
brasileiro ou retornados da experiência de seringueiros, após o período de grande
exploração do extrativismo da borracha na Amazônia (Conceição, 1990, p. 266),
formando-se assim a raiz do campesinato Bragantino.
“A Bragantina pela proximidade da capital, esteve a salvo do isolamento que marcou tantas outras
experiências de colonização, sobretudo as dos núcleos coloniais em outros pontos do país por ter sido
beneficiada pela existência da Estrada de Ferro e pela proximidade de Belém”(Conceição, 1994, p.50).
O objetivo principal da colonização dirigida era o incremento da produção agrícola,
através da implantação de novas técnicas de cultivo trazidas pelos europeus, para suprir às
necessidades dos moradores da Província e os trabalhadores dos seringais, porém o
governo teve que se contentar com a farinha de mandioca, produzida, principalmente, por
nordestinos, utilizando-se técnicas tradicionais, semelhantes às utilizadas pelos nativos da
região (Egler, 1961; Conceição, 1990).
Com a utilização do “aviamento
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”, houve uma concentração da riqueza na exploração
do látex nos seringais, deixando os seringueiros cada vez mais miseráveis e descontentes com
esta situação. Com a crise do extrativismo da borracha
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a partir de 1910 (Conceição, 1990;
Homma, 2000), estes seringueiros foram abandonando a extração, obrigando o governo a
implantar uma política de distribuição de terras nas vilas formadas entorno da Estrada de
Ferro de Bragança (EFB). As famílias recebiam lotes de 24 ha, com objetivo de produzir para
o consumo e vender o excedente (Conceição, 1990; Egler, 1961). Tal política, fez com que a
região Bragantina se tornasse a mais populosa do Pará na década de 50.
No período compreendido, entre os anos de 1960 e meados de 1980, com a escassez
das matas, os agricultores, pressionados pela formação de grandes áreas de pasto, passaram a
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Relação de produção existente entre o seringalista (aviador) e o seringueiro (aviado) que consistia no
fornecimento dos gêneros alimentícios, vestuários, utensílios domésticos e instrumentos de trabalho pelo
seringalista em troca da produção de látex realizada pelo seringueiro. Esta relação dava-se de forma
monopolizada, onde o seringueiro mantinha-se prisioneiro do seu próprio processo de trabalho, realizado através
do endividamento com o seringalista (Carvalho, 1984).
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Ressalta-se que o período o qual ocorreu o extrativismo da borracha nesta região, diferencia-se histórica e
sociologicamente do processo de exploração de borracha na Área da empresa Paracrevea Borracha Vegetal S/A,
não havendo neste estudo uma correlação entre os dois momentos distintos.