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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA
DEPARTAMENTO DE LETRAS E PEDAGOGIA – DLP
Pós-Graduação Mestrado em Ciências da Linguagem
Campus de Guajará-Mirim (RO)
Hildeniza Castro da Silva Furtado
LEVANTAMENTO DE LEXIAS CARACTERÍSTICAS DOS
FALARES DO GUAPORÉ, COM ESPECIAL MENÇÃO DOS
POSSÍVEIS BANTUÍSMOS.
Guajará-Mirim/RO
2009
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Hildeniza Castro da Silva Furtado
LEVANTAMENTO DE LEXIAS CARACTERÍSTICAS DOS
FALARES DO GUAPORÉ, COM ESPECIAL MENÇÃO DOS
POSSÍVEIS BANTUÍSMOS.
Dissertação apresentada ao Curso de
Ciências da Linguagem da Universidade Federal
de Rondônia (UNIR) como requisito parcial para
Obtenção do título de Mestre em Ciências da
Linguagem – Etnolinguística Africanista.
Orientadora: Profª.Pós Drª Geralda Angenot-de Lima
Guajará-Mirim/RO
2009
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Copryight by Hildeniza Castro da Silva Furtado. Todos os direitos reservados.
É permitida a reprodução total ou parcial desta dissertação, desde que citada a fonte,
devendo ser comunicado tal ato à Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR,
Campus de Guajará-Mirim ou pelo endereço eletrônico [email protected].
Catalogação Biblioteca do Campus de Guajará-Mirim/UNIR.
FURTADO, Hildeniza Castro da Silva
Levantamento de lexias características dos falares
do Guaporé, com especial menção dos possíveis bantuísmos.
- Guajará-Mirim, RO: [s.n.], 2009
Orientadora: Profª Pós- Drª Geralda de Lima V. Angenot.
Dissertação (mestrado) – Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR,
Campus de Guajará-Mirim, 2009.
1. Vale do Guaporé 2. Quilombolas 3. Bantuísmos
Esta dissertação foi aprovada pela banca examinadora e julgada suficiente como um
dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Ciências da Linguagem, opção
Etnolinguística Africanista, e aprovada em sua forma final pelo programa de Pós-
Graduação em Ciências da Linguagem da Fundação Universidade Federal de Rondônia.
Guajará-Mirim, 28 Fevereiro de 2009.
Prof. Pós Dr. Jean- Pierre Angenot
Coordenador do Curso de Mestrado
Do Campus de Guajará-Mirim
BANCA EXAMINADORA
Profª Pós-Drª Geralda de Lima V. Angenot____________________________________
Orientadora e Presidente da Banca
Universidade Federal de Rondônia
Profª Pós-Drª Katherine Bárbara Kempf______________________________________
Membro da Banca
Universidade Federal de Rondônia
Prof Pós-Dr.Daniel Mutombo Huta-Mukana__________________________________
Membro Externo
Institut Supériour Pédagogíque
Université de Mbujimayi R.D.Congo
Prof. Pós Dr. Jean-Pierre Angenot__________________________________________
Suplente
Universidade Federal de Rondônia
Guajará-Mirim/RO
2009
Dedicatória
Dedico este trabalho a meu Pai:
Almembergue Miguel da Silva (in memorian).
SUMÁRIO
DEDICATÓRIA........................................................................................ v
SUMÁRIO..................................................................................................vi
RESUMO...................................................................................................vii
ABSTRACT..............................................................................................viii
ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS
UTILIZADOS.............................................................................................ix
Introdução....................................................................................................x
CAPÍTULO I – HISTÓRICO – CULTURAL
1. A colonização do vale do Guaporé.................................................11
1.1 A presença dos negros na Amazônia..................................................14
1.1.1 A escravidão dos
negros......................................................................18
1.1.2 A saída dos brancos de Vila Bela da Santíssima
Trindade condiciona o apogeu dos negros.................................22
2. Quilombolas do Guaporé: um pouco de cultura..........................24
2.1 A Festa do Divino: um pouco de história...........................................25
2.1.1 A Festa do Divino........................................................................26
2.1.2 Alguns cânticos para receber o divino......................................28
2.2. A dança do chorado.....................................................................29
2.3 Festa de São Benedito....................................................................30
2.4 Festa do Congo...............................................................................30
2.5 Festa das Três Pessoas
CAPÍTULO II – LEVANTAMENTO DOS DADOS
1. Os dados...........................................................................................31
2. Os informantes................................................................................32
3. Análise dos dados............................................................................33
3.1 Corpus Levantado..........................................................................34
3.2Quadros Específicos......................................................................127
a) Prováveis Lexias Africanas.........................................................127
b)Lexias encontradas no Guaporé que não estão
inclusas nos dicionários pesquisados..............................................128
c) Lexias encontradas no Guaporé
e no dicionário de bantuísmos........................................................130
3.3 Expressões Encontradas.............................................................130
3.4 Os dados levantados e a relação de referência
Para os pretos do Guaporé...............................................................130
Considerações Finais.........................................................................132
Bibliografia.........................................................................................134
RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo principal fazer um levantamento das lexias
específicas do falar das comunidades quilombolas
1
do Vale do Guaporé. Essas
comunidades apresentam características idiossincráticas significativas, porque são
formadas pelos descendentes de negros, escravos e libertos, que contribuíram à
povoação do Vale durante o período colonial e imperial, em conflito ou em convivência
com os Ameríndios da região. Assim, principiamos o nosso trabalho por um esboço da
contextualização histórica e cultural relacionada a presença negra na Amazônia,
focalizando Vila Bela e em particular o Vale do Guaporé, área de nossa pesquisa. Para
fazer o levantamento dos dados, recorremos principalmente aos conhecimentos de
pessoas mais antigas e detentoras da cultura, tais como as benzedeiras, rezadeiras, etc .
Coletamos uma lista de lexias e expressões de provável origem bantu, algumas dessas
lexias já conhecidas em outras comunidades rurais de afro-descendentes, outras em todo
o Brasil e algumas sobre as quais nada encontramos como informações nos materiais
pesquisados.
Palavras-chave: Vale do Guaporé – quilombolas - bantuísmo
1
Conforme o uso do termo atualmente aceito de “quilombola”, cf. o artigo de Valdélio Santos
Silva, Afro-Asia nº 23, 2000, Salvador, Ufba, Rio das Rãs à luz da noção de quilombo.
ABSTRACT
The purpose of the current essay is to present a survey and a preliminary analysis of the
lexies which are specifics of the maroon communities of the Guaporé Valley; these
communities, formed by descendants of black people, former slaves or not, present
significant idiosyncratic characters, because they developed during the colonial and
imperial period, and populated the Valley, conflicting or living in peace with the
Amerindians. First we present the historical and social context of Black Amazonia,
focalizing Vila Bella and the Guaporé Valley, where we worked out our survey. Our
informants were the ancients of the communities, like “benzedeiras” and “rezadeiras”
(healers). We collected lexies and expressions of probable Bantu origin, some of them
yet collected in other afro-brazilian rural communities, others yet belonging to
Vernacular Brazilian Speech, and some of them unknown by dictionaries and other
available sources of informations about Vernacular Brazilian Speech.
Keywords : Guaporé Valley – maroon communities - bantuism
ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS UTILIZADOS
Afr. – africana
Cf. – conforme
CONAq – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais
Quilombolas.
Contrv. - controvérsia
IBDF – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal
Ior. – Ioruba
Lat.- Latim
Orig. – origem
Pl. – plural
PPB – Português Popular Brasileiro
Prov. – provavelmente
PVB – Português Vernacular Brasileiro
Quicg. – quicongo
Quimb.-Quimbundo
Regr. Regra
Tb. – também
Voc. – vocativo
10
Introdução
A presente pesquisa tem por objetivo um levantamento das lexias regionais
usadas nas comunidades de quilombolas
2
do Vale do Guaporé; essas comunidades
apresentam características idiossincráticas significativas, porque são formadas pelos
descendentes de negros, escravos e libertos, que contribuíram à povoação do Vale
durante o período colonial e imperial, em conflito ou em convivência com os
Ameríndios.
A pesquisa foi realizada com benzedeiras, rezadores e antigos moradores do
Vale do Guaporé que hoje residem em Guajará-Mirim. A variedade do português
popular brasileiro (PPB) falado se coaduna com o PPB do Mato Grosso, seguindo a rota
dos bandeirantes
3
; no entanto, os africanos e descendentes de africanos traziam consigo
a herança de diversas línguas maternas africanas (em particular as línguas bantu),
que eram faladas por eles; esta herança se manifesta mais claramente no léxico; por
isso, faz-se necessário identificar a origem (etimológica) dos bantuismos atestados na
variedade dialetal do português falada pelos afro-descendentes conhecidos como
quilombolas do Vale do Guaporé, no Estado de Rondônia, até então nunca levantados,
contribuindo assim a um dicionário etimológico de afro-brasileirismo.
No primeiro capítulo, abordaremos a colonização do Vale do Guaporé, falando
da contextualização histórica, já que Portugal procurava assegurar a posse da região, até
chegar ao processo de abandono da região e os negros firmarem sua presença no Vale,
não havendo necessidade dos mesmos se esconderem em áreas menos acessíveis. Esse
momento da história condiciona a saída dos brancos de Vila Bela da Santíssima
2
Conforme o uso do termo atualmente aceito de “quilombola”, cf. o artigo de Valdélio Santos Silva,
Afro-Asia nº 23, 2000, Salvador, Ufba, Rio das Rãs à luz da noção de quilombo.
3
Os quais, segundo Heitor Megale, de fato falavam galego-portugês, o que explicaria algumas das
peculiaridades deste PPB.
11
Trindade para um novo momento: o apogeu dos negros. Abordaremos as festas que são
de suma importância para manter a identidade negra do Vale, viva até hoje. Não
esquecendo que hoje, em Guajará-Mirim, existe um número significativo de pessoas
oriundas do Guaporé em Geral e em particular de Vila Bela. Famílias inteiras foram se
deslocando aos poucos até Guajará, trazendo consigo a Festa do Divino, as benzedeiras
e rezadores, suas histórias e seu sotaque. O que justifica, nesse primeiro momento, uma
pesquisa em Guajará.
No segundo capítulo, faremos uma abordagem das lexias levantadas, onde nós
referimos ao Dicionário de Bantuísmos de Jean Pierre Angenot e Geralda de Lima V.
Angenot, e aos dicionários Aurélio e Houaiss. As verificações nos levaram a quadros
específicos como: as lexias encontradas somente no Guaporé, as que são prováveis
africanas conforme os dicionários consultados, as que encontramos somente nos
dicionário Aurélio e Houaiss e as expressões que fazem parte do dia-a-dia dos
informantes. Essas lexias e expressões é que dão vida ao conhecimento que eles detêm.
E, finalmente, as considerações finais, que apontam para a necessidade de se
fazer pesquisas de cognatos para podermos colaborar a um dicionário etimológico do
português.
12
CAPÍTULO I: HISTÓRICO-CULTURAL
1. A Colonização do Vale do Guaporé: Contextualização História
"Quem disse que não somos nada, que não temos nada para oferecer?
Repare nossas mãos abertas, trazendo as ofertas do nosso viver".
(Refrão de uma música cantada na dança do Congo)
A história de Vila Bela tem causado muita curiosidade entre os pesquisadores,
porque a historiografia mato-grossense reserva pouco espaço para Vila Bela, conhecida
como "a cidade do ouro, das ruínas e das negras finas
4
".
A coroa portuguesa começou a se embrenhar na selva Amazônica pelos vales do
Madeira - Mamoré- Guaporé. Essa região seria utilizada como um elo entre as colônias
do sul e do extremo norte. Para assegurar a posse sobre a região do Vale do Guaporé
fez-se necessário a entrada dos bandeirantes e a presença militar assegurada pelas
construções militares. No entanto, o principal motivo para a ocupação dessa região foi a
descoberta de ouro no rio Cuiabá.
Para que a ocupação do Vale fosse estável era considerado necessário o
aprisionamento de índios e negros. Os bandeirantes viviam em permanente conflito com
os índios e castelhanos que queriam ocupar a região do oeste para leste. Assim,
4
Esta frase foi retirada do site www.vilabelamt.com.br . A autoria não está especificada.
13
D.Antônio Rolim de Moura recebe a incumbência de tomar posse da região disputada e
povoar o Vale do Guaporé, sendo necessário, então, criar a capitania de Mato-Grosso.
Para assegurar a presença portuguesa e facilitar a coleta de impostos, Vila Bela da
Santíssima Trindade foi escolhida capital da província de Mato-Grosso, garantindo
então o povoamento da região. Desde então, ficou conhecida como “a cidade do ouro,
das ruínas e das negras finas
5
”.
Vila Bela não foi escolhida por acaso para ser a capital. Levou-se em conta o seu
ponto estratégico, seu relevo plano era apropriado para uma boa defesa militar, novas
jazidas auríferas eram descobertas, enfim, o rio Guaporé favorecia o acesso fluvial, por
isso a necessidade de construções militares. Essas construções serviriam para
estabelecer divisas e garantir a retirada do ouro que ali era encontrado em abundância.
O grande problema era abastecer a nova capital, já que os produtos vindos da capitania
de São Paulo ficavam muito caros, tendo em vista o percurso a ser enfrentado. A
solução foi a criação da Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, com sede
em Belém, que atingiria a região guaporeana navegando pelos rios componentes da
bacia Amazônica Amazonas, Madeira e Guaporé. Por ali entravam alimentos, roupas,
instrumentos de trabalho e escravos africanos.
Para aumentar a exploração do ouro, os mineradores compravam escravos, que com
o passar do tempo morriam por causa das endemias, e os que não eram afetados pelas
doenças sumiam no meio da mata sem deixar vestígios. Os escravos fugidos
aquilombavam-se ao norte das minas e muito deles iam para a banda dos vizinhos
castelhanos (atual Bolívia). A coroa sentia a necessidade de aumentar a produção do
ouro e os bandeirantes juntavam-se para capturar os foragidos. Os bandeirantes
matavam quem resistisse e destruíam tudo que encontravam em sua frente. A rota e a
5
Conforma nota 3 da página 10.
14
captura eram por: Galerinha, Taquaral, Piolhinho e Pedras Negras. Os bandeirantes
contavam com a ajuda do próprio quilombola que fora aprisionado e sob tortura como
colocar a mão na madeira em brasa diziam a localização dos negros foragidos. Os
negros ainda enfrentavam os cabixis, porque muitas mulheres dos cabixis eram
roubadas pelos africanos e crioulos. O Vale do Guaporé tornou-se o palco de uma
guerra em prol do ouro.
A produção do ouro entra em declínio no Mato-Grosso em 1734. Na ocasião da
descoberta do ouro a cidade de Vila Bela ficou conhecida como “campos d’ouro”, aos
poucos foi deixando de ser “campos d’ouroe passou a ser apenas um vale. O Vale do
Guaporé foi sendo abandonado e por não se erguerem cidades ao redor tudo foi sendo
esquecido. Os mineradores que ali se instalaram procuraram regiões mais ricas. Ficaram
no Vale somente negros libertos que vivam em situações de abandono.
Vila Bela da Santíssima Trindade foi resistente, desbravada, edificada, cultivada.
Suas grandes construções em pedra canga foram fruto da sagacidade e tenacidade de um
povo que não esmoreceu, que lutou e luta até hoje para sobreviver e expressar o seu
direito de ser negro.
Aos negros que para lá foram levados negou-se tudo, como por exemplo, o nome de
origem; os patrônimos foram atribuídos conforme a posição ou ocupação de cada
família na comunidade; escolhidos também conforme eles prestavam serviço à igreja
Católica.
Quando Vila Bela foi “abandonada” em 1820, e quase perdeu sua qualidade de
município em 1878, ficaram apenas as pessoas que não tinham para onde ir. Nesse
contexto nasce uma comunidade que até hoje é resistente e fiel aos seus antepassados.
Maria de Lourdes Bandeira, analisando documentos oficiais e relatos, mostra que
praticamente durante100 anos (1860-1960) Vila Bela foi exclusivamente negra.
15
Hoje existe em Guajará-Mirim uma comunidade significativa de pessoas oriundas
do Guaporé em geral, e em particular de Vila Bela. Como frizamos, famílias inteiras
foram se deslocando aos poucos até Guajará, trazendo consigo a Festa do Divino, as
benzedeiras e rezadores, suas histórias e seus sotaques.
Em se tratando da história dos negros do Vale do Guaporé é necessário abordar
ainda dois temas importantes e que muitas vezes são ignorados, tantos pelos
pesquisadores como pela população em geral:
1.1 A presença dos negros na Amazônia
A Amazônia é conhecida muitas vezes apenas como o berço da cultura indígena
do país, no entanto, a presença dos negros em algumas partes de sua região é
significativa. Negros e índios muitas vezes em briga, e outras tantas vezes juntos, fazem
parte dessa história. Além do aprisionamento dos índios, houve a escravidão dos negros,
cujos descendentes até hoje vivem nesta região. Mas por que falar da presença dos
negros na Amazônia? Porque fazem parte da nossa história; porque ajudaram a formar a
cultura diversificada que temos aqui; e porque encontrei perguntas como: “... E
existiram quilombos na Amazônia? Não eram apenas índios?”. Em vista a tantos outros
questionamentos convem afirmar que é real a presença dos negros na Amazônia. Pois
isso não são fatos apenas, são histórias do Guaporé e que estão vivas até hoje.
A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais
Quilombolas (Conaq), estima que existam cerca de mil comunidades quilombolas na
Amazônia, sendo que o Pará concentra 335 delas e o Maranhão 535. São números que
muitos ignoram.
A história procurou ignorar a presença do negro na Amazônia, inclusive suas
relações com os índios. Apenas alguns historiadores afirmam a entrada dos negros pelos
portos de São Luís e Turiassú, no Maranhão e em Belém (PA), vindos principalmente
16
da atual Guiné, Angola, Congo e Moçambique. Eles afirmam que os negros entraram na
Amazônia por volta de 1755 com a criação da Companhia Geral do Grão Pará e
Maranhão.
No estado de Rondônia a presença negra se manifesta através de três
comunidades ainda pouco entrosadas: (a)os remanescentes quilombolas do Guaporé,
com muitos membros estabelecidos hoje na cidade de Guajará-Mirim; (b) os
descendentes afro-caribenhos de Barbados e Granada, que se concentram em Porto-
Velho; e (c) os migrantes negros de todo o país que se fixaram principalmente na BR
Porto-Velho – Vilhena.
No Vale do Guaporé encontramos três comunidades de remanescentes
quilombolas: Santo Antônio do Guaporé, Pedras Negras e Senhor Jesus, sendo esta
última localizada às margens do rio São Miguel, afluente do Guaporé. A Vila de Santo
Antônio localiza-se, atualmente, em áreas da Reserva Biológica do Guaporé, enquanto
Pedras Negras situa-se na área da RESEX Estadual de Pedras Negras e Senhor Jesus
ocupa uma área tomada por fazendas e confinada com a REBIO Guaporé. Todos os
povoados são constituídos por uma população negra descendente dos antigos
quilombolas locais, abundantes na região. Essas áreas passaram a ser citadas, nos relatos
de viajantes de quilombos desmantelados ao longo do Guaporé, notadamente nas
proximidades de Vila Bela, antiga capital local.
As populações de Santo Antônio, Pedras Negras e Senhor Jesus foram
constituídas a partir de pequenos grupos quilombolas, formados por escravos que
trabalharam na construção do Real Forte Príncipe da Beira a partir de 1783; de
foragidos que escaparam à destruição dos quilombos do Piolho (Quariterê), Joaquim
Teles, Mutuca, ou ainda, de negros provenientes de quilombos instalados nos territórios
17
castelhanos, situados à margem esquerda do Guaporé e que retornaram aos territórios
portugueses, após a progressiva saída dos brancos da região.
A presença dos quilombolas às margens do Guaporé pode ser explicada a partir
do processo de abandono da região pelas elites brancas. Não havendo mais necessidade
de esconderem-se em áreas menos acessíveis, as populações quilombolas da região do
Riozinho e do São Miguel, afluentes do Guaporé, mudaram-se para as suas margens,
tornando-se visíveis e estabelecendo-se como pequenos proprietários, agricultores,
extrativistas, dando origem ao povoado de Santo Antônio. Pedras Negras constituiu-se
originalmente em área de um destacamento militar colonial, e era famoso por sua
insalubridade e enorme distância de qualquer outro centro de ocupação colonial. Em
meados do séc. XIX, os negros ocuparam progressivamente o espaço abandonado pelos
brancos, tornando-se a única população brasileira a residir na região e garantir a
integridade das fronteiras diante dos vizinhos de origem castelhana. Senhor Jesus é
resultado da penetração quilombola pelos afluentes do Guaporé, resultado da fuga dos
negros que buscavam se proteger dos Capitães-do-Mato e, mais tarde da busca por áreas
de exploração da borracha e da poaia, sob menor competição do que às margens do rio
Guaporé, ou ainda, em função do desmantelamento de comunidades negras situadas nas
áreas onde o IBDF fundou, na década de 1980, a REBIO Guaporé.
No final do séc. XIX, essas populações negras vinculavam-se ao município de
Vila Bela da Santíssima Trindade, também marcado pela predominância absoluta de
uma população de origem escrava e de procedência africana
6
. Todas estas vilas
estiveram vinculadas ao município de vila Bela da Santíssima Trindade até a criação do
município de Guajará-Mirim, em 1928.
6
A presença de negros na região do Guaporé é citada em todos os documentos referentes à região. Sobre
Vila Bela, o trabalho mais completo é o de Maria de Lourdes Bandeira, intitulado: Território negro em
espaço branco, publicado pela editora Brasiliense – 1988.
18
Os povoados do Guaporé ampliaram sua população por ocasião da demanda pela
borracha, quer no início do séc. XX, quer na década de 1940, quando adentraram no
Guaporé os soldados da borracha. Preocupados com a produção da borracha e da poaia,
as autoridades estimularam a entrada de nordestinos na região, enquanto afirmavam que
os negros locais eram preguiçosos e avessos aos trabalhos na indústria gomífera.
Porém, mesmo recusando a submissão completa à nova ordem patronal que se
estruturava a partir dos seringais, os negros locais inseriram-se nas estruturas de
produção, recolhendo livremente a borracha e a poaia e vendendo aos que julgavam
melhores pagadores. Para acalmar as tensões com os novos proprietários dos seringais
locais, esses mesmos negros pagavam rendas anuais em espécie, garantindo, assim, seu
direito de comercializar livremente a maior parte de sua produção.
Os habitantes das comunidades negras de Santo Antonio, Pedras Negras e
Senhor Jesus consideram-se parte da natureza da região em que vivem. Compõem-se
como um conjunto de camponeses negros, habitantes das várzeas do alto do Guaporé e
São Miguel, tornando viável sua sobrevivência e reprodução.
Maria de Lourdes Bandeira (o.c.) faz uma análise minuciosa das condições dos
negros em Vila Bela da Santíssima Trindade; achamos importante compartilhar a ótica
da autora. Todos os livros pesquisados não são ricos em dados quanto o da autora citada
acima. Os momentos da história abordada pela autora são dois: o momento de
escravidão dos negros em Vila Bela, e o apogeu dos negros por deterem conhecimento
que os brancos não detinham. E, portanto, aqui serão colocadas conforme a visão da
autora.
19
1.1.1. A escravidão dos negros
Maria de Lourdes Bandeira fez uma análise da sociedade de Vila Bela abordando
dois aspectos: (a) Vila Bela dos Brancos; (b) Vila Bela dos Pretos; procurando entender
a formação da identidade étnica dos negros que ali vivem.
Após a escolha de Vila Bela para capital da província de Mato-Grosso fez-se
necessário expandir a fronteira capitalista e para que isso acontecesse era necessário o
povoamento da região. Nesse quadro histórico houve a entrada dos brancos e
indispensavelmente os negros fazem parte da construção desta cidade como mão de
obra escrava.
Rolim de Moura chega a afirmar a importância dos negros em Vila Bela dizendo:
“os brancos sem eles em toda parte da América, e principalmente em minas quase se
pode dizer que são inúteis
7
” (1882:122-123). Maria de Lourdes afirma que “no primeiro
século de sua história, Vila Bela foi essencialmente dos brancos, ainda que sua
população fosse, como se demonstrou no capítulo anterior, constituída principal e
majoritariamente de negros
8
. Os brancos detinham o poder e, apesar de serem a
minoria, dominavam o território negro.
As expedições e o aprisionamento dos índios não garantiam a presença dos
brancos onde prevaleciam negros e mestiços. Aprisionavam-se índios para assegurar o
investimento dos brancos. Aldeias inteiras foram dizimadas, sobrevivendo apenas quem
conseguisse escapar.
Com a descoberta de ouro no Rio Galera, afluente do Guaporé, inicia-se um
processo migratório que em 1736 provocou o despovoamento de Vila Bela: e somente
na villa ficaráo sete homens brancos entre secullares e clérigos e alguns carijos que a
7
Maria de Lourdes Bandeira pág. 79.
8
Ibidem
20
gente preza algum page que serviá a seo senhor de porta a dentro: chegaraó se a
vender negros a quinhentas oitavas de ouro (1975:37)
9
“.
Diz Maria de Lourdes na pág. 85 que a escolha feita por D.Antônio Rolim de
Moura foi arrogante, pois o mesmo desconhecia o terreno alagadiço da região do
Guaporé. Mas, nada disso impediu o povoamento de Vila Bela. Para a coroa portuguesa
quem fosse criminoso e quisesse vir para essa região sua pena era perdoada e as
condenações esquecidas. Tudo servia para os objetivos da coroa portuguesa, com isso
brancos cheios de dívidas, pessoas que estavam sem perspectivas vieram para o Vale
para fazer parte de sua sociedade, passando a serem conhecidos como homens dispostos
a se aventurarem na região. “Rolim de Moura defendeu a concessão do “privilégio de
couto pelo tempo que for servido para que os criminosos possam de qualquer parte
recolher-se áquele distrito e chamar suas culpas para ali se livrarem, sendo obrigados
depois disso, por esta mercê, a residirem três anos no mesmo lugar. E ficando incursos
em pena de degredo ou morte cível este se lhe comuta à proporção em anos de
residência (1982:36)
10
”.
A fraude dos quintos, a instabilidade local, o difícil acesso, o contrabando, as
faisqueiras se esgotando, a agricultura não se desenvolvendo como deveria, as mais
diversas endemias, tudo isso leva Vila Bela a desfalecer em seus objetivos. “Essa
reputação consolidou-se historicamente e ensejou explicações estereotipadas da saída
dos brancos e da permanência dos pretos. As qualidades físicas da raça negra foram
sempre destacadas no discurso branco. Entre elas, a força e a resistência são definidas
como propriedades biológicas distintivas. O discurso da superioridade física dos negros
9
Maria de Lourdes Bandeira pág.82
10
Idem pág.89
21
se coloca assim como contraponto da ideologia da superioridade social e cultural dos
brancos
11
”.
Devido a tantas doenças o branco acabava recorrendo aos negros e índios para
obter a cura das doenças através do tratamento natural, podemos dizer: da carga cultural
de negros e índios. Daí os conhecimentos de negros e índios começarem a se incorporar
na cultura dos brancos, não porque apreciavam o traço cultural, mas por questão de
necessidade. Negros e índios trocavam convivência dentro dos quilombos e fora deles
também. “Os negros assumem papel relevante na dinâmica cultural. Eles emergem
como agentes de mudança tanto na reelaboração das práticas culturais brancas, como
na introdução de suas próprias práticas e como mediadores privilegiados da
assimilação de práticas indígenas
12
”.
Mas a realidade em relação aos pretos é outra. Muitos morreram cedo, e muitos
chegavam apenas aos quarenta anos de idade. No entanto, o que os fez sobreviver,
mesmo em menor número, foi a solidariedade entre eles. Foi aí que resolveram se juntar
e estabelecer regras para viverem em coletividade dentro dos seus princípios étnicos e
culturais. Este traço permanece até hoje, pois todos os informantes entrevistados falam
da saudade que é viver em grupo. “Lá era bom, todos nós ficava junto, aqui é
diferente
13
”. O ser diferente fala do cozinhar juntos, cantarem juntos e festejar juntos o
que é divino.
Quando a capital de Mato-Grosso mudou para Cuiabá o declínio era inevitável. A
cada vez mais o quadro vai se agravando. Para encontrar uma solução os mineiros
começam a produzir aguardente e açúcar. Como se não bastasse a situação deplorável
em que se encontrava aquela população, a Provisão Régia de 12/06/1743 ordenou a
destruição de todos os engenhos. Foi um passo a mais para que Vila Bela entrasse em
11
Idem pág. 92
12
Idem pág. 97
13
Palavras da informante F, que hoje mora em Guajará-Mirim.
22
declínio. Por longos 100 anos ela se sustentou com mão de obra escrava, negando aos
negros oportunidades como seres humanos, reduzindo-os ao status de escravos.
As doenças não escolhiam a cor da pele, dizimavam tanto negros quanto brancos e
índios. Apesar dos brancos considerarem os negros resistentes às doenças, não foi sua
resistência física que os fizera sobreviver em mero maior que os outros, foi a união
dos mesmos. Os governantes davam as doenças como desculpa para o declínio, no
entanto, a falta de mão de obra era o fator principal.
Maria de Lourdes destaca o papel dos negros no vale do Guaporé: Pretos de
Angola e de Guiné vindos diretamente da África ou de outras Capitanias da Colônia
lavraram, faiscaram, socavando terras, barrancos e leitos de rios, montes e chapadas.
Plantaram e colheram; remaram canoas, comboiaram o comércio; construíram ruas,
porto, palácio, igrejas, quartéis, casas de residência, edifícios públicos; levantaram
engenhos, moeram e fabricaram cachaça, açúcar e rapadura; pescaram, caçaram e
criaram gado; cuidaram dos doentes e enterraram mortos; integraram forças militares,
lutando, guardando a segurança da cidade, da fronteira e dos caminhos do ouro;
enriqueceram e utilizaram rios e organizações religiosas; abriram estradas; fizeram
festas; reconstruíram quando as águas destruíram. Excluindo-se o poder, em quaisquer
de suas formas ou expressões, não uma atividade que não fosse sustentada pelos
pretos
14
”.
14
Maria de Lourdes p.113.
23
1.1.2 A saída dos brancos de Vila Bela da Santíssima Trindade condiciona o
apogeu dos negros.
Com a saída dos brancos os negros começam a se organizar politicamente,
culturalmente e etnicamente. “A saída dos brancos não condicionou, nem esculturou a
sua forma, mas o sistema de relações raciais entre brancos e pretos continuou
operante. Após a saída, os brancos intervieram em todos os momentos do processo, de
fora para dentro, refletindo a diferença, como espelho étnico, devolvendo a imagem da
semelhança entre indivíduos pretos. A manipulação da semelhança/diferença pelos
pretos constituiu o fundamento da energia criadora da comunidade negra
15
”. Os
negros não se isolaram por definitivo. Havia a necessidade do intercâmbio com os
brancos por causa dos mantimentos que eram escassos, e por os negros deterem o poder
do conhecimento para a sobrevivência. Um exemplo é a agricultura na qual os negros
detinham todo o conhecimento trazido do lugar de origem. E por serem coletivamente
mais forte isso fez manter o grupo sempre em união. Aliás, em se tratando de negros,
podemos citar como característica principal o trabalhar em coletividade.
A transformação de Vila Bela se deve ao fato de sua economia. Mas os brancos
que não conseguiam acompanhar a produção agrícola dominada pelos negros passaram
por dificuldades por não se adaptarem ao novo quadro político. Porque o comando da
cultura, da economia, da política passa a ser dominada pelos negros, fazendo-se
necessário os brancos começarem a reaver seus conceitos em relação aos negros, e
estudar uma nova forma de relação social. Não que os brancos deixaram de ter o
domínio total, mas agora era necessário avaliar a visão que tinham da “diferença de cor,
raça, credo”. Não podiam descartar totalmente os negros.
15
Idem p. 124
24
Os negros passam, então, a ficar com as terras abandonadas pelos brancos. Alguns
senhores de escravos ficaram ali e usavam os negros para plantar o que iriam consumir,
no entanto, isso não duraria muito tempo. Para os brancos era a decadência econômica e
para os pretos era a liberdade, tanto como seres humanos, como a liberdade para se
organizarem para cultivar a terra e realizarem suas práticas religiosas que para alguns
senhores de escravos eram proibidas. Um novo quadro cultural começa a surgir e os
pretos começam a entrar em algumas esferas sociais antes proibidas. Aos poucos as
casas que estavam desocupadas foram sendo ocupadas pelos negros. A desorganização
econômica dos brancos significou a organização dos negros e seu apogeu.
Vila Bela era vista no país como a cidade das endemias, o território mais insalubre
que existiu e os negros manipulam essa visão a seu favor, como comenta Maria de
Lourdes em um trecho de seu livro: “Esse trecho documenta, de forma explícita e
inequívoca, a manipulação étnica que os pretos conscientemente faziam da fama da
insalubridade de Vila Bela. Reforçando o clichê de que essa insalubridade afetava
inelutavelmente aos brancos, os negros construíam o discurso do território étnico de
Vila Bela como lugar de pretos. E a conquista do território era essencial à constituição
da comunidade de pretos
16
”.
Os negros sobreviveram e souberam tirar proveito do quadro caótico em que se
encontrava Vila Bela, transformaram a seu favor o que os brancos diziam perdido, não
em relação à economia, mas uniram-se num propósito de manterem viva sua cultura
que é que os ligava a sua origem, porque era isso que os levaria unidos para o futuro.
“Com a mesma condição social (livres), a mesma origem racial (pretos), e a
territorialidade étnica assegurada, os pretos de Vila Bela passaram a esculturar e
16
Maria de Lourdes, pág.137.
25
compartilhar um destino comum, tornando-se todos co-responsáveis pela sobrevivência
individual e coletiva dentro da mesma comunidade étnica
17
.
2. Quilombolas do Guaporé: um pouco de cultura
Os negros sempre tiveram papel importante na cultura do nosso país, porque eles
passaram a se organizar através da herança cultural que para trouxeram. Eles
herdaram “as ruínas” de Vila Bela. Aos poucos começaram a dominar o espaço deixado
pelos brancos e reconstruíram à luz de sua cultura e a partir da ótica de mundo que
possuíam. Lutando para afirmarem sua identidade étnica e cultural reviviam a dança, a
música, as cantigas de roda. A dança do congo é, talvez, a marca mais forte de sua
identidade. A cultura reorganizou os negros enquanto comunidade, porque é dessa
forma que ela age. Porque a cultura tem sua autonomia e pode transformar a economia,
as relações sociais.
Em Vila Bela existe a Festa do Divino, A Festa do Congo, a Festa das Três
Pessoas e a Festa de São Benedito. A Festa do Divino (a denominação integral é :
“Festa do Divino Espírito Santo”) difere da Festa das Três Pessoas (Deus, Jesus,
Espírito Santo) não pelo nome, mas também porque os cânticos são diferentes, e que
a navegação no rio, integrando outras comunidades do Guaporé aos festejos, é exclusiva
do Divino. Dentro da Festa do Congo é dançado o Chorado. Tudo possui uma
conotação histórico-cultural e todas essas manifestações culturais levam a afirmação da
população de Vila Bela enquanto negros. Alguns dos informantes mais velhos atestam a
existência de danças como a do Cururu e a da Navalhada que é parecida com a do
chorado. Eles afirmam que nem os mais novos sabem da existência dessas danças, por
se haver perdido.
17
Idem pág. 137-138.
26
Tentamos captar o significado de algumas dessas festas, talvez não pela ótica
negra, mas apenas para termos alguns dados a respeito do que significam estas
manifestações culturais.
2.1 A Festa do Divino: um pouco de história
18
O Vale do Guaporé possui uma diversidade cultural rica. São: Pedras Negras,
Costa Marques, Versalhes, Rolim de Moura, Pimenteiras, Limoeiros, povoados que
vivem em harmonia planejando a Festa da Alegria que é a Festa do Divino.
Por mais de cem anos comemora-se a Festa do Divino, no vale do Guaporé. Esse
povo é conhecido como os Peregrinos do Espírito Santo, afirmando para a sociedade
que divino e eterno é o espírito santo. Diz a História oficial que a festa veio de Portugal,
criada no século XIV pela rainha D. Isabel, trazida para o Brasil no século XVI. Diz-se
também que, com a popularidade da festa, houve influencia na escolha do título de D.
Pedro I, quando ele proclamou a independência do Brasil; Dom Pedro foi chamado de
imperador porque o título era mais familiar aos brasileiros. Em certas vilas ou cidades –
como era em Ilhas das Flores o imperador do divino com sua corte davam audiências
recebendo tratamento digno de um rei. Antes de a festa se espalhar pelo vale, ela era
realizada em Ilhas das Flores. Primeiro imperador de Ilhas das Flores foi Pedro Braga e
a imperatriz Lúcia de França. No vale do Guaporé havia necessidade de vir à festa por
causa da devoção do povo. Manoel Fernandes Coelho, por intermédio da irmandade da
Santíssima Trindade, conseguiu a coroa de prata para que o povo do Vale venerasse o
divino, permanecendo de 1894 até 1932 em Ilhas das Flores. Manoel, então, entrou em
contato com a irmandade que resolveu fazer um sorteio para decidir onde a festa ficaria.
Ou seria sorteado Taruman ou Rolim de Moura. Ganhando Rolim de Moura.
18
Narrativa tirada da fita VHS da “Festa do Congo”. Festança 1999. Vila Bela da Santíssima Trindade.
27
Em 1934, os moradores de Taruman protestaram junto ao bispo de Cuiabá para
poderem também realizar a Festa. O bispo orientou Francisco Xavier Rey, bispo de
Guajará-Mirim e líder religioso católico do Vale do Guaporé, para que a irmandade
criasse o estatuto da Festa. Dom Rey determinou então que ficasse em Rolim de Moura
até que a população pudesse construir igrejas e povoados. Dom Rei estabeleceu o
rodízio das cidades e povoados que hoje organizam a festa e recebem a coroa.
2.1.1 A Festa do Divino
O rio Mamoré e o Guaporé, por terem somando juntos uma área de extensão de
1350 km na fronteira com a Bolívia, obrigam os devotos do divino a preparar a festa
com mais ou menos um ano de antecedência. A irmandade do divino escolhe através de
sorteio o imperador e a imperatriz da Festa. A escolha é feita pelos chamados “irmãos
de copo”, onde é colocado o nome dos candidatos dentro de um copo para sorteio. As
condições para se candidatar a imperador ou imperatriz é ter conduta irrepreensível e
uma vida conjugal exemplar. Depois do sorteio o imperador e a imperatriz escolhem o
encarregado do batelão do Divino (o barco que levará a coroa). A embarcação que
durante 45 dias visitará todos os povoados ribeirinhos com o símbolo do Espírito Santo:
a bandeira vermelha, o Cetro e a Coroa. O batelão coberto com folhas de palmeiras
amareladas será a embarcação mais esperado pelos beradeiros. Para os beradeiros o
batelão representa o sagrado, a solução para os problemas humanos. Os devotos dizem
que ao aproximar-se o batelão o som da selva é abafado e que o único som que se escuta
é os dos meninos que cantam dentro da embarcação.
O caixeiro
19
é quem marca o ritmo para os proeiros dentro da embarcação.
Quando o batelão está perto de aproximar-se da comunidade um outro caixeiro fica em
19
O caixeiro é o que toca o intrumento denominado “caixinha” para receber o divino.
28
terra para ajudar o mesmo a vencer a força da correnteza. Quando ele vê o que o batelão
venceu a correnteza ele vai aos poucos aliviando o ritmo da batida da caixinha.
O batelão é remado por doze homens chamados de remeiros, selecionados entre
os que fizeram promessas ao divino. Esses doze homens representam os apóstolos que
acompanhavam Jesus. Na cultura do Guaporé ser escolhido para ser remeiro é como
receber uma segunda graça, porque ao remar o batelão por 45 dias a penitência se
transformará em um prêmio no final.
Com três tiros de morteiro é anunciada a chegada do batelão. O salveiro que é
encarregado da ronqueira (carregada com pólvora disparada a meia-noite, quatro da
manhã, ao amanhecer e ao anoitecer) faz saudações ao divino enquanto se aproxima da
comunidade que está à espera.
Nas comunidades as mulheres têm o dever de prepararem as comidas para
receber o batelão com o divino. Quando os devotos começam a ouvir o som dos
meninos cantando, o som do violão mestre, a melodia, e o som do mestre caixeiro, eles
vibram porque o divino está naquele lugar. Antes de encostar, o batelão dá três voltas a
meia-lua, saudando os foliões. Os devotos entram então na água até a cintura e com
velas nas mãos, cheios de emoção saúdam mais uma vez o divino.
Após atracar, o encarregado de guardar a coroa entrega ao imperador a coroa, e o
cetro à imperatriz. Começa então a adoração ao símbolo do espírito santo. Os devotos
num gesto de intimidade se ajoelham e beijam as bandeiras. O imperador coloca a coroa
cheia de fitas na cabeça dos devotos. A imperatriz oferece o cetro para os fiéis beijarem.
Em seguida a coroa irá para a igreja onde ficará, e durante toda sua estadia no povoado
haverá festa para representar a alegria de receber a coroa.
Ao amanhecer o dia, o devoto que passou a noite toda em festa esquece o
profano e se entrega a fé. A coroa inicia a peregrinação por todas as casas. Ao final,
29
ergue-se o mastro com a bandeira e o símbolo da pomba. Em outros tempos a bandeira
trazia o nome da próxima cidade que haveria festa. E vai-se então o divino para mais
um povoado.
2.1.2 Alguns cânticos para receber o divino:
Chegando o barco:
Titoso
20
é quem chega
O amor deste Senhor
Certamente vai gozar lá no céu redentor.
Coroa dando meia lua quando o batelão chega:
A pombinha vem voando
Entre fitas e laços de flores
Vem dizendo: Viva! Viva!
Todos os moradores.
Coroa chega batelão encosta com o cetro:
Chega em tudo seu devoto
Com seu joelho no chão
Venham receber agora
Deste senhor a benção.
Coroa para entrar na igreja:
Deus te salve casa santa
Onde Deus fez a morada
Entre pia de água benta
E a hóstia consagrada.
Coroa para entrar na igreja:
Entrai ó pomba celeste
Na casa da santidade
Onde mora as três pessoas
Da santíssima trindade.
20
O informante B diz ser mesmo a palavra Titoso e não ditoso.
30
2.2 Dança do Chorado
A dança do chorado é realizada juntamente com a Festa do Congo, o significado
desta festa é ligado ao sistema de escravidão e tortura em que os negros viviam.
Chorado significa “coração sangrando ou coração chorando”. Os informantes disseram
que esta dança foi criada pelas mulheres negras e escravas. Somente as mulheres podem
tocar os instrumentos. Para elas era a forma de atraírem a atenção dos senhores para o
livramento de seus maridos e de seus filhos do tronco ou de qualquer outro castigo que
lhes era imposto. Quando os homens eram levados ao tronco, as mulheres negras se
vestiam de forma bem elegante conforme sua cultura e com sua sensualidade iriam
dançar para seus senhores para obterem o livramento ou o aliviamento do castigo de
seus maridos e filhos. Elas sabiam que não agüentariam por muito tempo o castigo
severo que sofriam. Dançavam rodopiando, levantando um pouco da beirada de suas
saias e cantando alegremente com movimentos sensuais dos ombros. Quando a
dançarina se “acoca” (palavra dita pela informante C que, para ela, quer dizer se baixar
sensualmente), está na hora de pegar um padrinho e é este que vai lhe pagar as bebidas.
Após o pagamento da bebida, as melhores dançarinas colocam as garrafas em suas
cabeças para demonstrarem equilíbrio em meio ao sofrimento. Se a dança agradasse aos
Senhores, estes livravam os negros do tronco ou aliviavam o castigo. Esta dança era a
forma que elas acharam de chorar por dentro o sofrimento e externar a alegria para
livrar da morte os que estavam ligados ao seu coração. Até hoje dançam o chorado, mas
como forma de manifestação cultural.
Maria de Lourdes afirma em seu livro “Território negro em espaço branco”, na
pág. 208 que: “O chorado centra suas origens na tradição dos bailados pastoris
portugueses, adaptando traços de origem africana, como o ritmo e a coreografia”.
31
2.3 Festa de São Benedito
São Benedito é o escolhido pela comunidade negra como o santo dos negros.
Para eles São Benedito
21
é o maior de todos. Devido ao preconceito em relação à cultura
e à religião afro-brasileira, os negros deram nomes católicos às suas entidades.
2.4 Festa do Congo
A festa do Congo em Vila Bela da Santíssima Trindade é a luta travada entre os
dois reinados africanos : o do Congo e o de Bamba. Maria de Lourdes melhor descreve
a Festa: “O enredo inicia com a chegada da embaixada de “pretinhos de Guiné”, do
Rei de Bamba, cantando e dançando, fazendo várias evoluções nos espaços que lhes
são reservados. O Embaixador comanda as figuras e o Secretário vem no meio das
duas fitas, atrás do Embaixador. O Rei do Congo convoca seu Secretário e ordena que
seja verificado que “gente são essa”. O Embaixador, depois de muitas falas, apresenta-
se ao Rei do Congo para entregar-lhe a mukamba
22
do Rei de Bamba que exige, em
guerra, o cumprimento da promessa de casamento com a princesa do Congo. O Rei do
Congo, sentindo-se injuriado, manda prender o Embaixador e ordena ao Secretário de
guerra o início da guerra, que termina com a rendição do partido do Rei de Bamba.
Subjugada, a Embaixatriz pede paz, aceita pelo Rei do Congo
23
”.
2.5 Festa das Três pessoas
A Festa das Três Pessoas é a festa do Santo que vela por Vila Bela. É de
fundamental importância seu papel na comunidade, é ele quem protege a cidade desde
sua fundação. Ele atua nas lavouras protegendo-as. Não fazer a festa é deixar a cidade
21
Para eles São Benedito foi cozinheiro do divino por muito tempo e agora está a serviço dos negros
como marca de identidade negra. Incorpora-se na festa ao Santo a dança do Congo. Na festa honra-se a
geração passada. Para os negros, ele vela por suas vidas.
22
Mukamba é mesmo que mensagem.
23
Maria de Lourdes pág.238-239.
32
vulnerável para todo tipo de desgraças. “Nóis num podi abandonar o santo sinão ele
abandona você
24
”.
PARTE II – LEVANTAMENTO DOS DADOS
1. Os dados
Os dados foram levantados em Guajará-Mirim com antigos moradores do
Vale do Guaporé. Foram feitos em forma de nota porque os informantes não aceitaram
que eu usasse o gravador devido à timidez, ou talvez, por outra razão desconhecida.
Minha presença foi de uma estranha que quer saber histórias de negros,
uma curiosa. Com o passar do tempo, depois de algumas visitas e conversas informais
sobre diversos assuntos que eram diferentes dos que a pesquisadora gostaria de abordar,
eles passaram a me ver como alguém que poderia escrever e registrar um pouco da
história deles que eles consideram estar embutida em cada palavra levantada.
Num primeiro momento eles iam contado histórias e eu anotava as palavras que
me chamavam a atenção; nas outras vezes, eles mesmos ditavam as palavras. Um dos
informantes fez uma lista de palavras afirmando que era para facilitar o meu trabalho.
Muitas vezes eu chegava e estava a família reunida e a partir das conversas entre eles eu
fazia as anotações. Outras vezes eu falava as palavras que estão no dicionário de
bantuísmos de Jean Pierre Angenot e eles confirmavam ou não e davam o significado.
Participei na casa de uma das informantes do preparativo da comida para a Festa
do Divino e ali estavam todos reunidos. Eles disseram que era a melhor hora para eles
verem a família reunida num propósito. Uma das informantes chegou a dizer que:
“Temos que escolher entre a cultura e o costume
25
”. Ao indagar a mesma o porquê ter
que escolher entre a cultura e o costume ela respondeu: “Porque quando nóis tava
24
Palavras do informante A.
25
Informante C, falando da tristeza que é estar afastada da sua terra “Pedras Negras”.
33
vivia na cultura, mais a vida ficou difici e foi preciso escolher o costume de Guajará pra
criar nossos fio
26
”. Assitistimos uma fita antiga com a festa do Congo, a do Divino e
ouvimos um cd do Grupo Quariterê de Vila Bela.
2. Os informantes
Os informantes estão assim classificados:
INFORMANTE IDADE
Informante A (homem) 99
Informante B (homem) 98
Informante C (mulher) 75
Informante D (homem) 70
Informante E (mulher) 80
Informante F (mulher) 74
Informante G (homem) 69
Informante H (mulher) 68
Todos os informantes escolhidos são oriundos do Vale do Guaporé.
Classifiquei-os por letra respeitando a escolha deles de não serem identificados. Alguns
chegaram a dizer que falando de sua cultura eles estariam sendo identificados porque
eles são a própria cultura. Nenhum deles terminou sequer o primeiro grau. É importante
dizer que escolhi pessoas de terceira idade por deterem o conhecimento cultural bem
vivo dentro deles. Tentei entrevistar pessoas mais novas mais não obtive tanto sucesso
como obtive com os informantes da terceira idade.
26
Idem
34
3. Análise dos dados
Classificamos os dados da seguinte forma:
3.1 Corpus Levantado: abaixo uma visão geral da coleta feita que está
subdividido da seguinte forma:
- a primeira coluna apresenta as lexias e expressões que foram levantadas no
decorrer da pesquisa, transcritas dentro do sistema ortográfica usado para o
PVB, seguido de uma transcrição fonética (usando os símbolos da API) . O
primeiro critério observado foi o levantamento de lexias que eram
desconhecidas para a pesquisadora; o segundo critério foi a busca no
dicionário das lexias existentes para verificar a sua semântica e a sua
origem; o terceiro critério aplicado foram os critérios morfológicos e
semânticos, ou seja, a verificação da morfologia comum entre as línguas
banto comparada a do português, levando em conta as inevitáveis adaptações
morfológicas (entendida como uma vertente fonológica e uma vertente
gramatical) que podem ocorrer em contato e acomodação de línguas, como
também, o significado de origem e suas possíveis ampliações ou reduções
semânticas. Considerando também que o significado para essas comunidades
é a tradução para o Português Vernacular Brasileiro (PVB) proposta pelos
próprios informantes e não pela interpretação que é feita pela pesquisadora.
- na segunda coluna remetemos ao Dicionário de Bantuísmos de Jean Pierre
Angenot e Geralda de Lima V. Angenot
27
; verificamos que nem todas as
lexias levantadas na nossa pesquisa haviam sido resgistradas em
pesquisas; assim sendo, as colunas 2 e 3 se encontram “vazias” quando a
27
Glossário dos Bantuísmos Brasileiros: Jean Pierre Angenot e Geralda de Lima V. Angenot, o.c.
35
lexia levantada é “exclusiva” do Guaporé, ou seja, não é de nosso
conhecimento que tenham sido atestadas em outras comunidades.
- a terceira coluna assinala as lexias do corpus que foram encontradas nos
dicionários de português: usei o dicionário eletrônico HOUAISS e o
AURÉLIO.
- a quarta e última coluna contém alguns comentários que achamos
necessário colocar para melhor compreensão do leitor; alguns desses
comentários constam dos dicionários consultados, outros foram feitos pela
pesquisadora; estes últimos encontram-se em itálico. O que estiver em
negrito são dados do Dicionário de Bantuísmos.
O corpus contém 497 (quatrocentos e noventa e sete) lexias e expressões. Não
podemos deixar de chamar a atenção para o fato de que, numa pesquisa in situ”, essa
coleta com certeza seria ampliada.
Lexias e Expressões do
Guaporé, com seu
significado
Dicionário de
Bantuísmos
Dicionários
Pesquisados
Comentário
1. ãã: parar; parar de mexer.
“Ãã, não pode bater.”
[ãã]
Trata-se de um
idiofone que
parece constar
na maioria das
línguas do
mundo.
2.Abancar: sentar, se
acomodar. “Pode se abancar
seu Zé!”.
[aba)
N
»ka]
abancar
(a) fugir; sair em fuga
(b) correr
(c) perseguir
Kik ba
N
gika
Abancar¹ guarnecer de
bancos; assentar-se
tomar assento. Datação
1783.
Abancar² dispor(-se)
em torno de banca ou
mesa; sentar ou
assentar(-se) à banca ou
à mesa;
permanecer
demoradamente em
algum lugar ou se
instalar em algum lugar
com tal
O dicionário não
comenta a
etimologia,
colocamos no
quadro do
galego-português
como uma
probabilidade.
No sentido de
Abancar
2
O Houaiss diz
ser de origem
obscura e ainda
comenta que José
36
intenção.Datação de
1858.
Abancar³ correr,
fugindo de alguma
coisa ou perseguindo-a;
começar,iniciar.
Datação de 1949
P.Machado,
levanta a
hipótese de uma
origem africana.
Cabe então um
estudo mais
detalhada para
termos a
etimologia. Não
podemos
descartar a
possibilidade de
ser africana para
o sentido de
correr, fugir.
3.Aburicá: deteriorar,
estragar.
“Se tu deixar a camida aí ela
vai aburicá”.
[abuRi»ka]
aburicá, taburicá
(a) ruim, mau
(b) fazer mal, destruir
completamente
(c) apanhar doença
incurável causada por
feitiço
(d) feder
(e) deteriorar
(f) profanar
Kik + Yor
tabika destruir; deteriorar
+
(i$)bu@ra e$ke@@ perjuriar,
fazer mal
4.aca: mau humor.
“Você está com muita aca
hoje”.
ακå]
aca, macaca
(a) má sorte, azar
(b) mau humor
aca, inhaca, uca
(c) cachaça ruim que
deixa morrinha
(d) mau cheiro corporal
Kik ma
N
ka
N
ka má-sorte
m
w
aka mau cheiro,
morrinha
Kim nuuka mau cheiro,
morrinha
¹Aca parte da renda ou
colheita devida a
funcionário com cargo
hereditário de distrito
ou aldeia; tença ou
saldo concedido pelos
antigos príncipes do
Concão, antiga
província do Estado de
Bombaim,
especialmente aos
dessais e aos oficiais
militares, para sustento
da armada; a datação
de 1764.
²Aca cheiro ruim
fedor; cachaça de má
qualidade ou de gosto
ruim; a datação é de
1913;
³Aca relativo a ou
O dicionário diz:
¹Aca [segundo
Dalgado, do
conc.-mart.
hakka < ár. haqq
'direito'; f.hist.
1764 acca, 1890
haca, 1890
haka];
²Aca [segundo
Nascentes, de
iaca; ver
1
inhaca];
³ Aca [origem
obscura];
Aca [lat.cien.
gên. Acca
(1855)].
37
indivíduo dos acas,
povo pigmeu da África
central; a datação é de
1949;
Aca design. comum às
plantas do gên. Acca
(por vezes incluído no
gên. Psidium), da fam.
das mirtáceas, que
reúne seis spp., nativas
da América do Sul.
5. Acocá: Agachar.
[ακ ∪κα]
¹acocar cobrir
(alguém) de mimos;
acarinhar;
²colocar-se de
cócoras;
Os dicionários
dizem ser de
origem duvidosa.
Esta lexia tem
uma relação com
cócoras. A
origem é
obscura; c.f. o
Houaiss foi
atesta em 1561 o
que torna pouco
provável uma
origem africana..
É necessário um
estudo mais
detalhado.
6.Afu: dita após pronunciar
o nome de uma pessoa
morta, que é acompanhada
pelo gesto de bater com o
nós dos dedos em algum
objeto de madeira, a fim de
isolar a possibilidade de uma
corrente negativa que atrai a
morte.
[α»φυ]
O Dicionário de
Bantuísmos atesta
também como:
cufar
(a) morrer
(b) sucumbir
Kim kufa morre,
perecer, falecer
¹ave design. comum
aos animais
vertebrados, ovíparos,
da classe Aves; pessoa
que ludibria outros;
velhaco, trapaceiro;
mulher que trabalha e
dança nos barracões de
pajelança; a datação é
do séc. XIII.
²ave forma us. em
saudação, equivalente a
'salve'; a datação é do
séc.XIII.
Desconjurar agir em
desacato; atacar,
desacatar; esconjurar
('fazer juramento',
'exorcizar', 'fazer
desaparecer',
'amaldiçoar',
'ordenar', 'lamentar-
se').
O dicionário diz
que no nível
informal a forma
desconjuro
aparece com
intensa
exclamação
para renegar o
diabo, afastar as
tentações ou
apenas como
sinal de
desaprovação. O
dicionário não
dá a datação.
38
7.Aloitá: brigar. “Para de
aloitá menino!”.
alo
j
obs.: ainda temos “Mãe, os
meninos aloitaram”;
“Mãe, os meninos estão
aloitando”.
[αλοϑ∪τα]
.Envolver(-se) em luta
corporal; lutar
O dicionário
Aurélio diz que
esta palavra vem
de loita. [Do
latim] luta. Cf. o
dicionário sua
outra forma é
aloite [de
loita].Lida,
esforço, luta. Não
possui datação
histórica.
8.Alossé: ficar a vontade.
Ex.: “Esses meninos ficaram
alossé hoje”.
[αλ ∪σ∈]
Não foi
encontrado nada
no dicionário a
respeito desta
lexia.
Possivelmente
pode ser uma
forma específica
do Guaporé
podendo ter
origem africana
ou indígena?
9.Aluá: refresco feito de
milho torrado conhecido
também como chicha.
[alu»Wa]
aluá, aruá, ualuá
bebida refrescante
preferida de caboclo,
feita de cascas de
abacaxi fermentadas por
três dias, em um pote de
barro com água,
carroços de milho, raiz
de gengibre e rapadura
Kik-Kim-Umb
wala, walwa suco,
refresco
Hau a$lewa$, ruwa suco,
refresco
¹aluá bebida
refrigerante feita de
farinha de arroz (ou
de milho) ou de cascas
de frutas (esp.
abacaxi, raiz de
gengibre esmagada ou
ralada), açúcar ou
caldo de cana e sumo
de limão; aruá; a
datação é de 1578.
²aluá doce tradicional
do Natal, feito com
amêndoas, farinha,
manteiga, coco e
pinhão; a datação é de
1727.
O dicionário
Houaiss propõe a
etimologia:quimb
. walu'a 'id.'; var.
aruá; f.hist. 1578.
10.Amancebado: Pessoa
que tem um caso amoroso.
“Chica tá amancebada com
Ligado ou ferrado a
alguma coisa; que ou
quem vive em
A datação é de
1568. Do latim
“manceps”
39
João”.
[αµãσε∪βαδΥ]
mancebia ou
concubinato; amante.
(tomar na mão).
11.Amigado: casais que
moram juntos e não são
casados no papel.
“Maria é amigada com
Chico”.
[αµι∪γαδΥ]
Que se amigou;
amasiado, amancebado.
O registro
histórico é do
séc. XV.
12.Angolê: nome de gêmeo,
correspondente a São
Cosme.
[a)
N
go»le]
angolê
nome de gêmeo,
correspondendo a São
Cosme
Kik-Kim
N
gore gêmeo
13.Angu: mistura de comida;
massa feita de farinha de
milho, arroz ou mandioca.
Confusão.
Ex.: “Tu fez o teu angu,
agora coma”, ou seja, você
arrumou confusão agora se
vira para sair dela.
[a)
N
»gu]
angu
(a) massa feita de farinha
de milho, arroz ou
mandioca
(b) mistura confusa
(c) trapalhada
(d) mixórdia
(e) intriga, mexerico
(f) topônimo: rio [MG]
Kim wa
N
gu
(a)Massa espessa que
se faz misturando, ao
fogo, farinha de milho
(fubá), de mandioca ou
de arroz, com água e,
às vezes, sal;
(b)Falta de ordem;
angu-de-caroço,
confusão,
complicação, rolo;
Briga que envolve
muitas pessoas; angu-
de-caroço, banzé,
rolo, sururu.A datação
é de 1799.
O Houaiss diz:
de origem
africana, mas de
étimo obscuro.
A datação é de
1789.
14.Anjico/angico: Apelido
comum na comunidade.
[a)
¯
»ZikU]
anjico, angico
(a) antiga nação africana
no Brasil.
(b) árvore utilizado na
construção
¹Angico árvore do
gênero Piptadenia, da
família leguminosas,
subfamília mimosóidea
de madeira utilíssima; a
datação é de 1871.
²Angico - Negro banto
da costa sudeste da
África, e que tomou,
no Brasil, a
denominação genérica
de Moçambique.
Os dicionário diz
ser de origem
obscura. No
entanto, Nei
Lopes admite a
possibilidade do
quicongo nsiki
'nome da árvore
Morinda
citrifolia'.
15.Apresentado: Pessoa
gaiata(atrevida, enxerida).
“Ô menino apresentado!”.
[απΡεζε)∪ταδυ]
Que ou aquele que se
apresenta; que despreza
o recato; saliente,
atrevido.
A datação é de
1261.
16.Apresentamento: pessoa
enxerida; que tem
enxerimento.
Enxerir: meter-se em
assuntos alheios,
tornar-se inoportuno;
A datação é do
séc. XIII.
40
Uma pessoa que se mete em
tudo quanto é assunto.
“Deixa de apresentamento
João”.
[απΡεζε)τα∪µε)τυ]
intrometer-se;
buscar conquista
amorosa (freq. de
forma impertinente ou
insistente); tentar
namorar
17.Aquá: expressão de
dúvida, de esquecimento.
“- Mãe sabia que João foi
embora!?
- Aquá! Tô pra ver.”
[ακυ∪α]
18.Ariado: perturbado.
[αΡια∪δΥ]
¹Areado com muita
areia, cheio ou coberto
de areia; que está sem
dinheiro; a datação é de
1597.
²Areado que está
distraído, absorto;
que está ou se sente
desnorteado,
desorientado; a
datação é de 1602.
19.Aringa: agrupamento,
senzala.
[a»Ri)
N
]
aringa
(a) agrupamento
(b) senzala.
Kik-Kim
n
zi
N
ga
campo fortificado entre
os negros na África.
Cafre
Campo fortificado de
chefes de tribos
africanas. A datação é
de 1881.
O dicionário diz:
orig.contrv., tido
como afr. do
Cafre (???).
20.Arruaça: briga na rua.
[αηυ∪ασα]
Motim, tumulto ou
desordem de rua;
conflito envolvendo
várias pessoas; briga,
confusão. A datação é
de 1881.
O dicionário não
dá uma
etimologia
provável.
21.Auê: bagunça.
[αυ∪ε]
Situação dominada por
grande alvoroço;
confusão, tumulto,
rebelião. A datação é
de 1970.
Prov. afr.;
segundo
Cacciatore, termo
us. em cânticos
dirigidos aos
orixás e
entidades, do ior.
a'we 'meu
amigo'..
22.Ave: cf. afu
[a∪ϖε]
Variação:[α∪φε]
23.Avuro: muito, avuro
41
demasiado.
[a»vuRU]
muito, demasiado.
Kik-Kim kiavulu
24.Babá: Tratamento dado
as amas pretas e velhas, no
entanto, hoje dá-se a
qualquer ama-seca, ama-de-
leite. Ou, empregada que
cuida somente de crianças.
[ba»ba]
Babá, bá
(a) tratamento respeitoso
para mameto.
(b) tratamento que era
dado as amas pretas e
velhas mas hoje a
qualquer ama-seca, ama-
de-leite.
Kik-Kim
kiba@aba criadeira, ama
de leite
¹babá tratamento
carinhoso com que se
deferem os meninos e
rapazes jovens; datação
é de 1345.
²babá empregada
doméstica que cuida
das crianças; ama-
seca, ama-de-leite; a
datação é do séc. XVI.
³babá bolo de massa
muito leve, ger. com
passas, e embebido em
calda com rum ou licor
etc; a datação é de
1899.
babá nos cultos iorubas
e em seus derivados,
pai ou ancestral; em
alguns candomblés,
título de reverência
com que se designa
Oxalá; a datação é
1933.
babá arbusto rasteiro
(Solanum agrarium) da
fam. das solanáceas,
nativo do Brasil.
babá babalaô ('pai-de-
santo')
Nei Lopes diz
que pode ter
orig. no quimb.
baba 'dar
palmadinhas
para fazer
adormecer
crianças,
acalentar'.
25.Babaça: coisa sem valor.
“Isso é uma babaça”; “Que
babaça!”.
[ba»baså]
babaça
coisa sem valor
Kik babasa
O dicionário diz que é
c.f. MABAÇA : irmão
ou irmã gêmea; epíteto
do orixá duplo Ibêji.
A datação de babaça é
de 1939. Mabaça não
possui datação.
A origem que
mostra o
dicionário é:
quimb. E quicg.
Ma’basa, pl. de
ka’basa
‘gêmeo’; pl.
formado com o
pref. Ba- ou ma-
; daí as var.
babaça e,
babaço.
26.Babaca: imbecil; vulva.
“Você é um babaca”.
babaca
vulva.
Kik-Kim
(a) Que ou o que é
ingênuo; tabaca,
simplório, tolo,
Conforme o
dicionário é um
lat. Hispânico
42
[ba»bakå]
mubaki, mabaka
babaquara.
(b) Que ou o que não
tem vivacidade ou
inteligência; bobo.
(c) Sem conteúdo ou
interesse; irrelevante,
superficial.
Vulva.
A datação é de 1939.
baburrus,a,um
‘tolo, basbaque,
simplório’; as
noções de
‘nesciedade’ e
‘infantilismo’
fazem supor
ligação com cog.
De baba-; acp.
Tabu de babaca
‘vulva’ pode ser
relacionada à
cog. De baba-
pela forma e
pelo
semanticismo;
há quem assinale
nexo com o port.
Basbaque,
outros admitem
possível infl. De
bobo; ver bab- e
bob-; o voc. Tb.
Tem sido
associado ao
tupi babaquara,
formado de
mbae’be ‘nada’
+ kwa’a ‘saber’
+ suf. De agente
–ara lit. ‘o que
nada sabe, mas
manda’; 1939 é
a data para a
acp. ‘vulva’ e
1969 é a data
para a acp.
‘bobo’.
27.Babaquara: velho.
“Você ta parecendo um
babaquara”.
[baba»k
w
aRå]
babaquara
(a) velho, decrépito
(b) influente, poderoso
Kik babakala
Habitante do interior,
ger. pouco instruído e
de modos simples;
roceiro, caipira.
Que ou o que se revela
bobo; parvo, pateta,
babaca.
Que ou o que exerce
grande influência, tem
grande poder.
Segundo
Nascentes, do
tupi (???)
mbae'be 'nada' +
kwa'a 'saber' +
suf. de agente –
ara.
Manteve-se o
sentido de
“velho” no
Guaporé, as
outras semânticas
43
se perderam.
28.Babáu: foi-se; acabou.
[ba»bau9]
babáu
foi-se, acabou-se!
Kik babau
No dicionário
encontramos:
¹babau exclamação
indicativa de que a
perda de algo é
irreversível; a datação
é de 1632.
²babau personagem do
reisado e do bumba-
meu-boi; a datação é de
1958.
³babau nos babaçuês e
batuques, sacerdote
dirigente e sacrificador
dos animais oferecidos
aos orixás, voduns e
entidades caboclas;
maitatá;
Nei Lopes
registra uma
forma babau em
quimb. com
sentido de 'foi-
se!'; e ainda diz
que talvez
relacionada com
o voc. ior. baba
'pai, chefe', cf.
babá, confere
sentido ³babau.
29.Baculo: velho, ancião, o
mais velho do culto afro.
[ba»kulU]
baculo
baculo(a) velhos, anciões
(b) os mais velhos do
culto.
Kik-Kim bakulu
bacuro
orixá, santo nos cultos
congo e angola
O dicionário Aurélio
diz que baculo é
equivalente de
baculi[do lat.
Baculus]bastão,caule;
Baculiforme, baculífero
[equiv.baculo].
Não encontrei
datação.
É uma palavra
que não existe no
dicionário com o
mesmo sentido
do Guaporé e
dos Dicionários,
mas que existe no
vocabulário do
povo.
30.Bagunça: auê!;
desordem.
[ba»gu)
n
så]
bagunça
(a) desordem, baderna,
remexido, confusão
(b) pândega ruidosa.
Kik
bulugusa, bulu
N
gu
n
za
Máquina de remover
aterro;
Falta de ordem;
confusão,
desorganização;
Farra ruidosa;
baderna, bagunçada.
Os dicionários
Aurélio e
Houaiss não
registram uma
origem provável.
Mas sua datação
é de 1926.
31.Balangandã
/barangandã:
coleção de ornamentos ou
amuletos em metal ou prata,
em forma de liga, medalhas,
peixes.
[bala)
N
ga)
n
»da)]
[baRa)
N
ga)
n
»da)]
balangandã, balagandã,
barangandã
(a) coleção de
ornamentos ou amuletos,
em metal ou prata, em
forma de figa, medalhas,
chaves, peixes, meia-lua,
etc., usada pelas baianas
em dias de festa.
(b) penduricalhos
Ornamento de metal
em forma de figa, fruto,
animal etc., que, preso a
outros, forma uma
penca us. pelas baianas
em dias de festa; serve
tb. como objeto
decorativo, lembrança
ou, se miniaturizada,
jóia ou bijuteria;
O dicionário
Houaiss diz que é
de origem
onomatopéica,
por causa do
barulho que
esses pendentes
fazem.
Onomatopéica??
?
44
balangandã
(a) testículos
balangue
(a) testículos
Kik-Kim
bula
N
ga
N
ga balouçar
>
m
bala
N
ga
N
ga
penduricalhos
Kik
m
bala
N
ge
Kim mala
N
ga
berenguendém [No
passado era us. esp. na
festa do Senhor do
Bonfim, em Salvador,
pendente da cintura ou
do pescoço das afro-
brasileiras, e constituía
amuleto contra o mau-
olhado e outras forças
adversas.]
32.Bamba: bastão, vara.
[»ba)
m
]
bamba
(a) bastão, vara
¹bamba [bambúrrio].
²bamba que ou o que é
muito valente;
valentão; conhecedor
profundo de
determinado assunto;
bambambã.
O dicionário diz
ser do quimb.
mbamba
'mestre'; para a
acp. 'valentão',
Nei Lopes
levanta hipótese
de um quicg.
ebamba-ngolo
'valentão'. É
necessário um
estudo mais
profundo para
chegar ao
étimo.Os
diferentes
sentidos nos
remetem para
outras línguas
prováveis.
33.Bambi: veado, gazela.
[ba)
m
»bi]
bambi
(a) veado, gazela
(b) frio.
Kik-Kim
m
ba
m
bi
Umb o
m
ba
m
bi
Mal que dificulta o
parto, atribuído a falso
juramento ou
promessas não
cumpridas;
O dicionário diz
o seguinte:
palavra crioula
de origem
obscura..
34.Bangüê: padiola feita de
cipós entrelaçados que era
usado para transportar
cadáveres de escravos.
[ba)
N
»g
w
e]
bangüê
(a) padiola feita de cipós
entrelaçados, que era
usada para transportar
cadáveres de escravos
(b) espécie de liteira
usada no campo, para
transportar crianças,
enfermos ou mortos
(c) serve também para
carregar a bagaceira da
moenda e materiais de
construção para o
(a)Padiola tosca para
carregar terra e
materiais de
construção;
(b) padiola us. para
transportar cadáveres;
(c) nos engenhos,
espécie de padiola em
que se leva o bagaço da
cana para a bagaceira
após a moagem;
(d) couro de boi com
varas atadas nas
Segundo Nei
Lopes, pal. banta
de orig.contrv.;
para Nascentes,
quimb.
mba'ngwe, de
que informa não
saber o
significado.
45
canteiro de obra
(d) canal ladrilhado por
onde escorre a espuma
das tachas de açucar
(e) engenho-de-açucar
primitivo
(f) topônimo muito
comum na zona
açucareira do nordeste.
(a-c) Kik
ba
N
gi < baN
g
a padíola
de cipós entrelaçados
(d) Kik
m
w
a
n
ze <m
w
a
n
zai canal
, rego
(e) Kik m
w
a
N
ge casa de
cana-de-açúcar
(e) Kim
n
zo m
w
e
N
ge casa de cana-
de-açúcar
extremidades no qual
se transporta terra para
os aterros;
(e) espécie de liteira
com teto e cortinado de
couro, para o transporte
de mulheres, crianças e
enfermos. A datação é
de 1899.
35.Bancar: querer aparentar
o que não é.
[ba)
N
»ka]
bancar
(a) fingir, simular alguma
coisa ou ato
(b) dar-se ares de
Kim
kuba
N
ga, kuba
N
ka fazer
Servir de banqueiro em
(jogo de azar);
Sustentar
financeiramente (algo
ou alguém) ou levantar
capitais necessários
para o financiamento
de (uma empresa ou
empreendimento);
financiar;
Fazer-se de; fazer as
vezes ou o papel de;
fingir.
A datação é de 1913.
36.Bandola: preá, espécie de
rato comestível.
[ba)
n
»dolå]
bandola
preá, espécie de rato do
campo comestível.
Kik ba
N
gala
Kim
m
be
N
gula
¹bandola cinto do qual
pendem cartucheiras de
pólvora; saco de
serapilheira us. na
colheita de cacau; vela
armada
improvisadamente em
verga, antena ou trave,
devido a
desarvoramento ('perda
dos mastros') de
veleiro; a datação é do
séc. XVII
²bandola bandolim
.
46
tenor; a datação é de
1922.
37.Banduleiro: criança sem
fazer nada; atoa.
[βã<δυλεϑ∪ΡΥ]
Bandoleiro [subst.
indivíduo que pratica
assaltos, roubos;
bandido; indivíduo que
mente, trapaceia].
Bandoleiro[adjt.
inconstante nos
amores, nas amizades;
sem paradeiro certo;
errante; sem ocupação;
vadio, ocioso. A
datação é de 1600.
No dicionário
está grafado
“bandoleiro”, no
Guaporé a
pronúncia é
claramente
“banduleiro”.
38.Bangola: esperto; gabola.
[ba)
N
»golå]
bangola
esperto, gabola.
Kik ba
N
gula
Encontramos no
dicionário
bangolar=andar
ao acaso;
O dicionário
diz: segundo Nei
Lopes, palavra.
banta, mas de
orig.controvérsi
a.
39.Banguela/banguelo: ato
de escangalhar cachos de
coco do engaço; desdentado.
[ba)
N
»gelå]
[ba)
N
»gelo]
banguela
(a) ato de escangalhar
cachos de coco do
engaço
banguela, banguelo
(b) desdentado ou quem
tem a arcada dentária
falha na frente.
(a) Kik ba
N
gala fender,
rachar
(b) Kik kiba
N
gala fenda
(nos dentes)
(a) benguela
('indivíduo, povo e acp.
adjetivas')
(b) que ou quem se
ressente da falta de um
ou mais dentes na parte
frontal de uma ou de
ambas as arcadas;
banguelo;
(c) que ou quem
pronuncia mal as
palavras, como se não
possuísse dentes na
parte frontal da arcada;
que ou quem fala
incorretamente;
banguelo.
A datação desta
palavra é de
1899, e possui
sentido diferente
no Guaporé.
Para Nei Lopes é
top. Benguela
(Angola) tomado
como subst. com
a mesma orig. da
f.divg. benguela;
as acp. 2 e 3
ligam-se ao fato
de os benguelas,
na África, no
passado, usarem
limar os dentes
incisivos.
40.Bangula: embarcação de
pesca.
[ba)
N
»gulå]
bangula, mangula
barco de pesca.
Kik
m
ba
N
gula
Embarcação de pesca
que tem semelhanças
com a garoupeira;
bangula; calungueira.
O dicionário diz
que é de
orig.obsc.;
segundo Nei
Lopes, regr. de
bangular. Sua
47
datação é de
1899.
41.Bangulê: dança dos
negros batendo palmas e
saltando.
[ba)
N
gu»le]
banguelé, banguelê,
bangulê
briga, arruaça, confusão.
Kik-Kim
m
ba
N
gile (procurar)
briga
Fon ZElE (procurar)
briga
Espécie de jongo,
acompanhado de
palmas e cuíca;
Banguelê briga em que
se envolvem muitas
pessoas; banzé,
bangulê.
A datação é de
1899. O
dicionário diz
ser afr. segundo
Nascentes; para
Nei Lopes,
contrv., do
quicg. e quimb.
bangula
'destruir,
desorganizar' ou
do umbd.
vangula 'falar'.
42.Banhá: tomar banho.
[βãα]
banhar
(a)dar banho em ou
tomar banho; lavar(-
se);
(b) tomar banho de
assento.
A datação é do
séc. XIII.
O dicionário
Houaiss diz ser
do latim vulgar.
43.Banheira: bacia.
[βãεϑΡα]
(a) bacia de aço
inoxidável ou de
plástico na qual são
banhados os filmes
nos processos de
revelação, fixação
etc.;
(b) aparelho sanitário
em forma de uma cuba
grande, no qual a
pessoa lava o corpo ou
se deixa lavar.
A datação é de 1831.
O dicionário diz
que a etimologia
é: fem. substv. de
banheiro; ver
balne(o)-.
44.Banto: é conhecido no
vale do Guaporé como um
povo africano, não como um
conjunto de línguas.
[∪βãτΥ]
Grande conjunto de
línguas do grupo
nigero-congolês
oriental faladas na
África, do quinto
paralelo da latitude
norte (altura de
Cabinda) até o Sul,
reunidas basicamente
por critério
morfossintático e
lexical.
banto ba pref. de
pl. + ntu
'homem',
indicando que
mu ntu sing.
'homem,
indivíduo'
48
45.Banza(r): ficar pensativo,
triste, pasmado de mágoas,
sentir banzo.
“Hoje é festa do divino é
proibido ficar banza”.
[»ba)
n
zå]
banzar
(a) ficar pensativo, triste,
pasmado de mágoas,
sentir banzo
(b) andar à toa, errar.
(a) Kik-Kim
kuba
n
za pensar, refletir
(b) Kik-Kim
kuba
n
za andar nervoso,
agitado, sem rumo
(a) pegar de surpresa ;
surpreender, pasmar,
espantar.
(b) ficar pensativo;
cismar, matutar.
A datação é de
1707. O
dicionário
Houaiss diz:
antepositivo, do
port. banzo
(deverbal), de
banzar, de
balançar, com
síncope do -l-
intervocálico, no
sentido, em
banzar, de 'ficar
tonto', por
metáfora
marítima, em
mar banzeiro
(sXVI); de outro
lado, banzo
ocorre como
subst. masc. e
adj. 'triste,
abatido;
nostalgia dos
escravos
africanos',
conexo quase
certamente com
o subst. fem.
banza 'povoação
dos negros
africanos,
residência dos
sobas ou chefes
tribais na África'
(1591), do
quimb. máza; é
improvável que
os usuários,
salvo os
eruditos, tenham
discriminado
significante e
significado no
uso do el.comp.
banzo, pelo
menos no Brasil,
desde o
momento em
49
que coexistiram;
infelizmente,
banzo no sentido
africano está por
ora só referido a
partir do sXIX,
o que deve
sofrer
retrodatação,
com a pesquisa;
os der. ou
conexos são
banza, acima
citado, banzado,
banzão, banzar,
banzativo,
banzé, banzear,
banzeira,
banzeiro,
banzento, banzo.
46.Banzo: nostalgia mortal
dos africanos em cativeiro.
“João está com banzo hoje”.
[»bafl)
n
zU]
banzo
(a) nostalgia mortal dos
africanos em cativeiro
(b) saudade.
Kik-Kim
m
ba
n
zu lembrança,
saudade
Este primeiro
significado é datado em
1561 que é cada uma
das duas peças longas e
laterais do bastidor de
bordar; E este outro
siginificado é datado de
1871 que é
processo psicológico
causado pela
desculturação, que
levava os negros
africanos escravizados,
transportados para terras
distantes, a um estado
inicial de forte
excitação, seguido de
ímpetos de destruiçã
o e
depois de uma nostalgia
profunda, que induzia à
apatia, à inanição e, por
vezes, à loucura ou à
morte
O dicionário diz
que é origem
duvidosa prov.
regr. de banzar,
mas, segundo
Nei Lopes, afr.
do quicg.
mbanzu
'pensamento' ou
do quimb.
mbonzo
'saudade,
paixão';
47.Baquité: sacola com
alguma coisa dentro. “Passa
esse baquité pra mim por
favor!”.
Espécie de cesto que as
índias costumam trazer
às costas.
A datação é de
1913 e o
dicionário diz
que é
50
[βακι∪τ∈]
provavelmente
de origem tupi. O
dicionário diz
que é uma
espécie de
samburá que é
um cesto de cipó
ou de taquara.
48.Baranga: mulher feia.
“Essa mulher é uma
baranga”.
[βα∪Ρãγα]
(a)de baixa qualidade;
de pouco ou de
nenhum valor;
(b) mulher feia,
deselegante, mal-
ajeitada.
Segundo Nei
Lopes, do quicg.
mbalanga 'hérnia
umbilical'.
49.Bata: é o ato de bater o
cereal colhido com cacetes
para debulhar os grãos.
[»batå]
bata
ato de bater o cereal
colhido com cacetes, a
fim de debulhar os seus
grãos..
Kik-Kim bata bater até
rachar, estalar, debulhar
+ português bater
Bata o que serve como
ração comida;
¹bata variedade oriental
de algodão; traje
feminino solto e largo
abotoado na frente do
decote à barra e etc;
²bata ação de bater as
ramas do feijão para
deles desprender os
grãos; batedura.
³bata lugar onde se
mora habitação.
O dicionário
Houaiss data
bata de 1544, e
indica origem
hindustani.
bhata, bhatha ou
bhátá 'id.'; no
¹bata diz que é
de 1836; para
todos ele dá a
mesma origem.
No entanto, o
dicionário
Aurélio diz que
possivelmente é
de origem
germânica.
50.Batelão: barco grande.
[βατε∪λão]
(a)barcaça de madeira
ou ferro, ger. rebocada,
us. para transporte de
carga pesada;
(b) embarcação movida
a remo ou a reboque,
us. no comércio fluvial
(c) canoa pequena e
alta, de grande pontal.
O dicionário
Houaiss diz que
vem de batel + -
ão talvez p. infl.
do it. batellone
'barco a remo de
grande
dimensão'.
De origem
portuguesa,
datada em 1454.
O dicionário
Aurélio diz ser
aumentativo de
batel que é um
pequeno barco.
A etimologia:
51
[Do fr. ant.
batel, atual
bateau.]
51.Baticum: batimentos
contínuos.
[batSi»ku)]
baticum
(a) barulho ou batimentos
continuados, sucessão de
marteladas
(b) palpitação, pulsação
forte do coração e das
artérias.
Kik-Kim
vatitutitu pulsante,
palpitante, batido
continuado
(a) Ruído de sapateado
e palmas, como nos
batuques.
(b) Sucessão de
marteladas.
(c). Pulsação forte do
coração e das artérias.
(d) Barulho provocado
pela queda de um corpo
pesado na água.
(e) Discussão
acalorada.
(f) Falatório, falario.
[Cf. bate-cu.]
52.Batiduro: comer muito.
Ex.: “Batiduro na comida
que ele fez”.
[βατΣι∪δυΡΥ]
Bater duro?
53.Batuca(r): repetir a
mesma coisa intensamente;
dançar batuques; tocar
tambores e bumbos.
[batu»ka]
batucar
(a) repetir a mesma coisa
insistentemente;
(b) dançar batuque, tocar
tambores e bumbos
(c) fazer barulho ritmado
com pancadas
(d) bater com força,
repetidamente.
Kik-Kim vutuka >
vutikila
Kik-Kim vutukila +
português bater
[De batuque + -
ar
2
.]
(a)Dançar e cantar o
batuque (1).
(b)Fazer barulho
ritmado com pancadas.
(c)Bater
repetidamente com
força; martelar.
(d) Dar o ritmo de,
percutindo:
(e)Tocar (música
popular ritmada) ao
piano.
O dicionário diz
ser de
orig.contrv;
ligado a bater e
o suf. verbal -
ucar; ver
1
bat-.
A datação é de
1727.
54.Batucajé: som agudo e
forte produzido pelo som de
atabaques; dança profana e
barulhenta ao som de
atabaques.
[batuka»ZE]
batucajé
(a) som agudo e forte
produzido pelos
atabaques
(b) dança profana e
barulhenta au som de
atabaques.
Kik vutukilawe
[De batuque +
elemento de or. afric.,
poss.]
(a)Dança profana ao
som de tambores.
(b)O ruído produzido
pelo toque dos
atabaques.
O dicionário
Houaiss diz que
provavelmente é
formado de
batuque e ior.
a'je 'feiticeiro'
(???). A datação
é de 1959.
55.Batuque: batimentos
rítmicos.
[ba»tukI]
batuque
(a) ruído, som muito
forte
(b) ação de fazer ruído
Ato ou efeito de
batucar, de bater com
reiteração, de dar
pancadas seguidas, de
No dicionário
Houaiss
orig.contrv.;
segundo
52
com batimentos
rítmicos.
fazer ritmo ou barulho
desta maneira;
batucada
Nascentes, regr.
de bater;
segundo AGC,
regr. de batucar;
para Cacciatore,
talvez do ronga
batchuk 'tambor,
baile'; Nei Lopes
sugere
associação com
o verbo quimb.
tuka 'saltar'.
56.Beleléu: sumir (morrer).
“Ele foi para o beleléu”.
[bele»lEu9]
beleléu
(a) “ir para beleléu” =
morrer, sumir,
desaparecer
(b) frustrar-se, malograr-
se, fracassar.
Kik
m
belele
cemitério
Kim
m
balale cemitério
Morte;desaparecimento
; malogro.
57.Bengala: pequeno bastão.
[be)
N
»galå]
bengalá
bastão pequeno .
Kim
m
ba
N
gala bastão
>hindustani?
Pequeno cajado de se
conduzir na mão feito
de cana de Bengala.
O dicionário diz
que vem do
hindustani
“Bang-alaya”
'reino do banga
ou vanga', povo
primitivo que
habitou a região;
a literatura
sânscrita antiga
faz referência a
esse reino,
embora ele não
tenha tomado
parte ativa na
lendária guerra
descrita no
Mahábhárata;
Bangla desh é
'Bengala livre',
usualmente
Bangladesh; o
top. dá origem
ao subst.com.
nas várias acp.;
'bastão' red. de
cana de Bengala;
var. top. Bengla,
53
Bangala,
Bangla; var.
gentílico com
suf. bengalense e
bengalês; o
subst. também
apresenta
numerosas
formas
variantes; f.hist.
c1543 bengala
'tecido', 1561
bengala subst.
'natural ou
habitante de
Bengala', sXVI
Bengala top.,
sXVI cana de
Bengala 'cajado'
58.Bengo: espécie de capim.
[»be)
N
gU]
bengo
(a) espécie de capim
(b) espécie comestível de
preá
(c) viela
(d) designação
depreciativa de ruas
estreitas e tortuosas,
caminhos escuros, quase
intransitáveis
(e) vendola, lugar ou
estabelecimento mal
freqüentado.
(a) Kik
m
be
N
gu
(b) Kik
m
be
N
gi
(b) Kim dibe
N
gu
(c) Kik-Kim
m
be
N
go,
m
bu
N
gu
¹bengo rua estreita e
sinuosa;
caminho recôndito,
escondido;
lugar pouco ou mal
freqüentado;
estabelecimento
comercial muito
modesto; birosca,
tendinha;
²bengo préa
Segundo Nei
Lopes, quimb.
dibengu 'rato'; a
datação é de
1958.
59.Benguela: uma
personagem histórica,
escrava, que se tornou chefe
de um quilombo, conhecida
também como Tereza de
Quariterê.
[be)
N
»gelå]
benguela
denominaçâo
provavelmente dada pelo
tráfico negreiro aos
ovimbundos provenientes
do antigo reino de
Benguela, a sudoeste de
Angola, cuja língua
majoritária é o umbundo;
rua estreita e tortuosa
(a)dos benguelas;
banguelas.
(b) relativo a benguela
ou ao povo benguela.
(c) povo banto que
habita a reigão de
Benguela (Angola).
Não possui
registro
histórico.
60.Beradeiro: o ribeirinho.
54
[βεΡα∪δειΡο]
61.Berimbau: arco musical,
instrumento indispensável na
capoeira.
[beRi)
m
»baU9]
[biRi)
m
»baU]9
berimbau
(a) arco-musical
indispensável na
capoeira
(b) pessoa alta, magra e
bem esguia.
Kik-Kim madi
m
bau
Umb omadi
m
bau
Instrumento idiofone
de origem banta que
consiste num arco de
madeira retesado por
um fio de arame e com
uma meia cabaça (caixa
de ressonância) presa ao
dorso da extremidade
inferior
O dicionário
Houaiss diz:
orig.duv., o
dicionário diz
ser prov. quimb.
mbirim'bau;
f.hist. 1536
birimbao
62.Berimbelos: coisas
penduradas.
[βεΡι)βΕλoσ]
63.Biatá: joeirar, passar em
peneira.
“Hoje vou biatá o feijão”.
[biJa»ta]
biatá
passar em peneira,
joeirar, limpar milho,
feijão, etc. após colheita.
Kik-Kim
kubia@ta joeirar, peneirar
Umb okupiata joeirar,
peneirar
64.Biboca: casa; lugar sujo.
[bi»bokå]
biboca
(a) casa, lugar sujo
(b) por extensão, bodega,
pequena venda.
Kik
lo
m
boka / biboka lugar,
casa suja, escura
(a) sanga ou barranco
produzido por águas de
enxurrada ou por outras
causas naturais;
(b) vale acentuado e de
difícil acesso;
(c) depressão úmida e
sombria nas encostas;
grota, socavão, sovaco
de serra;
(d) lugar ermo.
A datação é de
1870. O
dicionário diz ser
provavelmeno do
tupi *ïmbï'mboka
'buraco, local de
difícil acesso', do
tupi ï'mbï 'terra,
solo, chão' e
'mboka 'abertura,
fenda' ou 'oka
'casa, toca'.
65.Bilha: vaso para colocar
água (pequena), sem haste.
[βι∪× ]
(a) vaso bojudo e de
gargalo estreito, ger. de
barro, us. para água,
leite, vinho e outros
líquidos potáveis;
(b) moringa
O dicionário diz
que é de origem
francesa
bille (1164); e
ainda diz ser de
orig.contrv.;
acp.orig. (sXIII)
'bolinha, coisa
de pouco valor',
por ext. 'objeto
de forma
arredondada';
acp. de tec
55
(c1900)
'pequena esfera
sobre que se
opera rotação de
certos
mecanismos';
prov. do antigo
b.-frânc. *bikkil
'dado, ossinho,
pequena bola';
no port., billa é
do sXIIIe bilha,
do sXVII
66.Bimba: termo injurioso
referente a ânus.
[»bi)
m
bå]
bimba
(a) termo injurioso
equivalente a ânus,
traseiro, e empregado
geralmente na expressão
“tomar na bimba”
(b) pênis de criança
(c) pênis pouco
desenvolvido.
(a) Kik
m
bi
m
ba mesmo
significado
(b-c) Kik vi
m
ba inchaço,
pênis, cacete
(b-c) Kim Zi
m
ba inchaço,
pênis, cacete
(a)a parte superior
interna da(s) coxa(s);
(b)virilha;
(c)o pênis, ger. infantil
ou de reduzidas
dimensões; pimba;
segundo Nei
Lopes, talvez
quimb. 'mbimba
'cacete, cajado'
dê orig. à acp.
'pênis' e, p.ext.,
'coxa'; ou talvez
umbd. 'mbimba
'cortiça, medula
vegetal, madeira
leve' dê orig. à
acp. 'coxa', em
cruzamento com
quicg. 'mbimbi
'tronco de
bananeira ou de
palmeira'; a
datação é de
1858.
67.Binga: : chifre; ponta de
chifre para guardar tabaco,
pó, ou pólvora.
[»bi)
N
gå]
binga
(a) chifre
(b) ponta de chifre de boi
torneada, própria para
guardar tabaco em mpó
ou pólvora para
espingarda de caça
(c) corno, chifrudo,
marido traído
(d) homem sem
importância
(e) espécie de cascalho
em forma de chifre
(f) tipo de colibri, beija-
flor
(g) isqueiro tosco usado
no interior
(a)Isqueiro feito com
a ponta de um chifre e
uma lasca de pedra,
que se atrita com uma
lâmina de ferro ou de
aço (ger. um pedaço de
lima), provocando
uma faísca que
inflama a bucha de
algodão; (b)artifício,
fuzil, papa-fogo;
(c)lampião de
querosene.
Quimb. mbinga
'chifre'. A
datação é de
1899.
56
(h) lampião de querosene
68.Biraia: prostituta.
[bi»Rajå]
biraia
prostituta de classe baixa.
Kik biwaia
Kim kiwaia
(a)mulher reles ou má;
(b)megera;
(c)prostituta.
O dicionário diz
que é de origem
obscura, e não
possui datação
histórica.
69.Biringa: pênis de criança.
[bi»Ri)
N
gå]
biringa
(i) pênis.
(a-f) Kik
m
vi
m
ba chifre
(a-f) Kim
m
bi
N
ga chifre
(g-h) Kik
m
w
i
N
ga isqueiro, lampião
70.Birita: cachaça ou tomar
uma cachaça.
[bi»Ritå]
birita
gole de cachaça
[Alto São Francisco]
Aguardente de cana-de-
açúcar; cachaça
O dicionário diz
ser de origem
obscura. Não
possui datação.
71.Biscate: mulher da vida.
[βισκϑτΣι]
(a)trabalho de pouca
monta;
(b)bico;
(c)prostituta.
A datação é de
1899.
72.Bobó: comida feita de
uma variedade de feijão,
inhame, ou bananda da terra,
com camarão.
[bo»bç]
bobó
(a) começo de gravidez
(b) pessoa indesejável
(a) Kik
m
bobo inchação
¹bobó comida de
origem africana, feita
com feijão ger.
mulatinho, cozido até
a consistência de uma
papa, com azeite de
dendê e
temperos;creme de
inhame,aipim ou
fruta-pão cozido com
azeite de dendê e
temperos;
²bobó indivíduo tolo,
bobo;
³bobó ação de excitar o
pênis com a boca.
Jeje bo'bo
'comida de
origem africana
feita com feijão';
a filiação do
sentido 'prenhez'
a este étimo é
apenas
supositícia; a
datação é de
1899.
73.Boboca: pessoa boba, que
diz ou faz coisas insensatas.
[bç»bçkå]
boboca
desdentado.
Kik momoka
Kim maboboka
¹boboca biboca (vale
acentuado);
²boboca que ou quem
diz coisas insensatas;
³boboca sem dente.
O dicionário diz
ser do quimb.
uabo'boka
'desdentado'.
A datação é de
1899.
74.Bobocona: pessoa parada
que não vê o tempo passar.
[b b 'kονα]
O mesmo que
boboca.
57
75.Bocado: muito.
[βο∪καδΥ]
(a)Porção de alimento
que se leva de uma vez
à boca.
(b)Pedaço, porção.
(c)Pequena quantidade
de qualquer coisa.
(d)Intervalo de tempo.
(e)Parte do freio que
fica dentro da boca da
cavalgadura; bocal.
(f)Passadio, sustento.
A datação é de
1258.
[Sin. (bras.):
bocada, biró.]
76.Bode: menstruação.
[»bodZI]
bode,
menstruação.
Kik
m
bodi
Kim
m
boZi
¹bode o macho da
cabra;cabrão;indivíduo
que usa
cavanhanque;indivíduo
feio, repugnante.
²bode moeda do
passado usado em
Cambaia, antiga cidade
portuária da Índia
portuguesa.
³bode pequeno disco de
cera preta usado na
cabeça dos ladins e seus
vizinhos zulus.
O dicionário diz
que é de
orig.obsc., talvez
pré-romana; ver
bod-, a datação é
do séc. XV.
77.Bodó: bolinho de trigo
com leite, ovo.
[β ∪δ ]
(a)Cascudo-comum;
(b)Bajurqui.
Esta palavra tem
da datação de
1922 e o
dicionário diz
que é de origem
obscura.
78.Boga: ânus,
especialmente o da mulher.
[»bogå]
boga
ânus, traseiro.
Kik-Kim
m
boga ânus,
traseiro (geralmente de
mulher)
(a)design. comum a
alguns peixes
teleósteos perciformes
da fam. dos esparídeos,
que inclui os pargos;
(b)ânus;
O dicionário diz
ser do: Grego.
bóks através do
lat. bóx,ócis
'espécie de
peixe', (doc.
boca em Plínio)
e difundido nas
línguas român.,
prov. boga
(sXIII), esp.
boga (1423), fr.
bogue (1554)
A datação é de
1258.
79.Bogó: copo de couro
usado no jogo de dados.
bogó
(a) vaso de couro com
(a) bocó
(b) Vaso de couro com
O dicionário diz
ser de origem
58
[bç»gç]
que se tira água de
cacimba
(b) copo de couro usado
no jogo de dados.
Kik-Kim kibo
N
gu
que se tira água de
cacimba.
(c)Copo de couro
usado no jogo de
dados.
obscura. Não
possui datação.
80.Bolão de barro: mulher
gorda.
[β ∪λãωδεβα∪ηo]
81.Bolar: rolar.
[bo»la]
bolar
entrar em transe,
incorporar a entidade.
Kik-Kim
m
bokola entrar em transe
+ português bolar cair,
rolando como uma bola
¹bolar acertar
(algo)com...
bolar;alcançar, tocar;
acertar onde a mira se
dirigia;
²bolar nas religiões
afro-brasileiras, receber
em seu corpo(um orixá
ou entidade afim);
³bolar relativo a
bolo(terra).
A datação é de
1543, e o
dicionário não
dá uma origem
provável.
82.Bololô: pessoa gorda e
forte.
[bolo»lo]
bololô
confusão, barulho.
Kik bololo
Kim + Fon
N
gololo +
gbolçlo@
Yor bo@robo$ro +
português bolo confusão
No dicionário bololô
remete a Bolo('briga',
'confusão',
'concentração')
A datação é do
séc. XX.
83.Borocotó: terreno
escabroso com muitos altos e
baixos, escavado ou
obstruído de terras.
[bçRçkç»tç]
[bRçkç»tç]
borocotó, brocotó
(a) terreno escabroso
com muitos altos e
baixos, escavado ou
obstruído de pedras
(b) sulco irregular aberto
por águas pluviais em
ruas sem calçamento.
Kik-Kim
m
bulukutu
(a)terreno desigual,
esburacado;buraco
fundo;
(b)fenda cavada por
enxurradas em ruas de
terra batida
Nei Lopes
lembra o quicg.
boloko'to, onom.
us. para indicar
'ranger de dente,
sapato etc.
diante de algo
duro' e, p.ext.
'ruído de passos
em caminho
cheio de pedras
e paus', a
datação é de
1899.
Enquanto Nei
Lopes dá uma
provável origem
africana o
dicionário
Aurélio diz ser
do tupi.
84.Borocoxô: pessoa triste.
borocoxô
pessoa envelhecida,
(a)que ou quem está
envelhecido e/ou
Para Nei Lopes,
do quicg.
59
[boRoko»So]
fraca, sem coragem.
Kik + Yor
bulukuloto + ogbo@ ku$jç
@ku$jç
alquebrado;
(b)que ou o que é ou
está desanimado;
aborrecido;
boloko'to 'o que
caminha devagar
e penosamente';
85.Bozó: oferenda
propiciatória; encantamento.
“Ele fez um bozó para mim”.
[bo»zç]
bozó
(a) oferenda propiciatória
(b) feitiço, malefício.
Kik (a)
m
bo@ozo encantamento
(a)Jogo de dados em
que estes são atirados
dentro de um cilindro
de folhas-de-flandres ou
de um copo de couro, só
se descobrindo o lance
depois de feitas as
apostas.
(b)Esse cilindro, nesse
jogo ou em jogos
análogos:
(c) Determinada quantia
que dois ou mais
parceiros combinam
deixar de lado cada vez
que um deles ganha, e
que, findo o jogo, será
dividida entre os
participantes da
combinação.
(d) Barato;
(e) bruxaria;
De orig. afr.,
segundo
Cacciatore prov.
do quimb.
mbonzo
'tristeza', o voc.
liga-se à prática
divinatória fânti-
axânti, de jogar
pequenos
objetos sobre um
tabuleiro ritual,
para consultas
oraculares,
donde acp.
'feitiço, magia
negra'
86.Branda: muita conversa.
Ex.: “Ele ta branda hoje”, ou
seja, com muita conversa.
[∪βΡãδ ]
Não é atestada
nem no
dicionário de
bantuísmo e nem
no de português.
87.Brevezinho: Cordão com
a oração de nossa senhora do
bom parto.
[βΡΕϖε∪ζιΥ]
De “breve”
(a)De pouca duração;
rápido, transitório:
(b)De pouca extensão
ou tamanho; pequeno,
curto:
(c)Leve, ligeiro:
(d).Conciso, lacônico,
resumido:
(e)Escapulário que
contém uma oração.
O dicionário diz
ser do
latim.”breve”.
88.Brocotó: cf. borocotó
[βΡ κ ∪τ ]
89.Brucutar: procurar
remexendo, fazendo barulho.
“Para de brucutar menina!”.
[bRuku»ta]
brucutar
procurar remexendo,
fazendo barulho.
Kik bulukuta
60
90.Brucutu: homem negro,
forte e rude.
[bRuku»tu]
brucutu, burucutu
(a) homem forte e rude
(b) veículo policial usado
para dispersar
manifestantes de rua.
Kim
bulukutu + português
bruto
(a)indivíduo feio,
malfeito, grande;
(b)indivíduo
grosseiro, não
civilizado;
(c)carro blindado us.
para reprimir
manifestações,
passeatas, tumultos
públicos etc.
O dicionário diz
que é de origem
onomatopéica(??
?) e não tem
datação.
91.Budum: cf. burdum.
[βυ∪δυ⊃]
92.Bugerê: comida que se
prepara rápido.
[βΥγε∪Ρε]
93.Buginganga: Coisas de
pouco valor, cacarecos,
quinquilharias.
[buZi»ga)
N
gå]
bugiganga
(a) dança de macacos ou
de bonecos
(b)bugiarias, bagatelas,
coisa de pouco valor;
quinquilharias
(c) topônimo: rio [RS]
mogiganga
grupeto de farçantes
Kim
kabuZa
N
ga
N
ga esquilo
Árabe ?
(a)objeto de pouco ou
nenhum valor ou
utilidade;
quinquilharia;
(b)ninharia,
insignificância
(c)rede para pescar, de
envolver, que se arrasta
para terra
(d)na Espanha,
pequena companhia de
farsantes que
representava algumas
comédias e autos pelos
vilarejos do interior
A datação é do
séc. XVII.
94.Buiu: cobra grande,
sucuri; pode ser apelido de
menino.
[bυιυ]
Atestado na
Bahia como
apelido
95.Bulir: mexer.
[bυ∪λι]
(a)mover-se, agistar-se
de leve,mexer-se,
deslocar-se;
(b)balançar( o navio);
(c)tocar em algo ou
alguém; mexer em.
O dicionário diz
ser do latim.
96.Bumba/bumbo: pancada,
surra: tambor, bombo.
[»bu)
m
bå]
[»bu)
m
bΥ]
bumba,
(a) pancada, surra
(b) tambor, bombo
Palavra imitativa de
uma batida rápida ou
de uma ação rápida e
decidida; zás .
O dicionário diz
ser de
orig.contrv;
prov.
Onomatopéica
(???).; há que se
61
considerar a
hipótese de orig.
no quicg.
mbumba 'bater'.
97.Bumbar: surrar,
espancar; bater o bombo
[bu)
m
»ba]
bumbá
(a) surrar, espancar, bater
(b) tocar, bater o bombo.
(a) Kik
n
za
m
buma tambor de
madeira, muito grande e
comprido
(b) Kik
zu
n
za
m
buma fazer
música com muito ruído,
com tambo
Kik bu
m
ba bater
(a)Zabumba;
(b) surrar, desancar,
esbordar.
O dicionário diz
ser de 1927 e
não dá uma
origem.
98.Bumbum/bunda:
nádegas.
[bu)
m
»bu)]
[»bu)
n
då]
bumbum
traseiro.
Kik-Kim
m
bu
m
bu
bunda
nádegas, traseiro.
Kik-Kim
m
bu
n
da nádegas, ânus
(a) estrondo contínuo
repetido;
(b) som de zabumba;
(c)nádegas.
O dicionário diz
ser de 1881 e diz
que é de origem
onomatopéica
(???).
99.Bundá: cacarecos.
[bu)
n
»da]
bundá
trastes velhos, cacarecos
Cacaréus. O dicionário diz
ser de origem
africana.
(não
especificada)
100.Burdum: com
sovaqueira, mau cheiro. Ex.:
“Francisco está com
burdun”.
[βυη∪δυ)]
budum
mau cheiro corporal.
Kik-Kim kibuzu
No dicionário de
bantuísmos não
encontramos
burdum e sim a
palavra budum
que tem o mesmo
siginificado que
burdun.
101.Buzum: mau cheiro.
[bu»zu)]
buzum,
mau cheiro corporal.
Kik-Kim kibuzu
102.Cabaço: hímen,
virgindade.
[ka»basU]
cabaço
hímen, virgindade da
mulher
Kik-Kim kabasu hímen
(a) o fruto da cabaceira;
(b)o hímen; a
virgindade da
mulher; homem casto.
Voc. formado a
partir de cabaça;
da f.fem. term.
em -a
depreendeu-se,
p.ana., a f.masc.
term. em -o, com
algumas acp.
62
Semelhantes e
novas acp.;
f.hist. 1500
cabaaco, 1500
cabaaço.
O dicionário diz
ser do
quimbundo.
103.Cacaio: paneiro(uma
espécie de cesto).
[ka»kajU]
Saco ou alforje
carregado nas costas e
preso por baixo dos
braços.
A datação é de
1913, e o
dicionário
Houaiss diz que é
de origem
duvidosa. O dic.
Aurélio diz ser
provavelmente
do quimbundo.
104.Caçamba: Tipo de
veículo usado para remoção
de terra.
[ka»sa)
m
bå]
caçamba
(a) balde preso numa
corda para tirar água dos
poços
(b) qualquer balde
(c) tipo de veículo usado
para a remoção de terra
Kim kisa
m
bu cesto
grande
O dicionário diz
ser do quimb.
kisambu 'cesta,
cesto grande', a
datação é de
1899.
105.Cacarucaia/cacurucai:
ancião; velho; idoso.
[kakaRu»kajå]
cacurucai, cacurucaia,
cacurucaio, cacurucaje
(a) ancião, velho
(b) tratamento para
Preto-Velho
cacurucaia
expressão usada para
exorcisar Cariapemba
No dicionário
cacurucaio “alma de
escravo negro cultuada
em algumas seitas,
p.ex., na macumba”.
O dicionário diz
ser do
quimbundo.
106.Cacete: (a) Bordão curto
de madeira, porrete; (b)
pênis.
[ka»setSI]
cacete
(a)bordão curto de
madeira, porrete
(b) importuno,maçante
Umb katSite pauzinho
(a) pedaço de madeira
resistente, mais ou
menos cilíndrico, de
comprimento não
muito grande, ger.
mais grosso numa das
pontas, e us. esp. para
desferir pancadas, ou
para servir de apoio
etc.;
(b)borduna,
cachamorra,
cachaporra.
A datação é de
1831; o
dicionário diz ser
de origem
controvérsia.
63
107.Cachaça: aguardente,
bebida alcoólica.
[ka»Saså]
cachaça, cachacha,
quixaxa
(a) aguardente que se
obtém mediante a
fermentação e destilação
do mel ou borras do
melaço
(b) qualquer bebida
alcoólica
(c) paixão, amor ardente,
inclinação por alguém
ou por alguma coisa
Kik kisasa água ardente,
que fermenta, excitante
(a) espuma grossa que
se forma durante a
primeira fervura do
caldo de cana us. na
produção de açúcar, e
dele retirada para servir
de alimento (ger. na
forma de beberagem
fermentada) ou para
obtenção de bebida
alcoólica;
(b) aguardente.
A datação é de
1635, e o
dicionário diz
que é do latim
vulgar, ele
descarta qualquer
hipótese de ser
étimo africano, o
que precisa ser
investigado. O
dicionário diz
ainda que, o
registro do 1º
documento é do
séc. XIII.
108.Cachimbá: fumar o
cachimbo.
[kaSi)
m
»ba]
cachimbá
(a) fumar cachimbo,
fumegar, exalar vapores
(b) meditar, ponderar
(a) Kik-Kim
kuSi
m
pa, kuSi
m
ba fumar
(a) fumar cachimbo,
dar ou tirar
cachimbadas
O registro
histórico é de
1712.
109.Cachimbo: pipo de
fumar, tubo para fumar
terminado numa espécie de
concha.
[ka»Si)
m
bυ]
cachimbo
pipo de fumar
Kik
n
zi
N
gu pequeno
tição fumegante
Kim
n
zimu pequeno tição
fumegante
Utensílio para fumar
feito de madeira, barro
ou outros materiais,
que consiste num tubo
delgado que tem, numa
das extremidades, um
recipiente (fornilho)
onde se coloca e se faz
arder tabaco ou outro
produto, e, na outra
extremidade, uma
abertura ou bocal por
onde se aspira a fumaça
A datação é de
1680. Embora os
dicionários
apontem para
origem
controvérsia
dizem
que pode ser do
quimb. Kixima.
110.Cacimba: vasilha.
[ka»si)
m
bå]
cacimba
(a) poço de água potável
(b) fonte
(c) vasilha
Kik-Kim
kisima, kisi
m
bu vasilha
¹cacimba
(a)Cova que recolhe a
água dos terrenos
pantanosos.
(b)Poço cavado até um
lençol de água.
(c)Escavação em
baixadas úmidas ou no
leito de um rio, na qual
a água se acumula
como num poço.
(d) Olho-d'água, fonte;
nevoeiro úmido, sereno
ou chuva miúda que se
forma em certas regiões
Do quimb.
Kixima.
¹cacimba f.hist.
1575 quicima,
1675 cacimba;
²cacimba
f.hist. 1680
casibo.
64
costeiras e insulares
africanas (p.ex., Serra
Leoa e Cabo Verde),
ger. de efeitos
desagradáveis.
111.Caçoar: mangar, rir de
alguém.
[κα∪συ ]
(a)fazer caçoada,
galhofa ou chacota de;
provocar riso ou
hilariedade acerca de
alguém ou algo
determinado, com
palavras ou atos
espirituosos ou
engraçados, que
manifestam humor,
ironia, malícia, desdém
etc.;
(b) escarnecer,
gracejar, troçar,
zombar
112.Caçote: rã; jarro de
barro.
[ka»sçtSI]
caçote
pequeno sapo ou rã
Kik-Kim kazote
¹caçote designação
popular para os anuros
(sapos e pererecas) de
pequeno porte;Rã.
²caçote cabeçote.
[Do quimb.
risote, com troca
do pref. por ka,
'rãzinha'.]
A datação é de
1278.
113.Cacuia:morrer; acabar;
desaparecer.
[ka»kujå]
cuia
(a) alma, espírito de
morte
(b) assombração,
fantasma
quicuia
assombração
Kik ki
N
kuja
Cemitério. O dicionário de
português não dá
sua etimologia
provável, nem
sua datação.
114.Caçula/caçulo: o mais
novo dos filhos ou dos
irmãos (raspa de tacho).
Caçulo, caçulê.
[ka»sulå]
[ka»sulU]
caçula, caçulê, caçulo
(a) o mais novo dos
filhos ou dos irmãos
(b) o último a se
manifestar no “barco”
Kik kasuka o último
filho
Kim kasule o último
filho
Umb ok
w
asula o último
filho
¹caçulo
(a)ato ou trabalho
realizado por duas
pessoas que socam ao
pilão produtos como
arroz, café, milho etc.,
alternando os
movimentos de elevar a
mão ('peça do pilão') e
de baixá-la para
amassar ou triturar o
produto
(b)movimento
característico dessa
atividade ou trabalho;
O dicionário diz
que a origem é
quimb. kasule
'último filho', a
datação é de
1871
65
sula.
²caçulo o mais novo
dos filhos ou dos
irmãos.
115.Cacunda de pé: chute.
“Vou te dá uma cacunda de
pé”.
[ka»ku)
n
dådΖι∪πΕ]
116.Cacunda: costas; dorso;
corcova; pessoa que tem
problema na coluna.
[ka»ku)
n
då]
cacunda, cadicunda,
car(i)cunda, corcunda
(a) costas, dorso
(b) corcova, giba
Kik-Kim kadiku
n
da
¹cacunda
(a) corcunda
(deformidade;
pessoa);
(b)aquele que dá
proteção, abrigo,
refúgio;
(c)que ou que roga
pelas costas.
²cacunda dorso, costas.
A datação é de
1899, e o
dicionário diz
que segundo Nei
Lopes, do
quimb. kakunda
'corcova, giba';
cp. carcunda
117.Cafanga: resmungar,
raiva.
[ka»fa)
N
gå]
cafanga
(a) resmungo
(b) melindre
(c) recusa falsa ou
simulada
cafangar, cafungar,
fungar
(a) resmungar com raiva
cafangar
(b) maldizer, blasfemar
(c) ameaçar, gabando-se
de proeza
(d) zombar
(a) Kik
N
kafu
N
ga
(b) Kik-Kim
kafuna <kafa
(c-d) Kik-Kim kuva@
N
ga
(a) melindre;
suscetibilidade;
escrúpulo.
(b) recusa falsa ou
simulada.
O dicionário diz
ser
possivelmente
de oriem
africana. E diz
ainda, do quicg.
kifwanga
'preguiça,
indolência;
qualquer coisa
que perdeu sua
força, seu valor,
sua inteligência;
pobreza' ou do
quimb. kufunga
'zangar-se'. A
datação é de
1899.
118.Cafiote: negro pequeno,
moleque.
[kafi»JotSI]
cafiote
negro pequeno, negrinho,
moleque
Kik kafiote
(a)mala ou baú velho;
(b)depósito de objetos
de pouco valor
Segundo Nei
Lopes, de mfioti,
palavra criada
pelos ambundos
para ridicularizar
os cabindas,
grupo do Norte
de Angola.
66
119.Cafofo: quarto, moradia
pequena.
[ka»fofυ]
cafofo
(a) quarto, recanto
privado, lugar reservado
com coisas velhas e
usadas
(b) sepultura
(c) terreno pantanoso
onde a decomposição de
matérias orgânicas
ocasiona exalações
características das águas
apodrecidas em charcos
(a-b) Kik-Kim
kaf
w
ofo lugar de coisas
mortas
(c) Kik muufu >
kamufuufu lugar que
exala mau-cheiro
¹cafofo terreno
pantanoso ou alagadiço
que exala mau cheiro
devido aos materiais
orgânicos em
decomposição nas
águas estagnadas;
²cafofo
(a)buraco de alicerce
de casa, muro ou outra
construção;
(b)cova, sepultura;
(c)lugar onde os
escravos ficavam
guardados antes de
serem vendidos;
(d)lugar onde se
mora; casa,
apartamento.
Segundo Nei
Lopes, prov. do
quimb. kifofo
'cego', ou ufofo
'cegueira'. Não
possui datação.
120.Cafua:esconderijo,
casebre.
[ka»fuWå]
cafua
(a) antro, cova,
esconderijo
(b) habitação miserável,
casebre
(c) quarto escuro em que
se prendiam alunos
castigados (arcaico)
Kik kaf
w
alala lugar
obscuro, sombrio
(a)Antro, cova,
caverna, esconderijo.
(b)Habitação
miserável.
(c) Quarto escuro onde
se prendiam os alunos
castigados; cafundó.
O dicionário diz
ser banto, mas o
étimo é contrv.;
f.hist. 1727 cafû.
121.Cafuçu: negro retinto;
feio; indivíduo grosseiro.
[kafu»su]
cafuçu
(a) negro retinto, feio
(b) indivíduo grosseiro,
disforme
(c) o diabo, pessoa
perversa
(b) Kik
kiafu
n
zu < fu
n
za grossei
ro, disforme
(a) o diabo;
(b) indivíduo sem
qualquer qualificação;
(c)sujeito preguiçoso;
inútil.
Segundo Nei
Lopes, de prov.
orig. banta (cp.
cafute) ou talvez
cafuzo, a
primeira acp.
Derivando as
segg.
122.Cafundó: lugar distante.
cafundó, fundo
lugar distante e atrasado,
(a)baixada estreita
entre encostas ou lombas
A datação é de
1889, o
67
[kafu)
n
»dç]
na expressão popular
“onde Judas perdeu as
botas”
Kik-Kim
m
fu
n
du
altas e íngremes;
(b)local de difícil
a
cesso, esp. quando
situado entre
montanhas ou quando
longínquo e pouco
habitada;
dicionário diz
que é de origem
africana porém
controvérsia.
123.Cafuné: ato de coçar
fazendo carinho.
[kafu»nE]
cafuné
(a) ato de coçar, de leve,
a cabeça de alguém,
dando estalidos com as
unhas para provocar
sono
(b) pequeno dendê
intercalado aos grandes
(a) Kik
kafunile < kafa ação de
bater, estalar com os
dedos
(b) Kik kafuni restos da
noz de dendê
(a)estalido produzido
com as unhas na cabeça
de outrem como quem
cata piolhos
(b).carícia em geral,
esp. com a ponta dos
dedos no couro
cabeludo de outrem;
afago, mimo (tb. us.
no pl.)
(c)menino, criança
(d)indivíduo baixo e
franzino
(e)peteleco que se dá
na orelha
(f)dendezeiro pequeno,
intercalado entre os
grande.
A datação é de
1789. Segundo
Nei Lopes, do
quimb. kifune,
sing. de ifune
'estalidos
produzidos com
os dedos na
cabeça'; para
Nasc., do quimb.
kifunate
'entorce,
torcedura,
torção'; segundo
AGC, do quimb.
kafu'ndu 'cravar,
enterrar'.
124.cafuza/cafuzo: mestiço
de negro e índio.
[ka»fuzU]
cafuzo, carafuzo
(a) mestiço de negro e
índio
(b) mestiço de cor preta,
embaciada, cabelo
corrido e grosso
Kik-Kim
N
kaalafu
n
zu de
cor embaciada;
misturado, mestiço
Diz-se de, relativo a ou
filho de negro e índia
(ou vice-versa).
Orig.contrv.,
segundo Nasc.,
forma contrata
de carafuzo;
Óscar Ribas
sugere o quimb.
kufunzaka
'desbotar'; f.hist.
1881 cafusa,
1889 cafuso.
125.Cajirê: prática religiosa
oculta próxima da magia
negra; feitiçaria.
[ka)Zi»Re]
canjerê, canjira, canjirê
(a) sessão de feitiçaria
(b) feitiço
jarê
(c) religião afro-brasileira
praticada em Lençois,
zona da Chapada
Diamantina, no Estado
da Bahia, que no século
XVIII exigiu grande
contingente de escravos
para a exploração de
68
suas minas
Kik-Kim ka
¯
Zile ação de
abençoar <ka
¯
Zila
126.calango: largato maior
que a largatixa comum.
[ka»la)
N
gU]
calango, calangro
(a) lagarto maior que
lagartixa
(b) bíceps
Kik
N
kala
n
da
Kim dikala
N
ga
(a)Designação comum
a vários reptis
lacertílios, teídeos,
principalmente os de
pequeno porte, que
vivem ger. no solo, na
terra ou em pedreiras,
alimentando-se de
pequenos artrópodes
ou vermes.
(b)Designação comum
a alguns iguanídeos
pequenos.
(c)O bíceps.
(d)Membro de um
grupo de salteadores
que invadiram o CE
entre 1873 e 1880.
(e) Bezerro novo,
pequeno.
(f)Versão mineira do
coco de embolada (v.
coco
2
), originário de
Alagoas.
Do quimb.
kalanga 'lagarto';
quanto às acp.
de cantoria e
dança, fica
dúvida, segundo
Nei Lopes:
seriam elas
assim chamadas
em alusão ao
movimento do
réptil, ou o nome
viria do hauçá
kalango 'tambor
feito de madeira
ou de cabaça'?;
f.hist. 1873-1880
calangro
'salteador'
127.Calangro: cf. calango
[ka»la)
N
gRU]
128.Caldeirão: panela
[kaudeirãw]
Caldeira grande, esp.
panela ('vasilha para
cocção de alimentos')
de grandes dimensões,
com alça ou alças e de
forma cilíndrica ou
esferóide, com fundo
chato, us. princ. para
cozimento em água
fervente
A datação é
1364. De origem
latina
129.calombo/catombo:
inchaço.
[ka»lo)
m
bU]
[ka»to)
m
bU]
calombo
inchaço, montículo,
protuberância
Kik mo
N
go
Kim kado
N
go
(a)Inchação
endurecida e
protuberante, esp. A
que é aparente na
superfície do corpo;
(b)qualquer tumefação,
como calo, calosidade,
nódulo, pálula,
tubérculo ou pequeno
tumor
Segundo Nei
Lopes, de orig.
banta, mas de
étimo contrv.
A datação é de
1707.
69
130.Calundu: mais antiga
denominação do culto afro.
Pode-se dizer a uma pessoa
que está de mau-humor.
[kalu)
n
»du]
calundu, lundu
(a) a mais antiga
denominação de culto
afro-baiano, registrado
no século XVII
calundu
(b) mau-humor, amuo
lundu, mulundu
(b) dança de origem
africana de par solto,
acompanhada de canto,
que teve seu esplendor
no Brasil em fins do séc.
XVIII e começo do séc.
XIX. Daí em diante,
canção solista,
influenciada pelo lirismo
da modinha e
freqüentemente de
caráter cômico
(a) Kik-Kim
kalu
n
du obedecer um
mandamento, realizar
um culto com música e
dança
(b) Kik kilu
n
da o que
recebe o espírito
(b) Kim kialu
n
du o que
recebe o espírito
(a)estado de ânimo
caracterizado por
mau humor e
irritabilidade, e
claramente
manifestado pelo
comportamento;
(b)candomblé ou
qualquer seita afro-
brasileira
contemporânea;
(c) festas ou
celebrações de origem
ou caráter religioso,
acompanhadas de
canto, dança, batuque e
que ger. representavam
um pedido ou consulta
a divindades ou
entidades
sobrenaturais.
Quimb. kalu'ndu
'ente
sobrenatural que
dirige os
destinos
humanos e,
entrando no
corpo de
alguém, o torna
triste,
nostálgico';
1671-1696 é a
data para o
s.m.pl. 'culto
religioso', e
1889, para o
s.m. 'mau humor'
131.Camará: camarada.
[kama»Ra]
camará, cabra, cambada
camarada, termo muito
empregado em cânticos
folclóricos
Kik-Kim ka
m
bala +
português “camarada”
macamba
(a) camarada,
companheiro
(b) freguês
(c) espécie de inhame,
mandioca
(a) arbusto (Lantana
camara) da fam. das
verbenáceas, nativo do
Brasil (CE até RS), de
folhas opostas, flores
amarelas, laranja ou
vermelhas e bagas
roxo-escuras;
camarajuba, camará-
de-espinho, cambará,
cambará-de-chumbo,
cambará-de-espinho,
cambarajuba, cambará-
miúdo, cambará-
verdadeiro;
O dicionário diz
ser do tupi
kamba'ra
'designação
comum a
diversas plantas
das famílias das
verbenáceas e
das solanáceas'.
132.Cambada: agrupamento
de pessoas.
cambada
camarada, termo muito
empregado em cânticos
folclóricos
(a)quantidade de
objetos pendurados,
enfiados ou amarrados
em algum suporte (fio,
A datação é do
séc. XVI.
70
[ka)
m
»badå]
Kik-Kim ka
m
bala +
português “camarada
gancho, argola, pedaço
de pau etc.)
(b)molho de chaves;
cambulha
(c)grande porção ou
quantidade de coisas;
cambulha, cambulhada
(d)grupo ou bando de
indivíduos maus,
ordinários ou
criminosos; corja, súcia
(e)grupo de pessoas
com alguma
característica comum
(p.ex., da mesma
classe social ou
família, ou que têm a
mesma função etc.)
133.Cambondo: tocador de
atabaque.
[ka)
m
»bo)
n
dU]
cambondo, cambona,
cambono
tocador de atabaque, dos
toques sagrados
Kik-Kim ka
m
bo
n
do
Em alguns candomblés
de ritos angola-congo e
caboclo, tocador de
atabaque.
A datação é de
1899. Segundo
Cacciatore, do
quimb.
kambundu
'negrinho';
134.Camburi: banana roxa.
[ka)
m
bu»Ri]
camburi
banana-roxa
Kik-Kim ka
m
buri
135.Candomblé: lugar de
adoração de práticas
religiosas.
[ka)
n
do)
m
»blE]
candomblé, canombé
(a) local de adoração e de
práticas religiosas afro-
brasileiras d Bahia
(b) o culto ou o conjunto
de crenças religiosas
dedicadas a divindades
africanas (santos)
(c) a cerimônia pública
festiva
(d) pejorativamente,
cerimônia de magia
negra, de feitiçaria, de
macumba
candomblé, candombé
(e) associações religiosas
afro-brasileiras, espécie
de igrejas
independentes, cada qual
dirigida por uma
personalidade sacerdotal
(pai ou mãe-de-santo),
submetida apenas à
Religião animista,
original da região das
atuais Nigéria e
Benim, trazida para o
Brasil e aqui
estabelecida, talvez já
no início do sXIX, por
africanos apresados
pelo tráfico
escravagista, e na qual
sacerdotes e adeptos
encenam, em
cerimônias públicas e
privadas, uma
convivência com
forças da natureza e
ancestrais
Obs.: cf. orixá
Embora o
dicionário afirme
ser de origem
banta, ele diz que
é de origem
controvérsia. A
datação é de
1899.
71
autoridade suprema dos
inquices, voduns ou
orixás, e organizadas por
linhas hierárquicas bem
definidas entre homens
(cf. ogã) e mulheres,
mas privilegiando as
mulheres, sempre a
maioria no grupo
(f) local e conjunto de
suas cerimônias
públicas, geralmente na
casa de residência do
líder religioso
Kik-Kim-Umb
ka
n
do
m
bele <
kulo
m
bela < lo
m
ba
136.Canga: tecido em que as
mulheres sustentam a criança
em volta do corpo.
[»ka)
N
gå]
canga
tecido usado como saída-
de-praia
Kik
N
ka
N
ga <ka
N
ga amarrar;
tecido com que as
mulheres sustentam a
criança amarrada em
volta do corpo
Retângulo ou
triângulo de tecido
que se enrola ger. da
cintura para baixo,
por cima da roupa de
banho; saída-de-praia.
O registro
histórico é de
1982.
137.Cangaceiro: pessoa que
gosta de fazer o mal.
[»ka)
N
gασειΡΥ]
Malfeitor fortemente
armado que andava
em bando pelos
sertões do Nordeste,
notadamente ao longo
das três primeiras
décadas do sXX
A datação é de
1899.
138.Cangaço:gênero de vida
do cangaceiro.
[ka)
N
»gasU]
cangaço
(a) o gênero de vida do
cangaceiro
cangaço, engaço
(b) pedúnculo e espátula
do coqueiro que se
desprendem da árvore
quando secos
(a) Kik-Kim
ko
N
ga
n
so,
N
ka
N
gu
n
su ba
ndo, grupo de
bandoleiros
(b) Kik-Kim m
w
asu
(a)Engaço de uvas
depois de pisadas e de
extraído o vinho.
(b) O conjunto das
armas dos cangaceiros.
(c)O gênero de vida
dos cangaceiros;
cangaceirismo.
(d)Objetos de uso de
casa pobre.
(e) Pendúnculo e espata
do coqueiro, que se
desprendem da árvore
quando secos.
A datação é de
1789.
139.Cangalha: cesto cangalha Artefato de madeira ou A datação é de
72
colocado em lombo de burro
para transportar
mantimentos.
[ka)
N
»ga¥å]
cesto posto emlombo de
burro, para transportar
galinhas, mantimentos,
etc.
Kik ka
N
gala
ferro, ger. Acolchoado,
que se apõe ao lombo
das cavalgaduras para
pendurar carga de
ambos os lados
1518.
140.Cangingin/candindin:
espécie de licor afrodisíaco.
Usando muito para os
dançarinos da dança do
Congo.
[ka)
N
Zi(Zi(]
[ka)
N
δι(δι(]
Cangingin é
sinônimo de
cachaça no
dicionário.
141.Cangonha/encangada:
bananas geminadas.
[ka)
N
»go¯å]
cangonha
diz-se das bananas
geminadas
Kik ka
N
ga¯a
No dicionário maconha
(droga).
A datação é de
1913.
142.Canguru: iguaria feita
de milho.
[ka)
N
gu»Ru]
canguru
pessoa alta, magra,
esquelética
Kik ka
N
golo +português
“canguru”
Design. comum a
diversos mamíferos
marsupiais saltadores
A datação é de
1938.
143.Canjica: papa de milho.
[ka)
¯
»Zikå]
canjica
(a) papa de milho verde
ralado a que se junta
leite de coco, açucar,
cravo e canela
(b) “tocar fogo na
canjica” = insuflar
alguém
(c) “socar canjica” = ficar
muito tempo de pé
(d) “fogo na canjica!” =
avante, prá frente,
vamos trabalhar!
Kik-Kim ka
n
dZika
Papa cremosa de milho
verde ralado e cozido
com leite e açúcar;
corá, jimbelê, curau.
A datação é de
1725. O
dicionário diz
que pode ser do
quibumdo ou
quicongo.
144.Cansado: feio.
“Ô menino cansado!”.
[kãsadυ]
Que se aborreceu;
enfastiado; que se
estragou; gasto;velho.
O registro
histórico é do
séc. XIII.
145.Cântara: vasilha de
barro para colocar água
(grande). Essa vasilha tem
haste.
[kãtaΡ ]
Espécie de cântaro
bastante bojudo e com
boca de grande
diâmetro.
A datação é de
1257.
146.Canzuá: casa suja.
[ka)
n
»zWa]
canzuá, ganzuá
(a) a casa do candomblé
(b) pejorativamente, casa
Nos candomblés de rito
banto, a casa onde se
realizam as cerimônias
Quimb. ka pref.
dim. + nzua
'cabana'
73
suja e estragada
Kik-Kim ka
n
s
w
a local de
rezas, de benção
religiosas.
147.Canzumbi: cf. zumbi
[zu)
m
»bi]
[kazu)
m
»bi]
Capanga: guarda costas.
[ka»pa)
N
gå]
capanga
(a) guarda-costas,
jagunço
(b) pequena bolsa que se
leva a tiracolo
(c) partida de diamantes
comprada por
capangueiro
(a) Kik-Kim
ki
m
pu
N
ga, ki
m
ba
N
gala
(b) Kim kima
N
ga sacola
(a)Bolsa pequena, de
tecido, couro ou
plástico, us. a tiracolo
por viajantes, esp.
comerciantes de pedras
preciosas;
(b)bocó, mocó;
(c)guarda-costas.
A datação é de
1868, origem diz
ser quimb.
Kapanga.
148.Capenga: manco.
[ka»pe)
N
gå]
capenga, pengo
(a) manco, coxo
(b) diz-se de um serviço
mal feito ou mal
acabado
Kik kiape
N
ga
Kim ki
m
pe
N
ga
Umb okupe
N
ga torto,
desajeitado, andar
manquejando
Que ou aquele que
capenga, puxa da
perna; coxo, manco,
perneta.
A datação é de
1899, o
dicionário diz ser
de origem
controvérsia.
149.Capuco: sabugo de
miho.
[ka»pukU]
capuco
sabugo de milho
Kik-Kim kapupu sabugo,
cálice floral + português
capucho, invólucro da
flor
Sabugo de milho;
batuera.
O dicionário diz
ser de orig.duv.;
prov. do quimb.
kipupu 'sabugo
de milho'.
150.cara-de-tacho: pessoa
de má aparência.
“Tu tá com cara-de-tacho
hoje”.
[karadΖι∪ταΣω]
151.Careca: calvo.
[ka∪Ρεκ ]
careca
calvo
Kim makorika calvície
Que ou quem é calvo;
falta de cabelos.
Nei Lopes diz
ser do quimb.
kaleka 'calvo',
mas afirma que
pode ser um
portuguesismo;
ver care(c)-;
f.hist. 1778
créca, 1844
careca
74
152.Carimbo: marca ;selo.
[ka»Ri)
m
bU]
carimbo
selo, sinete, sinal público
com que se autenticam
documentos
Kik-Kim-Umb
ka
n
di
m
bu, ki
n
di
m
bu marc
a
Peça de metal, de
madeira ou de borracha,
contendo letras, números
ou figuras em relevo, us.
para marcar ou
autenticar, à tinta,
document
os, identificar
livros, roupas etc.
A datação é de
1844, o
dicionário diz
ser do quimb.
Kirimbu.
153.Cariru: cf. caruru
[kaRi»Ru]
154.Carité: barco grande.
[kaΡι∪τΕ]
155.Caruru: iguaria feita a
base de quiabo cortado,
temperado com camarões
secos, dendê, cebola,
pimenta.
[kaRu»Ru]
caruru, calulu, cariru
(a) iguaria feita à base de
quiabo cortado,
temperado com
camarões secos, dendê,
cebola, pimenta, prato
típico da cozinha baiana
caruru
(b) nome genérico para
várias espécies de folhas
da família das
amarantáceas
(c) festa votiva, em
homenagem a Cosme-
Damião e aos Ibêji,
geralmente para pagar
promessa ou por quem
tem filhos gêmeos
(d) qualquer festa em que
for servido o caruru
(a) Kik-Kim
kalulu, kalalu prato
típico à base de folhas
(b) Kik
n
lulu folha
comestível amarga,
bredo
(b)Kim kalulu folha
comestível amarga, bredo
Prato afro-brasileiro
feito de quiabos, a que
se acrescentam
camarões secos e peixe,
e temperado com
cebola, azeite de dendê,
pimenta-malagueta,
amendoim, castanha-
de-caju etc.
Obs.: cf. calulu
A datação é de
1776, e o
dicionário diz
que pode ser de
origem tupi,
assim como,
africana.
Para o tupi o
dicionário dá a
orgiem caá-
rurú;e para
origem africana
ele dá kalulu.
156.Catimbó: atabaque.
[katSi)
m
»bç]
timbau
atabaque
catimbó,
atabaque
Kik tibau, zibau
(a)Culto de feitiçaria
que combina elementos
da magia branca
européia com
elementos negros,
A datação é do
séc. XVIII; os
dicionários não
dão uma origem
certa.
75
catimbau, catimbó
prática de feitiçaria ou
baixo espiritismo
catimbó
topônimo: serra
[CENTRO,
NORDESTE
ameríndios e católicos;
liderado por um
'mestre' que defuma os
assistentes com seu
cachimbo, e a quem se
recorre para resolver
problemas diversos,
seja para o bem, seja
para o mal;
(b)catimbau,
catimbaua.
157.Catingar: ter cheiro
desagradável.
[ka»tSi)
N
gå]
catinga, caxinga
(a) cheiro fétido e
desagradável do corpo
humano, de certos
animais e de comidas
deterioradas
catinga
(b) avareza
(c) azar, má-sorte
caxinga
topônimo
catingar
ter catinga
(a) Kik kani
N
ga
(a) Kim kati
N
ga
(b-c) Kik-Kim ni
N
ga
Cherar mal; exalar mais
cheiro.
A datação é de
1873.
158.Catitá: fofocar.
[kaτΣι∪τ ]
Não consta em
nenhum
dicionário.
159.Catiteira: fofoqueiras.
[kaτΣιτεϑΡ ]
Não consta em
nenhum
dicionário.
160.Catoco/cotoco: pedaço
pequeno de alguma coisa.
[ko»tokU]
[ka»tokU]
cotoco, catoco, pitoco
(a) faca pequena e
ordinária
(b) qualquer pedaço
pequeno de alguma
coisa
(a) Kik kotooto
Pequeno pedaço de um
objeto qualquer; cotoco
(a ponta extrema de um
membro do qual se
amputou uma parte;
coto).
Orig.duv.; prov.
alt. de cotoco;
Nei Lopes
considera voz
africana: do
quimb. mutoko
'metade, pedaço',
através da f.
dim. Katoko; a
datação é do séc.
XX.
161.Catombo: cf. calombo
[καλο(⊃βο]
76
162.Catucá/cutucar: tocar
alguém disfarçadamente para
lhe despertar a atenção, sem
que os demais o percebam.
[kutu»ka]
[katu»ka]
cutucar, catucar
tocar alguém
disfarçadamente para lhe
despertar a atenção , sem
que os demais o
percebam.
Tocar esp. com os
dedos ou com o
cotovelo em outrem, a
fim de chamar-lhe a
atenção.
O registro
histórico é de
1899, e o
dicionário diz ser
de origem
controvérsia.
Embora o
dicionário diz ser
de origem
duvidosa
Nascentes
prefere derivar
do tupi kutuc.
163.Cavaco: pedaço de pau
verde para definir o leite.
[ka∪ϖαχο]
(a) farpa ou lasca
produzida pelo
desbaste da madeira;
acha, cavaca
(b)Cavaquinho.
A datação é do
séc. XV. Origem
duvidosa.
164.Caxambu: atabaque.
[ka»Sa)
m
bU]
caxambu
(a) espécie de
membrafone, atabaque
(b) topônimo
Dança afro-brasileira,
semelhante ao batuque
e com canto
responsorial, ao som do
caxambu ('tambor') e
de cuícas; cacumbu
O dicionário diz
que é de origem
controvérsia. Nei
Lopes diz que
provavelmente é
de origem banta.
A datação é de
1899.
165.Caxexa: pequeno,
raquítico.
[ka»SeSå]
caxexa
muito pequeno, raquítico
Kik-Kim sisa <sisi, sisu
Pequeno, raquítico
(diz-se de pessoa ou
animal).
O dicionário diz
ser apenas de
origem obscura.
166.catinga: cheiro
desagradáel do corpo
humano; animais; comidas
estragadas.
[ka»tSi)
N
gå]
catinga, caxinga
(a) cheiro fétido e
desagradável do corpo
humano, de certos
animais e de comidas
deterioradas
Odor desagradável ou
nauseante.
A datação é de
1727.
Orig.contrv.;
Renato
Mendonça cita
autores que
prendem o voc.
ao rad. tupi kati
'odor pesado',
mas aponta
outros que
consideram
africana a orig.
do termo;
observe-se que
Bluteau registra-
o como 'palavra
de Angola'; Nei
Lopes acredita
tratar-se de voc.
77
banto; A. G.
Cunha levanta,
em AGC, a
hipótese de uma
possível relação
com caatinga e,
no indice
analítico dos
étimos tupis
(DHPT), o
mesmo autor
registra o tupi
ka'tinga =
catinga 'mau
cheiro',
exemplificando
com
ajurucatinga e
piracatinga (ver
a etim. destes
voc.); cp. ainda
o esp. catinga
'odor forte e
desagradável de
certos animais e
plantas' que
Corominas dá
como
proveniente do
guarani katí
'odor pesado'.
167.Caxinga: cf. catinga
[κα∪Σιγα]
168.Caxingá: fazer
lentamente.
[kaSi)
N
»ga]
“Faça o que estou mandando
sem caxingá”.
caxingá
retardar, fazer lentamente
Kik kuzi
N
ga
169.Caxixi: saquinho de
palha, provido de alça que o
tocador de berimbau segura
juntamente com a vareta com
que tange o instrumento
musical.
[kaSi»Si]
caxixi
(a) saquinho de palha,
provido de alça, que o
tocador de berimbau
segura juntamente com a
vareta com que tange o
instrumento musical
caxixi, mucaxixi
(b) miniatura de cerâmica
(potes, panelas, etc.) que
serve de brinquedo para
¹
caxixi diz-se de ou
aguardente ordinária de
cana, feita do
aproveitamento da borra
da garapa;
²
caxixi cestinha de
vime em forma de
badalo, provida de alça
na parte superior
A datação é de
1913. O
dicionário diz ser
provavelmente
od quimb.
Kaxaxi.
78
crianças e onde secoloca
o caruru oferecido a
Cosme e Damião
(a) Kik kisisi
(a) Kim kisasi
(b) Kik-Kim mukasisi
miniatura
170.Caxumba: papeira.
[ka»Su)
m
bå]
caxumba
parotidite, papeira
Kik mavu
m
ba
Kim kuluku
m
ba
parotidite epidêmica
A datação é de
1899. Orig.duv.;
segundo AGC,
de orig. incerta,
talvez afr.; Nei
Lopes sugere
“do quimb.: ou
da fusão de
uhaxi 'papeira'
com humba
'coisa redonda,
forma circular'
ou de kiatumba,
part.pas.
kutumba
'inchar'“.
171.Chamego: pessoa que
anda muito junta com a
outra..
[Σαυ∪µεγυ]
(a)estado de
desassossego, de
agitação; excitação,
inquietação;
(b)excitação que leva
ao ato libidinoso;
O registro
histórico é de
1844. O
dicionário diz ser
de origem
controvérsia.
172.Chicha: bebida feita de
milho para servir na festa do
Divino.
[∪ΣιΣ ]
(a)qualquer porção de
carne;qualquer
guloseima;
(b)bebida alcoólica
ger.feita com mandioca
mel e água, mas tb com
milho ou frutas
fermentadas;
(c)tradução de palavra
por palavra de texto
literatura clássica us.
Esp. Por iniciantes no
etudo línguas antigas.
A datação é de
1789.
O dicionário
Aurélio diz ser
provavelmente de
origem indígena.
173.Chimpanzé: espécie
muito conhecida de macaco.
[Si)
m
pa)
n
»zE]
chimpanzé
espécie muito conhecida
de macaco
Kik ki
m
pee
n
si, tSi
m
pe
n
ze
Design. comum aos
primatas do gên. Pan,
da fam. dos pongídeos.
De uma língua
indígena do
Congo (prov. sob
a f. kampenzi ou
79
kimpenzi), a
datação é de
1899.
174.Choradinho:uma das
partes da festa do Congo
onde só as crianças dançam.
[ΣοΡα∪δΖιο]
175.Chorado: com coração
sangrando (partido). “Ele tá
chorado”.
[Σο∪ΡαδΥ]
176.Cochilar: dormir
levemente.
[koSi»la]
cochilar
(a) dormitar, dormir
levemente
(b) descuidar-se
Dormir de leve;
cabecear com sono;
dormitar, toscanejar;
passar pelo sono.
A datação é de
1671-1696. O
dicionário diz
que pode ser de
origem africana.
E ainda diz que
há controvérsia
quanto ao étimo;
Renato
Mendonça
aponta o quimb.
koxila 'dormitar',
apoiando-se em
Pereira do
Nascimento,
hipótese antes
apontada por
João Ribeiro em
A língua
nacional; JM
lembra ainda a
informação de
Jacques
Raimundo que
acredita tratar-se
de voc. do dialeto
de Benguela
(Angola)
(o)kutchila, que
significa 'dançar',
mas aplicado em
alusão ao
bambear da
cabeça.
177.Cochilo: ato de cochilar.
[koSi»lo]
cochilo
(a) ato de cochilar
(b) descuido
Ato ou efeito de
cochilar, de cabecear
com sono; sono leve
A datação é de
1913. Derivação
de cochilar.
80
Kik-Kim kuSila
178.Cocoroca: cf. coroca
[κ κ ∪Ρ κ ]
179.Coisa, Coisar: utilizado
para dar nome as coisas que
se esquecem.
Ex.: “Pega essa coisa aí pra
mim por favor!”.
[koι∪ζα]
180.Congo: nome de uma
dança onde só os homens
dançam.
[»ko)
N
gU]
Congo
(a) toque, especialmente
para Congombira
(b) nacão-de-candomblé
cuja terminologia
religiosa é de base
essencialmente banto
(c) designação dada ao
africano bacongo
proveniente do reino do
Congo
indivíduo dos congos
('povos'); bacongo
De uma língua
banta, prov.
quicg. 'kongo;o
voc. significaria
'dívida', talvez
como 'região,
país, povo
tributário do rei
de Angola';
181.Coque: pancada na
cabeça com o nó nos dedos.
[»kokI]
coque
pancada na cabeça com o
nó dos dedos
Kik kofi
(a)pancada leve na
cabeça , aplicada com
os nós dos dedos com
vara; croque;cocre;
(b)material sólido de
origem mineral ou
vegetal , que consiste
principalmente de
carbono c/ pequeno
percentual de
hidrogênio;
(c)cozinheiro mestre
cuca;
(d)apanhado de cabelo
enrolado em espiral em
forma de concha;
(e)cola-amarga.
Para: (a) a
datação é de
1583;
(b)1890;
(c)1899;
(d)1938;
182.Coroca: velho, caduco.
[kç»Rçkå]
coroca, cocoroca, curuca
(a) velho, caduco,
decrépito, adoentado,
pela idade avançada
(b) mulher velha e feia
(a) Kik-Kim
N
kuluka
Kik-Kim kutuka, kuluka
Kik-Kim kolokota
(a)enfraquecido,enfer
miço ou acabado pelas
doenças da velhice;
indivíduo velho e feio;
curungo,
coróia,curuça.
(b)anum-coroca.
A datação é de
1875.
O dicionário diz
ser do tupi.
183.Correia: laço trançado
de couro de boi.
[koheϑ ]
Tira estreita feita ger.
de couro ou de outro
material resistente,
A datação é de
1278 o dicionário
diz que sua
81
relativamente
comprida, us. para atar,
cingir (alguma coisa)
origem remete ao
latim.
184.Cotó: pessoa que tem
braço ou perna mutilado ou
alguma parte do corpo
pequena.
[kç»tç]
cotó
(a) que tem o braço ou
perna mutilada
(b) galinha sem rabo
(a)indivíduo que tem
braço ou perna
amputado; aleijado;
(b)tipo de faca grande;
cutelo;
Sua datação é de
1706-1710.
O dicionário diz
que é do francês
couteau”.Embo
ra diga que é de
origem obscura.
(-Kol- perna,
banto)
185.Cuca: negra velha.
[»kukå]
cuca, acuca, macuca,
mucuca
(a) negra velha, coroca
(b) bruxa, bicho-papão
(c) bicho-papão do
universo dos contos e
acalantos brasileiros, ser
fantástico que aterroriza
crianças, imaginado
como uma mulher muito
velha e feia como uma
coruja, geralmente
associada à figura do
negro e tida como
devoradora de
criancinhas
desobedientes
Kik-Kim
makuka, mukuka pesso
a muito velha +
português coca bicho-
papão
(a)entidade fantástica
em que se mete medo
nas crianças; papão;
(b)mulher feia e
velha;
(c)mestre-cuca;
(d)bolo de origem
alemã;
(e)rolo que se faz
depois da roçagem com
o mato; quicuca;ticuca;
(f)poeira que se levanta
da mó (pedra de
moinho) e se deposita
ao redora dela;
(g)modo de vida
caracterizado pela
ostentação, pelo luxo
desmedido;
(h)antiga moeda de
cinco réis.
A datação é de
1899. Para Nei
Lopes, (b) do
umbd. kuka ou
quimb. iakuka
'velho;
(c)do inglês
“cook”. Embora
o dicionário diga
que é de origem
controvérsia Nei
Lopes afirma que
é de origem
africana.
186.Cuíca: instrumento feito
com um pequeno barril que
faz vibrar o tambor
produzindo ronco.
[»kWikå]
cuíca
instrumento feito com
um pequeno barril que
temnuma das bocas uma
pele bem estirada e em
cujo centro está presa
uma pequena vara, a
qual, ao ser atritada com
a palma da mão, faz
vibrar o tambor,
produzindo ronco
Kik-Kim m
w
ita, p
w
ita
Umb op
w
ita
(a)tipo de tambor
que contém em seu
interior uma varinha
ou tira de couro em
contato com a
membrana e que, ao
ser friccionada,
produz um som
rouco;
(b) tipo de mamíferos
marsupiais da família
dos dedefiíldeos
A datação é de
1817. O
dicionário diz
que é de origem
tupi.
82
187.Curau: angu, feito de
milho verde, moído, cozido
com açúcar.
[ku»RaU9]
curau
espécie de angu, feito de
milho verde, moído e
cozido com açucar
[SP]
Makua
(a)caipira; que ou quem
deixa o sertão;retirante;
que ou quem se
comporta como novato;
inexperiente; bisonho;
(b) canjica;
O dicionário diz
ser de origem
obscuram e no
entanto, afirma
ser do quimb.
kudia 'comida'; a
datação é de
1899.
188.Curiá: olhar alguma
coisa.
[kuRi»Ja]
curiá, cuniá, cudiá
comer
Kik-Kim kudia@
189.Curiacuca: cozinheira
encarregada do ritual.
[kuRiJa»kukå]
curiacuca
(a) cozinheira
(b) a encarregada da
comida ritual
Kik-Kim kudiakuka
190.Curinga: certa figura do
jogo de cartas com valor
indeterminado.
[ku»Ri)
N
gå]
curinga
(a) pessoa esperta
(b) certa figura do jogo
de cartas com valor
indeterminado
Kik-Kim
ku@di@
N
ga enganar
(a)indivíduo versátil
que se presta a
múltiplas e diferentes
funções;
(b)jogador capaz de
atuar em várias
posições numa equipe;
(c)ator que faz diversos
papaeis numa mesma
peça;
(d)carta de baralho.
A datação é de
1899. Segundo
Nascentes,
quimb. kuringa
'matar'; para Nei
Lopes, a acp. do
quimb. kuringa é
'fingir'; f.hist.
1899 curinga,
a1951 coringa
191.Cutucar/catucar: Tocar
alguém disfarçadamente para
lhe despertar a atenção, sem
que os demais o percebam.
[kutu»ka]
[katu»ka]
cutucar, catucar
tocar alguém
disfarçadamente para lhe
despertar a atenção , sem
que os demais o
percebam.
(a)tocar esp. com os
dedos ou com o
cotovelo em outrem, a
fim de chamar-lhe a
atenção;
(b)tocar levemente
alguma coisa, seja com
as próprias mãos, seja
fazendo uso de um
artefato;
A datação é de
1899.
Possível origem
tupi ku'tuka.
192.Decifrar: explicar
alguma coisa que está difícil
de entender.
[desi∪φΡα]
Resolver, desvendar,
solucionar.
A datação no
dicionário é de
1523.
83
193.Dendê: fruto da
palmeira.
[de)
n
»de]
dendê
(a) palmeira (Elaesis
guineensis) ou sua fruta
(b) óleo vermelho obtido
da palmeira dendê, de
grande uso na culinária
religiosa afro-brasileira
e baiana
(c) óleo de palma no
português de Portugal
(d) bruxaria, magia
negra, coisa feita
(e) moça assanhada,
espevitada
(f) expressão “vadiar na
tina do dendê” =
esbofar-se, esfaltar-se
(g) topônimo muito
comum para ruas,
ladeiras, etc
(a) Kik-Kim
n
de
n
de
Umb o
n
de
n
de
(b) Kik-Kim
n
de
n
de
(a) fruto do dendezeiro;
(b) semente desse fruto;
coconote.
A datação é de
1836. O
dicionário diz ser
do quimb.
ndende 'palmeira'
194.Dendenjê: faceiro, feliz.
[de)
n
de)
n
»Ζε]
Não consta em
nenhum
dicionário.
195.Dengo/dengue: carinho.
[»de)
N
gI]
[»de)
N
gUe]
dengue, dengo,
mendenga, mendengue
(a) choradeira, birra de
criança
(b) manha, treta
(c) melindre feminino,
faceirice
(d) afeminação, trejeitos
afetados
(a-b) Kik-Kim
n
deN
g
e manha,
criancice, cólera pueril
(c-d) Kik-Kim
mu
n
de
N
ge mulher jovem,
faceira, suscetibilidade
feminina
(a) denguice;
(b)melindre feminino;
(c)faceirice;feitiço;
requebro;
(d)birra ou choradeira
de criança;
A datação é de
1836. Para
Corominas
provavelmente
do quimb.
Ndeng.
196.Dengue: cf. dengo
[»de)
N
gUe]
197.Desconjure: c.f. ave
[δεσκο∪(ΖυΡε]
198.Desileiado:agrupado;
reunido.
[desileϑαδΥ]
84
199.Difruso: gripado
[difΡυσυ]
200.Dindim: clitóris.
[dZi)
n
»dZi)]
dindim
clítoris
Kik
n
didi
201.Dor em pito: chamar
atenção.
[dohe(πιτω]
Dar um pito?
No PVB existe no
sentido de
repreender.
202.Dunga: homem
corajoso, valentão.
[»du)
N
gå]
dunga
(a) homem valente,
corajoso
(b) chefe, maioral
Kik-Kim ki
n
du
N
ge hábil,
esperto, inteligente
(a)sujeito sem igual
em sua especialidade;
exímio;
(b)homem valente;
(c)homem importante;
chefe; maioral;
Segundo Nei
Lopes, do quicg.
ndunga 'pessoa
de grande porte';
entre os
bacongos de
Angola, ndunga
designa cada um
dos zindunga,
homens
pertencentes a
uma importante
sociedade
secreta; a
datação é de
1899.
203.Encabular:
Envergonhar-se, acanhar-se.
[e)
N
kabu»la]
incabular
(a) envergonhar, acanhar-
se
(b) aborrecer, amuar
Kik kivula
Kim
kulebula envergonhar, ku
luvula amuar
Kik ki
m
bula
(a)provocar ou sentir
vergonha ou
encabulação;
acanhar(-se), vexar(-
se);
(b)provocar
azar,encaiporar;
(c)causar preocupração;
Nei Lopes, por
sua vez, sugere
estar relacionado
com o quimb.
kulebule
'envergonhar'. A
datação é do séc.
XX.
204.Encafifar: encucar com
alguma coisa.
[ε(ϑκαι∪φα]
(a)encher(-se) de
timidez;
(b)envergonhar(-se),
acanhar(-se)
Datação de 1899.
205.Enconstado:próximo,
por perto.
[e)
N
kostadu]
(a)situado junto a;
colado;
(b)quen se arrima a
alguma coisa;apoiado.
O registro desta
palavra é do séc.
XV.
206.Engabelar: Seduzir,
agradar para enganar.
[e)
N
gabe»la]
engambelar, engabelar
seduzir, agradar para
enganar
[PE]
Kim
N
go
m
bo adivinho,
(a)induzir (alguém) a
engano, com intuito
de obter compensação
ou livrar-se de
encargo, obrigação,
O dicionário diz:
João Ribeiro e
Renato de
Mendonça
supõem orig. afr.,
85
feiticeiro promessa etc.
no quimb.
ngmbular 'fazer
adivinhações'A
datação é de
1899.
207.Entonado: arrumado.
[ε(το∪ναδυ]
Que recebeu
entonação; entoado
A datação é de
1981.
208.Estúrdio: pessoa
esquisita.
[εσ∪τυρδιυ]
(a) que denota
estranheza, esquisitice
(diz-se de qualquer
coisa); incomum,
esquisito;
Não possui
datação no
dicionário.
209.Fazer manga: voltar
pelo mesmo caminho.
[fazer
N
ga]
210.Fazia: falava.
[φα∪ζια]
Do verbo fazer. Este verbo não
tem nada a ver
com o sentido do
Guaporé, que é
sinônimo de
falava.
211.Feijão com corredor:
feijão com osso da canela do
boi.
[feϑ∪α(ωkõkohedo]
212.Fiofó/Fio: ânus
Transcrição:
[fJo»f ç]
fiofó
ânus
Kik
m
fio@kolo,
m
viovo
Ânus. A datação é de
1951. O
dicionário diz
que vem de
Feofó,segundo
Nei Lopes
provavelmente
bantu fioto.
213.Foi embora: morreu.
“Minha mulher foi embora”.
[foiε(∪βοΡα]
No Guaporé não
se fala “Morreu”
porque atrai
desgraças para a
vida dos entes
queridos.
214.Folhado: pessoa gaiata
(enxerida).
“Esse menino é muito
folhado”.
[fo∪×αδυ]
Nos dicionários
significa o que
folhas; não tem
nada a ver com o
sentido do
Guaporé.
215.Forró: arrasta pé.
[fo»xç]
forró
arrasta-pé, farra, folia
Kik f
w
of
w
o
Baile popular, em que
se dança aos pares
com música de origem
A datação é de
1913;
86
nordestina; arrasta-pé;
festejo ruidoso.
216.Forrobodó: confusão.
[foxobo»dç]
forrobodó
arrasta-pé, algazarra,
confusão, folia
Kik
f
w
of
w
o
m
ba
n
vo@ grande
forró
(a)Baile popular;
arrasta-pé;festança.
(b)confusão;tumulto;
briga.
A datação é de
1899. O
dicionário diz vir
de forbodó
comum em toda
protugal. O dic.
Aurélio dá como
origem
controvérsia.
217.Fuá: pele ressecada que
quando coça sai um pó.
Obs.: De nenhum dos
informantes eu ouvi que fuá
é alguma coisa dessarumada.
[fu»Wa ]
fuá
folia, algazarra
(b) cf. fubá
Kik-Kim
m
f
w
a
n
za, mufuf
w
a
(a)comentário maldoso;
intriga, mexerico;
(b)caspa;
(c)pó extremamente
fino resultante da
descamação da pele
arranhada.
A datação é de
1890; o
dicionário diz
que é de origem
obscura.
218.Fubá: farinha de milho.
[fu»ba]
fuba
(a) farinha de milho ou
arroz
(b) espécie de doce de
amendoim, farinha e
açucar pulverizado
Kik-Kim (a)
m
fuba
Kik-Kim (c)
m
fuba <
m
fu
m
fu pó,
peira
Kik (d)
m
fu
m
bu pelo,
cabelo ruço
(a)farinha de milho ou
de arroz com a qual se
faz angu;
(b)situação confusa;
desordem; rolo;
O dicionário diz
ser do quimb.
fuba, quicg.
mfuba 'fécula,
farinha; a datação
é de 1680.
219.Fuçar: remexer;
procurar.
[fu∪σα]
(a) remexer (as coisas)
à procura de algo;
(b)bisbilhotar;sondar.
A datação é de
1961.
220.furunfar: bater, fazer
sexo.
[fu)Ρυ
n
»fa]
funfar
(a) bater
funfar, fofar, furunfar
(b) fazer sexo, copular
(homem)
Kik-Kim fu
m
fa
A datação é
de1789;o
dicionário diz
que é de origem
duvidosa.
221.Funfar: cf. furunfar
[fu
n
»fa]
222.Fungar: respirar com
dificuldade.
[fu)
N
»ga]
fungar
(a) aspirar fortemente
com ruído
(b) respirar com
dificuldade
(a)aspirar
ruidosamente pelo
nariz; inspirar;
(b)resmungar,resmonea
r;
O dicionário diz
provir do quimb.
kafunga 'farejar';
ver funga-. A
datação é de
87
(c) absorver ou respirar
pelo nariz
(d) cheirar rapé
(e) resmungar
(f) ficar zangado
(g) ficar zangado
(h) farejar
Kik-Kim fu
N
ga, fu
N
ka
(c)produzir som,
absorvendo ar, pelo
nariz.
1789.
223.Furdunço: confusão,
barraco, agitação.
[fux»du)
n
sU]
furdunço, furdunça
(a) festança popular
(b) barulho, desordem
Kik
vuru
n
du
n
zu <vu
m
vu
n
zu
(a)baile popular, p.ext.,
qualquer festa popular;
(b)movimentação com
barulho, algazarra,
desordem
Embora o
dicionário diga
que é de origem
controvérsia, diz
também que às
vezes
considerado de
orig. banta, do
quicg. ma-fulu +
nguzu 'cólera +
força'.
224.Futricar: mexer em
alguma coisa.
[futRi»ka]
futricar
fuxicar
(a)fazer intriga(s);
mexericar, fuxicar;
(b)trapacear nos
negócios;
(c)provocar alguém de
modo impertinente.
A datação é de
1899.
225.Fuxicar: fazer
mexerico.
[fuSi»ka]
fuxicar
(a) mexericar, segredar,
fazer fuxico, candonga
(b) remendar, alivanhar
(a) Kik fuuzia
(a) Kim kuseka
(b) Kik futika
(b) Kim fuZika
(a)fazer fuxico(s),
intriga(s); futricar,
mexericar;
(b)futucar;procurar;rem
exer;revolver;
A datação é de
1899.
226.Fuzarca: farra; folia;
desordem.
[fu»zaxkå]
fuzarca
farra, folia, pândega,
estardalhaço
Kik
m
v
w
azakana
Kim fu
n
za
n
za
(a)diversão ou
festividade, grande e
agitada, envolvendo
muitas pessoas, música,
bebida, brincadeiras;
(b)farra, folia,
pândega, troça;
A datação é do
séc. XX.
227.Fuzuê: algazarra.
[fuzuWe]
fuzuê, fruzuê
algazarra, barulho,
confusão
Kik
m
v
w
azile
Kim fu
n
za
n
zile
(a)folia coletiva,
ruidosa, animada por
música, dança, alegria;
carnaval, folia,
funçanata, pândega;
(b)briga;confusão;
Para Nei Lopes,
de fuzo 'arrasta-
pé', este do
quicg. mvunzu
'confusão' ou do
quicg. fusu
88
desordem;
'turbilhão das
águas de um rio'.
A datação é do
séc. XX.
228.Gaiteiro: sanfoneiro.
[gaϑτεϑΡυ]
(a)que desperta a
atenção pela
vivacidade; vistoso,
chamativo;
(b)que gosta de festa,
folias; folião, festeiro;
A datação é do
séc. XIV (cf.
gaita).
229.Galalau: homem muito
alto.
[galalaw]
galalau, galapau, garajau,
garapau, varapau
homem magro, muito
alto
Kik-Kim ju
N
galalaw
Yor ga$ga$ra o@
Homem de estatura
elevada; galalão,
galerão.
A datação é de
1890.
230.Gamela: tipo de bacia
feita de madeira.
[ga∪µελ ]
Vasilha de madeira ou
de barro, de vários
tamanhos, em forma de
alguidar ou
quadrilonga, us. para
dar de comer aos
porcos, para banhos,
lavagens e outros.
A datação é do
séc. XIII. O
dicionário diz vir
do latim.
231.Gangorra: balanço de
crianças.
[ga)
N
»goxå]
gangorra
balanço de crianças,
formado por uma tábua
pendurada em duas
cordas
Kik ka
N
gala, ka
N
gula
(a)Prancha
retangular, comprida,
apoiada somente no
centro, que duas
crianças, cada qual
sentada numa de suas
extremidades;
(b)engenho primitivo
de cana-de-açúcar;
(c)armadilha para
apnhar animais bravios.
A datação é de
1752.
232.Garapa: caldo de cana
feito com açúcar.
[ga»Rapå]
garapa, guarapa
(a) caldo da cana, quando
destinado à destilação
(b) qualquer líquido que
se põe a fermentar para
depois ser destilado
(c) bebida refrigerante de
mel ou de açucar com
água, a que pode se
adicionar gotas de limão
(d) coisa fácil de
conseguir
(a)caldo extraído da
cana-de-açúcar;
(b)qualquer líquido que
se põe a fermentar para
depois ser destilado;
O dicionário diz
ser de origem
controvérsia; a
datação é de
1638.
233.Gengibirra: bebida feita
de milho torrado.
[Ζε(<Ζι∪βιηα]
(a)espécie de cerveja de
gengibre, cuja
composição inclui ,
A datação é de
1899.
89
além gengibre, frutos,
açúcar, ácido tártárico,
fermento de pão e água
;
(b)água ardente de
cana; cachaça.
234.Gingar: andar
bambaleando o corpo.
[Zi)
N
»ga]
jingar
(a) andar bamboleando o
corpo
(b) curvar-se, obrar-se
ora num sentido, oro
noutro.
Os Jingas (dZi
N
ga)
sãonegros congueses do
norte de Angola, os
quais, segundo a fama,
têm o hábito de
bambolearem o corpo,
quando andam.
(a)agitar-se; balançar-
se;
(b)curvar-se para um e
outro lado;
O dicionário diz
ser de origem
obscura. O
datação é de
1516 para a
forma “gingrar”,
aparentemente
não atestada no
Brasil, do séc
XIX. para
“gingar
235.Gômito: vômito.
[gomitu]
236.Gonga: saco de caçador.
[»go)
N
gå]
gonga
(a) preparado de carvão
usado para fins
ritualísticos
(b) saco, sacola
(a) Kik-Kim
N
ka
N
ga
(b) Kik-Kim
N
go
N
ga saco
de caçador
Roupa (ger. Masculina)
muito gasta pelo uso.
237.Gongá: um tipo de
cestinho com tampa.
[go)
N
»ga]
gongá
(a) santuário, templo
congo-angola,
geralmente ao ar-livre,
em espaço aberto
(b) espécie de sabiá
(c) pequena cesta com
tampa
(a)na umbanda e em
alguns cultos afro-
religiosos, heterodoxos,
denominação do altar;
(b)recinto onde fica
esse altar;
(c)pequena cesta
provida de tampa.
A datação é de
1899. Para Nei
Lopes, do
quimb. ngonga
'cesto; cofre;
sacrário';
segundo
Cacciatore, do
quimb.
ngong(u)e
'segurança'.
238.Gorô:força, poder.
[go»Ro]
gorô
força, poder
Kik
N
golo
239.Gratificação:
menstruação. “Estou de
gratificação”. Palavra usada
pelas idosas.
90
[γΡατιφικα∪σã]
240.Gronga:feitiçaria por
meio de beberagem.
[»gRo)
N
gå]
gronga
(a) feitiçaria por meio de
beberagem
(b) intriga
(c) coisa mal feita,
geringonça
(a)qualquer artefato
malfeito, com
arcabouço frágil e
funcionamento
precário;
(b)sortilégio ´por
intermédio de
ingestão de bebidas
preparadas pro
curandeiros;
feitiçaria.
A datação é de
1891.
241.Gunga: berimbau
médio.
[»gu)
N
gå]
gunga, gungo
(a) berimbau médio,
geralmente
acompanhado do contra-
gunga
(b) instrumento
consagrado no Sultão-
das-Matas e usado
apenas nas festas
cerimoniais
(c) homossexual
(d) ladrão
(a-b) Kik
N
gu
N
ga,
N
gu
N
gu
(c) Kik
N
gu
N
ga
(d) Kik-Kim
N
gu
m
ba
Berimbau. A datação é do
séc. XX.
O dicionário diz
ser do quimb.
ngonga 'arco
musical'.
242.Guri: criança.
[gu∪Ρι]
Menino, cirança. A datação é de
1890 e o
dicionário diz vir
do tupi gwï'ri.
243.Ileiado: espalhado,
(usado em caso de parentes).
Cf. “disileiado”.
[ιλειϑαδυ]
244.Imbambi: nome dado a
uma entidade chamada
“Erê”.
[i)
m
ba)
m
»bi]
imbambi
nome de erê
Kik i
m
ba
m
bi
245.Inhaca: fedor.
[i»¯akå]
aca, macaca
(a) má sorte, azar
(b) mau humor
aca, inhaca, uca
(c) cachaça ruim que
deixa morrinha
(d) mau cheiro corporal
(a) senhor supremo; rei.
(b)fedor exalado por
pessoa ou animal;má
sorte freqüente de
alguém.
(c)
A datação é de
1899;
Para (a) yaka
'jaga', título do
rei, numa língua
banta; cp.
3
jaca
e
1
jaga;
91
Kik ma
N
ka
N
ka má-sorte
m
w
aka mau cheiro,
morrinha
Kim nuuka mau cheiro,
morrinha
Para (b) o
dicionário diz:
segundo
Nascentes, do
tupi yakwa
'odoroso';
segundo
Nascentes, do
tupi yakwa
'odoroso';
Para
246.Invocar: chamando a
entidade que faz a festa no
candomblé.
[i)
n
»vok ]
Chamar em auxílio,
pedir proteção.
A datação é do
séc. XVI.
Empréstimo
erudito ao latim :
o seu uso no
contexto das
religiões afro-
brasileiras
caracteriza muito
provavelmente
um “calque”
(tradução de uma
expressão de
origem africana),
reforçado pela
influência da
Igrja Católica no
Guaporé.
247.Invoco: feitiço
sortilégio.
[i)
n
»vokU]
invoco
feitiço, sortilégio
Kik
m
pioco
Fon nu
n
vçku@, nuboko@
objeto de sacrifício
Vem de invocar. Extensão do
calque acima ?
248.Istúcia: pessoa que faz
fofoca
[is∪τυσια]
249.Jaca: uma fruta..
[»Zakå]
jaca
chefe supremo
[RJ]
(a)Fruto da jaqueira;
(b)chefe superior de
várias tribos africanas;
régulo; soba.
O registro
histórico é de
1535.
250.Jacundá: tucunaré (uma
espécie de peixe).
[Ζακυ(<∪δ ]
(a)design. comum a
vários peixes
teleósteos, do gên.
Crenicichla;
(b)dança indígena em
círculo que evoca a
pesca do jacundá.
O dicionário diz
vir tupi yaku'nda
'peixe da família
dos ciclídeos';
f.hist. 1618
jacundâ, c1631
iacunda, 1895
jacundá.
92
251.Jagunço: homem
valente; guarda costas de
algum senhor de engenho.
[Za»gu)
n
sU]
jagunço
(a) valentão
(b) guarda-costa de
algum senhor de
engenho ou fazendeiro
Kik-Kim ha
N
gu
n
so
Cangaceiro, criminoso
ou qualquer homem
violento contratado
como guarda-costa por
indivíduo influente.
Nei Lopes
sugere o quimb.
junguzu ou o ior.
jagun-jagun
'soldado'; f.hist.
1877 jagunço,
1889 jagunso
252.Jiló: homem de cabeça
grande, ou esquecido/ Fruto
do jiloeiro.
[Zi»lç]
jiló
(a) fruto do jiloeiro, de
sabor amargo
(b) diz-se de um homem
magro e cabeçudo
Kik-Kim
n
dZilu
Furto do jiloeiro. O dicionário diz
ser de origem
africana.;
Nascentes deriva
do quimb.
njimbu; já Nei
Lopes, do
quioco jilo
'berinjela de
fruto oval',
citando o quimb.
luó 'muito
amargo'; f.hist.
1730 gilô, 1889
jiló
253.Jinga: maneira de
balancear o corpo.
(cf. gingar)
[»Zi)
N
gå]
jinga
(a) tipo de caneco usado
nos engenhos para
baldear o caldo da cana
(b) movimento
fundamental do jogo de
capoeira, do qual partem
todos os golpes
defensivos ou ofensivos
(c) personagem rainha da
congada
(d) nome de um povo e
de uma língua de
Angola
Kik (a) tSi
N
ga pequena
cabaça usada como
caneco
Kik-Kim (b) si
N
ga
enrolar, serpentear,
balancear o corpo
(a)língua do grupo
quimbundo;
(b)indivíduo dos jingas;
(c)grupo étnico que
habita Angola.
A datação é de
1899. O
dicionário diz vir
do quimbundo.
(É mnecessário
averiguar de que
maneira isso se
coaduna com a
etimologia
proposta para
“gingar”)
Jingar e Ginga –
não importa
como escreve é a
mesma coisa.
254.Jinim: as partes genitais
da mulher.
jeni, zinim, jinim
partes genitais da mulher
Kik
n
dZini
93
[Zi»ni)]
Fon sE@li$
255.Jira: oração, reza.
[»ZiRå]
jira, enjira
(a) oração, reza, o ato de
louvar as divindades em
congo-angola
(b) sessão de umbanda.
Kik-Kim
n
dZila,
n
zila ato de
louvar, rezar
(a)nos candomblés
angola-congo e na
umbanda, roda de
fiéis em que se
cultuam com cânticos
e danças rituais, ger.
girando em círculo, as
entidades ('seres
espirituais') do
terreiro ou centro;
canjira, enjira;
(b)suposta corrente
espiritual criada com
essa roda;
(c)sessão em que tais
ritos acontecem.
A datação é do
séc. XX.
Provavelmente
do quimb. njila
'giro'.
Seria uma caso
de derivação de
origem múltipla
(cruzamento),
como no caso de
ginga ?
256.Jongo: dança dos negros
na fazenda.
[»Zo)
N
gU]
jongo
dança dos negros nas
fazendas
[RJ, MG, SP]
Dança de roda de
origem africana do tipo
batuque ou samba, com
acompanhamento de
tambores, solista no
centro e eventual
presença da umbigada,
cujo canto é do tipo
estrofe e refrão.
O dicionário
Houaiss diz ser
de orig.contrv.;
Nascentes deriva
do quimbd.
jihungu 'nome
de um
instrumento
musical dos
negros', assim
como Angenot
et alii; Nei
Lopes dá como
étimo o umbd.
onjongo 'nome
da dança de um
povo banto da
região de
Angola'; o
registro é de
1877.
257.Juriti: rolinha.
[ΖυΡι∪τΣι]
Design. comum às aves
columbiformes da fam.
dos columbiformes,
esp. dos gên. Leptotila
e Geotrygon; jeruti,
juruti.
Do tupi yuru'ti
'ave
columbiforme';
f.hist. 1728
jurití, 1730
juritî, 1781
juritiz, 1857
94
jurity.
258.Lamba: chicote; tala de
couro.
[»la)
m
bå]
lamba
(a) chicote, verga
(b) tala de couro
(c) trabalho pesado,
penoso, feito à força
Kik-Kim
m
ba
m
ba
Fon la
m
ba@
Yor lagba$
malamba
(a) infelicidade
(b) lamúria
Kik-Kim mala
m
ba
Desgraça, infortúnio
O dicionário diz
que a origem é
quimb. lamba
'desgraça,
desventura,
miséria', e o
registro da
palavra é de
1880.
259.Lambança: barulho,
desordem, sujeira.
[la)
m
»ba)
n
så]
lambança
rezinga, barulho,
desordem
(a) manifestação
ruidosa que gera
desordem; barulho,
confusão, tumulto;
(b) aquilo que se pode
lamber e comer
A datação é de
1899.
300.Lelé: maluco.
[le»le]
lelé
(a) maluco, adoidado
(b) ingênuo, simplório
(c) indolente
Kik lele
Fon-Yor lilE@
Que ou aquele que age
insensatamente,
apresentando sinais de
loucura; doido, biruta,
maluco.
O dicionário diz
que a origem é
obscura.e não
possui datação.
301.Lengalenga: conversa
fiada, enganosa, briga.
[le)
N
ga»le)
N
gå]
lengalenga
conversa fiadsa,
enganosa, discurso sem
fim, longo, enfadonho
Kik-Kim
le
N
gale
N
ga <kula
N
ga enga
nar alguém
Conversa, narrativa ou
peça de oratória
enfadonha e monótona;
ladainha, cantilena.
A datação é de
1858 e o
dicionário não
diz uma
etimologia
provável.
302.Lombra: preguiça.
[⊃βΡα]
Qualquer efeito
produzido pelo uso de
drogas, esp. de
maconha.
Não tem
registro
histórico e o
dicionário
afirma como
origem obscura
e que talvez
possa ser de
lomba,
lombeira.
303.Luático: pessoa que tem
lundum.
[lu∪ατΣικυ]
Vem de lua?
304.Lundum/lundu: lundu, mulundu (a) dança de par A região de
95
mudança de humor.
Conforme calundu.
[lu)
n
»du]
(a) mau humor;
(b) dança de origem
africana de par solto,
acompanhada de canto,
que teve seu esplendor
no Brasil em fins do séc.
XVIII e começo do séc.
XIX. Daí em diante,
canção solista,
influenciada pelo lirismo
da modinha e
freqüentemente de
caráter cômico
(a) Kik-Kim
kalu
n
du obedecer um
mandamento, realizar
um culto com música e
dança
(b) Kik kilu
n
da o que
recebe o espírito
(b) Kim kialu
n
du o que
recebe o espírito
separado, de origem
africana, em compasso
binário com primeiro
tempo sincopado;
mulundu [Trazida pelos
escravos bantos, com
meneios e requebros de
forte apelo sensual,
manteve esse caráter
jocoso e tornou-se
dança de salão muito
em voga no Brasil do
sXVIII ao início do
sXX.]
(b) estado de mau
humor; amuo; zanga.
origem dos
quiocos, e tb. um
top. Lundu em
Moçambique; cf.
calundu ('seita');
f.hist. 1803
lundú.
305.Macaca: mau humor.
[ma»kakå]
macaca
(c) feminino de macaco
(d) expressão “dar tiro na
macaca” = ficar no
barricão
(a-b)Kik ma
N
ka
N
ka
(a)a fêmea do macaco;
(b)mulher feia;
(c)má sorte; azar;
O dicionário diz
que se origina do
latim.
306.Macamba: camarada.
[maka)
m
»ba]
O dicionário de
bantuísmos diz que é
conforme
Camba ou camba:
cambar
fugir, escafeder-se
[médio São Francisco]
Nome por que os
escravos se chamavam
uns aos outros quando
pertencentes a um
mesmo dono
De 1858, e o
dicionário diz
que é do
quibumdo.
307.Maconha: variedade de
fumo cuja folha e flores são
usadas como narcóticos.
Chamada muito mais de
poaia no Guaporé.
[ma»ko¯å]
maconha
variedade de cânhamo,
cujas folhas e flores são
usadas como narcótico
Kik-Kim
mako¯a, maka¯a
Droga de efeito
entorpecente preparada
com os ramos, folhas e
flores do cânhamo.
O registro é de
1926 e o
dicionário diz
que é do quimb.
makanha
308.Macumba:
manifestações religiosas afro
brasileiras.
macumba
(a) denominação genérica
para as manifestações
religiosas afro-
brasileiras, de base
Designação
genérica dos
cultos afro
-brasileiros
originários do nagô e
que receberam
influências de outras
A datação é do
séc. XX, o
dcionário diz que
a origem é d
o
quibumdo ou do
96
[ma»ku)
m
bå]
congo-angola, que
incorporam orientações
ameríndias, católicas e
espíritas, com
predominância do culto
ao caboclo e preto-
velho.
(b) sessão de feitiçaria,
de magia-negra
(c) denominação popular
das manifestações
religiosas afro-
brasileiras no Rio de
Janeiro e em zonas
rurais de várias regiões
brasileiras
Kik-Kim makuba reza,
invocação
religiões africanas
(p.ex., de Angola e do
Congo), e tb.
ameríndias, católicas,
espíritas e ocultistas.
quicongo
[ma’kôba].
309.Mafuá: conjunto de
coisas velhas; fora de uso.
[ka»fuWå]
[ma»fuWå]
O dicionário de
bantuísmos diz que é
conforme
cafua
(a) antro, cova,
esconderijo
(b) habitação miserável,
casebre
(c) quarto escuro em que
se prendiam alunos
castigados (arcaico)
Kik kaf
w
alala lugar
obscuro, sombrio
mafuá
(a) conjunto de coisas
velhas, fora de uso
(b) lugar onde se
guardam
desordenadamente essas
coisas
(c) feira ou parque de
diversões
Kik-Kim muf
w
a
(a) Parque de diversões
ou feira de prendas ou
jogos, esp. Com
transmissão de música
ruidosa nos alto-
falantes;
(b) ausência de ordem,
de arrumação; bagunça;
confusão; rolo.
(c) baile popular.
Nei Lopes sugere
procedência do
quicongo mfwa.
310.Malafa/malofo:
cachaça; bebida votiva de
exu e caboclo.
[ma»lafU]
[ma»lafå]
malafo, malafa, marafo,
marufo
cachaça, bebida votiva de
Exu e do caboclo
Kik-Kim
malafu, maravu
marufo, maluvo, maruvo
No candomblé de
caboclo e em cultos por
ele influenciados,
bebida alcoólica que
serve aos assistentes, e
que os caboclos e os
Exus tomam; marafa,
marofo.
Cacciatore diz
que prov.
cruzado com o
pl. quimb.
Malufu (sic).
.
97
vinho ou qualquer outra
bebida alcoólica.
Kim maluvo vinho de
palma
311.Maluco:doido.
[ma»lukU]
Maluco
doido
Que ou aquele que
sofre de distúrbios
mentais; doido, louco,
alienado
O registro
histórido é de
1873.
312.Malungo: irmão de
criação ou irmão de leite.
[ma»lu)
N
gU]
malungo
(a) companheiro, irmão
de barco
(b) o negro companheiro
de embarcação de África
(arcáico)
(c) irmão-de-criação ou
irmão-de-leite
Kik
N
k
w
a
n
lu
N
gu irmão,
companheiro do mesmo
barco
(a)aquele que participa
das atividades, das
amizades, do destino
etc. de outro;
camarada,
companheiro, parceiro;
(b)título por que se
tratavam
reciprocamente os
escravos africanos que
tinham vindo da África
na mesma embarcação;
(c)irmão colaço ou de
criação;
(d)indivíduo nascido no
mesmo ano, mês, dia e,
se possível, hora, que
outra pessoa.
O dicionário diz
se de
orig.contrv.; ger.
ligado ao pref.
ma (pl. ou col.)
+ quicg. lungu
ou quimb.
ulungu
'embarcação';
Nascentes
propõe o quimb.
maluga
'camarada,
companheiro';
Nei Lopes
contesta essas
etimologias,
lembrando que
há o quioco
malunga, pl. de
lunga 'homem,
marido, macho',
o quicg.
malungu, pl. de
lungu
'sofrimento', e o
quicg. madungu
'pessoa
desconhecida,
estrangeiro', e a
orig. do voc.
poderia provir
de cruzamento
de todas essas
acp.
A datação é de
1688.
313.Mandinga: bruxaria,
pequeno feitiço.
mandinga
(a) bruxaria, ardil
(b) mau-olhado
(a) indivíduos dos
mandingas , povo de
religião
O dicionário data
de 1716 e diz que
é de origem
98
[ma)
n
»dZi)
N
gå]
Kik-Kim mazi
N
ga ação
de complicar, de impedir
também por feitiço
predominantemente
maometana da região
norte da África
ocidental; mande;
(b)língua falada pelos
mandingas;
(c)feitiço; bruxaria.
banta.
314.Mandraque: feiticeiro.
[ma)
n
»dRakI]
mandraque
(a) feiticeiro, mágico
(b) figura de história em
quadrinhos
Kik ma
n
do@ka <lukoka
Kik ma
n
do@ki
No dicionário
“mandraqueiro” que
significa mandigueiro,
ou seja, feiticeiro.
A datação
mandigueiro é de
1789.
315.Mangar: zombar.
[ma)
N
»ga]
mangar
(a) zombar, troçar,
vangloriando-se
(b) caçoar, afetando
seriedade
Kik ma
N
ga vangloriar-se
de coisas recebidas e
injuriar os outros
(a)Escarnecer
fingindo seriedade;
caçoar;
(b)expor alguém ao
ridículo, ao desdém.
O dicionário
atesta como
sendo de 1789 e
diz ser de origem
duvidosa.
316.Mango: festa; aproveitar
a festa do divino.
“Hoje eu vou cair no
mango”.
[»ma)
N
gU]
Mentiroso. (a)parte de objeto,
utensílio, ferramenta;
(b)o pênis;
(c)unidade monetária;
(d)dinheiro; capital.
(e)chicote de cabo
curto
¹mango a datação
é do séc. XV;
lat.vulg.
*manìcus, der. de
manus,us 'mão';
ver man(i/u)-;
²mango a
datação é de
1930; do esp.
mango < lat.
manìcus, der. de
manus,us 'mão';
divg. de
1
mango;
ver man(i/u)-.
317.Manjuba: pênis muito
grande.
[ma)
¯
»Zubå]
manjuba, manjuva
pênis muito grande, de
tamanho descomunal
Kik ma
n
vu
m
ba
Kim ma
n
dZi
m
bu
(a)Design. comum aos
peixes teleósteos
clupeiformes;
(b) o pênis;
(c)comida; refeição;
(d)enxame de peixes
novos que procuram as
cabeceiras dos rios .
A datação é de
1890; para
Nascentes a
origem é do tupi.
318.Mão de cinza: pessoa
que faz macumba;
macumbeira.
[ma)
¯
ωδΖι∪σι(⊄ζ ]
319.Maraca: instrumento maraca No dicionário maracá A datação é de
99
músical.
[ma»Rakå]
instrumento
que é chocalho
indígena, us. em festas,
cerimônias religiosas e
guerreiras.
1561, o
dicionário atesta
como sendo tupi.
(Convém
analisar a
alternância
maracá/maraca).
320.Maracutaia: trapaça.
[maRaku»tajå]
maracutaia
engodo, trapaça
Kim madiakutola
Negócio escuso,
manobra ilícita, esp.
em política ou
administração;
traficância, fraude,
falcatrua.
A datação é de
1989, e o
dicionário diz
que é de origem
obscura, e ao
mesmo tempo diz
que talvez seja
do tupi.
321.Marafo: aguardente;
cachaça.
[ma»Rafo]
marafo, marufo
cachaça, bebida votiva de
Exu e do caboclo
Kik-Kim
malafu, maravu
aguardente de cana;
cachaça
O dicionário diz
que marufo vem
de maluvo que
tem como
significado:
bebida obtida da
fermentação da
seiva de uma
palmeira
conhecida como
1
bordão, muito
apreciada em
alguns países
africanos; .
322.Maria Isabel: charque
com arroz.
[ma»RiJåisabΕΩ]
Diz ser em
homenagem a
princesa Isabel
que libertou os
negros da
escravidão.
323.Maria Padilha:
entidade (exu fêmea);
ladrona, maledicente.
[ma»RiJå pa»dZi¥å]
maria padilha
entidade muito popular e
muito temida, tida como
Exu, fêmea, ladrona,
maledicente e escrava de
Oxum
Kik-Kim
mabiala
m
paadi
n
zila o
grande inquice do
caminho + português
“Maria”
324.Maribondo: vespa.
[maRi)
m
»bo)
n
dU]
marimbondo
vespa
Kik-Kim dibo
n
do
No dicionário
marimbondo:
(a)design. comum e
O dicionário diz
ser do quimb.
mari'mbondo; a
100
Umb ali
m
bo
n
do
imprecisa aos insetos
himenópteros, esp. da
fam. dos vespídeos e
pompilídeos, sociais ou
solitários, ger. maiores
e dotados de ferrão,
distinguindo-se das
vespas por manterem as
asas anteriores
longitudinalmente
dobradas quando estão
pousados; caba
(b)vespa ('designação
comum')
(c)dança de roda de
caráter, em que um
figurante se posta ao
centro com um pote de
água, dançando e
pulando
(d)designação dada
pelos portugueses aos
brasileiros, à época da
Independência
(e)design. dada aos
pernambucanos
contrários ao decreto
imperial de 18 de junho
de 1851 que instituiu o
registro de nascimentos
e óbitos
datação é de
1716.
325.Marufo: cf. marafo
[µα∪Ρυφο]
326.Massapé: terra argiloso
ótima para o cultivo de cana-
de-açucar.
[masa»pe]
massapê, massapé
terra argilosa, comum na
região do Recôncavo,
ótima para cultura da
cana-de-açucar
Kik muse
N
ge + português
“massa” substância
pastosa
Kim museke + português
“massa”substância
pastosa
(a) terra argiloso de
SE e BA , formada
pela composição dos
calcários cretáceos,
preta quase sempre, e
ótima para a cultura
de cana-de-açúcar;
(b) caule do benjoim.
A datação é de
1663.
327.Massassá: feijão com
arroz, o famoso baião de
dois.
[masasa]
328.Matula: saco com matula (a)multidão de gente A datação é de
101
comida pronta com um tipo
de lanche quando saiam para
a roça .
[ma»tulå]
torcida, pavio rústico, de
algodão, que se embebe
no óleo depositado numa
espécie de concha de
barro e que serve de
candeia
ordinária; vadios;súcia;
corja; matulagem.
(b)alforje para
viagem; farnel.
1899.
329.Maxixe: fruto do
maxixeiro.
[ma»SiSI]
maxixe
(a) fruto do maxixeiro
(b) dança urbana, de par
unido, originária do Rio
de Janeiro
maxixar
dançar maxixe
(a)Kik-Kim
ma
n
sise, masisi
(b)Kik-Kim
ma
n
siki <si
N
ka balancear
o corpo de lá para cá, de
todos os lados, a exemplo
de um bêbado
Planta Cucumis
anguria, que dá o
maxixe.
A datação é de
1730, e o
dicionário diz
que é do
quimbundo
[maxi’xi].
330.Mazuca: dança onde os
homens tiram as mulheres
para dançarem, não podendo
ocorrer o contrário.
[mazuka]
No dicionário encontrei
Mazurca: dança
polonesa em compasso
ternário.
A datação para
Mazurca é de
1856.
331.Miçanga ou
buginganga: vidros
coloridos próprios para
colares e brincos.
[mi»sa)
N
gå]
miçanga
(a) contas de vidros
coloridas, próprias para
colares, brincos
(b) guia, espécie de
rosário para o pescoço,
formado de colares de
contas rituais nas cores
do santo
Kik-Kim mi
n
sa
N
ga
(a)pequena conta
colorida de massa de
vidro;
(b)adorno feito com
contas desse tipo;
(c)coisa de nenhum ou
pouco valor;
buginganga.
A datação é de
1706 e o
dicionário diz
que provém do
quimbundo.
332.Miçanga: cf.
buginganga.
[mi»sa)
N
gå]
333.Minhoca: pênis de
criança.
[mi»¯okå]
quinioca, nioca, nhoca
(a) cobra, serpente
(b) personagem de conto
popular
minhoca
(a) verme anelídeo
(b) pessoa muito magra
Kik-Kim ¯oka
(a)design. comum aos
animais anelídeos;
(b)o pênis;
O dicionário diz
que é de origem
obscura e a
datação é de
1560.
(averiguar o
sentido dessa
ocorrência
seicentista).
334.Mocambar: viver em mocambar
102
mocambo.
[moka)
m
»ba]
viver em mocambo
Kik muka
m
bu refúgio,
esconderijo
335.Mocambo: refúgio de
escravos na floresta.
[mo»ka)
m
bU]
mocambo, mucambo
(a) esconderijo de
escravos na floresta,
equivalente a quilombo
(b) choça, palhoça,
casebre
(c) cerrado de mato ou
moita onde se esconde o
gado
(d) topônimo muito
comum no Brasil
mucambo
(e) mucambo = nome de
antigo engenho do
Recôncavo
(f) mucambo = topônimo
muito comum na região
do Recôncavo
Refúgio, ger. em mata,
de escravo(s)
foragido(s); quilombo
A datação é de
1535. Essa
datação,
conforme A.G. da
Cunha, remete a
textos referentes
às antigas
“possessões”
portuguesas na
África. Assim
mesmo,
orig.contrv.;
quimb.
mu'kambu
'cumeeira'
(Nascentes) ou
mu + kambu
'esconderijo'
(Renato
Mendonça, apud
JM); MS (1813)
registra a acp.
'habitação feita
nos matos pelos
escravos pretos
fugidos, qualquer
choça ou palhoça
do Brasil, para
habitação ou para
recolherem os
que vigiam
lavouras';
336.Mochila: bolsa pequena
de caça.
[mo»Silå]
muxila
(a) bolsa pequena de
caça, usada a tiracolo,
ferramenta deCatendê e
Oxóssi
(b) pau-de-nagô, pedaço
de galho de laranjeira
utilizado para escovar os
dentes, ainda comum no
interior da Bahia
(a)Kik-Kim
n
zila espécie
de saco de inquice, em
forma de envelope,
Saco de lona ou tecido
sintético resistente que
se leva às costas seguro
por correias, us. por
soldados,
excursionistas,
escolares etc
A datação´é de
1619.
103
levado a tiracolo
(b) Kik-Kim
n
silu,
n
sila
337.Mocó: nome para ruelas
e becos.
[mç»kç]
mocó
(a) saco de palha
trançado com alças para
transporte de
mantimentos ou de
pequenos embrulhos
(b) lugar em que caem,
perdendo-se, os
papagaio de papel ou
pipas
(c) nome muito comum
de ruelas e becos
(d) amuleto
(a)Kik mukolo
(b) Kik mukoko alçapão
(d) Kik mooko
(a) roedor caviideo,
semelahnte a cobaia;
(b) homem matuto, da
roça;
(c) bolsa de tiracolo
para pequenas
provisões;
(d)variedades de
algodão nordestino.
. A datação é de
1618 e o
dicionário diz
que é
provavelmente
tupi.
É encontrado
somente na BA.
338.Mocororó: arroz
grudado na panela.
[m κ Ρ ∪Ρ ]
mocororó
bebida refrigerante
semelhante ao aluá
(a)Denominação
comum a várias
bebidas fermentadas;
(b)limonito encontrado
na região aurífera da
BA;
(c)cascalho de
diamante.
O dicionário diz
ser do tupi. Não
possui datação.
339.Mocotó: tornozelos;
pernas grossas.
[moko»tç]
mocotó
(a) tornozelo, pernas
grossas
(b) patas de bovinas, sem
casco, usadas como
iguaria de mesmo nome
(c) mão-de-vaca
(a)Kik-Kim
kooto pernas, patas
(b) Kik makooto
(a)Pata de bovino,
sem o casco;
chambaril, mão-de-
vaca;
(b) tornozelo.
Segundo
Nascentes, tupi
mboko'tog 'que
faz balançar'; a
datação é de
1836.
340.Moito: mato, floresta.
[»moI9»tU]
moitumba, moito
(a) mato, floresta
(b) encruzilhada
Kik mu
n
to@ margem da
floresta onde se enterra
oferendas
(a)Kim matu
m
bu
(b)Kik
mu
n
to
m
pa
m
buka encruzi
lhada para oferendas
Variação de
“moita”?
341.Molambo: trapo,
farrapo.
molambo
(a) trapo, farrapo, pedaço
(a)pedaço de pano
velho, roto e sujo;
A datação é de
1848 e o
104
[mo»la)
m
bU]
de pano velho, roto e
sujo
(b) fraco, sem caráter,
pessoa em completa
decadência moral
(a)Kik-Kim
mula
m
ba mulu
m
bi peda
ço de pano velho
(b) Kik-Kim
mula
m
bu fraco, débil
farrapo;
(b)roupa velha e/ou em
mau estado;
(c)indivíduo sem força
moral, determinação,
firmeza.
dicionário diz ser
do quimbundo.
342.Molejo: movimento
sensual feminino das
cadeiras.
[mo»leZU]
molejo
movimento feminino das
cadeiras
Ato ou efeito de
menear o corpo, de
requebrar-se, de gingar
O dicionário não
diz a etimologia
e diz que a
datação é do séc.
XX
343.Moleque: menino,
garoto.
[mo»lekI]
[mu»lekI]
moleque, muleque
(a) menino, garoto, rapaz
(b) meninote negro
(c) divertido, pilhérico,
travesso
(d) canalha, velhaco
(a,b) kik-Kim-Umb mi-
/mu-/a
n
leeke jovem,
garoto, discípulo,
subordinado
(c) Kik-Kim
n
leku
(a) menino novo de
raça negra ou mista;
(b)garoto de pouca
idade;
(c)pessoa brincalhona,
trocista, engraçada.
A datação é de
1716; quimb.
muleke 'garoto,
filho pequeno'.
344.Mona: irmão ou irmã
nos cultos afro.
[»monå ]
mona
(a) irmão ou irmã na
religião
(b) criança, menino-
macho
(a)menino ou menina;
rapaz ou moça muito
jovem; filho, filha;
(b)criança.
A datação é de
1537-1583. O
dicionário diz
que há
controvérsia na
origem.
No entanto, o
dicionário
Aurélio diz ser
do quimbundo.
345.Mondrongo: cara de
pau; preguiçoso.
[mo)
n
»dRo)
N
gU]
mondrongo, mondongo,
mundongo, mundrongo
(a) sujeito disforme
(b) pessoa
desprezível,suja e
desmazelada
(c) alcunha depreciativa
que era dada aos
portugueses
(d) inchaço, tumor
(a-b)Kik
mu
n
du
N
gu figura
grosseira
(a) indivíduo
disforme; mostrengo;
indivíduo preguiçoso;
(b) alcunha de
português (v.galego);
(c)inchação.
A datação é do
séc. XX.
105
(c)Kik
mu
n
du
N
gu, mu
n
du
n
du
(d) Kik-Kim do
N
go
346.Moqueca: guisado de
peixe.
[mo»kEkå]
[mu»kEkå]
moqueca, muqueca
(a) guisado de peixe ou
de mariscos, podendo
também ser feita de
galinha, carne, ovos,
etc., regado a leite-de-
coco, azeite-de-dendê e
pimenta
(b) diz-se de alguma
coisa mole, misturada,
sem consistência
Kik-Kim
mukeka < kuteleka guis
ar
(a)guisado de peixe,
frutos do mar, carne
ou ovos, feito com
leite de coco, dendê e
bastante tempero;
(b)cataplasma caseira
feita com folhas de
mangueira e fumo, que
em forma de
compressa, é empr. na
cura de cefaléias.
A datação é de
1836 e o
dicionário diz vir
do quimbundo.
347.Moringa: pote de barro
para conservar a água.
[mo∪Ρι(γα]
moringa, moringue,
muringa, muringue
bilha, cântaro de barro
em forma de garrafa,
bojudo e comprido para
conter e refrescar água
Kik-Kim mudi
N
gi
Vaso de barro bojudo e
de gargalo estreito us.
para acondicionar e
conservar fresca a
água; bilha de barro
para água fresca
potável.
A datação é de
1890.
segundo
Nascentes, cafre
muringa; Nei
Lopes relaciona
ao nhungue
muringa
(correspondente
ao quimb.
muringi ou
mudinge) 'bilha
de barro para
água de beber'.
348.Morteiro: o que faz o
barulho para anunciar a
chegada do Divino. (Sem
pólvora).
[mohteιΡυ]
Canhão curto mas de
largo diâmetro, através
do qual são lançadas
pequenas bombas
A datação é de
1524-1585. O
dicionário diz
que vem do
latim.
349.Mouron: estaca.
[moΩ∪Ρõ]
No dicionário
“mourão”:
cada uma das estacas
mais grossas ou postes
nas estacadas, à qual
são fixadas
horizontalmente varas
mais finas, formando
uma cerca.
A datação é de
1008 e
provavelmente
tem origem pré-
romana conforme
diz o dicionário.
350.Muamba: feitiço; muamba (a)cesto para transporte A datação é de
106
fraude, roubo.
[»mWa)
m
bå]
(a) feitiço, bruxedo
(b) contrabando, fraude,
roubo
(a) Kik wa
m
ba
(b) Kik-Kim muha
m
ba
de mercadorias em
viagem; carreto;
(b) roubo ou furto de
mercadorias nos portos
1890.
Segundo Nei
Lopes, quimb.
muhamba 'cesto
comprido para
transportar
cargas em
viagem'.
351.Mucama: criada;
escrava.
[mukãm ]
Conforme camba. Ver
macamba, acima.
No Brasil e na África
portuguesa, escrava ou
criada negra, ger.
jovem, que vivia mais
próxima dos senhores,
ajudava nos serviços
caseiros e
acompanhava sua
senhora em passeios.
A datação é de
1789. O
dicionário diz
vir do
quimb. mukama
'escrava
concubina';
f.hist. 1813
mucamba.
352.Mucamba: recado,
mensagem.
“Entrega essa mucamba pra
mim?”
[mu»ka)
m
bå]
mucamba
(a) petrechos de uso, de
trabalho
(b) objetos
(a)mucama;
(b) em alguns
candomblés de rito
angola-congo, auxiliar
do sexo feminino;
mumbanda.
A datação é de
1881.
O dicionário diz
vir do
quimbundo
makamba.
353.Mucambo: esconderijo
de escravos na floresta.
[mu»ka)
m
bU]
mocambo, mucambo
(a) esconderijo de
escravos na floresta,
equivalente a quilombo
(b) choça, palhoça,
casebre
(c) cerrado de mato ou
moita onde se esconde o
gado
(d) topônimo muito
comum no Brasil
Mocambo: refúgio, ger.
em mata, de escravo(s)
foragido(s);
Variação de
Mocambo, cf
essa lexia.
354.Muçum: mau cheiro
(buzum, burdun, xirim).
[musu(⊃]
Muçum no dicionário é
um peixe teleósteo
sinbanquiforme.
No dicionário
“muçum” vem do
Tupi. No entanto,
no Guaporé,
“muçum” tem o
mesmo sentido
de burdun.
355.Mufufa: confusão.
mufufa
confusão
107
[mu»fufå]
Kik-Kim mufuf
w
a
356.Mumbica: jarro; pote.
[mu)
m
»bikå]
mumbica
magro, raquítico, sem
graça
Kik mu
m
bika
Bezerro magro,
raquítico, pouco
desenvolvido;
O dicionário diz
ser de origem do
quicg. mbika, de
bika 'abandono,
abandonar'; a
datação é de
1899.
357.Munguzá/Muncunzá:
mingau de milho.
[mu)
N
gu)
n
»za]
[muku)
n
»za]
mungunzá, mucunzá,
mugunzá
milho debulhado, cozido
em leite de côco, sal e
açucar
Kik muge
n
za
Kim mugu
n
za
Espécie de mingau
feito de milho branco
com leite e leite de
coco, temperado com
açúcar e canela
O dicionário diz
ser do quimb.
mukunza 'milho
cozido'; a
datação é de
1861.
358.Muvuca: confusão.
[mu»vukå]
muvuca
(a) confusão, agitação
(b) festa familiar de
última hora, improvisada
Kik muvuka, mavuka
Grande confusão;
tumulto
O registro é de
1976 e o
dicionário diz ser
do quicongo
mvúka.
359.Nagô: palavra que
consta no verso de um canto
divino, uma divindade.
[nago]
Indivíduo dos nagôs,
designação de qualquer
negro escravizado,
comerciado na antiga
Costa dos Escravos e
que falava o ioruba
Jeje anago,
nagôr,
denominação
atribuída pelos
falantes dessa
língua aos de
língua ioruba
tomados
coletivamente, e
que se
generalizou no
Brasil, a datação
é do séc. XX.
360.Nasurdino: pessoa
safada.
“João é nasurdino, e como!”.
[nasuΡ∪δινυ]
361.Navalhada: dança com
damas de vestido rodado,
ficavam rodando levantando
a saia.
[nava∪×αδ ]
Golpe com navalha
('instrumento')
A datação é de
1789.
362.Negócio/coisa: termo
usado para algo que não se
lembra mais.
“Pega esse negócio aí pra
mim?”
Coisa: aquilo que se
está tratanto ou
falando.(1532).
Negócio: trato
mercantil; comércio;
Provém do latim.
108
[neg σιΥ]
[∪κοιζα]
qualquer coisa.(1293).
364.Nenê/Neném: criança;
ou apelido muito usado na
família.
[ne»ne]
[nE»ne)]
nenê, neném
(a) tratamento com que a
ama escrava distinguia
as irmãs mais velhas de
uma criança
(c) mais tarde,
confundindo-se com o
inglês nany, aplicou-se a
qualquer criança, bem
como foi usado como
apelida familiar.
Kim nene grande
Sinonímia de bebê
(criança recém-
nascida).
Para “bebê” a
datação é de
1877.
365.Nhonhô: senhor fulano
de tal., usado quando não se
sabe o nome da pessoa, no
caso de homens.
[ο∪ο]
No dicionário
“nhonhô” é ioiô que
sig. Tratamento
reverente dispensado
originalmente aos
brancos, esp. ao patrão
ou proprietário, pelos
escravos e seus
descendentes; nhonhô,
nhô.
A datação é de
1899.
366.Olelê, olalá: refrão
comum na música popular.
[ola»la]
[ole»le]
olalá
refrão muito comum na
música popular brasileira
olelê
cf. olalá
Kik-Kim
leele, wee lelelee
Umb oleele interjeição
de alegria, animação +
português olé
367.Oratório: altar onde se
ascende vela para o divino.
[oΡα∪τ Ριo]
Compartimento de uma
casa consagrado à
oração.
É do séc. XV, e o
dicionário diz
que é do latim.
368.Pacaia: sovaco, axila.
[pa»kajå]
pacaia
sovaco, axila
Kik-Kim
m
paka¯a
Diz-se de cigarro ou
charuto de má
qualidade; pacaio.
O dicionário diz
que é de origem
obscura e não dá
o registro
histórico da
palavra.
Macaia/pacaia é
usado no Brasil
para tabaco,
cigarro de palha
e é indicado
como sendo
109
bantu
369.Pacova: banana
comprida.
[pakov ]
banana ('fruto')
O dicionário diz
ser do tupi
pa'kowa 'banana';
o registro é de
1576.
370.Pacú: piratininga.(uma
espécie de peixe).
[pa∪κυ]
Design. comum a
vários peixes
teleósteos.
Do tupi e o
registro histórico
é de 1777.
371.Pacupeba: é o peixe
denominado pacu.
[pakupΕβ ]
Peixe teleósteo ,
caraciforme, caracídeo
da bacia amazônica.
A datação é de
1877. O
dicionário diz ser
do tupi
*paku'pewa
372.Pancoso: bem
arrumado, bem vestido.
“Nego pancoso.”
[
n
kozo]
373.Pandorô: feiticeiro.
[pa)
n
do»Ro]
pandorô
feiticeiro, cobé
Kik
m
pa
n
dulu
No dicionário
“pandoro” que quer
dizer feiticeiro. A
ortoepia é ô.
O dicionário diz
ser de origem
obscura. E não
possui registro
histórico.
374.Paquete: menstruação.
“Ela hoje ta de paquete!”.
[paketΣι]
Conjunto dos diversos
tipos de pêlo que
podem ser us. na
confecção de chapéus.
O registro é de
1899, e o
dicionário diz ser
de origem
obscura.
375.Paranga: quando se
perde o pedaço de alguma
coisa.
[pa»Ρa)
N
gå]
palanga, paranga
(a) leigo, não iniciado
(b) homem fraco,
covarde, sem autoridade
Kik
m
polu
N
ga
No dicionário existe
“parango” (pacote de
maconha).
O registro
histórico é de
1969. E o
dicionário diz ser
de origem
obscura.
376.Parapeito: sutiã.
[paΡ ∪πειτυ]
(a)parte superior de
uma trincheira que
protege seus
defensores, mas que
não os impede de atirar
sobre ela;
(b)parede ou outro
tipo de proteção que
se ergue na altura do
peito ou pouco mais
abaixo;à borda de
janelas, varandas,
terraços, pontes etc.
(c)peça de pedra,
granito, madeira etc.
O registro
histórico é de
1647. E o
dicionário diz vir
do
it. parapetto
(a1308) 'id.' <
lat.medv.
parapectus.
110
que integra a parte
inferior de uma janela e
serve para apoiar quem
nela se debruça.
377.Pau-de-nego: rubafo
(peixe traíra).
[pawdΖι∪νεγω]
378.Pengó: coxo.
[pe)
N∪∪
γ ]
Indivíduo pouco
inteligente; tolo,
parvo; coxo.
O dicionário diz
ser de origem
obscura e não dá
a datação.
379.Perdi: deixei.
“- Maria você trouxe a
matula?”
“ – Não, perdi.”
[πεηδΖι]
380.Perrengue: birrento.
[pe»xe)
N
gI]
perrengue
(a) birrento
(b) tardonho, moroso
(a)Que ou o que é
teimoso, birrento;
(b)situação difícil;
aperto.
A datação é de
1836. E o
dicionário diz ser
do espanhol
“perrengue”.
381.Pichilinga: apelido para
pessoa de pequena estatura.
[piSi»li)
N
gå]
pichilinga
candeia de folha-de-
flandres
Coisa muito pequena. O dicionário diz
que deve ter dois
étimos distintos.
E diz também ser
de origem
obscura. Não
possui registro
histórico.
Pixilinga no
Houaiss
382.Pintado: surubim.
[πι(⊄∪ταδυ]
(a)Que se pintou.
(b)surubim-pintado
(peixe).
É como os
negros chamam o
surubim, no
Guaporé.
No dicionário a
datação é de
1698. E diz que
provavelmente
venha do tupi
“suru’wi”.
Provavelmente
por causa das
pintas que o
peixe possui.
383.Piranha-caju: piranha
vermelha.
[πι∪Ρα(ακα∪ΖΥ]
Piranha vermelha. É como os
negros dos
quilombos do
Guaporé
111
chamam a
piranha. O
dicionário não
dá a datação
nem a origem
provável.
384.Piranha-moura:
piranha amarela específica
do Guaporé.
[πι∪Ρα(αµουΡ ]
Um peixe
específico do
Guaporé, cf.os
negros que lá
vivem.
385.Piripeça: passando por
uma dficuldade.
[πιΡι∪πΕσ ]
No dicionário
“peripécia”:
(a) lance de narrativa,
peça teatral; poema;
(b) sucesso imprevisto;
ncidente; aventura.
A datação é de
1624.
386.Pisquila: pessoa
franzina e de pequena
estatura.
[pis»kilå]
pisquila
pessoa franzina e de
pequena estatura
Kik sikila
Pessoa franzina e de
pequena estatura.
Origem obscura,
conforme diz o
dicionário e não
possui registro
histórico.
387.Pito: chamar atenção;
puxar a orelha. “Eu vou te
dar um pito”.
[pito]
(a) Na Grécia antiga,
vaso grande de
cerâmica p/ guardar
vinhos ou cereais;
(b) cachimbo; cigarro;
(c) repreensão;
(d) Libélula.
Para (c) a
datação é de
1913 e diz
provavelmente
de origem
africana.
388.Pitombo: caroço
formado da pancada.
[pi»to)
m
bU]
pitombo
tumefação cutânea,
caroço especialmente
formado na testa,
resultado de pancada
Kik no
N
go, bitu
N
gu
Fruto das pitombeiras. Não diz a origem
provável e nem
registro histórico.
389.Poeirismo: muita
poeira.
“Hoje tá com muito
poeirismo”.
[ποεϑ∪ΡισµΥ]
390.Pombajira:exu fêmea,
espírito invocado na
macumba.
[po)
m
ba»ZiRå]
bambojira, bombojira,
pombajira
entidade congo-angola
equivalente a Exu
pombajira
Exu-fêmea que reparte
com o Exu Bambojira o
controle das
encruzilhadas e
caminhos, e exerce
Na umbanda popular e
na quimbanda, um
Exu-fêmea;
Bombonjira
O dicionário diz
vir de uma língua
banta.
112
influência sobre os
namoros, noivados e
casamentos desfeitos. É
tida como protetora das
prostitutas
Kik-Kim
m
pe
m
ba
n
dZila nome de
inquice, a cruel alvura
do caminho
m
pe
m
bu
m
pa
m
bo ia
n
dZila
o enviado do caminho
391.Povil: goma.
[πο∪ϖιω]
392.Pra frente: pessoa
gaiata, que gosta de chamar
atenção.
[πΡα∪φΡε(⊄τΣι]
393.Prendada: boa dona de
casa. “Ô nega prendada!”.
[pΡε(⊄∪δαδ ]
Dotado de prenda(s),
de habilidade(s)
A datação é de
1209.
394.Prenha: grávida.
[πΡε(∪ ]
No dicionário
PRENHE, referente a
gestação.
A datação é do
séc. XIII.
395.Procuração: procurar
saber a verdade. Ex. “Vou
fazer procuração do que você
está falando”.
[πΡοκυΡα∪σãυ]
Delegação;
autorização.
Esta palavra tem
como origem o
latim. A datação
é de 1205. No
Guaporé o
sentido é
derivado do
verbo “procurar”.
396.Proeiros: remadores do
barco do divino.
[πΡοειΡυσ]
Marinheiro de proa de
embarcação miúda e
que trabalha com o
croque.
A o registro
histórico desta
palavra é de
1285.
397.Quá/Aquá: expressão
de dúvida, de esquecimento.
[kω ]
[α∪κω ]
398.Quáquá: expressão de
risadas usadas nas danças
para expressar felicidade.
[kω ∪κω ]
No dicionário Aurélio é
onomatopéia de
gargalhada.
399.Quariterê: Tereza de
quarité ou Tereza de
Bengala, uma escrava que
revolucionou os quilombos
no Guaporé. É usado no
Guaporé para representar
Dizem que o
quilombolo foi
chamado de
Quariterê por
causa do nome
dessa escrava.
113
força.
[κωαΡιτε∪Ρε]
400.Quebra-galho: mulher
que mesmo sendo casada
“quebrava o galho” de
homens que não tinham
mulheres. Transar para fazer
um favor para alguém que
está só.
[kΕβΡα∪γα×υ]
Qualquer pessoa , ou
recurso, ou coisa que
ajuda a resolver uma
dificuldade , a quebra
um galho.
401.Quenga: Prostituta.
[»ke)
N
gå]
quenga
(a) guisado de galinha e
quiabo
(b) cuia, vasilha feita da
metade da casca de um
coco
(c) o conteúdo da vasilha
(d) prostituta de baixa
classe
(e) coisa imprestável,
sem valor
(f) “chupar na quenga” =
aborrecer-se, vexar-se
(a)Kik pe
N
ga
(b)Kik ke
N
ga metade da
noz do coco
(d)Kik
N
ke
m
ba
(d)Kim pe
N
ga
(e)Kik-Kim
N
ka
N
ga
Mulher que exerce a
prostituição; meretriz.
O dicionário diz
vir do quimb.
kienga 'tacho', o
registro histórico
é de 1836.
402.Quengo: cabeça.
[»ke)
N
gU]
quengo
(a) cabeça de coco
(b) inteligência, talento
(c) indivíduo esperto,
trapaceiro, que sabe
fazer quengada
(d) o endocarpo do coco
(a-c) Kik kie
N
ga
(d) Kik ke
N
ga
Cabeça; espertalhão. O registro
histórico é de
1899.
403.Quenta: mulher
sexualmente promíscua.
[»ke)
N
τ ]
404.Quentão: bebida feita
de gengibre com álcool para
servir na festa do divino.
[»ke)
N
τ Υ]
Bebida preparada com
aguardente de cana
fervida com gengibre,
canela e açúcar.
A datação é do
séc. XX.
405.Quiabo: fruto do
quiabeiro.
quiabo
fruto do quiabeiro
Design. comum a
várias plantas da fam.
O registro
histórico dessa
114
[»kJabU]
(Hibiscus esculentus),
muito usado na cozinha
cerimonial afro-
brasileira e baiana
Kik-Kim ki
N
go
m
bo >
ki
N
ga
m
bo > kia
m
bo
das malváceas, esp. às
do gên. Hibiscus
palavra é de 1730
e o dicionário diz
ser
provavelmente
africana.
406.Quiamba: coisa feita,
magia, feitiçaria.
[»kJa)
m
bå]
quiamba
coisa-feita, magia,
feitiçaria, preparação
mágica
407.Quilombo: povoação de
escravos fugidos.
[ki»lo)
m
bU]
quilombo
(a) povoação de escravos
fugidos
(b) auto popular
figurando escravos
fugidos que lutam pela
posse da rainha, mas
terminam derrotados e
vendidos como escravos
Kik-Kim
kilo
m
bo aldeamento
Local escondido. O registro
histórico desta
palavra é do séc.
XVI, e o
dicionário afirma
que é de origem
africana,
provavelmente
do quimbundo.
408.Quilombola: escravo
fugido.
[kilo)
m
»bolå]
quilombola
escravo refugiado em
quilombo
Kik-Kim kilo
m
boli
Escravo fugido para o
quilombo.
A datação desta
palavra é de
1855. É
necessário um
estudo mais
complexo,
porque o
dicionário diz ser
de origem
controvérsia e em
seguida diz que é
de uma mistura
de tupi com o
quimbundo.
409.Quimbanda: sacerdote
de macumba.
[κι(⊃∪βã<δα]
Chefe religioso;
sacerdote, curandeiro.
A datação é de
1899. O
dicionário diz
que é do
quimbundo.
410.Quindim: doce feito da
gema de ovo, coco e açúcar.
[ki)
n
»dZi)]
quindim
(a) dificuldades
(b) particularidades,
minúcias
(c) graça, meiguice
(d) doce feito de gema de
ovo, coco e açúcar
(e) benzinho, amorzinho
Doce feito de gema de
ovo, açúcar e leite de
coco
Segundo Nei
Lopes quicg.
kénde 'grande
pudim de
mandioca ou
milho fresco'
através de um
prov. dim. aport.
115
(tratamento carinhoso)
(a-b) Kik
n
ti
n
ti escrupuloso,
difícil
(c) Kik
n
ti
n
ti delicadeza
'quendinho'; a
datação é de
1880.
411.Quiosque: lugar onde se
vendem frutas e verduras.
[kioskΙ]
Caramanchão ger. de
madeira, em estilo
oriental, que se instala
em parques e jardins.
O registro
histórico em
português é de
1839. A palavra
passou do persa
para o turco, de
lá para o italiano
(1594), em
seguida para o
francês (1608), e
finalmente do
francês para o
português,
mudando de
forma e de
sentido.
412.Quirera: farelo da sobra
de arroz.
[ki∪ΡΕΡ ]
Milho quebrado que se
dá aos pintos e aos
pássaros.
Não possui
datação e o
dicionário diz vir
do tupi “Ki’rera”.
413.Quitanda: pequeno
estabelecimento onde se
vendem verduras e frutas.
[ki»ta)
n
då]
quitanda
(a) pequeno
estabelecimento onde se
vendem verduras e
frutas
(b) tabuleiro em que os
vendedores ambulantes
expõem a sua
mercadoria
(c) nome de um antigo
engenho no Recôncavo
Kik-Kim kita
n
da
Local onde se fazem
negócios.
A datação é de
1681; quimb.
kitanda 'feira' <
kitânda 'estrado
de bordão
entrelaçado que
servia de
colchão'
414.Quitute/quitutinho:
comida pouca feita em
panela pequena; um doce de
sabor apurado.
[ki»tutSI]
quitute
iguaria de apurado sabor
Kim kitutu indigestão
Comida refinada. Tradicionalmente
do quimb. kitutu
'indigestão'; a
datação é de
1858.
415.Quizumba: briga,
confusão.
[ki»zu)
m
bå]
quizumba
rolo, briga, confusão
Confusão; rolo. Para Nei Lopes,
prov. alt. de
quizomba 'festa';
o registro é do
séc. XX.
416.Rabo de saia:
Mulher. Não possui
116
namorada.
[∪ηαβυδΖι∪σαι ]
datação e nem
origem provável.
417.Ramalhetas: quatro
meninas que na festa do
Congo levam as flores.
[hama∪×ετ σ]
418.Rancheira: dança quase
igual a mazuca.
[hã<∪ΣειΡ ]
dança popular, de
compasso ternário, de
provável origem árabe,
estilizada na Argentina
e difundida no Rio
Grande do Sul
O registro
histórico desta
palavra é do séc.
XX.
419.Ranchinho: casinha de
palha.
[ηã<∪∪ΣιΥ]
Casebre rural. A datação é de
1858.
420.Rapariga: prostituta.
[ηαπα∪Ριγ ]
Namorada. A datação é do
séc.XIII.
421.Rasurar: brigar,
esculhambar.
[ηαζυ∪Ρ ]
Fazer rasuras em;
riscar, raspar
A datação é do
séc. XX.
422.Remeiro: que rema o
barco do divino.
[he∪µειΡυ]
Que rapidamente
obedece ao impulso dos
remos.
A datação é de
1367.
423.Requisito: pessoa que
não tem palavra.
[ηεκιζιτυ]
Requerido. O registro é de
1652.
424.Rincha: briga entre
vizinhos.
[ηι(<Σ ]
No dicionário “rixa”
contenda; briga.
A datação é de
1096 e diz vir do
latim.
425.Robafo ou lobó: peixe
traíra.
[ηυ∪βαφυ]
Traíra. Ver em Rubafo
426.Ronqueira: uma
espécie de canhão instalado
na proa do batelão.
[ηο(∪κειΡ ]
Artefato pirotécnico
que dispara com grande
estampido;
A datação é do
séc. XVII.
427.Rufar: bater com força.
[ηυ∪φ ]
Produzir rufo(s) [em
viola, em tambor]
O registro
histórico é de
1836. O
dicionário sugere
origem
onomatopéica
428.Rufei:bati.
[ηυ∪φει]
Vem de rufar.
429.Sacana: canalha, patife.
[σα∪καν ]
Que ou quem é
libertino, devasso.
Nei Lopes
propõe vir do
quicg. sàkana
'brincar, divertir-
se; o registro
117
histórico é do
séc. XVIII.
430.Salveiro: uma espécie
de canhão que anuncia a
chegada do batelão (usa
pólvora).
[σαω∪ϖειΡυ]
O dicionário registra
“salveira” que é
dispositivo
pirotécnico para dar
salvas.
O dicionário não
dá etimologia
nem datação.
431.Samba: dança e música
popular brasileira; confusão.
[»sa)
m
bå]
samba, semba
(a) título de mameto
samba
(b) cerimônia pública de
macumba
(c) dança e música
popular brasileira de
compasso binário e
acompanhamento
sincopado
(d) a música que
acompanha essa dança
(e) por extensão,
festividade barulhenta
acompanhada de dança
(f) qualquer cerimônia
pública, religiosa, afro-
brasileira
(g) confusão, barulho,
briga
Dança de roda
semelhante ao batuque,
com dançarinos solistas
e eventual presença da
umbigada, difundida
em todo o Brasil.
O dicionário diz:
banto mas de
origem
controvérsia. O
dicionário
Aurélio diz ser
do quimbundo
semba
‘umbigada’.
432.Sambalelê: refrão usado
na modalidade do samba.
[sa)
m
bale»le]
sambalelê
refrão muito usado em
qualquer modalidade de
samba
Kik-Kim sa
m
ba olele
433.Sambar: dançar o
samba; se meter em
confusão.
[»sa)
m
bå]
sambar
(a) dançar o samba
(b)diz-se de uma peça de
roupa ou de outro objeto
de uso pessoal quando
está ou fica folgado,
dançando no corpo
(c) sair-se mal, ser preso
(a)Kik-Kim
n
sa
m
ba
(b)Kik-Kim
kusa
m
ba rezar, orar
(c-d)Kik-Kim
sa
m
ba, se
m
ba
Dançar; movimentar-se
ao som do samba.
O registro
histórico é de
1899.
434.Sanzala: alojamentos
destinados aos escravos.
sanzala, senzala
(a) alojamentos que eram
Aldeia tradicional
africana.
Do quimb.
sa'nzala
118
[sa)
n
»zalå]
destinados aos escravos
no Brasil
(b) morada mítica dos
inquices
(c) pequenas construções
em espaço aberto no
terreiro, nas quais se
encontram trancados os
“escravos” de cada
caboclo
'povoação'; de
1899.
435.Saracotear: dançar;
rodar o salão. “Nós vamos
para a festa para saracotear”.
[σαΡα∪κοτΣι ]
Mover-se ou agiar-se
freneticamente.
A datação é de
1634 e o
dicionário diz ser
de origem
obscura.
436.Sentido (a): triste.
“Ela está sentida com João”.
[σε(<∪τΣιδυ]
Que se ofende ou
melindra facilmente;
suscetível, sensível.
A datação é do
séc. XIII,
437.Senzala: alojamento que
eram destinados os escravos.
se)
n
»zalå
cf387
sanzala, senzala
(a) alojamentos que eram
destinados aos escravos
no Brasil
(b) morada mítica dos
inquices
(c) pequenas construções
em espaço aberto no
terreiro, nas quais se
encontram trancados os
“escravos” de cada
caboclo
alojamento que, nas
antigas fazendas ou
casas senhoriais, que
abrigava os escravos;
embala
A datação é de
1771;
quimb. sa'nzala
'povoação' (com
dissimilação); a
datação é de
1771.
438.Serenado: tá serenando.
“Hoje a noite tá serenado”.
[σεΡε∪ναδυ]
No dicionário tem
“serenado” que sig.
Garoa rápida.
439.Sirimão: cavalheiro da
dança do chorado que paga a
bebida para as moças. Seu
irmão.
[σιΡι∪µãω]
440.Songamonga: pessoa
desajeitada.
[so)
N
ga»mo)
N
gå]
songamonga
desajeitado, sem graça
Kik su
N
gumuka
Pessoa sonsa e
disfarçada.
A datação é de
1889.
441.Suan: parte do dorso do
boi (espinhasso).
“Hoje eu vou comer um
suan”.
[συα(<]
442.Sunga: cuecas de
banho.
sunga
(a) calçaõ de criança
Traje de banho
masculino.
O dicionário
Aurélio diz que
119
[»su)
N
gå]
(b) calções de banho-de-
mar
(c) cuecas
Kik su
N
ga
deriva de “sungar
( do quimbundo
ku-sunga
‘puxar’).
443.Surdão: murro. “Eu vou
te dar um surdão”.
[συρδãυ]
444.Tabaca: partes genitais
da mulher.
[ta»baka]
tabaco, tabaca, babaca
(a) vulva
(b) partes genitais da
mulher
Kik-Kim
babaki, tiba@ki, tibaku <
mubaki
Genitália feminina. O dicionário diz
que é de origem
controvérsia.
445.Tabaco: fumo.
[ta»bako]
. Qualquer subproduto
das folhas dessas
plantas, como o cigarro
e o charuto qualquer
subproduto das folhas
dessas plantas, como o
cigarro e o charuto; ou
genitália feminina
A datação é do
séc. XVI-XVII.
446.Taca: tira de couro que
açoitava os animais.
[takå]
taca
(a) fasquia de madeira,
em forma de bordão,
presa por uma correia ao
pulso, empregada para
esbordoar os escravos e
depois substituída pelo
relho
(b) tira de coura com que
se açoitam os animais.
Kim ritaka estaca
Fasquia de madeira em
forma de bordão e
presa ao pulso por uma
correia.
A origem é
controvérsia e a
datação é de
1899.
447.Tacho: uma panela
grande onde se prepara as
iguarias das festas afro; ou
alguém que é cara de pau.
Ex.: Olha a cara de tacho
dele!
[∪ταΣο]
Recipiente de ferro,
cobre, alumínio, barro
etc., com asas ou de
cabo, us. esp. para fins
culinários;
Registro
histórico 1574-
1590.
448.Tanga: tapa sexo;
qualquer pano para tampar as
partes genitais.
[»ta)
N
gå]
tanga
(a) tapa-sexo, qualquer
pano para tapar as partes
genitais
(b) calção de banho
(c) parte inferior do
biquíni
Kik-Kim ta
N
ga tapa-sexo
Espécie de lençol
enrolado ao corpo us.
por negros que
chegavam ao Brasil
como escravos
O registro
histórico é de
1789; quimb.
tanga ou ntanga
'pano, capa'
120
449.Tapiri: casa.
[ταπι∪Ρι]
Palhoça, choupana
construída para abrigar
provisoriamente
seringueiros, lavradores
etc.
O dicionário diz
ser do tupi; a
datação é de
1928.
450.Tata: tratamento
respeitoso que serve para
avó, avô.
[»tatå]
tata, tatá
(a) pai
(b)tratamernto respeitoso,
título equivalente a ogã
Kik-Kim taata pai, título
honorífico
No candomblé de rito
angola e das seitas
umbandistas por ela
influenciadas , título de
chefe de terreiro ou do
chefe de um conjunto
de templos. Na cabula,
denominação das
entidades cultuadas.
No Guaporé o
tratamento é
para os mais
antigos. O
dicionário atesta
como sendo do
quimbundo
451.Tibum: referente a
mergulho, uma queda na
água.
[tSi»bu)]
tibum
onomatopéia referente ao
mergulho, a uma queda
n´água
Kik tibu onomatopéia
referente à ação de cair
na água, de mergulhar
Ruído produzido da
queda de algo na água.
452.Tijuco: lama.
[tΣι∪Ζυκο]
Lugar de solo mole.
Charco, pântano,
atoleiro.
A datação é de
1585 e o
dicionário diz ser
provavelmente
do tupi.
453.Tipóia: tira de pano que
se prende ao pescoço para
descansar o braço
machucado.
[tSi»pojå]
tipóia
(a) suporte de rede
(b) rede pequena para
dormitório de criança
(c) lenço ou tira de pano
que se prende ao
pescoço para descansar
braço ou mão doente
Kik-Kim
kipoji, tipoji rede
Palaquim de rede.
Rede pequena.
O dicionário diz
ser de origem
africana. E a
Datação é de
1584.
454.Titica: coisa pouca;
merda de galinha.
[tSi»tSikå]
titica
(a) merda, excremento de
aves
(b) coisa sem valor
(c) “titica de galinha” =
dito com desprezo sobre
alguém ou alguma coisa
Kik-Kim tiitika, matika
Excremento, esp. de
aves; caca;
pessoa ou coisa
insignificante,
desprezível, ruim,
repulsiva
O registro
histórico é de
1899 e o
dicionário diz ser
provavelmente
africana.
455.Toba: ânus.
[»tobå]
toba
ânus
Kik-Kim mutu
m
ba
Ânus. Segundo
Nascentes a
etimologia é tupi.
456.Trelaram: transaram.
121
[τΡΕ∪λαΡã]
457.Trelê: transar, fazer
amor. “Vamos trelê?”.
[τΡε∪λε]
No dicionário tem
treler que significa
mostrar-se metido
458.Treleção: transação.
[τΡελε∪σãυ]
459.Tribufu: negro feio e
mal encarado.
[tΡιβυ∪φυ]
Pessoa feia
Sem datação e
sem registro
histórico.
460.Trisquim: um
bocadinho; de leve.
[τΡισ∪κι(⊃]
461.Truvisca: bêbada mas
não muito; a pessoa está
meia lá meia cá.
[τΡυ∪∪ϖισκ ]
462.Tubiá: queimar,
ascender fogo.
[tubi»Ja]
tubiá
(a) fogo
(b) candeeiro, fogão
(c) quente, claro, aceso
(d) queimar, acender o
fogo
Kik tuia
Kim tubia
463.Tutu: feijão cozido,
engrossado com farinha.
[(∪tutu]
tutu
(a) papão, ente
imaginário que
amedronta crianças,
freqüente em acalantos e
contos populares
(b) feijão cozido,
engrossado com farinha,
toucinho de porco e
carnes salgadas
(c) mandachuva,
fanfarrão, gabola
(d) dinheiro
(a) Kik-Kim kitutu
(b) Kik-Kim tutu
(c) Kik
n
tutu
(d) Kik tu
n
tu abundância
de qualquer coisa
Iguaria de feijão
cozido, misturado
com farinha de
mandioca ou de
milho; ungui, ungüi
O registro é de
1899, e o
diconário diz que
talvez seja
quimbumdu.
464.Umbanda: religião
afro-brasileira.
[u)
m
»ba)ndå]
umbanda
(a) religião afro-brasileira
que surgiu no século XX
com assimilação de
elementos do espiritismo
kardecista e do
catolicismo
Religião nascida no Rio
de Janeiro, entre o fim
do sXIX e o início do
sXX, que originalmente
congeminava
elementos espíritas e
bantos, estes já
O registro
histórico é do
séc. XX, e o
dicionário diz ser
do quimbundo.
122
(b) por extensão,
bruxedo, magia branca
quimbanda, embanda,
imbanda
(a) curandeiro, vidente,
ocultista, sacerdote de
macumba
(b) feitiço (pejorativo)
(c) feiticeiro
Kik-Kim-Umb
ba
n
da tabu, coisa
sagrada, bruxedo
> ba
n
dala invocar os
espíritos, suplicar
Kik-Kim ki
m
ba
n
da
Umb ovi
m
ba
n
da
plasmados sobre
elementos jeje-iorubas,
e hoje apresenta-se
segmentada em
variados cultos
caracterizados por
influências muito
diversas (p.ex.,
indigenistas,
catolicistas, esotéricas,
cabalísticas etc.)
465.Uruca: má sorte.
[uRuk ]
O dicionário
registra urucá
que é uma
espécie de
chocalho
indígena.
466.Urucubaca: jogar uma
macumba, ou azar.
[uRuku»bakå]
urucubaca
má sorte, azar
Kik lukubuka
Má sorte no que se
faz ou intenta;
ziquizira.
O registro é do
séc. XX.
467.Urupá: azar.
“Eu estou com urupá hoje”.
[υΡυ∪π ]
Indígena pertencente
ao grupo dos urupás
O registro é do
séc. XX.
468.Urupim: recipiente
contendo os restos das
oferendas feitas para as
divindades.
[υΡυ∪πι(⊃]
469.Vara-pau: cf. galalau
[ϖαΡα∪παω]
123
470.Vatapá: prato típico da
cozinha afro-brasileira.
[vata»pa]
vatapá
prato típico da cozinha
baiana, espécie de purê
de farinha de mandioca
ou pão de véspera, leite
de coco, zeite-de-dendê,
amendoim, gengibre e
castanha de caju, ralados
ou moídos,
tradicionalmente feito
para acompanhar o
caruru
Kik
v
w
ata
m
pa < ki
n
ta
m
pa
plural:
matampa : papa ou
vasilha de papas
Kim kitaba papas
Fon vEtEba papas
preparadas com dendê
Iguaria muito
apreciada, que tem por
base pão amolecido (ou
farinha de trigo) a que
se acrescentam carne
de peixe desfiada,
camarão fresco,
camarão seco e
temperos, como sal,
gengibre, coentro,
cebola, leite de coco,
amendoim e castanha-
de-caju, torrados e
moídos, além de azeite-
de-dendê e pimenta-
malagueta, que pode
ser oferecida em molho
à parte
O registro é de
1899 e o
dicionário diz ser
de origem ioruba.
471.Viramundo: nome de
exu.
[viRa»mu)
n
dU]
viramundo
(a) nome de Exu
(b) grilhão de ferro,
pesado, com que se
mantinham presos os
escravos
Kik
n
dZila
m
bo
n
do o
grilhão do caminho
No dicionário “vira-
mundo”: espécie de
pesado grilhão de ferro
com que se prendiam
os pulsos ou os
tornozelos dos escravos
negros; entidade dos
candomblés de caboclo.
Viramundo é
prov. calque de
uma expressão
que qualfica exu.
472.Votias: notícias.
[votΣιασ]
473.Vou montar: vou
embarcar.
[ϖουµο(<∪τ ]
474.Vuvuvu: briga,
confusão; apressado.
[vuvu»vu]
vuvuvu
pressa em fazer alguma
coisa
Kik-Kim vuvu
No dicionário tem
VuVu que significa:
instrumento de
percussão de origem
africana us. nos
ranchos de reis que
parece fazer soar a
palavra vu; confusão.
475.Xangô: orixá dos raios e
dos trovões.
[Σα((<∪γο]
Orixá ioruba dado
como o quarto rei
(lendário) de Oyo, na
Nigéria, cuja epifania
são os raios e os
trovões
O registro
histórico é do
séc. XX.
476.Xaque-xaque:
Um instrumento
124
instrumentos musicais de
negros africanos.
[Σα∪κΙΣα∪κΙ]
tipo o chocalho.
477.Xaxaxá: uma dança
latino-americana.
[ΣαΣα∪Σα]
478.Xequerê: instrumento
musical dos negros.
[Seke»Re]
xequerê
instrumento musical dos
negros
No dicionário
“xequeré”:
Instrumento musical,
outrora us. nos
candomblés.
Segundo
Cacciatore, ior.
xekere 'id.'; a
datação é do séc.
XX.
479.Xereca: vulva, partes
genitais da mulher.
[Se»rekå]
xereca
vulva
Kik kileka
Genitália feminia. O registro é de
1960 e o
dicionário diz ser
de origem
obscura.
480.Xingar: insultar:
ofender.
[Si)
N
»ga]
xingar
insultar, ofender com
palavras, injuriar
Kik-Kim si
N
ga
Agredir por meio de
palavras insultuosas,
injuriosas; ofender,
descompor, destratar,
afrontar
O registro é do
séc. XVII, e o
dicionário diz ser
do quimbundo.
481.Xinxar: puxar o cabelo
de outra pessoa.
[Σι(<Σ ]
482.Xirimbau: cavalheiro
das danças.
[ΣιΡι(⊃∪βαυ]
483.Xixia: merda de galinha.
[∪ΣιΣι ]
484.Xodó:
amante;namorado.
[So»dç]
xodó
(a) namoro, paixão,
apego, chamego
(b) namorado
Kik luzolo,
n
zolo
Kim kizola, kizodi
Fon-Ewe xo)to) amante,
amigo
Indivíduo com quem
se estabelece um
vínculo amoroso;
namorado, amante
O registro é de
1902.
485.Xibiu: cf. xereca
[Σι∪βιυ]
486.Xota: cf.xereca
[∪Σ τ ]
487.Xoxota: cf. xereca
[Σ ∪Σ τ ]
125
488.Zabumba: tambor de
madeira, grande e comprido.
[za)
m
»bu)
m
bå]
bumba,
(a) pancada, surra
(b) tambor, bombo
zabumba
(a) bombo
(b) conjunto instrumental
popular no nordeste do
Brasil, constituído de
pífanos, caixa e bombo
bumbá
(a) surrar, espancar, bater
(b) tocar, bater o bombo.
(a) Kik
n
za
m
buma tambor de
madeira, muito grande e
comprido
(b) Kik
zu
n
za
m
buma fazer
música com muito ruído,
com tambo
Kik bu
m
ba bater
Sonoridade provocada
por pancada ou batida
O registro é de
1721, e o
dicionário diz ser
de origem
controvérsia.
489.Zangar: andar ao acaso
ou irritar-se.
[»za)
N
gå]
zanga
(a) irritação
(b) briga
Kik-Kim
n
za
N
ga,
n
za
n
du
zangar
(a) irritar-se, aborrecer-se
(b) provocar mau-humor
Causar mau humor a;
amolar, irritar
A datação é de
1789.
490.Zanzar: vagar; andar
sem rumo.
[∪ζã<ζ ]
Andar ao acaso. Orig.duv.; do
quimb. nzanza
'altura, elevação',
ou do quimb.
anzenza, pl. de
munzenza
'ingênuo,
estúpido', ou
ainda do cinianja
kutsantsa
'descansar depois
do trabalho'; o
registro é de
1899.
491.Zinga: vara comprida
usada pelos canoeiros.
[∪ζι(<γ ]
vara comprida com
que se impulsiona
embarcação miúda
(canoa, jangada etc.)
em águas rasas;
O dicionário diz
ser de origem
controvérsia; a
datação é de
1899.
126
492.Zinim: partes genitais
da mulher.
[zi»ni)]
zinim, jeni, jinim
partes genitais da mulher
Kik
n
zini,
n
dZini vagina
493.Ziquizira: urucubaca.
[ζικιζιΡα]
Azar; urucubaca. A datação é de
1950.
494.Zonzeira:
atordoado; vertigem;
desorientado.
[»zo)
n
zειΡ ]
zonzo
atordoado, tonto,
distraído
Kik-Kim ki
n
za
n
zu
Tomado por tonteira,
vertigem; com a mente
ou os sentidos
perturbados; aturdido,
desnorteado,
desorientado.
A datação é de
1899.
495.Zonzo: atordoado,
zonzo.
[»zo)
n
zU]
zonzo
atordoado, tonto,
distraído
Kik-Kim ki
n
za
n
zu
zonzar
ficar zonzo, sentir
zonzeira
Kik za
n
za Kim
n
zana
andar em estado de
êxtase
Com a mente ou os
sentidos perturbados;
aturdido, desnorteado,
desorientado.
A datação é de
1899.
496.Zumbi: alma errante,
fantasma que vagueia.
[zu)
m
»bi]
zumbi,
(a) alma errante,
fantasma que vagueia
em casa altas horas da
noite
(b) pessoa de hábitos
noturnos
zumbi, cazumbi
(c) pessoa muito magra e
pálida
(d) líder da República de
Palmares, o
Gangazumbi, sucessor
de Gangazumba
(a-b) Kik
m
vu
m
bi
(c) Kik ka
m
vu
m
bi
(d) Kik
n
zumbi auxiliar,
ajudante
canzumbi, cazumbi
alma penada, de outro
mundo
Kim ka
n
zu
m
bi
Alma que vagueia a
horas mortas; cazumbi
A datação é de
1681. O
dicionário diz ser
do quimbundo.
497.Zunzum/zunzunzum:
barulheira, boato.
zunzum, zunzunzum
(a) barulheira
Boato. A datação é de
1771.
127
[zu)
n
»zu)]
(b) boato
Kik kizu
n
zu +
onomatopéia portuguesa
Utilizamos dois dicionários eletrônicos: Aurélio e Houaiss. Verificamos a
datação pelo dicionário Houaiss, pois é mais completo que o Aurélio.
Nas lexias encontradas entre os descendentes de quilombolas do Guaporé que
constam do Dicionário de Bantuísmos de Jean Pierre Angenot e Geralda de Lima V.
Angenot, algumas tem significados diferentes no Guaporé. Podemos supor que as lexias
que possuem a mesma forma, mas conteúdo semântico diferente, integraram o
vocabulário dos quilombolas vindo de fontes diferentes; podemos também pensar que a
origem seria comum, e que foi mantido a semântica em alguns grupos e outros se
distanciaram do sentido, perdendo o conteúdo semântico de origem e criando um novo.
Em lexias como “abancar”, “aca” e outras, a forma é a mesma e a semântica
difere. Então, nos perguntamos: Será que não seria uma palavra com a mesma forma e
com origem em outras línguas? Trata-se de palavras com origem diferente que no
contato de línguas se misturaram e se transformaram numa só. São casos de
coalescência.
Levaram-se em conta nesta pesquisa os diversos marcos temporais da
colonização do Brasil e dos contatos de línguas africanas com o português. Existem
vocábulos de origem africana que entraram no português antes mesmo da chegada dos
português no Brasil ( confere datação de cacimba, bunda e caçamba).
Algumas lexias como “auê” e outras, nós questionamos o dicionário em relação
a semântica, pois no Brasil inteiro o significado é “confusão”. Então, consideramos um
lexia pan-brasileira.
Temos ainda uma vasta pesquisa a ser feita, pois estamos, como foi dito
anteriormente, na ponta de um “iceberg”. Por exemplo, em “babaca” a datação dada é
128
simplesmente o registro da escrita, enquanto que provavelmente esta lexia fazia parte
do PVB muito mais tempo. Por isso, faz-se necessário uma pesquisa para
procurarmos cognatos nas línguas africanas, pois se existirem os cognatos,
estabelecidos conforme os procedimentos rigorosos da lingüística histórica, teremos
demonstrado a procedência destas lexias.
Em “balangandã” o dicionário diz ser de origem onomatopéica, no entanto, a
semântica nos leva à origem africana; sendo assim, a origem africana é mais provável
do que aquela dada pelo dicionário.
Estas reflexões nos levaram a propor uma série de quadros específicos que estão
a seguir:
3.2 Quadros específicos
a) Prováveis lexias africanas: em relação ao étimo das palavras que possuem
provável origem africana é necessário um estudo mais complexo para atestar se é
um vestígio banto: não existe ainda nenhuma fonte confiável onde possamos obter
tal informação. Mostraremos aqui apenas uma lista lexical uma vez que
mencionamos o significado no quadro acima.
1. abancar 51. cafuza/cafuzo 101. malafa/malofo
2. aca 52. calango/calangro 102. malungo
3. aluá 53. calombo/catombo 103. mandinga
4. angu 54. calundu 104. marafo/marufo
5. anjico/angico 55. cambondo 105. marinbondo
6. aringa 56. candomblé 106. maxixe
7. auê 57. canjica 107. miçanga/buginganga
8. babá 58. canzuá 108. mocambo
9. babaça 59. canzumbi/zumbi 109. mocotó
10. bamba 60. capanga 110. molambo
11. bambi 61. capuco 111. moleque
12. bangola 62. careca 112. mona
13. bangüê 63. carimbo 113. moqueca
14. banguela/banguelo 64. caruru/cariru 114. moringa
129
15. bangulê 65. catitá 115. muamba
16. banto 66. catoco/cotoco 116. mucama
17. banzar 67. caxambu 117. mucamba
18. banzo 68. caxinga/catinga 118. mucambo
19. baranga 69. caxixi 119. mumbica
20. batucajé 70. caxumba 120. munguzá/muncunzá
21. batuque 71. chimpanzé 121. muvuca
22. bengo 72. cochilar 122. na
23. berimbau 73. cochilo 123. pacaia
24. bimba 74. congo 124. pito
25. binga 75. cuca 125. quenga
26. bobó 76. curau 126. quiabo
27. boboca 77. curinga 127. quiabo
28. bobocona 78. dendê 128. quilombo
29. borocotó/brocotó 79. dengo/dengue 129. quilombola
30. borocoxô 80. dunga 130. quimbanda
31. bozó 81. encabular 131. quindim
32. bumba/bumbo 82. engabelar 132. quitanda
33. bundá 83. fiofó/fio 133. quitute/quitutinho
34. burdun/budum 84. fubá 134. quizumba
35. cabaço 85. fungar 135. sacana
36. cacaio 86. furdunço 136. samba
37. caçamba 87. fuzuê 137. sanzala
38. cacarucaia/cacurucai 88. gangá 138. senzala
39. cachimbo 89. gunga 139. sunga
40. cachimbá 90. jagunço 140. tanga
41. cacimba 91. jiló 141. tata
42. caçuloa/caçulo 92. jinga 142. tipóia
43. cacunda 93. jira 143. titica
44. cafanga 94. jongo 144. tutu
45. cafiote 95. lamba 145. umbanda
46. cafofo 96. lundum/lundu 146. vatapá
47. cafua 97. macamba 147. xequerê
48. cafuçu 98. maconha 148. xingar
49. cafundó 99. macumba 149. zanzar
50. cafuné 100. mafuá 150. zumbi
b)Lexias encontradas no Guaporé que não estão inclusas nos dicionário pesquisados,
nem no Dicionário de Bantuísmos, tanto em relação a semântica quanto ao fato de
estarem registradas nos dicionários. Algumas delas fogem muito da semântica da
primeira datação registrada. É um fato a ser pesquisado. Não descartamos a
130
possibilidade de que essas palavras ou expressões existam em outras comunidades.
Ou que são derivadas de palavras galegas, do tupi, banto etc...
1. ãã
2. alossé
3. aquá
4. Batiduro: bater duro?
5 beradeiro
6 berimbelos
7 bugerê
8 buiu
9 carité
10
catitá
11
catiteira
12
Choradinho: dança
13
Chorado: dança
14
Coisar (?)
15
curiá
16
curiacuca
17
dendegê
18
desileiado
19
difruso
20
Folhado: gaiato
21
Gômito: vômito
22
gratificação
23
istúcia
24
Luático: vem de lua?
25
Maria Isabel: charque com arroz
26
massassá
27
mazuca
28
mocambar
29
nasurdino
30
pancoso
31
Pau-de-nego: um peixe
32
Perdi: deixei
33
Piranha-moura
34
poeirismo
35
povil
36
quariterê
37
quenta
38
quirera
39
ramalhetas
40
sirimão
41
suan
42
surdão
43
trelaram
131
44
trelê
45
uruca
46
urupim
47
votias
48
Xaque-xaque
49
xinxar
50
xaxaxá
51
xirimbau
52
xixia
c. Lexias encontradas no Guaporé e no Dicionário de Bantuísmos
1 aburicá
2 angolê
3 avuro
4 biringa
5 branda
6 brucutar
7 burdun
8 buzum
9 cajirê
10
camburi
11
caxingá
12
dindim
13
gorô
14
Maria Padilha
15
moito
16
mufufa
17
Olelê, olalá
18
quimba
19
sambalelê
20
tubiá
21
urupá
22
xangô
23
zinim
24
ziquizira
3.3 Expressões encontradas
1) Bolão de barro (mulher gorda). Esta expressão foi dita para mim pelo informante
quando eu perguntei como era sua esposa. Em seguida ele respondeu: - Bolão de
132
barro. E continuou dizendo que eu não servia para casar com ele, pois mulher
“bolão de barro” era seu tipo.
2) Cabeça louvando a Deus – criança que nasce com a cabeça comprida.
3) Cacunda-de-pé (chute). “Vou te dá uma cacunda-de-pé”.
4) Cara-de-tacho. Pessoa que é de má aparência.
5) “Hoje eu vou comer um suan” (parte do dorso do boi).
6) “Vou te dar uma dor em pito”. Vou chamar tua atenção.
7) Fazer manga (voltar pelo mesmo caminho). “Vai, mas você vai ter que fazer
manga”.
8) Feijão com corredor (feijão com osso da canela do boi).
9) Foi embora (morreu). “Minha mulher foi embora”.
10) Maria Isabel (charque com arroz).
11) Pau de nego (rubafo).Nome de um peixe.
12) Pra frente (pessoa enxirida).
3.2 Os dados levantados e a relação de referência para os pretos
28
do Guaporé:
Os pretos do Guaporé têm uma relação significativa com cultura e religião e
cada palavra possui uma importância muito grande neste relacionamento. Os pretos do
Guaporé são muito religiosos e é essa qualidade que, basicamente, comanda a vivência
entre as famílias e as divindades cultuadas. Eles se reconhecem como descendentes de
escravos e os mais velhos fazem questão de cultivar as tradições.
Para eles, a palavra “morte” não deve ser pronunciada. Ao chegarmos à casa de
um dos informantes perguntamos sobre sua esposa e ele disse: “Ela foi embora
29
”,
28
Nenhum dos informantes gosta de ser chamado de “negro”. Preto para eles é símbolo de raça
verdadeira. Nego é para quem não assume sua identidade.
133
ficamos muito triste e perguntamos por que ela o tinha abandonado, sua bisneta nos
interrompeu e disse que ele não podia falar a palavra morte. Pronunciar esta palavra é
atrair maldição para sua vida. E quando se tem notícia que alguém morreu é necessário
falar “Afu/ave, ou desconjure”. Eles preferem pensar que um dia ela voltará do que
pensar que nunca mais a verá.
Podemos notar, ainda, que a África é muito presente no cotidiano dos pretos do
Guaoporé. As comidas e bebidas são de suma importância na relação com a divindade
cultuada. Chegamos à casa dos informantes e observamos que toda a família estava ali
cozinhando para receber o “Divino”. Receber o Divino é tão importante quanto ser
escolhido como o Apóstolo Remeiro. Cozinhavam num buraco no chão com muita
lenha dentro. Eles sempre estão muito unidos nos afazeres, conservando o que Lourdes
Bandeira diz sobre a convivência em grupo, que foi a parte primordial para a
sobrevivência dos mesmos.
O que vida aos pretos do Guaporé são as significações que cada palavra tem
para eles. Não é uma mera palavra é muito mais que isso. Não é um apelido
“buiu”, “pichilinga”, mas é a história que tem por detrás dos nomes, como é o caso
destes apelidos. Cultuam o anonimato, aquilo que nós não podemos saber, como o que
está por detrás das rezas, do cajirê”. A nós é permito chegar até certo ponto. Existem
coisas que vão morrer com eles. O que entendemos dessa atitude? Que o que nós não
podemos saber é para os “pretos” escravos e descendentes de escravos, ou seja, para
os membros da comunidade que mantém a cultura. Esse “segredismo” tem raízes
culturais, mas é devido também a descriminação: essas coisas são “escondidas” porque
os brancos não respeitam “as coisas dos pretos”, etc... Este seria um tema para outro
tipo de pesquisa.
29
Informante A.
134
Considerações Finais
Podemos dizer aqui que o contato lingüístico-cultural entre os povos de
diferentes origens que se tornaram presentes no Guaporé está explícito nos elementos
que compõem o léxico, que é a parte da língua que esta mais aberta a entrada de novos
elementos, podendo assim aumentar seu leque de informações. Nos levantamentos
feitos verificamos que, para a maioria das lexias, faltam ainda muitas informações
confiáveis para se chegar a conclusões válidas a respeito de suas origens, o que é
compreensível, uma vez que sabemos da resistência ideológica de nossa sociedade à
valorização da influência africana na formação da cultura brasileira. Com a comunidade
do Guaporé não foi diferente. Apesar da riqueza lingüística e cultural dessa comunidade
somente agora esta começando a despertar o interesse científico pelos valiosos
conhecimentos seculares.
As lexias levantadas refletem as condições sócio-históricas do Guaporé e
levantam questionamentos como: é africana ou ameríndia? Vem das línguas românicas?
O que não se pode contestar é a afirmação de que, por parte das línguas africanas, as
línguas banto foram as mais importantes no processo de configuração do perfil do
português brasileiro, devido à Antigüidade e superioridade numérica de seus falantes e
135
a grandeza da dimensão, no tempo e no espaço, alcançada pela sua distribuição
humana no Brasil colonial
30
”.
Assim, acreditamos que para um melhor estudo das lexias que não são de origem
românica, e/ou que não constam das variedades do português trazidas para o Brasil
pelos colonizadores, é indispensável uma pesquisa séria referente a busca de possíveis
cognatos dessas formas léxicas, com objetivo de encontrar a etimologia ou pelo menos
informações mais fiáveis; e tal aplicação deveria ser feita tanto com enfoque nas línguas
ameríndias como nas africanas, assim contribuindo para a elaboração de um dicionário
etimológico sério do português do Brasil, que ainda não existe e portanto dificulta
nossas pesquisas.
30
Yeda Pessoa de Castro. A matriz africana no português do Brasil. Artigo. Pg 108-109.
136
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