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Univ ersidade Federal da Paraíba
Centro de Ciências Exatas e da Natureza
Programa de P ós-Graduação em Matemática
Curso de Mestrado em M atem ática
Extensões de Hom om orsmo s de
Subgrupos a Endomorsmos
do Grupo
por
Bruno Formiga Guimarães
sob orien tação do
Prof. Dr. AntôniodeAndradeeSilva
Dissertação apresentada ao Corpo Do -
cen te do Programa de Pós-G ra duação
em Matem á tica - CCEN - UFPB , como
requisito parcial para obtenção do tí-
tulo de M estr e em Matem á tica.
Fev ereiro/2010
João Pessoa - PB
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Univ ersidade Federal da P araíba
Cen tro de Ciências Exatas e da Natureza
Program a de Pós-G raduação em Matem ática
Curso de Mestr ado em Matem ática
Extensões de Hom om orsmo s de
Subgrupos a Endomorsmos
do Grupo
por
Bruno Formiga Guimarães
Dissertação apresentada ao C orpo Docente do Programa d e Pós-Gradu ação em Matemá tica -
CCE N -U FP B , com o requisito parcial para obtençã o d o título de Mestre em Matemática.
Área de Concen tração: Álgebra
Aprovada por:
Prof. Dr. AntôniodeAndradeeSilva- UFPB (Orien tador )
Prof. Dr. Orlando Stanley Juriaans -IME-USP
Prof. Dr. José Gom es de Assis -UFPB
Prof. Dr. Fernando Antônio Xavier de Sousa - UFPB (Suplen te)
Fev ereiro/2010
ii
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Agradecimentos
- A Deus, acim a de tudo, pois sem E le nada seria possível.
- Ao Prof. Dr. Antônio de Andrade e Silva, pela paciência, incentivo, amizade, com-
preenção e, principalm ente, por ter acreditado em mim quan do nem eu m esm o acr editava.
- Em especial a os meu s pais Guimarães e Nevinha e ao meu irmão Arth u r que con tr ibuiram
decisivamente para minha form ação.
- A todos os colegas d o curso de mestrado, pelo incentivo e amizade.
- Em especial aos amigos Robson, Thiago, Roberto, Simeão, Juanice e Anselmo pela grande
amizade.
- A minha namorada Dan ielle Soares e ao seu lho L uc as pelo incentiv o , companheirism o,
carinho e principalmente por ter compreendid o toda minha ausência durante todo esse
período.
- Aos ex-professores da P ós-Graduação do Departam ento de Matemá tica da UFPB, pelo
conhecimen to transmitido.
- Ao meu Tio Assis que m e acolh eu durante todo esse período.
- Aos meus amigos de Campina Grande pelo incentivo e apoio que me deram para para
seguir este difícil cam in h o .
-ACAPESpelosuportenanceiro durante a realização deste trabalho.
-Porm agradeço a todas as pessoas que torceram por mim e que de alguma forma me
apoiaram nos meus estudos.
iii
Dedicatória
Aminhafamília.
É a ela que devo tudo.
iv
Resumo
Berth olf e Walls forneceram uma caracterização para a classe de grupos quasi-injetivos
nito s. Além disso, Juriaans, Basto s e Azevedo dão um a classicação para os grupos do tipo
injetivo, os quais são uma classe distinta da anterior apesar de serem bastan te próximas.
Palavras chave: Grupo quasi-injetivo, injetivo, tipo inetivo, div isível, abeliano.
v
Abstract
Berth olf and Walls provided a characte rizat ion for the class of gr oups quasi-injec tive nite.
Furthermore, Juriaans, Bastos Azevedo and give a rating for the injective type groups, which
are a d istinct cla ss of the former despite being quite close.
Key-w ords: Quasi-injective group, injective, injectiv e type, divisible, abelian.
vi
Notão
G, H, . . . - Grupos
|G| - O rdem do Grupo G
[G : H] - Índice do Subgrupo H no Grupo G
|g| - Ordem do Elemento g de um Grupo
G
0
- Subgrupo Com u tador
[x, y] - Comutador de x e y
× - Produto Direto
o - Produto Semidireto
I -Identidade
Aut (N) - Conjun to dos Automorsm os de N
Inn(G) -ConjuntodosAutomorsmos In ternos de G
Ker (ϕ) -Núcleodeϕ
Im(ϕ) -Imagemdeϕ
Z(G) -CentrodeG
C
G
(H) - Centralizador de H em G
N
G
(H) - Normalizador de H em G
G
0
- Subgrupo Comutador de G
d (G) - Sub gr upo Divisível Ma xim a l de G
Fit (G) - Subgrupo Fitting de G
Frat (G) - Subgrupo Fratini de G
car - Característico
H
π
- π-subgrupo de H all
O
π
(G) - π-subgrupo Norm al M axim al de G
Q
8
-GrupodosQuatérniosdeOrdem8
C - Con jun to d os números complexos
Z - Conjunto dos meros inteiros
N - Conjunto dos meros naturais
R - Conjunto dos meros reais
T (G) - Subgrupo Torção
Z (p
) -GrupodePrüfer
h (g) - Altura Vetorial de g
t (G) -TipodeG
I -Identidade
' -Isomorfo
< - Subgrupo
C - Subgrupo Normal
vii
hSi - Subgrupo Gerado pelo Subconjunto S de um Grupo
-Paratodo
P
-Soma
viii
Sumário
In trodução x
1Preliminares 1
1.1 Produto direto de grupos............................... 1
1.2 Produtosemidiretodegrupos ............................ 2
1.3 Grupos abelianos . .................................. 5
1.4 Grupossolúveisenilpotentes ............................ 8
2Gruposinjetivos 15
2.1 Grupos divisíveis . .................................. 15
2.2 Grupos injetivos .................................... 19
2.3 Subgrupos puros . .................................. 24
3 Grupos quasi-injetivos nitos 26
3.1 Resultados básicos .................................. 26
3.2 Grupos quasi-injetivos ................................ 30
4 Gruposdotipoinjetivo 42
4.1 Resultados básicos .................................. 42
4.2 Propriedadesdosgruposdotipoinjetivo ...................... 44
4.3 Ocasoabeliano.................................... 46
Re fe rê ncias Bibliogr á cas 52
ix
Introdução
Histórico
A ideia d os g rupos injetiv os su rgiu com os módulos injetivos, pois qualquer grupo abeliano
éumZ-m ódu lo. Em 1940, Reinhold Ba er, caracterizou os gru pos injetiv o s co m o seguinte
resultado.
Teorema (Baer) Um grupo G é injetivo se, e somente se, ele é divisível.
Apartirdadeniçãodegruposinjetivosemotivadopelofatodenãoexistiremgrupos
injetivos não triviais de ordem nita, o matem ático Laszló Fuchs criou o conceito de grupos
quasi-injetivos. Um grupo G é chamado quasi-injetivo se para qualquer subgrupo H de G e
para qualquer homomorsmo de grupos α : H G existir um endomorsmo β : G G tal
que
β|
H
= α.
Em [3], Bertholf e Walls apresentaram um a caracterização geral para os grupos qua si-injetivos
nitos.
Teorema (Bertholf-Walls) Um grup o G é quasi-injetivo se, e somente se, G = Q
8
× K,com
K um grupo quasi-injetivo de or dem ímpar ou G = K o H tal que:
1. Syl
p
(K) e Syl
p
(H) são homocíclicos.
2. G
0
= K.
3. mdc (|K| , |H|)=1.
4. Para c ada h H,sep éumnúmeroprimo,comp||K|, então existe um r = r (p, h) Z
tal que k
h
= k
r
para todo k K
p
.
5. Se K
π
éumπ-subgrupo de Hall de K, par a algum conjunto de primos π,entãoC
H
(K
π
)
é um fator direto de H.Emparticular,
Z(G) H = C
H
(K)
é um fator direto de H.
Em , [1, Página 25], A lperin propôs o seguinte exercício:
x
“Let H asubgroupofacyclicgroupG. Show that e very automo rphism of H is the restriction
to H of an automorp hism of G”.
Baseado na ideia d este exercício, em [2], A zevedo, B astos e Juriaan s, criara m o con ceito de
grupos do tipo injetivo. Um grupo G é c hamado do tipo injetiv o se para qualquer subgrupo H
de G e para qualquer automorsm o de grupos φ : H G,existirumautomorsmo ψ : G G
tal que
ψ|
H
= φ.
Além disso, eles caracterizaram todos os grupo abelianos do tipo injetiv o no seguinte teorema :
Teorema Sejam G um grupo abeliano e T (G) seu subgrupo torção. Então G é do tipo injetivo
se, e som ente se, é satisfeita uma das seguin tes co ndiçõ es:
1. G éumgrupodivisível.
2. G é um gru po de torção e cada uma de suas componentes primárias é divisível ou ho-
mocíclica.
3. T (G) é div isível e
G
T (G)
é livre de torção, abeliano e d e posto 1.
A classe dos gru pos quasi-injetivos e a classe dos grupos do tipo injetiv o são distintas, apesar
de serem muito próxim as.
Descrição do Trabalho
Esta d issertação é constituída de qua tro capítulos.
No Capítulo 1, apresentamos algumas denições e resulta d os clá ssicos sob re a teoria de
grupos necessários para o d esenv olvim ento do trabalh o.
No Capítulo 2, apresentamos os principais resultados e propriedades dos grupos divisíveis e
dos grupos injetivos, além de demonstra r o resultado de Baer.
No Capítulo 3, destacam o s o conceito de grupos quasi-injetivo . Além disso, desta cam o s
algum as de suas propriedades e, ainda, resultad os que nos levam à caracterização de Bertholf
eWalls.
Finalm e nte, no Capítulo 4, a presentamos a denição de grupos do tipo injetivo, com ênfase
nosgruposabelianos.
xi
Capítulo 1
P r e limina r e s
Neste capítulo apresen taremos alguma s denições e resultados básicos da teoria de grupos
que serão necessários para os capítulos subsequentes. O leitor in teressad o em mais detalhes
pode consultar [7, 10].
1.1 Produtodiretodegrupos
Sejam H
1
,...,H
n
grupos. Sabemos que o conjun to
G = H
1
×···×H
n
= {(a
1
,...,a
n
):a
i
H
i
}
munido com a operação binária
(a
1
,...,a
n
) (b
1
,...,b
n
)=(a
1
b
1
,...,a
n
b
n
)
éumgrupocom(e
1
,...,e
n
) com o elemento identidade e (a
1
1
,...,a
1
n
) com o elemen to inverso
de (a
1
,...,a
n
) em G. Neste caso, G é c hamado o pro duto dir eto (externo)dosH
i
.Notequeo
produto direto externo sempre existe e que os H
i
nãosão,emgeral,subgruposdeG.
Sejam G um grupo e H
i
subgrupos de G,paracadai,comi =1,...,n.OgrupoG é
c hamado o pr oduto direto (interno)dosH
i
se as seguintes condições são satisfeitas:
1. h
i
h
j
= h
j
h
i
,paratodoh
i
H
i
e h
j
H
j
com i 6= j.
2. Todo g G pode ser escrito de m odo único sob a forma g = h
1
···h
n
,comh
i
H
i
,
i =1,...,n.
Teorema 1.1 Sejam G, G
1
,...,G
n
grupos. Então o grupo G éisomorfoaogupoG
1
×···×G
n
se, e somente se, G possui subgrupos H
1
' G
1
,...,H
n
' G
n
tais que:
1. G = H
1
···H
n
.
2. H
i
C G,paratodoi,comi =1,...,n.
3. H
i
(H
1
···H
i1
H
i+1
···H
n
)={e},paratodoi,comi =1,...,n.
1
Corolário 1.2 Sejam G um grupo e H
i
subgrupos de G, i =1,...,n.SeG éumproduto
direto interno dos H
i
,então
G ' H
1
×···×H
n
.
Exemplo 1.3 Sejam G um grup o nito e H e K subgrupos de G com mdc (|H| , |K|)=1.
Mostr e que se G = H × K,entãotodosubgrupoL de G édaforma
L =(L H) × (L K) .
Solução. Como H e K o subgrupos normais em G éimediatovericar que L H e L K
são subgrupos normais de L tais que
(L H) (L K)={e}.
Logo,
(L H) × (L K) L.
Por outro lado, dado g L existem únicos
h H e k K tais que g = hk.Comohk = kh
e mdc (|h| , |k|)=1temos que |hk| = |h||k| e hgi = hhki'hhi×hki. Assim, h, k hgi L.
Portanto, h L H e k L K,ist,g (L H) × (L K). ¥
1.2 P r odu to semidireto de gr u pos
Sejam G um grupo e H e N subgrupos de G.OgrupoG é cham ado o produto semid ireto
(interno)deN por H, em símbolos G = N o H, se as seguintes condições são satisfeitas:
1. G = NH.
2. N é subgrupo normal em G.
3. N H = {e}.
Exemplo 1.4 Sejam G = S
3
, N = A
3
e H = hτi,com
τ =
Ã
123
132
!
.
Então G = N o H.ComoH não é um sub grupo normal em G temos que G nãoéoproduto
direto de N e H.
Observação 1.5 Seja G = N o H o produto semidireto de N por H.
1. Pelo Se gundo Te orema de Isomorsmo, temos que
H =
H
N H
'
NH
N
=
G
N
.
e H é chamado um complementar de N. Consequentemente, se G é nito, então
|G| = |N| [G : N]=|N||H| .
2
2. Como G = NH e N éumsubgruponormalemG temos que cada g G pode ser escrito
de modo únic o sob a forma g = nh, n N e h H.
3. Seja h H xado. Então a função ϕ
h
: N N denida por ϕ
h
(n)=hnh
1
éum
automorsmo de N.Alémdisso,ϕ
hk
= ϕ
h
ϕ
k
,paratodosh, k H.Portanto,a
função ϕ : H Aut (N) denida por ϕ (h)=ϕ
h
é um homomorsmo de grupos. Neste
caso, dizemos que H age sobre N como um grupo de autom orsm os e ϕ é cham ado o
homomorsmo por conjugação de N.Como
(n
1
h
1
)(n
2
h
2
)=n
1
(ϕ(h
1
)(n
2
)) h
1
h
2
, para alguns n
1
,n
2
N e h
1
,h
2
H,
temosqueaoperaçãodogrupoG pode ser expressa em termos das operações de N, H e
do homomorsmo ϕ.
4. Se ϕ(h)=I
N
,paratodoh H,entãoϕ
h
(n)=n,paratodon N.Logo,
hnh
1
= n n
1
hn = h H,
isto é, H é um sub grup o normal em G.Portanto,
G = N × H.
Reciprocamen te, se G = N × H, então os elementos de H c omutam com os elementos de
N e, assim, o homomorsmo ϕ étrivial.
5. Se ϕ(h) 6= I
N
,paraalgumh H,entãoϕ
h
(n) 6= n,paraalgumn N.Logo,
hnh
1
6= n hn 6= nh.
Portanto, G é um grupo não abeliano.
Sejam N e H grupos e ϕ um homom orsmodegruposdeH em Aut (N).Denim os uma
operação binária sobre N × H do seguin te modo:
(n
1
,h
1
)(n
2
,h
2
)=(n
1
ϕ(h
1
)(n
2
) ,h
1
h
2
) .
En tão é fácil v ericar que N × H com essa operação é um grupo com elemento iden tidade
(e, e) e (ϕ(h
1
)(n
1
) ,h
1
) oelementoinversode(n, h).OgrupoN × H é cham ado o produto
semidireto (externo)deN por H via ϕ e será denotado por
G = N o
ϕ
H.
Note que
e
N = {(n, e):n N} e
e
H = {(e, h):h H}
3
são subgrupos de G ta is que N '
e
N e H '
e
H. A função σ : G G denida por σ(n, h)=(e, h)
é um homomorsmodegruposcomIm (σ)=
e
H, Ker (σ)=
e
N e σ
2
= σ. Con sequentemente,
e
N
éumsubgruponormalemG e pelo Primeiro Teorema de isomorsm o
G
e
N
'
e
H.
Como
(n, e)(e, h)=((e)(e) ,h)=(n, h)
temos que G =
e
N
e
H. Além disso,
e
N
e
H = {(e, e)}.Portanto,G é o produto sem id ireto
(in terno ) de
e
N por
e
H.Finalmente,
(e, h)(n, e)(e, h)
1
=(ϕ(h)(n) ,e)
implica que a função ψ :
e
H Aut(
e
N) denida por ψ(e, h)=ψ
(e,h)
,com
ψ
(e,h)
(n, e)=(ϕ(h)(n),e),
é o homomorsmo por conjugação de
e
N.Portanto,identicando
e
N com N e
e
H com H,temos
que ϕ é o homomorsm o por conjugação de N e G é o produto semidireto (in t erno) d e N por
H. Neste caso,
N o
ϕ
H = {nh : n N, h H} ,
com
(n
1
h
1
) · (n
2
h
2
)=n
1
ϕ(h
1
)(n
2
) · h
1
h
2
e ϕ
h
1
(n
2
)=h
1
n
2
h
1
1
.
Além disso,
C
H
(N)=Ker(ϕ)=C
G
(N) H e C
N
(H)=N
N
(H).
Teorema 1.6 Sejam G um grup o e N um sub grup o normal em G. Então as seguintes condições
são equivalentes:
1. G é um produto semidireto de N por
G
N
,ist,N temumcomplementaremG.
2. Existe um homomorsmo de grupos ϕ :
G
N
−→ G tal que
π ϕ = I
G
N
,
com π : G
G
N
a projeção canônica e ϕ é chamada de seção de
G
N
em G.
3. Existe um homom orsmo de grupos φ : G −→ G tal que Ker (φ)=N e φ(g)=g,para
todo g Im (φ).
Proposição 1.7 Sejam G um grup o e H e N sub grupos de G.EntãoG é um produto semidir eto
intern o de N por H se, e somente se, existir um homomorsmo de grupos σ : G G tal que
σ
2
= σ.
4
Proposição 1.8 Sejam N e H grup os, ϕ : H −→ Aut (N) um homomorsm o de grupos e
f Aut (N) xado. Se
b
f :Aut(N) Aut (N) édenida p or
b
f(g)=f g f
1
,então
N o
e
fϕ
H ' N o
ϕ
H.
Exemplo 1.9 Sejam N um grupo abeliano qualquer e H = hbi'Z
2
.Sedenimos ϕ : H
Aut(N) por ϕ(b)=ϕ
b
,comϕ
b
(a)=a
1
,paratodoa N,entãoG = N o
ϕ
H éumgruponão
abeliano c om
ϕ
b
(a)=bab
1
= a
1
, a N,
isto é, b Z(G).Emparticular,seN écíclico,entãoG ' D
n
ou G ' D
.
1.3 Grupos abelianos
Nesta seção, salvo menção explícita em contrário, todos os grupos serão abelianos e escritos
na notação aditiva. Com esta term inologia escrev em os a soma direta dos grupos H e K da
forma
H K = {h + k : h H, k K}.
Teorema 1.10 Sejam A, B grupos e λ
1
: A A B, λ
2
: B A B monomorsm os.
Então o p ar ordenado (λ
1
2
) possui a seguinte pr opriedade universal: Dados qualquer grupo
H e qualquer par de homom orsmos de grupos β
1
: A H e β
2
: B H,existeunico
homomorsmo de grup os
β : A B H
tal que β λ
1
= β
1
e β λ
2
= β
2
,ouseja,β|
A
= β
1
e β|
B
= β
2
.Nestecaso,Hom(A B, H) é
isomorfo a Hom(A, H) Hom(B, H).
De forma mais geral, se
G =
X
iI
G
i
e qualquer família de homomorsmos de grupos, β
i
: G
i
H, então existe um único homo-
morsm o de grupos β : G H tal que β|
G
i
= β
i
,paratodoi I.
Teorema 1.11 Seja G
i
' H
i
, para cada i I.Se
G =
X
iI
G
i
e H =
X
iI
H
i
,
então G ' H.
Corolário 1.12 Asomadireta
G =
X
iI
G
i
satisfaz a seguin te condição: par a toda função α : X H,comH um grupo abeliano qualquer
e X = {x
i
: i I} um conjunto qualquer, existe um único hom om o rsmo de grupos β : G H
tal que β|
X
= α. Em particu la r , se X é um sub conjunto de G tal que G = hXi,entãoG é
chamado grupo abeliano livre e X é chamado uma base para G.
5
Considerem os os seguintes exemplos de grupos abelianos: Q, o grupo aditivo dos números
racionais;
G =
Q
Z
o grupo dos núm eros racionais módulo um; e C
, o grupo multiplicativo dos comple xos. Nenhum
desses grupos é isomorfo a qualquer um dos outros dois. Uma das formas de v er isso é examinar
as ordens dos elementos dos grupos. Note que todo elemento de Q, com excessão do neu tro, é
de ordem innitaetodoelementodeG édeordemnita, pois, se
p
q
+ Z G,
com p e q n úmeros inteiros relativamen te primos, en tão
q
µ
p
q
+ Z
= p + Z = Z.
Para não gera r confusão permanecer emo s com a notação m u ltiplicativa para C
.Armamos
que C
tem elementos de ordem nita e tam bém elemen tos de ordem innita. Lembre que a
identidade de C
é 1.Noteque(1)
2
=1im plica que 1 édeordem2 e 3
r
=1se, e somente
se, r =0. Logo, 1 édeordemnita e 3 édeordeminnita. Resumindo, temos que
1. todososelementosdeQ, exceto o neutro, são de ordem innita;
2. todososelementosdeG são de ordem nita;
3. C
possui elem entos de ordem nita e elemen tos de ordem innita.
Com isso é fácil ver que os três grupos não são isomorfos.
Seja G um grupo. En tão é fácil v ericar que o conjunto
T (G)={g G : |g| < }
éumsubgrupodeG, c ham ado subgrupo de torção de G.SeT (G)={0},entãoG échamado
um grupo livredetorção. Em particular, o grupo
G
T (G)
é livre de torção.
Proposição 1.13 Se um grupo G é a soma dir eta de grupos de torção, então G éumgrupo
de tor ção.
Proposição 1.14 Sejam G um grupo, H um subgrupo de G e T (G) o subgrupo de tor ção de
G.EntãoT (G) H é o sub grupo de tor ção de H.
6
Um grupo G ch am a-se um p-grupo, para algum n ú m ero primo p,seaordemdetodoelemento
de G é uma potência de p.Sep éumnúmeroprimoquedivideaordemdeumelementog de
G,entãog é chamado um p-elemen to. O teorema seguinte mostra que um grupo de torção é
construído a partir de p-grupos. Assim, o estudo de grupos de torção se limita ao estudo de
p-grupos.
Teorema 1.15 Sejam G um grupo de torção e
G
p
= {g G : |g| = p
n
, para algum n Z
+
},
com p um número primo xado. Se Π é o c onjunto de todos os númer os primos, então
G =
X
pΠ
G
p
.
Os sub grupos G
p
são chamados de p-componentes de G.
Sejam G um grupo e X um subconjunto de G. O conjunto X é c hamado um conjunto
inde penden te se para x
1
,...,x
r
elementos distin tos d e X e n
1
,...,n
r
Z,tivermosque
n
1
x
1
+ ···+ n
r
x
r
=0 n
1
x
1
= ···= n
r
x
r
=0. (1.1)
Caso contrário, X é c hamado um conjunto dependente.NotequeseG é livre de torção e X é
independen te, então a Equação (1.1) nos diz que n
1
= ···= n
r
=0.
Sejam G um grupo livre de torção e X um subconjun to de G. O conjun to X échamado
um conjunto independente maximal se as seguint es cond içõ es são satisfeitas:
1. X é independente.
2. Se g G e g/ X,entãoX {g} é um conjunto dependente.
Teorema 1.16 Seja G um grupo. Então G possui um conjunto independente maxim al.
Suponhamos que G seja um grupo livre de torção e possua um conjun to independen te
maximal X que seja nito. Então o posto de G édenido como
#(X) .
Caso contrário, o grupo G édeposto innito. É fácil ver que se G e H são grupos isomorfos,
então eles tem o mesmo posto.
7
1.4 Grupossolúveisenilpotentes
Nesta seção, estudarem os grupos que, de alguma forma, estão “próximos” dos grupos
abelianos. Para isso, com eçaremos introduzindo alguns conceitos.
Dadosdoiselementosg e h de um grupo G,ocomutador de g e h é o elemento
[g,h]=ghg
1
h
1
G.
Mais geralm ente, um comutador de c omprimento n 2 dene-se indutivamente por
[g
1
,...,g
n
]=[[g
1
,...,g
n1
] ,g
n
] .
Dados dois subconjuntos H e K de um grupo G, denotaremos por [H, K] o subgrupo de G
gerado pelo conjunto
X = {[h, k]:h H e k K}.
Em par ticular, o grupo G
0
=[G, G] c h am a-se subgrupo comutador ou subgrupo derivado de G.
Indutivamente, deniremos agora uma sequência de subgrupos da seguin te forma:
G
(0)
= G, G
(1)
=
£
G
(0)
,G
(0)
¤
= G
0
,...,G
(n)
=
£
G
(n1)
,G
(n1)
¤
,..., n Z
+
.
O subgrupo G
(n)
é cham ado o n-ésimo grupo derivado de G e a sequência
G = G
(0)
G
(1)
··· G
(n)
···
é cham ada a sequência derivada de G.
Lema 1.17 Sejam g, h e k elementos de um grupo G.Então
1. [g, h]=e se, e somente se, gh = hg.
2. [g, h]
1
=[h, g].
3. [g, h]
k
=
£
g
k
,h
k
¤
.
4. Se φ : G H é um homomorsmo de gru pos, então φ ([g, h]) = [φ (g) (h)].
Note que o item (1) mostra que um grupo G é abeliano se, e somente se, G
0
= {e}. Veremo s,
a seguir, que o conhecimen to de G
0
também permite saber quando um quocien te é abeliano.
Lema 1.18 Seja H um subgrupo normal de um grupo G. Então o grupo quociente
G
H
éabeliano
se, e somente se, G
0
H.
Observe que o item (3) do Lem a 1.17 nos permite deduzir facilmente que G
0
é um subgrupo
normal em G.
Sejam G um grupo e H um subgrupo de G.EntãoH é chamado um subgrupo característico
em G se
σ(H) H, σ Aut (G) .
8
Proposição 1.19 Seja G um grupo.
1. Qualquer subgrupo característico em G é um sub grupo normal.
2. Se K éumsubgrupocaracterísticoemH e H é um sub grupo car acterístico em G,então
K é um subgrupo c aracterístic o em G.
3. Se K é um subgrupo caracterís tico em H e H éumsubgruponormalemG,entãoK é
normal em G.
4. Se H é o único subgrup o em G de ordem n,entãoH é subgrupo característic o em G.
Para indicar que H é um subgrupo característico em G escreveremos H car G.Comoa
conjugação por um elemento xo h de G, g 7 hgh
1
umautomorsmo de G temos que
todo subgrupo característico é, em particular, um subgrupo normal. Note, ainda, que se φ é
um automorsm o de G e H é um subgrupo característico em G,entãoarestriçãoφ|
H
éum
automorsmo de H. Portanto, segue facilmente que se K car H e H car G,entãoK car G.
Exem plos 1.20 São exemp los de subgrupos característicos os seguintes subgrupos:
1. O bem conhecido centro de G denido por
Z (G)={g G : gh = hg, h G} .
2. O sub grup o de Frattini de G Frat (G) que é a interseção de todos os subgrupos maxim ais
de G,seG possuir subgrupos ma ximais. Caso contrário, o subgrupo de Frattini de G é
igual ao próprio G.
Proposição 1.21 Sejam G um grupo e H um subgrupo de G.SeH car G,entãoH
0
car G.Em
particula r, G
(n)
car G, para todo inteiro positivo n.
Informalmente, pode-se pensar nos grupos solúveis como “aproximadamente” abelianos.
Por exemplo, podemos considerar que um grupo G está “perto” de ser abeliano se ele con tém
um subgrupo normal H tal que tanto H quan to o qu ociente
G
H
sejam abelianos. Generalizan do
esta idéia podemos formular a seguinte denição.
Um grupo G é chamado solúv el se existir uma cadeia de subgr upos
{e} = G
0
G
1
··· G
n1
G
n
= G
tal que
1. G
i1
é um subgrupo normal em G
i
,paratodoi =1,...,n.
2. O grupo fator
G
i
G
i1
é abeliano, para todo i =1,...,n.
9
Uma cadeia de subgrupos de G com estas propriedades é cham ada uma série subnormal
abeliana de G e os quocientes são cham a dos fatores da série. Como a normalidade não é
necessariam ente transitiva, os subgrupos G
i
, não necessariamente, são normais em G, 1 i
n 1.
Exemplo 1.22 Todo gru po abeliano é solú v el.
Solução. Seja H um subgrupo qualquer de G. Como sabemos H C G e
G
H
é abeliano. Assim,
temos que a cadeia
{e} H G
é a cadeia d esejada. ¥
Forneceremos a seguir uma caracterização da solubilidade de um grupo em termos da se-
quência d erivada.
Teorema 1.23 Um grup o G é solúvel se, e so m e nte se, sua sequência derivada é limitada, isto
é, se existe um inteiro positivo n tal que
G
(n)
= {e}.
A partir da caracterização acima formaliza-se o seguin te resulta do.
Lema 1.24 Sejam G um grupo e H um sub grupo de G.
1. Se G ésolúvel,entãoH é solúvel.
2. Qualquer imagem homo m órca de um grupo solúvel é solúvel.
3. Se H é um subgrupo normal em G tal que H e
G
H
sejam solúv eis , então G é solúvel.
Se um grupo solúvel é nito , en tão ele con tém uma cadeia subnorm a l abeliana m u ito especial.
Proposição 1.25 Um grupo solúvel n ito G contém um a série subnormal abeliana cujos fa-
tores são todos cíclicos de or dem prima.
Outra importante denição do nosso trabalho é a de grupos supersolúveis. Um grupo é dito
supersolúvel se ele possui uma sérire normal cíclica, isto é, uma série de subgru pos norm a is
cujos fatores são cíclicos. Grupos supersolúveis são obviamente solúv eis, entretanto, grupos
solúveis não são necessariam ente supersolúv eis. Como exemplo deste último fato, temos o
grupo A
4
que não possui subgrupos cíclicos normais distin tos de {e}.
Proposição 1.26 Um fator principal de um grup o supersolúvel tem ordem prima e seu sub-
grup o maximal p ossui índic e primo.
10
Um grupo G é chamado nilpotente se ele co ntém um a série de subgrupos
{e} = G
0
G
1
··· G
n
= G
tal que cada subgrupo G
i1
énormalemG ecadaquociente
G
i
G
i1
estácontidonocentrode
G
G
i1
, 1 i n. Esta série de subgrupos de G é chamada um a série centr al de G.
Um a v ez que as condições da denição de nilpotência são, ob v iam ente, m ais restritivas que
as da denição de solubilidade, é evidente que todo grupo nilpoten te é, em particular , solúvel.
Note que da deniçã o acima implica que G
1
está contido no centro de G.SeG
1
= {e} en tão
G
2
está con tid o no centro e, assim, sucessivamen t e. Co m o a série cen tral acaba, todo grupo
nilpoten te tem centro não trivial.
Exemplo 1.27 Todo grupo abeliano é nilpotente.
Forneceremos agora duas caracterizações alternativas para nilpotência. P ara isso, denire-
mos indutivamente uma no va rie de subgrupos:
γ
1
(G)=G, γ
2
(G)=G
0
e γ
i
(G)=
£
γ
i1
(G) ,G
¤
.
Precisarem o s ainda de uma outra série, que deniremos também indutivamen te, nos apoiando
no conceito de cen tro de um grupo. Den otarem os
ζ
0
(G)={e} e ζ
1
(G)=Z (G)
edeniremos indutiv amente ζ
i
(G) com o sendo o único sub grupo de G tal que
ζ
i
(G)
ζ
i1
(G)
= Z
µ
G
ζ
i1
(G)
.
O subgrupo ζ
i
(G) é c hamado i-ésim o centro de G.
As sequências de subgrupos
{e} = ζ
0
(G) ζ
1
(G) ··· ζ
n
(G) ···
e
G = γ
1
(G) γ
2
(G) ··· γ
n
(G) ···
são chamadas série c entral superior e série central inferior de G, respectivamen te. Claramente,
estas são séries cen trais. A razão pela qual sã o chamadas de “superior” e “inferior” cará clara
a partir dos próximos resultados.
Lema 1.28 Seja
{e} = A
0
A
1
··· A
n
···
uma série central de G, isto é, uma cadeia de subgrupos norm ais tal que
A
i
A
i1
Z
³
G
A
i1
´
,para
todo i.Então
A
i
ζ
i
(G) ,
para todo i.
11
Lema 1.29 Seja
{e} = A
0
A
1
··· A
n
= G
uma série c entral de G.Então
γ
i
(G) A
ni+1
,
para todo i.
Destes r esu ltados vem a seguinte caracterização pa ra g rupos nilpotentes.
Teorema 1.30 Seja G um grup o. Então as se guintes c ondições são e quivalentes:
1. G é nilpotente ;
2. Existe um inteiro positivo m tal que ζ
m
(G)=G;
3. Existe um inteiro positivo n tal que γ
n
(G)={e}.
Também resulta do s lemas que se G é nilpotente, en tã o as séries centra is superior e inferior
de G têm o mesmo com p rim ento. A este número chamaremos classe de nilpotência de G.
Proposição 1.31 Todo p-grupo nito é nilpotente.
Proposição 1.32 Produtos diretos nito s de grupos nilpotentes são também nilpotentes .
Com o sugestão para a demonstração deste resu ltado note que se G = G
1
×···× G
n
,então
γ
i
(G)=γ
i
(G
1
) ×···×γ
i
(G
n
) ,
para todo índice i.
Proposição 1.33 Seja H 6= {e} um subgrupo normal de um grup o nilpotente G.Então
H Z (G) 6= {e}.
Agora mostrarem os que existe um teorem a de estrutu ração para o s grupos nilpotentes ni-
tos. Pa ra isso, vericaremos uma propriedade importante dos grupos nilpoten tes, que v ale
também no caso em que o grupo em questão não seja nito. U m grupo G tem a pr opriedade do
normalizador se todo subgrupo próprio de G está estritamente con tido no seu norma lizador.
Proposição 1.34 Seja H um subgrupo pr óprio de um grupo nilpotente G.Então
H Ã N
G
(H),
ou seja, se G é nilpotente ele tem a propriedade do normalizador.
12
Lem bremos que um subgrupo H de um grupo G é chamado subnormal se existe uma cadeia
de subgru pos:
H = H
0
H
1
··· H
n
= G
tal que H
i1
C H
i
, 1 i n.
Corolário 1.35 Seja G um grup o nilp otente nito. Então to do subgrupo de G é subnormal.
Forneceremos agora um teorema de caracterização para os grupos nilpotentes nitos.
Teorema 1.36 Seja G um grupo n ito. Então as seguintes condições são equivalen tes:
1. G é nilpotente ;
2. G tem a propriedade do normalizador;
3. To do subgrupo de Sylow de G énormalemG;
4. G éoprodutodiretodosseussubgruposdeSylow;
5. To do subgrupo de G é subnormal;
6. To do sub grupo maximal de G énormal.
Note que o teorema arma que se G é um grupo nilpotente de ordem
|G| = p
n
1
1
···p
n
t
t
,
então, denotando por S
p
i
, 1 i n os p
i
-subgrupos de Sylow de G,temosque
G = S
p
1
×···×S
p
n
.
O subgrupo de Fitting de um grupo nito G, denotado por
Fit (G) ,
é o maior subgrupo normal nilpotente de G.
Teorema 1.37 Se G é um grupo supersolúvel, então Fit (G) é nilpoten te e
G
Fit(G)
éumgrupo
abeliano nito. Em particular, G
0
é nilpotente.
Dados um grupo nito G e p um número primo divisor da ordem de G, sabemos que um
p-subgrupo de Sylow de G é um subgrupo de G cuja ordem é tal que
p
k
||G| mas p
k+1
- |G| ,
com k Z
+
. Faremos agora um a generalização desta denição.
13
Se π é um conjunto não vazio de nú m eros primos, en tão um π-número éuminteiron tal
que todos os seus fatores primos pertencem a π. O complementar de π no conjunto de n úmeros
primos é denotado por π
0
e, assim, um π
0
-número éuminteirom tal que nenh um de seus fatores
primos pertence a π.
Seja G um grupo nito. Então G é c hamado um π-grupo se a ordem de cada um de seus
elementos é um π-núm ero .
Se G éumgruponito, en tão um π-subgrupo H de G tal que [G : H] éumπ
0
-n úmero é
c hamado de π-subgrupo de Hall de G.
Sabemos que os p-subgrupos de Sylow sempre existem, e que são conjugados en tre si. Entre-
tanto, os π-subgrupos de Hall nem sempre existem. Por exemplo, sejam G = A
5
e π = {3, 5}.
Como |A
5
| =60,umπ-subgrupo de Hall teria índice 4 eordem15, mas não existe tal subgrupo.
Quer em os estudar condições sob as quais tais subgrupos existem e, quando existirem, se são
conjugado s entre si. O próximo resultado arma que em um grupo solúv el nito, π-subgrupos
de Hall sempre existem e são conjugados entre si.
Teorema 1.38 ( P. Hall) Se G éumgruposolúvelnito de or dem mn,com
mdc (m, n)=1,
então G contém um subgrupo de ordem m. Além disso, quaisquer dois subgrup os de ordem m
são c on jugados.
Este teorema de P. Hall nos diz que em grupos solúv eis nitos, π-subgrupos de Hall sempre
existem, para todo conjunto de primo s. A seguir veremos que vale a recíproca deste teorem a.
Teorema 1.39 ( P. Hall) Se G éumgruponito que possui um p
0
-subgrupo de Hall, para todo
primo p,entãoG ésolúvel.
Teorema 1.40 Um grup o nito G ésolúvelse,esomentese,todosubgrupodeSylowdeG
possui complementar em G.
Teorema 1.41 (Teorema de Sh u r-Zassenhaus) Sejam G um grupo nito e H um π-subgrupo
normal em G.EntãoG contém um π
0
-subgrup o K, que é um complem entar de H em G.Além
disso, se H ou
G
H
é solúvel, então quaisquer dois π
0
-sub grup os de G são conjugados em G.
A hipótese de que N é norma l não pode ser retirada do teor em a. D e fato, sejam G = A
5
e
N um 2-subgrupo de Sylo w de G;logo|N| =4, [G : N]=15e mdc (4, 15) = 1.Portanto,G
está nas condições do teorema, porém, G = A
5
não possui subgrupo de ord em 15.Concluímos,
desta forma , que se N não for n orm al, o resultado nem sempre é válido.
14
Capítulo 2
Grupos injetivos
Ateoriadosgruposabelianoséumaparteimportantenateoriadegrupos,mas,além
da propriedade com utativa, esta categoria de grupos possui outras propriedades que serão
de grande relevância para o nosso propósito. Em todo este capítulo, todos os grupos serão
abelianos, portanto, no vamen te adotaremos a notação aditiva.
2.1 G rupos divis íveis
Dizemos que G éumgr upo divisív el se para cad a g G ecadan Z
existe h G tal que
g = nh,
isto é, se a função ϕ : G G,denida por
ϕ(g)=ng,
é sobrejetora, para cada n Z
.
Note que um qu ocien te d e u m grupo divisível é também divisível. Como todo subgr upo H
de G énormalemG e G é divisível temos qu e
g + H = nh + H = n(h + H),
com h G e n Z
+
.
Exem plos 2.1
1. Entre os grupos divisíveis innitos mais conhecidos estão: Q, R, C, C
e R
+
.
2. Nenhum grupo nito não trivial é divisível.
Observemos que um subgrupo de um grupo divisível não necessariamente é divisív el. Por
exemplo: Z éumsubgrupodeQ m as, en quanto Q é div isível, Z não o é.
Observemos, tam bém, que se
G = H K
15
e G é divisível, então H e K tam bém o são. É possível estender este argumento para uma soma
direta de um a quantidade arbitrária de subgrupos.
A recípr oca deste resultado também é válida, como verem os a seguir.
Proposição 2.2 Se os grupos G
i
,comi I, são divisíveis, então
G =
X
iI
G
i
é um grupo divisível.
Prova. Consideremos n Z
+
e
g G =
X
iI
G
i
.
Como
g = g
1
+ ···+ g
k
ecadaG
i
é divisível temos que existem h
1
G
1
,...,h
k
G
k
tais que
g
1
= nh
1
,...,g
k
= nh
k
.
En tão
g = nh
1
+ ···+ nh
k
= n (h
1
+ ···+ h
k
) .
Portanto, G é d iv isível. ¥
Proposição 2.3 (p-grupos de Prüfer) Seja p um número primo xado. Então todos os sub-
grupos do grupo
Z(p
)=
½
a
p
n
+ Z
Q
Z
: a Z e n Z
+
¾
=
½
a
p
n
+ Z : a Z , 0 a<p
n
e n Z
+
¾
sãodaforma
C
n
=
¿
1
p
n
+ Z
À
,
com n Z
+
. Em particu la r,
Z(p
)=
[
nZ
+
C
n
e Z(p
) é um grupo divisível. O grupo Z(p
) é chamado p-grupo de Prüfer.
Provaclaroque
C
n
=
¿
1
p
n
+ Z
À
=
½
0,
1
p
n
,
2
p
n
,...,
p
n
1
p
n
¾
, n N,
é um subgrupo próprio de Z(p
) com |C
n
| = p
n
.NotequeC
n
C
n+1
,paratodon Z
+
.
16
Reciprocamente, seja H um subgrupo próprio de Z(p
). Vamos provar prim eiro que
a
p
m
+ Z H {Z}, com mdc(a, p)=1
b
p
n
+ Z H, b Z, com n m,
ou seja,
½
0,
1
p
n
,
2
p
n
,...,
p
n
1
p
n
¾
H.
De fato, como mdc(a, p)=1temos que existem r, s Z tais que ar + sp
m
=1. Logo, para
todo b Z e n m,obtemos
b = b · 1=abr + bsp
m
b
p
n
= bp
mn
r
a
p
m
+ bsp
mn
.
Assim ,
b
p
n
+ Z = bp
mn
r
µ
a
p
m
+ Z
H.
Portan to, existe u m menor inteiro k N (H 6= Z(p
))talque
H =
½
a
p
m
+ Z : a Z e m k
¾
e H C
k
.
Logo, todo subgrupo próprio de Z(p
) é da forma desejada.
Finalm ente, dados g Z(p
) e k Z
+
,comk = p
r
l e mdc(p, l)=1. Logo,
g =
a
p
n
+ Z, para algum a Z, com 0 a<p
n
.
Seja
g
1
=
a
p
n+r
+ Z.
En tão p
r
g
1
= g.Comomdc (p
n+r
,l)=1tem os que existem x, y Z tais que
xp
n+r
+ yl =1.
Logo,
g
1
= g
1
· 1=g
1
¡
xp
n+r
+ yl
¢
= xp
n+r
g
1
+ lyg
1
= lyg
1
.
P ondo h = yg
1
,obtemos
kh = p
r
lyg
1
= p
r
g
1
= g.
Portanto, Z(p
) é d iv isível. ¥
Proposição 2.4 Sejam p um número primo xado e
C
0
= {0} C
1
C
2
··· C
n
···
uma cadeia de grupos cíclicos de ordem p
n
, par a cada n Z
+
.Entãoogrupo
G =
[
nZ
+
C
n
,
éisomorfoaZ(p
).
17
Prova. Vamos provar primeiro que: podemos escolher elemen to s a
n
tais que C
n
= ha
n
i e
pa
n+1
= a
n
, para cada n Z
+
. Suponhamos, como hipótese de indução, que escolhemos
a
0
,a
1
,...,a
n
tais que pa
i+1
= a
i
, i =0,...,n 1 e C
i
= ha
i
i, i =0,...,n.SejaC
n+1
= hai.
En tão H = hpai é um g rupo cíclico de ord em p
n
,pois
p
n
(pa)=p
n+1
a =0.
Assim , H = C
n
. Logo, a
n
= r(pa),paraalgumr Z,commdc(p, r)=1.Como|a
n
| = p
n
temos que C
n+1
= hrai. Pondo a
n+1
= ra, obtemo s pa
n+1
= a
n
. P orta nto, é possível escolher
elementos a
0
,a
1
,...,a
n
,... tais que C
n
= ha
n
i e pa
n+1
= a
n
, para cada n Z
+
.Sejaσ : G
Z(p
) afunçãodenida por
σ(xa
n
)=
x
p
n
+ Z, x Z.
En tão σ está bem denida, pois dados xa
m
,ya
n
G com m n,obtemosp
nm
a
n
= a
m
. Logo,
xa
m
= ya
n
(y xp
nm
)a
n
=0.
Assim , y xp
nm
= kp
n
,paraalgumk Z,pois|a
n
| = p
n
.Portanto,
y
p
n
+ Z =
xp
nm
+ kp
n
p
n
+ Z =
x
p
m
+ Z σ(xa
m
)=σ(ya
n
).
Agora, vamos provar que σ é um homomorsm o de grupos. Dado s a, b G,existen Z
+
tal
que a, b C
n
. L ogo, existem x, y Z.tais que a = xa
n
e b = ya
n
. A ssim,
σ(a + b)=σ(xa
n
+ ya
n
)=σ((x + y)a
n
)
=
x + y
p
n
+ Z =
µ
x
p
n
+ Z
+
µ
y
p
n
+ Z
= σ(a)+σ(b).
Portanto, σ é um homomorsm o de grupos. É claro que σ éumepimorsm o .
Finalmen te,
a Ker (σ) σ(a)=Z ⇔∃ x Z e n Z
+
, tais que σ(xa
n
)=Z
x
p
n
+ Z = Z.
Logo, p
n
é um divisor de x.Portanto,a = xa
n
=0,ist,Ker (σ)={0} e σ é um monomor-
sm o . ¥
Observemos que o p-grupo de Prüfer pode ser en tendido como o p-subgrupo de Sylo w de
Q
Z
,
queconsistedetodosoelementosdeZ (p
) cuja ordem é uma potência de p.
Proposição 2.5 Sejam G um grupo e D um subgrupo divisível de G.EntãoD éumsubgrupo
característico em G.
Prova.Sejamd D e
ϕ Aut (D) .
18
Como D é div isível exis te n Z
+
tal que
g = nh,
para algum h G.Então
ϕ (g)=ϕ (nh)= (h) .
Portanto, D é um subgru po característico em G. ¥
2.2 Grupos injetiv os
Um grupo G é cham ado injetivo se, dados um monomorsmo de grupos μ : H K eum
homomorsmo de grupos α : H G,comH e K grupos, existe um hom om orsmo de gru pos
β : K G
tal que
α = β μ,
em outras palavras, tal que o diagrama
Figura 2.1: D iagrama
comuta.
Como μ éinjetivatemosque
H ' Im (μ) <K.
Suponhamos que, de fato, H seja subgrupo de K e μ sejaaaplicaçãoinclusão,entãoaarmação
de que G sejainjetivoimplicaqueohomomorsm o de grupos α : H G pode ser estendido a
um homomorsmo d e grupos β : K G,demodoque
α = β|
H
.
Teorema 2.6 (Baer) Um grup o G é injetivo se, e some nte se, ele é divisível.
Prova. Suponham os que G seja injetiv o e consider em o s g um elemen to qualquer de G e n Z
.
A função
α : nZ G
19
denida por α(nx)=xg é um homom orsmo de grupos. Se i : nZ Z é a aplicação inclusão,
en tão , por hipótese, existe um homom orsmo de grupos β : Z G tal que α = β i. Logo,
g = α (n)=(β i)(n)=β (n)= (1) = nh,
com h = β (1).Portanto,G é divisível.
Reciprocamen te, suponhamos que G seja divisível. Dado s grupos H, K, um monomorsmo
μ : H K e um homom orsmo α : H G. Podemos supor, sem perda de generalidade, que
H é um subgrupo de K, pois podemos identicar H com Im (μ).SejaS oconjuntodetodas
as extensões parciais γ : L
G de α,ist,seH<L<K,então
γ (h)=α (h) ,
para todo h H.Dadosγ
1
2
S,denimos
γ
1
γ
2
L
1
<L
2
e γ
1
= γ
2
|
L
1
.
Éfácilvericar que é uma ordem parcial sobre S.SejaC = {γ
i
: L
i
G : i I} uma cadeia
qualquer de S.Faça
L =
[
iI
L
i
.
Então é fácil vericar que L é um subgrupo m aximal de G.Sejaγ : L G denida por
γ (x)=γ
i
(x).Entãoéclaroqueγ S e γ é um a cota superior de C. Assim, pelo Lema de
Zorn, S con tém um elemento maximal, digamos β : L G.
Arma ção. L = K.
De fato, se L 6= K, en t ão existe k K tal que k/ L. Logo, M = L + hki <K.EntãoL M,
o que contradiz a maximalidade de L.
Se
L hki = {0} ,
en tão M = L hki e β
1
: M G denida por
β
1
(x)=
(
0, se x hki
β (x) , se x L,
étalqueβ = β
1
|
L
o que con tradiz a maximalidade de β.Se
L hki 6= {0} ,
então existe um menor in te iro positivo m tal que mk L. Suponhamos que β “leva” mk em
g G.ComoG é divisível temos que g = mg
1
,paraalgumg
1
G. Agora,todoelementode
M pode ser escrito de m odo único sob a soma
x + tk, com x L e 0 t<m,
20
pois m é mínimo. Assim , podemos denir uma função β
2
: M G por
β
2
(x + tk)=β (x)+tg
1
.
Verica-se facilmente que β
2
é um homomorsmo de grupos tal que β = β
2
|
L
oquecontradiz
a m a x imalidade de β. Portan to, G éumgrupoinjetivo ¥
A consequêcia mais importan te do teorema an terior é a propriedade do fator de soma direta
dosgruposdivisíveis.
Corolário 2.7 Se D é um subgrupo divisível de um grupo G,então
G = D E,
para algum subgrupo E.
Prova. Consideremos a aplicação inclusão i : D G.ComoD é um grupo divisív el temo s,
pelo Teorema 2.6, que D é um grupo injetivo. Assim, para cada homomorsm o de grupos
α : D D, existe um hom om or smo de grupos β : G D tal que
α = β i = β|
D
.
Em particular, isto vale para α = I
D
. A ssim ,
β (d)=I
D
(d)=d,
para todo d D.Seg G,entãoβ (g) D. Assim,
β (β (g)) = β (g) ,
ou seja,
β
2
(g)=β (g) .
Logo, (g β (g)) Ker (β)=E.Portanto,
G = D + E.
pois g = β (g)+(g β (g)),paratodog G.
Finalmente, seja d D E.Comod D temos que d = β (d). P or outro lado, d E =
Ker (β). Logo, d = β (d)=0.Portanto,G = D E. ¥
Em outras pala vras, o que o corolário acima arma é que se um grupo G possui um subgrupo
divisív el, este subgrupo é um fator de soma direta de G.
Um grupo G chama-se reduzido se não possui subgrupos divisíveis não triviais. O sub grupo
divisível maxima l de
G éauniãodetodosossubgruposdivisíveisdeG eserádenotadopor
d (G).
21
Teorema 2.8 Seja G um grup o. Então existe um único subgrupo divisível maximal de G.Além
disso,
G = d (G) E,
com E um grup o reduzido.
Prova. P elo Corolário 2.7,
G = d (G) E,
para algum E.NotequeE = d (E) K,paraalgumK. Assim,
G = d (G) d (E) K.
Mas
d (G) d (E)
é divisível e d (G) é seu subgru po divisív e l m ax imal. Logo,
d (E)={0} .
Portanto, E éreduzido. ¥
Observe que se d (G)=G então G é div isível e se d (G)={0},entãoG
é reduzido.
Exemplo 2.9 d (Q)=Q e d (Q
)=Q
+
.
Lema 2.10 Se G éumgrupolivredetorção,n N e h, h
0
G tais que nh = nh
0
,então
h = h
0
.
Prova.Comonh = nh
0
temos que
n (h h
0
)=nh nh
0
=0 h h
0
=0,
pois G é livre de torção. Portan to, h = h
0
. ¥
Teorema 2.11 Seja G um grupo livre de torção. Então G é divisível se, e somente se, G é
um espaço vetorial sobre Q. Em particular, G é uma soma dir eta de cópias de Q.
Prova.Sejamg G e
m
n
Q.ComoG é div isível e livre de torção ex iste um único h G tal
que g = nh.Denamos uma composão externa sobre G, : Q × G G,por
m
n
g = mg =
(m 1)g + g, se m>0
0, se m =0
(m)(g)=(m +1)g g, se m<0.
Então é fácil vericar qu e G é um espaço vetorial sobr e Q.
Reciprocamen te, suponhamos que G seja um espaço v etor ial sobre Q.Dadog G e n Z
,
existe
h =
1
n
· g G
tal que nh = g. Portanto, G éumgrupodivisível. ¥
22
Lema 2.12 O subgrupo de tor çã o de um grupo divisível G é também divisíve l.
Prova. Suponhamos que G seja div isível. Seja m
g T (G)
e m aordemdeg, ou seja, mg =0.ComoG é divis ível temos que, pa r a cada n Z
,existe
h G tal que g = nh. Assim,
(nm) h = m (nh)=mg =0
e h T (G).Portanto,T (G) é divisível. ¥
Teorema 2.13 Se G éump-grupo divisível, então G éumasomadiretadep-grupos de Prüfer.
Prova.SejaG um p-grupo divisíve l não trivial. Note que G possui um subgrupo isomorfo a
Z (p
).Sejamg
1
G de ordem p e C
1
= hg
1
i o grupo cíclico gerado por g
1
. Escolha g
2
G
tal que pg
2
= g
1
.EntãoC
2
= hg
2
i é um grupo cíclico de ordem p
2
com C
1
C
2
.Prosseguin do
dessa fo rm a, obtem o s uma cadeia
C
0
= {0} C
1
C
2
··· C
n
···
de grupos clicos de ordem p
n
,paracadan Z
+
.Seja
C =
[
nZ
+
C
n
.
En tão, pela Proposição 2.4, C éisomorfoaZ (p
) e C é um grupo divisível. P o rtanto, é um
fator de soma direta de G.
Agora , seja S oconjuntodetodosossubgruposdeG que sejam isomorfos a Z (p
) e seja
T =
(
X S :
X
iI
H
i
existe, H
i
X
)
.
En tão, pelo Lema de Zorn, T possui um elemento maximal, digamos X
0
.Seja
H =
X
iI
H
i
,H
i
X
0
,
Então, pela Proposição 2.2, H é um subgrupo divisív el de G. Assim ,
G = H K,
para algum K.
Arma ção. K = {0}.
De fato, se K 6= {0},entãoK contém um subgrupo P isomorfo a Z (p
). Logo,
X
0
{P } T,
o que contradiz a maximalidade de X
0
.Portanto,G é uma som a direta de cópias de Z (p
).¥
Agora é possív el caracterizar os grupos divisív eis. O teorema seguinte descreve completa-
menteaclassedosgruposdivisíveis.
23
Te o r e ma 2.14 (D e c omposição dos Grupos Div isíveis) Todo grupo divisível G ésomadi-
reta de p-grupos de Prüfer e de cópias de Q.
Prova.SejaG um grupo div isível. Então
G = T (G) H,
com H livre de torção. Pelo Teorema 2.11, H é isomorfo a uma soma direta de cópias de Q.
Sabemos que T (G) ésomadiretadep-grupos divisíve is. Logo, pelo Teorema 2.13, cada um
desses p-grupos divisíveis é uma soma de cópias de Z (p
). Portanto, todo grupo divisível é
soma direta de cópias de Q edeZ (p
). ¥
2.3 Subgrupos puros
Sejam G um grupo e P um subgrupo de G.EntãoP é cham ado subgrupo pur o de G se para
todo n Z,
P nG = nP.
É sempre v erdade que
nP P nG.
Se p P nG,entãop nP ,ist,sep P e p = ng,paraalgumg G,entãoexistep
0
P
tal que
p = np
0
.
Proposição 2.15 Seja G um grupo. Todo fator de soma direta de G é um subgrupo puro.
Prova.SejaG = H K.Seh H e h = ng,entãog = h
0
+ k
0
,comh
0
H e k
0
K.Assim,
ng = nh
0
+ nk
0
h = nh
0
+ nk
0
.
Logo,
nk
0
= h nh
0
H K = {0} .
Portanto, P é um subgrupo puro. ¥
Proposição 2.16 Sejam G um grupo e P um subgrupo de G tal que
G
P
é livre de torção. Então
P épuro.
Prova.Se
p = ng,
en tão
g + P
G
P
24
possui ordem nita. Como
G
P
é livre de torção,
g + P = P.
Logo g P . ¥
Sejam G um grupo de torção e B um subgrupo de G.EntãoB é chamado subgrupo básico
de G se:
1. B é uma soma direta de grupos clicos.
2. B é um subgrupo puro de G.
3.
G
B
éumgrupodivisível.
Seja G um grupo. En tão G é c hamado um grupo limita do se
nG = {0} ,
para algum n N.
Teorema 2.17 (Prüfer-Baer) Seja G um grupo limitado. En tão G é uma soma dir eta de
grupos cíclicos.
25
Capítulo 3
G r u pos qu as i-in je tivos nitos
Neste capítulo trataremos do principal objeto do nosso trabalho, os grupos quasi-injetivos
nitos. A deniçãodetaisgruposfoimotivadaapartirdofatodenãoexistiremgruposinjetivos
nãotriviaisdeordemnita. Uma demonstração para este fato pode ser encon trada em [9].
A palavra grupo, neste capítulo, signica, salv o menção em contrário, grupo nito. A partir
deste pon to usaremos a notação mais conveniente, aditiva ou m u ltiplicativa, para cada caso em
questão.
3.1 Resultados básicos
Neste seção apresentarem os algum a s denições e resultados básicos da teoria de grupos
que serão necessários para as seções subsequentes, o leitor interessado em mais detalhes pode
consultar [7, 10, 12].
Teorema 3.1 (N/C Lema) Sejam G um grupo e H um sub grupo de G.Então:
1. C
G
(H) é um subgrupo normal em N
G
(H) e
N
G
(H)
C
G
(H)
' K Aut (H) .
2. Inn(G) éumsubgruponormalemAut (G) e
G
Z(G)
' Inn(G).
Exemplo 3.2 Se G = Q
8
é o grupo dos quatérnios de ordem 8, então existe ϕ Aut(G) tal
que ϕ/ Inn(G) e ϕ
2
= I
G
.
Solução.Como
G
Z(G)
' Z
2
× Z
2
26
e Z
2
× Z
2
= hx, yi,comx =(1, 0), y =(0, 1) e x
2
= y
2
=(0, 0), temos que
G = {H, aH, bH, abH},
com H = Z(G) e G
0
= H. Assim, a função ϕ : G G denida por ϕ(a)=a
1
, ϕ(b)=b
1
e
ϕ(z)=z
1
,paratodoz H,éumautomorsm o de G e
ϕ
2
= I
G
C
Aut(G)
(Inn(G)) e ϕ
y
(x)=x[x, y],
que é o resu ltado desejado. ¥
Proposição 3.3 Sejam α : G H um homomorsm o de grupos e P um subgrupo de G.Se
α = β|
P
,então
Ker(α)=Ker(β) P.
Sejam G um grupo e H um subgrupo em G. Dizemos que H é c ompletamente invariante
em G se para todo endomorsmo de grupos φ : G G temos que φ (H) H.Observequese
H é completamen te in varian te em G,entãoH é um subgrupo característico (normal) em G.
Exemplo 3.4 Seja G um grupo. Entã o , pelo item (4) do Lema 1.17,osubgrupoderivadoG
0
de G é completamente invariante em G.
Sejam G um grupo e H um subgrupo normal em G. Dizemos que um subgrupo K de G é
um fator direto de H em G se as seguintes condições são satisfeitas:
1. H K =1.
2. G = HK.
Note que se os fatores existem para um subgrupo H, então eles são únicos, a meno s de isom or-
sm o , pois
G
H
=
HK
H
'
K
H K
= K.
Sejam G um grupo e M um subgrupo de G.DizemosqueM éumsubgrupo minimal de G
se M 6=1eseK é um subgrupo de G tal que se 1 K M,entãoK =1ou K = M.Por
exemplo, se G = {1,a,b,c},coma
2
= b
2
= c
2
=1,entãoM = {1,a} é um subgrupo minimal
de G.
Seja G um grupo abeliano. Dizemos que G é abeliano elementar setodososelementosde
G diferentes da identidade são de ordem p, para algum núm ero primo p. Neste caso, |G| = p
n
,
para algum n N.
Exemplo 3.5 Se G éumgruposolúvelnito e H é um sub gru po normal minimal em G,então
H éump-grupo abeliano elemen tar, para algum número primo p.
27
Soluçãofácilvericar que
σ(H
0
) H
0
,
para todo σ End (H), ou seja, H
0
é completam ente invariante em H.Emparticular,H
0
é
característico em H. Logo, H
0
é um subgrupo normal em G,poisH énormalemG.Assim,
por hipótese,
H
0
=1 ou H
0
= H.
Como H ésolúveltemosqueH 6= H
0
. Assim , H
0
=1e H éumgrupoabeliano. SejaP um
p-subgru po de Sylow não trivial de H, para algum n ú m ero primo p.ComoP é um subgrupo
normal em H temos qu e
σ(P ) P,
para todo σ End (H). Assim, P é um subgrupo normal em G. Portanto, pela minim alida de
de H,temosqueH = P . ¥
Seja G um grupo. Dizemos que uma cadeia subnormal em G,
1=G
0
G
1
··· G
n1
G
n
= G
éumasérie principal ou uma série chief para G se G
i
6= G
i+1
e G
i
é um subgrupo normal
maximal em G, i =0,...,n 1.
Proposição 3.6 Seja G um grupo solúvel nito. Então os fatores de toda sé rie chief de G são
grupos abelianos elementares.
Prova. Vamos usar indução sobre o com prim ento da série chief. Seja
1=G
0
G
1
··· G
n1
G
n
= G
uma série chief para G.Sen =2,entãoG
1
é um subgrupo normal minimal em G,poisnão
existe K C G tal que 1 K G
1
. L ogo, pelo Exem plo 3.5,
G
1
=
G
1
G
0
é um grupo abeliano elem entar. Suponhamos que o resultado seja válido para todo m,com
1 <m<n. Então, pelo Teorema da Correspondência,
1=
G
1
G
1
···
G
n1
G
1
G
n
G
1
=
G
G
1
é um a série ch ief pa ra
G
G
1
.Como
¯
¯
¯
¯
G
G
1
¯
¯
¯
¯
< |G|
temos que
G
i+1
G
1
G
i
G
1
,i=1,...,n 1,
28
são grupos abelianos eleme ntares. Ma s, pelo Terceiro Teorema de Isom o rsmo,
G
i+1
G
1
G
i
G
1
'
G
i+1
G
i
,i=1,...,n 1.
Portanto,osfatoressãogruposabelianoselementares. ¥
Corolário 3.7 Seja G um grupo sup ersolúvel nito . E ntã o os fatores de toda série chief de G
são grup o s abelianos elementares.
Seja G um p-grupo abeliano. Dizem os que G éumgrupohomocíclico se G éumproduto
direto de subgrupos cíclicos H
i
,com|H
i
| = p
n
e n N. Por exemplo,
G = Z
p
n
×···×Z
p
n
,
com k fatores.
Observemos que Q
8
possui todos os subgrupos normais. Tais grupos são conhecidos como
grupos de Dedekind. Como exemplos de grupos de Dedekind temos toda a classe dos gupos
abelianos. Se um grupo não é abeliano e, ainda assim, possui todos os subgrupos normais, ele
é cham ado Hamiltoniano.
Teorema 3.8 Um grup o G é Hamiltoniano se, e som en te se,
G = A + B + D,
com A um grup o dos quatérnios, B um 2-grupo abeliano elementar e D um grupo de tor ção
cujos elementos são to dos de or dem ímpar.
Teorema 3.9 (Argumento de Frattini) Sejam G um grup o nito e K um sub grupo normal
em G.SeP éump-sub grupo de Sylow de K, para algum número primo p,então
G = KN
G
(P ).
Em p articular, se G éump-grupo nito , então
G = G
0
G
p
.
Corolário 3.10 Seja G um p-grupo nito, para algum número primo p.Então
G
Frat (G)
é um grupo abeliano elementar.
Teorema 3.11 Sejam G um grupo, P um p-subgrupo de Sylow de G abeliano e N = N
G
(P ).
Então:
29
1.
P G
0
= P N
0
ou P =(P N
0
) × (P Z (N)) .
2. O p-grupo quociente ma ximal de G éisomorfoaP Z (G).
Teorema 3.12 (Torre de Syl ow) Seja G um grup o sup ersolúvel de ordem
|G| = p
n
1
1
p
n
2
2
···p
n
k
k
,
com p
i
um número primo e p
i
>p
i+1
, par a cada i =1,...,r. Então, p ara cada k, temos que
P
1
P
2
···P
k
é um subgrup o normal em G.
Sejam p um número primo e k N. Denotarem os o grupo
p
k
(G) por
p
k
(G)=
D
g G : g
p
k
=1
E
.
Teorema 3.13 Sejam G um p-grupo abeliano e σ Aut (G).Se
σ|
p
(G)
= I
G
,
então σ = I
G
.
3.2 Grupos quasi-injetivos
Nesta seção apresentaremo s um a caracterização para os grupos quasi-injetiv o s nitos.
Um grupo G é chamado quas i-in je tiv o se para qualquer subgrupo H de G e para qualquer
homomorsmo de grupos α : H G existe um endomorsm o β : G G tal que
β|
H
= α.
Note que um grupo G é quasi-injetivo quando todo homomorsmo de grupos, de qualquer
um d e seus subgrupos nele m esm o, pode ser estendido a um endom orsmo global.
Exemplo 3.14 OgrupodosquatérniosQ
8
é quasi-injetivo.
Solução.SejaQ
8
= ha, bi com b
4
= a
4
= e e a
b
= a
1
. Então qualquer endomorsm o
β : Q
8
Q
8
é com pletam ente determ inad o por β(a) e β(b).OssubgruposprópriosdeQ
8
são:
ha
2
i = hb
2
i = h(ab)
2
i, hai, hbi e habi. Portan to, dado qualquer subgrupo H de Q
8
e qualquer
homomorsmo de grupos α : H Q
8
éfácilverica r que existe um endomorsmo β : Q
8
Q
8
tal que β|
L
= α. ¥
Lema 3.15 Seja G um grupo quasi-injetivo.
30
1. Se H é um fator dir e to de G,entãoH é quasi-injetivo.
2. Se H é um sub grupo completamente invariante de G,entãoH é quasi-injetivo.
3. Se um sub grupo completamente invariante H de G possui um elemen to de ordem n,então
H contém todos os elementos de ordem n.
Prova.(1) Suponhamos que H seja um fator direto de G. Então existe um subgrupo K de G
tal que G = HK e H K =1. Consideremosasfunçõesi : H G denida por i(h)=h e
p : G H denida por p(hk)=h. Logo,
(p i)(h)=p(i(h)) = p(h)=h, h H,
isto é, p i =
I
H
. Dados L um subgrupo qualquer de H e α : L H qualquer homomorsmo
de grupos. Assim, i α : L G é um homom orsmo de grupos. Como G équasi-injetivo
temos que existe um endom orsmo γ : G G tal que
γ|
L
= i α.
Agora, vamos denir β : H H por
β = p (γ|
L
).
En tão
β (h)=(p (γ|
L
)) (h)=(p (i α)) (h)=((p i) α)(h)
=(I
H
α)(h)=I
H
(α (h)) = α (h) , h L,
isto é,
β|
L
= α.
Portanto, H é quasi-injetivo.
(2) Suponhamos que H seja um subgrupo completamente invariante de G. Dados L um
subgrupo qualquer de H e α : L H um homomorsm o de grupos qualquer. Assim, iα : L
G é um homomorsmo de grupos. C om o G é quasi-injetivo temos que existe um endomorsmo
γ : G G tal que
γ|
L
= i α.
Assim , existe um endom orsmo β = γ|
H
: H H tal que
β|
L
= α,
pois γ(H) H.Portanto,H é qu asi-injetivo.
(3)SejamH um subgrupo completamente inv ariante de G,
α : H G
31
um homomorsmo de grupos e h H um elemento de ordem n.ComoG é quasi-injetivo,
existe um endomorsmo β : G G tal que
β|
H
= α
e g = β(h),paraalgumg G de ordem n. Por outro lado,
g = β(h) β(H) H,
Portanto, H contém todos os elemen tos de ordem n. ¥
Lema 3.16 Seja
G = HK, com mdc (|H| , |K|)=1.
Então G é um grupo quasi-injetivo se, e somen te se, H e K também o são.
Prova.SejaG um grupo quasi-injetiv o . Então, pelo item (1)doLema3.15,H é quasi-injetiv o.
De form a análoga, prova-se que K também é quasi-injetivo.
Reciprocamen te, seja G = HK,comH e K quasi-injetiv os. Dados L um subgrupo qualquer
de G e α : L G um homomorsmo de grupos. En tão, pelo Exemplo 1 .3, obtem os
L =(L H)(L K)
.
Logo, existem endomo rsmos
β
1
: H G e β
2
: K G
tais que
β
1
|
LH
= α|
LH
e β
2
|
LK
= α|
LK
,
pois L H<He L K<K. Assim , pelo Teorema 1.10 , a funçã o β : G G denida por
β(hk)=β
1
(h)β
2
(k),
com h H e k K, é um endom orsmo de G tal que
β|
L
= α.
Portanto, G é q uasi-injetivo. ¥
Exemplo 3.17 OgupoG = Q
8
× Q
8
não é quasi-in jetivo.
Solução.SejamQ
8
= ha, bi e Q
8
= hc, di. P ondo H = hai e K = haci,obtemos
H K =1, [a, ac]=1 e L = HK.
Seja α Aut (L) denido por α (a)=ac.EntãoseG fosse quasi-injetivo, então é fácil encon trar
β Aut (G) tal qu e
β|
L
= α.
32
Como H C G tem os q ue K = β (H)=α(H) C G.Portanto,
(ac)
b
= b (ac) b
1
= a
1
c = a
2
(ac) / K,
o que é uma contradição, ¥
Este exemplo ratica a necessidade da hipótese do Lem a 3.16 de que mdc (|H| , |K|)=1.
Teorema 3.18 Todo grupo quasi-injetivo é sup ersolúvel.
Prova.SejaG um grupo quasi-injetivo nito. Suponhamos, por absurdo, que o resultado seja
falso. En tão podemos escolher um subgrupo normal minimal H em G tal que um fator chief
H
K
seja um grupo abeliano não elem entar, com K C G. Logo,
¯
¯
¯
¯
H
K
¯
¯
¯
¯
= p
n
m,
com n 2, m 2 e mdc(m, p)=1,paraalgumnúmeroprimop.Seja
P Syl
p
µ
H
K
.
Como
¯
¯
P
¯
¯
= p
n
temos que existe K
p
C P tal que
¯
¯
¯
¯
P
K
p
¯
¯
¯
¯
= p.
Assim , pelo Terceiro Teorema do Isomorsmo, temos que K
p
C P<Heque
¯
¯
¯
¯
P
K
p
¯
¯
¯
¯
= p.
Logo, existe um homom orsmo de grupos α : P G,com
Ker (α)=K
p
(K K
p
) e
¯
¯
¯
¯
P
K
p
¯
¯
¯
¯
= p.
Por outro lado, como G é um grupo quasi-injetivo temos que existe um endomorsmo β : G G
tal que
β|
P
= α e K
p
=Ker(α)=Ker(β) P C H.
Portanto,
K H Ker(β) H {K} 6=
H
H Ker(β)
<
H
K
,
o que é uma contradição. ¥
Observação 3.19 OExemplo3.17 prova que a reproca do Teorema 3.18 éfalsa.
O próximo teorema é bastan te usado para determinar a estrutura dos grupos quasi-injetiv o s.
33
Teorema 3.20 Sejam G um grupo quasi-injetivo e K um subgrupo de G.SeH éumsubgrupo
subnorm al em K,entãoH éumsubgruponormalemK.
Prova.ComoH é subnormal temos que existe uma cadeia subnormal
H = H
0
H
1
··· H
n1
H
n
= L C K.
P odemos supor, usando indução sobre n,queH C L. Suponhamos, por absurdo, que H não
seja norm a l em K.Entãoexistek K tal que
H
k
= kHk
1
6= H.
P ondo U = HH
k
,obtemos
U<L,
pois H énormalemL e H
k
éumsubgrupodeL. Então o grupo quociente
U
H
possui um
subgrupo de ordem p, para algum um número primo p. Logo, pela prova do Teorema 3.18,
existe M C G tal que
H U M U.
Neste caso, H
k
M.EntãoU M, o que é uma contradição. Portan to, H é um subgrupo
normal em K. ¥
Corolário 3.21 Seja G um grupo quasi-injetivo. Então qualquer sub grupo nilpotente de G é
um grup o de Dedekind.
Prova.SejaH um subgrupo nilpotente de G. Então, pelo Corolário 1.35, todo subgrupo N de
H é subnormal em H. A ssim, pelo Teorem a 3.20, N énormalemH Portanto, H éumgrupo
de Dedekind. ¥
Lema 3.22 Sejam G um grupo quasi-injetivo e P um p-subgrupo de Sylow de G,paraalgum
número primo p. Então todos os elementos de ordem p em P tem a mesm a altura em P ,isto
é, eles estão c on tid os em subgrupos cíclicos maxim ais isomorfos de P .
Prova.SejamG um grupo, g G, P um p-subgrupo de Sylow de G e a P ,com|a| = p.
Considere
F = {hgi : |g| = p
n
e a hgi} .
Note que F 6= e contém um elemen to maximal, digamos hgi F,com|hgi| = p
n
eap-altura
de a sendo igual a n.
Tome b G,com|hbi| = p.Sejam a p-altu ra d e b. Ent ão existe h G tal que |hhi| = p
m
e b hhi.Sejaϕ : hai −→ hbi <Gum homomorsmo de gr upos. Como G éumgrupo
quasi-injetiv o, existe um homomorsmo de grupos ψ : G −→ G tal que
ψ|
hai
= ϕ.
34
Arma ção. ψ|
hai
éinjetora.
De fato, se w hgi e ψ (w)=1,comw 6=1,entãoexistes N tal que a = w
s
. Logo,
1=ψ (w
s
)=ψ (a)=b,
o que é um absurdo.
Pondo t = ψ (g),obtemosque
|t| = |ψ (g)| = |g| = p
n
.
Como b = ϕ (a) hti,entãotemosquem = n. Portan to, todo elemento de ordem p em P tem
amesmaalturaemP . ¥
Corolário 3.23 Sejam G um grup o quasi-injetivo e P um p-subgrupo de Sylow de G.Então
P é um grupo homocíclico ou um grupo dos quaté rn ios de ordem 8.
Prova.Seja
P Syl
p
(G) .
Como P é um grupo de Dedekind temos, pelo Teorema 3.8, que ele é abeliano ou é o produto
direto do grupo quatérnio de ordem 8 com um 2-grupo abeliano elementar. Logo, pelo Lema
3.22, P é da forma desejada. ¥
Observação 3.24 O resultado acima implica que se P éump-subgrup o de Sylow de um grupo
quasi-in jetivo , que não é abeliano, então p =2e P é um grupo dos quatérnios de or dem 8.
Neste caso, o teorema seguinte prova que P deve ser um fator direto de G.
Teorema 3.25 Seja G um grupo quasi-injetivo. Se Q
8
éum2-subgrupo de Sylow de G,então
G = Q
8
× K,
com K um grupo quasi-injetivo de ordem ímpar.
Prova.Como
Q
8
Syl
2
(G)
temos que
Q
8
Syl
2
(Q
8
G
0
)
e Q
8
G
0
C G. En tão, pelo argumento de Fratini, obtemos
G = G
0
N
G
(Q
8
) ,
pois Q
8
C N
G
(Q
8
).
Arma ção. Q
8
C G.
De fato, suponhamos por, absurdo, q ue Q
8
não seja n orm a l em G.Entãoexisteump-elemento
x G
0
tal que
xQ
8
x
1
6= Q
8
.
35
Por hipótese, G ésupersolúveleG
0
é nilpoten te. En tão, pelo Teorema 3.20,
H = hxi C G.
Assim, dado σ Aut(Q
8
),obtemosδ
2
=(σ|
H
)
2
= I
H
,ouseja,hδi é um subgrupo cíclico de
Aut(Q
8
). Logo, C
Q
8
(x) é subgrupo cíclico de ordem 4.Portanto,emcada2-subgrupo de Sylo w
de G temos que cada elemento de ordem 2 centr aliza x. Como a função
α : HC
Q
8
(x) H G
é um homomosmo de grupos tem os que existe um endomorsmo β : G G tal que
β|
HC
Q
8
(x)
= α.
Seja
M =Ker(β) .
En tão
M HC
Q
8
(x)=C
Q
8
(x) .
Por outro lado, como
M HQ
8
C HQ
8
, C
Q
8
(x) HQ
8
e M H =1
temos que
M HQ
8
C
Q
8
(x) ,
ou seja,
M HQ
8
= C
Q
8
(x) .
Assim ,
(HQ
8
) M
M
< Im (β) e
(HQ
8
) M
M
'
HQ
8
C
Q
8
(x)
6= {C
Q
8
(x)} .
Portanto, existe um elemento y de ordem 2 em
HQ
8
C
Q
8
(x)
tal que xy 6= yx, o que é uma contradição.
Finalmen te, se P
1
,...,P
k
são todos os p
i
-subgrupos de Sylo w de G,comp
i
n úm eros primos
ímpa res, i =1,...,k,então,peloTeorema3.12,
K = P
1
×···×P
k
' P
1
P
2
···P
k
.
éumsubgruponormalemG.Comoo
mdc(|Q
8
| , |K|)=1
temos, pelo Lema 3.16, que K éumgrupoquasi-injetivodeordempar. ¥
36
Observação 3.26 OTeorema3.25 eoLema3.16 reduzem a discussão a todos os grupos cujos
subgrup os de Sylow são ab elianos.
Lema 3.27 Seja G um grup o quasi-injetivo tal que to dos os p-subgrupos de Sylow de G são
grupos abelianos. Então G
0
éumπ-sub grupo de Hall de G eexisteH um sub grupo de G tal que
G = G
0
H, com G
0
H =1.
Além disso, G
0
e H são grupos ab elianos homocíclicos e
G
0
Z (G)=1.
Prova.SejamP um p-subgrupo de Sylow de G e N = N
G
(P ).Então,peloitem(1)do
Teorema 3.11, obtem os
P =(P G
0
) × (P Z (N)) .
Arma ção. P G
0
=1ou P éumsubgrupodeG
0
.
De fato, suponhamos que
P G
0
6=1.
En tão P é um subgrupo de G
0
. Lembremos que, pelo Corolário 3.23, P é um grupo homocíclico
e, pelo item (3)doLema3.15,G
0
con t ém todos os elementos de ordem p,dondeP G
0
éumfator
de P . A ssim , G
0
éumπ-subgrupo de Hall de G. Portan to, pelo Teorema de Schur-Zassenhaus,
G contém um π
0
-subgrupo H tal que
G = G
0
H, com G
0
H =1.
Finalmente, se P éumsubgrupodeG
0
,entãoP é um subgrupo normal em G e
P Z (G)=1.
Assim ,
G
0
Z (G)=1,
que é o resu ltado desejado. ¥
Lema 3.28 Seja G = KH um grupo quasi-injetivo tal que todos os p-subgrup os de Sylow de G
são grupos abelianos, com
K = G
0
e H K =1.
Se P éump-subgrup o de Sylow de K e h H,entãoexister = r (p, h) Z ta l que k
h
=
hkh
1
= k
r
,paracadak P .
Prova. Podemos supor, sem perda de generalidade, que
P = hk
1
i×···×hk
n
i ,
37
com hk
i
i subgrupos cícicos isomorfos, para cada i =1,...,n. Suponhamos que n>1,poiso
caso n =1é claro. En tão, pelo Teorema 3.20, os subgrupos hk
i
i, hk
j
i e hk
i
k
j
i são norm ais em
G,paracadai, j =1, 2,...,n,comi 6= j. Logo, existem r, s, t Z tais qu e
k
h
i
= k
r
i
,k
h
j
= k
s
j
e (k
i
k
j
)
h
=(k
i
k
j
)
t
,
com 0 <r,s,t <|k
i
| = |k
j
|. A ssim,
k
r
i
k
s
j
= k
h
i
k
h
j
=(k
i
k
j
)
h
= k
t
i
k
t
j
k
rt
i
= k
ts
j
.
Portanto, para cada k P ,exister = r (p, h) Z tal que s
h
= s
r
. ¥
Lema 3.29 Seja G = KH um grupo quasi-injetivo tal que todos os p-subgrup os de Sylow de G
são grupos abelianos, com
K = G
0
e H K =1.
Se K
π
éumπ-subgrupo de Hall de K,entãoC
H
(K
π
) é um fator direto de H.Emparticular,
Z (G)=C
H
(K)
é um fator dir eto de G.
Prova. Basta provar que se
1 6= x
p
C
H
(K
π
) ,
en tão existe
z C
H
(K
π
) tal que z
p
= x
p
.
A função
α : K
π
hx
p
i K
π
denida por α(kx
p
)=k éclaramenteumhomomorsmo de grupos. Assim, existe um endo-
morsm o de grupos β : G G tal que
β|
K
π
hx
p
i
= α.
Seja M =Ker(β).Então
M K
π
hx
p
i =Ker(α)=hx
p
i .
Note que x/ C
H
(K
π
). Assim , existe y Im (β) de ordem p com a mesma ação de x em
K
π
. Logo, o conjugado y
k
pertence a H,paraalgumk K,ey
k
possui a mesma ação de x.
Portanto,
z = x
¡
y
k
¢
1
C
H
(K
π
)
é o elem ento desejad o. ¥
Teorema 3.30 Um grup o G é quasi-injetivo se, e somente se, G = Q
8
× K,comK um grupo
quasi-injetivo de ordem ímpar ou G = K o H tal que:
38
1. Syl
p
(K) e Syl
p
(H) são homocíclic os.
2. G
0
= K.
3. mdc (|K| , |H|)=1.
4. Par a cada h H,sep éumnúmeroprimo,comp||K|, então existe um r = r (p, h) Z
tal que k
h
= k
r
para todo k K
p
.
5. Se K
π
éumπ-subgrupo de Hall de K, p ara algum conjunto de primos π,entãoC
H
(K
π
)
é um fator direto de H.Emparticular,
Z(G) H = C
H
(K)
é um fator direto de H.
Prova. Suponhamos que G seja um grupo quasi-injetivo. E ntão, pelo Teorema 3.25 e, pelos
Lemas 3.27, 3.28 e 3.29, G satisfaz todas as condições desejadas.
Reciprocamen te, se G = Q
8
× K,então,peloLema3.16,G é u m grupo quasi-injetivo, pois
o
mdc (|Q
8
| , |K|)=1.
Agora, suponhamos que G = K o H. Note que dado qualquer subgrupo L de G po demos
supor, sem perda de generalidade, que
L =(L K) × (L H) .
Sejam α : L G um homomorsmodegruposqualquer,π o conjunto dos primos que divide
aordemde
L K
Ker (α|
LH
)
e escolhamos x G tal que
α (L H) H
x
.
Então vários fatos a serem considerados:
1
Fato. Se h L H, então existe c C
H
(K
π
) tal que
α (h)=(hc)
x
.
De fato, a função α
1
: L G denida por
α
1
(y)=x
1
α (y) x
é um homomorsmodegrupostalque
α
1
(L H) H.
39
Assim, para um n úmero primo p π xado, podemos escolher k L K tal que α
1
(k) seja
um p-elemen to de G,comα
1
(k) 6=1. Logo, pelo item (4), obtemos
α
1
(k)
α
1
(h)
= α
1
(h) α
1
(k) α
1
(h)
1
=
¡
x
1
α (h) x
¢¡
x
1
α (k) x
¢¡
x
1
α (h)
1
x
¢
= x
1
α (h) α (k) α (h)
1
x
= x
1
α
¡
hkh
1
¢
x = x
1
α
¡
k
h
¢
x
= α
1
(k)
h
ou, equivalentemen te,
α
1
(k)
α
1
(h)h
1
= α
1
(k) ,
ou seja, α
1
(h) h
1
centraliza α
1
(k)fácilvericar que conjugações sucessivas dos p-elem entos
α
1
(k) por α
1
(h) h
1
mantém o elemento α
1
(k) cen tr alizad o. Neste ca so, α
1
(h) h
1
cen traliza
todos os elemen tos de ordem p. Logo, pelo Teorema 3.13, temos que
α
1
(h) h
1
C
H
(K
p
) .
Portanto,
α
1
(h) h
1
C
H
(K
π
) ,
isto é,
α
1
(h) h
1
= c α (h)=(hc)
x
, para algum c C
H
(K
π
) .
2
Fato. Existe um homomorsmo d e grupos γ : KL G tal que
γ|
L
= α.
De fato, note que
KL = K (L H) (L K) K
π
eparaα|
LK
existe um homomorsm o de grupos σ : K K tal que
σ|
LK
= α|
LK
(K
π
) K
π
e σ (k)=1,
se k éump
0
-elemento de K.Afunçãoγ : KL G denida por
γ (kh)=σ (k) α (h) ,
é o homomorsmo de grupos desejado.
3
Fato. Existe um homomorsmo d e grupos β : G G tal que
β|
KL
= γ.
De fato, usando indução sobre |G|, basta esten der γ àfunção
β : M G,
40
com M um subgrupo de G tal que
¯
¯
¯
¯
M
KL
¯
¯
¯
¯
= p.
Sejam h (M H) L um p-elemento e suponhamos que
γ (h
p
)=(h
p
c)
x
,
para algum c C
H
(K
π
). Entãoaordemdec é |c| < |h|. Logo, |c| émenordoqueap-ésima
componente do expoente de H. Assim, pelo item (5), existe d C
H
(K
π
) tal que d
p
= c.Pondo
β (h)=(hd)
x
,
obtemos o homomorsm o desejad o β : M G.Portanto,G éumgrupoquasi-injetivo. ¥
Exem plos 3.31 São exem plo s de grupos quasi- inj etivo s os seguinte s grupos:
1. G = K o
ϕ
H,comK = hai'Z
7
, H = hbi'Z
3
e ϕ : H −→ Aut (K) dada p o r
ϕ
b
(a)=a
2
. De fato, note que K e H são homocíclicos, mdc (|H| , |K|)=1, G
0
= K,
K
π
= K éum{7}-subgrupo de Hall de G e C
H
(K)=1é um fator direto de H;
2. G = D
p
n
,comp um número primo ímpar e n N.
41
Capítulo 4
Grupos do tipo injetivo
O conceito de grupo quasi-injetivo dado no capítulo anterior foi criado por L. Fuchs motivado
pelo fato de não existirem grupos injetiv os nitos não triviais. Agora, introduziremos um outro
conceito relativo, à extensão de automorsmos de grupos que foi criada por Azev edo e que foi
tratada por ele, Bastos e Juriaans em [2]. No nosso trabalho, estudaremos apenas o caso em
que G é um grupo abeliano.
Um grupo G édotipo injetivo se para qualquer subgrupo H de G e qualquer automorsm o
de grupos φ existir um automorsm o de grupos ψ tal que
ψ|
H
= φ.
Sejam o conjun to
L = {ψ Aut (G):ψ|
H
Aut (H) ,paracadaH<G}
e a função
T : L −→ Aut (H)
ψ 7−→ ψ|
H
.
En tão é fácil vericar que L < Aut (G) e T é um hom om orsmo de grupos. Note que G édo
tipo injetivo se T é sobrejetora. Em particular, Aut (H) éumaseção de Aut (G),pois
L
Ker (T )
' Aut (H) .
Portan to, uma condição necessária para que um grupo nito G sejadotipoinjetivoéque
|Aut (H)| divida |Aut (G)|.
4.1 Resultados básicos
Nesta seção apresentaremos algumas denições e resultados básicos da teoria de grupos que
serão necessários para as seções subsequentes, o leitor interessado em ma is detalhes, mais u m a
v ez, pode consultar [7, 10, 12].
42
Teo re m a 4.1 (Kuliko v) Se um grup o G é uma som a dir eta de grupos cíclicos, então todo
subgrupo de G tamb ém é uma soma dir eta de grup os cíclic os.
Sejam p um n úm ero prim o e r N.Ump-grupo é chamado homocíclico do tipo (p
r
,m) se
eleéasomadiretadem cópias de um grupo cíclico de ordem p
r
.
Seja G um gru po homocíclico do tipo (p
r
,m). Dizemos que um conjunto X = {x
i
: i Λ},
com Λ um conjunto de índices, é uma base para G se
G =
X
iΛ
hx
i
i .
AbaseX é chamada in dependen te se ela é uma ba se para o subgrupo de seus gera dores.
Teorema 4.2 (Teorema da Base) Sejam G um grupo hom ocíclico do tipo (p
r
,m) e H um
subgrupo de G.EntãoH é uma soma dir eta de grupos cíclic os e, dada uma base
H = {h
i
: i Λ
1
}
de H,existemumabaseX = {x
i
: i Λ} de G eumconjunto
N = {r
i
: r
i
N, i Λ}
tais que Λ
1
Λ e h
i
= x
p
r
i
i
, par a cada i Λ
1
.
Retomando o conceito de grupos divisív eis dado no Capítulo 2,observamosque,seum
grupo G é d ivisível, então um elem e nto g G étalque
g G
n
, para cada n Z
+
.
Observemosagora,quegruposlivresdetorçãosãomaisdifíceisdelidardoquep-grupos
abelianos, exceto no caso de grupos de posto 1. Por isto, não existe uma classicação satis-
fatória. O conceito de altura nos fornece um importante modo de distinção en tr e elementos em
gruposlivresdetorção.
Sejam p um número primo xo e g um elemento d e um grupo abeliano G.Ap-altura de g
em G é o único elem e nto n
p
Z
+
tal que
p
n
p
||g| , mas p
n
p
+1
- |g| .
Caso contrário, dizemos que g tem p-a ltu ra inn ita em G.
Seja p
1
,p
2
,... a sequência dos n úmeros primos em sua ordem natural. Se g éumelemento
de G,aaltura vetorial de g édenida com o
h (g)=(n
1
,n
2
,...) ,
com n
i
a p
i
-altura de g em G. Note que cada n
i
é ou um inteiro não negativo. Qualqu er v etor
h com componentes desse tipo será ch am ado de altur a, sem referência a um grupo abeliano
especíco.
43
O conunto de todas as alturas pode ser parcialmente ordenado denindo h h
0
sempre que
n
i
n
0
i
,paratodoi. Aqui, o s ímbolo está sujeito a regras h abitua is. Assim,
0 =(0, 0,...)
é a ú nica altura m ínima e
=(, ,...)
é a ún ica altura máxima.
Se g éumelementodeumgrupocomp-altura n,entãopg tem p-altur a n +1. Logo,
se a p-altura de um elemento g de G é acrecida de alguns primos p, a altura resultante será
um múltiplo da altura de g. Isso sugere que tais alturas sejam tratada s como equivalen tes.
Consequentemen te, duas alturas h e h
0
são e quivalentes se n
i
= n
0
i
, para quase todo i e n
i
= n
0
i
quando n
i
ou n
0
i
for innito. Pode-se ve ricar que esta relação é uma relação de equivalência no
conjunto das alturas. As classes de equivalências são cha m ada s tipos. O tipo de um elemento
g de um grupo é denido com o o tipo de suas alturas v eto riais e será denotado por
t (g) .
O conjun to de todos os tipos pode tam bém ser parcialmente ordenado. Denim os t t
0
para signicar que h h
0
,comh e h
0
as alturas associada aos tipos t e t
0
, respectivamente.
Claram ente, existem um único men or e um único maior tipo.
Suponhamos que G seja um grupo livre de torção de posto 1 e g
1
, g
2
dois elementos de
G {1}.Então
hg
1
i hg
2
i 6= {1},
pois {g
1
,g
2
} é dependen te. Assim, existem m
1
,m
2
Z
tais que
m
1
g
1
= m
2
g
2
6=1.
Logo, por denição, h (g
1
) e h (g
2
) são equivalentes e
t (g
1
)=t (g
2
) .
Portanto,todoelementodeG {1} tem o m esm o tipo, o qual é referido como o tipo de G,em
símbolos t (G).
Proposição 4.3 Sejam G e H grup os ab elianos livr es de tor ção de posto 1.EntãoG e H
são isomorfos se, e somente se, eles tem o mesm o tipo. Além disso, todo tipo é o tipo de um
grupo abeliano livr e de torção de posto 0 ou 1.
4.2 Propriedades dos grupos do tipo injetiv o
Lema 4.4 Sejam G umgrupodotipoinjetivoeH um subgrupo característico em G,entãoH
é do tipo injetivo .
44
Prova.SejamH um subgrupo característico em G, K um subgrupo qualquer de H e φ : K K
um automorsmo de grupos. Com o K também é um subgrupo de G e G é um grupo do tipo
injetivo, existe um automorsmo de grupos ψ : G G tal que
ψ|
K
= φ.
Por outro lado,
ψ|
H
Aut (H) ,
pois H é um subgrupo característico de G. Portanto, H é do tipo injetivo . ¥
Exem plos 4.5 Seja G umgrupodotipoinjetivo.Então:
1. O c entr o Z (G) de G édotipoinjetivo.
2. O sub grupo Frattini Frat (G) de G é do tipo injetivo.
3. O subgrupo Fitting Fit (G) de G édotipoinjetivo.
Lema 4.6 Sejam G umgrupodotipoinjetivoeφ : H H um automorsmo de grupos. Se o
automorsmo de grupos ψ : G G étalque
ψ|
H
= φ
então:
1. ψ (C
G
(H)) = C
G
(H).
2. ψ (N
G
(H)) = N
G
(H).
Lema 4.7 Sejam G um grupo e N e H sub grupos de G tais que
G = N o H.
Se G édotipoinjetivoeN é um subgrupo c aracterístic o em G,entãoH é do tipo injetiv o.
Prova.Sejam
π : G H
aprojeçãodeG em H,e(K, φ) umadataemH.ComoG é um grupo do tipo injetivo ele
possui um a extensã o (G, ψ).Consideremosafunção
ˆ
φ := π ψ : H H.
Arma ção:
ˆ
φ Aut (H).
De fato, note que
ˆ
φ é um homom orsmo de grupos. Se
ˆ
φ (h)=1,
45
com h H,entãoψ (h) N. Assim,
h N H = {1}.
Logo,
ˆ
φ éinjetoraemH.Dadoh
1
H,obtemos
h
1
= ψ (z) , para algum z G.
P ondo
z = nh,
com n N e h H,temosque
h
1
= π (h
1
)=π (ψ (z)) = (π ψ)(z)=
ˆ
φ (z) .
Logo,
ˆ
φ é sobrejetora em H. Assim ,
ˆ
φ é um automorsmo de H.Portanto,H éumgrupodo
tipo injetivo. ¥
4.3 O caso abeliano
Nesta seção abordarem os o resu ltado qu e caracteriza todos os grupos abelianos do tipo
injetivo.
Teorema 4.8 Sejam G umgrupoabelianoeT (G) seu subgrupo torção. Então G édotipo
injetivo se, e somente se, é satisfeita uma das seguintes condições:
1. G éumgrupodivisível.
2. G é um grupo de torção e cada um a de suas componentes primárias é divisível ou ho-
mo cíclica.
3. T (G) é divisível e
G
T (G)
é livre de torção, abeliano e de posto 1.
Prova.SejamG seja um grupo abeliano do tipo injetiv o e T (G) seu subgrupo torção. Supon-
hamos que G não seja divisível. Então dois casos a ser analisados: quando G éumgrupo
de torção e quando G não é um grupo de torção.
1
Caso. G = T (G).
De fato, pelo Teorem a 1.15, podemos supor, sem perda de generalidade, que G éump-grupo e
pelo Teorema 2.8, podemos escrever G comoasomadireta
G = D E,
com D divisível e característico e E reduzido. Como D é característico e G édotipoinjetivo
temos que
E = {1} ou D = {1}.
46
Logo, G é reduzido.
Arma ção. G é um grupo limita d o.
De fato, se G não fosse limitado , en tão ele seria divisível, o que é uma contradição. Po rtanto,
G é lim itad o.
Assim , pelo Teorema 2.17, G é a soma direta de grupos clicos. Como G édotipoinjetivo,
todas as or dens destes grupos cíclicos são iguais. Portanto, eles são homocíclicos.
2
Caso. G 6= T (G).
Sejam x G tal que x/ T (G), g T (G) e n N.Tomemos
H = hgi×hx
n
i <G
edenamos φ Aut (H) por
φ (h)=
(
g, se h hgi
gx
n
, se h hx
n
i .
En tão, sendo φ : H H um automorsmo de grupos, como G édotipoinjetivo,existeum
automorsmo de grupos
b
φ : G G,com
ˆ
φ (h)=φ (h) , h H.
Assim ,
gx
n
=
b
φ (x
n
)=(
b
φ (x))
n
g =(
b
φ (x) x
1
)
n
.
Logo, T (G) é um gru po divisív el e então podemos escrever
G = T (G) F.
Tomemos x F .ComoG não é divisível temos que existe n
0
N tal que
x/ G
n
0
.
Sejam w F um elem ento não trivial qua lquer e
K = hw
n
0
,xi .
Se K fosse de posto 2,entãodenim os φ Aut (K) por
φ (w
n
0
)=xw
n
0
, com φ (x)=x.
Logo,
b
φ satisfaz
x =(w
1
b
φ (w))
n
0
G
n
0
,
o que é uma contradição. Logo, K édeposto1. A ssim , F também o é.
Reciprocamente, seja G um grupo que satisfaz uma das três condições do teorema. Então
três casos a considerar .
47
1
o
Caso. Seja G um grupo divisível. sabemos que T (G) também é divisíve l. En t ão
G = T (G) F,
com F também divisível. Sejam H um subgrupo qualquer de G, φ : H H um automorsmo
de grupos, Λ um conjunto de números primos, V um complemen tar para
X
pΛ
p
(H) em
X
pΛ
p
(G)
e
ˆ
H = V H.
Podemos estender φ a
ˆ
H de modo que φ seja a iden tida de em V . Ainda denotemos essa extensão
por φ. Pelo Teorema 2.6, G é um grupo injetivo. Então existe um endomorsmo ψ : G G
tal que
ψ|
ˆ
H
= φ.
Como
X
pΛ
p
(
ˆ
H)=
X
pΛ
p
(G) ,
temos que
ψ|
T (G)
Aut (T (G)) .
Seja
F := {U : hT (G) ,Hi <U<G e ψ|
U
Aut (U)} .
Arma ção 1. hT (G) ,Hi F.
De fato, sejam
L = hT (G) ,Hi e g L.
En tão g = th,comt T (G) e h H.Seψ (g)=1en tão
φ (h)=ψ (h) T (G) H = T (H) .
Logo, g =1. P or outro lado, existem t
0
T (G) e h
0
H tais que
t = ψ (t
0
) e h = ψ (h
0
) g = ψ (t
0
h
0
) .
O que pro va a arm ação.
Ordenando F pela inclusão, temos que toda cadeia ascendente em F tem uma cota superior
em F. Assim, pelo Lem a d e Z orn, podemos escolher um elemento m axim al, diga m os
U
0
F.
Seja
W =
p
U
0
= {g G : g
n
U
0
, para algum n N}
o radical d e U
0
em G.
48
Arma ção 2. W F.
De fato, note que
hT (G) ,Hi <W.
Se
x W Ker (ψ) ,
en tão, para algum n N, temos que
x
n
U
0
Ker (ψ)={1}.
Logo,
x T (G) Ker (ψ)={1}.
Assim , ψ éinjetoraemW.Sejamy W e n N tais que y
n
U
0
.Entãoexistez U
0
tal que
y
n
= ψ (z) .
Como G é divisível, temos que existe x G tal que z = x
n
.Pordenição,
x W e y
1
ψ (x) T (G) <U
0
<W.
En tão existe t T (G) tal que y
1
ψ (x)=ψ (t
1
). A ssim,
y = ψ (tx)
com tx W . Logo, ψ é sobrejetora. Isto prova a armação e também que
W = U
0
.
Desta forma, U
0
é um subgrupo divisível de G. A ssim ,
G = U
0
K,
para algum subgrupo divisív el K de G.Denamos
ˆ
φ : G G por
ˆ
φ (g)=
ˆ
φ (uk)=ψ (u) I
K
(k) , com u U
0
e k K.
En tão
ˆ
φ Aut (G) e
ˆ
φ étalque
ˆ
φ|
ˆ
H
= φ.
Portanto, G é d o tipo injetivo.
2
o
Caso. Seja G um grupo de torção tal que suas componen tes primárias são divisíveis ou
hom ocíclicas. P odemos supor, sem perda de generalidade, que G éump-grupo. Po r um caso
an terior, G também pode ser suposto hom ocíclico. Sejam H um subgrupo de G e φ : H H
um automorsm o de grupos. Uma aplica ção do Teorema da Base gara nte a existência de uma
extensão de φ.
49
3
o
Caso. Seja G um grupo tal que
G = T (G) F,
com T (G) divisív el e F de posto 1.Sejam
t = t (F ) ,
otipodeF ,e
h =(h
1
,h
2
,...)
uma altura qualquer em t. Pela Proposição 4.3, F é isomorfo ao subgrupo de Q gerado pelos
números racionais
1
p
j
i
,comi N, j =0, 1,...,h
i
e Π = {p
1
,p
2
,...} oconjuntodosnúmeros
primos ordenados naturalmen te. Desta forma podemos “mergulhar” G no grupo divisível
G = T (G) Q.
Sejam H um subgrupo de G e φ : H H um automorsm o de grupos. P elo 1
o
Caso, existe
ψ Aut
¡
G
¢
tal que
ψ|
G
= φ.
Arma ção 1. ψ (G)=G.
De fato, suponhamos, por absurdo, que ψ (G) 6= G.Então,paraalgumf
0
F , teríamos que
ψ (f
0
) / G.
Seja
π :
G Q
aprojeçãocanônicade
G e
ψ : Q Q
a função induzida por ψ.Então
ψ Aut (Q) e ψ (π (f
0
)) / π (F ) .
Logo, ex site u m nú m e ro racional α =
p
q
,commdc (p, q)=1,talqueψ éoprodutoporα e
απ (f
0
) / π (F ) .
Por outro lado,
α
n
π (H)=π (H) , n Z.
Escolha n
0
N π (H) e n N grande o sucien te para que α
n
n
0
π (H) (F ) seja uma
fração irredutível. Se
q = p
s
1
i
1
···p
s
k
i
k
é a decom posição primária de q,então,comoπ (F ) é gerado pelos nú meros racionais
1
p
j
i
,com
i N, j =0, 1,...,h
i
,eα
n
n
0
é uma fração irredutív el em π (F ), devemos ter que h
i
k
6=0.De
50
fato, como podemo s tomar n N arbitrariamente grande segue que h
i
k
= .Ofatodosp
i
k
serem relativ amente primos implica que
1
q
π (F)
eentãoα π (F ).Sex π (F ),então
x =
X
s
ij
p
j
i
, (4.1)
uma soma nita com s
ij
Z, i, j. Usand o a Equação (4.1), tem os que
x
q
π (F ) e, assim ,
αx π (F ) .
Por outro lado,
ψ (π (f
0
)) = απ (f
0
) π (F ) ,
o que é uma contradição. Logo,
ψ (G)=G.
Portanto, G é um grupo do tipo injetivo. ¥
Corolário 4.9 Seja G um grupo nito do tipo injetivo. Entã o Z (G) é do tipo injetivo. Por-
tanto , Z (G) é um pro du to direto de p-grupos homocíclicos.
Exemplo 4.10 Seja G = D
p
n
,comp um número primo ímpar e n N,entãoG éumgrupo
do tipo injetivo.
Exemplo 4.11 OgrupoG = K o
ϕ
H,comK = hai'Z
7
, H = hbi'Z
3
e ϕ : H −→ Aut (K)
dada p or ϕ
b
(a)=a
2
, não é um grupo do tipo injetivo.
O Exemplo 4.11 com pro va o fato de que a categoria dos gupos quasi-injetivos é distin ta da
categoria dos grupos do tipo injetivo, pois o grupo G = K o
ϕ
H é quasi-injetiv o, pelo Exemplo
3.31, embora não seja do tipo injetivo.
51
Refe r ê ncias B ibliog r á cas
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52
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