
92
substituição dos quadros de giz por quadros brancos; remuneração dos servidores estaduais;
paralisações e greves; negociação com governos de pauta de reivindicação, entre outros
aspectos.
Muito já se falou sobre a notícia de jornal
29
e não nos caberia aqui pretender
qualquer definição mais elaborada desse gênero. Basta-nos acrescentar ao que foi dito
acima o fato de que a notícia estabelece como estatuto legítimo entre os falantes uma
posição privilegiada do enunciador-jornalista frente aos fatos e aos comentaristas
autorizados desses fatos
30
.
2.2.4 Gênero Cartaz publicitário
31
Observamos a ocorrência de dois cartazes publicitários, ambos vinculados a editoras
de livros didáticos. Este gênero pressupõe um enunciador que tenha um produto ou um
serviço a oferecer e um co-enunciador que se convença da necessidade ou desejo de
adquirir um produto ou fazer uso do serviço oferecido.
29
A esse respeito, consultar estudo minucioso realizado em manuais de redação e estilo de dois jornais
distintos, bem como suas propostas acerca de possíveis definições para os gêneros jornalísticos a partir de
uma perspectiva discursiva em Sant’Anna (2004).
30
Ao discutir as formas de apropriação do empírico pela imprensa escrita, Sant’Anna (2004) destaca
a existência de tensão entre informar e/ou opinar, o que levaria a um cruzamento dos atos de fala. Por outro
lado, ao tratar o jornal como suporte, é possível notar diferentes posições enunciativas sendo assumidas, o
que, do ponto de vista macro, se caracterizaria como marca de heterogeneidade (Sant’Anna, 2004).
A autora passa, a partir dos aspectos levantados anteriormente, a procurar diferenciar o jornal de
outras práticas linguageiras. Para isso, chama a atenção para a discussão de definição do jornal como gênero
ou não.
“As restrições que a empiria impõe na caracterização do enunciador, do público-genérico, das
formas de circulação, do suporte – bem como da distribuição interna que o organiza, definindo a paginação,
os temas, os recursos verbais e não-verbais –, fazem-nos retornar à questão anterior, de saber se o jornal é
um gênero” (Sant’Anna, 2004, p. 134).
Essa discussão acerca da existência de um gênero jornalístico leva à consideração de que, quando se
pretende informar ou opinar, esse gênero se atualiza de forma independente. A autora considera ser possível
identificar as coerções genéricas em dois planos:
• as características do suporte, que determinam uma certa organização de qualquer elemento que
venha a ser atualizado num determinado veículo, e que estariam ligadas a um nível superior de discurso
jornalístico, no qual se constata uma separação muito clara entre informar e opinar;
• o plano dos textos em estudo, os gêneros notícia, editorial e artigo –, isto é, as atualizações
efetuadas, por meio do suporte, como a forma concreta de operacionalizar as coerções da ordem abstratas
do nível superior, nas quais se constata que a separação entre opinar e informar não se dá de modo tão
óbvio como se poderia esperar (Sant’Anna, 2004, p. 135).
É interessante notar, portanto, que a referida autora irá definir notícia em contraposição ao artigo e ao
editorial, como “textos informativos em sentido lato (...), que não se pretendem opinativos, podendo ter ou
não autoria definida” (Sant’Anna, 2004, p. 147).
31
Os enunciados relativos aos cartazes publicitários constam no Anexo 1. Embora tenham circulado em meio
impresso, dado seu tamanho equivalente a duas folhas de A3, não conseguimos fazer cópia dos cartazes.
Assim sendo, registramos os enunciados constantes neles e os transcrevemos para o anexo desta dissertação.