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RESUMO
Dissertação de Mestrado
Programa de Pós-graduação em Distúrbios da Comunicação Humana
Universidade federal de Santa Maria
HIPERMOBILIDADE ARTICULAR GENERALIZADA EM INDIVÍDUOS COM
DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR
AUTORA: FERNANDA PASINATO
ORIENTADORA: ELIANE CASTILHOS RODRIGUES CORRÊA
COORIENTADORA: ANA MARIA TONIOLO DA SILVA
Data e Local da Defesa: Santa Maria, 01 de março de 2010
A disfunção temporomandibular (DTM) abrange uma variedade de problemas clínicos
que atingem a articulação temporomandibular, músculos mastigatórios e estruturas
associadas. A hipermobilidade articular generalizada (HAG) é uma condição sistêmica que
tem sido considerada como fator contribuinte para o desenvolvimento de sinais e sintomas da
DTM, porém, não existe um consenso sobre essa relação. Este estudo teve como objetivo
verificar a prevalência de HAG em indivíduos com DTM e assintomáticos e sua relação com
aspectos clínicos/psicossociais e a atividade elétrica dos músculos mastigatórios. Foram
avaliados 61 voluntários do gênero feminino (34 indivíduos com DTM e 27 assintomáticos),
com idades entre 18 e 35 anos, diagnosticados com e sem DTM pelo Inventário Critérios de
Diagnóstico para Pesquisa de Desordens Temporomandibulares (RDC/TMD). Os
participantes foram avaliados quanto à presença HAG pelo Escore de Beighton. O exame
eletromiográfico dos músculos masseter e temporal anterior foi realizado, bilateralmente, em
situação de repouso mandibular, máxima intercuspidação e mastigação. Verificou-se
presença de HAG em 64,71% indivíduos com DTM e 40,74% no grupo de assintomáticos. Foi
observada correlação positiva moderada entre os escores de HAG e a amplitude de abertura
bucal passiva (p=0,0034), com dor (p= 0,0029) e sem dor (p=0,0081) no grupo com DTM.
Neste grupo, os indivíduos com HAG apresentaram maiores valores de amplitude de
movimento mandibular, exceto para a protrusão. Houve amplitude de abertura com dor
(p=0,0279) significativamente maior no grupo com DTM e HAG. Múltiplos diagnósticos
estiveram presentes na maioria dos indivíduos com DTM, sendo que todos apresentaram dor
miofascial e 91,12% algum comprometimento articular, especialmente artralgia (79.41%).
Desordens discais estiveram presentes em 41% dos sujeitos. Elevados percentuais de
depressão e sintomas físicos não específicos foram observados em indivíduos com DTM,
independente da presença de HAG. Na avaliação eletromiográfica, observaram-se maiores
níveis de atividade elétrica de repouso dos músculos temporais em relação aos masseteres
nos indivíduos com DTM, com significância estatística para o músculo temporal esquerdo
(p=0,0352). Os voluntários com DTM e HAG apresentaram maiores valores de RMS dos
músculos mastigatórios em relação aos indivíduos sem hipermobilidade, com valores em
níveis de hiperatividade para os músculos temporais e significância estatística para os
músculos masseter direito (p=0,0232) e esquerdo (p=0,0129). Na mastigação, maior atividade
EMG foi registrada no grupo controle, com diferença significativa para o músculo temporal
direito (p=0,0286), porém não houve diferença significativa quanto à presença de HAG. A
partir destes resultados, conclui-se que indivíduos com DTM associada ou não à HAG não
diferem quanto aos aspectos clínicos e psicossociais avaliados, exceto quanto à amplitude de
movimento de abertura mandibular. A atividade elétrica parece ter sido influenciada pela
HAG. O nível mais elevado de atividade elétrica de observada nos sujeitos com HAG sugere
que a instabilidade articular possa levar à dificuldade na modulação da contração muscular
para manutenção da posição de repouso mandibular.
Palavras-chave: desordem temporomandibular, hipermobilidade, eletromiografia.