14
credos religiosos. Assim, ―hibridação‖ seria o termo mais apropriado para tratarmos de
mesclas inter-culturais.
Portanto, vale enfatizar, uma vez mais, que o objeto de análise desse trabalho está
mais associado ao que chamamos, no parágrafo anterior, de mesclas inter-culturais, tendo
em vista as línguas. Está, pois, distante desta pesquisa qualquer análise acerca da origem
das palavras ou da formação de neologismos nas línguas espanhola e inglesa.
Assim sendo, os estudos teóricos desta dissertação procuram vincular-se à seguinte
definição de ―hibridação‖:
Encaremos, entonces, la discusión epistemológica. Quiero reconocer que ese
aspecto fue insuficientemente tratado en mi libro Culturas Híbridas. Los debates que
hubo sobre esas páginas, y sobre los trabajos de otros autores, citados en este nuevo
texto, me permiten ahora elaborar mejor la ubicación y el estatuto del concepto de
hibridación en las ciencias sociales. Parto de una primera definición: entiendo por
hibridación procesos socioculturales en los que las estructuras o partes discretas, que
existan en forma separada, se combinan para generar nuevas estructuras, objetos y
prácticas. A su vez, cabe aclarar que las estructuras llamadas discretas fueron
resultado de hibridaciones, por lo cual no pueden ser consideradas fuentes puras
(CANCLINI, 1999, p. 14).
Como é possível observar na citação anterior, o termo ―híbrido‖ é objeto de debate
por apresentar diversas acepções em diferentes meios. O próprio autor Canclini precisou
retomar a definição da palavra em outro livro e reforçar sua ideia de híbrido, a fim de evitar
interpretações equivocadas. É, portanto, necessário esclarecer de que maneira a expressão
―híbrido‖ se relaciona com a presente dissertação.
A definição escolhida por Canclini poderia ser utilizada nas mais diversas áreas, tais
como a ciência, a linguística e a alimentação. Cabe-nos, pois, a indagação: o que não seria
híbrido? As oposições só existem porque há o diferente, o diferente existe porque há o
outro, pois se não existisse o outro não seria diferente; portanto as oposições se completam
e, por se completarem, dão origem ao híbrido. Mas, se tudo é híbrido, é porque as coisas
existem em formas separadas, podendo ser combinadas para gerar o novo. Em uma de
suas resenhas, o autor português, que se identifica por ―NMCS‖ que traz uma reflexão sobre
o uso do termo híbrido que vem de encontro com a afirmação anterior:
Num mundo saturado de fenómenos híbridos, que parecem desafiar e transgredir
constantemente as fronteiras que a modernidade nos legou e a partir das quais nos
habituamos a pensar a realidade, oposições como natureza/cultura, estado/sociedade
civil, humano/não-humano, natural/artificial, erudito/popular, elite/massas,
masculino/feminino, centro/periferia, ciência/arte fazem parte do vocabulário que nos
foi legado e que nos permitiu a construção de categorias de visão e divisão do mundo
e da sociedade. Mas isto não significa que o mundo da modernidade seja um mundo
à medida destas formas de visão e divisão, uma vez que o mundo moderno sempre
produziu seres e objectos híbridos, transgrediu as fronteiras expressas por dicotomias
como as que foram mencionadas, mas acompanhou-as sempre por processos de
purificação, que permitiam restituir os seres e objectos ao seu lugar próprio nessas