Download PDF
ads:
Arethusa Almeida de Paula
MITOS VADIOS
- uma experiência da arte de ação no Brasil –
São Paulo
FFLCH/ECA/FAU - Universidade de São Paulo
2008
ads:
Livros Grátis
http://www.livrosgratis.com.br
Milhares de livros grátis para download.
Arethusa Almeida de Paula
MITOS VADIOS
- uma experiência da arte de ação no Brasil –
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
Graduação Interunidades em Estética e História da
Arte da FFLCH/ECA/FAU da Universidade de São
Paulo para a obtenção do título de Mestre em
Estética e História da Arte.
Área de concentração: Estética e História da Arte
Linha de pesquisa: Teoria e Crítica da Arte
Orientadora: Profa. Dra. Maria Cristina Machado
Freire
São Paulo
FFLCH/ECA/FAU - Universidade de São Paulo
2008
ads:
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FFLCH/ECA/FAU
Programa de Pós Graduação Interunidades em Estética e História da Arte.
Dissertação intitulada Mitos Vadios uma experiência da Arte de Ação no
Brasil, de autoria da mestranda Arethusa Almeida de Paula, aprovada pela banca
examinadora constituída pelos seguintes professores:
_________________________________________
Profa. Dra. Maria Cristina Machado Freire – USP – orientadora
_________________________________________
_________________________________________
São Paulo, dezembro de 2008.
DEDICATÓRIA
Dedico a presente dissertação à minha família.
Sem eles nada disso seria possível.
AGRADECIMENTOS
Agradeço o apoio de todas as pessoas que contribuíram direta e
indiretamente para a conclusão dessa dissertação de mestrado. À minha
orientadora, professora Cristina Freire, por todo apoio e compreensão. À
secretária do Programa de Pós-graduação em Estética e História da Arte, Neusa
Brandão, por sempre me salvar nos momentos burocráticos do curso. Ao artista
Ivald Granato por ter aberto seu arquivo para pesquisa. Aos amigos que fiz
durante essa trajetória acadêmica e que vão ficar por toda a vida: Alessandra
Simões Paiva, Emerson César Nascimento, Thais Fernanda Hayek, Tatiana
Zifchack, e todos os colegas de mestrado. Aos amigos de sempre: Yacy-Ara
Froner, Dong Ho Yi, Sílvia e Glaydson, Patrícia Araújo-Cabe, Renata Ramos,
Riciele Pombo, Marthayza, Maikon Rangel, Fernando Prata, e todos que sempre
estiveram ao meu lado para longas conversas.
Imerso no visível por seu corpo, embora ele próprio
visível, o vidente não se apropria daquilo que vê:
se aproxima dele pelo olhar, abre-se para o mundo.
E, por seu lado, esse mundo, de que ele faz parte,
não é em si ou matéria. Meu movimento não é uma
decisão de espírito, um fazer absoluto, que no fundo
do retiro subjetivo, decretasse alguma mudança de
lugar miraculosamente executada na extensão. Ele
é a seqüência natural e o amadurecimento de uma
visão. De uma coisa digo que ela é movida, porém
meu corpo, este, se move, meu movimento se
desdobra. Ele não esta na ignorância de si, não é
cego para si, irradia de um si.
(MERLEAU-PONTY, Maurice. 1966. p. 34.)
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo estudar o Mitos Vadios,
acontecido na Rua Augusta, na cidade de São Paulo, em
1978. Através dos documentos e imagens encontrados,
procura fazer uma reconstrução histórica do evento,
examinando algumas questões inerentes às artes visuais
brasileiras no final da década de 1970, considerando seus
movimentos anteriores e seus desdobramentos. Dessa forma,
busca compreender como os artistas participantes reuniram
suas vontades em detrimento de um objetivo: o do
exercício libertário da criatividade.
ABSTRACT
This paper aims to explore the Mitos Vadios, happened at
Augusta Street in the city of São Paulo in 1978. The
documents and pictures found, tries to do a historical
reconstruction of the event, examining some issues inherent in
the brazilian visual arts at the end of the 1970s, considering
his past movements and its developments. Thus, seeking to
understand how the participating artists gathered their wills
over a single objective: the libertarian exercise of creativity.
LISTA DE IMAGENS
Imagem 1: Manifesto Fluxus. Disponível em:
http://www.artnotart.com/fluxus/gmaciunas-manifesto.html.
Acesso em: 2008.
Imagem 2: Hélio Oiticica, Tropicália, Penetráveis PN2 e PN3, 1967. Disponível
em:
<www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo4/g4/images/tropi
calia_oiticica.jpg.>. Acesso em: 2008.
Imagem 3: Flávio de Carvalho: Bailado do Deus Morto, 1933, CAM. Disponível
em: <http://www.niteroiartes.com.br/cursos/la_e_ca/modulos3.html>. Acesso em:
2007.
Imagem 4: Flávio de Carvalho. Experiência nº3. New Look. 1956. Disponível em:
<http://www.niteroiartes.com.br/cursos/laeca/modulos3.htmll>. Acesso em: 2007.
Imagem 5: Max Bill. Unidade Tripartida, 1948. Disponível em:
<www.bbc.co.uk/.../gallery/2/brazil/6.jpg>. Acesso em 2008.
Imagem 6: Hélio Oiticica: Nildo da Mangueira vestido Parangolé P4 Capa 1.
Disponível em:
<http://www.digestivocultural.com/colunistas/imprimir.asp?codigo=856>. Acesso
em: 2007
Imagem 7: Jornal Rex Time. Disponível em:
<http://www.mac.usp.br/projetos/seculoxx/modulo4/rex/intro.html> . Acesso em :
2007.
Imagem 8: Artur Barrio. Situação T/T,1. Trouxas ensangüentadas. Disponível em:
<http://www.artenauniversidade.ufpr.br/muvi/artistas/a/artur_barrio/artur_barrio.htm
>. Acesso em: 2007
Imagem 9: Imagem da organização dos recortes de jornais, na residência do
artista Ivald Granato. Reprodução Fotográfica: Arethusa de Paula, 2006.
Imagem 10: Cartaz anunciando o Mitos Vadios. Disponível em: <
http://www.ivaldgranato.com.br/>. Acesso em: fevereiro de 2008.
Imagem 11: Carta de Hélio Oiticica comunicando novas adesões ao Mitos Vadios.
Arquivo Pessoal Ivald Granato. Reprodução Fotográfica: Arethusa de Paula, 2008.
Imagem 12: Carta de Ivald Granato para Hélio Oiticica. Disponível em: <
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia/ho/index.cfm?fuseaction=
documentos&cd_verbete=4523&cod=470&tipo=2>. Acesso em: fevereiro, 2008.
Imagem 13: Carta de Olney Krüse para Ivald Granato informando de sua
participação em Mitos Vadios. Arquivo pessoal Ivald Granato. Reprodução
fotográfica: Arethusa de Paula.
Imagem 14: Carta de Ivald Granato para Hélio Oiticica: <
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia/ho/index.cfm?fuseaction=
documentos&cd_verbete=4523&cod=470&tipo=2>. Acesso em: fevereiro, 2008.
Imagem 15: Release entregue aos jornais comunicando a apresentação de Lygia
Pape, Hélio Oiticica e Ivald Granato. Arquivo pessoal Ivald Granato. Reprodução
fotográfica: Arethusa de Paula.
Imagem 16: Lygia Pape e Ivald Granato. Chegada em Mitos Vadios. Arquivo
pessoal Ivald Granato. Reprodução fotográfica: Lóris Machado,1978.
Imagem 17: Ivald Granato e Lygia Pape em Mitos Vadios. Disponível em:<
http://solonribeiro.multiply.com/photos/album/3> Acesso em 2006.
Imagem 18: Alfredo Portillos na Barraquinha de suspiros de Regina Vater em
Mitos Vadios. Arquivo pessoal Ivald Granato. Reprodução fotográfica: Lóris
Machado, 1978.
Imagem 19: Viajou Sem Passaporte: Disponível em<
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia/ho/index.cfm?fuseaction=
documentos&cd_verbete=4523&cod=165&tipo=2> Acesso em: fevereiro de 2008.
Imagem 20: Ubirajara Ribeiro, Cartaz. Arquivo pessoal Ivald Granato. Reprodução
fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 21: Ubirajara Ribeiro, Tiro ao Alvo. Arquivo pessoal Ivald Granato.
Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 22: José Roberto Aguilar e Nelson Jacobine, Performance. Arquivo
pessoal Ivald Granato. Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 23: José Roberto Aguilar, Omissão Cultural. Arquivo pessoal Ivald
Granato. Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 24: Performance de Maria Lúcia Cortez sobre a obra de Olney Krüse.
Arquivo pessoal Ivald Granato. Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 25: Anna Maria Maiolino, Estado escatológico. Arquivo pessoal Ivald
Granato. Reprodução fotográfica: Lóris Machado.
Imagem 26: Anna Maria Maiolino, Monumento à fome. Arquivo pessoal Ivald
Granato. Reprodução fotográfica: Lóris Machado.
Imagem 27: Regina Vater: Barraquinha de suspiros. Disponível em:<
http://solonribeiro.multiply.com/photos/album/3/MITOS_VADIOS#53.jpg>. Acesso
em: fevereiro de 2008
Imagem 28: Genilson Soares em Mitos Vadios. Imagem cedida pelo artista.
Imagem 29: Genilson Soares, Mudanças Capitais, 1978. Imagem cedida pelo
artista. Arquivo pessoal.
Imagem 30: Gabriel Borba, My name is not Ivald Granato. Arquivo pessoal Ivald
Grananto. Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 31: Helio Oiticica, Delirium Ambulatorium. Disponível em <
http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp256.asp> Acesso em: out. 2006.
Imagem 32: Marcelo Kahns em Mitos Vadios. Arquivo pessoal Ivald Granato.
Reprodução fotográfica: Lóris Machado,1978.
Imagem 33: Público em Mitos Vadios. Arquivo pessoal Ivald Granato. Reprodução
Fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 34: Ivald Granato. Is my name Woody Allen ?, 1978. Disponível em:
http://www.ivaldgranato.com.br/. Acesso em: 2008.
Imagem 35: Casamento de Ivald Granato e Heloísa Soares. 1970. Arquivo
Pessoal: Ivald Granato.
Imagem 36: Público em Mitos Vadios. Em destaque o trabalho de Cláudio Tozzi.
Arquivo Ivald Granato. Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 34: Doracy Girrulat montando seu trabalho. Aquivo pessoal Ivald
Granato. Reprodução fotográfica: Lóris Machado,1978.
Imagem 35: Mauricio Friedman em Mitos Vadios. Arquivo pessoal Ivald Granato.
Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 36: Grupo Viajou sem Passaporte. Arquivo pessoal Ivald Granato.
Reprodução fotográfica: Lóris Machado.
Imagem 37: Grupo Viajou sem Passaporte. Arquivo pessoal Ivald Granato.
Reprodução fotográfica: Lóris Machado.
Imagem 38: Márcia Rothstein em Mitos Vadios. Arquivo pessoal Ivald Granato.
Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 39: Apresentação de Lygia Pape e Ivald Granato. Arquivo pessoal Ivald
Granato. Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 40: Carta-resposta de Lygia Pape para Ivald Granato. Arquivo pessoal
Ivald Granato. Reprodução fotográfica: Arethusa de Paula.
Imagem 41: Lygia Pape em Mitos Vadios. Aquivo Pessoal: Ivald Granato.
Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 42: Lygia Pape e as “rolling stones”. Arquivo pessoal Ivald Granato.
Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 43: Hélio Oiticica, Delirium Ambulatorium. Arquivo pessoal Ivald Granato.
Reprodução fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 44: Detalhe do trabalho de Maurício Friedman em Mitos Vadios. Arquivo
pessoal Ivald Granato. Reprodução Fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 45: Panfletos jogados no chão do estacionamento em Mitos Vadios.
Arquivo pessoal Ivald Granato. Reprodução Fotográfica: Lóris Machado, 1978.
Imagem 46: Imagem do painel de fotografias organizado por Ivald Granato.
Arquivo pessoal Ivald Granato. Reprodução Fotográfica: Arethusa de Paula.
Imagem 47: Público em Mitos Vadios. Arquivo pessoal Ivald Granato. Reprodução
Fotográfica: Lóris Machado, 1978.
SUMÁRIO
Resumo......................................................................................................... 6
Abstract......................................................................................................... 7
Lista de Imagens.......................................................................................... 8
Introdução .................................................................................................... 14
Capítulo I
Arte de ação: um lugar de transformação na arte brasileira...................
24
1.1. Brasil: contexto cultural e político das décadas de 1960 e1970........... 25
1.2. Flávio de Carvalho: as primeiras experiências...................................... 32
1.3. Neoconcretismo: o surgimento efetivo do experimentalismo na arte
brasileira.........................................................................................................
36
1.4. Opinião 65 : Os Parangolés de Hélio Oiticica....................................... 40
1.5. Grupo Rex............................................................................................. 43
1.6. Do Corpo à Terra.................................................................................. 46
1.7. Jovem Arte Contemporânea................................................................. 48
1.8. I Bienal Latino Americana..................................................................... 51
Capítulo II
A alternativa de uma arte vadia: a base de um mito.................................
57
Capítulo III
O vadio e o seu mito....................................................................................
92
Conclusão ou Considerações Contínuas.................................................. 120
Referências Bibliográficas.......................................................................... 124
Introdução
Numa manhã de novembro de 1978, exatamente no dia 12, acontecia na
Rua Augusta, uma das mais elegantes da cidade de São Paulo, um encontro de
artistas, famosos e desconhecidos, em que a liberdade de criação era o seu norte,
e a participação do público um dos principais objetivos.
Era realizado o Mitos Vadios, organizado pelo artista plástico Ivald Granato
(1949-), bastante conhecido por suas pinturas e performances, e que através de
uma grande divulgação, tanto pela imprensa, quanto pela panfletagem a
exemplo dos “santinhos” políticos transformou um estacionamento daquela rua
num grande espaço de criação e apresentação de trabalhos, numa verdadeira
festa de liberdade criativa.
A presente dissertação tem por escopo estudar esse acontecimento,
examinando algumas questões que balizam as artes visuais brasileiras no final da
década de 1970, considerando seus movimentos anteriores e seus
desdobramentos.
Através de um levantamento bibliográfico e da busca de fontes primárias,
como jornais, fotografias e entrevistas com alguns artistas participantes, será
possível traçar um panorama de como aconteceu o Mitos Vadios.
Observando-se o contexto histórico que esse acontecimento se situa, tem-
se que o Brasil de 1978 ainda vivia sob a vigência do Ato Institucional nº 5
(mesmo este apresentando sinais de sua revogação), implantado pelo Regime
Militar que tomou o poder através de um golpe no ano de 1964. A vida cultural
naquele momento era regida pela censura, que dizia o que seria apreciado ou não
pelo público em todas as instâncias culturais, além de restringir diversos direitos
individuais, como a liberdade de expressão, por exemplo.
Na mesma época acontecia a I Bienal Latino-americana em São Paulo, no
Parque do Ibirapuera, entre os dias 2 de novembro a 17 de dezembro. Visava
estudar as manifestações artísticas da América Latina, bem como discutir essa
produção dentro do seu contexto cultural e social, além de estabelecer uma
aproximação entre pesquisadores e os artistas participantes.
O Mitos Vadios, caracterizado muitas vezes por seu organizador como um
happening, dialoga com a produção plástica internacional, e por isso é
interessante introduzir um breve comentário das diversas transformações que
ocorreram nas artes visuais internacionais após a Segunda Guerra Mundial.
Desde o Modernismo, inúmeros movimentos surgiram no cenário artístico
internacional. A partir da década 1950, a abstração como forma de expressão
ganha terreno, e Nova Iorque se destaca no final da década de 1940 como
grande centro propulsor de arte. Em fins da década de 1950 e início de 1960, as
novas figurações encontram seu espaço, trazendo a vida cotidiana, agora
influenciada pela indústria de massa, para as galerias. Dentro desses movimentos
destacam-se a Pop Arte e o Novo Realismo europeu.
Tais pesquisas, tanto as abstratas, quanto às novas figurações, vão abrir
espaço para o surgimento de diversas experimentações e movimentos, como a
Arte Conceitual, a Arte Povera, Minimal Art, Land Art, Enviroment Art, Body Art e
linguagens como os Happenings e Performances, entre outras manifestações.
Enfim, surgia toda uma gama de movimentos que buscavam interagir a arte e a
vida, ora de modo lúdico, ora chocante, discutindo o papel dos artistas perante o
cotidiano, o mercado de arte e seus espaços institucionalizados. De acordo com
Walter Zanini:
(...) Tal busca de respiração num mundo cada vez mais globalizado,
afirmar-se-ia nos espaços depois abertos à arte conceitual, à linguagem
das novas mídias, aos processos, em suma, de desmaterialização da
arte. Introduzidas, as novas figurações ganharam aspectos múltiplos
com uma parte significativa de artistas que interacionada às questões do
social e, em particular, procurando responder, como instrumento de
resistência e denuncia às contingências políticas. Para outros,
entretanto, a expressão poética não deveria prestar-se a delimitações ou
condicionamentos ideológicos
1
.
Neste contexto, surge o que se convencionou a chamar de arte de ação
2
,
ou action art. Com raízes nas apresentações dadaístas e surrealistas, que
procuravam de maneira imprevisível, e muitas vezes sem nenhuma elaboração
1
ZANINI, Walter. Duas décadas difíceis: 60 e 70. In: Bienal Brasil Século XX. São Paulo: Fundação Bienal
de São Paulo, 1994. p.306.
2
CHIARELLI, Tadeu. Flávio de Carvalho: questões sobre sua arte de ação. In: Flávio de Carvalho: 100 anos
de um revolucionário romântico. Catálogo de Exposição: Centro Cultural Banco do Brasil, 1999, p.53.
prévia, despertar sentimentos no público, esta linguagem surge com maior força
nas décadas de 1960 e 1970. De acordo com Kristine Stiles, que explica o
surgimento do termo Action Art:
This very term art and culture exhibits the relationality of art to
something else, just as such phrases as ‘art and politics’, art and
technology’, ‘art and life’, disclose how art cannot be without an other to
which it cleaves. To cleave to is not the same as to become one with. The
unique aspect of action art is that, when the body is used in action, it
exemplifies the means by which all art is relational with the world.
Moreover, action in art draws viewers closer to the fact that it is the body
itself that produces objects and that such an art is a unique vehicle
enabling perception and contemplation of the truth that the ‘made object [is]
a projection of the human body’. Action art makes palpable this projection
between objects and subjects. By showing the myriad ways the action itself
couples the conceptual to the physical, the emotional to the psychological
to the social, the sexual to the cultural, and so on, action art makes evident
the all-too-often-forgotten interdependence of human subjects of people
one to another. The body is the medium of the Real,