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ou entre a verdade e o erro... Nietzsche, de outro modo, diz que o homem faz arte
para não ter que morrer por nenhuma “verdade”, ou seja, para viver pela
necessidade real de criar. Viver do necessário, pensar problemas, afirmar a
criação.
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Pesquisar como uma atividade filosófica, implica produzir conceitos e
não aplicar conceitos prévios ou extraídos de outros domínios (como acontece
com a pedagogia quando se alia à psicologia ou à sociologia), exige a fabricação
de conceitos em ressonância e em interferência com as artes, as ciências, a
filosofia, o que implica que o pesquisador não seja aquele guerreiro armado com
alguma teoria prévia e sim um experimentador que ajuda a formular novos
problemas, ou que sugere novos conceitos.
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Delimitamos a nossa problemática discutindo alguns conceitos da filosofia de
Nietzsche e operando com eles por meio de “deslocamentos”
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para o campo da
educação, buscando um plano de constituições ou de emergências, a partir do qual
pudemos criar conceitos-ferramentas, conceitos-dispositivos.
Em A B C Dario Deleuze, na letra A, Deleuze reflete sobre a noção de território.
Mostrando que este só vale em relação a um movimento através do qual se sai dele. Ou
seja, um esforço para sair do território ao qual foi criado, desterritorialização, e de se
reterritorializar em outra parte. Assim, pode ser conceituada uma nova noção.
Digo para mim, criticam os filósofos por criarem palavras bárbaras, mas
eu, ponha-se no meu lugar, por determinadas razões, faço questão de refletir sobre
essa noção de território. E o território só vale em relação a um movimento através
do qual se sai dele. É preciso reunir isso. Preciso de uma palavra, aparentemente
bárbara. Então, Félix e eu construímos um conceito de que gosto muito, o de
desterritorialização. Sobre isso nos dizem: é uma palavra dura, e o que quer dizer,
qual a necessidade disso? Aqui, um conceito filosófico só pode ser designado por
uma palavra que ainda não existe. Mesmo se se descobre, depois, um equivalente
em outras línguas. Por exemplo, depois percebi que em Melville, sempre aparecia
a palavra: outlandish, e outlandish, pronuncio mal, você corrige, outlandish é,
exatamente, o desterritorializado. Palavra por palavra. Penso que, para a filosofia,
antes de voltar aos animais, para a filosofia é surpreendente. Precisamos, às vezes,
inventar uma palavra bárbara para dar conta de uma noção com pretensão nova. A
noção com pretensão nova é que não há território sem um vetor de saída do
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COELHO LISBOA, Ivair. Deleuze se entregou aos movimentos infinitos. In: Cadernos Transdisciplinares.
Coordenação do Grupo de Estudos Transdisciplinares. Cid Vieira Cortez – Rio de Janeiro: UERJ, Instituto de
Psicologia, Grupo de Estudos Transdisciplinares, 1998, p.17.
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TADEU, T.; CORAZZA, S.; ZORDAN, P. Pesquisar o Acontecimento: estudo em XII exemplos, op. cit.,
2004, p. 25.
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Em “Deleuze & a Educação”, Silvio Gallo propõe, como exercício de pensamento, operar por deslocamentos.
Ele toma os conceitos de “Filosofia”, “Literatura menor”, “Rizoma” e “Sociedades de Controle”, de Deleuze,
deslocando-os para o campo da educação.