3- Levar o praticante a estágios psicológicos positivos, pelo caráter
hedonístico, por estar sempre ligada ao prazer.
4- Propiciar ao praticante estímulos para o exercício e desenvolvimento da
criatividade até sua plenitude.
5- Ser escolhida de acordo com os interesses comuns dos participantes de
cada grupo nas sociedades organizadas nos níveis econômicos, sociais,
políticos e culturais em geral” (p. 16-17)
Assim, é preferível, ao invés de tentar caracterizar artificialmente cada
uma das suas esferas, entendermos Lazer e Recreação como outro grupo de estudiosos o
faz, dentre eles Pinto (1992), para os quais Lazer e/ou Recreação representam espaços
privilegiados para a vivência do lúdico
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. Dessa forma, os termos lazer e recreação são
bastante abordados conjuntamente, sendo compreendidos como uma área de
conhecimento “cuja preocupação central é a vivência de conteúdos culturais que
possibilitem ao sujeito experienciar o lúdico em sua vida” (p. 291). Os dois termos são
concebidos com o mesmo sentido conceitual.
Da mesma forma, Marcellino, (2000, p. 3), ao abordar o assunto,
baseia-se em Dumazedier, explicitando que Lazer e Recreação, inicialmente se
apresentavam como atividades distintas, sendo que o primeiro era visto como o tempo
onde a segunda ocorria; porém, hoje, a recreação é considerada um componente do lazer
e significa criar de novo, recriar, dar vida nova, com mais vigor. Assim o autor, nos
seus escritos, prefere usar Lazer/Recreação ou simplesmente lazer
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Quais os elementos que caracterizam esse componente lúdico? HUIZINGA ( ), encontra-os no jogo, e o
descreve como: [...] uma atividade livre, conscientemente tomada como “não-séria” e exterior à vida habitual, mas ao
mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total. É uma atividade desligada de todo e qualquer
interesse material com a qual não se pode obter qualquer lucro, praticada dentro de limites espaciais e temporais
próprios, segundo uma certa ordem e certas regras. Promove a formação de grupos sociais com tendência a rodearem-
se de segredo e a sublinharem sua diferença em relação ao resto do mundo por meio de disfarces ou outros meios
semelhantes (Idem, p. 16). Porém, essas características não se encontram somente no jogo, mas também no
brinquedo, na brincadeira, na festa, e até mesmo na esfera das obrigações, em algumas oportunidades. Desse modo,
para o efeito do nosso estudo, optamos por uma abordagem do lúdico não “em si mesmo”, ou de forma isolada nessa
ou naquela atividade (brinquedo, festa, jogo, brincadeira, etc), mas como um componente da cultura historicamente
situada, que encontra no lazer, na nossa sociedade, um espaço privilegiado para a sua manifestação, exatamente, pelo
lazer permitir, mais do que outras esferas de atuação humana, oportunidades de expressão autônoma e livre
(MARCELLINO, 1999).
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O lazer é entendido aqui “... como a cultura - compreendida no seu sentido mais amplo - vivenciada (praticada ou
fruída), no ‘tempo disponível’. É fundamental, como traço definidor, o caráter ‘desinteressado’ dessa vivência. Não
se busca, pelo menos basicamente, outra recompensa além da satisfação provocada pela situação. A ‘disponibilidade
de tempo’ significa possibilidade de opção pela atividade prática ou contemplativa” (MARCELLINO, 1987, p. 31).
A noção de cultura deve ser entendida em sentido amplo, consistindo “... num conjunto de modos de fazer, ser,
interagir e representar que, produzidos socialmente, envolvem simbolização e, por sua vez, definem o modo pelo qual
a vida social se desenvolve (Carmém Cinira MACEDO, 1982, p.35). Implica, assim, no reconhecimento de que a
atividade humana está vinculada à construção de significados que dão sentido à existência. A análise da cultura, pois,
não pode ficar restrita ao “produto” da atividade humana, mas tem que considerar também o “processo dessa
produção”- “o modo como esse produto é socialmente elaborado” (Idem).