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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE
CENTRO DE HUMANIDADES
UNIDADE ACADÊMICA DE SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
FAMÍLIA, PODER LOCAL E DOMINAÇÃO
Um estudo sobre os processos de disputas políticas da(s)
família(s) Ernesto-Rêgo em Queimadas-PB
JOSÉ MARCIANO MONTEIRO
ORIENTADORA: DRA. ELIZABETH CHRISTINA DE
ANDRADE LIMA
CAMPINA GRANDE – PB
Março – 2009
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JOSÉ MARCIANO MONTEIRO
FAMÍLIA, PODER LOCAL E DOMINAÇÃO
Um estudo sobre os processos de disputas políticas da(s)
família(s) Ernesto-Rêgo em Queimadas-PB
Texto apresentado ao Programa de
Pós-Graduação de Ciências Sociais da
Universidade Federal de Campina
Grande, em cumprimento às
exigências para obtenção do título de
Mestre em Ciências Sociais.
CAMPINA GRANDE – PB
Março – 2009
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MONTEIRO, José Marciano.
FAMÍLIA
, PODER LOCAL E DOMINAÇÃO
: um
estudo sobre os processos de disputas políticas entre a(s) família (s) Ernesto-
Rêgo em Queimadas/Paraíba. José Marciano Monteiro. Campina Grande, 2009.
168p.
Inclui Bibliografia
Orientadora: Profa. Dra. Elizabeth Christina de Andrade Lima
1. Relações de Poder 2. Poder local 3. Família 4. Habitus Político.
UFCG
CDU
TERMO DE APROVAÇÃO
JOSÉ MARCIANO MONTEIRO
FAMÍLIA, DOMINAÇÃO E DISPUTAS
Um estudo sobre os processos de dominação e de disputas políticas da(s)
família (s) Ernesto-Rêgo em Queimadas/Paraíba.
Dissertação apresentada para defesa em ____ de abril de 2009 em cumprimento
às exigências para a obtenção do grau de Mestre em Ciências Sociais, junto ao
Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de
Campina Grande, pela seguinte banca examinadora:
____________________________________________
Profª. Dra. Elizabeth Christina de Andrade Lima
ORIENTADORA
____________________________________________
Profª. Dra. Mércia Rejane Rangel Batista
EXAMINADORA INTERNA
____________________________________________
Prof. Dr. Roberto Véras de Oliveira
EXAMINADOR INTERNO
____________________________________________
A definir
EXAMINADOR EXTERNO
D
EDICO ESTE ESTUDO
:
A minha avó paterna Eudocia Souto Vélez
E ao meu avô materno Manoel Teófilo da Silva
(ambos in memoriam).
A todos os professores/educadores que
contribuíram para minha aprendizagem.
AGRADECIMENTOS
A caminhada foi bastante árdua no que diz respeito aos passos realizados por mim,
para que aqui pudesse chegar. Muitos obstáculos foram superados. Muitas noites foram
minhas companhias, mas não só elas, os autores com seus textos também me foram
companhias. Mas, além destes, tive também, nesta trajetória, companheiros, diria, pessoas
amigas que me orientaram no decorrer da construção desse texto, com sugestões, opiniões e
dicas, cito aqui, Elizabeth Christina de Andrade Lima, carinhosamente, Bebety, orientadora
e amiga, pessoa humana que muito contribuiu e tem contribuído para a minha formação
profissional e humana, a quem agradeço profundamente. Aos professores Mércia Batista e
Roberto Véras, a minha profunda admiração enquanto profissionais e seres humanos que
respeitosamente fizeram sugestões e me apontaram caminhos quando da defesa do texto
para Exame de Qualificação.
Este texto, portanto, embora escrito por mim, nele se encontram falas, vozes e
palavras de muitos. Muitos que, embora o saibam, sem eles, não seria possível realizar
este trabalho. Refiro-me as pessoas que me concederam o espaço nos seus lares, abrindo
suas portas, para que eu pudesse registrar suas memórias. Agradeço profundamente aos que
através de suas lembranças, recordações e memórias, possibilitaram-me o consentimento de
entrevistá-los: Williams dos Correios, Paulo de Américo, Edmundo da Silva, Poeta
Kabôclo, João Vitorino, Albertina de Souza Andrade, Antônio Carlos Ferreira Lopes,
Antônio Olímpio de Arruda, Maurício da Silva Xavier, Francisco de Assis Pereira, Maria
das Neves de Lima, Wilson Gomes da Silva, Maria Dulce Barbosa, Cecília Correia Lima,
José Cruz Herculano, Everaldo Alves, Marizabel Toscano de Oliveira, Saulo Leal Ernesto
de Melo, Tereza Leal Ernesto Amorin e José Vital Figueiredo (in memoriam), este último,
amigo que me cedeu a visitação à sua biblioteca particular para que eu pudesse realizar as
minhas pesquisas documentais, e que tão logo ao concluí-las, fiquei sem o seu convívio
sempre amigo.
Não poderia deixar de mencionar os meus agradecimentos àqueles que sempre
estiveram me dando força na construção deste trabalho. Aos meus amigos João Cutia,
Danilo Raimundo e José Ezequiel, professor, que, além de terem me concedido entrevistas,
promoveram profícuos diálogos e conversas, nos bares do município de Queimadas, nos
finais de semanas.
Meus agradecimentos também se direcionam ao corpo docente deste mestrado, que
contribuíram para a minha formação, e aos funcionários que tão bem me atenderam quando
precisei de esclarecimentos sobre alguma dúvida de ordem administrativa. A Rinaldo,
funcionário competente do mestrado vai aqui os meus registros de agradecimentos. A Ruy e
Armany, que sempre me atendeu respeitosamente em seus ambientes de trabalho. A todos
que diretamente ou indiretamente contribuem para o êxito desta instituição, funcionários,
docentes e discentes.
Finalizo, portanto, meus agradecimentos, aos meus pais, José Velez Monteiro e
Maria José Monteiro, pelo apoio, embora com muitas dificuldades, mãe acordando cedo
para fazer tapioca para que meu pai pudesse vender para ajudar nos meus estudos. Com o
esforço destes dois e com a coragem e a vontade de superação que os mesmos têm, é que
consegui alcançar mais uma etapa em minha vida. Mas não poderia deixar de agradecer
também aos meus irmãos Marcia Manuela Monteiro, Flávia Morgana Monteiro e Marlon
Luã Monteiro e o meu sobrinho Kaio Monteiro Silva, a quem carinhosamente tenho
profunda admiração pelo exemplo de família que estamos construindo.
A minha noiva, Kaline, pela compreensão das vezes que não pude ir a sua casa nos
finais de semana, por estar lendo algum texto ou mesmo escrevendo este trabalho. A dona
Anastácia sua mãe, que tem sido pra mim, uma outra mãe, e ao meu cunhado Kleiton, pelos
nossos momentos de diversão, registro aqui meus agradecimentos.
Desculpe-me se faltei mencionar alguém, mas segue, embora não citando o nome,
os meus profundos agradecimentos.
RESUMO
A presente dissertação tem por objetivo analisar os discursos e as práticas que permitiram a
perpetuação do poder local da família Ernesto-Rêgo no município de Queimadas PB.
Analisa o exercício do domínio político por mais de quatro gerações no município e as
razões pelas quais a política queimadense, desde o seu processo de emancipação, tem
apresentado em suas disputas eleitorais ao cargo executivo, uma forte presença e definindo,
a seu favor, a continuidade do poder no interior do grupo familiar ou de seus prepostos.
Objetiva-se responder às seguintes questões: Através de que práticas se instituíram tal
dominação? Qual a origem genealógica dessa família e seus ramos parentais? Quais as
formas ou maneiras dessas famílias realizarem as ações políticas locais? Para responder a
estas questões, em termos metodológicos, fez-se uso do trabalho de campo e da história
oral, recorrendo principalmente, à memória, através de entrevistas abertas; outra fonte de
pesquisa foram os jornais, vídeos e pesquisa bibliográfica. E como fio teórico condutor da
análise, a abordagem de Pierre Bourdieu, a partir de sua proposta de Sociologia da Prática,
pautada na noção de campo, habitus e capitais, atravessa todo o texto analítico. O texto
assim, discorre sobre a genealogia desta família, tentando compreender os capitais que,
historicamente, foram sendo construídos. E associado a isto, a dominação política que esta
família foi exercendo através dos capitais construídos historicamente e das práticas e ações
desenvolvidas localmente. Capitais estes que estão relacionados ao “nome da família”, a
posse de terras, as práticas e ações que dizem respeito às relações de compadrio e as trocas
de favores na sociedade queimadense. Desta feita, constatou-se que a dominação política
local se estabelece a partir das ações de dependência construídas por aqueles que são
detentores de um maior quantum de capital possível em relação àqueles que são
desprovidos de capital. Fato que permite concluir que a dominação política exercida por
esta família a partir das relações de compadrio e das relações de favores, é quem constroem
os laços sentimentais e pragmáticos que ligam as pessoas à liderança, e a dependência
política se traduz na triste frase “eu devo favor”, o que significa uma forma de gratidão,
uma dívida cujo preço é a fidelidade sem limites, que pode resultar na possibilidade
constante de subordinação pessoal e familiar, ou seja, na mais profunda violência
simbólica.
Palavras chaves: Relações de Poder; Poder local; Família; Habitus Político.
ABSTRACT
The present dissertation objectives to analyze the discourses and the practices that allowed
the perpetuation of local power of the family Ernesto-Rêgo in the city of Queimadas - PB.
Analyzes the exercise of politic domain extended for more than four generations in the city
and the reasons why politic of Queimadas, since its process of emancipation, has presented
on its electoral disputes for executive loads, an strong presence and defined on its favor, the
continuity of power in the interior of familiar groups or its functionaries. We objective to
answer the following questions: Which practices instituted this domination? What are the
genealogic origin of this family and its parental branches? How does this family realizes
local politic actions? To answer these questions, in methodological terms, we did a camp
work and oral history, appealing mainly to memory, through open interviews; another font
of researches were the newspapers, videos and bibliographic research. And conducing this
analyze, the boarding of Pierre Bourdieu, from his propose of Sociology of Practice,
following the notions of campo, habitus e capitais, pass through the analytic text. The text
discuss about the genealogy of this family, trying to understand the capitais that
historically, were being build. And, associated to this, the politic domination that this
family was doing through capitals historically constructed and the practices and actions
developed locally. These capitals are related to “family name”, land ownership, the
practices and actions that are related to proximal relationships and exchanged favors on the
society. We contacted that local politic domination is established from actions of
dependency built for those who detain the biggest quantity of possible capital in relation to
that who are disproved of that. Fact that allows to conclude that politic domination exerted
for this family of proximal relationships and favors relationships, build sentimental bows
and pragmatics that link people to leadership, and political dependency is traduced in the
sad statement: “I must reattribute a favor”, what means a way of gratitude, one bill that
price is the fidelity without limits, that can result on the possibility of personal
subordination and familiar, that is, the deepest symbolic violence.
Key words: Power Relations; Local Power, Family, Habitus Politic
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................12
a) Um pouco de história pessoal ...............................................................................12
b) Apresentando o objeto de estudo .........................................................................15
CAPÍTULO I – DISCUSSÃO TEÓRICA E CAMINHOS DA PESQUISA..................20
1.1. Algumas questões teóricas ............................................................................................20
1.2. A vigilância epistemológica: a construção do objeto e a instituição de um novo
olhar. .........................................................................................................................25
1.3. Passos metodológicos para um exercício do “olhar” sobre o “outro” na sociedade do
pesquisador ...............................................................................................................29
1.4. Apontamentos sobre as técnicas utilizadas na pesquisa e a metodologia da história
oral.............................................................................................................................31
CAPÍTULO II – HISTÓRIA LOCAL, FAMÍLIA E PODER........................................35
2.1. A história contada..........................................................................................................35
2.2. O espaço local construído pelas relações de poder........................................................39
2.3. A genealogia política dos Heráclio-Ernesto-Rêgo.........................................................42
2.4. A família no Poder e o poder da família........................................................................46
CAPÍTULO III TRADIÇÃO FAMILIAR E DOMINAÇÃO NA POLÍTICA
LOCAL ...............................................................................................................................51
3.1. Do Coronel Chico Heráclio ao Major Veneziano .........................................................51
3.2. O fazer político de Carlos Ernesto ................................................................................63
3.2.1. Relações de “favores”, relações de “compadrio” e dominação.......................63
3.2.2. Dádiva e troca de favores................................................................................76
3.2.3. Troca de favores, jogos sociais e violência simbólica.....................................82
3.2.4. O padrinho político..........................................................................................87
CAPÍTULO IV – TRAJETÓRIAS, RITUAIS E DISPUTAS POLÍTICAS..................95
4.1. Pelas trilhas históricas dos agentes políticos .................................................................95
4.1.1. A trajetória política de Sebastião de Paula Rego ...........................................95
4.1.2. A trajetória política de Saulo Ernesto ...........................................................106
4.2. Campo Político e Rituais .............................................................................................121
4.2.1. Campanhas franciscanas ...............................................................................121
4.2.2. O nascimento dos “showmícios” .................................................................132
4.3. Os discursos e os jogos de linguagem .........................................................................137
4.3.1. A Raposa e o Lagarteiro ...............................................................................137
4.3.2. O Matuto sabido e o Doutor .........................................................................143
CAPÍTULO V – CULTURA POLÍTICA ..................................................................
....150
5.1. Sobre uma possível nobreza no poder..........................................................................150
5.2. Cultura política e o habitus..........................................................................................154
5.3. Sujeição e morte da alteridade.....................................................................................157
CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................................161
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................163
ANEXOS............................................................................................................................169
12
INTRODUÇÃO
a) Um pouco de história pessoal
Resultado de vivências, experiências, vontades, desejos, angústias, emoções e
paixões, o presente estudo, surgem como produto do envolvimento que tive
teoricamente e empiricamente com os estudos da antropologia da política e da minha
inserção, desde cedo, no espaço da política local no município de Queimadas
1
.
Aos 18 anos de idade ocorreram os meus primeiros contatos com os textos das
ciências humanas, especificamente com os textos de antropologia e de política, esta
combinação, deste o início do meu ingresso na Universidade Federal de Campina
Grande, já me acompanhava, se tornando uma das minhas paixões. Posteriormente, com
a minha inserção junto ao Programa de Educação Tutorial PET à época, Programa
de Especial de Treinamento veio a contribuir e intensificar o meu interesse por
esses estudos.
Associado a isso, e também ainda aos 18 anos de idade, iniciava-se minha
participação política no município de Queimadas, cidade em que nasci e resido até hoje,
através da minha filiação junto ao Partido dos Trabalhadores (PT) vale salientar que
desde a minha infância fui envolvido com organizações sociais, particularmente aquelas
ligadas ao segmento religioso, cito a Pastoral da Juventude do Meio Popular PJMP ,
Grupo de Crisma, de Catecismo, enfim, desde criança sentia esta admiração pelo
campo político, ou com o que estivesse relacionado ao fenômeno do poder, mesmo que
entrecortado pelo campo religioso.
Mas foi o meu envolvimento e militância no Partido dos Trabalhadores que me
trouxe algumas questões, não tão formalizadas, mas questões que despertava o
interesse em compreender a vida política do município de Queimadas, a vida política
1
O Município de Queimadas pertence à região semi-árida do Nordeste brasileiro. Situado no Estado da
Paraíba, com uma área total de 399 km² o que corresponde a 0,68% da área do Estado da Paraíba. No que
diz respeito à localização geográfica, o município situa-se na Mesorregião do Agreste da Borborema, na
Microrregião de Campina Grande, conforme o IBGE. O município foi criado em 1961, pela lei 2.622
de 14/12/191, sendo instalado em 30/12/1961, até então, pertencia ao território do município de Campina
Grande.
13
local. Questões do tipo: Por que Saulo Ernesto
2
sempre sai candidato ao pleito
executivo para disputar com Sebastião de Paula go
3
ou com um candidato indicado
por este? Por que Tião apelido de Sebastião de Paula Rego é quem sempre indica o
sucessor, quando não é ele o candidato? Indagações como estas me despertavam o
interesse e a paixão, por assim dizer, pelo objeto que me proporia investigar anos mais
tarde. Além disso, no ambiente familiar, sempre ouvia comentários tais como: “se a
disputa não for Tião e Saulo Ernesto não tem graça”. Ou seja, os dois líderes dividiam o
município em termos de disputas e de grupos familiares a eles unidos.
Portanto, em Queimadas, cidade do interior da Paraíba, seria possível encontrar
um cenário ideal de disputas políticas, dois grupos que, hegemonicamente, disputavam
as eleições: o grupo ligado ao líder político Sebastião de Paula Rêgo, conhecido
popularmente por Tião, e o grupo ligado ao líder político Saulo Leal Ernesto de Melo,
conhecido popularmente por Saulo Ernesto.
Estas disputas me conduziram a querer entender o por quê destes dois grupos
disputarem o poder e não outros, aliás, o Partido dos Trabalhadores, partido do qual
pertencia à época, se constituía, na década de 1990, enquanto outro grupo político, mas
sem expressão, não era um grupo que se constituía hegemônico dentro deste campo
político, como fora o grupo ligado a Tião do Rêgo e o grupo ligado a Saulo Ernesto.
Posteriormente, a esta minha inserção e envolvimento na vida política local
através do PT, fui convidado no ano de 2003 para fazer parte do Partido Socialista
Brasileiro PSB mas ignorei o convite, e continuei no PT. As eleições municipais de
2004 se aproximavam e o PT, historicamente, no município de Queimadas, ainda não
havia conseguido eleger, sequer, um vereador, tendo mais de 16 anos de fundação no
município.
Este fato do PT não conseguir eleger um candidato ao cargo de vereador me fez
levantar alguns questionamentos no interior do Partido: qual o papel deste partido na
construção da sociedade queimadense? Afinal, um Partido que tem na presidência da
república um representante e que não consegue eleger sequer um dos seus candidatos a
vereador no decorrer dos 16 anos de fundação, tem alguma coisa de errado? Estes meus
questionamentos no interior do Partido causou certo mal estar, tendo em vista que
2
Saulo Ernesto vem de uma família tradicional local e é uma figura política de destaque no município de
Queimadas. Candidato a prefeito do município por cinco vezes, nos anos de 1976, 1988, 1992, 1996 e
2004, consegue no último pleito eleger-se prefeito do município.
3
Sebastião de Paula Rêgo é originário de uma família tradicional do município, a família Rêgo. Foi
candidato à vice-prefeito, foi vereador por dois mandados e prefeito três vezes.
14
afirmei, a época, que os culpados éramos nós que fazíamos o Partido e não nos
abríamos para o debate com outras forças políticas locais, estávamos agindo da mesma
maneira que os outros grupos ou organizações partidárias locais, ou seja, nos
apresentávamos à sociedade em períodos eleitorais e pior, não aceitávamos acordo com
nenhum grupo.
Mas quais forças, ou melhor, quais grupos políticos estavam no cenário? Os
grupos políticos ligados a Tião do Rêgo e a Saulo Ernesto. Mais uma vez, a
discussão/eleição se polarizaria entre esses grupos. Um outro candidato também se
apresentara na disputa política local, Ronaldo Lucena (PMN), filho de uma família
tradicional, mas inexpressiva em termos políticos, visto que saíra candidato várias vezes
e não passara de 500 (quinhentos) votos, ou seja, a mesma inexpressividade que o PT
apresentava nas eleições ao cargo majoritário. O PT em nenhuma das eleições que
disputou nas eleições majoritária conseguiu mais de 250 votos e na proporcional não
conseguia eleger nenhum representante para o legislativo. O que eu propus internamente
no Partido foi à abertura, em termos de diálogo com essas forças tradicionais da política
local, visto que não caberia mais ao PT lançar candidato à majoritária, mas sim eleger
um representante ao legislativo. Esta minha proposta dividiu o grupo do PT o que levou
alguns a afirmarem que “fazendo aliança com qualquer um dos grupos ligados a Tião do
Rêgo ou Saulo Ernesto” sairiam do Partido dos Trabalhadores.
Com esta postura assegurada pala maioria dos representantes, foi possível
realizar algumas “conversas” com essas forças tradicionais, mas nenhuma aliança
ocorreu com essas lideranças tidas como raposas velhas” da política local. A aliança
foi realizada com Ronaldo Lucena, o que mais uma vez confirmou a inexpressividade
dos dois grupos, posto que o citado candidato obteve apenas 133 votos nas eleições de
2004.
Com este resultado se confirmava o que, alhures, eu havia debatido no interior
do Partido. Saulo Ernesto é eleito com o apoio da máquina administrativa local, liderada
pelo Deputado Jacó Maciel, e ao assumir, me fez o convite para ser Chefe de
Departamento de Cultura. Aceitei o convite e a partir disso se deu, para mim, uma nova
fase de envolvimento com a política local de Queimadas.
Antes desse convite, até então, tive um “olhar de fora” da máquina
administrativa, agora, depois de inserido neste Departamento, fazendo parte da
Administração local, sou um agente que tenho um “olhar de dentro”, estou inserido no
próprio seio das decisões. A minha permanência neste cargo durou 02 (dois) anos.
15
Posteriormente, fui convidado a me filiar ao Partido Socialista Brasileiro PSB