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indicava um. Aqui, por exemplo, nós usamos muito, principalmente quando eu
criei o exame de admissão. Outro problema meu. Passou três anos. O curso de
admissão, aqui não tinha exame não. Aí me deram, era o curso mais moderno
ginásio do Piauí foi o nosso, durante três anos. Um belo dia chegou aqui, fui
abrindo a porta, foi entrando a senhora Delfina Borralho Boavista mais um
cidadão que eu não conhecia. Recebi, até me espantei, seis horas da manhã.
Isso no mês de agosto, eu me lembro muito bem que era o período – pensei
até que tavam visitando era por causa da festa, festa de agosto -, me disseram
que tinham um problema e que eu iria resolver esse problema. Aí quem falou
foi o representante da Secretaria de Educação e disseram o seguinte: que o
nosso pré-ginásio, foi assim que nós batizamos, pré-ginásio, ginásio, pré-
ginásio. Nós já tínhamos quatro turmas. Três em União e uma em David
Caldas e estávamos criando uma em Novo Nilo. Quando veio a bomba: fechar,
porque estava criando problema em todo o estado. Parnaíba, Campo Maior,
Piripiri, Floriano, todo bicho queria implantar o pré-ginásio e o estado não teria
condições de arcar com as despesas. Se criar essa leva, para o ano vai ser
outra leva. Vamos acabar com o exame de admissão. Aí eu disse: mas não é
possível. O senhor tem carta branca, resolva como quiser. Chamei a dona Bibi,
Chamei a Concebida, chamei a Teresinha, filha da dona Bibi, chamei a menina
do Chico Irene que era lá de David Caldas. Expliquei a situação, façam o
possível, não deixem ninguém fora, vamos reprovar quando tiver na primeira
série. Se nós deixarmos esses alunos fora, não vamos criar problema pra eles.
Vão mudar de um sistema para outro completamente diferente. Só aqueles que
tiverem reprovados por falta, mas o resto é para aprovar todo mundo. E assim
nós encerramos o ano e encerramos o pré-ginásio e aprovamos todos os
alunos que estavam com freqüência normal. Tiramos apenas aqueles com
freqüência anormal. Desapareceu o pré-ginásio, sendo de União, porque os
outros municípios queriam o pré-ginásio igual o de União.
O ensino antigamente se não era melhor, pelo menos se exigia mais. Se não
era melhor, a exigência era maior. Eu não vou dizer que era melhor, porque os
programas geralmente são programas padronizados, não é. São programas
padronizados. Então, se são programas padronizados, variam de acordo com
quem desenvolve tal programa. O professor é a viga-mestre daquele programa.
É verdade que muitos casos, naquela época, era mais fácil se cumprir do que
hoje. Hoje, há uma liberalidade excessiva, um negócio assim fora do rumo.
Aqui e acolá, durante mais de vinte anos que eu estive no ginásio eu peguei
muita incompreensão de aluno, às vezes de pai de aluno. Mas isso é coisa
natural, porque, quando entrava um pai de aluno, você tinha, em primeiro lugar,
de fazer mais ou menos o cálculo.
Você sabe que essa questão, tudo na vida, todo trabalho é uma questão de
início. Quer dizer, eu desde o inicio, eu comecei a pautar a disciplina que o
aluno compreendeu. Quem nos criava problema era o elemento que vinha de
fora. O elemento que vinha de fora, geralmente, aqui e acolá, nos criava
problema. Mas os daqui, eles já estavam bitolados, já estavam treinados
naquilo. Quer dizer, o professor entrava, o aluno levantava, sentava, por uma
questão de respeito. Hoje, praticamente não se faz nada disso. Tudo é uma
questão de começo. Quer dizer, aquilo padroniza. Cria uma espécie de
jurisprudência a respeito, de modo de ação a respeito. Se perder o fio da
meada, o negócio dificulta, dificulta, dificulta muito. Você veja, por exemplo, a