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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGROECOSSISTEMAS
MICROPROPAGAÇÃO, TEOR E CONSTITUIÇÃO
QUÍMICA DO ÓLEO ESSENCIAL DE GERÂNIO
(Pelargonium graveolens L.)
SÍLVIA ÁVILA DE ALMEIDA
2009
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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGROECOSSISTEMAS
SÍLVIA ÁVILA DE ALMEIDA
MICROPROPAGAÇÃO, TEOR E CONSTITUIÇÃO
QUÍMICA DO ÓLEO ESSENCIAL DE GERÂNIO
(Pelargonium graveolens L.)
Dissertação apresentada à Universidade
Federal de Sergipe, como parte das
exigências do Curso de Mestrado em
Agroecossistemas, área de concentração
Sustentabilidade de Agroecossistemas,
para obtenção do título de Mestre.
Orientadora
Prof
a
. Dr
a
. Maria de Fátima Arrigoni-Blank
SÃO CRISTÓVÃO
SERGIPE-BRASIL
2009
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FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
A447m
Almeida, Sílvia Ávila de
Micropropagação, teor e constituição química do óleo essencial de
grânio (pelargonium graveolens L.) / Sílvia Ávila de Almeida. São
Cristóvão, 2009.
66 f. : il.
Dissertação (Mestrado em Agroecossistemas) Universidade
Federal de Sergipe, 2009.
Orientador: Profª. Drª. Maria de Fátima Arrigoni Blank
1. Agroecossistemas. 2. Óleos essenciais. 3. Pelargonium graveolens
L. - Gerânio. 4. Biodiversidade. 5. Reguladores de crescimento. I.
Título.
CDU 665.528
SÍLVIA ÁVILA DE ALMEIDA
MICROPROPAGAÇÃO, TEOR E CONSTITUIÇÃO QUÍMICA DO ÓLEO
ESSENCIAL DE GERÂNIO (Pelargonium graveolens L.)
Dissertação apresentada à Universidade
Federal de Sergipe, como parte das
exigências do Curso de Mestrado em
Agroecossistemas, área de concentração
Sustentabilidade de Agroecossistemas,
para obtenção do título de Mestre.
APROVADA em 26 de junho de 2009.
Prof. Dr. Arie Fitzgerald Blank
UFS
Prof. Dr. José Magno Queiroz Luz
UFU
Prof
a
. Dr
a
. Maria de Fátima Arrigoni-Blank
UFS
(orientadora)
SÃO CRISTÓVÃO
SERGIPE - BRASIL
Aos meus pais e ao meu
irmão, que sempre me
apoiaram.
DEDICO
AGRADECIMENTOS
A Deus, Inteligência Suprema e Pai de infinita bondade, pelo dom da vida.
Aos meus queridos pais, Pedro e Sueli, pelo carinho, apoio e dedicação
incondicionais. Ao meu irmão querido, Pedro Júnior (Juninho), por estar sempre ao meu
lado, até nas horas de estresse.
À Universidade Federal de Sergipe (UFS) que, por meio do Mestrado em
Agroecossistemas, propiciou a concretização dessa etapa na minha vida.
Ao CNPq, pela bolsa a mim concedida.
À minha orientadora, Prof
a
. Dr
a
. Maria de Fátima Arrigoni-Blank, pela
orientação e confiança em mim depositada.
Ao Prof
o
. Dr. Arie Fitzgerald Blank, pela colaboração.
Aos professores do Curso de Mestrado em Agroecossistemas, pelos
ensinamentos e troca de experiências.
À Elienai e Euvilásia, por todo o apoio e suporte dispensados a mim.
À Eric, pelo carinho e compreensão.
À amiga Aline Borba, por me escutar nos momentos mais complicados e por me
incentivar sempre.
Aos colegas do Laboratório de Cultura de Tecidos e Melhoramento Vegetal,
pela boa convivência e troca de experiências.
Aos colegas de mestrado, pelas opiniões e ajudas sempre bem-vindas.
Enfim, a todos aqueles que estiveram comigo nessa jornada!!!
SUMÁRIO
Página
RESUMO ................................................................................................................... i
ABSTRACT .............................................................................................................. ii
CAPÍTULO I .............................................................................................................. 1
1. Introdução Geral ..................................................................................................... 1
2. Referencial Teórico ................................................................................................. 2
2.1. A biodiversidade e os agroecossistemas ............................................................... 2
2.2. Origem, botânica e usos de Pelargonium graveolens L. ........................................ 3
2.3. Cultura de tecidos ................................................................................................. 5
2.3.1. Propagação in vitro ............................................................................................ 6
2.3.1.1. Contaminação in vitro .................................................................................... 7
2.3.1.2. Multiplicação in vitro ..................................................................................... 8
2.3.1.3. Aclimatização ................................................................................................. 9
2.4. Óleo essencial ...................................................................................................... 10
2.4.1.Óleo essencial de gerânio ................................................................................... 12
3. Referências Bibliográficas ...................................................................................... 13
CAPÍTULO II: Estabelecimento e multiplicação in vitro de gerânio
(Pelargonium graveolens L.)....................................................................................... 21
1. Resumo .................................................................................................................. 21
2. Abstract ................................................................................................................. 22
3. Introdução .............................................................................................................. 23
4. Material e Métodos ................................................................................................ 24
4.1. Obtenção dos explantes e local ............................................................................. 24
4.2. Condições de cultivo ............................................................................................ 24
4.3. Efeito de concentrações de hipoclorito de sódio, tempos de imersão e
tratamentos na planta matriz no estabelecimento in vitro de P. graveolens .................. 25
4.4. Efeito de concentrações de cloreto de mercúrio, tempos de imersão e
tratamento na planta matriz no estabelecimento in vitro de P. graveolens .................... 25
4.5. Efeito de diferentes explantes e concentrações de sais do meio MS no
estabelecimento in vitro de gerânio ............................................................................. 26
4.6. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento 6-
benzilaminopurina (BAP) e ácido naftalenoacético (ANA).......................................... 26
4.7. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento cinetina e ANA ............ 27
4.8. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento BAP e ácido
indol acético (AIA) ..................................................................................................... 27
4.9. Análise estatística ................................................................................................. 27
5. Resultados e Discussão .......................................................................................... 28
5.1. Efeito de concentrações de hipoclorito de sódio, tempos de imersão e
tratamentos na planta matriz no estabelecimento in vitro de P. graveolens .................. 28
5.2. Efeito de concentrações de cloreto de mercúrio, tempos de imersão e
tratamento na planta matriz no estabelecimento in vitro de P. graveolens .................... 30
5.3. Efeito de diferentes explantes e concentrações de sais do meio MS no
estabelecimento in vitro de gerânio ............................................................................. 32
5.4. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento 6-
benzilaminopurina (BAP) e ácido naftalenoacético (ANA).......................................... 34
5.5. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento cinetina e ANA ............ 36
5.6. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento BAP e ácido
indol acético (AIA) ..................................................................................................... 38
6. Conclusões ............................................................................................................. 44
7. Referências Bibliográficas ...................................................................................... 44
CAPÍTULO III: Aclimatização, teor e constituição química do óleo essencial de
gerânio (Pelargonium graveolens L.) ......................................................................... 48
1. Resumo .................................................................................................................. 48
2. Abstract ................................................................................................................. 49
3. Introdução .............................................................................................................. 50
4. Material e Métodos ................................................................................................ 51
4.1. Local .................................................................................................................... 51
4.2. Aclimatização de mudas micropropagadas ........................................................... 51
4.3. Plantio em campo ................................................................................................. 52
4.4. Extração, teor e análise química do óleo essencial ................................................ 52
4.5. Análise estatística ................................................................................................. 53
5. Resultados e Discussão .......................................................................................... 53
5.1. Aclimatização de mudas micropropagadas ........................................................... 53
5.2. Extração, teor e análise química do óleo essencial ................................................ 55
6. Conclusão .............................................................................................................. 57
7. Referências Bibliográficas ...................................................................................... 57
ANEXOS .................................................................................................................... 60
RESUMO
ALMEIDA, Sílvia Ávila de. Micropropagação, teor e constituição química do óleo
essencial de gerânio (Pelargonium graveolens L.). 2009. 66p. (Dissertação Mestrado
em Agroecossistemas). Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE.
Muitas espécies vegetais sintetizam e acumulam substâncias orgânicas, tais como os
óleos essenciais, que podem se tornar alternativa de renda para muitos agricultores. O
Pelargonium graveolens L. é uma espécie aromática nativa da África do Sul,
popularmente conhecida como gerânio. Seu óleo essencial é amplamente empregado em
indústrias de perfumes, cosméticos e fragrâncias, além da aromaterapia. Os métodos
convencionais de propagação vegetativa do gerânio não apresentam sucesso
considerável, o que tem dificultado a produção de mudas em larga escala. Dessa forma,
é importante buscar técnicas alternativas de propagação, como a micropropagação,
dessa espécie comercialmente importante. Os objetivos do presente trabalho foram
estabelecer um protocolo de micropropagação e aclimatização da espécie, além de
verificar o teor e a composição química do seu óleo essencial. Foi utilizado o
delineamento inteiramente casualizado. Nos ensaios de micropropagação foram testadas
diferentes concentrações e tempos de imersão de hipoclorito de sódio e cloreto de
mercúrio, diferentes tipos de explantes e concentrações de sais MS, além de testar os
reguladores de crescimento BAP, ANA, cinetina e AIA em diferentes concentrações na
ausência e presença de luz. Para o ensaio de aclimatização foram testados diferentes
substratos. Por fim, para a análise do óleo essencial foram utilizadas plantas propagadas
através da estaquia e micropropagadas. O hipoclorito de sódio a 1,2% por 12 minutos
pode ser usado na desinfestação dos explantes de gerânio, assim como o cloreto de
mercúrio nas concentrações de 0,09 e 0,08% por 12 e 14 minutos, respectivamente. O
explante foliar é o mais eficiente para a micropropagação em meio MS com 39,8% dos
sais. Para a multiplicação in vitro o uso de BAP e AIA proporciona os melhores
resultados para a regeneração e para o número de brotos por explante e na aclimatização
pode-se usar os substratos vermiculita com adição semanal de sais MS, de coco +
Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) + calcário (1 g.L
-1
) e de coco + Biosafra
®
(3-12-6) (12
g.L
-1
) + calcário (1 g.L
-1
) + vermiculita (1:1). Há diferença no teor e composição
química do óleo de gerânio proveniente de plantas propagadas por estaquia e
micropropagadas.
Palavras-chave: Pelargonium graveolens, cultura de tecidos, reguladores de
crescimento, substratos, óleo essencial.
___________________
Comitê Orientador: Maria de Fátima Arrigoni-Blank - UFS (Orientadora), Arie
Fitzgerald Blank UFS (Co-orientador).
ii
ABSTRACT
ALMEIDA, Sílvia Ávila de. Micropropagation, essential oil content and chemical
composition of geranium (Pelargonium graveolens L.). 2009. 66p. (Dissertation
Master Program in Agroecosystems). Federal University of Sergipe, São Cristóvão, SE.
A lot of vegetable species synthesize and accumulate organic substances, such as
essential oils, that can be turned in alternative income for rural producers. Pelargonium
graveolens L. is a native aromatic species from South Africa, commonly known as
geranium. Its essential oil is largely used in perfume, cosmetics and fragrances
industries, besides the aromatherapy. The conventional vegetative propagation methods
of geranium do not present considerable success, which difficult the production of
transplants in large scale. This way it is important to look for alternative production
techniques, such as micropropagation, for this commercially important species. The
aims of this work were to establish a protocol for micropopagation and acclimatization
of geranium, besides investigating of essential oil content and chemical composition.
The completely randomized design was used. For the micropropagation assays were
tested different concentrations and immersion times of sodium hypochlorite and
mercury chloride, different types of explants and MS salts concentrations, besides
testing different concentrations of the plant growth regulators BAP, NAA, kinetin and
IAA at presence and absence of light. For the acclimatization assay different substrates
were tested. To analyze the essential oil we use plants propagated by rooting of cuttings
and by micropropagation. Sodium hypochlorite at 1.2% for 12 minutes can be used for
disinfestation of geranium explants, as well as mercury chloride at 0.09 and 0.08% for
12 and 14 minutes, respectively. The leaf explant is more effective for geranium
micropropagation using MS medium with 39.8% of its salts. BAP and IAA
proportionate the best results for in vitro multiplication and regeneration and number of
shoots per explant. For acclimatization the substrates vermiculite and weekly addition
of solution with salts of MS medium, coconut dust + Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) +
lime stone (1 g.L
-1
) and coconut dust + Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) + lime stone (1
g.L
-1
) + vermiculite (1:1) can be used. There is a difference in geranium essential oil
content and chemical composition between plants obtained from rooted cuttings and
micropropagation.
Keywords: Pelargonium graveolens, tissue culture, growth regulators, substrates,
essential oil.
____________________
Guidance Committee: Maria de Fátima Arrigoni-Blank - UFS (Adviser), Arie Fitzgerald
Blank UFS (Co- Adviser).
1
CAPÍTULO I
1. INTRODUÇÃO GERAL
Durante milhares de anos, o conhecimento do homem acerca das plantas era
apenas de natureza prática e limitado a uma quantidade, relativamente pequena, de
espécies. Conhecia apenas as plantas úteis, valorizadas pelas suas virtudes curativas,
pelas fibras que delas extraía ou pelo alimento que lhe propiciava. Mas, com o passar do
tempo, os conhecimentos foram se aprimorando e o homem passou a utilizar as plantas
mais racionalmente, de forma a usufruir melhor as potencialidades das espécies
vegetais.
As plantas são uma fonte valiosa de compostos químicos. Muitas espécies
vegetais sintetizam e acumulam substâncias orgânicas em quantidades suficientes para
uso econômico. Dentre essas substâncias estão os óleos essenciais, que podem se tornar
alternativa de renda para muitos agricultores, ainda mais quando obtém produtos com
valor agregado. A fonte de renda extra pode ser alcançada com a venda desses óleos
para a indústria farmacêutica, de perfumaria, alimentícia e de agronegócio.
Pelargonium graveolens L. (Geraniaceae) é uma espécie aromática nativa da
África do Sul, popularmente conhecida como gerânio (SIMON, 1984). Por apresentar-
se estável em meio alcalino, o óleo de gerânio é ideal para perfumar sabonetes, sendo
extensivamente aplicado nas instrias de perfumes, cosméticos e fragrâncias e na
aromaterapia, além de ser usado para o preparo do composto comercial rodinol
(geraniol + citronelol + linalol) (BABU e KAUL, 2005). O óleo de gerânio é
amplamente apreciado em diversos países, de forma que na Índia, por exemplo, a
demanda excede a produção no país (RAO, 2002). Esse óleo está entre os óleos
essenciais importados pelo Brasil para abastecer o mercado interno, num volume de
cerca de 5 t/ano (BRASIL, 2007).
Segundo Charlwood e Lis-Balchin (2002), a propagação de espécies do gênero
Pelargonium com propósito comercial tem sido um problema devido a escassa
produção de sementes e doenças, além de outras particularidades. A propagação por
meio de estaquia não apresenta, até o momento, sucesso considerável, o que tem
dificultado a produção de mudas em larga escala. Dessa forma, torna-se necessário
buscar técnicas alternativas de propagação, como a micropropagação, com o intuito de
se obter uma maior produtividade dessas espécies comercialmente importantes.
2
Algumas espécies diferentes de Pelargonium já foram micropropagadas,
principalmente ornamentais, com o intuito de produção massal para as principais
colheitas de „gerânios‟ (CHARLWOOD e LIS-BALCHIN, 2002). Diante do exposto, o
objetivo desse trabalho foi estabelecer um protocolo de micropropagação e
aclimatização de gerânio visando à produção de seu óleo essencial.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. A biodiversidade e os agroecossistemas
A biodiversidade está relacionada com a diversidade dos seres vivos e dos
ecossistemas e é representada pala diversidade genética, diversidade de espécies e
diversidade de habitats (RICKLEFS, 2003). Essa diversidade é elemento essencial para
o equilíbrio ambiental planetário, capacitando os ecossistemas a reagirem melhor às
alterações sobre o meio ambiente causadas por fatores naturais e sociais. A
biodiversidade oferece também condições para que a própria humanidade adapte-se às
mudanças operadas em seus meios sico e social e disponha de recursos que atendam
suas demandas e necessidades. Historicamente, dentre as áreas de aproveitamento de
recursos genéticos e biológicos, destacam-se a alimentação, a agricultura e a medicina,
dentre outras aplicações (ALBAGLI, 1998).
Desde os primórdios, o ser humano interage com a natureza, provocando
profundas transformações no meio ambiente. A necessidade de produção de fibras,
alimentos e riquezas levaram o homem ao aperfeiçoamento do instrumental de
intervenção e modificação das condições ambientais.
No Brasil, os sistemas agrícolas desenvolveram-se não por meio da expansão
agrícola como também através de ganhos de produtividade (MARQUES, 2001). Isso se
deu pela incorporação, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, de um
conjunto de tecnologias ditas avançadas” ou “modernas” (PAULUS e
SCHLINDWEIN, 2001). A incorporação dessas tecnologias vem provocando, desde o
final da década de 60, uma série de impactos nos agroecossistemas (MARQUES, 2001).
Um agroecossistema é considerado produtivo e saudável quando apresenta um
equilíbrio entre plantas, solos, nutrientes, luz solar, umidade e outros organismos
coexistentes, de forma que o sistema permaneça resiliente de modo a tolerar estresses e
adversidades (FIGUEIREDO, 2002). Além dos aspectos ambientais, sabe-se que os
3
agroecossistemas envolvem também processos sociais, sendo a agricultura o resultado
da co-evolução de sistemas naturais e sociais (AQUINO e ASSIS, 2007). No entanto, o
que se vê é a manutenção de um sistema potico-social que pode perpetuar situações de
distribuição e utilização dos recursos profundamente desiguais (LUCON, 2004).
Nesse contexto, a idéia de agricultura sustentável é amplamente difundida e, de
acordo com a AGENDA 21, isso é um reflexo da insatisfação com o status quo da
agricultura moderna. Indica o desejo social de se adotar práticas que, simultaneamente,
conservem os recursos naturais e forneçam produtos mais saudáveis. Reforçando,
Marzall (2007) afirma que a sustentabilidade nos agroecossistemas pode ser
alcançada se houver interação entre os diversos fatores de natureza social, econômica e
ambiental.
Desta forma, o modelo de uma agricultura sustentável busca resgatar o homem, o
meio ambiente e o contexto sócio-econômico da realidade rural local, (re) criando um
espaço agrícola diversificado que explore a biodiversidade do meio, usando tecnologias
adaptadas ecológica, econômica e socialmente (CARRIERI, 1997).
É importante que se invista em conhecimento científico e tecnológico que
permita desenvolver sistemas de produção inovadores voltados para o aumento da
produtividade dos recursos naturais, a fim de garantir a sustentabilidade do ambiente e
da estrutura produtiva (SOUZA, 2007). Dentre as mais diversas tecnologias está a
biotecnologia, que, nos últimos anos, tem sido considerada uma área tecnológica com
grandes perspectivas de crescimento e uma solução para diversos problemas, inclusive
no setor agrícola.
Algumas espécies, como o gerânio, apresentam problemas com os métodos
convencionais de propagação, como a propagação por estaquia. Daí surge a necessidade
de buscar técnicas alternativas, como a cultura de tecidos, que, por meio da
micropropagação, permite uma produção rápida de mudas e com ótima qualidade
fitossanitária, o que se torna extremamente importante quando se trata de espécies
comercialmente valorizadas.
2.2. Origem, botânica e usos de Pelargonium graveolens L.
Gerânio é o nome genérico dado às espécies do gênero Pelargonium,
pertencente à família Geraniaceae, que possui cerca de 280 espécies disseminadas pela
Europa, Ásia, América do Norte e África, sendo as mais exploradas por suas
4
propriedades aromáticas o P. odoratissimim, P. roseum, P. graveolens e P. capitatum
(MILLLER, 2002). É um gênero bem adaptado ao clima das regiões sul e sudeste do
Brasil e que, por apresentar alta capacidade de hibridização, grande parte do material
genético presente no Brasil é fruto de cruzamentos ocorridos naturalmente (MAY et al.,
2007).
Pelargonium graveolens L. é uma das muitas espécies aromáticas do gênero
Pelargonium usadas para extração do seu óleo essencial, sendo vulgarmente conhecida
como malva-rosa ou gerânio (SIMON, 1984) (Figura 1). Originária da África do Sul, é
uma espécie perene, robusta, subarbustiva, podendo chegar a 1,5 m de altura, muito
ramificada com caule pubescente (MILLER, 2002). Possui folhas simples, alternas,
palmatilobadas, com 3,5 ou 7 lóbulos recortados, verde-claras com nervuras salientes e
aromáticas (SIMON, 1984). As flores variam do rosa ao púrpuro claro, com
inflorescência contendo de 5 a 10 flores; as pétalas superiores são pequenas, com pontas
arredondadas ou recortadas, os estames possuem anteras pequenas que raramente
possuemlen (MILLER, 2002).
FIGURA 1. Gerânio (Pelargonium graveolens L.) cultivado em casa de vegetação
localizada no Departamento de Agronomia (UFS), município de São Cristóvão-SE,
2008.
5
Um bom desenvolvimento das plantas é obtido em solos bem drenados, rteis e
sob uma umidade relativa elevada. Embora as espécies sejam sensíveis elas possuem
certa tolerância ao frio e a seca, florescendo em condições ensolaradas, em clima
temperado e subtropical (SIMON, 1984).
O P. graveolens é usado, principalmente, para produção de óleos essenciais. Seu
aroma doce e quente, semelhante ao de pétalas de rosas é comercialmente conhecido
como óleo de gerânio e amplamente usado em sabonetes e nas indústrias de perfumaria
e cosméticos (SATYAKALA et al., 1995; SAXENA et. al., 2000; KO et al., 2007),
sendo também utilizado como terapêutico (aromaterapia) para combater problemas da
menopausa, de pele, tensão nervosa e ansiedade (RAO, 2002). Pode tamm ser usado
como aromatizante em produtos de fumo, em pastas de dente, pomadas e outras
preparações farmacêuticas (MISRA et al., 2005), além de apresentar atividade
antimicrobiana (SHIN, 2003).
2.3. Cultura de tecidos de plantas
A biotecnologia moderna inclui metodologias avançadas de genética, biologia
molecular, engenharia genética, cultura de células e tecidos, clonagem de espécies e
variedades biológicas, para fins produtivos (CARVALHO et al., 2006).
Na técnica de cultura de tecidos vegetais, pequenos fragmentos de tecido vivo,
chamados explantes, são isolados de um organismo vegetal ou obtidos a partir destes,
desinfestados e cultivados assepticamente, por períodos indefinidos em um meio de
cultura apropriado sob condições adequadas (ANDRADE, 2002; AMARAL e SILVA,
2003). Esta técnica se baseia principalmente na totipotencialidade das plantas, ou seja,
no potencial que todas as células vegetais vivas possuem de regenerar uma planta inteira
(RAVEN, 2001).
Existem inúmeras aplicações da técnica de cultura de tecidos. Segundo George
(1996), a cultura de tecidos além de permitir a propagação de espécies com problemas
de propagação sexuada, possibilita a obtenção de plantas isentas de virose e de clones
de genótipos mais produtivos, preservação e intercâmbio de germoplasma e estudos
envolvendo biologia molecular. no campo da pesquisa básica, a cultura de tecidos dá
suporte técnico a diversas áreas, como à bioquímica, à fisiologia vegetal, à citogenética
e à fitopatologia (CID, 2001).
6
Sem dúvida, a cultura de tecidos tem demonstrado grande importância prática e
potencial nas áreas agrícolas, florestal, na horticultura, floricultura, bem como na
pesquisa básica. A multiplicação in vitro de plantas de importância econômica, em larga
escala, tem resultado na instalação de verdadeiras “fábricas de plantas”, as chamadas
biofábricas comerciais, baseadas no princípio de linha de produção (WILLADINO e
CÂMARA, 2007).
2.3.1. Propagação in vitro
A propagação vegetativa in vitro, também denominada de micropropagação
devido ao tamanho dos propágulos utilizados, é a técnica de maior aplicabilidade da
cultura de tecidos e aquela de maior impacto, uma vez que proporciona obtenção de um
grande número de plantas com elevado vel qualitativo (GRATTAPAGLIA e
MACHADO, 1998), sendo apropriado para clonar indivíduos melhorados produzindo
progênies homogêneas, além de ser uma alternativa que possibilita a conservação do
material genético e favorece o melhoramento da espécie (LAMEIRA et. al., 2005).
Diferentes espécies e cultivares possuem características geticas próprias que
as fazem responder diferentemente ao cultivo in vitro. Segundo Pereira e Fortes (2001),
as diferenças na capacidade de regeneração e multiplicação podem ser explicadas pelo
tipo de explante utilizado. São comuns os efeitos da posição e da idade dos explantes
sobre a regeneração e multiplicação.
Grande parte dos trabalhos de regeneração de plantas do gênero Pelargonium foi
realizada a partir de explantes jovens, tais como hipocótilos (SENARATNA et al.,
1999) ou hipocótilo e cotilédones (MURTH et al., 1996), via embrionese somática.
Poucas informações estão disponíveis sobre organogênese e regeneração de plantas
usando explantes maduros (HASSANEIN e DORION, 2005). Trabalhando com
Pelargonium x hortorum, Agarwal e Ranu (2000), obtiveram uma alta habilidade de
regeneração de pecíolo foliar, enquanto que Hassanein e Dorion (2005), obtiveram
100% de regeneração direta em P. capitatum e P. graveolens utilizando segmento foliar
e meio MS (MURASHIGE e SKOOG, 1962) suplementado com 0,5 mg.L
-1
de ácido
naftalenoacético (ANA) em combinação com 1 mg.L
-1
de 6-benzilaminopurina (BAP) e
zeatina na ausência de luz.
Na micropropagação de Curcuma zedoaria Roscoe, uma planta aromática cujo
óleo essencial é bastante explorado comercialmente, obteve-se bons resultados ao
7
utilizar ápices caulinares em meio MS suplementado com BAP (MELLO et al., 2000).
Já Silva et al. (2005) conseguiram otimizar a micropropagação de Citrus reshni Hort. ex
Tan., uma espécie de características agronômicas superiores em relação à outras
espécies do gênero Citrus, utilizando segmentos de epicótilo em meio de cultura
contendo BAP.
2.3.1.1. Contaminação in vitro
Um dos maiores problemas enfrentados na micropropagação diz respeito à
contaminação por microorganismos, podendo chegar a ser um fator limitante para o
estabelecimento e cultivo in vitro de certos explantes (RIBAS et al., 2003). Para que a
planta formada a partir do cultivo in vitro apresente uma boa qualidade fitossanitária, é
importante que os métodos de desinfestação sejam eficazes, proporcionando ausência
total de agentes contaminantes (NASCIMENTO et al., 2007).
Várias substâncias com ação germicida são utilizadas na desinfestação dos
explantes. Os mais comuns são o etanol e os compostos a base de cloro, tais como
hipoclorito de dio e de lcio (GRATTAPAGLIA e MACHADO, 1998). Em
amoreira-preta (Rubus sp.) a contaminação dos explantes foi reduzida com a imersão de
explantes em solução de hipoclorito de sódio (NaOCl) a 0,5% em diferentes tempos de
imersão (0, 10, 20 e 30 minutos) (AUGUSTO e BIASI, 2002). Em Lippia integrifolia
obteve-se 24% de contaminação, utilizando solução de NaOCl a 1,2% por 30 minutos
(PASSERA e AMBROSETTI, 1999) e em Lippia junelliana (Mold.) Tronc. obteve-se o
controle da contaminação com 10% de NaOCl por 10 minutos (JULIANI JR. et al.,
1999). Outros agentes desinfestantes utilizados incluem o cloreto de mercúrio, o ácido
clorídrico, o cloreto de benzalcônio e a água oxigenada. No caso do uso de cloreto de
mercúrio, foi observada uma boa regeneração em patchouli (Pogostemon cablin)
(KUKREJA et al., 1990) e gerânio (Pelargonium graveolens) (SAXENA et al., 2000).
A concentração dos agentes desinfestantes e o tempo de exposição dos explantes
a estes compostos pode variar de acordo com a espécie (MONTARROYOS, 2000).
Outros fatores determinantes para a escolha do tipo de tratamento de desinfestação são a
idade da planta matriz, a época do ano e o local de coleta (GEORGE, 1996).
8
2.3.1.2. Multiplicação in vitro
Na fase de multiplicação in vitro tem-se por objetivo a produção do maior
número possível de plantas, em um espaço de tempo relativamente curto. Vários fatores
são importantes na multiplização in vitro, tais como aqueles referentes aos reguladores
de crescimento (CHAVES et al., 2005; RIBEIRO et al., 2007).
Os fitohormônios ou hormônios vegetais são aqueles produzidos pela própria
planta; em baixas concentrações, são biologicamente ativos, podendo promover, inibir
ou modificar o crescimento, geralmente em um local diferente daquele onde foi
produzido. Os reguladores de crescimento são substâncias sintéticas que produzem
efeitos semelhantes aos produzidos pelos hormônios naturais (CARVALHO et al.,
2006). Os fitormônios são classificados em cinco grupos: auxinas, citocininas,
giberelinas, etileno e inibidores. Os reguladores de crescimento mais utilizados na
micropropagação são auxinas, citocininas e giberelinas (CID, 2001).
As auxinas são bastante utilizadas quando se quer induzir o desenvolvimento de
nós, a formação de calos, e o desenvolvimento de rzes adventícias; as auxinas mais
usadas no cultivo in vitro são o ácido indol-3-acético (AIA), o ácido indol-3-butírico
(AIB), o ácido a-naftalenoacético (ANA) e o ácido 2,4-diclorofenoxiacético (2,4-D)
(CARVALHO, 1999).
No que se refere as citocininas, elas são usadas para estimular a divisão celular,
sendo que em concentrações elevadas induzem a formação de brotos adventícios e
inibem a formação de raízes. As mais comuns são a cinetina, zeatina, o BAP e o 2iP
(CARVALHO, 1999).
Atuando conjuntamente com as auxinas, as citocininas tornam-se fundamentais,
pois, promovem alterações na taxa metabólica, atividade enzimática, indução de
formação de órgãos, quebra de dominância apical, mobilização de nutrientes orgânicos
e inorgânicos e aumento de tecidos e órgãos (KERBAUY, 2004). As auxinas e as
citocininas diferem dos demais hormônios vegetais em um aspecto importante: elas são
necessárias para a viabilidade do crescimento e do desenvolvimento do vegetal, ou seja,
para a morfogênese (TAIZ e ZEIGER, 2004).
Na multiplicação do porta-enxerto de macieira M-7 (Malus sp.), o AIB foi mais
eficiente do que AIA e ANA (SILVEIRA et al., 2001). A combinação de cinetina e
ANA promoveu melhores resultados no percentual de sobrevivência e taxa de
multiplicação in vitro da espécie Carica papaya L. (SCHMILDT et al., 2007). Na
9
micropropagação de amoreira-preta (Rubus sp.) cultivar „Ébano‟, Villa et al. (2005)
concluíram que a adão de 1 mg.L
-1
de BAP promove a multiplicação in vitro.
Trabalhando com figueira (Ficus carica L.), observou-se que o uso de 2 mg.L
-1
BAP na
ausência de ANA trouxe melhores resultados para o comprimento de raízes e de brotos
(BRUM et al., 2002).
as giberelinas induzem o crescimento de nós e de meristemas ou gemas in
vitro, podendo também romper a dormência de embriões isolados ou gemas e inibir a
formação de brotos ou raízes adventícias. A giberelina mais comum é o ácido giberélico
(GA
3
) (CARVALHO et al., 1999). Na multiplicação in vitro de Ficus carica L., o GA
3
reduziu a formação e a multiplicação de brotos (FRÁGUAS et al., 2004).
2.3.1.3. Aclimatização
Durante as fases da cultura in vitro, as plantas crescem sob condições especiais
em ambientes fechados, sem trocas gasosas, com alta umidade do ar, baixa intensidade
luminosa e utilizando açúcares do meio como fonte de carbono e energia. O período de
transição da fase in vitro para a ex vitro, conhecida como período de aclimatização, é
uma das etapas mais importantes no processo de obtenção de plantas pela técnica de
cultura de tecidos (PREECE e SUTTER, 1991).
Na aclimatização ocorre a transferência das mudas produzidas in vitro para o
ambiente externo, a casa de vegetação e, posteriormente para o campo. Fatores como
genótipo, estresse hídrico, alteração do metabolismo heterotfico (in vitro) para o
autotrófico, infecção por patógenos e estresse pela luz, além das variações de
temperatura, interferem no sucesso da aclimatização (SILVA et al., 2003).
Esse processo consiste de modificações morfo-anatômico-fisiológicas
necessárias às plantas para que possam sobreviver em um novo ambiente (CARVALHO
et al., 1999). Essa fase de transição predispõe as plantas a um desequilíbrio hídrico e
nutricional, decorrente de limitações de natureza anatômica e fisiológica, características
das plantas micropropagadas. Tais limitações incluem cutícula pouco espessa,
estômatos não funcionais, nutrição heterotrófica e sistema radicular pouco desenvolvido
(AZCÓN-AGUILAR e BAREA, 1997).
Fatores como substrato, genótipo, estresse hídrico, tipo e a qualidade do sistema
radicular obtidos são importantes para se obter sucesso na sobrevivência das plantas.
Raízes curtas, em geral, são mais desejáveis, pois, além de facilitarem o manuseio no
10
momento do plantio, normalmente estão numa fase de crescimento ativo, o que facilita
o pegamento da planta (GRATTAPAGLIA e MACHADO, 1998). Quando se trabalha
em grande escala, mesmo com um percentual relativamente pequeno de morte dessas
plantas, isso pode significar um prejuízo econômico considerável devido ao alto
investimento e emprego de mão-de-obra nessa técnica (TERCEIRO NETO et al., 2004).
Na micropropagação de Gypsophila paniculata cultivar Bristol Fairy, é
necessário o enraizamento in vitro. Entretanto, para melhorar a produção de massa
fresca e seca, volume e sobrevivência das plantas durante o período de aclimatização,
recomenda-se a não utilização do ácido indol butírico (AIB) (BOSA et al., 2003).
A escolha do substrato apropriado pode ser decisiva para a aclimatização. O
substrato deve ter baixa densidade, rico em nutrientes, composição química equilibrada
e sica uniforme, boa aeração e drenagem, boa coesão entre as partículas e raízes
(HOFFMANN, 2002).
Na aclimatização de mudas micropropagadas do genótipo UFC de Mentha
arvensis os substratos compostos por de coco foram os mais eficientes (FONSECA
et al., 2008). Na aclimatização de antúrio, as mudas que apresentaram melhor
crescimento e desenvolvimento foram aquelas aclimatizadas no substrato de coco,
seguido do substrato vermiculita (SILVA et al., 2007). em trabalhos com gengibre
(Zingiber officinalle), verificou-se que o substrato de casca de arroz carbonizada e areia
(1:1) proporcionou uma condição ótima de pré-estabelecimento a campo das mudas
micropropagadas (DEBIASI et al., 2004). Durante a aclimatização de plantas
micropropagadas do porta-enxerto Mirabolano 29C (P. cerasifera), a composição casca
de arroz carbonizada e substrato comercial plantma(1:3, v/v) foi a que propiciou os
melhores resultados no que se refere a porcentagem de sobrevivência, comprimento da
parte aérea e da raiz e peso da matéria fresca e seca da parte aérea e da raiz (COUTO et
al., 2003).
2.4. Óleo essencial
Os produtos do metabolismo secundário de algumas espécies vegetais são
valorizados tanto por suas características aroticas e terapêuticas quanto por serem
matéria-prima para a indústria, quer como constituinte nas formulações de produtos para
higiene e saúde, quer como ingredientes ativos de sabor e fragrância da indústria de
11
perfumarias e cosméticos, além de serem muito utilizados na medicina alternativa,
agregando assim importância econômica a esses compostos (GIRARD, 2005).
Os óleos essenciais podem ser chamados de óleos voláteis, óleos etéreos devido
à solubilidade em éter, ou essenciais pelos seus aromas característicos. De acordo com a
ISO (International Standard Organization), óleos voláteis são produtos obtidos de partes
de plantas através de diferentes técnicas de extração, tais como arraste por vapor d‟água,
hidrodestilação, CO
2
supercrítico, entre outros. A designação de óleos se devido a
algumas características sico-químicas como a de serem líquidos de aparência oleosa
em temperatura ambiente, tendo como principal caractestica a volatilidade (SIMÕES e
SPITZER, 2004).
Dentre as espécies produtoras de óleos essenciais que contribuem
significativamente no volume mundial comercializado, pode-se destacar a menta
(Mentha pipperita), a citronela (Cymbopogon winterianus), o capim-limão
(Cymbopogon flexuosus), o eucalipto (Eucalyptus), a rosa (Rosa damacena), o gerânio
(P. graveolens), a lavanda (Lavandula officinalis), a camomila (Chamomilla recutita), o
sândalo (Santalum album), a manjerona (Origanum majorana) e sálvia (Salvia
officinalis) (GIRARD, 2005).
Os óleos essenciais são uma mistura complexa de algumas centenas de
compostos químicos, sendo que muitos destes podem ser agrupados em grandes classes.
Numa visão geral de importância e dos componentes característicos os compostos são
classificados em 4 grandes grupos: compostos alifáticos, terpenos e terpeno derivados,
benzeno derivados e compostos variados (OYEN e DUNG, 1998). Os constituintes dos
óleos essenciais das plantas se encaixam dentro de duas classes: terpenóides e
fenilpropanóides. Contudo, os terpenos representam a maioria dos componentes,
ocorrendo com maior freqüência e abundância, representados principalmente por
monoterpenos e sesquiterpenos (SANGWAN et al., 2001; ALMEIDA, 2006).
Entre os constituintes do óleo essencial, alguns estão presentes em maior
concentração, sendo conhecidos como componentes principais, enquanto que os
componentes encontrados em baixas concentrações são chamados de componentes traço
(VITTI e BRITO, 2003).
Embora todos os óros possam acumular óleos voláteis, sua composição,
características físico-químicas e odores podem variar de acordo com sua localização nos
diferentes óros de uma mesma planta. A composição química de um óleo volátil
extraído do mesmo órgão de uma espécie vegetal também pode variar de acordo com
12
aspectos de cultivo como época de colheita, condições climáticas e de solo (SIMÕES e
SPITZER, 2001). Em trabalhos com dois morfotipos (vermelha e branca) de Croton
cajucara Benth., foi possível observar variações quantitativas e qualitativas na
composição química dos diferentes morfotipos (CHAVES et al., 2006). em Mentha
piperita L., a aplicação de GA
3
durante o cultivo não interferiu no rendimento e
composição do óleo essencial, ao passo que a aplicação de BAP, embora não tenha
afetado o rendimento, alterou a composição do mesmo (SCAVRONI et al., 2006).
Trabalhando com sambacaitá (Hyptis pectinata L. POIT.), Arrigoni-Blank
(2005) verificou que os horários de colheita e a secagem das folhas não influenciaram
no teor do óleo essencial, mas as épocas de colheita contribuíram para as diferenças
quantitativas no teor e nos constituintes químicos. Já em Lippia alba, Gupta et al.
(2001) verificaram que a morfologia e a composição química dos óleos essenciais foram
idênticos em plantas micropropagadas e plantas propagadas vegetativamente, assim
como em plantas de Mentha arvensis L. que mantiveram o teor e a composição química
do óleo essencial mesmo depois de micropropagadas (FONSECA et al., 2008).
2.4.1. Óleo essencial de gerânio
O aspecto do óleo essencial do gerânio é de uma substância líquida, pouco
densa, brilhante, de coloração variando de amarelo pálido a amarelo esverdeado, odor
por vezes de rosa, por vezes de menta (MAY et al., 2007). Geralmente é encontrado em
pêlos glandulares nas duas superfícies da folha ou em tricomas. O óleo comercial de
gerânio é obtido pela destilação de folhas de algumas espécies de Pelargonium, como:
P. graveolens, P. capitatum e P. radula, sendo uma complexa mistura de cerca de 120
monoterpenos e sesquiterpenos (WILLIAMS e HARBORNE, 2002). Vários fatores
podem causar a variação da porcentagem dos componentes de óleo obtido, entre os
quais se destacam: o tipo de solo cultivado, o genótipo, a idade da planta na colheita, a
técnica empregada na operação de destilação, entre outros (MAY et al., 2007).
diversos tipos de óleo essencial de gerânio, agrupados de acordo com o lugar
de origem, sendo os principais produtores a Ilha de Reunião (Bourbon), Egito (africano)
e China (chinês) (LIS-BALCHIN, 2002). O óleo egípcio e o Bourbon diferem do óleo
chinês por possuir maiores veis de geraniol, ésteres de geranila e linalol e quantidades
menores de citronelol e seus ésteres (WILLIAMS e HARBORNE, 2002). O óleo
13
essencial do genótipo UFS-PEL001 foi classificado pela empresa VENTOS
(www.ventos.com) como sendo do tipo egípcio.
De maneira geral, os óleos de gerânio são caracterizados por altos veis de
citronelol (19-45%), acompanhados de quantidades menores de geraniol (menos que
24%), linalol (menos que 14%), isomentona, além de uma série de ésteres, como
formato de citronelila, formato de geranila, acetato de geranila, propanoato de geranila,
butirato de citronelila, 2- fenietil, tiglato de citronelila e geranila (JULIANI, 2009).
3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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99-115.
21
CAPÍTULO II
ESTABELECIMENTO E MULTIPLICAÇÃO IN VITRO DE GERÂNIO
(Pelargonium graveolens L.)
1. RESUMO
ALMEIDA, Sílvia Ávila de. Estabelecimento e multiplicação in vitro de gerânio
(Pelargonium graveolens L.). In: Micropropagação, teor e constituição química do
óleo essencial de gerânio (Pelargonium graveolens L.). 2009. 66p. (Dissertação
Mestrado em Agroecossistemas). Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE.
Este trabalho teve por objetivo o estabelecimento e multiplicação in vitro de P.
graveolens. Foi utilizado o delineamento inteiramente casualizado. Utilizou-se, no
primeiro ensaio, esquema fatorial 4 x 4 x 2, testando quatro concentrações de
hipoclorito de sódio (1,0; 1,5; 2,0 e 2,5%), quatro tempos de imersão (8, 10, 12 e 14
minutos) e pulverização com e sem fungicida e antibiótico nas plantas matrizes. No
segundo ensaio utilizou-se esquema fatorial 4 x 4 x 2, testando quatro concentrações de
cloreto de mercúrio (0,06; 0,08; 0,10 e 0,12%), quatro tempos de imersão (8, 10, 12 e 14
minutos) e dois tratamentos na planta matriz (com e sem pulverização). Para o terceiro
ensaio utilizou-se esquema fatorial 4x2, testando quatro concentrações de sais do meio
MS (25%; 50%; 75% e 100%) e dois tipos de explantes (nodal e foliar). Para o quarto
ensaio, foi usado esquema fatorial 4x3x2, testando quatro concentrações (0; 0,5; 1,0 e
2,0 mg.L
-1
) de BAP, três concentrações (0; 0,1 e 0,5 mg.L
-1
) de ANA e duas condições
de luminosidade (presença e ausência). No quinto ensaio utilizou-se esquema fatorial
4x3x2, testando quatro concentrações (0; 0,5; 1,0 e 2,0 mg.L
-1
) de cinetina, três
concentrações (0; 0,1 e 0,5 mg.L
-1
) de ANA e duas condições de luminosidade
(presença e ausência). Para o sexto ensaio foi usado esquema fatorial 4x4x2, testando
quatro concentrações (0; 0,5; 1,0 e 2,0 mg.L
-1
) de BAP, quatro concentrações (0; 0,5;
1,0 e 2,0 mg.L
-1
) de AIA e duas condições de luminosidade (presença e ausência). As
variáveis avaliadas foram regeneração (%), contaminação (%), número de brotos por
explante e massa seca de parte aérea (mg). O hipoclorito de sódio a 1,2% por 12
minutos foi mais eficiente na desinfestação de explantes de gerânio. As concentrações
de 0,09 e 0,08% de cloreto de mercúrio durante 12 e 14 minutos, respectivamente,
apresentaram melhores resultados no controle da contaminação. O uso de explantes
foliares em meio MS contendo 39,8% dos sais possibilitou maiores taxas de
regeneração de gerânio. Para a micropropagação de P. graveolens a utilização de 1,3
mg.L
-1
de BAP e 0,5 mg.L
-1
de ANA é eficiente na regeneração direta das plantas,
sendo a condição de escuro a mais indicada. O uso de cinetina e ANA na concentração
de 2,0 e 0,1 mg.L
-1
promoveu uma boa multiplicação in vitro de gerânio. O uso de BAP
e AIA proporcionou os melhores resultados para a regenerão e para o número de
brotos por explante de gerânio dentre os reguladores testados.
Palavras-chave: Pelargonium graveolens, estabelecimento in vitro, multiplicação in
vitro, reguladores de crescimento.
__________________
Comitê Orientador: Maria de Fátima Arrigoni-Blank - UFS (Orientadora), Arie
Fitzgerald Blank UFS (Co-orientador).
22
2. ABSTRACT
ALMEIDA, Sílvia Ávila de. In vitro establishment and multiplication of geranium
(Pelargonium graveolens L.). In: Micropropagation, essential oil content and
chemical composition of geranium (Pelargonium graveolens L.). 2009. 66p.
(Dissertation Master Program in Agroecosystems). Federal University of Sergipe, São
Crisvão, SE.
The aim of this work was to realize in vitro establishment and multiplication of P.
graveolens. The completely randomized design was used. A 4 x 4 x 2 factorial scheme
was utilized in the first assay, testing four concentrations of sodium hypochlorite (1.0;
1.5; 2.0 and 2.5%), four immersion times (8, 10, 12 and 14 minutes) and with and
without pulverization with fungicide and antibiotic of the mother plants before
removing explants. In the second assay a 4 x 4 x 2 factorial scheme was utilized, testing
four concentrations of mercury chloride (0.06; 0.08; 0.10 and 0.12%), four immersion
times (8, 10, 12 and 14 minutes) and with and without pulverization with fungicide and
antibiotic of the mother plants before removing explants. For the third assay a 4 x 2
factorial scheme was utilized, testing four concentrations of salts of the MS medium
(25%; 50%; 75% and 100%) and two types of explants (nodal and leaves). For the
fourth assay a 4 x 3 x 2 factorial scheme was used, testing four BAP concentrations (0;
0.5; 1.0 and 2.0 mg.L
-1
), three NAA concentrations (0; 0.1 and 0.5 mg.L
-1
) and two
luminosity conditions (with and without). For the fifth assay a 4 x 3 x 2 factorial scheme
was used, testing four kinetin concentrations (0; 0.5; 1.0 and 2.0 mg.L
-1
), three NAA
concentrations (0; 0.1 and 0.5 mg.L
-1
) and two luminosity conditions (with and
without). For the sixth assay a 4 x 4 x 2 factorial scheme was used, testing four BAP
concentrations (0; 0.5; 1.0 and 2.0 mg.L
-1
), four IAA concentrations (0; 0.5; 1.0 and 2.0
mg.L
-1
) and two luminosity conditions (with and without). The evaluated variables were
regeneration (%), contamination (%), number of shoots per explants, dry weight of the
aerial part (mg). Sodium hypochlorite at 1.2% for 12 minutes was efficient for
disinfestation of geranium explants. The concentrations of 0.09 and 0.08% of mercury
chloride for 12 and 14 minutes, respectively, presented best results for contamination
control. The use of leaf explants in MS medium containing 39.8% of its salts allowed
major regeneration rates of geranium. For P. graveolens micropropagation the use of
1.3 mg.L
-1
of BAP and 0.5 mg.L
-1
of NAA is efficient for direct regeneration of plants,
and the most indicate light condition is without light. Using 2.0 and 0.1 mg.L
-1
of
kinetin and NAA concentrations proportioned a good multiplication of geranium in
vitro. The use of BAP and IAA proportioned the best results for regeneration and
number of shoots per explants.
Keywords: Pelargonium graveolens, in vitro establishment, in vitro multiplication,
growth regulators.
___________________
Guidance Committee: Maria de Fátima Arrigoni-Blank - UFS (Adviser), Arie Fitzgerald
Blank UFS (Co- Adviser).
23
3. INTRODUÇÃO
A propagação vegetativa geralmente é utilizada quando a propagação sexuada
o tem sucesso, quando o número de plantas requerido pelo mercado não é suficiente
ou ainda, quando é de interesse a propagação de plantas com características
selecionadas (ROCHA, 2005). A micropropagação é uma das técnicas da cultura de
tecidos que vem sendo bastante empregada para a manutenção de germoplasma, bem
como a propagação comercial de muitas plantas medicinais e aromáticas, com o
objetivo de se obter mudas com qualidades agronômicas desejáveis, indexadas, livres de
patógenos e, com elevado padrão genético para síntese de metabólitos secundários e/ou
produção de óleos essenciais (FRANÇA, 2004).
A propagação in vitro surge como uma alternativa para a propagação de espécies
do gênero Pelargonium, uma vez que a propagação por meio da estaquia não tem sido
muito eficiente para algumas espécies deste nero. Na micropropagação, um grande
problema encontrado diz respeito à contaminação, que pode causar grandes prejuízos no
processo de cultivo in vitro, deixando o explante inapto para o subcultivo e levando-o à
morte (AUGUSTO, 2001). Dentre os agentes usados para a desinfestação dos explantes
inclui-se o cloreto de mercúrio, o ácido clorídrico, o cloreto de benzalcônico, o peróxido
de hidrogênio e, os mais comumente utilizados, o hipoclorito de cálcio e o hipoclorito
de sódio (GRATTAPAGLIA e MACHADO, 1998).
Outros fatores inerentes à micropropagação são os tipos de meio de cultura
utilizados e a seleção dos explantes. Os meios de cultura desempenham diversas
funções, tais como suporte sico para o explante, fornecimento de nutrientes
necessários à sua sobrevivência e seus componentes podem ser utilizados para dirigir o
crescimento e o desenvolvimento do material vegetal. inúmeras formulações dos
meios de cultura, não existindo um meio padrão, embora o mais amplamente difundido
seja o meio idealizado por Murashige e Skoog, conhecido mundialmente como meio
MS (CARVALHO et al., 2006).
A espécie e o tipo de explante utilizado apresentam diferentes respostas à ação
dos variados tipos de reguladores de crescimento utilizados no cultivo in vitro (LIMA et
al., 2002). Os reguladores mais usados na micropropagação pertencem ao grupo das
citocininas e auxinas. As citocininas promovem a divisão das plantas, com consequente
alongamento e diferenciação celular, além de retardar a senescência das plantas,
promoverem a quebra da domincia apical e induzir a produção de gemas axilares. Ao
24
passo que as auxinas participam da formação e desenvolvimento das raízes adventícias
(BRUM et al., 2002).
Dessa forma, o objetivo desse trabalho foi testar diferentes métodos de
desinfestação de explantes de gerânio assim como verificar a concentração dos sais do
meio MS e o tipo de explante mais indicado para o estabelecimento in vitro. Além
disso, avaliou-se o efeito da luminosidade e de diferentes reguladores de crescimento na
multiplicação in vitro.
4. MATERIAL E MÉTODOS
4.1. Obtenção dos explantes e local
Para a produção das mudas de gerânio (P. graveolens L.) foram utilizadas
estacas apicais de plantas matrizes do acesso UFS-PEL001 provenientes do Banco
Ativo de Germoplasma da UFS, localizado no Horto Medicinal Fazenda Experimental
“Campus Rural UFS”, município de São Cristóvão-SE. As estacas foram plantadas em
sacos de polietileno, utilizando-se o substrato terra preta + esterco bovino + areia na
proporção 1:1:1, e colocadas em ambiente protegido com tela sombrite 50% com
irrigação e nebulização. Aos 30 dias as mudas foram transplantadas para vasos com
capacidade de oito litros, com o mesmo substrato e mantidas em estufa agrícola
localizada no Departamento de Engenharia Agronômica, na Universidade Federal de
Sergipe, São Cristóvão-SE. Os ensaios in vitro foram realizados no Laboratório de
Cultura de Tecidos e Melhoramento Vegetal do Departamento de Engenharia
Agronômica (DEA) da Universidade Federal de Sergipe (UFS), localizado no município
de São Cristóvão-SE, Brasil.
4.2. Condições de cultivo
Para os ensaios 4.3, 4.4 e 4.5 foi utilizado o meio básico MS (MURASHIGE e
SKOOG, 1962) (Anexo 1A) suplementado com 0,5 mg.L
-1
de BAP e 2,0 mg.L
-1
de
AIA, acrescidos de 30 g.L
-1
de sacarose e 7 g.L
-1
de ágar. Para os demais ensaios foi
usado o meio de cultura MS com 50% dos sais, acrescidos de 30 g.L
-1
de sacarose e 7
g.L
-1
de ágar. O pH do meio foi ajustado para 6,0 + 0,1, solidificado com ágar e
submetido a autoclavagem por 15 minutos a uma temperatura de 121 + 1
o
C e pressão de
25
1,05 atm. Em seguida, com o auxílio de bisturi e pinça, constantemente flambados, os
explantes foram seccionados com cerca de 10 a 15 mm e inoculados em frascos de 250
mL contendo 25 mL de meio de cultura. As culturas foram mantidas em sala de
crescimento com temperatura controlada de 25 + 2
o
C, fotoperíodo de 12 horas de luz e
intensidade luminosa de 60 mol.m
-2
.s
-1
, proveniente de luz fluorescente branca fria.
4.3. Efeito de concentrações de hipoclorito de sódio, tempos de imersão e
tratamentos na planta matriz no estabelecimento in vitro de P. graveolens
Foram utilizados segmentos foliares provenientes de plantas cultivadas em vasos
e lavados em água corrente por 30 minutos. Posteriormente, em câmara de fluxo
laminar, foram submersos em álcool etílico 70% durante 30 segundos e, em seguida,
submetidos aos tratamentos com solução de hipoclorito de sódio (NaOCl) sob diferentes
concentrações e tempos de imersão. As soluções de NaOCl foram acrescidas de 2 gotas
de Tween-20 a cada 100 mL de solução, e os segmentos permaneceram sob constante
agitação durante a realização dos tratamentos. As aplicação dos tratamentos, os
recipientes foram levados à mara de fluxo laminar, onde os segmentos receberam três
lavagens com água destilada e autoclavada.
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em esquema fatorial 4
x 4 x 2, sendo quatro concentrações de hipoclorito de sódio (1,0; 1,5; 2,0 e 2,5%),
quatro tempos de imersão (8, 10, 12 e 14 minutos) e dois tratamentos na planta matriz
(com e sem pulverização), com cinco repetições sendo cada repetição constitda por
quatro frasco com dois explantes. Aos 30 dias após a implantação do ensaio, foram
avaliadas as variáveis regeneração (%) e contaminação por fungos e/ou bactérias (%).
De acordo com os tratamentos, as plantas matrizes foram pulverizadas dois dias
antes da inoculação, sendo no primeiro dia com 5 g.L
-1
do fungicida comercial
Ridomil
®
e no segundo dia com 1 g.L
-1
do antibiótico comercial sulfato de
estreptomicina.
4.4. Efeito de concentrações de cloreto de mercúrio, tempos de imersão e
tratamento na planta matriz no estabelecimento in vitro de P. graveolens
Segmentos foliares foram coletados de plantas mantidas em casa de vegetação e
lavados em água corrente por 30 minutos. Em seguida, em câmara de fluxo laminar,
26
foram submersos em álcool etílico 70% durante 30 segundos e, logo após, imersos em
solução Tween-20 (0,05%) por três minutos e lavagem tripla em água destilada e
autoclavada. Posteriormente foram submetidos aos tratamentos de desinfestação com
cloreto de mercúrio sob diferentes concentrações e tempos de imersão, permanecendo
sob constante agitação. Após aplicação dos tratamentos, os segmentos foram
enxaguados em água destilada e autoclavada por três vezes.
O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial
4 x 4 x 2, sendo quatro concentrações de cloreto de mercúrio (0,06; 0,08; 0,10 e 0,12%),
quatro tempos de imersão (8, 10, 12 e 14 minutos) e dois tratamentos na planta matriz
(com e sem pulverização), com cinco repetições sendo cada repetição constitda por
quatro frascos com dois explantes. Aos 30 dias após a implantação do ensaio, foram
avaliadas as variáveis regeneração (%) e contaminação por fungos e/ou bactérias (%).
As pulverizações nas plantas matrizes foram inticas ao descrito no item 4.3.
4.5. Efeito de diferentes explantes e concentrações de sais do meio MS no
estabelecimento in vitro de gerânio
Foram utilizados explantes de plantas estabelecidas in vitro. O delineamento
experimental utilizado foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial 4x2, sendo
quatro concentrações de sais do meio MS (25%; 50%; 75% e 100%) e dois tipos de
explantes (nodal e foliar) com cinco repetições. Cada unidade experimental foi
constituída de quatro frascos contendo dois explantes. Aos 45 dias foram avaliadas as
variáveis regeneração (%), o número de brotos por explante e massa seca de parte aérea
(mg).
4.6. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento 6-benzilaminopurina
(BAP) e ácido naftalenoacético (ANA)
Foram utilizados segmentos foliares de plantas estabelecidas in vitro. O
delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial
4x3x2, sendo quatro concentrações (0; 0,5; 1,0 e 2,0 mg.L
-1
) de BAP, três concentrações
(0; 0,1 e 0,5 mg.L
-1
) de ANA e duas condições de luminosidade (presença e ausência),
com cinco repetições. Cada unidade experimental foi constituída de quatro frascos. Aos
27
40 dias após a implantação do ensaio, foram avaliadas as variáveis regeneração (%),
número de brotos por explante e massa seca de parte aérea (mg).
4.7. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento cinetina e ANA
Foram utilizados segmentos foliares de plantas estabelecidas in vitro. O
delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial
4x3x2, sendo quatro concentrações (0; 0,5; 1,0 e 2,0 mg.L
-1
) de cinetina, três
concentrações (0; 0,1 e 0,5 mg.L
-1
) de ácido naftalenoacético (ANA) e duas condições
de luminosidade (presença e ausência) com cinco repetições. Cada unidade
experimental foi constituída de quatro frascos. Aos 40 dias, foram avaliadas as variáveis
regeneração (%), número de brotos por explante e massa seca da parte aérea (mg).
4.8. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento BAP e ácido indol
acético (AIA)
Foram utilizados segmentos foliares de plantas estabelecidas in vitro. O
delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial
4x4x2, sendo quatro concentrações (0; 0,5; 1,0 e 2,0 mg.L
-1
) de BAP, quatro
concentrações (0; 0,5; 1,0 e 2,0 mg.L
-1
) de AIA e duas condições de luminosidade
(presença e ausência), com cinco repetições. Cada unidade experimental foi constituída
de quatro frascos. Aos 40 dias após a implantação do ensaio, foram avaliadas as
variáveis regeneração (%), número de brotos por explante e massa seca da parte aérea
(mg).
4.9. Análise estatística
Os dados de porcentagem foram transformados em arco seno da raiz quadrada
de X/100 e o número de brotos por explante e massa seca de parte aérea em raiz de X +
0,5. Os dados obtidos foram submetidos a análises de variância pelo teste F e, quando
significativo, foi aplicada regressão polinomial e/ou as médias comparadas pelo teste de
Tukey (p<0,05), utilizando o programa estatístico Sisvar (FERREIRA, 2000).
28
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1. Efeito de concentrações de hipoclorito de sódio, tempos de imersão e
tratamentos na planta matriz no estabelecimento in vitro de P. graveolens
Para as variáveis regeneração e contaminação houve diferença significativa em
função das concentrações de hipoclorito e tempos de imersão (Tabelas 1 e 2). no
tratamento dado à planta matriz apenas a variável regeneração apresentou diferença
significativa (Tabela 3). Na concentração de 1,25% de hipoclorito de sódio observou-se
uma maior porcentagem de regeneração (51,6%) de plantas sendo esta representada por
uma equação cúbica, sugerindo que essa concentração permitiu a sobrevivência e
crescimento dos explantes (Tabela 1). Para a variável contaminação, representada
também por uma equação cúbica, o ponto máximo (14,3%) foi atingido na concentração
de 1,23% de hipoclorito de sódio. Resultados semelhantes foram observados em
Eucalyptus dunnii, onde as concentrações de 1,5% e 2,0% de NaOCl proporcionaram
maiores porcentagens de explantes estabelecidos (ALMEIDA et al., 2008). Já em Lippia
sidoides Cham. a concentração de 0,8% de hipoclorito de sódio durante 16 minutos
proporcionou melhores resultados no controle da contaminação (COSTA et al., 2007).
TABELA 1. Valores médios de regeneração (%) e contaminação (%) de explantes de
gerânio (P. graveolens) em função de diferentes concentrações de hipoclorito de sódio.
São Cristóvão, UFS, 2008.
Hipoclorito de sódio
(%)
Regeneração (%)
Contaminação (%)
1,0
44,27
20,31
1,5
46,35
19,79
2,0
23,95
36,45
2,5
28,64
14,06
Equação (Y) =
239,5833 + 573,4375x
358,3333x
2
+ 68,7500x
3
R
2
= 100%
297,9166 574,4791x +
371,8750x
2
- 75,0000x
3
R
2
= 100%
CV (%)
37,27
61,81
Com relação aos tempos de imersão, as variáveis regeneração e contaminação
são representadas por equações quadráticas. A maior regeneração de plantas (44,8%) e
um maior controle da contaminação (13,5%) foram obtidos com a imersão dos
explantes por um tempo de 12 minutos (Tabela 2). Em trabalhos com Ananas comosus
(L.) Merril a concentração de 0,5% a 1,0% de hipoclorito por um período de 10 a 20
29
minutos foi eficaz na desinfestação dos explantes (TEIXEIRA et al., 2001). para a
desinfestação de diferentes cultivares de amoreira-preta (Rubus spp.) foi utilizado o
hipoclorito de sódio na concentração de 1% durante 10 minutos (OLIVEIRA et al.,
2008).
TABELA 2. Valores médios de regeneração (%) e contaminação (%) de explantes de
gerânio (P. graveolens) em função de diferentes tempos de imersão em hipoclorito de
sódio. São Cristóvão, UFS, 2008.
Tempo (minutos)
Regeneração (%)
Contaminação (%)
8
25,00
32,81
10
35,93
19,27
12
44,79
13,54
14
37,50
25,00
Equação (Y) =
121,8489 + 27,3828x - 1,1393x
2
R
2
= 95,07%
219,9479 35,8333x + 1,5625x
2
R
2
= 97,84%
CV (%)
37,27
61,81
Com relação ao tratamento dado à planta matriz, as plantas que não foram
pulverizadas apresentaram uma maior taxa de regeneração de plantas (Tabela 3). Isso se
deve, possivelmente, ao fato de as substâncias aplicadas à planta matriz de gerânio
apresentarem efeito tóxico, o que ocasionou uma redução na sobrevivência e
regeneração dos explantes. Foi o que aconteceu na micropropagação de Jatropha
elliptica (Pohl) Müll. Arg., onde testes preliminares mostraram que a aplicação de
fungicida duas vezes por semana causou prejuízo às folhas das plantas-matrizes, que se
apresentavam enrugadas e menores (CAMPOS et al., 2007). no estabelecimento in
vitro de porta enxerto de pessegueiro cv. Tsukuba, o tratamento com fungicida e
bactericida na planta matriz durante duas vezes por semana foi eficiente para reduzir a
contaminação dos explantes e não influenciou a sobrevivência dos mesmos (ROCHA et
al., 2007).
TABELA 3. Valores médios de regeneração (%) de explantes de gerânio (P.
graveolens) em função de diferentes tratamentos na planta matriz. São Cristóvão, UFS,
2008.
Tratamento na planta matriz
Regeneração (%)
Com pulverização
23,69
Sem pulverização
47,91
CV (%)
37,27
30
5.2. Efeito de concentrações de cloreto de mercúrio, tempos de imersão e
tratamento na planta matriz no estabelecimento in vitro de P. graveolens
Houve interação entre as concentrações de cloreto de mercúrio e os tempos de
imersão na regeneração de plantas e porcentagem de contaminação de explantes
(Tabelas 4 e 5). A maior regeneração de plantas (47,7%) foi observada na concentração
de 0,08% de cloreto de mercúrio e um tempo de imersão de 12,7 minutos (Tabela 4).
Em peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron) o uso de 0,05% de HgCl
2
durante
10 minutos foi eficiente na desinfestação dos explantes, permitindo 84,1% de
sobrevivência (RIBAS et al., 2003). Para otimizar o protocolo de micropropagação de
Pfaffia tuberosa, o uso sucessivo de soluções com detergente comercial (2 gotas/100
mL por 2 minutos), etanol (70% por 10 segundos), hipoclorito de sódio + detergente
comercial (1% + 2 gotas/100mL por 10 minutos) e HgCl
2
(0,1% por 5 minutos) na etapa
de desinfestação dos explantes foram eficazes tanto para a limpeza quanto para
regeneração de plantas. No entanto, foram observados alguns danos nos explantes de P.
tuberosa causados pelo uso de cloreto de mercúrio, o que não comprometeu o
desenvolvimento das plantas (FLORES et al., 2006). Cada espécie se comporta de
maneira diferente ao tratamento dado, seja pela parte da planta utilizada seja pela
concentração dos agentes desinfestantes. No caso do gerânio, pode-se dizer que à
medida que se aumenta a concentração e o tempo de exposição ao tratamento com
cloreto de mercúrio há uma queda na taxa de sobrevivência e regeneração dos explantes,
possivelmente por causa da toxicidade causada por essa substância no tecido foliar da
planta.
para a variável contaminação, um maior controle foi observado nas
concentrações de 0,09% e 0,08% de HgCl
2
e tempos de imersão de 12 e 14 minutos,
respectivamente (Tabela 5). No processo de desinfestação de segmentos nodais de
ginseng brasileiro [Pfaffia glomerata (Spreng.) Pedersen], o uso de 0,1% de cloreto de
mercúrio por 5 minutos foi eficiente para a obtenção de plântulas livres de
contaminação (NICOLOSO et al., 2001). na desinfestação de Daphne cneorum L. a
concentração de 0,1% de HgCl
2
durante 20 minutos proporcionou a eliminação dos
agentes contaminantes (MALÁ e BYLINSKÝ, 2004), enquanto que na
micropropagação de Salvia broussonetii Benth. a mesma solução e o tempo de 15
minutos foi efetivo na desinfestação dos explantes (MEDEROS-MOLINA, 2006).
31
TABELA 4. Valores médios de regeneração (%) de explantes de gerânio (P. graveolens) em função da interação entre concentrações de cloreto de
mercúrio e tempos de imersão. São Cristóvão, UFS, 2008.
Cloreto de
Tempo (minutos)
Mercúrio (%)
8
10
12
14
Equação (Y) =
0,06
20,83
33,33
4,16
37,50
2529,1666 + 742,3611x
70,3125x
2
+ 2,1701x
3
R
2
= 100%
0,08
16,66
4,16
41,66
25,00
2650,0000 761,1111x +
71,3541x
2
- 2,1701x
3
R
2
= 100%
0,10
29,16
20,83
12,50
4,16
62,5000 - 4,1666x
R
2
= 100%
0,12
33,33
25,00
16,66
4,16
72,5000 - 4,7916x
R
2
= 98,88%
Equação (Y)=
ns
ns
- 1508,3333 + 52708,3333x
583333,3333x
2
+ 2083333,3333x
3
R
2
= 100%
72,0833 604,1666x
R
2
= 89,95%
CV (%)
111,44
TABELA 5. Valores médios de contaminação (%) de explantes de gerânio (P. graveolens) em função da interação entre concentrações de cloreto
de mercúrio e tempos de imersão. São Cristóvão, UFS, 2008.
Cloreto de
Tempo (minutos)
Mercúrio (%)
8
10
12
14
Equação (Y) =
0,06
54,16
45,83
75,00
41,66
ns
0,08
45,83
70,83
45,83
37,50
ns
0,10
54,16
54,16
37,50
79,16
ns
0,12
54,16
37,50
62,50
41,66
ns
Equação (Y) =
ns
ns
333,1250 6322,9166x +
33854,1666x
2
R
2
= 99,08%
1579,1666 57187,5000x +
682291,6666x
2
- 2604166,6666x
3
R
2
= 100%
CV (%)
53,19
32
5.3. Efeito de diferentes explantes e concentrações de sais do meio MS no
estabelecimento in vitro de gerânio
Houve interação significativa entre o tipo de explante e a concentração de sais na
regeneração dos explantes de gerânio (Tabela 6). A maior porcentagem de regeneração
é representada por uma equação quadrática, sendo o explante foliar e a concentração
39,8% de sais MS o que promoveu a maior taxa de regeneração (94,9%) (Figura 2). Em
trabalho com diferentes espécies do gênero Prunus sp. verificou-se que a maior
porcentagem de estabelecimento dos explantes se deu com o meio MS 75% dos sais
(RODRIGUES et al., 2003). em trabalhos com macieira (Malus domestica, Borkh.)
cv. Gala, os explantes foliares apresentaram maior potencial regenerativo que os
entrenós (SCHUCH e PETERS, 2002). Apenas na concentração 100% de sais MS o
explante nodal foi superior ao foliar quanto à regeneração (85%). Esta mesma tendência
foi observada em espécies de maracujazeiro (Passiflora giberti N. E. Brown, P. edulis
Sims e P. laurifolia L.), onde a utilização do meio de cultura MS completo e os
segmentos nodais propiciaram melhores taxas de regeneração in vitro (FARIA et al.,
2007).
FIGURA 2. Efeito do tipo de explante e concentração de sais MS (25%) no
estabelecimento in vitro de gerânio (P. graveolens). Explante nodal (A) e explante foliar
(B).
A
B
33
TABELA 6. Valores médios de regeneração (%) in vitro de explantes de gerânio (P.
graveolens) em função da interação entre a concentração de sais MS e tipo de explante.
São Cristóvão, UFS, 2008.
Concentração de sais
Tipo de explante
MS (%)
Foliar
Nodal
25
95,00 a
45,00 b
50
85,00 a
67,50 a
75
87,50 a
85,00 a
100
45,00 b
85,00 a
Equação (Y) =
74,3750 + 1,0350x - 0,0130x
2
R
2
= 89,10%
36,2500 + 0,5500x
R
2
= 87,55%
CV (%)
23,26 %
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas linhas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p<0,05)
Quanto ao número de brotos, houve diferença significativa apenas quanto ao tipo
de explante utilizado. O explante foliar apresentou uma média de 19 brotos por
explante, ao passo que o nodal apresentou 9,3 brotos por explante (Tabela 7).
Resultados diferentes foram observados na micropropagação de ginseng brasileiro
[Pfaffia glomerata (Spreng.) Pedersen] onde o segmento nodal apresentou-se mais
viável para a clonagem in vitro (NICOLOSO et al.,2001), e em macieira (Malus sp.) cv.
„Marubakaido‟ o uso de segmentos de origem basal proporcionou um maior número de
brotões (12,0 brotos por explante) quando comparado aos explantes de origem apical
(7,4 brotos por explante) (PEREIRA e FORTES, 2001).
TABELA 7. Valores dios de número de brotos por explante e massa seca de parte
aérea (mg) de gerânio (P. graveolens) em função do tipo de explante. São Cristóvão,
UFS, 2008.
Tipo de explante
Número de brotos por explante
Massa seca de parte aérea (mg)
Foliar
19,24 a
77,59 a
Nodal
9,31 b
30,19 b
CV (%)
20,23
20,28
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas colunas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p<0,05)
Para a variável massa seca de parte aérea (MSPA), os fatores concentração de
sais MS e o tipo de explante foram significativos. Com relação ao tipo de explante, a
maior MSPA foi obtida quando utilizado o explante foliar (Tabela 7). Para a
concentração de sais MS essa variável é representada por uma equação linear, de forma
que o aumento na concentração resulta num aumento da MSPA (Tabela 8).
Segundo Peres (2002), a organogênese in vitro pode ser considerada um
processo emrico onde são testados para cada espécie, ou mesmo para variedades
34
dentro de uma mesma espécie, as seguintes condições: fonte de explante; composição
mineral do meio de cultura; balanço hormonal e condições ambientais. Dessa forma,
quanto à fonte de explante, normalmente há maior sucesso quando são utilizados tecidos
jovens, os quais possuem maior competência organogenética.
TABELA 8. Valores médios de massa seca de parte aérea (mg) de gerânio (P.
graveolens) em função da concentração de sais MS. São Cristóvão, UFS, 2008.
Concentração de sais MS
(%)
Massa seca de parte aérea (mg)
25
19,79
50
52,41
75
62,80
100
80,56
Equação (Y) =
5,7257 + 0,7707x
R
2
= 94,94%
CV (%)
20,28
5.4. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento 6-benzilaminopurina
(BAP) e ácido naftalenoacético (ANA)
Houve interação entre BAP e ANA e luminosidade na regeneração de plantas e
número de brotos por explante de gerânio a partir de segmentos foliares (Tabelas 9 e
10).
TABELA 9. Valores médios de regeneração (%) in vitro de gerânio (P. graveolens) em
função da interação de BAP x ANA x luminosidade. São Crisvão, UFS, 2008.
BAP (mg.L
-1
)
ANA (mg.L
-1
)
0,0
0,1
0,5
-------------------------------------------- Luz ---------------------------------------------
0,0
0,00 aA
0,00 aB
0,00 aB
0,5
0,00 bB
0,00 bB
41,67 aB
1,0
0,00 aB
0,00 aB
50,00 aB
2,0
25,00 aA
25,00 aB
41,67 aB
Equação (Y) =
3,863 + 22,803x
-2,272x²
R
2
= 79,79%
0,681-10,6818x +
11,3636x
2
R
2
= 98,79%
2,045 + 84,6212x
-32,5757x
2
R
2
= 94,54%
----------------------------------------- Escuro --------------------------------------------
0,0
0,00 bA
41,67 aA
58,33 aA
0,5
25,00 bA
58,33 abA
83,33 aA
1,0
16,7 bA
91,67 aA
83,33 aA
2,0
41,7 aA
66,67 aA
75,00 aA
Equação (Y) =
5,00 + 18,0952x
R
2
= 79,34%
37,803 + 77,1970x -
31,0606x
2
R
2
= 79,57%
60,151 + 46,515x -
19,6970x
2
R
2
= 91,74%
CV (%)
32,76
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas linhas e maiúsculas entre luminosidades, não diferem estatisticamente entre si
pelo teste de Tukey (p<0,05).
35
Na presença de luz, a maior porcentagem de regeneração é representada por uma
equação quadrática, sendo a concentração de 1,3 mg.L
-1
de BAP e 0,5 mg.L
-1
de ANA,
o que promoveu a maior regeneração de plantas (50%). Entretanto, na ausência de
luminosidade, houve uma maior porcentagem de regeneração de plantas (85,7%),
quando utilizado 1,2 mg.L
-1
de BAP associado com 0,1 mg.L
-1
de ANA (Tabela 9).
Resultados semelhantes foram obtidos com Pelargonium x hortorum (95%),
suplementado com 0,2 mg.L
-1
de ANA em combinação com 0,5 mg.L
-1
de BAP e
zeatina na ausência de luz, e com P. capitatum (100%) suplementado com 0,5 mg.L
-1
de ANA e 1,0 mg.L
-1
de BAP e zeatina na condição de escuro (HASSANEIN e
DORION, 2005).
TABELA 10. Valores médios do número de brotos por explante de gerânio (P.
graveolens) em função da interação de BAP x ANA x luminosidade. São Cristóvão,
UFS, 2008.
BAP (mg.L
-1
)
ANA (mg.L
-1
)
0,0
0,1
0,5
------------------------------------------- Luz ----------------------------------------------
0,0
0,00 aA
0,00 aA
0,00 aA
0,5
0,00 aA
0,00 aB
4,91 aB
1,0
0,00 bA
0,00 bB
14,16 aA
2,0
3,50 aB
0,00 bB*
3,16 abA
Equação (Y) =
0,095 + 1,495x + 1,590x
2
R
2
= 98,79%
ns
-1,159 + 23,659x -
10,651x²
R
2
= 85,22%
---------------------------------------- Escuro ---------------------------------------------
0,0
0,00 aA
0,00 aA
0,00 aA
0,5
5,00 bB
16,83 aA
13,22 aA
1,0
0,67 bA
18,33 aA
12,13 aA
2,0
11,50 abA
12,61 aA
5,00 bA
Equação (Y) =
1,295 - 0,962x + 2,924x²
R
2
= 75,59%
1,016 + 33,072x -
13,722x²
R
2
= 93,92%
1,035 + 24,534x -
11,362x²
R
2
= 88,77%
CV (%)
34,38
1
Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas linhas e maiúsculas entre luminosidades, não diferem estatisticamente entre si
pelo teste de Tukey (p<0,05).
*Início da regeneração, não possibilitando contagem de brotos.
Em relação ao número de brotos por explante, a condição de escuro favoreceu o
maior número de brotos, sendo todos os tratamentos representados por equações
quadráticas, exceto quando foi utilizado 0,1 mg.L
-1
de ANA e em todas as
concentrações de BAP, na presença de luz, onde apesar de apresentar regeneração de
plantas (Tabela 9), o foi possível a contagem do número de brotos em virtude do
tamanho dos mesmos (menores de 2 mm) (Tabela 10). A utilização de 0,1 mg.L
-1
de
36
ANA e 1,2 mg.L
-1
de BAP, na ausênia de luz, proporcionou 20,9 brotos por explante, ao
passo que a utilização de 0,5 mg.L
-1
de ANA e 1,0 mg.L
-1
de BAP não apresentou
diferenças significativas entre as duas condições de luminosidade, proporcionando uma
dia de 13 brotos por explante. Resultados diferentes foram obtidos em trabalhos com
Pelargonium x hortorum, onde o meio contendo 10 mg.L
-1
de BAP e 1 mg.L
-1
de ANA
proporcionou uma média de 4,9 + 2,5 brotos por explante (GÓMEZ, 2002). em
trabalhos com o P. graveolens, Hassanein e Dorion (2005) obtiveram cerca de 7,3
brotos por explante, utilizando 0,5 mg.L
-1
de ANA e 1,0 mg.L
-1
de BAP e zeatina, na
ausência de luz. Os resultados obtidos no presente trabalho mostram-se superiores,
quando comparados aos resultados obtidos pelos autores acima citados, uma vez que foi
possível obter números maiores de brotos por explante utilizando concentrações
menores de reguladores de crescimento. Resultados assim são úteis no que diz respeito
à redução dos custos de produção comercial das mudas.
5.5. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento cinetina e ANA
Para a variável regeneração houve interação significativa entre os reguladores de
crescimento cinetina e ANA, cinetina e luminosidade e ANA e luminosidade. As
maiores taxas de regeneração foram observadas na faixa de 2,0 mg.L
-1
de cinetina e 0,1
mg.L
-1
de ANA (cerca de 60%) (Tabela 11). Resultados diferentes foram obtidos por
Gill et al. (2006) que, utilizando segmentos foliares, obtiveram 83,12% de regeneração
dos explantes em meio MS suplementado com de 5,0 mg.L
-1
de ANA e 0,5 mg.L
-1
de
cinetina.
Com relação à interação cinetina e luminosidade, os melhores resultados foram
obtidos quando utilizados 1,80 mg.L
-1
de cinetina na ausência de luz (Tabela 12).
TABELA 11. Valores dios de regeneração (%) in vitro de gerânio (P. graveolens)
em função da interação cinetina x ANA. São Cristóvão, UFS, 2008.
Cinetina (mg. L
-1
)
ANA (mg. L
-1
)
0
0,1
0,5
0
8,33 a
4,16 a
4,16 a
0,5
4,16 a
12,50 a
4,16 a
1,0
8,33 b
50,00 a
25,00 b
2,0
4,16 b
62,50 a
58,33 a
Equação (Y=)
ns
0,0757 + 51,5909x
9,8484x
2
R
2
= 91,51%
2,5000 + 29,0476x
R
2
= 94,08%
CV (%)
56,13
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas linhas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p<0,05)
37
A interação ANA e luminosidade mostrou que na ausência de luz a maior
porcentagem de regeneração foi obtida quando utilizados 0,1 mg.L
-1
de ANA (Tabela
13). na presença de luz, as maiores taxas foram obtidas quando utilizados 0,1 e 0,5
mg.L
-1
de ANA. De maneira geral, em todas as concentrações de cinetina e ANA a
condição de escuro propiciou melhores resultados com relação a taxa de regeneração in
vitro de gerânio.
TABELA 12. Valores dios de regeneração (%) in vitro de gerânio (P. graveolens)
em função da interação cinetina x luminosidade. São Cristóvão, UFS, 2008.
Cinetina (mg. L
-1
)
Luminosidade
Claro
Escuro
0
11,11 a
0,00 b
0,5
0,00 b
13,88 a
1,0
11,11 b
44,44 a
2,0
36,11 a
47,22 a
Equação (Y)
9,3636 17,1464x + 15,4040x
2
R
2
= 94,70%
- 2,9545 + 57,3989x 15,9090x
2
R
2
= 93,38%
CV (%)
56,13%
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas linhas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p<0,05)
TABELA 13. Valores dios de regeneração (%) in vitro de gerânio (P. graveolens)
em função da interação ANA x luminosidade. São Cristóvão, UFS, 2008.
ANA (mg. L
-1
)
Luminosidade
Claro
Escuro
0
6,25 bA
6,25 cA
0,1
20,83 aB
43,75 aA
0,5
16,66 aB
29,16 bA
CV (%)
56,13%
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas colunas e maiúsculas nas linhas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste
de Tukey (p<0,05)
Para as variáveis número de brotos por explante e massa seca de parte aérea,
houve interação significativa entre os reguladores de crescimento cinetina e ANA
(Tabela 14 e 15). O maior número de brotos por explante foi obtido quando foi usado
2,0 mg.L
-1
de cinetina e 0,5 mg.L
-1
de ANA, cerca de 6 brotos por explante (Tabela 14).
Em trabalhos com Cissus sicyoides L., Abreu et al.(2003) observaram que os explantes
in vitro foram melhor estabelecidos e multiplicados em meio de cultura suplementado
com cinetina e ANA, que proporcionaram maior indução de gemas e crescimento em
altura das plantas. Em P. graveolens cultivar Hemanti (tipo algeriano) o meio MS
suplementado com 5,0 mg.L
-1
de cinetina e 1,0 mg.L
-1
de ANA foi eficiente para na
regeneração direta a partir de explantes foliares, ao passo que a concentração de 8,0
38
mg.L
-1
de cinetina e 1,0 mg.L
-1
de ANA propiciou o maior número de brotos por
explante a partir de segmentos nodais (SAXENA et al., 2000).
Diante do exposto, fica evidente a importância da presença de reguladores de
crescimento para o melhor resultado dessas variáveis, já que os resultados menos
viáveis foram verificados na ausência ou na baixa dosagem de cinetina e ANA. Soma-se
a isso a importância das respostas dadas pelas plantas quando se usa diferentes tipos de
explantes e genótipos na multiplicação in vitro.
TABELA 14. Valores médios do número de brotos por explante de gerânio (P.
graveolens) em função da interação cinetina x ANA. São Cristóvão, UFS, 2008.
Cinetina (mg. L
-1
)
ANA (mg. L
-1
)
0
0,1
0,5
0
0,00 a
0,00 a
0,00 a
0,5
0,16 a
1,16 a
0,33 a
1,0
1,66 ab
2,97 a
1,00 b
2,0
1,00 b
4,85 a
6,86 a
Equação (Y)
ns
0,0893 + 2,4683x
R
2
= 98,29%
0,0961 1,1735x +
2,2696x
2
R
2
= 99,64%
CV (%)
38,97
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas linhas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p<0,05)
TABELA 15. Valores médios de massa seca de parte aérea (mg) de gerânio (P.
graveolens) em função da interação cinetina x ANA. São Cristóvão, UFS, 2008.
Cinetina (mg. L
-1
)
ANA (mg. L
-1
)
0
0,1
0,5
0
0,00 a
0,00 a
0,00 a
0,5
0,00 a
3,25 a
0,35 a
1,0
24,98 ab
14,87 a
1,83 b
2,0
1,43 b
20,20 a
24,22 a
Equação (Y)
- 4,0490 + 38,4524x
17,5181x
2
R
2
= 55,64%
0,2333 + 10,6841x
R
2
= 91,55%
- 4,3377 + 12,5018x
R
2
= 82,21%
CV (%)
79,62
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas linhas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p<0,05)
5.6. Efeito da luminosidade e dos reguladores de crescimento BAP e ácido indol
acético (AIA)
Houve interação significativa entre BAP e AIA e luminosidade na regeneração in
vitro dos explantes (Tabela 16). Na presença de luz, a maior taxa de regeneração é
representada por uma equação quadrática, onde a concentração de 0,5 mg.L
-1
de BAP e
1,45 mg.L
-1
de AIA propiciou 97,5% de regeneração dos explantes. na ausência de
39
luz, a maior porcentagem de regeneração (100%) foi obtida quando foi utilizada a
concentração de 1,36 mg.L
-1
de BAP e 1,0 mg.L
-1
de AIA. Em trabalho com Solanum
paludosum, Beltrão et al. (2008) obtiveram a regeneração de até 40% dos fragmentos de
folhas e 100% dos fragmentos de hipocótilo utilizados em meio MS suplementado com
0,1 mg.L
-1
de AIA e 2,2 mg.L
-1
de BAP. Resultado diferente foi encontrado por
Arockiasamy et al. (2002) que obtiveram 80% de regeneração de explantes foliares de
Eryngium foetidum L. utilizando 1,0 mg.L
-1
de BAP e 0,1 mg.L
-1
de AIA. Na
multiplicação in vitro de Kaempferia galanga, as maiores taxas de regeneração e
número de brotos foram obtidas utilizando meio MS suplementado com 0,5 mg.L
-1
de
AIA e 2,5 mg.L
-1
de BAP (SWAPNA et al., 2004).
Os resultados mostram que as duas condições de luminosidade possibilitam boas
taxas de regeneração, sendo a combinação entre os reguladores de crescimento o fator
decisivo para a obtenção de melhores resultados.
O número de brotos por explante apresentou resposta significativa em função da
interação BAP x AIA x luminosidade (Tabela 17). A faixa de 0,5 2,0 mg.L
-1
de BAP e
2,0 mg.L
-1
de AIA propiciou os melhores resultados para o número de brotos por
explante na presença de luz, ao passo que os piores resultados foram encontrados em
todas as doses de BAP na ausência de AIA. Na condição de escuro, a concentração de
0,5 mg.L
-1
de BAP na faixa de 0,5 2,0 mg.L
-1
de AIA resultou nos melhores
resultados para o número de brotos por explante (Tabela 17) (Figura 3). em trabalhos
com Averrhoa carambola Through, o meio MS suplementado com 1,0 mg.L
-1
de BAP e
0,5 mg.L
-1
de AIA propiciou a melhor resposta em relação ao número de brotos por
explante (10 + 0,2) (ROY et al., 2007). Em trabalhos com Withania somnifera Dunal, a
concentração de 1,5 mg.L
-1
de BAP e 1,5 mg.L
-1
de AIA propiciou uma média de 22
brotos por explante (SIVANESAN e MURUGESAN, 2008), ao passo que em Zehneria
scabra (L.f.) Sonder, obteve-se de 8 a 10 brotos por explante quando utilizado explante
nodal em meio MS suplementado com 5,0 mg.L
-1
de BAP e 0,5 mg.L
-1
de AIA
(ANAND e JEYACHANDRAN, 2004).
40
TABELA 16. Valores médios de regeneração (%) in vitro de gerânio (P. graveolens) em função da interação BAP x AIA x luminosidade. São
Crisvão, UFS, 2008.
BAP (mg.L
-1
)
AIA (mg.L
-1
)
0,0
0,5
1,0
2,0
Equação (Y) =
--------------------------------------------------- Luz ---------------------------------------------------
0,0
0,00 a
0,00 a
0,00 a
0,00 a
ns
0,5
44,00 a
88,00 a
84,00 a
92,00 a
48,363 + 67,6363x 23,2727x
2
R
2
= 84,32%
1,0
0,00 a
64,00 b
0,00 b
76,00 a
354,0000x 550,0000x
2
+
196,0000x
3
R
2
= 100%
2,0
20,00 a
44,00 b
52,00 b
84,00 a
23,2000 + 30,6285x
R
2
= 97,91%
Equação (Y)=
238,0000x 362,0000x
2
+
124,0000x
3
R
2
= 100%
9,9272 + 132,4727x
58,5454x
2
R
2
= 71,13%
456,6666x 698,0000x
2
+
241,3333x
3
R
2
= 100%
9,9272 + 136,4727x
50,5454x
2
R
2
= 77,78%
--------------------------------------------------- Escuro --------------------------------------------------
0,0
0,00 a
0,00 a
0,00 a
0,00 a
ns
0,5
22,50 b
90,00 a
85,00 a
77,50 b
28,5000 + 113,5000x
45,0000x
2
R
2
= 84,99%
1,0
7,50 a
85,00 a
92,50 a
82,50 a
12,5454 + 145,9545x
55,9090x
2
R
2
= 93,46%
2,0
15,00 a
70,00 a
90,00 a
50,00 b
15,6818 + 134,3181x
58,6363x
2
R
2
= 99,81%
Equação (Y)=
107,5000x 150,0000x
2
+
50,0000x
3
R
2
= 100%
7,6363 + 155,3636x
62,7272x
2
R
2
= 86,34%
5,8636 + 155,6363x
57,2727x
2
R
2
= 92,99%
4,7727 + 152,7272x
65,4545x
2
R
2
= 93,51%
CV (%)
29,37
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas colunas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).
41
TABELA 17. Valores médios do número de brotos por explante de gerânio (P. graveolens) em função da interação BAP x AIA x luminosidade.
São Cristóvão, UFS, 2008.
BAP (mg.L
-1
)
AIA (mg.L
-1
)
0,0
0,5
1,0
2,0
Equação (Y) =
------------------------------------------------------------- Luz -------------------------------------------------------------
0,0
0,00 a
0,00 a
0,00 a
0,00 a
ns
0,5
13,60 a
39,20 a
48,10 a
82,30 a
17,0000 + 32,9142x
R
2
= 98,01%
1,0
0,00 a
36,60 a
0,00 b
76,20 a
207,9000x 330,9000x
2
+
123,0000x
3
R
2
= 100%
2,0
8,90 a
20,30 a
29,00 a
83,80 a
10,1409 + 6,0590x +
15,2818x
2
R
2
= 99,43%
Equação (Y)=
ns
3,1172 + 71,3627x
31,6454x
2
R
2
= 87,87%
261,3666x 399,3000x
2
+ 137,9333x
3
R
2
= 100%
7,7727 + 131,2272x
47,2545x
2
R
2
= 85,01%
------------------------------------------------------------ Escuro -------------------------------------------------------------
0,0
0,00 a
0,00 a
0,00 a
0,00 a
ns
0,5
1,70 b
15,00 b
12,66 b
10,49 b
ns
1,0
0,70 a
5,30 b
6,20 a
8,10 b
ns
2,0
1,60 b
3,90 b
5,40 b
3,60 b
ns
Equação (Y)=
ns
ns
ns
ns
CV (%)
35,28
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas colunas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).
42
Para a variável massa seca de parte aérea, a presença de luz favoreceu o aumento
da massa em todas a concentrações de BAP e AIA, exceto na ausência dos dois
reguladores e nas concentrações 1,0 mg.L
-1
de BAP sem AIA e 1,0 mg.L
-1
BAP e 1,0
mg.L
-1
de AIA. Na ausência de luz, houve um maior acúmulo de massa nas
concentrações de 0,5 mg.L
-1
de BAP na faixa de 0,5 2,0 mg.L
-1
de AIA (Tabela 18).
FIGURA 3. Brotações de gerânio (P. graveolens) na presença (A) e ausência (B) de
luz.
A
B
43
TABELA 18. Valores médios de massa seca de parte aérea (mg) de gerânio (P. graveolens) em função da interação BAP x AIA x luminosidade.
São Cristóvão, UFS, 2008.
BAP (mg.L
-1
)
AIA (mg.L
-1
)
0,0
0,5
1,0
2,0
Equação (Y) =
------------------------------------------------------------- Luz -------------------------------------------------------------
0,0
0,00 a
0,00 a
0,00 a
0,00 a
ns
0,5
42,86 a
82,12 a
84,77 a
73,97 a
45,4223 + 75,0703x
30,6112x
2
R
2
= 92,83%
1,0
0,00 a
36,36 a
0,00 b
71,75 a
205,8783x 326,7550x
2
+
120,8766x
3
R
2
= 100%
2,0
39,26 a
22,55 a
33,26 a
123,49 a
38,8921 55,0843x +
48,7231x
2
R
2
= 99.97%
Equação (Y)=
235,1652x 362,5628x
2
+
127,3976x
3
R
2
= 100%
369,016x 486,4350x
2
+
153,7833x
3
R
2
= 100%
457,6511x 694,7933x
2
+ 237,1422x
3
R
2
= 100%
7,7660 + 102,4626x
22,9466x
2
R
2
= 90,49%
------------------------------------------------------------ Escuro -------------------------------------------------------------
0,0
0,00 a
0,00 a
0,00 a
0,00 a
ns
0,5
1,88 b
17,28 b
17,39 b
16,38 b
ns
1,0
0,84 a
11,62 b
7,64 a
9,38 b
ns
2,0
2,46 b
4,75 b
5,92 b
3,84 b
ns
Equação (Y)=
ns
ns
ns
ns
CV (%)
36,62
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas colunas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).
44
6. CONCLUSÕES
O hipoclorito de sódio a 1,2% por um tempo de 12 minutos foi mais eficiente na
desinfestação de explantes de gerânio;
As concentrações de 0,09 e 0,08% de HgCl
2
durante 12 e 14 minutos,
respectivamente, apresentaram melhores resultados no controle da contaminação;
O uso de explantes foliares em meio MS contendo 39,8% dos sais possibilitou
maiores taxas de regeneração no estabelecimento de P. graveolens;
A utilização dos reguladores de crescimento BAP e AIA proporcionou os
melhores resultados para a regeneração das plantas e para o número de brotos por
explante de gerânio dentre os reguladores testados, sendo a presença de luz a condição
mais indicada.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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48
CAPÍTULO III
ACLIMATIZAÇÃO, TEOR E CONSTITUIÇÃO QUÍMICA DO ÓLEO
ESSENCIAL DE GERÂNIO (Pelargonium graveolens L.)
1. RESUMO
ALMEIDA, Sílvia Ávila de. Aclimatização, teor e constituição química do óleo
essencial de gerânio (Pelargonium graveolens L.). In: Micropropagação, teor e
constituição química do óleo essencial de gerânio (Pelargonium graveolens L.).
2009. 66p. (Dissertação Mestrado em Agroecossistemas). Universidade Federal de
Sergipe, São Cristóvão, SE.
Pelargonium graveolens L. é uma espécie aromática nativa da África do Sul, cujo óleo
essencial é muito apreciado pelas indústrias de perfumaria e cosmético, além da
aromaterapia. Este trabalho teve por objetivo identificar o melhor substrato na
aclimatização de mudas micropropagadas, assim como avaliar o teor e a composição
química do óleo essencial de gerânio proveniente de plantas propagadas através da
estaquia e micropropagadas. O delineamento experimental foi o inteiramente
casualizado, testando-se quatro substratos: pó de coco + Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) +
calcário (1 g.L
-1
) (PCBC); de coco + Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) + calcário (1 g.L
-
1
) + vermiculita (1:1) (PCBCV 1:1); de coco + Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) +
calcário (1 g.L
-1
) + vermiculita (PCBCV 2:1); e vermiculita com adição semanal de sais
MS (VS), distribuídas em quatro repetições, com cinco plantas cada uma. Foram
avaliadas as variáveis sobrevivência (%), altura da planta (cm), número de brotos,
comprimento da raiz (cm), número de folhas, peso de massa seca e fresca da parte aérea
(g). As amostras dos óleos essenciais foram analisadas utilizando CG/EM. As maiores
porcentagens de sobrevivência de plantas foram obtidas quando utilizados os substratos
vermiculita, PCBC e PCBCV (1:1), ao passo que para o comprimento de raiz, número
de brotos e folhas e massa seca de parte aérea não houve diferenças significativas entre
os substratos. Para os dois tipos de propagação, os óleos essenciais foram constitdos
principalmente por citronelol com 33,13% e 34,67%, o geraniol com 20,02% e 16,93%
e formiato de citronelila com 16,31% e 15,68%, nas plantas não micropropagadas e
micropropagadas, respectivamente. De maneira geral, os melhores substratos para
aclimatização de mudas de gerânio micropropagadas foram VS, PCBC e PCBCV 1:1.
Houve diferença no teor e composição química do óleo de gerânio proveniente de
plantas propagadas por estaquia e micropropagadas.
Palavras-chave: Pelargonium graveolens, micropropagação, substratos, óleo essencial.
__________________
Comitê Orientador: Maria de Fátima Arrigoni-Blank - UFS (Orientadora), Arie
Fitzgerald Blank UFS (Co-orientador).
49
2. ABSTRACT
ALMEIDA, Sílvia Ávila de. Acclimatization, essential oil content and chemical
composition of geranium (Pelargonium graveolens L.). In: Micropropagation,
essential oil content and chemical composition of geranium (Pelargonium
graveolens L.). 2009. 66p. (Dissertation Master Program in Agroecosystems). Federal
University of Sergipe, São Cristóvão, SE.
Pelargonium graveolens L. is a native aromatic species from South Africa, which
essential oil is used in perfume and cosmetic industries, besides the aromatherapy. The
aim of this work was to identify the best substrate for acclimatization of
micropropagated transplants, as well as to evaluate geranium essential oil content and
chemical composition derived from plants produced with rooted cuttings and
micropropagated plants. The completely randomized design was used with four
replications and five plants per replication, testing four substrates: coconut dust +
Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) + lime stone (1 g.L
-1
) (PCBC); coconut dust + Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) + lime stone (1 g.L
-1
) + vermiculite (1:1) (PCBCV 1:1); coconut dust
+ Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) + lime stone (1 g.L
-1
) + vermiculite (PCBCV 2:1); and
vermiculite and weekly addition of solution with salts of MS medium (VS). The
evaluated variables were survival (%), plant height (cm), number of shoots, root length
(cm), number of leaves, dry and fresh weight of aerial part (g). The samples of essential
oil were analyzed with GC/MS. The highest survival percentages of plants were
obtained when the substrates vermiculite, PCBC and PCBCV (1:1) were used. For root
length, number of shoots and leaves, and weight of the aerial part there were no
significative differences between substrates. The essential oils were principally
constituted by 33.13% and 34.67% citronellol, 20.02% and 16.93% geraniol and
16.31% and 15.68% citronellyl formate, respectively from not micropropagated and
micropropagated plants. Generally, the best substrates for acclimatization of geranium
micropropagated plants were VS, PCBC and PCBCV 1:1. There were differences for
essential oil content and chemical composition derived from plants produced with
rooted cuttings and micropropagated plants.
Keywords: Pelargonium graveolens, micropropagation, substrates, essential oil.
____________________
Guidance Committee: Maria de Fátima Arrigoni-Blank - UFS (Adviser), Arie Fitzgerald
Blank UFS (Co- Adviser).
50
3. INTRODUÇÃO
Um fator importante envolvido no processo de aclimatização diz respeito ao
substrato utilizado na preparação das mudas, uma vez que ele pode facilitar ou impedir
o crescimento das plantas conforme suas propriedades físico-químicas (SKREBSKY et
al., 2006). Do ponto de vista econômico, social e ambiental, alguns autores vêm
destacando a importância da utilização de matérias-primas regionais, tais como casca de
arroz, bagaço de cana, fibra de coco e até mesmo o resíduo de algodão proveniente da
indústria têxtil (BACKES e KÄMPF, 1991; FLYNN et al., 1995; CHONG, 1999;
SAINJU et al., 2001).
Devido às propriedades aromáticas que muitos óleos essenciais apresentam, são
muito utilizados na perfumaria, na indústria de alimentos, de cosméticos, de higiene e
limpeza, além de apresentarem atividades biológicas, principalmente antimicrobianas,
sendo muito utilizados na indústria farmacêutica (MOREL, 2003).
A produção nacional de óleo essencial pode significar um novo nicho de
necios para a agroindústria minifundiária, já que o Brasil importa a maior parte dos
óleos essenciais que a instria nacional utiliza. Nos últimos anos, importou, em média,
U$ 10,8 milhões, contra U$ 2,2 milhões em exportação. Assim, os indicativos de
mercado dão conta de que uma real possibilidade para a produção nacional neste
campo econômico, com vantagens em termos de custo e qualidade (SERAFINI e
CASSEL, 2001).
Os maiores produtores de óleo de gerânio são a China, Egito (tipo norte
africano), Algeria, Marrocos e Ilha Reunion (tipo Bourbon), além da Índia (JULIANI,
2009; GOMES, 2009). O óleo de cada região apresenta composição química única o
que, consequentemente, determina seu valor comercial. O tipo Bourbon é considerado o
de melhor qualidade e, portanto, apresenta maior preço no mercado (ARAYA, 2009).
O geraniol, citronelol e linalol juntos tipificam as diferentes qualidades desse
óleo. O citronelol é usualmente encontrado em maiores proporções no óleo chinês (38-
40%) e no óleo egípcio (31-33%) do que no óleo Bourbon (19-21%), ao contrário do
geraniol e linalol que apresentam maiores porcentagens no Bourbon (16-19%/7-10%) e
menores no egípcio (13-15%/5-6%) e chinês (7-10%/2-3%); no entanto, variações
dessas porcentagens podem ocorrer de acordo com a variedade em cultivo (DEMARNE,
2002).
51
Diante do exposto, o presente trabalho objetivou verificar o melhor substrato na
aclimatização de mudas micropropagadas, assim como avaliar o teor e a composição
química do óleo essencial de gerânio proveniente de plantas propagadas
convencionalmente e micropropagadas.
4. MATERIAL E MÉTODOS
4.1. Local
O ensaio de aclimatização foi conduzido no Departamento de Engenharia
Agronômica (DEA), na Universidade Federal de Sergipe (UFS), São Cristóvão-SE.
os ensaios envolvendo a extração do óleo essencial foram realizados no Laboratório de
Fitotecnia do Departamento de Engenharia Agronômica e os de caracterização química
no Laboratório de Produtos Naturais do Departamento de Química da Universidade
Federal de Sergipe.
4.2. Aclimatização de mudas micropropagadas
Mudas de gerânio micropropagadas do genótipo UFS-PEL001 foram retiradas
dos frascos e lavadas com água para remover os resíduos do meio de cultura aderido às
raízes e, posteriormente, transferidas para bandejas de poliestireno expandido com 72
alvéolos, contendo diferentes tratamentos. O experimento foi conduzido em ambiente
protegido com tela sombrite de 50% e sistema de nebulização intermitente garantindo
alta umidade relativa.
O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado, utilizando-se
quatro substratos: pó de coco + Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) + calcário (1 g.L
-1
)
(PCBC); de coco + Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) + calcário (1 g.L
-1
) + vermiculita
(1:1) (PCBCV 1:1); de coco + Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) + calcário (1 g.L
-1
) +
vermiculita (PCBCV 2:1) e vermiculita e adição semanal de sais MS (VS), distribuídas
em quatro repetições. Cada unidade experimental foi constituída por cinco plantas.
Aos 40 dias foram avaliadas as variáveis sobrevivência (%), altura da planta
(cm), número de brotos, comprimento da raiz (cm), número de folhas, peso de massa
seca e fresca da parte aérea (g).
52
4.3. Plantio em campo
Plantas micropropagadas e aclimatizadas e as provenientes de estaquia foram
transferidas para canteiros localizados no Horto de Plantas Medicinais da Fazenda
Experimental "Campus Rural" da UFS, localizada no município de São Cristóvão SE,
para extração e análise química do óleo essencial.
Plantas antes e após a micropropagação foram coletadas para extração do óleo
essencial. Parte aérea de plantas foram colhidas aos 90 dias do plantio em campo e secas
a 40°C em estufa de secagem com circulação de ar forçada (Marconi - MA035/5) por
cinco dias.
4.4. Extração, teor e análise química do óleo essencial
O óleo essencial de folhas secas do genótipo UFS-PEL001 de P. graveolens
foram obtidos por hidrodestilação através de aparelho do tipo Clevenger (GUENTHER,
1972) por aproximadamente 160 minutos. Os teores foram estimados com base no peso
da matéria seca (mL.100 g
-1
) e obtidos utilizando-se três amostras de 75 g (ASTA,
1968).
Amostras dos óleos essenciais foram analisadas utilizando-se cromatografia
gasosa em equipamento Shimadzu QP5050A interfaceada com espectroscopia de massa
(CG/EM), dotada de coluna capilar DB-5 (30 m x 0,25 mm x 0,25 m) nas seguintes
condições: s de arraste hélio (fluxo 1,0 mL.min-1); tipo de injeção split a 250
o
C
(1/20); detector a 280
o
C, programação da coluna 80
o
C durante 1,5 minuto, com
aumento de 4
o
C por minuto para 180
o
C, seguido de 10
o
C por minuto até 300
o
C,
finalizando com 10 min. de isoterma a 300
o
C. Os espectros de massas foram obtidos por
impacto eletrônico a 70 eV. A identificação dos constituintes foi determinada com base
na comparação do índice de retenção (VAN DEN DOOL e KRATZ, 1963) relativo a
uma série de n-alcanos homólogos obtido pela co-injeção de amostras do óleo com uma
mistura linear de hidrocarbonetos, bem como com o banco de dados NIST21 e NIST107
da biblioteca do CG/EM e publicação de espectro de massas (ADAMS, 2007).
53
4.5. Análise estatística
Os dados de porcentagem foram transformados em arco seno da raiz quadrada
de (X/100) e o número de brotos, altura das plantas (cm), comprimento da raiz (cm),
número de folhas e massa seca e fresca de parte aérea em raiz de (x + 0,5). Os
resultados foram submetidos à análise de variância pelo teste F e, quando significativos,
as médias comparadas pelo teste de Tukey (p<0,05), utilizando o programa estatístico
Sisvar (Ferreira, 2000).
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1. Aclimatização de mudas micropropagadas
As variáveis sobrevivência, altura de planta, massa fresca de parte aérea e seca
de raiz foram afetadas significativamente pelas misturas de substratos utilizados na
aclimatização de gerânio. o comprimento de raiz, número de brotos, número de
folhas e massa seca de parte aérea o houve diferenças significativas entre os
substratos (Tabelas 19 e 20).
As maiores porcentagens de sobrevivência de plantas foram obtidas quando
foram utilizados os substratos vermiculita, PCBC e PCBCV (1:1) (Tabela 19) (Figura
4). Na aclimatização de plântulas de coqueiro-anão as maiores taxas de sobrevincia
(58,33%) foram observadas na mistura areia lavada e pó de casa de coco seco (LÉDO et
al., 2007). O uso de pó da casca de coco é de grande utilidade, uma vez que o
aproveitamento de resíduos da agroindústria surge como uma solução para problemas
econômicos, sociais e ambientais (SILVEIRA et al., 2002).
Em relação à altura de plantas, o maior valor foi proporcionado pela utilização
de vermiculita, não diferenciando significativamente dos substratos PCBCV (1:1) e
PCBCV (2:1) (Tabela 19). Esta mesma tenncia foi observada em relação à massa
fresca de parte aérea (Tabela 20). Trabalhando com violeta africana (Saintpaulia
ionantha Wendl), Terceiro Neto et al. (2004) observaram que os melhores resultados
foram obtidos nas mudas aclimatizadas nos substratos comerciais plantagro e bioplant,
seguidos pelo de coco seco e vermiculita. Resultados diferentes foram obtidos na
aclimatização de mudas micropropagadas de porta-enxerto de macieira `Marubakaido´,
54
que ao contrio do obtido com gerânio, a vermiculita mostrou-se o substrato menos
eficiente (HOFFMANN et al., 2001).
TABELA 19. Valores médios de sobrevivência (%), altura de planta (cm),
comprimento de raiz (cm), número de folhas e brotos na aclimatização de plantas
degerânio (P. graveolens) em diferentes misturas de substratos. o Cristóvão-SE, UFS,
2008.
Substrato
1
Sobrevivência
(%)
Altura de
planta (cm)
Comprimento
de Raiz (cm)
mero de
Brotos
mero de
folhas
PCBC
55,0 ab
2,5 b
7,4 a
0,90 a
7,1 a
PCBCV 1:1
85,0 ab
4,1 ab
10,2 a
1,75 a
13,0 a
PCBCV 2:1
45,0 b
3,6 ab
7,4 a
1,23 a
9,0 a
VS
95,0 a
6,3 a
13,0 a
1,90 a
14,3 a
CV (%)
37,05
39,35
35,50
44,88
37,09
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas colunas, o diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey
(p<0,05).
1
PCBC = de coco + Biosafra (3-12-6) (12 g.L
-1
) + calcário (1g.L
-1
); PCBCV (1:1) =de coco + Biosafra (3-12-6) (12
g.L
-1
) + calcário (1 g.L
-1
) + vermiculita (1:1); PCVCV (2:1) = de coco + Biosafra (3-12-6) (12 g.L
-1
) + calcário (1g.L
-1
) +
vermiculita (2:1) e VS = vermiculita + sais MS.
FIGURA 4. Altura de mudas de gerânio (P. graveolens) em diferentes substratos. (A)
de coco + Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) + calcário (1 g.L
-1
), (B) de coco +
Biosafra
®
(3-12-6) (12 g.L
-1
) + calcário (1 g.L
-1
) + vermiculita (1:1), (C) vermiculita
com adão semanal de sais MS .
A
B
A
B
C
55
TABELA 20. Valores médios de massa fresca de parte rea (g) e massa seca de
parte aérea e raiz na aclimatização de plantas de genio (P. graveolens) em diferentes
misturas de substratos. São Cristóvão-SE, UFS, 2008.
Substrato
1
Massa fresca de
Massa seca (g)
parte aérea (g)
Parte aérea
Raiz
PCBC
55,84 ab
8,30 a
0,06 b
PCBCV 1:1
86,26 ab
11,92 a
0,10 b
PCBCV 2:1
45,68 b
8,62 a
0,05 b
VS
96,47 a
14,89 a
0,19 a
CV (%)
35,28
34,88
40,22
*Médias seguidas das mesmas letras minúsculas nas colunas,o diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).
1
PCBC = de coco + Biosafra (3-12-6) (12 g.L
-1
) + calcário (1g.L
-1
); PCBCV (1:1) = de coco + Biosafra (3-12-6) (12 g.L
-1
) +
calcário (1g.L
-1
) + vermiculita (1:1); PCVCV (2:1) = pó de coco + Biosafra (3-12-6) (12 g.L
-1
) + calcário (1g.L
-1
) + vermiculita (2:1)
e VS = vermiculita + sais MS.
5.2. Extração, teor e análise química do óleo essencial
Dos compostos presentes no óleo essencial de plantas propagadas por estaquia e
micropropagadas, 30 constituintes foram identificados e encontram-se listados de
acordo com a ordem de eluição (Tabela 21). Para os dois tipos de propagação, os óleos
essenciais foram constitdos principalmente por citronelol com 33,13% e 34,67%, o
geraniol com 20,02% e 16,93% e formiato de citronelila com 16,31% e 15,68%, nas
plantas não micropropagadas e micropropagadas, respectivamente (Tabela 21). Quanto
ao teor, a micropropagação alterou esta variável, sendo as plantas propagadas
convencionalmente as que apresentaram um maior teor (0,83%) (Tabela 21). Em
trabalhos com a cultivar „Sunshine‟ de vetiver também foram verificadas diferenças
entre o rendimento e composição do óleo essencial de plantas micropropagadas e não
micropropagadas, sendo observado maior rendimento e maior número de compostos
nestas últimas. Isso se deve à ação de microorganismos endofíticos que provocam
transformações químicas nas plantas não micropropagadas, ao passo que as plantas
propagadas in vitro estão livres de qualquer microorganismo (ADAMS et al., 2004).
Os resultados do presente trabalho superam os obtidos por Shin (2003), que
trabalhando com o P. graveolens obteve 17,40% de citronelol e 5,89% de geraniol,
sendo estes os principais componentes identificados. Em Pérez et al. (2007) a extração
do óleo de plantas de P. graveolens com 6 e 12 meses de idade resultou em citronelol
como o composto presente em maior quantidade, seguido do formiato de citronelila e
geraniol. Comparando áreas de cultivo de gerânio localizados no norte e sul da Índia,
Jain et al. (2001) constataram que os maiores constituintes do óleo foram citronelol
(33.6% e 26.7%), geraniol (20.2% e 24.1%), formiato de citronelila (6.6% e 8.2%),
linalol (5.3% e 6.7%), entre outros.
56
TABELA 21. Teor e composição química do óleo essencial de plantas de gerânio (P.
graveolens) genótipo UFS-PEL 001. São Cristóvão, UFS, 2008.
Composto
IK
a
Porcentagem nas plantas
Plantas não
micropropagadas
*
Plantas
micropropagadas
*
Tricicleno
931
0,09 + 0,09
0,06 + 0,06
Óxido de linalol
1069
0,10 + 0,06
0,23 + 0,12
Linalol
1098
8,27 + 0,38
7,54 + 0,78
Óxido de rosa
1124
0,39 + 0,06
1,74 + 0,04
Isomentona
1162
1,38 + 0,18
1,96 + 0,15
-Terpineol
1192
0,32 + 0,16
0,44 + 0,06
Nerol
1222
0,21 + 0,10
0,11 + 0,06
Citronelol
1224
33,13 + 0,98
34,67 + 0,50
Neral
1236
0,48 + 0,24
0,75 + 0,09
Geraniol
1248
20,02 + 1,53
16,93 + 0,35
Geranial
1265
1,09 + 0,09
1,16 + 0,01
Formiato de citronelila
1270
16,31 + 1,08
15,69 + 0,26
Formiato de geranila
1295
6,48 + 0,66
4,61 + 0,04
Acetato de citronelila
1348
0,18 + 0,10
0,00 + 0,00
Acetato de geranila
1376
0,18 + 0,11
0,00 + 0,00
-Bourboneno
1381
0,20 + 0,10
0,15 + 0,08
- Cariofileno
1419
0,62 + 0,31
0,72 + 0,06
Propionato de citronelila
1438
0,17 + 0,09
0,00 + 0,00
6,9-Guaiadieno
1440
3,63 + 0,60
4,23 + 0,20
- Humuleno
1455
0,12 + 0,06
0,04 + 0,04
Propionato de geranila
1467
0,67 + 0,16
0,44 + 0,04
Germacreno D
1479
0,54 + 0,27
0,80 + 0,05
Biciclogermacreno
1494
0,04 + 0,04
0,00 + 0,00
-Cadineno
1516
0,16 + 0,08
0,27 + 0,02
n-Butirato de citronelila
1522
0,35 + 0,18
0,14 + 0,14
n-Butirato de geranila
1554
1,01 + 0,18
0,32 + 0,32
(E)-2-Tiglato de feniletila
1581
0,77 + 0,39
1,37 + 0,05
1-10-di-epi-Cubenol
1614
0,03 + 0,03
0,00 + 0,00
1-epi-Cubenol
1627
0,04 + 0,04
0,00 + 0,00
Cubenol
1641
0,05 + 0,05
0,00 + 0,00
Monoterpenos (%)
90,83
86,79
Sesquiterpenos (%)
6,20
7,58
Total Identificado (%)
97,03
94,37
Teor (%)
0,83 + 0,08
0,64 + 0,02
a
Indice de Kovats.
* Média + Erro padrão da média
Por outro lado, trabalhando com Mentha arvensis L. foi possível observar que
o diferenças no teor e composição química do seu óleo essencial quando
propagadas vegetativamente ou micropropagadas (FONSECA et al., 2008). Diante do
exposto, é possível verificar que cada espécie se comporta de maneira diferente
dependendo do lugar e tempo de cultivo, do genótipo utilizado, do tipo de destilação,
entre outras coisas, o que pode afetar seu metabolismo e, consequentemente, a produção
de óleo essencial.
57
Comparando os dois tipos de propagação, foi possível observar que a
micropropagação promoveu uma maior porcentagem de citronelol ao passo que
diminuiu a porcentagem de geraniol. Sendo a razão citronelol:geraniol o fator
determinante para a qualidade e, dessa forma, o valor comercial do óleo, pode-se dizer
que para esse genótipo a propagação convencional por estaquia é a mais indicada
quando se observa a composição quantitativa e qualitativa deste óleo.
6. CONCLUSÃO
De maneira geral, os substratos VS, PCBC e PCBCV 1:1 apresentaram melhores
resultados na aclimatização de mudas micropropagadas de gerânio;
Houve diferença no teor e composição química do óleo essencial de gerânio
proveniente de plantas propagadas por estaquia e micropropagadas.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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vetiver root essential oils from cleansed (bacteria- and fungus-free) versus non-cleansed
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Carol Stream, 2007, 469 p.
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Composición química de los metabolitos secundarios volátiles de pelargonium
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SHIN, S. Anti-Aspergillus activities of plant essential oils and their combination effects
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SILVEIRA, E. B.; RODRIGUES, V. J. L. B.; GOMES, A. M. A.; MARIANO, R. L. R;
MESQUITA, J. C. P. de coco como substrato para produção de mudas de tomateiro.
Horticultura Brasileira, Brasília, v. 20, n. 2, p. 211-216, jun. 2002.
SKREBSKY, E. C.; NICOLOSO, F. T.; MALDANER, J. Substratos na aclimatização
de Pfaffia glomerata (Spreng) Pedersen produzida in vitro sob diferentes doses de
sacarose. Ciência Rural, Santa Maria, v. 36, n. 5, p. 1416-1423, set./out. 2006.
TERCEIRO NETO, C. P. C.; HERNANDEZ, F. F. F.; BEZERRA, F. C.; SOUSA, R. F.
de; CAVALCANTI, M. L. F. Efeito da concentração salina da solução nutritiva na
aclimatização de plantas micropropagadas de violeta africana (Saintpaulia ionantha
Wendl). Revista de Biologia e Ciências da Terra, Campina Grande, v. 4, n. 2, p. 1-8,
2004.
VANDENDOOL, H.; KRATZ, J. D. J. A generalization of the retention index system
including linear temperature programmed gas-liquid artitionchromatography. Journal
of Chromatography, Netherlands, v. 11, p. 463-471, ago. 1963.
60
ANEXOS
ANEXO A Página
TABELA 1A Composição do meio MS (MURASHIGE & SKOOG, 1962) ........... 62
TABELA 2A Resumo da análise de variância das variáveis porcentagem de
regeneração (%) e contaminação (%) de gerânio (P.
graveolens) in vitro, em função de concentrações de
hipoclorito de sódio, tempo de imersão e tratamento na planta
matriz. São Cristóvão-SE, UFS, 2008. . ............................................. 63
TABELA 3A Resumo da análise de variância das variáveis porcentagem de
regeneração (%) e contaminação (%) de gerânio (P.
graveolens) in vitro, em função de concentrações de cloreto de
mercúrio, tempo de imersão e tratamento na planta matriz. São
Crisvão-SE, UFS, 2008. ................................................................. 63
TABELA 4A Resumo da análise de variância das variáveis regeneração (%),
número de brotos por explante, massa (mg) seca de parte aérea
(MSPA) de explantes de gerânio (P. graveolens) in vitro, em
função de concentrações de sais MS e tipo de explante. São
Crisvão-SE, UFS, 2008. ................................................................. 64
TABELA 5A Resumo da análise de variância das variáveis regeneração (%),
número de brotos por explante, massa (mg) seca de parte aérea
(MSPA) de explantes de gerânio (P. graveolens) in vitro, em
função de concentrações de BAP, ANA e luminosidade. São
Crisvão-SE, UFS, 2008... ............................................................... 64
TABELA 6A Resumo da análise de variância das variáveis regeneração (%),
número de brotos por explante, massa (mg) seca de parte aérea
(MSPA) de explantes de gerânio (P. graveolens) in vitro, em
função de concentrações de cinetina, ANA e luminosidade.
São Cristóvão-SE, UFS, 2008. .......................................................... 65
TABELA 7A Resumo da análise de variância das variáveis regeneração (%),
número de brotos por explante, massa (mg) seca de parte aérea
(MSPA) de explantes de gerânio (P. graveolens) in vitro, em
função de concentrações de BAP, AIA e luminosidade. São
Crisvão-SE, UFS, 2008... ............................................................... 65
61
TABELA 8A Resumo da análise de variância das variáveis sobrevivência
(%), altura de plantas (cm), comprimento de raiz (cm), número
de brotos por explante e número de folhas de mudas de gerânio
(P. graveolens) aclimatizadas em diferentes substratos. São
Cristóvão-SE, UFS, 2008. ................................................................. 66
TABELA 9A Resumo da análise de variância das variáveis massa fresca de
parte aérea (g), massa (g) seca de parte aérea e raiz de mudas
de gerânio (P. graveolens) aclimatizadas em diferentes
substratos. São Cristóvão-SE, UFS, 2008. ......................................... 66
62
63
TABELA 2A. Resumo da análise de variância das variáveis porcentagem de
regeneração (%) e contaminação (%) de gerânio (P. graveolens) in vitro, em função de
concentrações de hipoclorito de dio, tempo de imersão e tratamento na planta matriz.
São Cristóvão-SE, UFS, 2008.
Fonte de variação
GL
QM
Regeneração
1/
Contaminação
1/
Hipoclorito de sódio (H)
3
2996,419
**
2224,392
**
Tempo (T)
3
1603,190
**
1625,434
**
Pulverização (P)
1
14077,148
**
6,510
H x T
9
389,359
191,695
H x P
3
183,919
210,503
T x P
3
222,981
245,225
H x T x P
9
542,715
512,876
Resíduo
64
247,395
252,278
CV (%)
37,27
61,81
1/ Dados transformados para arco seno da raiz de (x/100);
* Significativo a 5% de probabilidade pelo teste de F; ** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste
de F.
TABELA 3A. Resumo da análise de variância das variáveis porcentagem de
regeneração (%) e contaminação (%) de gerânio (P. graveolens) in vitro, em função de
concentrações de cloreto de mercúrio, tempo de imersão e tratamento na planta matriz.
São Cristóvão-SE, UFS, 2008.
Fonte de variação
GL
QM
Regeneração
1/
Contaminação
1/
Cloreto de mercúrio (C)
3
232,204
284,288
Tempo (T)
3
249,565
110,677
Pulverização (P)
1
4746,093**
51569,010**
C x T
9
1401,186*
1673,177*
C x P
3
1152,343
2089,843
T x P
3
475,260
388,454
C x T x P
9
376,880
538,917
Resíduo
64
651,041
878,906
CV (%)
111,44
53,19
1/ Dados transformados para arco seno da raiz de (x/100);
* Significativo a 5% de probabilidade pelo teste de F; ** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste
de F.
64
TABELA 4A. Resumo da análise de variância das variáveis regeneração (%), número
de brotos por explante, massa (mg) seca de parte aérea (MSPA) de explantes de gerânio
(P. graveolens) in vitro, em função de concentrações de sais MS e tipo de explante. São
Crisvão-SE, UFS, 2008.
Fonte de variação
GL
QM
Regeneração
1/
Número de
brotos
2/
Massa seca de
parte aérea
2/
Concentração de sais MS (C)
3
838,541
59,718
6518,154**
Tipo de explante (E)
1
562,500
986,764**
22465,561**
C x E
3
3489,583**
38,225
1550,530
Resíduo
32
308,593
23,570
423,273
CV (%)
23,26
20,23
20,28
1/ Dados transformados para arco seno da raiz de (x/100);
2/ Dados transformados para raiz de (x + 0,5);
* Significativo a 5% de probabilidade pelo teste de F; ** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste
de F.
TABELA 5A. Resumo da análise de variância das variáveis regeneração (%), número
de brotos por explante, massa (mg) seca de parte aérea (MSPA) de explantes de gerânio
(P. graveolens) in vitro, em função de concentrações de BAP, ANA e luminosidade.
São Cristóvão-SE, UFS, 2008.
Fonte de variação
GL
QM
Regeneração
1/
Número de
brotos
2/
Massa seca de
parte aérea
2/
BAP (B)
3
0,770**
211,125**
335,313**
ANA (A)
2
1,827**
111,168**
306,433**
Luminosidade (L)
1
5,713**
604,708**
417,569**
B x A
6
0,143**
81,228**
115,033**
B x L
3
0,111*
81,781**
64,776
*
A x L
2
0,559*
172,988**
206,007
**
B x A x L
6
0,124**
36,764*
20,571
ns
Resíduo
48
0,032
20,014
16,138
CV (%)
32,76
34,38
52,56
1/ Dados transformados para arco seno da raiz de (x/100);
2/ Dados transformados para raiz de (x + 0,5);
* Significativo a 5% de probabilidade pelo teste de F; ** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste
de F.
65
TABELA 6A. Resumo da análise de variância das variáveis regeneração (%), número
de brotos por explante, massa (mg) seca de parte aérea (MSPA) de explantes de gerânio
(P. graveolens) in vitro, em função de concentrações de cinetina, ANA e luminosidade.
São Cristóvão-SE, UFS, 2008.
Fonte de variação
GL
QM
Regeneração
1/
Número de
brotos
2/
Massa seca de
parte aérea
2/
Cinetina (C)
3
5448,495**
64,060**
1184,722**
ANA (A)
2
4175,347**
16,840**
71,004*
Luminosidade (L)
1
2508,680**
17,820**
696,266
C x A
6
1663,773**
14,716**
548,039**
C x L
3
1490,162**
3,040
350,198
A x L
2
789,930*
6,242
162,167
C x A x L
6
292,245ns
8,553
478,887
Resíduo
48
112,847
4,189
337,374
CV (%)
56,13
38,97
79,62
1/ Dados transformados para arco seno da raiz de (x/100);
2/ Dados transformados para raiz de (x + 0,5);
* Significativo a 5% de probabilidade pelo teste de F; ** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste
de F.
TABELA 7A. Resumo da análise de variância das variáveis regeneração (%), número
de brotos por explante, massa (mg) seca de parte aérea (MSPA) de explantes de gerânio
(P. graveolens) in vitro, em função de concentrações de BAP, AIA e luminosidade. São
Crisvão-SE, UFS, 2008.
Fonte de variação
GL
QM
Regeneração
1/
Número de
brotos
2/
Massa seca de
parte aérea
2/
BAP (B)
3
38679,205**
5474,506**
12876,373**
AIA (A)
3
17022,539**
6190,542**
4932,136**
Luminosidade (L)
1
2231,289**
20587,068**
40794,790**
B x A
9
2667,955**
966,300**
1890,475**
B x L
3
3000,039**
2570,937**
7249,651**
A x L
3
3801,705**
4945,559**
3575,354**
B x A x L
9
1116,566**
785,893**
1590,011**
Resíduo
12
8
156,230
174,905
287,216
CV (%)
29,37
35,28
36,62
1/ Dados transformados para arco seno da raiz de (x/100);
2/ Dados transformados para raiz de (x + 0,5);
* Significativo a 5% de probabilidade pelo teste de F; ** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste
de F.
66
TABELA 8A. Resumo da análise de variância das variáveis sobrevivência (%), altura
de plantas (cm), comprimento de raiz (cm), número de brotos por explante e número de
folhas de mudas de gerânio (P. graveolens) aclimatizadas em diferentes substratos. São
Crisvão-SE, UFS, 2008.
Fonte de
variação
GL
QM
Sobrevivência
Altura de
planta
Comprimento
de raiz
Número
de brotos
Número
de
folhas
Substratos
(S)
3
0,662
*
13,028
*
35,863
ns
1,068
ns
57,452
*
Resíduo
16
0,154
2,628
11,335
0,420
16,176
CV (%)
37,05
39,35
35,50
44,88
37,09
* Significativo a 5% de probabilidade pelo teste de F.
TABELA 9A. Resumo da análise de variância das variáveis massa fresca de parte aérea
(g), massa (g) seca de parte aérea e raiz de mudas de gerânio (P. graveolens)
aclimatizadas em diferentes substratos. São Cristóvão-SE, UFS, 2008.
Fonte de
variação
GL
QM
Massa fresca de parte
aérea
Massa seca de parte
aérea
Massa seca de
raiz
Substratos (S)
3
2087,657
**
0,096
ns
0,0009
**
Resíduo
16
316,640
0,033
0,0001
CV (%)
35,28
34,88
40,22
** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste de F.
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