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e aprender a continuar a se desenvolver depois da escola" (PIAGET, 1983, p.225
apud ZORTÉA; HESS, 2010, p.1).
Os jovens da atualidade estão cada vez mais se marginalizando diante da
falta de oportunidade de uma vida digna. Estão perdendo a admiração pela vida,
pela dignidade humana. Muitos nem ao menos conhecem o sentido do valor da
dignidade humana. Hoje, mais do que nunca, é preciso incorporar em cada disciplina
o mérito pela cidadania assim como também realizar oficinas pedagógicas de
Direitos Humanos nas escolas (BARCELOS, 1992).
O respeito é condição para se estabelecer um elo entre educação e
desenvolvimento social e humano, assim sendo, quando JE relata que existem
professores ruins, declara logo em seguida que mesmo com a presença desse tipo
de professores, a qualidade da relação que os mesmos possuem com seus alunos,
não impede que os alunos tirem boas notas.
E nessa relação harmoniosa entre projeto, escola e família, os pais de
JEF... (AN – Mãe; IO – Pai) são unânimes em afirmar que o projeto tem auxiliado na
transformação dos comportamentos de seu filho:
Olha eu acho assim. Na hora em que ele começou a participar deste projeto, ele
não é um menino assim que dê trabalho, ele melhorou muito mais, ficou mais
responsável com suas coisas. No dia de treino sem eu chamar ele acorda, eu fico
até impressionada. Gosta muito dos colegas, dos companheiros, melhorou na
escola, muito mesmo, que as notas dele são de 07 para cima, 08, 09, 10, tem o
boletim para aprovar e ele mesmo se incentivou, ele foi o primeiro a gostar, ele
gosta muito, disso aí, do professor Moisés, antes era o professor Júnior, que
aconteceu aquilo com ele, ele ficou muito triste, ele chorou até aqui para a gente,
ele viu um vídeo do professor Júnior e ele disse para nós que ele não conseguia
assistir todo, ele gostava muito do professor Júnior. O professor Júnior foi o
primeiro que deu oportunidade para ele jogar, jogou um jogo todinho e então ele
sentiu muito. A primeira vez ele sentiu muito a falta do professor Júnior, depois ele
foi com o professor Moisés, ele foi conversando, mas eu vou dizer uma coisa para
o senhor é nota dez, o projeto na vida do meu filho melhorou 100%, não que ele já
fosse um menino rebelde, sempre foi um ótimo menino, mas o projeto ajudou mais
ainda para ele pensar mais lá na frente, ele sempre diz “mãe se depender de mim
eu vou ser um bom jogador” e vai ser tudo melhor, porque ele pensa sempre na
família, então eu vou comprar uma casa para a senhora eu sendo jogador de
futebol. [...] Olha o esporte está na nossa família, tanto do lado da mãe dele, eu fui
jogador profissional, só não fiz carreira porque eu era funcionário do [Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial-]SENAI, e aí não podia seguir a carreira
como jogador de futebol, mas o irmão dela era um dos maiores atletas do estado
do Maranhão que era o Joãozinho Neri, muito conhecido. O pai dela foi jogador de
futebol lá em Belém-Pa, o Tenente Neri, era militar e todos nós vivemos
“arrudiado” pelo esporte. O JE, o quê, que eu busquei no projeto da Polícia Militar,
a disciplina militar, não, como a mãe dele falou, ele fosse um menino rebelde, mas
que continuasse buscando aquela disciplina, como eu vi no exército, eu queria que