
Há, neste período, uma intensa discussão sobre os métodos de ensino da
época, culminando, em 1932, no manifesto dos pioneiros da educação nova
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. E
nesse contexto é importante salientar como se constituiu o desenvolvimento
acadêmico de Milton Santos e muitas das dificuldades e influências por ele sofridas
ao longo de sua obra.
Para manter o compromisso em desvelar as contradições, o movimento da
história e análise crítica dos conceitos estudados, buscamos desenvolver esta
pesquisa baseada nos pressupostos teóricos e metodológicos dos fundamentos do
materialismo histórico e dialético (MARX, 1989, p. 29).
Em Teses sobre Feuerbach, exposta na obra Ideologia Alemã, Marx e Engels
explicam as dificuldades da concepção materialista da realidade e dão indícios do
que seria a concepção materialista histórica e dialética.
[...] O principal defeito de todo materialismo até aqui (incluindo o de
Feuerbach) consiste em que o objeto, a realidade, a sensibilidade, só
é apreendido sob a forma de objeto ou de intuição, mas não como
atividade humana sensível, como práxis, não subjetivamente. Eis
porque em oposição ao materialismo, o aspecto ativo foi
desenvolvido de maneira abstrata pelo idealismo, que, naturalmente,
desconhece a atividade real, sensível, como tal (MARX; ENGELS,
1977, p. 11).
É necessário, portanto, apreender a própria atividade humana como atividade
objetiva, com categorias de análise como a ideologia, totalidade, contradição,
mediação, entre outras, opondo-se a uma concepção linear, a-histórica, harmônica e
idealista. Frigotto em “O enfoque da dialética materialista histórica na pesquisa
educacional” (2001) alerta para uma concepção que se caracteriza por uma postura,
um método e uma práxis. Uma postura remeteria a uma filosofia, uma concepção de
realidade, de mundo, antecedendo nesse sentido o método, “[...] funda-se na
questão de que o pensamento, as ideias são o reflexo, no plano nervoso superior,
das realidades e leis dos processos que se passam no mundo exterior” (FRIGOTTO,
2001, p. 42).
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Manifesto realizado no Brasil, liderado por Fernando de Azevedo, Lourenço Filho e Anísio Teixeira
sob a influência de intelectuais como Jean- Jacques Rousseau, Heinrich Pestalozzi, Freidrich Fröebel
e John Dewey. Este manifesto torna-se uma divisão entre educadores conservadores e os
progressistas que defendiam a escola nova. Contra as práticas pedagógicas antigas, tidas como
tradicionais, priorizava uma educação que ampliasse o acesso de todos à escola, propondo que ela
fosse pública, universal, obrigatória, gratuita e laica.