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A seguir, Gadamer ocupou-se com a compreensão, entendendo que é realizada pelo
intérprete, que possui uma história de vida e, por isso, atualiza a interpretação, compreen-
dendo um sentido pela fusão dos horizontes. Logo, a interpretação insere-se num contexto
onde o intérprete está em condições de, por meio de suas pré-concepções, compreender e
interpretar. Isso porque, quando interpreta, está compreendendo e para compreender preci-
sa ter uma pré-compreensão, ou seja, para uma adequada compreensão necessita ter uma
base prévia que a possibilite.
Dessa forma, busca-se pelo estudo da obra Verdade e método: elementos fundamen-
tais de uma hermenêutica filosófica
17
, de Hans-Georg Gadamer, refletir sobre a hermenêu-
tica filosófica e sobre o campo educacional. Esse desafio se justifica mediante a possibili-
dade de contribuir na reflexão sobre a fundamentação dos modelos educacionais.
A hermenêutica filosófica, segundo nossa compreensão, está muito longe de ser
considerada uma teoria fundamentada no princípio sine qua non, pois simpatiza muito
mais com o princípio da aglutinação;
18
portanto, procura considerar a contribuição do outro
pela fusão dos horizontes, que se dá pelo diálogo vivo entre os sujeitos. O diálogo entre os
seres abre espaço para humanizar o processo educativo, para desenvolver cada ser, respei-
tar as particularidades e procurar compreender o ser humano dentro de sua complexidade.
Trata-se de uma teoria bem diferente das teorias oriundas do iluminismo e do positivismo,
que simplificam e reduzem o ser humano a objeto.
Ao investigar a temática da hermenêutica filosófica e da educação encontramos vá-
rios outros estudos relacionados, fato que exige a consideração das contribuições de auto-
res como Flickinger
19
, Hermann
20
, Mühl
21
, Dalbosco
22
, entre outros. Os autores, cada qual
17
Para uma questão metodológica, a partir deste momento em diante a obra Verdade e método: elementos
fundamentais de uma hermenêutica filosófica passaremos a designá-la para simplesmente Verdade e méto-
do. Utilizaremos a edição da obra em Língua Portuguesa, cuja tradução da Língua Alemã é de Flávio Paulo
Meurer, das editoras Vozes e São Francisco, publicada no ano de 1997, a qual consta nas referências bibli-
ográficas no final desta dissertação.
18
Ao mencionarmos os princípio sine qua non e aglutinação, os compreendemos como opostos, pois, o pri-
meiro prima pela exatidão e exclui tudo aquilo que não se enquadra, isto é, admite, apenas, o sim e o não,
ou, o certo e o errado, o segundo, amplia os horizontes e procura agregar e unir duas premissas. Assim,
somos levados à compreensão de que a hermenêutica filosófica de Gadamer simpatiza mais com o segun-
do, enquanto que o primeiro tem sido mais adotado pela ciência positivista.
19
FLICKINGER, Hans-Georg. Pedagogia e hermenêutica: uma revisão da racionalidade iluminista. In:
DALBOSCO, Cláudio A. (Org.). Filosofia prática e pedagogia. Passo Fundo: UPF Editora, 2003. p. 46-
59.
20
HERMANN, Nadja. Hermenêutica e educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
21
MÜHL, Eldon Henrique. Hermenêutica e educação: desafios da hermenêutica na formação dialógica do
docente. In: MÜHL, Eldon H. (Org.); ESQUINSANI, Valdocir (Org.). O diálogo ressignificando o cotidi-
ano escolar. Passo Fundo: UPF Editora, 2004. p. 38-51.
22
DALBOSCO, Cláudio A. Incapacidade para o diálogo e “fazer pedagógico”. In: SARAIVA, Irene S.
(Org.); WESCHENFELDER, Maria H. (Org.). Sala de aula: que saberes? que fazeres?. Passo Fundo: UPF
Editora, 2006. p. 154-182.