.
27
Nosso vocabuário terminológico têm incluidas as locuções objeto concreto e
objeto abstrato. Se bem que, para a filosofia ocidental, a distinção entre o concreto e o
abstrato assuma importância fundamental, não há concordância generalizada sobre os
casos paradigmáticos de classificação. meros, enquanto objeto puro da
matemática, são universalmente conhecidos como abstratos. Da mesma forma, os
elementos e o conjunto dos alfabetos, as classes, as proposições, os conceitos, o
conteúdo da criação artística. E tais casos sustentam a base da dicotomia entre
abstração e concretude.
A distinção entre concreto e abstrato, todavia, é recente e, salvo exceções
antecipadoras, teve papel insignificante para a filosofia até o século XX. E embora
lembre a expressão platônica diferenciadora entre mundo sensível e o mundo das
formas (ou idéias), para Platão as formas se supunham causas por excelência
(subjacentes), enquanto que os objetos abstratos são normalmente reconhecidos
como causalmente inertes em todos os sentidos (projetivos de uma subjetividade).
Decorrendo da classificação analítica e diferenciadora da gramática, entre variações
em um mesmo radical de palavra, (vermelho e vermelhidão, p.ex.), porém aqui não há
distinção metafísica. No século XVII, com Locke, essa distinção foi transposta para o
campo das idéias, e exclusivamente dentro desse campo, diferenciando idéias
concretas (por exemplo, tipos e classes de triângulos) e a noção genérica, abstrata (de
todo e qualquer triângulo).
Desde Descartes, todavia, mental e material estabelecem-se em contraponto
ontológico.
Objetividade versus anterioridade
28
de postulados dos matemáticos serviam
para questionar a dualidade dos números, tanto no plano material (propriedades das
coisas materiais) como no ideal (leis aritméticas porém fundadas sobre generalizações
empíricas). E a questão caberia a outros campos.
Um Caminho de Negação, na
definição de Lewis, pelo qual os objetos abstratos são definidos como aqueles que não
27
ONLINE Ethymology Dictionary. Disponível em: <http://www.etymonline.com/>. Acesso em: 27 jul.
2007.
28
Prioricity, no original.
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apresentam certos elementos das propriedades paradigmáticas das coisas concretas.
Em certas abordagens, os objetos abstratos seriam não-espaciais ou causalmente
ineficazes, ou ambos. Uma entidade abstrata é, nesse sentido, não espacial, ou não-
espaço-temporal, coisa causalmente inerte.
29
METODOLOGIA
Para a realização da proposta, o eixo metodológico parte dos textos de
Stránský, Schreiner e Gregorová, constantes da revista Museological Working
Papers - MuWoP, n.1, de 1980, publicação do Comitê de Museologia do Conselho
Internacional de Museologia ICOFOM, que discutiu a Museologia enquanto ciência
ou trabalho prático no museu. À análise de cada um deles e sua confrontação
somaram-se algumas incursões pela internet visando dar suporte a determinados
conceitos, especialmente os de ordem filosófica, e a informações contextuais sobre os
autores, entre outros. Alguns outros textos, impressos ou digitais, subsidiários,
integram a bibliografia, e refletem a hipertextualidade contemporânea.
Para certos textos de Museologia, recorremos ainda à leitura da tradução,
versão ou original em inglês, confrontando com as comunicações em francês, dada a
constatação da imprecisão ou dificuldade de expressão de determinados conceitos em
idiomas diversos. Essa realidade, assinalada por Vinos Sofka, redator chefe, no
mesmo número do MuWop, é da consciência do meio museológico, impelindo a
elaboração de léxicos, glossários, e outros instrumentos destinados a facilitar
interações e a possibilitar uma teminologia que reflita bases conceituais mais
universais. A leitura bilíngüe exigiu um trabalho superlativo, mormente que a palavra
objeto para os idiomas em si assume sentidos específicos e, por vezes, conflitantes
entre si.
Realizamos uma leitura geral e outra específica dos três autores, nos textos
estudados, leituras estas voltadas para a identidade da formulação do objeto da
museologia em cada um deles. Os autores foram depois cotejados de modo a nos
abastecermos de elementos argumentativos.
29
A partir da última nota, trata-se de resenha baseada em Object. In: STANFORD Encyclopedia of
Philosophy. Stanford: [s.n. 2004?]. Disponível em: <http://plato.stanford.edu/index.html -.>. Acesso em: 27
de jul. 2007. (Tradução nossa).
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A questão sobre o objeto da Museologia, complexa em 1980, ainda o é para
nós hoje. Procurou-se aqui não a resposta ou a geração de uma alternativa conceitual,
uma propositura de definição de objeto museológico. Trata-se, apenas, de uma
arqueologia, uma busca por fragmentos estimuladores da crítica e da criatividade
analítica, mais uma autoprovocação, em suma.
Foi usado o contraste, método emprestado aos exames radiológicos: injetar ou
fazer ingerir subst